quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Cusco 2014 - Dia 1

11 de setembro
Chegar em Guarulhos às 5h foi um desafio. Não consegui dormir na noite anterior, tomado pela ansiedade. Mas o caminho até o aeroporto foi tranquilo. Nenhum trânsito. Ao chegar lá pra fazer check-in encontrei meus amigos. Fiz o check-in e nos encaminhamos pro embarque para Lima.

Lembrei do que meu sesshin havia indicado: tentar fazer harmonia. Não sou desses que fica dizendo que devemos harmonizar, gosto de por meio dos atos sinceros mostrar essa harmonia, pois todos eles eram muito diferentes uns dos outros. Uma amiga, por exemplo, atormentada por um sonho que tinha tido que havia perdido o vôo, estava muito nervosa. Já outros, estavam tranquilos demais. E eu, no centro. Fiquei junto dela e ela me contou o medo que tinha de dar errado as coisas.

Nesse momento vi que criar harmonia é muito mais que apenas dizer que se quer harmonizar. É com atos integrar as pessoas, compartilhar e, se você faz parte de um grupo já, fazer com que seu ato de se aproximar de quem se isola você colocar essa pessoa no grupo compartilhando problemas e anseios. Ser o agente da harmonia.


O vôo foi sossegado. O Airbus A230 é pequeno, comparado com os que pegava pros vôos de cruzeiro para Europa ou Estados Unidos. Mas turbulência é turbulência, não importa onde você esteja. O avião deu um salto pra baixo que realmente me deixou traumatizado, parecia montanha russa. Foi apenas alguns segundos, mas foi algo que não gostaria de repetir.

Chegamos em Lima e fizemos o check-in para ir pra Cusco. Haviam nos dito que o vôo pra Cusco passaria por uma área de intensa turbulência. Durante grande parte do vôo enquanto lia "O caminho da unidade" recitei vários mantras. Entre eles o mantra do Achala, para que nada de turbulência acontecesse. E de fato, nada aconteceu. Agradeço aos Budas pela infinita ajuda, e mesmo que a previsão fosse de tempo ruim, chegamos recepcionados por um belo dia com um belo sol lá.

Fomos ao hotel e depois de alguns minutos descemos pra conhecer Cusco.


Cusco é bem humilde. Uma cidade montanhosa que vive do turismo, mas mesmo tendo um povo bem pobre ainda assim é um local muito seguro. Muitos vendedores nas ruas, e 90% bem incisivos e chatos, de ficar andando contigo mesmo depois de você dizer que quer nada. Foi um grande choque ver um local onde ter um povo humilde não significava povo bandido.

E então que me deparei com o temido soroche.

O mal da montanha (soroche, para os íntimos) parece que em cada pessoa se manifesta diferente - e isso porque tem pessoas que sentem absolutamente nada. O que senti não foi dor de cabeça, e sim uma fadiga muito súbita. Às vezes mesmo falando no celular, desenvolvendo uma ideia eu sentia o ar acabar do nada. Aí para, respira e continua. Parecia que mesmo falar era algo cansativo, que devotava uma grande carga calórica! Andando em Cusco em algumas ladeiras eu sentia o soroche. Mas nada que se você não parasse pra respirar não melhorasse.


Fui tirar várias fotos pela cidade. Depois nos reunimos no hotel às 18h30 para irmos jantar. Nossa janta foi num restaurante típico peruano onde eu comi uma sopa de quinoa de entrada e depois um espaguete à bolonhesa. Todos ficaram rindo de mim por ter escolhido o macarrão, e a Adriana, minha amiga, chega passou mal de tanta risada que demos no restaurante. Fizemos realmente muita bagunça.

O resultado no final do dia foi simplesmente... Cansaço. Por conta do vôo longo, por conta do soroche, por conta das brincadeiras e tudo. Hoje foi um dia bom, e o cansaço foi compensador.

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