quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Cusco 2014 - Dia 4

14 de setembro
Domingo, dia da tão esperada cerimônia!

Acordei de manhã com o corpo naquela sensação pós-noite de febre. Dolorido, mãos meio dormentes, exaustão. Fui ainda assim fazer ablução com água fria, e me senti até um pouco revigorado depois.

Saímos do hotel às 7h, chegamos antes mesmo dos funcionários do templo lá em Saqsaywaman. Me juntei às meninas e fiquei colando os adesivos de VIP na cadeira. O dia começou ensolarado, e ficou ensolarado o resto do dia. Não parecia que cairia uma única gota de chuva em Saqsaywaman naquele dia.


Tentei ajudar a carregar algumas cadeiras, mas o corpo não respondia muito. Às 9h o sol já batia nas nossas cabeças sem dó, e resolvi ficar parado ao lado da tenda da câmera, um dos poucos lugares com sombra em Saqsaywaman.

Mais ou menos umas 10h vi a procissão andina no topo das escadas para chegar no altar. Eles ficaram em pé por uma hora, com todas aquelas roupas, mas acho que estavam acostumados. Começaram a chegar então os convidados. Habitantes de Cusco, crianças vestidas de uniforme escolar, e até umas pessoas do movimento Hare Krishna batucando tambores e cantando suas animadas músicas.

A partir de umas 10h30 um flautista andino começou a fazer uma apresentação muito bonita. Ele realmente tinha muita habilidade. E faltando poucos minutos para as 11h vi a Sua Santidade Shinso Ito chegando ao local, e então a procissão começou.


Como havia sido adiado para nós, teríamos que formar um cordão de proteção pra procissão ocorrer bem. E lá estávamos nós de mãos dadas protegendo a procissão. Lembrei do que Shojushin-in havia me falado, para proteger sua filha, e lá estava eu, dando meu melhor.

A cerimônia começou, fui sentar numa cadeira pra orar junto com os oficiantes. Tudo ocorreu muitíssimo bem. Na saída fizemos o mesmo cordão de proteção e depois fomos até as tendas montadas na entrada de Saqsaywaman, pois os jovens teriam um momento com nossa lider, Keishu-sama.

Reuní todas as forças e fiquei lá no meio do círculo de pessoas, falando com bastante vigor para nossa amada líder. Muito humilde, ela embora cansada pela viagem e por ter feito a cerimônia, respondia a todos nós com sorriso. Estava muito feliz em ver os jovens lá. Já de minha parte tive que me concentrar bastante para não chorar. Foi muito complicado, mas só chorei no final do encontro mesmo.


“Será que vão cumprir essa promessa de vocês mesmo? Vou estar de olho!”, foi o que ela disse. Isso pelo menos pra mim foi um misto de torcida, carinho e rigidez dela. Realmente suas palavras são medidas, como se fosse de um verdadeiro buda! Ainda tivemos a chance de cada um de nós dar um aperto em sua mão. Inesquecível!

Depois tiramos algumas foto em grupo e eu já mal me aguentava em pé. Sei que abusei da proteção dos guardiões do darma, normalmente eu mal aguento meia hora embaixo do sol, e eu já estava há mais de quatro embaixo do sol torrando. Me deu febre, perdi o apetite, muita dor de cabeça. Fiquei sentado com meu amigo Abner conversando na sombra, enquanto comia uma bolacha recheada e esperava os efeitos da insolação passar.

Eu não gostaria de causar problemas ou passar mal. Não queria preocupar ninguém. Tinha vindo preparado pra tudo: soroche, ar seco, o frio. Mas o que peguei foi justo insolação. Lembro que haviam dito que deveríamos tomar cuidado para não passar mal, pois enquanto uma pessoa estivesse mal, outro teria que estar junto, e mesmo que eu tivesse ajudado nos dois dias anteriores, justo no dia da cerimônia não consegui fazer muita coisa. Naquele momento chorei e pedi sinceras desculpas pra Erika, pois não queria estar passando mal. E ela com um sorriso disse que não era pra eu me culpar, que isso acontecia. Queria ter ajudado mais, mas meu corpo adoeceu e não conseguia ter mais forças. Mas ela, repleta de bondade, havia entendido e disse que não havia motivos pra pedir perdão.


Pegamos o ônibus. Chegamos de volta ao hotel umas 16h30. Eu resolvi ficar no quarto, pois às 18h30 iríamos jantar juntos. Aproveitei pra tirar um cochilo e tomar um banho. Umas 18h10 desci e fiquei aguardando todos. Fomos jantar juntos, e foi uma experiência incrível! Muito divertida. Fiz amizade com o Alberto, praticante do México, o mais tímido do grupo, e vi que ele era uma pessoa divertidíssima e muito bacana. Ficamos eu, as duas argentinas Natália e Gabriela, Abner, e as duas peruanas Ami e Mei jogando conversa fora. Jantares em grupo eram sempre divertidos e memoráveis!

Não consegui me despedir de todos. Aliás, detesto despedidas. O pessoal ainda queria ir tomar um café, mas preferi voltar e aproveitar que estava bem pra fazer as malas. Aquela janta tinha sido minha primeira refeição em dois dias de estômago ruim por conta da insolação. Me sentia bem melhor (só fiquei triste que queria ter aproveitado mais a culinária peruana).

Deitei na cama com febre (de novo) e fui dormir. Nem lembro de ter aberto a porta pro Leno entrar, já que estávamos dividindo o quarto. No outro dia apenas arrumamos a mala e fomos embora. Por coincidência sentei sempre perto da Cláudia, então não faltou papo durante o voo inteiro. Passou voando, literalmente e figurativamente.

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