sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Onde tudo começou?

Quando Michael Jackson morreu eu perdi o chão. Parecia que minhas duas pernas haviam sido cortadas.

Michael sempre foi meu ídolo, a pessoa que eu mais admirava, a pessoa que até hoje me influencia. Era a pessoa que eu via diversas coincidências comigo - desde o fato de adorar crianças, ter problemas sérios com um pai rigoroso, como também sempre querer ser original, com seu próprio estilo. Pessoas normais tem estilo, mas Michael era o Michael.

O encontro de fãs da mjBeats, um fórum de fãs do Michael Jackson, foi no final de agosto de 2009. 29 de agosto é o aniversário do Michael, virginiano. Como você.

E lá estava você. Como duas engrenagens, nossas vidas naquele momento pareciam que haviam se cruzado nessa imensa máquina que é nossa vida.

"Oi, Alain! Essa é a ******, é uma amiga minha", disse uma amiga em comum.

"Oi! Prazer em conhecê-la! Você é fã do Michael também?", perguntei.

"Ah, oi! Errr, não muito!", a ****** respondeu.

Eu sempre quis conhecer pessoalmente as pessoas do fórum que eu tanto conversava. Muitos lá eu cumprimentei, mas eu sou muito, muito tímido. Especialmente com pessoas que só conheço online. Mas, pensando hoje, não foi apenas isso. Havia algo em você. Simplesmente não conseguia sair daquela mesa. Nosso papo era sempre muito bom, e naquele dia estávamos falando de um pouco de tudo. Sei que isso vai soar como uma cantada cafona e brega, mas eu sentia que você era tão familiar... Parecia que já a conhecia de algum lugar!

Era tão bom ficar ali com você. Nem eu mesmo entendia direito o que era aquele sentimento. E justo eu, que sempre custei a acreditar em amor.

Eu lembro que tirei uma foto com essa amiga em comum (que participava do fórum) e tirei foto também com um outro que era um dos meus melhores amigos do fórum. Mas com você... Eu não tirei nenhuma foto. Você, aquela baixinha vestindo aquele vestido preto e uma boina cinza era muito gente fina, mas igualmente... Distante.

Até hoje eu me arrependo de não ter tirado essa foto. Conversamos tanto naquele dia, eu praticamente não saía da mesa! Na verdade mesmo depois que saí daquele bar eu fiquei pensando em foto, ou qualquer coisa coisa pra guardar de recordação.

Mas enquanto subia pra Paulista o meu coração, naquela noite com garoa em meados de agosto de 2009, já me dizia que eu te veria de novo. Mesmo que meu coração não dissesse, eu queria reencontrá-la pelo menos mais uma vez. Fiquei olhando pras gotas da garoa que refletiam os postes de luz ali perto do Conjunto Nacional. Algo muito forte me dizia que essa menina que eu havia conhecido seria alguém muito importante na minha vida.

Já se passaram cinco anos. E nesse tempo, por mais que eu buscasse em outra mulher aquilo que encontrava em você, vi que eu nunca deveria ter nem mesmo iniciado essa busca. Tudo o que eu sempre quis foi você. E não importa por quanto tempo eu fugisse, te ver, mesmo hoje, faz meu coração bater do mesmo jeitinho daquele encontro em agosto de 2009.

Parece um tambor. Mas um tambor cheio de felicidade. :D

- - - - - - - - - - -

Acordei, abri a janela, o vento passou refrescante.
Era como a sensação de vigor, felicidade ao te ver!
Sua voz é o cântico entre todos o mais revigorante.
Seu perfume a doce flor, aquele que não quero perder!

De noite nos sonhos te imagino dormindo no meu peito,
Estando lúcido imagino por onde tu caminhas.
Não me permite que parta desse mundo sem um beijo!
Insistente, iludido? Sou aquele que chora quando tu julgas.

Me deixa unir ao seu corpo. Me deixa provar seu suco.
Me deixa te amar sem amanhã. Me deixa entrar no seu coração.
Beije-me, e prometo jamais te deixar. Tu serás o meu mundo!

Não julgue os meus sentimentos. Meu amor é sem vergonha!
Amor esse puro, amigo, amante. Amor completo. Amor sem medo.
Não ligue para os outros! Pule junto comigo, me ame sem receio.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Amor Vincit Omnia.

O amor vence tudo.


Você não acredita em amor então? :)

O romantismo faz parte das nossas vidas! É o amor que nos faz fazer muitas loucuras. Talvez o desejo seja algo cego, algo que passará, mas apenas o amor fica. Amor vincit omnia, o amor vence tudo. Afinal, o que raios é amor?

Amor, minha querida, é isso. Amor é essa felicidade que sinto quando te vejo. Esse misto de medo, frio na barriga. É uma dor que nos faz sorrir. É uma esperança que nos faz acordar todo dia. São os batimentos acelerados do coração. É a música da sua voz que entra nos meus ouvidos. É o aroma de flores do seu perfume que me faz te seguir. É a visão da paraíso quando te vejo na minha frente.

É como ir da terra pro céu quando eu te vejo. Como se ver você me colocasse num elevador direto pra alguma terra pura, apenas por nossos olhares se encontrarem. E a tristeza quando você vira as costas? Nossa, é demais! Sempre quando você se despede fico me perguntando quando a verei de novo. Como se sua presença fosse algo que me completasse, e quando você vai embora, eu perco essa parte do meu coração.

Meu amor, você teria coragem de dizer que todas aquelas histórias de amor dos filmes que você gosta também são de pessoas iludidas? Sem dúvidas existem várias como essas, eu devo me encaixar em diversos filmes. O próprio Jack jamais deixaria o Rose se ele não tivesse certeza que ela estaria bem com o Carl. E embora o Jack não tivesse muita coisa pra oferecer, ele tinha coragem e um amor puro, coisas que o Carl não tinha, e ele sabia que nunca ninguém amaria o Rose como ele amou.

Ou talvez quando Rick e Ilsa de Casablanca, diria que algum sentimento deles era infundado, ilusório? E se eu te cantasse As time goes by (isso é, se eu provavelmente não chorasse antes, porque é uma das minhas músicas favoritas também). Porque não transpor essa ficção pra realidade? Tantos filmes onde o mocinho tenta com todas forças provar pra mocinha o quanto a ama, o quanto ele não consegue viver sem ela, o quanto ele queria que ela o olhasse de uma outra maneira que não fosse essa, fria e preconceituosa. Porque não damos as mãos e tornaremos verídica essa ficção de nossas vidas? Viver o nosso filme, ser os atores da nossa realidade!

Eu lembro até hoje o dia em que te conheci. Você vestia preto, estava com aquela sua boina cinza, e, puxa vida, você estava tão linda! A gente conversou de tudo, e desde aquele momento eu provei seu sorriso e essa sua voz doce. Quando subia pra Paulista de volta eu pensava comigo mesmo: "Nossa, nunca senti isso, parece que foi algo do destino esse encontro! Será que vou vê-la novamente? Ficaria muito feliz se isso acontecesse!".

Talvez nas outras vidas a gente se conhecesse. Nunca senti isso com nenhuma outra pessoa. E talvez em outras vidas lá atrás prometemos que um dia nos encontraríamos num futuro distante, e poderíamos continuar juntos o que havíamos começado em outras encarnações. Nunca acreditei muito nessa coisa de alma gêmea, mas com você não é questão de acreditar. Vai muito além disso! É como se a verdade já estivesse dentro de mim.

Eu sei que você acredita em amor! Como pode julgar dizendo que estou me iludindo? Isso me entristece muito, porque isso não é ilusão.

Amor verdadeiro nos desperta também. Sei que ser seu escolhido não será fácil. Sei dos seus problemas com dinheiro, faculdade, família. Acima de tudo sei da sua tristeza. Sei que você é também muito triste, sei que você, especialmente quando se fala de amor, queria que fosse do seu jeito. Eu sei que você queria que fosse um carinha qualquer aí, e não eu, e sua mente não quer me aceitar.

Mas querida, já nos imaginou junto?

Poxa, nós já nos conhecemos! Nós somos amigos. Já passamos por momentos bons, viajamos juntos, brigamos, já rimos muito junto. Já servimos um ao outro de ombro pra chorar, já choramos um pelo outro (até na frente de outras pessoas!). Acima de tudo somos amigos! Quer relacionamento mais maravilhoso que esse? Já sabemos como o outro é, e como eu já te disse, se você quiser que eu mude algo, eu farei um esforço e mudarei! Não sou perfeito, e vou agradecer se você me ensinar o caminho pro seu coração. E me esforçarei para seguir até ele.

Acho que mesmo que você apenas imagine, verá que um relacionamento entre a gente pode ser algo muito bonito, algo único. Por isso eu me recuso a ficar julgando meu próprio sentimento, dizendo a mim mesmo que é errado sentir isso por você, porque não é.

O amor é lindo! E eu queria muito que você pelo menos imaginasse como seria esse mundo de amor que você tanto diz. Você é uma pessoa que diz que acredita em amor, mas custa a dizer que o que eu sinto é apenas me iludir. Se fosse uma ilusão não teria uma existência inerente. Seria levado no primeiro vento, no seu primeiro fora, mas não. Eu não tenho nada pra te oferecer a não ser minha sinceridade. Só imploro que me dê uma chance pra entrar no seu coração. Olhe nos olhos e veja o quão determinado eu estou. Sinta nas minhas palavras os batimentos do meu coração. Sinta nos meus parágrafos a força para querer te fazer feliz!

Que no mínimo começasse considerando como seria nós dois juntos. Imaginasse o que acha que seria fácil, e o que não seria. Quando estivesse pronta, poderia me dizer o que não gosta. Você quer a lua? Eu sou louco o suficiente para ir buscá-la pra você!

Muitas vezes no passado eu relacionava amor a sofrimento.

Mas com você, o amor é puro, é feliz! Que sensação maravilhosa que nunca senti na vida!

Por isso eu só te peço uma chance só. Se não der certo, prometo que pedirei uma segunda, terceira (rs!).

Porque simplesmente não consigo ficar longe de você. Você é minha felicidade, meu bem querer!

Talvez brigaríamos, mas eu voltaria igual um gatinho pedindo seu carinho!

E se isso não for prova o suficiente do meu amor pois que me peça qualquer outra coisa que prove!

Só não peça pra não deixar de te amar... Porque isso, seria o mesmo que me tirar o ar pra respirar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

E se um dia for tarde demais?

Querida,

Eu sei que você é muito indecisa. Provavelmente vai ficar pensando, pensando, pensando antes de dar qualquer passo. E eu cheguei num momento que não consigo, nem mesmo seria legal, continuar insistindo tanto. Pelo menos foi isso que senti nessa última vez que te chamei pra sair, e você respondeu com um "Err... Hããã...". Porque nunca dá uma bola, nunca dá pra sair, nunca dá pra fazer nada. Será que alguma vez já se colocou no meu lugar?

Gostaria de poder desligar isso. Essa vontade de se entregar em um amor sem pensar no amanhã. Porque apenas com você eu senti isso, e quanto mais o tempo passa, mais forte fica esse sentimento. Mais eu acabo admirando você, mesmo que por um lado temos lá nossas brigas, o que é normal. Ainda combinamos na essência, sorrimos juntos, e nosso olhar se encontra, e nesse encontro, repousa, pois sabe que é um local seguro no meio de todo esse caos.

Sinto falta do seu sorriso. De olhar pra baixo e ver você lá (afinal, você é baixinha!). Gostaria que você quebrasse essa barreira física mais vezes, pois ás vezes sobe uma muralha intransponível. Mesmo eu tendo quase dois metros.

Eu nunca disse o quanto eu sofro. Ás vezes gostaria que esse sentimento fosse algo vazio em essência, que eu pudesse te esquecer, mas volta e meia me pego pensando em você. E quando não consigo encontrar seu olhar, eu desenho seu sorriso. Quando não consigo sentir seu perfume fecho os olhos e tento imaginar seu aroma. Quando não consigo encontrar seu abraço, ao deitar no travesseiro imagino que coloque minha cabeça no seu colo.



E acima de tudo fico pensando como seria se não fosse com você. Será que se você ficasse com outra pessoa daqui a anos você pensaria: "E se fosse com o Alain?". O que você pensaria no futuro quando você estivesse triste e você olhasse pra trás vendo que disse "não" e poderia naquele momento estar feliz comigo?

Incerteza sempre vai existir. Eu não sei o que o futuro nos reserva, tudo na vida é uma grande incógnita, nem mesmo sei se você pelo menos me cogita. E quanto mais o tempo vai passando eu me pergunto: e se um dia for tarde demais? Quando fui hospitalizado há dois anos foi isso que mais me passou pela minha cabeça: do nada a vida pode nos reservar uma surpresa que pode eventualmente nos custar a vida. Pra que adiar algo? Ou porque esperar algo que nunca virá se na sua frente tem algo sendo oferecido? Será que não é melhor um pássaro na mão do que dois voando?

Você quer insistir em paixões que nunca renderão nada. Continua batendo de cara na parede, e isso me entristece muito, pois sei que esses caras jamais terão um sentimento por você como eu tenho.

Porque a escolha é apenas sua. O ano passado mostrou isso. Aquelas vezes que você viajou foi quando o conflito foi colocado na sua frente. Foi quando você teve a chance de dizer "sim, quero arriscar, quero tentar" e tudo o que você fez foi... Fugir. Sem nem ao menos dar uma chance pra mim. Sem nem ao menos dar uma chance pra si mesma.

Talvez se você tivesse dado uma chance, você teria conseguido. Pois você não teria apenas um namorado, mas uma pessoa pra te apoiar nessa coisa louca chamada vida!

Eu não sou perfeito. E mesmo sabendo que você também não é, cada aspecto seu eu tento me adaptar, e eu ouviria muito você caso você dissesse "Não gosto de você agindo assim", e eu mudaria. Eu sei que tenho meu jeito, e quando incomoda pessoas eu faço um esforço pra mudar isso em mim. A vida faz parte, não tem essa de "esse é o meu jeito, você que se acostume". A gente tem que ser maleável em prol das outras pessoas e eu faria isso por você.

Meu único pesar é pensar se um dia pode ser tarde demais.

Eu já te amo secretamente há quase cinco anos... Gostaria que os Budas eliminassem esse sentimento. Mas se ele ainda sobrevive tem um motivo. Talvez seja algo muito maior do que qualquer coisa que pensamos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Doppelgänger - #55 - É hora de se decidir.

Nataku estava caminhando com a senhora Saunders na ponte Vauxhall, com o MI6 ao fundo. O vento gelado daquela tarde soprava fortemente, deixando a sensação térmica ainda pior. Eles olhavam pro Tâmisa, que batia levemente nas bordas cimentadas, destacando as boias salva-vidas vermelhas que davam um ar ainda mais bucólico para aquele lugar.

“Como você, uma advogada, tem acesso a isso tudo?”, perguntou Nataku.

“Advocacia é minha profissão. Mas eu faço parte de um time de insiders bem maior. Acho que você pense que eu tenho alguma força, ou controle de informações, mas nós apenas sabemos como a máquina funciona. Deixa eu fazer um desenho aqui para você entender”, disse Saunders, tirando um guardanapo do bolso e uma caneta.

“Nesse círculo tem o governo. O governo tem seus agentes, que garantem que a lei e suas vontades sejam atendidas. Aqui temos todos os agentes, pessoas anônimas, que provavelmente tampouco suas famílias ou amigos saibam quem realmente são. Do outro lado temos todas as pessoas que fazem atividades ilegais. Ladrões, assassinos, passando por grupos terroristas, e traficantes. São pessoas que suas ações vão de encontro contra o que o Estado estabeleceu. Isso é simples de se entender, certo?”, disse Saunders.

“Sim, continue”, disse Nataku.

“Um insider é uma pessoa totalmente passiva. Nós apenas observamos, mas não somos como os agentes. Entenda que até mesmo os agentes são meros peões do Estado, podem ser manipulados e acreditarem no que o Estado acredita. Nós os Insiders somos os que vemos o conjunto todo. Por exemplo, se eu te falar que o Terrorismo árabe é o que menos mata pessoa na América e Europa, isso te deixaria abismado?”, disse Saunders.

“Como? Então o radicalismo islã não é uma ameaça?”, disse Nataku.

“Não! Para um atentado que ocorre na Europa ou Estados Unidos ocorrem uma centena deles no Oriente Médio. Lá sim que a coisa tá muito feia, mas dificilmente é noticiado, embora seja noticiado de fato. Existe apenas uma verdade, mesmo que o povo esteja numa histeria contra os pobres muçulmanos, eles são vítimas dos próprios grupos radicais dentro dos países deles também, em uma escala muito maior. Sem contar que a quantidade de terrorismo de grupos separatistas na Europa, por exemplo, sempre foi infinitamente maior que os ataques de terroristas árabes. No fundo, eles nunca são movidos por religião. São tão doentes quanto aqueles moleques nos Estados Unidos que entram armados em escolas e matam todo mundo. Só que a mídia faz acreditar que eles são uma ameaça ao mundo... Muito por interesse econômico, sabe? Imigração, pagar benefícios do governo, dar emprego e estudo para essas pessoas que migram para os países e mantém sua cultura e costumes. Isso sim que é uma das coisas que movem essa xenofobia toda”, disse Saunders.

“Nossa... Mas você tem essas informações. Você poderia mostrar a cara, e meio que abrir os olhos do mundo!”, disse Nataku.

“Não. Primeiro que somos um grupo pequeno. Somos apenas umas vinte pessoas. Segundo que não temos influência nenhuma. Numa ditadura, por conta do controle de informações, pessoas têm a tendência de acreditar em pessoas cuja credibilidade é atestada por outras. Isso pode ser um perigo também, dependendo dos valores que essa pessoa passar. Mas em democracias, eu sou apenas uma voz a mais. Tem tanto valor quanto qualquer outra. Não sou a imprensa... E mesmo que fosse, a imprensa é sempre a mais manipulada e manipuladora de todas”, disse Saunders.

“Ainda não entendo uma coisa... Por que então você diz que sofre perigo de vida?”, perguntou Nataku.

“Nataku... Todas as informações que eu te dei já é de conhecimento do Al, talvez até Victoire e Agatha sabem também. Mas os insiders contém informações valiosíssimas que levariam o Ar de bandeja até o Al. Por isso que o Ar queria me tirar de lá. O Al está em estado ‘disavowed’, não está autorizado a fazer nenhuma ação de espionagem, toda sua busca é ilegal. Só que, por uma brincadeira do destino, nem o Ar, nem o Al colocaram as mãos em mim. E sim... Você”, disse Saunders.

“O que você quer dizer com isso, Saunders?”, perguntou Nataku.

“Vai de você. O que eu quero dizer é que a escolha é sua. Eu posso te dar a informação. Vai de você fazer o que bem entender com ela. Pode receber a informação e ignorá-la, voltando para o Ar e deixando tudo morrer com você, ou pode entregar tudo pro Al, e fazê-lo saber o que existe por trás da Insurreição de Arthur Blain”, disse Saunders.

“Ainda não consigo entender o que move o Ar a fazer isso. Controle das economias, agentes, terrorismo econômico...!”, disse Nataku.

Saunders encostou na ponte, olhando pra cima.

“E eu teria que escolher um lado? Isso não é fácil, Saunders. Eu não confio em nenhum dos dois, nem no Al, menos ainda no Ar. Mas mesmo que eu consiga a informação, é como você disse, se eu ficar calado, seria como ajudar o Ar indiretamente”, disse Nataku.

A senhora Saunders deu um risinho. Algumas pessoas passavam pela ponte naquele momento. Um homem, vestindo um sobretudo branco, chapéu, e um sorriso amigável parou na frente para pedir informações.

“Eu estou procurando a estação Vauxhall. Por onde que é?”, perguntou o turista.

“É seguindo nessa direção...”, nessa hora Nataku ouviu um zumbido agudo bem forte, vindo do celular desse homem.

Não era um zumbido muito alto, era agudo e mal dava pra ouvir, mas deu pra se perceber que vinha do celular dele. O telefone móvel do homem estava apontado pra Saunders, que entrou em pânico. Depois de poucos segundos o homem guardou o celular e continuou andando. Nataku mal teve tempo de reação, ou de ir atrás do homem, quando Saunders caiu de joelhos no chão.

“Droga, merda! Ativaram a bomba em mim! A carga... No meu cérebro! Me escute bem Nataku... Vou ditar um... Endereço. Memorize-o... É minha casa... E você vai encontrar pistas... Sentado no banheiro!”, disse Saunders, que logo após isso, passou um endereço, repetindo-o três vezes.

“Por deus, Saunders! Não morra, eu vou levar você pro médico, você vai ficar bem! Você é a única pessoa que eu confio!”, dizia Nataku enquanto segurava Saunders.

Naquele momento a ponte de Vauxhall estava vazia. Só haviam Nataku e a senhora Saunders. Ela não conseguiu dizer mais nada depois do endereço, e sangue pingava do seu nariz. Suas pupilas haviam perdido o foco, e ela morreu, nos braços de Nataku.

Nataku detestava ver mortes. Mas parecia que toda pessoa que ele encontrava acaba morrendo. Por mais que ele tivesse sido treinado pela Inteligência ele se perguntava porque a vida das pessoas valia tão pouco? Porque matar as pessoas dessa forma, gratuitamente? Acabar com toda uma vida de possibilidades. De fato, o trabalho na Inteligência não era diferente do Crime. Sempre o custo de um erro de cálculo era a vida. Não eram Porsches que soltavam mísseis, ou jogos de pôquer em cassinos. Era uma luta pela sobrevivência de pessoas que não tinham direito a um passado e nem um futuro.

O jovem Nataku se recompôs e deixou Saunders lá. Provavelmente a polícia iria ver e averiguar, e se ele estivesse junto, seria péssimo. Nataku correu para o ponto de ônibus mais próximo e se dirigiu para o endereço que Saunders havia dito.

Agora ele estava mergulhado até o pescoço nisso.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Achalanatha.


Não adianta, minha figura budista favorita é esse tiozinho com cara de poucos amigos, o Achala.

Pintar figuras budistas é uma coisa. Mas pintar o Achala sempre é algo especial.

Bom, o meu Achala anterior acho que muitos já viram. É esse bonitão aí no topo do blog. Quando eu fiz a arte vi que havia cometido um erro grotesco, trocado as mãos onde fica a espada e a corda vajra. Por mais que eu tivesse adorado a arte, quando estava no templo meditando que vi o erro idiota que eu tinha cometido!

A espada fica na mão direita do Achala, e a corda na esquerda. E vendo de frente, é direita e esquerda. Só que eu inverti, e consegui só meio que arrumar a cagada no Photoshop, invertendo a imagem, pra usar aqui no layout do blog.

Mas quando eu vi no espelho o errado, vi que a imagem ficava correta. Achei que deveria fazer um outro Achala, como se o Achala Rubi que eu tivesse feito fosse o reflexo, e esse Achala Saphira fosse o real. E foi isso que eu fiz! Vendo bem os dois ficam bem juntos:


Mas a idéia era fazer como se fosse um yin-yang mesmo. Até o fundo ficou diferente. E os dois se complementam, um é o reflexo do outro. Como nada no budismo é coincidência, acho que foi um ótimo recado dos Budas eu ter feito esse errinho crasso. Talvez a mensagem que descobri foi essa, você pode ter uma aparência pro mundo (como no da direita) mas o o que você vê, seu reflexo, pode ser outra coisa (como no da esquerda).

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Doppelgänger - #54 - Ela está grávida!

“Neige, rápido! Venha nos ajudar!”.

“Droga... Al, você tá me ouvindo? Você está bem?”

“Ele está bem! Só precisamos sair daqui logo!”

“Merda... Essa porta é a prova de gás?”.

“É sim! Vamos Al... Apoie-se em mim, reaja!”.

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Al estava deitado num divã. Seu corpo parecia ter sido muito dopado, ele estava inteiro formigando. Sua boca estava seca. Sentia dificuldade em abrir os olhos e focar, mas logo estava conseguindo recobrar os sentidos.

Foi aí que Victoire entrou na sala.

“Al! Minha nossa, você tá bem? Vamos, beba um pouco disso”, Victoire ofereceu uma água salgada, que parecia um pouco um soro. Al bebeu, e sentia sua visão voltando gradativamente.

“Por quanto tempo eu fiquei apagado?”, disse Al, imaginando que haviam se passado dias.

“Foram uns vinte minutos você ficou desacordado. Mas pelo visto já está bem”, respondeu Victoire.

“Aonde diabos eu tô?”, perguntou Al.

Nesse momento a Velha apareceu, com toda sua elegância de grã-fina. Mas ao mesmo tempo seu rosto mostrava uma preocupação imensa. Ela fitou Al enquanto pronunciava as palavras.

“Como não está reconhecendo? Você está no Palácio St. James!”.

“Ah, é você, velha. Esperava qualquer pessoa salvando meu couro, exceto você. Minha nossa, o que foi isso? Eu não senti cheiro de nada!”, disse Al.

“Schwartzman é um perito em armas químicas. Nós tivemos foi muita sorte... Ele usou uma versão mais letal do gás Sarin. Sem odor, ataca sistema nervoso, talvez se demorasse mais alguns segundos pra te medicar, seria tarde”, disse Victoire.

“Hã? Você anda com medicação até pra Sarin contigo?”, perguntou Al.

“Não. Por isso que eu disse que demos muita sorte. Essa injeção que eu mandei você injetar em si mesmo pra retardar a Síndrome de Werner, sabe? Um dos seus compostos é capaz de neutralizar o Sarin. Atropina. Ela reage nos receptores nervosos e musculares, cancelando os efeitos. Eu uso pra ajudar no seu coração, um dos órgãos que mais está envelhecendo rápido por conta da doença que você contraiu. Cabelos grisalhos não são nada perto disso”.

“Ah...”, Al disse, sentando no divã, “Eu sempre esqueço de injetar essa merda em mim”.

“De doze em doze horas é a posologia. Al, preciso que você me ajude também a tratar seu envelhecimento acelerado. Por hora, vou deixar você em observação. Eu e a Agatha injetamos em nós mesmas a tempo, e se talvez você tivesse entrado naquele elevador com o Ar, você estaria morto. Nós realmente tiramos a sorte grande, mas não dá pra ficar contando com isso sempre!”.

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Quinze minutos depois Al estava caminhando por uma das salas do Palácio St James. Eles haviam escapado por um túnel subterrâneo que liga o Bunker de Churchill com o Palácio St James. Agatha ainda disse que todas as instruções foram dadas pelo Al de como chegar, e ele mal se lembrava de ter falado alguma coisa. Ao chegarem no local Neige os estava esperando e ajudou a carregar Al, que estava ainda sendo administrado o antídoto. Victoire preparou outras drogas para retirar os resquícios do Sarin do corpo de Al, e depois desses quinze minutos ele já estava bem e andando pela casa.

“Aqui está bem diferente da última vez que vim aqui”, disse Al, para a Velha.

“Decidimos dar uma mudada. Foi depois do novo casamento do meu filho com aquela jornalista. Desde meados de 2005 você não vem pra cá”, disse a Velha.

“As coisas mudaram, velha”, disse Al.

“Eu queria que você ficasse enfim longe da inteligência. Não quero que você tenha o mesmo destino do seu irmão. Te proteger é o que eu quero fazer com o resto da vida que eu tenho. Mesmo que eu tenha que te proteger daquele seu doppelgänger...”, disse a Velha.

“Não sei quem está certo, Velha. O Ar quer destruir o sistema. E foi o sistema que matou meu irmão, amaldiçoou meu nome, e me levou tudo. E é justamente o sistema que eu pareço defender. Provavelmente até meu irmão queria que o Ar vencesse, e ele está muito na minha frente já”.

“Não diga isso, querido. Sei que o sistema que levou seu amado irmão. Isso é inegável. Mas o mesmo sistema garante uma coisa inestimável chamada liberdade. Pessoas são livres para pensar, de terem seus valores, sua ética. Mesmo que apenas uma em um milhão consiga pensar e discutir o seu entorno, isso que você luta permite isso. O sistema pode ser algo podre, que os usa como meros peões nas mãos dos interesses maiores, mas garantir a liberdade de cada um pensar com sua cabeça é essencial – mesmo que nem todos consigam fazer isso”.

Nessa hora uma bela alta mulher de cabelos castanhos e olhos verdes entrou. Ela trazia uma pasta cheia de documentos. A Velha a viu entrando e foi cumprimenta-la com bastante euforia. Logo após ela um homem alto também entrou, que parecia ser seu marido.

“Kate! Minha nossa, estava contando os minutos desde que você foi buscar os exames. E aí? Me conta!”.

“Eu estou mesmo grávida!”, disse a jovem, eufórica.

Al ficou olhando aquela cena. Todas as pessoas ali pareciam bem felizes. Felizes por conta de uma criança estar sendo trazida ao mundo. Mais uma criança pra se juntar a todo o sofrimento do mundo. Foi depois desse pensamento que o marido da jovem veio cumprimenta-lo.

“E aí Al. Há quanto tempo! Veio somente nos visitar, ou vai se mudar de volta pra cá?”.

“Não, William. Na verdade, já estou de saída, mas fiquei feliz em revê-lo. Tem um sobrinho meu fazendo merda por aqui, vim aqui pra parar ele. Mas parabéns pelo filho. Sua mãe onde quer que esteja com certeza está muito feliz”.

Nessa hora William lacrimejou, e abraçou Al forte. Ele só tinha saudades da mãe.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

The birds and the bees.



Hoje eu vi esse vídeo. Sensacional! Hahaha.

Eu acho que muita gente talvez relembre qual foi sua reação quando descobriu o que raios era sexo quando ainda era criança.

Na última vez que fui pro interior meus priminhos não me paravam de fazer perguntas sobre como que crianças eram feitas. Bom, eu lembro que quando eu tinha uns dez anos que eu tive as primeiras aulas de educação sexual nas aulas de ciência, mas ninguém nunca explicava direito. Eram sempre analogias, ninguém ia ao ponto e explicava como era de fato. Só fui descobrir com uns 13 anos quando abri uma Private (sim, as revistas pornôs). Especialmente sobre a cópula.

No Castelo Rá-tim-bum falava que era o papai colocar a sementinha na mamãe. Bom, isso era de se imaginar, mas o esquema era como esse raio de sementinha era colocada. E cada um explica de uma maneira diferente! Mesmo nesse vídeo dá pra ver, tem pais que falam que o papai e mamãe ficam pelados e fazem uma "dança", enquanto uma outra mãe fica chocada ao dizer que o pênis jogava um líquido dentro da vagina que engravidava a pessoa.

Naturalmente meus priminhos vieram me perguntar. Eu acho que contar essas estórias de sementinha ou de dançar pelado só atrapalha, pois a imaginação das crianças voam longe (e de adultos também).

Expliquei pra eles que é bem simples. Um pênis, entra na vagina, e que isso dá prazer para ambos, e quando esse prazer chega no ápice, o homem lança o líquido e engravida. Que adultos gostam de fazer isso, e que isso é uma coisa natural. Que quando eles crescerem, vão ver as meninas com outros olhos, que se naquele momento eles odiavam garotas, num futuro eles iriam ficar apaixonados por elas. Que iam querer ficar junto com elas e, naturalmente, fazer sexo é uma demonstração desse amor.

Disse também que não é feio fazer, nem errado, mas que deve ser feito certo. E a maneira certa de se fazer é com camisinha. Disse que eles podem fazer com quem quiserem, mas que jamais esquecessem de usar camisinha (que até naquele momento era uma bexiga, eles não imaginavam que isso ia no pinto).

E claro, que isso vai acontecer naturalmente quando eles crescerem. Eles tem 10 e 7 anos. Eu disse que a partir dessa idade tudo no corpo vai crescer, e que o pênis ficará no tamanho de um adulto e que isso é natural. E com esse pênis, poderão fazer sexo. Mas jamais esqueçam da camisinha! Não apenas pela gravidez, mas também por doenças.

Não sei porque ser tão puritano assim. Se crianças entenderem não necessariamente vão fazer. Eles vão crescer, naturalmente vão fazer em algum momento, mas essas analogias e deixar de falar só acaba causando o pior dos cenários, desde má conduta sexual, como contrair doenças. Mas tem que ser explicado e falado do jeito como é.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Ratnasambhava


Eu não gostei muito. Foi complicado por conta do material.

(pode-se entender como desculpa de pintor ruim também!)

Muito complicado misturar as cores. Sem contar que faltavam cores numa palheta básica. Haviam muitos tons de pele, e poucos tons básicos. Por exemplo, senti falta do violeta. Violeta é essencial para se escurecer o amarelo, e então eu tentei fazer misturando o vermelho e azul e o resultado foi essa sombra verde.

É cor pra fazer qualquer Goethe chutar o pau da barraca! =P

Isso não era pra acontecer, mas no final, até que não ficou tão ruim! Tirando o tempo que levei pra fazer. Mas foi bom pra saber se o material prestava ou não, e acho que pelo menos por enquanto vou deixar de lado esse crayon aquarelável (que minha mãe comprou pensando que era pastel oleoso. E tinha nada a ver com verdadeiro pastel oleoso! Enganaram ela, snif).

Esse é o giz bizarro japonês:


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Doppelgänger - #53 - The Lady Saunders (3)

“Francesca Vittorio? Droga... São tantos nomes que tá foda ficar guardando tudo isso”, resmungou Nataku.

“Hahaha!! Francesca Vittorio que deu todo o poder político pro Ar. Ela é italiana, uma velha, como eu. Émilie sumiu depois que o Arch morreu. Al conseguiu encontra-la só uma vez, mas quem era sua tutora essa senhora, a Vittorio. Ela manipulou a vida do Al de todas as formas possíveis. Ela fazia com que os que trabalhavam com ele contassem mentiras, fazia ele receber pistas que só faziam ele dar voltas e voltas, e forçou até a ele se casar com uma bastarda dos Blain, uma meia-irmã da Émilie, a Val”, disse Saunders.

“Inacreditável”, foi a única coisa que Nataku disse.

“Francesca Vittorio era perfeita. Nunca deixava pistas, nem suspeitas. Ótima lábia. Mas a dama da sorte do Al sorriu pra ele. Sorte mesmo, coisas de destino, e Al descobriu tudo. Isso foi pouco depois da Val, a esposa de Al, se matar. Até a briga deles foi algo arquitetado pela Vittorio, que queria mesmo acabar com qualquer resquício dos Saint-Claire. Ela acabou morrendo. Mas sei lá, tenho minhas dúvidas. Esse povo arquiteta a morte ás vezes, e possivelmente ela só deve ter saído de evidência. Ou pode ter morrido mesmo”, disse Saunders.

“É comum vocês ficarem arquitetando mortes?”, disse Nataku.

“Sim. É um direito de quem trabalha na Inteligência. Como você acha que as pessoas se aposentam? Ganham uma identidade nova e vão morar em Maryland, Papua Nova Guiné ou no Chipre. Mas pra isso, devem matar a identidade antiga. A Vittorio forneceu toda influência e contatos ao Ar. Émilie morreu em junho de 2012. Na verdade, se matou. E isso foi mais do que confirmado, Émilie não era da Inteligência. Havia se casado com um magnata e vivia uma vida muito confortável, mas depois da Crise de 2008 a cada ano o marido perdia mais e mais fortuna. Foi um dos muitos suicídios causados pela queda do Lehmann Brothers que desencadeou essa crise atual. Ironia mesmo foi a Crise Econômica Mundial ter sido causada pelo Ar, o seu próprio filho, acabou matando a própria mãe indiretamente”, disse Saunders.

“Cara... Isso é como se todas as peças se encaixassem”, disse Nataku.

“Eu ainda estou levantando informações. E é claro que tudo isso que eu te disse o Al já sabe há muito tempo, mas achei que seria uma boa você saber. Ainda existem coisas que eu tô pesquisando”, disse Saunders.

“Você disse que você não está sozinha nessa, né?”, disse Nataku.

“Sim. Tenho um cúmplice!”, disse Saunders enquanto anotava num papel um telefone, “Fique com esse número. Eu vou morrer a qualquer momento, provavelmente o Ar está só esperando algum tempo pra você chegar, depois ele vai me matar, com certeza”.

“Não, eu não vou deixar, senhora Saunders. Estou farto de ver pessoas morrendo na minha frente, eu fico muito mal e me sinto incapaz. Como essas pessoas tem tanto sangue frio de fazer algo assim?”, disse Nataku.

“É assim que o mundo funciona, meu jovem. A gente nunca sabe direito quando é a nossa hora. A Inteligência caça o crime, e o crime caça a Inteligência. Embora as motivações sejam diferentes, o modus operandi é similar. Veja você e o grupo do Al, por exemplo. Todas suas ações estão na ilegalidade. Dentro das leis, vocês estão em estado ‘disavowed’, o que significa que suas operações são ilegais. Logo, vocês são tão criminosos quanto aqueles que vocês caçam. Mas sempre vai ter alguém pra assumir depois. A vida de um agente ou de um criminoso não é nada perto das vontades dos que controlam o sistema. Não pouparam nem o pobre Arch, jovem de 20 anos, casado com uma esposa linda, grávida do primeiro filho, podre de rico e além de tudo um gatão e inteligente. Porque poupariam o Al que no máximo tá comendo a Victoire e mal tem onde cair morto?”, disse Saunders.

“Isso realmente tira todo aquele glamour de cassinos e martinis do James Bond... A vida na Inteligência é uma luta pela sobrevivência mesmo, literalmente”, disse Nataku.

“Pelo menos o Al tá trepando. Tem uns dois anos que não trepo, acredita? E eu ainda tô uma velha gatinha, fala sério! Eu tenho uma xoxota e mereço ser comida de vez em quando...”, disse Saunders.

Saunders se levantou e foi ao caixa do Prêt pagar a conta. Nataku colocou seu sobretudo e esperava na porta, olhando para algo na ponte de Vauxhall.

“Tá tudo bem?”, perguntou Saunders, após sair do Prêt e encontrar Nataku.

“É o MI6, né?”, perguntou Nataku.

“Sim”.

“Primeiro eles pedem pro Al caçar o Ar. E agora, eles mandam ele voltar atrás e parar com tudo. Sabe, ás vezes eu fico me perguntando se o mundo que o Ar criar não pode acabar sendo melhor que esse atualmente. A economia do mundo vive sempre à beira de uma nova crise, cada vez mais países estão mais e mais pobres, empresas sugam o povo a toda custa, governos coniventes com tudo isso... E o Ar está colocando tudo isso em ruínas, derrubando empresas, economias, países inteiros. Se com apenas 20 anos ele derrubou o sistema bancário americano, sem dúvida esse momento pode ser o ponto de partida pra ele acabar com todo o resto. Cada país no mundo está sofrendo uma crise... Por exemplo, a Espanha. Não tenho dúvidas que isso também foi obra do Ar. Cada país de cada vez, e quem sabe depois que tudo estiver arruinado, enfim o mundo tenha uma economia justa. Isso é, se o Al não parar os planos do Ar antes”, disse Nataku.

“Sabe, Nataku... Essa é uma guerra particular entre Al e o Ar. Guerras são provocadas porque ambos os lados acreditam firmemente no que acreditam, e o único jeito de um dos dois cederem é um saindo derrotado e o outro vitorioso. O mundo que Al defende parece tão bom quanto o que o Ar defende. Nós não temos escolha, apenas podemos observar. É uma guerra particular entre os dois maiores cérebros da Inteligência. Vendo de uma maneira crua, ambos são heróis e vilões ao mesmo tempo. Mas só o vitorioso será considerado herói, enquanto o derrotado será o vilão”, concluiu Saunders.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ode à Índia.


De agora em diante você jamais estará sozinho.

Essas foram as últimas palavras do nosso primeiro encontro. É verdade que nunca nos encontraríamos pessoalmente - existe um imenso salto temporal de séculos, milênios que nos separam. E que talvez será difícil saber seu nome real também. Mas continuarei a chamá-la de Índia.

Me disseram que com o tempo eu deixaria de ver você. E pra muitas pessoas eu sequer conto quem é você. Mas talvez apenas nós dois sabemos o quão importante nós somos um pro outro. E o quanto nossa ligação espiritual irá ajudar a continuar o trabalho que você começou - e que você também recebeu de alguém que veio antes de você.

Talvez o objetivo da vida não seja saber de onde viemos. Embora estamos aqui hoje, existiram incontáveis gerações antes da gente. E não tenho dúvidas que elas olham nosso desenvolvimento espiritual com muito afinco. Eles estão lá. Provavelmente esperando o momento em que nós vamos dizer sim, e nos jogar de cabeça no desconhecido. Porque o que importa não é onde começou, mas que continuamos e somos herdeiros de uma corrente que foi mantida por incontáveis kalpas de tempo.

Índia! Ás vezes fico imaginando o quanto de tempo você aguardou. Sinto sua presença pura, e vejo o quanto você se esforça, mesmo que eu seja muito preguiçoso e nem sempre as coisas dão tão certo quanto vocês esperavam. Nossa vida é muito curta nessa terra. Mas ao mesmo tempo é um dom de preço incalculável, pois é apenas nessa esfera que podemos ao menos fazer a diferença pra alguém. Dar as mãos para essa pessoa, e caminhar junto com eles.

Nunca imaginei que você tivesse existido. Nossa relação, essa de sangue mesmo, é o meu maior presente, do qual eu sou imensamente grato. Lembro-me bem quando você estava atrás de mim naquela primeira elevação. Sua voz forte dizia: "Fique calmo. Eu estou com você, logo aqui atrás de você", e eu sentia tanta força me empurrando pra frente, sabe? Como se eu tivesse montado num cavalo e você fosse logo atrás de mim, montada também, me orientando como domar o animal.

E nessa última elevação, então? Sei que todos meus antepassados queriam vir. Mas seu rosto amável, junto do dragão, dizendo "Acalmem-se vocês todos! Fiquem aí torcendo. Ele só precisa de mim e do dragão agora. Vai dar tudo certo", não via mais você atrás de mim, e sim do meu lado. Pois embora eu tivesse dezenas de ancestrais que serviram de escada até você, que sou eternamente grato, você é a minha Índia, a pessoa que mais amo sem nem ao menos conhecer!

Ainda tem um longo caminho pela frente. E teve um tempo em que nós dois éramos sozinhos, aguardando. Mas a partir de hoje até a eternidade, quero levar esse desejo seu além, afinal nos encontramos finalmente, e não quero perder um só minuto pelo resto de nossas vidas.

Nunca pense que seu esforço é em vão, pois para essas pessoas, sua dedicação foi algo incalculável.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nuvem nova que vem pra molhar essa noiva, que é você.


Meu amor,

Meu coração não tem mais essa de nutrir um sentimento errado por você. Quanto mais eu nego, mais a coisa se intensifica. E quanto mais intensifica, mais eu sofro. Porque simplesmente amor é esse sentimento da gente se jogar pra frente sem pensar. A gente não está nem aí se vai dar de cara da parede, se vai ser atropelado, se vai receber um sim, ou não. Simplesmente acreditamos e vamos em frente.

O que importa é esse sentimento! Eu não consigo ficar longe do seu sorriso. Eu não consigo ficar longe do seu olhar. Eu não consigo respirar o mesmo ar sem o seu perfume. Eu não consigo deixar de sonhar e desejar que isso tudo seja realidade. Eu não consigo de pensar nas milhões de coisas que queria fazer com você. Eu não consigo de deixar de fazer planos.

Pra mim você é linda, dona do meu coração. Eu sei que você pensa que será um relacionamento difícil dado ao nosso jeito de ser, mas eu estou disposto a mudar, melhorar. Eu tenho muita coisa a melhorar, você também. Relacionamentos só engrandecem as pessoas, e desde aquele primeiro momento que eu te vi, algo em mim disse que era você. E quanto mais os anos passam, mais as novas primaveras chegam, nenhuma flor é mais bela que você, sem você tudo é cinza, e todas as vezes que eu me despeço de você fico com medo pensando se conseguirei ver você novamente.

Você é a flor das flores. A flor que eu procurei a vida inteira. A flor que mesmo que o tempo passe, continuará pra mim como da primeira vez que vi.

Me dá uma chance, vai, uma só!

Me dá uma chance de ser o homem que vai dormir ao seu lado te fazendo cafuné. Me dá a chance de ser o homem que acordará você de manhã com um beijo e um "Só acordei pra dizer que te amo". Me dá uma chance pra do seu lado encararmos essa coisa louca chamada vida, mesmo que eu não tenha muita coisa financeira pra te oferecer, vamos nós dois juntos crescer, como homem e mulher. Me dá a chance de ver seu sorriso. Me dá a chance de te ver com raiva também.

Nós brigamos recentemente, é verdade. Eu sinto muito, e inclusive pedi desculpas. Eu sei que não sou o cara perfeito, mas eu duvido muito que encontrará uma pessoa que te ame tanto quanto eu, de uma maneira verdadeira e sincera. Uma pessoa que aceita seus pontos bons e ruins, uma pessoa que te conhece e te faria rir pelo resto da vida (eu sei que você queria um cara sério... Mas fala sério, vai ser divertido!), uma pessoa que amaria sua companhia pra viajar igual quando nós viajamos juntos há um tempo. Mas sabe qual é o meu maior medo?

Meu maior medo do mundo é te fazer triste. Embora você seja uma pessoa sorridente, você parece que sofreu e ainda sofre tanto, sabe? Se eu um dia descobrisse que eu virei um estorvo na sua vida, isso sim me faria muito triste.

Eu não tenho nem fama, nem fortuna, nem sou um DiCaprio. Mas eu gostaria de te fazer feliz mesmo, pelo resto das nossas vidas. Queria ser os raios de sol que aparecem no meio da chuva. Eu queria ser... Seu! Eu queria nutrir a esperança de todos os dias te fazer feliz, porque a sua felicidade seria a minha felicidade.

Queria ser a nuvem nova que vem pra molhar essa noiva, que é você. Pra mim você é linda, a dona do meu coração, que bate tanto quando te vê...

...É a verdade que me faz viver!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Doppelgänger - #52 - The Lady Saunders (2)

Morta? Então realmente querem ver Saunders morta. Então o Ar queria que eu tirasse ela se lá pois lá ela estaria mais do que protegida... E parece que as informações que ela tem iriam ferrar com o Ar. Isso faz sentido, pensou Nataku.

“Você é uma jornalista?”, perguntou Nataku.

“Não. Sou advogada”, respondeu Saunders.

“E que tipos de informações você teria?”, perguntou Nataku.

“Bom, vou começar do começo. O Ar com certeza te revelou que Legatus era nada menos que um fantoche. Que havia uma organização maior por detrás, o Vanitas. Os líderes dos Vanitas são o Ar, Schwartzman, Sara e Ravena. É um grupo terrorista econômico que manipula bancos, governos e empresas. Considerando que empresas, bancos e governos são todos animais irracionais, querendo sempre abocanhar mais que a boca, se tiver alguém que pensa mais e lhes ensina alguns truques, obedecerão igual cachorrinhos: Só farão xixi onde mandarem. Esse é o papel do Vanitas, e nesse caso, Ar é o dono dos cachorros”, disse Saunders.

“Tá. Isso eu já sei. Mas o que diabos move ele a fazer isso?”, perguntou Nataku.

“Eu não sei as motivações dele. Não sei se isso tudo seria vingança contra o Al”, disse Saunders.

“Isso que eu não consigo ainda entender... Disseram que meu nome real é Lucca, que eu sou italiano, e que era o braço direito do Arch antes da sua queda. E que o Ar é filho do Arch, logo é sobrinho do Al. Mas como é possível...? Ele é muito jovem, ele tem apenas 24 anos! Como um garoto de 24 anos é capaz de fundar uma organização pra controlar as finanças do mundo?”, perguntou Nataku.

“Bom, genialidade é fundamental. Eu conheço Arch, Al e Ar. Trabalhei com os três. Acho que primeiro posso começar traçando um perfil do Arch. Ele tinha um QI de 180, elevadíssimo, era fluente em dez línguas, sem contar que tinha diversas habilidades em nível A+, pela classificação da própria Interpol. Habilidades em retórica, interrogatório, autodefesa, e era o único que possuía o mesmo ranking A+ no quesito desconstrução. Sabe o que é né?”, disse Saunders.

“Sim. É a habilidade mais difícil e valorizada... Basicamente é o ‘pensar fora da caixinha’, desconstruindo o pensamento e achando uma nova via. É uma super criatividade, excelentes agentes possuem um ranking C nesse. Mas se o Arch tinha A+ nisso também, sem dúvida ele era uma lenda”, disse Nataku.

“Isso! Acho que o mais baixo que Arch tinha era um ‘A’. Sem dúvida ele era um gênio. Bom, o Al já é mais... modesto. Embora que eu sempre achei que na época que ele é avaliado ele erre de propósito. Seu pior ranking ainda assim é B-, o que o torna acima de mais de 98% dos agentes da Interpol. O QI dele é 170, e ele é fluente em sete línguas. Inglês, espanhol, japonês, português, russo, alemão e francês, mesmo que ele deteste falar, e obviamente, odeia franceses”, disse Saunders.

“Nossa. Eu o Subestimei. O cara é bom”, disse Nataku.

“Se ele fosse menos autodestrutivo, ele estaria acima do Arch faz tempo. Mas ele coitado, ao mesmo tempo que tem uma doença, ele é um gênio também. E a Velha tem dó dele, o protege de tudo. Eu acredito que ter um QI elevado é algo genético, só pode. Espero que o Al arranje uma esposa bonita e inteligente pra fazer uns filhos herdarem essa genialidade inata”, disse Saunders.

“Tá, mas e o Ar?”, perguntou Nataku.

“Arthur Blain. QI de 178, fluente em nove línguas, ainda assim é briga de cavalo grande... Seu pior ranking é A-, é outro agente fora de série. E pela idade, sem dúvida vai conseguir coisas bem maiores, ainda tem muito a crescer. A luta que aconteceu entre você e o Al no ano 2000 em Rosário, na Argentina, foi bem real. Artie era sobrinho do Al. Tudo bem que Al era um jovem de 22 anos na época, mas ele sentia que Ar teria o mesmo significado para Al assim como Al se espelhou em Arch. Se parar pra pensar, a diferença de cada um é de dez anos. Arch é 1968, Al é de 1978 e Ar é de 1988”, disse Saunders.

“Nossa. O Ar nasceu no ano da queda de Arch. Ele nem chegou a conhecer o pai...”, disse Nataku.

“Sim. Mas a mãe dele via um futuro promissor no garoto. O Arch era apaixonado, casado com uma francesa bem biscate. Que o Al conhece muito bem... Ela foi uma verdadeira bruxa na vida dele quando era criança. Acredita que quando o Al foi morar com seu irmão Arch na França e tocou a campainha ela o chutou pra fora achando que ele era uma criança de rua?”, disse Saunders.

“Caralho!”, disse Nataku, alto, mas quando viu a reação das pessoas ao lado voltou a falar mais baixo, “Imagino os apuros que o Al deve ter sofrido. Como era o nome dela?”.

“Émilie Blain”.

“Bom, então suponho que o nome do Arch deveria ser Arch Blain”, concluiu Nataku.

“Não! O sobrenome do Arch é Saint-Claire. Ele é britânico, lembra?”, disse Saunders.

“Pera lá... Porque Émilie registraria o filho com o sobrenome dela? Sem dúvida se o Ar tivesse esse Saint-Claire no fim do nome já seria um passo e tanto na carreira dele”, disse Nataku.

“Arch sempre teve problemas com a família dessa Émilie. Os Blain eram uma família rica, e os Saint-Claire mal tinham onde cair mortos. Não sei se Émilie alguma vez amou o pobre Arch de fato... Mas pelo poder econômico e político da sua família, até mesmo os homens que casavam com uma Blain tinham que adotar o sobrenome da esposa. Porém, acho que nem mesmo os Blain pensavam que o Arch, devido à sua genialidade inata cresceria muito na Inteligência. Receberia honrarias, prêmios, e dinheiro, muito dinheiro. Émilie vivia uma vida muito exuberante dentro dos Blain, mas a fortuna que Arch acumulara virou um espólio incalculável. E como sua morte foi inesperada, a dama da sorte não o preveniu de fazer um testamento. Como Émilie era a esposa, e estava grávida do Ar, herdou toda a fortuna. Deixou nenhum tostão para o Al, que estava sob guarda do irmão mais velho, Arch”, disse Saunders.

“Ainda assim... Isso explica o dinheiro do Ar para fundar as organizações, o Vanitas, etc. Mas isso não explica força política. Ele com dinheiro e genialidade era apenas isso, faltaria a influência. Só os Blain conseguiriam fazer isso?”, perguntou Nataku.

“Claro que não, bobinho! Existe uma segunda pessoa. E também é outra que acabou com a vida do Al. Seu nome é Francesca Vittorio”.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Doppelgänger - #51 - The Lady Saunders (1)

“Vamos, rápido!”, dizia Nataku enquanto puxava Saunders fortemente.

Nataku estava se esgueirando pelas ruas londrinas. Ele sabia que seria no mínimo estranho ver um homem com uma sneaking suit andando com uma senhora vestida com roupas simples, brancas, sem nenhuma proteção contra o frio intenso londrino próximo a zero naquele final de mês de novembro.

“Eu... Eu não sei agora”, disse Nataku.

“O que você quer dizer?”, perguntou a senhora Saunders.

“Sei que o Ar quer você, mas não sei se tenho coragem de te entregar. Tanto o Ar como o Al parecem mentir pra mim... E talvez você realmente seja uma pessoa importante nessa coisa toda. Não sei se posso confiar no Ar agora. Seria como se eu entregasse o ouro pra ele de bandeja. Ao mesmo tempo não quero ficar próximo do Al, porque ele é outro que eu não confio também”, confessou Nataku.

A senhora Saunders tocou sua mão no rosto de Nataku carinhosamente. Mesmo naquele frio sua mão estava quente, cheia de ternura. Olhou nos olhos do jovem Nataku e via nada menos que uma criança sozinha. Uma pessoa que não sabia mais em quem confiar. Que estava com sua própria vida nas mãos, mas agora parecia enfim pensar por si mesmo. Parece que Nataku estava enfim amadurecendo. Se tornando um agente que pensa, questiona. Não apenas uma ferramenta do governo, ou de quem quer que seja.

“Escuta... Se você me deixar ir no banco, posso sacar um dinheiro e comprarmos umas roupas comuns. Pelo menos pra gente poder andar na rua, sem contar que estou morrendo de frio. Já que você não vai me levar pro Ar, posso contar o que eu sei”, disse Saunders.

“Você sabe de algo??”, disse Nataku, abismado.

“Me dê alguns minutinhos”.

- - - - - - - - - - -

Era o mesmo dia 25 de novembro. Mas já passava das 14h da tarde, e eles estavam famintos. Saunders comprou roupas para ela e Nataku, ambos se trocaram, e pediram para as funcionarias da loja jogarem as roupas antigas fora. Estavam elegantes, até. Pegaram o metrô e foram pra uma das muitas unidades do Prêt-a-manger, em Vauxhall.

“Me desculpe, senhora Saunders...”, iniciou Nataku, “Mas parece que a cada momento que se passa menos eu sei do que está acontecendo. Eu ando muito, muito confuso”.

“Imagino que você tenha muitas dúvidas mesmo”, disse Saunders, antes de tomar um gole de café, “Você é como uma criança. Crianças têm muitas dúvidas. Como as coisas funcionam, o que é isso, ou aquilo”.

Nataku resmungou.

“Ahnnn... Quem diabos é você? Você era mantida refém no bunker abaixo de uma das sedes do poder desse país. De todos os cativeiros, esse é o mais estranho. Porquê?”, perguntou Nataku.

“Eu queria antes saber o que te disseram sobre mim”, disse Saunders.

“Ar me contou que você é uma CEO de uma importante empresa. Eu sei que o Ar manipula empresas, então faria sentido... Deve ser uma empresa extremamente estratégica pra você ter chamado a atenção de alguém como o Ar”, disse Nataku.

Saunders deu um riso discreto. Pegou o sanduíche natural que havia comprado e deu uma mordida. Antes de engolir deu uma outra risadinha.

“Não tenho empresa nenhuma, Nataku”, disse Saunders.

“O quê?! Maldito Ar...”, disse Nataku, se sentindo um idiota.

“Nataku, você é a pessoa que deve buscar a verdade. Sei que foi muito sofrido você ter sido alvo de todas essas reviravoltas e traições. Mas isso te levou pra um outro patamar. Antes você era apenas um simples agente da Inteligência. Você sabe que não existe glamour nenhum nesse trabalho. Não tem direito a uma identidade, não recebe honrarias, e muita gente nem sabe que vocês existem, ou quem realmente são. E se são descobertos, são mortos, torturados, trucidados, e morrem como um cão”, disse Saunders.

“Mas... Por quê? Se você teve que ser resgatada, tinha um motivo!”, disse Nataku.

“Sim, exato”, disse Saunders, “Mas eu não sou empresária, nem nada. Eu sou uma insider. Não é uma espiã, mas uma pessoa que vamos dizer... Sabe demais. Eu tenho informações que valem ouro. Tanto sobre o Ar, como sobre o que ele quer fazer com o Vanitas”.

“Entendo. Então por isso que você era mantida cativa?”, disse Nataku.

“Não, Nataku! Acorda! Pensa bem. Onde eu estava era o local mais seguro do Reino Unido, talvez um dos locais mais seguros do mundo. Eu nunca fui mantida cativa. Tampouco era uma presa política. Eu estava sendo protegida pelo governo, pois se eu saísse de lá eu só teria um destino”, disse Saunders.

“Só um destino? Qual? Revelar o que você sabe?”, disse Nataku.

Saunders riu. Ela achava engraçado a inocência de Nataku.

“Não, querido! Eu seria morta!”, concluiu Saunders.

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