sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Dividir o pão.

Dias atrás tinha ido no templo ajudar voluntariamente numa tarefa lá. Depois que a coisa tava feita, uma amiga que trabalha no templo me deu dois pacotes de biscoitos japoneses. Bem gostosos, sempre que ganho um desses acaba aqui em casa rapidinho, todo mundo adora. A gente recebe como uma singela forma de gratidão pela ajuda por parte do templo, quando é uma tarefa mais trabalhosa.

Na volta estava no metrô falando sobre a compaixão e Guanyin com minha amiga Marina, via Hangouts, no celular. No metrô de São Paulo normalmente tem muitos pedintes, e por mais que sempre tenham guardas pra tirá-los dos trens e estações, e também muitos anúncios para não oferecer nada pra eles, é difícil não se sentir tocado com algumas estórias que ouvimos.

E na hora que tava falando justo sobre compaixão veio um homem, bem maltrapilho, dizendo alto no meio do vagão: "Eu não quero dinheiro, só queria alguma coisa pra comer, por favor". Na hora me bateu uma coisa. A gente nunca sabe o dia de amanhã, e eu tinha dois pacotes de biscoito. Os biscoitos são divididos em três compartimentos menores, abri o pacote, tirei dois, e dei pro senhor com fome.

Não sei se ele havia gostado  daquilo, mas era a única coisa que eu tinha ali pra oferecer.

Engraçado que a mesma coisa aconteceu, dessa vez quando peguei o trem. O caminho pra eu ir no templo normalmente é demorado, são quase vinte estações, e baldeação em quatro linhas, eu levo entre 1h30 ou 2h. E novamente uma pessoa veio, e eu ofereci mais daquele biscoito que eu também gostava.

Mas não senti falta, menos ainda mal por ter oferecido! No cristianismo acho que todos conhecem o milagre da multiplicação do peixe e dos pães de Jesus Cristo. Eu não acredito que ele tenha multiplicado literalmente, mas sim ensinado que quando dividido, mesmo que sejam poucos pães e peixes, mesmo que pareça um pedacinho de pão pra cada um, para a pessoa com fome valerá como um pão inteiro. E a comida com essa energia boa, alimentará tanto quanto um banquete, pois é dividido, tem gratidão, tem amor. No budismo é a mesma coisa - não é você oferecer tudo o que você tem pro próximo, e sim você dividir, e oferecer o melhor pra outra pessoa. Assim todos comem, todos ficam felizes, e quando divide a alegria, todos ficam felizes juntos! =D

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - #60 - The pendulum starts to swing.

27 de novembro

9h45

A cidade de Southend-on-sea fica ao leste de Londres. Dá pra se tomar um trem para lá saindo de Waterloo. Al foi bem cedo, usando um discreto chapéu até lá. Não poderia ser visto pelas câmeras, possivelmente seu rosto ainda estaria sendo divulgado internamente entre os policiais.

Southend-on-sea é uma cidade litorânea. Tem muitos prédios bonitos, e um efervescente comércio local. É uma das praias mais próximas para os londrinos relaxarem um pouco. Ali, o Canal da Mancha, dividia França do Reino Unido.

Era uma casinha simples nos subúrbios de Southend. Al tocou a campainha, e uma senhora atendeu.

“Al... Nossa, como é parecido com o Arch!”, disse Natalya.

Al olhou pro lado meio sem jeito. Por mais que pessoas falassem isso, isso ainda soava estranho pra ele. Parecer com o Arch poderia ser um orgulho para o irmão caçula, mas para as outras pessoas era o mesmo que rever o rosto do “traidor”.

“Olá, Natalya. Obrigado por atender minha ligação ontem. Preciso conversar um pouco com você, tem uns minutos?”, perguntou Al.

“Sim, sim. Por favor, entre”, pediu Natalya.

Briegel se tornou mãe já com idade avançada. Depois de uma gravidez de risco, deu a luz a uma criança aos quarenta anos. O garoto já estava com treze anos, mas era visivelmente deficiente. Parecia um jovem adolescente, com olhar perdido, babando. Natalya pegou uma frauda e secou a baba do garoto.

“Ele teve má formação no útero. Mas ainda assim, é um filho adorável”, disse Briegel.

“Natalya, não tenho muito tempo, queria ir direto ao ponto. Você era filha do Coronel, que era o líder do Sector 9 antes de indicar meu irmão para o posto, como sucessor. E eu sei que você também teve uma grande carreira na inteligência”, disse Al.

“Sim. Mas eu deixei a Inteligência em 1998, quando quis engravidar”, disse Briegel.

“Exatamente por isso. Talvez consiga puxar da sua memória. Acontece que o filho do Arch – e meu sobrinho – está planejando uma insurreição para derrubar a economia do mundo inteiro. Porém estou sem nenhuma pista, e tudo o que estamos fazendo é muito óbvio, e ele sempre está um passo na frente, não importa o que fizemos. Mas uma das pessoas que estavam no meu grupo conseguiu uma fonte, ele não quis dizer de onde ele arranjou, mas confio plenamente nele”, disse Al.

“Al, e se ele for um traidor? Pelo visto ele era do seu grupo, mas deixou ele”, disse Briegel.

“Eu sei, mas eu confio nele. Mas algo me diz que isso é algo que tem a ver com meu irmão, e você tem as memórias daquela época, além de conviver junto com o Coronel e meu irmão mais velho. Talvez mesmo que seja um mero pensamento possa dar uma luz”, disse Al.

“Tudo bem. Me mostre”, disse Natalya.

Al mostrou. Natalya reagiu, pegando o papel e analisando bem. Sua cara mostrava surpresa.

“E então?”, perguntou Al.

Natalya Briegel deixou o papel na mesa de centro. Olhou para Al firmemente.

“Me diga antes o que você conseguiu descobrir?”, disse Briegel.

“Só tenho hipóteses”, disse Al.

“Pois me diga que ideias veio na sua cabeça”, respondeu Briegel.

“Bom, pra uma pessoa que não conhece diria que esse L/R significa Left/Right. Mas não é isso. Essas duas letras significam Eu e o Ar”, disse Al.

“Uau. Então vocês eram da Elite mesmo. Elite com “e” maiúsculo!”, disse Briegel.

“Sim... Al são as iniciais do meu nome, mas também é um disfarce. Dentro da Inteligência ninguém nunca vai achar procurando por Al. Mas a forma como pronuncia Al é similar à maneira que se fala ‘L’ (em inglês). E como você bem sabe, apenas os mais destacados agentes da Inteligência ganham um codinome de uma letra só”, disse Al.

“E o ‘R’? É esse tal de Ar? Seu sobrinho?”, disse Briegel.

“Sim. Ar é como se pronuncia ‘R’ (em inglês). E existe um arco no topo. Como se ele juntasse a qualidade dos dois. Como se os dois abaixo dele fossem derivados dele. Não acho que preciso dar mais detalhes, até porque esse desenho foi claramente feito à mão... Talvez faltem mais detalhes”, disse Al.

“Arco... Por acaso seria Arch?”, perguntou Briegel.

“Sim. Meu irmão era tão superior que não existiria letra alguma que o destacaria. Portanto, só havia uma coisa que o destacaria. Um arco... Por isso, ‘Arch’. Isso faz sentido pra você também?”, perguntou Al.

“Totalmente. Mas eu acho que talvez a pessoa que desenhou colocou um arco onde na verdade era uma outra coisa”, disse Briegel.

A senhora Briegel pegou uma caneta, e puxou duas pequenas curvas embaixo do arco. Tornando-o a letra grega ômega.

“Ômega?”, disse Al.

“Sim. Apenas uns poucos agentes chamavam Arch de ômega. Mas esse era o real codinome dele dentro da Inteligência”, disse Briegel.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A pele que habito.


Uau! Eu sou fã de suspense. Embora os filmes de suspense fiquem tão gravados na minha mente que eu jamais os assistiria de novo (Vanilla Sky, Cisne Negro, O Iluminado eu só vi uma vez, e isso foi o suficiente pra uma vida inteira, não os quero ver pela segunda vez).

Ontem tava passando na tevê o A pele que habito, com o Banderas. Eu gosto muito das atuações dele, embora todo mundo lembre do cara só como o Zorro. Antonio Banderas é talentosíssimo, eu sempre tiro o chapéu pra ele, e minha atuação dele favorita é em Filadélfia, mesmo sendo um coadjuvante, roubou a cena (desculpa aê, Tom Hanks!).

Mas o cinema sente falta dessas histórias de psicopatas. Embora eles façam muito bem como coadjuvantes (como em "Os homens que não amavam as mulheres"), quando são os protagonistas aí sim que a gente vê que a doença é bem mais embaixo. Fiquei o filme inteiro achando que a Elena Anaya era a Penelope Cruz, afinal, é do Almodóvar esse filme (alguém imagina Tim Burton sem Johnny Depp? Eu não imagino Almodóvar sem Penelope Cruz!).

Que filme do caralho!

É mais um exemplo de maestria nessa parte de mostrar pessoas com papéis de pessoas com sérios distúrbios. Óbvio que é uma super viagem, mas o roterista tá de parabéns, porque vendeu a ideia de cientista louco de uma maneira que não ficou forçada.

Gosto muito da repetição das cenas. São detalhes, mas toda vez que o Banderas entra na mansão dele, a câmera está no mesmo ângulo, e isso se repete por umas três, quatro vezes durante o filme. Gosto muito também dos "silêncios" do cinema europeu, e Almodóvar, por mais que tenha sua própria linguagem, mantém essa tradição.

Muitas cenas de nudez, muitas cenas de sexo. Muitas bem explícitas. E, bem, Almodóvar além de pegar uma atriz talentosíssima como a Elena Anaya, que soube atuar tão bem que numa cena ela finge sem parecer forçado que não sabe andar de salto alto (ou vai que ela não sabe mesmo? Mas sei lá, ela é baixinha... Difícil uma baixinha não saber andar de salto). Detalhes da atuação que fazem a diferença.

Mas o que me espantou é que ela na época da gravação do filme ela tinha uns 36 anos! E ela ainda assim tem um CORPAÇO (NSFW)! Santa genética, Batman! Eu gosto muito dos traços das espanholas de raíz mesmo, tem um rosto forte e bem desenhado, além de muito expressivo e belos lábios. Almodóvar safadinho! Pegou um super avião espanhol para fazer o filme.

Na questão da fluidez, gostei bastante também. O filme, inclusive na sinopse, você pensa que o filme se trata de criar um super ser humano com pele de titânio (mentira, era porco!) resistente a ferimentos e tal, e durante muito tempo você acha que se passa de apenas um desses filmes estilo Marvel, ou algo assim. E aí o filme dá uma reviravolta!

Mas se contar, perde a graça. É como Vanilla Sky, saca? Ninguém vai querer ver o filme depois de saber esses detalhes. =P

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - A história dentro da história (7)

Olá, meu nome é Victoire Blain. Sou francesa, mas atualmente moro no Reino Unido.

Embora eu use o sobrenome “Blain”, eu sou uma filha bastarda. Minha mãe era uma moradora na pequena cidade de Rennes-le-château, no sul da França. Era uma moradora comum, que trabalhava de garçonete num restaurante na cidade. Um dia, o patriarca dos Blain estava passando na cidade a negócios, e não resistiu aos encantos dela. Na mesma noite ela foi pra cama com ele, e, acabou engravidando de mim. O homem resolveu pagar uma pensão pra minha mãe, mas não me registrou. Minha mãe, uma mulher pobre, sem muitas perspectivas, acabou aceitando.

Sempre achei minha mãe uma fraca. Não queria ser como ela. Eu queria muito sair de Rennes-le-château e ir para o mundo, mas eu também tinha medo. Até que conheci Émilie Blain, minha meio-irmã mais velha, e naquele tempo, a única família que eu tinha.

Foi numa visita de negócios. Émilie veio junto de dois irmãos, e queria conhecer a menina que havia nascido de mais uma das peraltices do pai dela. Émilie embora fosse herdeira, era muito responsável e queria estar a par de tudo. Eu não tinha nada dos Blain, minha feição era totalmente diferente. Meus cabelos eram escuros, meus olhos eram arredondados, e eu tinha maçãs no rosto bem acentuadas. Não sei o que dizer mas algo na Émilie bateu forte em mim. Eu era filha única, sempre quis ter irmãos, e Émilie era minha meio-irmã. Era uma pessoa muito gentil, trocamos contato, ficávamos conversando durante horas a fio. Acho que foi recíproco. Volta e meia ela nos visitava, e quando eu ia crescendo mais tempo íamos ficando juntas. Chegamos até a viajar juntas pelo sul da França.

Eu nasci em 1979. E em 1988 teve o Expurgo de Arch. Eu tinha apenas nove anos. Durante muito tempo tentei ligar pra Émilie, mas nunca mais ela atendera. Émilie acreditava tanto em mim que havia até mesmo deixado uma gorda poupança para meus estudos. Começou a rolar vários boatos, e os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses, os meses em anos. Em 1994 fui ao encontro dos Blain, em Paris, buscar notícias da minha irmã mais velha, Émilie. Todos eles foram muito antipáticos comigo, e com um olhar de ironia me falaram algo que me choca toda vez me lembro:

“Ela foi morta”.

Não me deram mais detalhes. Mas naquele momento eu havia jurado a mim mesma que iria achar o culpado e fazer ele pagar tudo. Só precisava encontrar um jeito. Em 1996 conheci Francesca Vittorio, casualmente, uma vez enquanto ela visitava a cidade onde eu morava. Ela dizia que sabia quem eu era. E que conhecia minha irmã, Émilie. Em uma conversa em minha casa ela mostrou papéis e fotos da pessoa que havia matado minha irmã. Era um jovem inglês, um ano mais velho que eu, que era irmão mais novo do Arch. Todos o conheciam como “Al”.

Desde aquele momento tudo o que eu pensei foi nesse tal de Al. Entrei no ramo da biologia, e estudei sem parar engenharia biológica. Todos os professores me elogiavam, diziam que eu deveria ter algo muito forte dentro de mim que me deixava daquele jeito, obstinada. Devorava livros e teorias, estudava matérias e discutia com phDs em pé de igualdade, mesmo eu sendo apenas uma bacharel. Muitas teorias deles, inclusive, foram estudadas por mim. No final de 1999 eu havia criado em laboratório uma nova forma de vida. Fazendo uso de engenharia genética e um amplo laboratório numa das mais renomadas universidades francesas, eu criei uma poderosa arma letal biológica.

O apelido do vírus era “AL1996”. Era um vírus inteligente. Não era contagioso, mas fazia alterações em células específicas do corpo. O HIV, por exemplo, ataca as células que comandam o sistema imunológico, deixando-o sem “comandante” das tropas de leucócitos que protegem o corpo. Logo, embora a pessoa tenha células de defesa, elas não conseguem propriamente defender o corpo de invasores. O HIV é um vírus inteligente, e resolvi criar um outro vírus inteligente. O AL1996 atacava diretamente os hormônios de crescimento, radicais livres, e criando mutações hormonais, causando envelhecimento precoce das células. Quando foi testado em ratos, a forma mais severa do vírus chegou a reduzir a vida do rato em 80%, fazendo-o morrer de velhice após mal entrar na fase adulta. A parte mais difícil estava feita. Agora era só dar um jeito de injetar isso em Al.

Nesse meio tempo pesquisei também quem era o Al. Vi que era um agente muito novo, na época trabalhando para a Inteligência Britânica, além de fazer uns bicos dentro da Interpol. Meu plano era entrar dentro da Interpol como membro do corpo médico, e quando encontrasse com o Al enfim ele estaria nas minhas mãos e eu teria minha vingança. A vingança que eu estava sedenta por três longos anos.

Nisso contei com a ajuda da Francesca Vittorio. E em pouco tempo já havia conhecido o Al. Inclusive estávamos juntos na mesma unidade. Tudo aconteceu muito rápido.

Na minha primeira oportunidade que tive de encontra-lo foi ainda em 1999. Al era apenas um jovem de vinte anos, e estava seguindo os passos do Arch, seu irmão mais velho. Fui fazer um check-up nele, mas o ódio que havia dentro de mim era incontrolável. Era aquele homem que havia matado minha amada irmã, e agora finalmente depois de anos eu estava na frente dele! Mas eu não poderia mata-lo com um tiro, menos ainda o estrangulando. Eu queria fazê-lo sofrer. Sofrer cada segundo por ter matado minha irmã. Fazer ele sofrer a mesma coisa que eu sofri todos esses anos sem ter um chão. Fazer ele sofrer muito até enfim ele morrer. E ter a pior das mortes: envelhecido, doente e incapaz.

Naquele mesmo dia eu injetei o vírus nele. Disse que era apenas um reforço de vacinas. Cheguei em casa e ria à toa. Me tranquei no banheiro e chorava de felicidade, como se aquilo fosse um imenso presente para minha irmã! Ela estava vingada, agora era só questão de tempo! Enfim ele iria morrer! E eu estaria assistindo de camarote tudo aquilo.

Porém, eu estava no time dele. E deveria trabalhar com o Al. Naquele tempo ele estava em busca da Dawn of souls, e nem era casado ainda com a “menina do cabelo cor-de-beringela”, embora os dois estivessem trabalhando juntos (Al não gostava do jeito frio dela, já ela detestava o jeito emotivo do Al). Um dia eu e Al fomos jantar juntos, estávamos cansados depois de um dia de investigação, e paramos num pub londrino pra beber algo e comer.

Foi a primeira vez que eu tive chance de conversar com o Al. Naquele dia eu fui tomada pela surpresa. Pesquisei muito sobre ele, mas quando o vi, vi que ele não parecia com aquela pessoa que eu imaginava que era. Al era uma pessoa triste – triste por ter perdido seu irmão mais velho, triste por ser chamado de “irmãozinho do traidor”, triste por ter que sujeitar ao mesmo destino, triste por nunca poder ter conseguido juntar os pedaços do legado do seu irmão mais velho. Acima de tudo ele era uma pessoa doce... Não tinha nada a ver com o demônio que eu havia criado. Parecia que a pessoa que eu havia pego ódio, aquela que eu havia injetado o vírus, era uma pessoa, e o Al na minha frente era outra pessoa. Ficamos conversando bastante, nem vimos o tempo passar. E sei que foi difícil pro Al também, porque ele odeia franceses. E eu sou francesa. Mas ele me tratou com muito respeito, ainda me levou pra casa. Foi um cavalheiro.

E naquela noite fiquei pensando muito. Um lado meu não conseguia imaginar que era ele quem havia matado minha irmã. Oras, ele sabia quem eu era! Sabia que eu era uma Blain. Pelo menos eu imaginava que ele soubesse. Mas a vida deveria continuar, e teríamos ainda muito trabalho pela frente. Muitas vezes eu encontrava ele sozinho nos pubs perto da Scotland Yard depois de um dia de trabalho. E muitos dias ficávamos lá conversando e bebendo uma pint de Guiness.

Ele ainda não era casado com a garota do cabelo cor-de-beringela. E nós éramos jovens. Foi difícil segurar. Um dia, meio bêbados, ele me disse umas coisas muito bonitas.

“Sabe, Victoire. Nós vivemos na Inteligência, podemos ser mortos a qualquer momento. Nossa vida é de caça e caçador. Não acha que isso cansa às vezes? Nós nem sabemos que acontecerá conosco no dia de amanhã. Por isso, gostaria muito de fazer o dia de hoje valer a pena. E acho que não teria forma melhor de fazer isso do que transformando essa noite em algo... Inesquecível para nós dois. E amanhã de manhã quando acordássemos juntos, saberíamos que nada disso era um sonho”.

E então Al me beijou. Meu deus, que beijo! Eu posso sentir a língua dele ainda hoje, era tão macia e quente... Os lábios dele não eram melados como de outras pessoas, e eu podia sentir ele perdendo o ar junto comigo. A mão dele firme na minha cintura, e o seu rosto macio enquanto eu massageava o cabelo preto dele. Aquele beijo foi tão bom! Eu mal havia beijado alguém, e ainda era virgem. Todos os anos da minha juventude gastei enfurnada em livros para descobrir uma maneira de mata-lo e agora eu estava beijando-o como se não houvesse amanhã!

Estendemos a coisa pela noite, e posso dizer que no começo eu estava com muito medo. Era minha primeira vez, e havia ouvido falar que doía, saía sangue. Mas o Al foi muito gentil. Fomos para a minha casa, tomamos um banho juntos. Não havia rolado nada a não ser mais beijos, e depois que estávamos secos fomos pra cama. Al tomou todos os cuidados, foi um grande cavalheiro comigo. Acho que nem ele tinha tanta experiência também, a diferença de nossa idade era pouca. Muita gente reclama que a primeira vez não foi boa, mas eu fui pro paraíso e voltei! Tudo aquilo me dava prazer, Al lambia meus seios tão gentilmente, sem os apertar, fazia muito carinho. E mesmo na hora que veio pra penetrar, foi devagar. Estava com medo que eu sentisse alguma dor, mas o que eu queria era aquilo! Queria aquele homem dentro de mim, queria sentir todo aquele tamanho, queria saborear cada centímetro daqueles quase dois metros de altura.

Aquilo não era apenas sexo. Aquilo era aquela reação biológica que até então conhecia como “amor”. E eu estava amando aquele que eu achava que era o algoz da minha irmã, mas não conseguia deixar de amá-lo por nenhum segundo que fosse. Passamos a noite juntos diversas vezes depois, e depois do êxtase, daquele abraço e beijo com aquela troca de fluidos e gozo, eu pousava a cabeça dele no meu ombro e pensava: Porque tinha que ser você?

Agora eu não o queria ver morto. Queria ter ele nos meus braços.

Não! O que eu pensava? Al deveria ser morto. Ele matou minha irmã!

E foi exatamente o que eu revelei pra ele. Logo depois que encontraram a Dawn of Souls, ainda em julho de 2000, eu revelei tudo pro Al. Disse que havia mesmo inserido um vírus poderosíssimo nele, pois eu sabia que era ele que havia matado minha irmã. Mas para a minha surpresa, Al desmentiu tudo. Nunca havia matado a irmã, na verdade ela estava viva, ele a havia encontrado há poucos anos atrás.

Ele me mostrou evidências, e eu as confirmei. Minha irmã Émilie realmente estava viva.

E eu, nada mais poderia dizer, nem sabia onde enfiar minha cara. Havia colocado um homem inocente na forca. Eu havia sido enganada. E além de tudo, com o vazamento da Dawn of Souls, todas as atividades tiveram que ser restritas, muitos agentes tiveram que sumir do mapa, ou foram mortos. E Al teve que partir pro exílio com a garota de cabelo cor-de-beringela. Eles se casaram de maneira forçada, e fiquei sabendo que ainda assim o Al foi muito feliz com ela. Talvez tenha sido a única mulher que ele amou... Pois eu sei que ele nunca poderia me amar. Justo eu, a pessoa que decretou sua morte.

Mas ainda assim, seu sabor era tão bom. Meu coração é de uma idiota. O único homem que me apaixonei, eu insisto em dizer que é apenas ele que pode me completar.

Talvez eu seja uma idiota mesmo, me deixo levar, não querendo sair da minha zona de conforto, sem querer buscar uma outra pessoa. Mas como a própria Agatha disse, tudo isso é culpa minha. Projetei minha felicidade como se o Al fosse o único homem da Terra. Eu devo me amar antes de alguém me amar. Eu devo me amar, antes de amar outra pessoa. Saber dar uma chance pro novo. Não achar que o príncipe encantado é o primeiro carinha que a gente fica. A vida é pra ser vivida, é pra errar, para amarmos as pessoas, darmos chances para quem está no nosso lado, apostar no desconhecido.

Eu idealizei muito o Al. Fui como uma menina que se apaixona loucamente por um cara na primeira vez que o vê. Isso não é amor. Amor verdadeiro é quando você conhece tanto os aspectos bons e ruins da pessoa e ainda assim você aceita viver ao lado dessa pessoa aja o que houver na vida.

Espero que consiga fazer isso e seguir em frente. Nós mulheres somos mesmo um bicho complicado. Passou vários caras no meu retrovisor, muitas pessoas legais, mas não dei chance pois estava me “guardando” para alguém que jamais viria atrás de mim. Nunca o Al foi um canalha, eu que fui uma errada em deixar essa coisa toda acontecer e ficar fugindo de tudo, pois nunca quis encarar a verdade. Só eu sou responsável pela minha felicidade, se eu culpasse o Al, eu seria uma fraca. Seria uma menina virgem de treze anos, e não uma mulher madura.

E agora estou aqui, chegando na casa dos quarenta, e em relacionamentos me comportando como uma menina de treze anos. Não me dei chance para me amadurecer. E agora, o tempo passou, as outras possibilidades passaram, e a idade chegou. E agora? Será que eu ainda tenho tempo?

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - #59 - Lutar pelo que acredita.

Nataku estava calmo, mas decidido. Al não sabia direito o que acontecia, foi uma grande surpresa encontra-lo ali. Totalmente inesperado.

“Eu vou direto ao ponto, Al. Não gostaria de ajudar você, mas sabendo o que eu sei, se eu ficasse quieto seria o mesmo que ajudar o Ar. Descobri o que está movendo o Ar contra você”, disse Nataku.

“Descobriu? Mas o que você vai escolher? Vai me ajudar mesmo assim?”, disse Al.

“Não. Vou deixar nas suas mãos. Se você for tão inteligente e perspicaz como realmente diz que é, vai descobrir tudo com apenas essa única pista. Não posso te dar mais informações, a não ser isso”, disse Nataku, mostrando um papel. Nele havia um brasão, como se fosse algo da realeza, com o seguinte croqui:



Al pegou o papel e deu uma olhada rápida. Se tinha algo lá escondido deveria ser analisado com calma. Já tinha algumas ideias, mas precisava discutir mais com Victoire, Agatha e Neige.

“Obrigado, Nataku. Eu não tenho ideia do que seja isso, mas confio em você”, disse Al.

“Eu não quero te ajudar, Al. Mas se eu ficar quieto, vou ajudar o Ar também. Essa é uma pista-chave, não tenho dúvidas que você vai conseguir”, disse Nataku.

Al se aproximou de Nataku e colocou a mão no seu ombro amigavelmente.

“Você amadureceu muito. Amadurecer é algo dolorido, mas você cresceu. Você sabe o que me move, Nataku?”, disse Al.

“Não”, disse Nataku.

“Nós não somos meras ferramentas do governo, ou qualquer coisa assim. Investigar é a única coisa que somos bons, mas pelo menos lutamos pelo que nós acreditamos. E agora vejo isso, você não é mais uma ferramenta dos interesses de governos ou empresas, você é um homem livre”, disse Al.

“Lutar pelo que acredita... Mas eu acho que ainda preciso de um tempo para saber no que acreditar”, disse Nataku.

“Você vai achar sua resposta. Volte para nós quando se sentir bem, sim?”, disse Al.

Nataku olhou para os olhos de Al e virou. Foi a passos lentos sem dizer nada, talvez não queria falar nada. Talvez realmente precisava ficar sozinho.

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“Al! Sou eu, Neige. Tenho boas notícias!”, disse Neige.

“Estamos precisando de boas novas. O que achou?”, perguntou Al.

“Tenho muitos dados aqui. Consegui a identidade dos quatro ‘Doe’, inclusive tenho a data de quando farão a próxima reunião!”, disse Neige.

“Perfeito! Com os quatro juntos poderemos saber onde está o Ar. Isso é ótimo!”, disse Al.

“Será daqui a dois dias, no dia 28. Teremos tempo para planejar uma coisa redondinha e enfim pegar o Ar!”, disse Neige.

“Sim. Acho que vai ser bom. Será um passo pra trás para avançar dois pra frente. Preciso que me faça um favor também”, disse Al.

“Pode dizer”, disse Neige.

“Preciso que ligue para um telefone que está dentro daquela agenda que eu trouxe. Está em um papel de pão separado”, disse Al.

“Código de área... 57? Onde diabos é isso?”, disse Neige.

“Colômbia. Vamos precisar de uma ajuda, preciso que ligue pra esse número e siga as instruções que mandar. Essa pessoa precisa estar aqui daqui a dois dias custe o que custar”, disse Al.

“Certo. Mais alguma coisa?”, perguntou Neige.

“Tem uma coisa sim. Você consegue usar as redes da NSA se eu precisar encontrar alguém, né?”, perguntou Al.

“Sim. Ainda tenho acesso. Precisa do quê?”, perguntou Neige.

“O nome dela é Natalya Briegel”, disse Al.

“Briegel? Esse sobrenome me é familiar...”, disse Agatha, ao ouvir Al falando no telefone.

“Tudo bem. Vou buscar aqui. Já te retorno”, disse Neige.

“Obrigado”, disse Al.

Os três chamaram um táxi, e voltaram para uma pequena casa, próximo ao Palácio St James. Ao chegar, Agatha não deixou de perguntar.

“Briegel... Era o sobrenome do Coronel. O que era líder o Sector 9 e antes de se aposentar indicou seu irmão como novo líder. Mas quem é essa Natalya?” perguntou Agatha.

“É a filha dele”, disse Al.

Guanyin


Eu tava querendo há tempos fazer uma nova Guanyin. A anterior eu estraguei muito na hora de passar o verniz fixador quando finalizei a pintura. O branco desbotou e... ficou tudo cinza. Foi bom, aprendi a usar o verniz (tem que tirar o excesso do pastel antes!) e, a minha primeira Guanyin se sacrificou pra me dar uma boa lição (snif!).

Eu gosto muito de aquarela! Primeiro porque tenho alergia à tinta a óleo. E embora eu goste de pintar com tinta acrílica, com essa tinta eu me sinto mais à vontade num quadro. É difícil encontrar um papel que aguente bem as pinceladas da tinta acrílica.

Fazer a Guanyin foi um desafio. Esse foi o rough final:


Queria focar no olhar e mostrar uma compassividade sem mostrar tristeza. E como todos os budas que eu faço, gosto de mostrar um aspecto mais humano. Primeiro na pose desconstruída. Existem trilhões de versões da Guanyin feita por chineses. As mais clássicas são ela nessa pose, sentada com o joelho dobrado. Grande parte delas são em pé, mas com essa roupa mais... Chinesa. Resolvi unir os dois, a pose de corpo clássica com a roupa mais "moderna".

Eu tenho muita dificuldade em fazer mulheres. Uma coisa que dificulta muito são seios. E seios são elementos super anatômicos, mas difíceis de fazer, porque cada um tem um peito diferente. Tem peito caído, peito levantado, peito grande, peito pequeno, peito "vesgo", enfim... Corpo feminino em geral é bem complicado, porque embora exista um "padrão básico" (tipo clássico grego) não é preciso muito lógica pra entender que apenas uns 5% das mulheres correspondem aquele corpo. Peito, bunda, pernas e cintura cada uma é diferente da outra. Homem tem menos opções, todo homem que malha fica com o mesmo corpo de Davi de Michelangelo.

E outro problema que eu tenho ao desenhar mulheres é a cabeça ficar desproporcional. Eu consegui consertar um pouco na pintura, mas o rough está mais cabeçuda. Porquê? Não sei, mas eu acho bem feminino mulheres cabeçudas (julguem-me), mesmo que esse coque, típico da Guanyin mesmo, tem que se tomar muito cuidado pra não transformar a cabeça num outro corpo.

Queria prestar uma homenagem pra minha primeira pintura que fiz em 2007, as Minhas três moiras:


Eu estava atrás de um cenário legal pra Guanyin. E embora não esteja 100% igual, acho que é possível ver uma grande similaridade com esse monte à direta da pintura com o cenário da Guanyin, né? Foi uma pequena homenagem que eu fiz pra minha primeira pintura. ;)

Por fim (hoje tô falando bastante da pintura! Acho que é porque é a primeira em muitos anos que eu gostei realmente), no rough não estava planejado nuvens. Mas, como eu tentei fazer no Avalokiteshvara anterior, eu gosto muito da passagem do Sutra de Lótus (Saddharma Pundarika Sutra), capítulo 25, o Portal Universal do Bodhisattva Avalokiteshvara.

E eu queria de alguma forma colocar uma referência a essa passagem belíssima, por isso as nuvens na pintura tem um formato de "círculo", mas uma coisa bem sutil, mas como tudo na pintura, não está ali por acaso. Como se esse círculo na nuvem fosse uma representação desse portal que nos transporta pra proteção da imensa compaixão desse bodhisattva maravilhoso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Bleach

Não, esse não é um post sobre alvejante. O blog é meu, quem manda aqui sou eu, e vamos falar de nerdices!

Esses dias tava dando uma limpada nos meus mangás e vi minha inacabada coleção de mangás do Bleach, lançadas no Brasil pela Panini Comics (diga-se de passagem, os melhores tradutores do Brasil, na minha opinião). Eu só tenho até o tankobon número 47. Justo no final da saga do Aizen. Fiquei um tempão todo sem saber o desenrolar da rolada, e vi na internet esses dias o final.

Sempre achei Bleach bem legal. Não é um mangá revolucionário, existem algumas sacadas meio diferentes, mas é boa e velha saga do herói que 98% dos mangás shounen tratam. Pelo menos o protagonista, o Ichigo, tem muitos dilemas existenciais e fraquezas. Não é um Seiya que nunca perde, ou um Ash Ketchum que só se fode, mas não é um carinha apelão.

O autor, Tite Kubo tem um traço e pelo visto o cara tem muitas referências. Como todo bom shounen, embora tenha muita briga, muitos poderes, muito sangue, muitas víceras, tem uma característica muito presente neles: humor. E vendo as duas sagas, a da Soul Society e a de Hueco Mundo, a receita não mudou muito, o que mostra que o autor não arriscou uma receita nova. Pelo menos por enquanto.

A receita de Tite Kubo é básica: sempre começa com uma invasão. Na primeira saga é a Soul Society, indo atrás da Rukia que foi sequestrada (isso é spoiler? Esse mangá é tão velho...). Em Hueco Mundo tem uma invasão também, pra salvar a siliconada Orihime.

Depois que eles invadem, aparece alguém na turma que é muito engraçado. Na Soul Society era a dupla Hanataro/Ganju. Muitas vezes eu rachava o bico lendo o mangá e vendo as mil e uma confusões na sessão da tarde que eles aprontavam! Em Hueco Mundo o papel cômico fica na pele da fofinha Nel e seus "irmãos". Aliás, um baita ponto pra tradução em português, porque colocaram a Nel com sotaque caipira, pois parece que em japonês ela fala com sotaque da região de Touhoku.

Durante a invasão sempre bate com dois tipos de inimigo: um falatrão e um sério. Na Soul Society o falastrão era o lendário Kenpachi Zaraki (e a fofinha Yachiru!). Em Hueco Mundo era o Grimmjow. O carinha sério (e muito badass) em Soul Society era o Byakuya Kuchiki, com um dos meus bankais favoritos. Já em Hueco Mundo era o Ulquiorra com aquela cara de anal.

Embora existam algumas diferenças bestas, basicamente é essa a receita dos roteiros. Eu queria falar dos personagens, mas Bleach em trocentos personagens... E cada um tem um jeito, embora suas personas repitam muito. Mas eu gosto das referências que o autor usa. Tite Kubo gosta muito de usar termos em espanhol. Não apenas com o Chad, um dos protagonistas, mas em Hueco Mundo todos os Arrancars tem comandos em espanhol pra despertar suas ressureción (quem leu esse parágrafo e não conhece o mangá vai falar: hã?).

Os Quincy tem muitas palavras do alemão. E os Vizards, vi algumas referências em inglês. Sem contar os Shinigamis, com seus nomes poéticos de bankai. Por exemplo, o Mayuri Kurotsuchi tem bankai (bankai é tipo o "poder máximo") o Konjiki Ashisogi Jizô (金色疋殺地蔵):


Parece que os Shinigamis são verdadeiras homenagens à cultura japonesa. Esse por exemplo é traduzido como "Jizô Dourado Ceifador de Pernas". E no ataque esse monstro gigante em forma de Jizô (o bodhisattva budista) além de tudo tem veneno mortal que infecta tudo. É uma licença poética do autor que mantém aspectos típicos japoneses no roteiro. Achei bacana.

E bom, eu me emociono também, hahaha. Sou um cara bem manteiga derretida e me emociono até em mangás. A parte que eu mais gosto é logo no final da saga da Soul Society quando o Ichigo vai salvar a Rukia bem no momento da execução!


O que? Foi emocionante! T__T

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Desculpar o quê?

Ontem minha última ex-namorada puxou conversa comigo no Facebook. Eu não percebi que ela puxou conversa porque bem na hora que ela mandou mensagem eu estava no altar em casa, fazendo oração da noite.
Depois que eu vi a mensagem, tomei um susto. Acho que fazia uns três ou quatro anos que não conversávamos. Não havia ficado nenhuma mágoa, e ela agora estava nos Estados Unidos estudando e tranquila, namorando e tal. Guardei a sobrepeliz budista e o rosário e vi a mensagem. Disse que tinha muito tempo que não nos falávamos, perguntou como andava a vida, mas a coisa que mais me deixou chocado foi a última frase:

"Alain, desculpa qualquer coisa".

Na hora eu li, e... Hã? Eu desculpar o quê?

Pensei que ela que tinha raiva de mim. Normalmente o homem que não presta nos relacionamentos, não? Sem contar que nossa relação embora tenha sido muito intensa, durou mais ou menos uns dois meses. E foi lá em... 2009! Já tinha quase uns seis anos.

Eu disse que ela não tinha motivos pra pedir desculpas! Na verdade eu acho que quem deveria pedir desculpas era eu. E depois ela respondeu dizendo que todas as pessoas tinham um papel nas nossas vidas, e que sempre desejou meu bem. E que embora fôssemos de mundo diferentes as boas memórias iam ficar, e que não havia nenhum remorso.

Eu respondi dizendo que toda experiência na vida era válida, independente de dar certo ou não, o importante foi que tentamos. E que naquela época eu era uma outra pessoa, totalmente diferente do que sou hoje, mas se aquilo lá atrás não tivesse acontecido, duvido que hoje estaria aqui, com essa cabeça diferente, bem mais maduro. E que independente de qualquer coisa, guardaria as lembranças boas no coração, e que nunca teria dúvidas que aquele momento, mesmo sendo algo do passado, sem a menor intenção de reviver hoje, foi um momento bom, de facto. E que depois vieram outros momentos, e que só desejo o bem e felicidade dela mesmo, de coração! E espero continuar cultivando a amizade.

Eu ás vezes brinco que normalmente quando uma garota me dá um fora ou termina comigo, sempre acha o amor da vida dela depois. Isso já aconteceu várias vezes, já rolou até casamento (me julguem)! Mas acima de tudo gosto de manter a amizade e especialmente mostrar que não existe remorso, nem arrependimento.

Não nutro paixões cegas por pessoas. Todos meus sentimentos tem como base a amizade. Menina pode ser a mais gata, ou ter os gostos mais parecidos, mas nunca vou cogitar ficar com alguém que no mínimo eu não considere uma boa amiga. Porque, com o tempo, o peito vai cair, gostos vão mudar, mas a amizade vai ser eterna.

É a amizade que vai fazer a gente voltar quando brigar, porque se fosse apenas paixão, era tchauzinho depois da briga. É a amizade que vai me indicar no que combinamos e o que a pessoa não gosta. É a amizade que vai manter o companheirismo mesmo depois que terminar, porque amizade é como amor verdadeiro, nunca se abala. Os casais que conheço que mais deram certo são acima de tudo... Amigos!

Acima de tudo, todas as pessoas que eu me relacionei, tinha um misto de admiração, amizade e paixão. Porque amor é uma coisa muito bonita, e seria muito egocêntrico guardar apenas para membros da família ou minha parceira. Pra eu querer amar uma parceira como namorada, quero amar ela antes como amiga. Por isso que mesmo depois que termina, gosto de manter como amigas! E não, nunca rolou e nem vai rolar nada. Minha melhor amiga, por exemplo, foi minha namorada há uns dez anos (e está muitíssimo bem resolvida com outro). O que era pra ter rolado já rolou, e ficou lá atrás. ;)

Acho que é muito talvez pela forma que eu encaro amor. Não quer dizer que eu não me apaixone, mas acho paixão uma coisa muito fugaz. É aquele fogo e... Só. Por isso eu gosto de manter a amizade - e apenas a amizade, nada mais que isso - com todas depois que terminamos. Sem ressentimentos. Algumas se sentem bem, outras não gostam, mas eu sempre tento manter essa amizade.

Por isso, não havia motivos para pedir desculpas. Porque não havia nada para ser desculpado.

Está tudo bem! =)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - #58 - Desfibrilador

26 de novembro

11h10

“Que bizarro isso, não?”, disse Victoire.

“É a influência do Ar. Foi a perícia mais rápida que já vi, já concluíram os laudos, queimar o corpo e jogar no lixo não reciclável. E esse é o fim do Löfgren, mas talvez ele já esperasse isso. Pelo menos parece que enfim a casa é nossa, vamos entrar logo e procurar lá pistas”, disse Al.

A casa estava do mesmo jeito que haviam deixado. Al não tinha visto ainda, mas ficou impressionado com o sangue que estava no local onde Löfgren havia sido baleado.

“Vicky... Você disse que havia uma mulher junto do Rockefeller?”, perguntou Al.

“Sim. Era alguém de idade já. Tinha um sotaque sutil e meio estranho... Acho que o Rockefeller a chamava de ‘Fran’”, disse Victoire.

“Difícil pensar em algo apenas com isso. Enfim, temos que ficar de olho no Rockefeller. O Neige entregou esse vírus, se a gente instalar no computador do Löfgren a gente vai conseguir que o Neige entre nele e ache o que precisamos”, disse Al.

E foi o que eles fizeram. Depois da instalação, Al ligou para Neige.

“E aí? Conseguiu acessar?”, disse Al.

“Sim. Al, eu deixei o meu computador processando a noite inteira os dados desses e-mails dos ‘Doe’. Eram muitos IPs mascarados, firewalls, todo tipo de segurança que é possível de se imaginar, realmente eles fizeram um bom serviço. Eu consegui chegar em uma identidade aqui, e bateu com o registro que havia nesse computador. De fato, Löfgren era um dos ‘Doe’, não temos mais dúvidas!”, disse Neige.

“Ótimo. Faltam achar os outros cinco. Espero que estejam juntos, pelo menos”, disse Al.

“Isso vai me levar um tempo. Mas já estou trabalhando nisso”, disse Neige.

Al e Victoire continuaram andando pela casa, buscando algum tipo de pista. Haviam muitas coisas, mas aquilo levaria um bom tempo até que fosse analisado. Livros, anotações, planilhas, transações bancárias... Aquilo tudo na casa de Löfgren parecia um paraíso de pistas – mas que precisavam também de pelo menos mais umas três pessoas para analisarem tudo e concluírem algo.

Al estava suando. Mesmo dentro da casa não estava muito quente, uma vez que o aquecedor não estava ligado e as cortinas estavam fechadas. Victoire ficava olhando pra ele de vez em quando, pois aquilo não lhe cheirava bem.

Do nada, Al sentou-se no sofá. Ele estava arfando, e pálido.

“Al! Você tá legal?”, gritou Victoire, correndo ao seu encontro.

As pupilas de Al estavam dilatadas, e ele parecia atordoado. Aquela fraqueza tinha sido súbita, e ele mal tinha forças pra se manter sentado no sofá, seu corpo estava caindo. Al estava sentindo até mesmo falta de forças para respirar.

“Vicky...”, dizia Al, baixinho.

O que será que é isso? Droga, eu te disse para tomar todas as medicações... As células do seu corpo estão envelhecendo em um ritmo muito acelerado, as medicações não te tornariam mais jovem, mas pelo menos teriam estacionado os sintomas em determinado ponto! Agora é tarde demais! É um cara de 34 anos com células de alguém de mais de 60!

Pensa, Victoire, pensa... O que são esses sintomas? É verdade que alguns órgãos dele estão envelhecendo mais rápido devido a fatores genéticos, mas esse cansaço súbito... Só pode ser isso!

“Al, presta atenção em mim, ok?”, disse Victoire, tentando deixar Al acordado o maior tempo possível, “Fique tranquilo, você está tendo uma taquicardia. Vou precisar do desfibrilador que está no carro, vou lá correndo, fique acordado!”.

Al não sabia se ficava nervoso de vez ou se apagava. Simplesmente não fazia nenhum som, mas o cansaço estava dominando seu corpo, ao mesmo tempo que a ideia de uma taquicardia naquele momento havia injetado um bocado de adrenalina no seu corpo. O carro estava logo na frente, talvez não levaria nem mesmo dois minutos, mas cada batida do relógio parecia algo eterno. Tudo estava em câmera lenta.

Pensou que talvez para se manter acordado poderia se jogar no chão. E foi o que fez, jogou seu corpo e caiu bem em cima do seu braço, quase torcendo seu pulso, dando uma dor imensa.

Al gritava de dor. Porém ele sabia que aquilo lhe deixaria acordado.

Foi aí que Victoire chegou com um desfibrilador portátil.

“Isso, vamos lá, desabotando a camisa... Vamos, vamos, vamos... Colocar aqui, e agora apertar aqui para soltar a carga. Anda, anda, and...”, dizia Victoire, mas Al nem conseguiu ouvir ela terminar de falar o último “anda” que sentiu como se dessem um golpe forte no peito dele.

E aí, depois desse choque, tudo parecia melhor.

“Ah...!”, disse Al, como se enfim conseguisse respirar.

“Mas que merda, Al. Se ficar assim, não sei se você vai poder continuar conosco”, disse Victoire.

Al sentou-se e virou pro lado, tossindo, como um velho. Sem dúvida não era apenas os seus cabelos grisalhos que denunciavam sua idade corporal avançada, mas seus órgãos estavam começando a falhar, um a um. Al estava tão mal que até mesmo Victoire duvidara se ele sobreviveria até o final da missão.

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14h30

“Toma, bebe um pouco de água”, ofereceu Victoire.

“Obrigado...”, agradeceu Al, pegando o copo.

“Al, olha só quem deu as caras”, disse Agatha, entrando na casa.

Era Nataku.

“Nataku! Por onde esteve?”, perguntou Al.

“Al, eu não estou do seu lado. Muito menos no lado do Ar. Mas eu sei de coisas que talvez seriam muito valiosas pra você, e podem mudar o rumo da investigação. Será que podemos conversar um pouco?”, disse Nataku.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Noventa anos em nove.



Esses dias fui fazer uma entrevista de emprego em Moema, e lembrei que a Cris, Aline e o João, três amigões na época do Senac estudavam ali perto e os chamei para comer algo no almoço.

Faz uns três anos mais ou menos que não nos víamos! Pelo menos a Cris esse tempo inclusive que mal nos falávamos por falta de tempo. A Aline volta e meia conversava pelo Hangouts, mas pessoalmente esse foi o primeiro encontro desde a conclusão do curso.

Foi muito bom! É sempre bom rever os amigos. Ainda mais essa semana que eu tive muitas entrevistas de emprego. Foi bom pra dar uma relaxada. E aquela região é bem bucólica pra mim também. O local da entrevista era uma quadra da antiga FAMEC, o local onde minha mãe estudava, e também um local onde eu andei muito durante todo o ano de 2006 quando fazia arquitetura a uma quadra dali, na extinta UNIB na Avenida Iraí.

Desde 2006 eu não andava naquela região. E como eu meio que me perdi onde era o local da entrevista, acabei sendo obrigado a zanzar um pouco na região. Vi o buteco que íamos antes das aulas ainda aberto. Tinha uma baladinha de rockabilly que eu morria de vontade de ir na Iraí, e estava fechado (que cara é essa? Eu adoro Elvis, Beatles, Johnny Cash e Jerry Lee Lewis!).

Ali perto da faculdade da minha mãe tinha o seu Luís, um tiozinho muito louco que vendia o melhor cachorro quente que eu havia provado! Embora na frente da UNIB tivesse muitas barraquinhas, eu atravessava na hora do intervalo até a FAMEC e comia lá. Ás vezes minha mãe aparecia (ela estava terminando o curso de Artes Plásticas dela na FAMEC, e eu tava começando arquitetura na UNIB. Sim, eu ia pra faculdade junto da mamãe, era duas quadras de distância, pô!) e eu acho que fiz mais amizade com o pessoal da sala dela do que o pessoal que fazia arquitetura comigo.

Sem contar as saideiras com o pessoal da arquitetura pra irmos no Shopping Ibirapuera, ali do lado, comer um Burger King e conversar sobre a vida! Sinto bastante falta daquele pessoal, foi um ano só, mas eles eram gente finíssima. Fiquei sabendo que muitos terminaram o curso e hoje são arquitetos. Eu saí naquele ano do curso e entrei em Design Digital pelo Senac em 2007, onde me formei em 2011. Mas andar ali em Moema e ver que o bairro continua gostoso de andar me trouxe muitas lembranças. E ainda encontrar o pessoal do Senac, pela primeira vez depois de formado me deu um tiquinho de noção de como o tempo passou. Em 2006 talvez eu nem imaginaria o que me aconteceria nos próximos cinco, menos ainda nos próximos nove, como agora em 2015.

Olhando pra trás, realmente muita coisa aconteceu (e acontece). Foram uns nove anos, mas parece que aconteceu coisa o suficiente pra uns... noventa!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - #57 - John Doe.

“Al, dê uma olhada nisso”, disse Neige, apontando pra tela do computador.

Quando Al viu, ficou abismado.

Neige não tinha acesso ao que Ar fazia. Mas ele conseguia rastrear dentro da rede vários contatos de CEOs de diversas empresas, inclusive ligados ao governo. Parece que Ar tinha uma estrutura muito segura, e mesmo que o governo britânico e as empresas tivessem também uma segurança forte, eram brincadeira de criança pro Neige as invadir.

“É uma tag Cloud”, disse Agatha.

“Sim. Da onde você tirou isso? Tem várias palavras aí”, disse Al.

“Essa tag cloud é baseada no que todos os empresários e governos disseram nas últimas quarenta e oito horas nos e-mails. A maior palavra é justamente essa, Ucrânia”, disse Neige.

“Sim. O Ar disse que atacaria a Ucrânia. Talvez esteja sondando pessoas, jogando as iscas. Existem muitos separatistas lá, e bem armados. Usando a mídia, os interesses dos empresários, e a sede do governo, não tenho dúvidas que logo inventarão algo ali. E justo o leste-europeu... Não existe melhor terreno hoje para uma insurreição do que esses países, como Ucrânia, Hungria, Polônia, etc”, disse Al.

“Você consegue rastrear de onde vieram os e-mails?”, perguntou Victoire.

“Isso que é o mais curioso! Parece que o Ar está brincando com a gente. Eu rastreei os e-mails, e consegui chegar até o primeiro destinatário”, disse Neige.

E Neige mostrou um papel. Nele tinha seis nomes. John Doe, Jane Doe, John Roe e Richard Roe. A versão americana do “Fulano de tal”.

“Quem encaminharia um e-mail de alguém chamado John Doe?”, perguntou Al.

“Deve ser um código, Al. Você sabe que as pessoas usam isso muito mais pra manter a identidade do que necessariamente pra se fazer uma piada”, disse Victoire.

“E o IP das máquinas?”, perguntou Al.

“Todos batem. De fato são empresários sim. Mas eles não se tem como controlar, são seres humanos, são movidos pela sua própria ganância. Eles são corruptos, e o que Ar oferece são mecanismos para que eles próprios exercitem sua ganância. E óbvio que eles vão cair. Quem temos que parar é o Ar”, disse Neige.

“Al... Com certeza tem algo por detrás disso. Mas como ele consegue tanto dinheiro?”, perguntou Agatha.

“Agatha, não é complicado nos dias de hoje ficar rico, ou fabricar dinheiro. O que o Ar consegue fazer é criar dinheiro a partir do nada dentro dos bancos. É meio complicado de explicar... Mas os bancos criam dinheiro a partir de títulos do governo, que emprestam ao banco central e solicitam que o valor seja criado em dinheiro vivo, e esse dinheiro é depositado no banco”, disse Al.

“Mesmo assim... Se o dinheiro vivo está no banco, como se cria dinheiro a partir do nada?”, perguntou Agatha.

“Vamos supor que seja solicitado criar 1 milhão de libras. Isso depois de criado será depositado num banco, mas apenas dez por cento dele será de fato em dinheiro vivo. O resto, será apenas um valor eletrônico, de controle do próprio banco. O banco pode emprestar o dinheiro, gerando dívidas e juros, e o patrimônio vai só crescendo. O Ar não investe malas de dinheiro, ele apenas direciona créditos eletrônicos – que vale tanto quanto dinheiro – mas por ele controlar bancos e governos, ele consegue fazer isso infinitamente”, disse Al.

“O cara joga SimCity na vida real. Como se chamasse o ‘primo Vinnie’”, riu Neige.

“Bem por aí...”, disse Al.

“Mas ainda assim... Esses ‘Doe’ podem nos levar ao Ar. Não podem ser máquinas enviando os e-mails, devem ser pessoas mesmo”, disse Victoire.

“Bom, analisando aqui, haviam na verdade cinco. O quinto não mais mandou e-mails, e já tem um tempo”, disse Agatha.

“Desde quando esse quinto não se comunica mais?”, perguntou Al.

“Desde o dia 24. Desde ontem”, disse Agatha.

Al na hora puxou o papel e viu as datas. Era coincidência demais!

“Ele é... Birger Löfgren!”, disse Al, alto.

“Putz... Ele era um desses cinco, mas é o que menos tomava cuidado com sua segurança. Os outros quatro são bem mais cautelosos”, disse Neige.

“Você acha que consegue hackear? Descobrir algo?”, perguntou Al.

“Consigo. Mas vai levar tempo”, disse Neige.

“Sem problemas. Vamos buscar pistas no local físico”, disse Al.

“Local físico? Você tá maluco? Tá realmente pensando em ir lá?”, disse Neige.

“Sim. Para a casa de Löfgren. Em Cockfosters. Mas acho melhor amanhã... Já tivemos azar o suficiente por um dia”, concluiu Al.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Avalokiteshvara


Como eu disse, esse Treinamento Anual eu comecei meditando no Achala, e terminei meditando no Kannon (Avalokiteshvara é mais estiloso o nome!).

Muitas ideias vieram na cabeça. Esse círculo no céu, por exemplo, é baseado numa passagem do Sutra de Lótus - O Portal universal do bodhisattva Kannon, que veio de um barato que deu na minha cabeça na semana passada quando voltava pra casa depois de ir no templo, e vi um "buraco" no céu entre as nuvens.

Que talvez esse portal universal do Kannon seja cheio de compaixão, pois ele recebe a todos sem distinção, sem preconceito, e mesmo apesar da nossa vida ser regada a sofrimento e tristeza, ele chora muito com a gente, usando sua própria força para atenuar as coisas que nos fazem tristes. =)

Como eu disse antes, essa pintura vem de encontro com o significado profundo que tive do que é o Avalokiteshvara. Pra mim, antes, ele era meio incompreendido por mim. Pra mim talvez fosse um bodhisattva que "passa a mão na cabeça" das pessoas. Mas, pensando bem, um pouco de misericórdia nunca fez mal a ninguém. E a força e as coisas que os bodhisattvas nas nossas vidas nos ajudam a superar é incalculável. Acho que apenas quando eu entendi isso numa esfera mais profunda que consegui olhar e fazer essa pintura.

Vamos babar pelas misses universo!

Sim, eu sei que já passou. Mas isso não quer dizer que não possa dizer quem eu mais gostei, quem mais me surpreendeu, quem mais eu torci e, claro, comentar as participações brasileira e sobre a vencedora! Peguei todas as fotos lá do site oficial.

12º
Ye Bin Yoo (Coréia do Sul)


A Miss Japão é bonitinha. Só precisa de peito.

(uai, que cara é essa? fui direto ao ponto)

Eu fico sempre no aguardo do trio asiáticas parada-dura, Japão, Coréia do Sul e China. China também me decepcionou... Ano passado colocaram uma que tinha porte de top model, a dessa ano melhorou, mas já teve anos melhores. Mas essa koreana achei que fotografa muito bem, tem porte de miss, além de uma inocência muito forte no olhar. Ela tem um rosto muito bem desenhado, lindas pernas (se bem que as três asiáticas estavam muito bonitas de pernas), mas o mais legal dela foi o traje típico.

Eu acho LINDO o hanbok, o traje típico coreano. Mais lindo que kimono. Acho que dá um toque feminino na mulher mais bonito que o kimono deixando ela "reta". Se Monet pintou a mulher vestindo kimono, a minha eu compraria um hanbok e pediria pra minha esposa se vestir. Só que claro, quem iria despir ela depois seria eu. ;-)

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11º
Johana Riva Garabetian (Uruguai)



Meu sonho é num concurso desses quando apresentassem o Uruguai eu iria gritar: SEPARATISTAAAAAS!!!

(sim, só eu pra fazer algo retardado assim)

Uruguai mostrando o que o Brasil tem de melhor: gaúchas. Mas ainda assim, muito gatinha! Esse ano tinham muitas loiras latinas, mostrando que o sangue espanhol misturado com alemão dá umas combinações muito legais. Grande parte das loiras eram bronzeadas, e isso foi comentado pelas apresentadoras.

Mas esse ano parece que o Miss Universo tava mais com um pé na passarela do que em mulheres com porte de Miss. Todas pareciam top models, e a uruguaiana Johana não era exceção.

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10º
Nia Sanchez (EUA)



O que comentar de uma Miss Americana, que parece mexicana e tem gosto de tamarindo?

(Sanchez, mano? É retirante cubano nessa porra?)

MARMELADA PURA. Não sei nem porque raios ficou com o vice-campeonato. A colombiana por mais que eu não goste, ainda assim era muito mais bonita e original que a americ... COF COF, Sanchez.

Mas é bonita, não estou negando isso. Mas achei meio emblemático uma miss americana de origem hispânica, justo o povo hispânico que os americanos mega racistas mais detestam. Há tempos o Miss USA se rendeu pra beleza das hispânicas, fazer o quê, né? São lindas. E não duvido que não tenha um americano que não queira casar com uma dessas!

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Camilla Hanson (Suécia)



Pensa que Suécia é sinônimo de cabelos loiros e peitos fartos? Pense novamente!

(é que não viram a holandesa. Essa sim é de tirar a tampinha da cabeça!)

Tá aí, fugiu totalmente o estereótipo, e é uma miss lindíssima! E que lábios grandes e grossos você tem, chapeuzinho sueco! E curvas também, que cinturinha! Parece que tem porte de leste-europeu. E, só pra não dizer que não zuei isso, ela tem sobrenome HANSON!

Woooon't you saaaaaaave meeeeeee?? Hahahaha.

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Nale Boniface (Tanzânia)


Esse não foi o miss universo das latinas. Menos das loiras, menos ainda das asiáticas. As mulheres negras se mostraram simplesmente deslumbrantes nessa edição do concurso, uma pena que apenas uma tinha sido escolhida entre as finalistas (a Miss Jamaica).

Ela tem um porte lindo de rainha, de mulher madura. Tem um olhar penetrante, e esse cabelo é simplesmente lindo. Uma das que eu mais curti!

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Migbelis Lynette Castellanos (Venezuela)



A barrigudinha! Hahahaha!

(os comentários durante o desfile de vestido de gala foram impagáveis)

Gente, pra que falar tanto da barrigudinha Migbelis? Muitos criticaram que ela não fechou a boca antes do concurso, mas pra mim foi uma das mais autênticas. Eu acho lindo mulher com aquela barriguinha, acho que valoriza o ventre, deixa uma forma muito sexy numa roupa mais justa (tô falando sério).

Venezuela é foda. É Minas Gerais da América do Sul, é fábrica de mulheres lindíssimas. Difícil não ter ano que eu não coloque ela em destaque, e essa eu adorei ainda mais por ela ter desfilado com a barriguinha mesmo na frente daquelas magrelas. Miss não é legal ter porte de modelo manequim, e sim esse porte de mulher mais real. E barriguinha é normal, e muito sexy.

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Digenne Zimmerman (Aruba)


Aruba, ariba, andale, andale!

(tô sem piadas, fiz só um trocadilho com o nome do país)

Outra negra sensacional! Parece um pouco a Thais Araújo!

Uma beleza simples, básica, sensual e mágica. Só perdeu pra Jamaica mesmo, que era fora de série. Talvez seja por isso... Esse concurso estava muito acima de média. Ela tem uma beleza normal, teria sido vencedora se as outras candidatas não fossem além da média.

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Yasmin Verheijen (Holanda)



Falta carisma. Mas o resto... Jesus! Quanta fartura!

Yasmin era séria. Yasmin não ria das piadas. Yasmin não sabia responder as perguntas (aliás, NENHUMA respondeu bem as perguntas), mas Yasmin, Yasmin, você é tão perfeita, que se tivesse trabalhado nas coisas que te faltassem, você seria de outro planeta!

Eu imagino essa mulher andando nas ruas de Amsterdam. Se eu, com esse sangue latino, já não sabia onde enfiar a cara com a mulherada dando em cima de mim descaradamente, imagina ela com esse porte latino. Tinha que ser mesmo da Holanda, o país mais próximo da Torre de Babel que pode-se existir.

É de parar qualquer ciclovia de lá!

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Melissa Gurgel (Brasil)



POXA BRASIL, EU TAVA TORCENDO!

Gente, olha essa foto. Não, olha direito! Isso é uma foto, não é um quadro, nem uma divindade. Porque essa injustiça? Melissa era sensacional. Tinha carisma, desfilou muito bem de biquini, mas foi justamente no biquini que foi eliminada. Fazia tempo que eu não torcia tanto pro Brasil, sei que seria difícil de ganhar, mas chegar onde ela chegou foi mais que uma vitória, mesmo assim!

Não sei o que comentar do que gosto mais nela. Poderia dizer o sorriso, ou o corpo, ou o cabelo, ou... Tudo. Melissa era sensacional, e fiquei muito triste quando ela saiu.

Mas não achei injusto ela sair também.

O nível do programa tava fora de noção. Melissa era nota dez, mas as outras eram nota onze, doze. Acontece.

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Pimbongkod Chankaew (Tailândia)



Mano, que porra de nome é esse?

Fiquei uma meia hora pra tentar ler.

Desisti.

Não, pera...

Pode não parecer, mas ela é tailandesa. Asiática! Que belas maçãs no rosto, senhorita! Eu gostei muito dela. É difícil encontrar uma pessoa com sangue asiático tão curvilínea. Que cinturinha linda, pai de deus! Além do busto e quadril lindos. Parece que do pescoço pra baixo não é asiática. E ainda assim o rosto de destaca no meio de um par de olhos puxadinhos.

A coreana pode ser lindinha, mas a tailandesa Pimb... Pimbong... Pimbongkod (WHAT?) tem esse porte de mulherão que fugia muito do padrão de modelo que as outras tinham. Mal ficou entre as selecionadas, mas ganhou meu top-3!

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Valentina Ferrer (Argentina)


A peituda! E que peitos!

(o que? Se você assistiu e não reparou é mentira!)

Será que eram naturais? Será que era bojo? Será que ela estava amamentando? (nossa, que comentários!)

Valentina Ferrer eu tava torcendo muito. Ela tem um porte tão magnífico que me daria medo, e se uma dessas aí estivesse interessada em mim eu diria: "Você é muita areia pro meu caminhãozinho. O que vou fazer com um mulherão como você?". Eu nem sabia por onde começar, desbravando esse imenso conjunto de beleza.

O olhar dela é muito marcante. Olhos de vem meu céu, meu pão de mel, meu bem querer. Só em algumas fotos que ela parecia com um topete que deixava ela com cara de velha, mas de resto, é o cúmulo da perfeição. E esse corpo, xessuis? E o melhor, e esses peitos?

Realmente, com uma dessas, eu nem saberia por onde começar. É muito fora de série.

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Kaci Fennel (Jamaica)



Miss Universo todas tem cabelão. Mas eu acho muito sexy e feminino mulher de cabelo curto. E num bairro com todas as casas pintadas de branco, a que pintar de amarelo ganha destaque.

Porque ela não venceu, gente? Eu ainda não engulo isso.

Esse rosto, esse nariz fininho e desenhado, esses olhos puxados, essa pele dourada do sol, e pra coroar, um cabelinho curto. No dia ela tava sensacional, provando que pra uma mulher ser linda e poderosa não precisa de longas madeixas. Tem muitas mulheres que eu conheço que já acostumei com cabelo curto. E mesmo se eu fosse namorado, pediria pra sempre manter o cabelo baixinho. Eu acho tão sexy, e Kaci Fennel provou isso. Além do resto do conjunto, que é sensacional, virou a minha favorita desse ano.

Se puderem vejam no site os penteados dela. Nem eu imaginava que dava pra fazer isso tudo com cabelo curto! Mulher de estilo, mulher pra venerar, mulher pra provar cada segundinho dessa beleza.

Depois falam que maconha faz mal.
(sim, eu não ia perder a piada! Afinal ela fez piada com o Bob Marley na pergunta, HUEHUE!)

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Vencedora do concurso
Paulina Vega (Colômbia)



Bom eu não gostei muito.

Ela é bonita. Bem mais que a americana que parece mexicana com gosto de tamarindo.

Mas sei lá... Beleza comum latina padrão.

Não tem algo que destaque. Dessas tipo Paulina Vega em qualquer lugar da América Latina você balança a árvore e cai vinte delas iguaizinhas. O meu próprio top #3 são de mulheres que de tão bonitas me daria "medo", porque são de outro mundo. Se não tivessem as três, sem dúvida Melissa Gurgel seria a preferida, mas a colombiana Paulina Vega é... Normal. Nem feia, nem bonita, apenas... Normal.

Mas de qualquer forma, parabéns a todas pelo grande esforço, e por embelezar nosso mundo ainda mais! E vamos continuar babando, porque é só isso que podemos fazer, hahaha (um beijinho na bochecha da Miss Argentina me faria feliz, hohoho).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - #56 - Sentado no banheiro.

“Senhor, é o próximo ponto”, disse o motorista.

Nataku desceu depois de uma viagem de quase duas horas, e várias conduções. Vira que havia uma estação de trem londrino ali perto, talvez teria sido mais fácil ter usado aquela opção. Estava em Surrey, dentro da área metropolitana de Londres, ao sul da cidade. Só haviam casas e mais casas, um bairro totalmente residencial, de luxo. Nas casas haviam Porsches, Lamborghinis e Lotus. Um local dos grã-finos ingleses.

Ao chegar no endereço que Saunders havia passado, vira que dentro da garagem havia um Koenigsegg Agera R. Nada menos que um dos carros mais potentes e caros do mundo. Saunders poderia ser quem fosse, mas tinha um excelente gosto, mesmo com todo esse dinheiro.

Ao se aproximar da porta, viu que já tinham pessoas lá dentro.

Um deles, era Rockefeller.

“Nataku! Você foi rápido, nos pegou de surpresa. Como está?”, perguntou Rockefeller.

“Rockefeller, o que você está fazendo aqui?”, perguntou Nataku.

“Viemos conferir o tal endereço que Saunders te passou. Que casarão! Estamos revirando tudo em busca de pistas... Mas não achamos nada. Nem mesmo uma passagem secreta, nem nenhum código, nada”, disse Rockefeller.

Por um momento Nataku pensou como eles foram tão rápidos. Deveria ter alguma escuta nele, ou algo assim, só esperando a revelação de Saunders para que todos fossem atrás das informações que ela tinha.

“Procuramos no banheiro também, e nada. Reviramos tudo”, disse Rockefeller.

“Banheiro? Porque alguém deixaria tais informações no banheiro?”, perguntou Nataku.

“Mas foi isso que ela falou pra você antes de dizer o endereço, não lembra? ‘Você vai encontrar pistas, sentado no banheiro’. Mas não achamos nada, nem um papel, nem um memorando, absolutamente nada. Isso significa algo pra você?”, disse Rockefeller.

“Não...”, disse Nataku, cabisbaixo, relembrando a agonia da morte de Saunders, “...Não significa nada pra mim. Quer dizer que vocês estavam com uma escuta em mim?”.

“Não pense que desconfiamos de você, Nataku. Essa mulher era uma ameaça grande para nosso sucesso, para os planos do Ar. E muitos ouvidos memorizam melhor que um. Digamos que isso foi... Pra termos certeza que tudo ia dar certo”, disse Rockefeller.

Rockefeller e os homens de Ar ficaram revirando a casa por dez minutos ainda. Levaram alguns objetos, mas nada que parecesse despertar interesse, que fosse conclusivo.

“Eu vou ficar mais um pouco. Pode ser que eu descubra algo”, disse Nataku.

“Sem problemas. Não se esqueça de falar alto, que estamos ouvindo você e viremos na hora”, disse Rockefeller.

“Sim”.

Depois de cinco minutos que eles saíram, Nataku tirou toda sua roupa. Talvez o microfone seria muito pequeno, ou talvez até fossem mais de um. Colocou as calças, carteira, tudo na lavadeira. Ligou e enxaguou toda a sua roupa, passando no secador de roupas da senhora Saunders depois.

Se tinha algum microfone, com toda essa água, dificilmente vai funcionar, pensou Nataku.

Com as roupas secas, vestiu e começou a andar pela sala. Viu um computador, telefone, vários papéis com recados, uma estante de livros e o tal banheiro.

Ao entrar no banheiro também abriu os armários e gavetas e nada encontrou.

Mas ela disse ‘sentado no banheiro’. Alguém tentou sentar?, pensou Nataku.

Nataku sentou na privada. Tudo o que ele via era a porta fechada, de madeira. Passou a mão na porta e viu que naquela altura conseguia sentir um relevo, impossível de se ver, mas que dava pra sentir com a mão. Se apressou em direção da sala, pegou um papel, um lápis, e passou por cima do baixo relevo pra saber o que era. Estava escrito “INITIALS”.

Iniciais? Iniciais de quem? Sheryl Saunders? SS?, pensou Nataku.

O primeiro local óbvio que ele buscou foi nas muitas estantes de livros que Saunders tinha na casa. Viu que de fato estava organizado em ordem alfabética, e havia uma prateleira com as iniciais “SS”. Ele revirou todos os livros, mas nada de concreto encontrou.

Pensa, pensa... Iniciais? Deixa eu colocar no papel... Só não entendo isso de “sentar no banheiro”. E o que iniciais tem a ver com sentado no banheiro? Exceto se... Será que é tão óbvio?, pensou Nataku.

Ele escreveu no papel “Sentado no banheiro” em inglês, e reparou algo:

SAT
ON
THE
TOILET

SOTT... Bom, é uma opção. Vamos ver se na estante tem algo, pensou Nataku.

Logo abaixo da prateleira “SS” havia “SOTT”. Eram todos livros iguais, pareciam enciclopédias. Ao abrir um deles vira que um papel caiu. Sem dúvida a dama da sorte estava do seu lado.

Um telefone? É o mesmo que a Saunders me passou lá em Vauxhall... E as iniciais SOTT. E do outro lado tem uma senha... “Thatcher is a slut”. Thatcher é uma vadia? Bom... O telefone está ali. Não custa nada tentar, pensou Nataku.

E ele discou o telefone. Enquanto chamava sentia seu rosto suar de preocupação. Seu coração disparava a cada toque. No quinto toque, alguém atendeu.

“SOTT falando. Qual a senha?”, a voz perguntou.

“Thatcher is a slut”, Nataku disse.

“Puxa... Então a número dezessete morreu mesmo. Mas se confiou em você o que ela sabe, nós confiaremos também. Seja bem vindo ao Sat on the toilet. Somos um grupo de insiders independente, ninguém conhece a outra pessoa aqui, apenas trocamos a informações entre nós. E você será o número dezessete. Eu sou o número nove, muito prazer”, disse a atendente.

“Isso parece piada... Porque diabos esse nome? Sat on the Toilet?”, perguntou Nataku.

“Somos insiders. Mas o nome veio inspirado na pessoa que enquanto está sentada no banheiro ouve a conversa das pessoas que vão ao toalete, mas ninguém nem imagina que essa pessoa está lá, ouvindo, mesmo sem querer. Porque no fundo é isso que nós fazemos. Apenas ouvimos o que os governos, agentes, terroristas e criminosos falam. Mas eles não imaginam que nós existimos. Vamos dizer que somos um grupo de fofoqueiros profissionais”.

“Certo. E em que vocês podem me ajudar?”, perguntou Nataku.

“A número dezessete deixou já separado alguns dados que ela deixou para o eventual sucessor. Nós guardamos uns os dados dos outros. Mas muitas das coisas guardamos na memória mesmo. Eu posso contar tudo o que a dezessete sabia. Está pronto pra ouvir?”, disse a atendente.

“Sim”, respondeu Nataku.

“Então é melhor você se sentar”.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A Viagem (Cloud Atlas)


Eu gosto de cinema. E eu vejo muitos filmes. Mas só posto aqui os que realmente merecem.

Eu vi esses dias Cine Majestic e Homem de Aço, por exemplo. Mas detestei ambos, não mereciam ser postados aqui. Nada contra o Jim Carrey, eu prefiro ele fazendo papéis dramáticos como em Cine Majestic, Brilho Eterno de uma mente sem lembranças, etc. E o Homem de Aço ficou legal. Mas Superman precisa de duas coisas pra ser Superman: Lois Lane e Lex Luthor. A Lois estava lá na pele da Amy Adams (gata!), mas poderia ser a Erica Durance do Smallville (peitos! muitos peitos!!), mas... Cadê o fucking LEX LUTHOR!?

Mas esse filme A Viagem me ganhou!

Primeiro, que raio de título é esse? Cloud Atlas, o título original em inglês, faz todo o sentido, embora seja meio difícil associar ao filme esse título também. Simplesmente é difícil qualquer título que sintetize o filme. É um filme que lembra, bem de longe, Closer - Perto demais, mas sem o Jude Law pra estragar o filme.

São seis estórias que ocorrem em diversas épocas distintas, e no final todas acabam se unindo - mesmo com as diferenças de tempo e espaço. Confuso? Só pra explicar. A estrutura ficou montada de maneira genial.

É meio difícil de sintetizar o filme assim. Eu achei um roteiro bem original, nada linear, mas não é confuso como Inception, por exemplo. O filme tem um ritmo muito bom, porque quando tem ação ou suspense, tem isso em todas as histórias ao mesmo tempo. Logo, não fica perdido, tipo um tiroteio em 2144 e povo pacificamente num barquinho em 1849. E todos os desfechos dos seis mundos são muito bons.

Mas além do roteiro, o filme mostra que tem excelentes atores. Porque são seis mundos: 1849, 1936, 1973, 2012 (ano que o filme foi lançado), 2144, e 106 invernos depois da Queda (deve ser tipo Chrono Trigger, esse último deve ser o "The end of time"), e nos seis mundos os atores se repetem, mas em papéis totalmente distintos. Especialmente o Tom Hanks, Halle Berry e Hugo Beaving (SIM, o Sr Smith de Matrix!). Não é apenas uma coisa de maquiagem, mas de capacidade de atuação mesmo, e isso só confirma o que eu sempre imaginei: que todos são atores do caralho.

Enfim, vamos para uns spoilers marotos?
Eu avisei, não diga que não avisei!

Eu entendo que quando você vai fazer um filme, normalmente o cara mais caro é quem acaba sendo o principal. Tipo Código Da Vinci, embora tenha ali pelo menos uns quatro ou cinco personagens que são cruciais pra história, o famosão é o Tom Hanks. E aqui, colocam o Tom Hanks como o protagonista, quando na verdade, acho que dentro da história, não é!


O protagonista pra mim, chupem Hollywood, é uma koreana bonitinha Sonmi 451, interpretada pela koreana gatíssima Bae Doona.

Dos seis mundos que o filme mostra o que mais é de tirar a tampinha da cabeça é o futuro apocalíptico de Neo Seoul, em 2144. É engraçado ver o povo nunca fazendo um futuro próspero, e sim, sempre apocalíptico, e o de Neo Seoul desse filme é um dos futuros mais chocantes que já vi em filmes (incluindo os de Blade Runner e O Soldado do Futuro).

Mas porque ela é protagonista? Só porque mostra uns peitinhos?

N-Ã-O!

Acho que de todas as seis historinhas a dela é a que mais toca quem vê o filme. Primeiro fato de viver presa como garçonete por não ter sangue puro (e a atriz é koreana da gema, não entendi direito isso do filme). Programada pra viver servindo as pessoas, tomando uma massa triturada de carne humana, e que a história dela se assemelha muito ao conto da caverna de Platão. Típico dos irmãos Wachowskis, os mesmos que fizeram Matrix (eles curtem o Hugo Weaving também, né? É tipo o Tim Burton sem Johnny Depp).

A mina é tão foda que a vida dela vira tipo uma religião no mundo depois dela. E é muito bom ver ela descobrindo o mundo, e uma das cenas mais tocantes é quando ela coloca o ouvido no peito do mocinho dela e ouve o coração dele. Nem ela sabia que existia algo assim dentro das pessoas. Muito foda.

A atuação dela foi praticamente uma unanimidade de elogios. E tenho que tirar o chapéu pra ela também. E quem diria, huh? Ela fez a Samara do poço na versão do "The Ring" koreano. É mole?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Adeus, Bidu.


Hoje o Bidu se foi.

Lembro até hoje o dia que ele chegou. Era 2003, e eu era um moleque ainda no primeiro colegial. Lembro que ele era pequenino, estranhando ainda o local, e eu na época gostava muito de uma menina da minha sala. Lembro que o Bidu nessa época cabia na minha mão. Peguei ele e disse: "Quem sabe você vai acabar com as dúvidas do meu coração".

O Bidu sei que ele possivelmente era fruto daqueles criadores de cachorro. Tinha pedigree e tudo, foi comprado numa famosa feira de animais aqui em São Paulo. Mas desde o começo ele parecia ter a saúde frágil. Engordou muito, só tinha um testículo, e mal conseguia fazer muita coisa. Minha maior lembrança era quando minha mãe vinha da padaria de manhã e gritava: "É meu menininho!" e ele balançava o rabinho de felicidade.

Bidu era asco com todo mundo. Mas com a minha mãe, ele era todo amor.

Até hoje tenho uma cicatriz no meu indicador direito de uma mordida que ele deu. Hoje eu olhei essa cicatriz e lembrei que mesmo apesar do seu temperamento, ele era um bom cachorro. E agora, próximo do fim da vida, ele havia mudado. Não mordia mais, e sempre que eu deitava no sofá ele vinha com a cabeça dele, pedindo carinho. Quando meu quarto ainda era no térreo da casa ele ficava na porta deitado me ouvindo enquanto eu orava os sutras budistas.

Bidu era especial. E como todo cão, tinha um espaço grande no coração dos donos.

Ele era cardíaco, e tinha outros problemas de saúde. Mas minha mãe não queria saber, pois ele não poderia ser operado, devido aos seus problemas de coração. Mas há uma semana ele começou a vomitar. Ninguém imaginava que aquilo seria o princípio do fim dele. Talvez seria apenas um mal estar, mas a coisa só piorava: Bidu não estava mais bebendo água, menos ainda comendo. E como ele comia!

E levaram ele no veterinário. Fizeram uma bateria de exames. Ontem mesmo no dia final do Treinamento Anual ele estava respirando com muita dificuldade, e minha mãe disse que ele havia passado a noite em claro. A respiração dele tava muito difícil.

Hoje de manhã ele estava lá, deitado na cama. Vomitou um pouco, mas como estava sem comer nada há muito tempo, o vômito era mais saliva mesmo. Eu lembro que passava a mão nele enquanto orava "Namu shinnyo, namu shinnyo, namu shinnyo", e ele parecia olhar pra mim. Mas eu odeio despedidas.

Subi pra tomar banho e minha mãe o levou enrolado numa toalha pro veterinário. Já passava do meio dia quando vi minha mãe voltando do veterinário... Apenas com a toalha.

Bidu teve que ser sacrificado.

Sabe... Por mais que eu seja budista, e acredite no Buda, morte é sempre uma coisa muito, muito triste. Nesse momento mesmo em que escrevo isso estou em lágrimas, mas ao mesmo tempo sei que isso foi necessário para o Bidu. Que agora, ele está bem. Parece que ele já tinha câncer, e deu metástase, e o corpinho dele estava cheio de tumores. Mal o pulmão funcionava, por isso a respiração dele era tão difícil. Até meu pai que é meio brucutu estava em lágrimas, e eu, segurei o máximo as lágrimas pela minha mãe, que derretia em prantos.

Acho que a vez que eu realmente estou chorando pelo Bidu é agora, aqui na frente do PC, longe da minha mãe. O cachorro era muito apegado à ela, e vice-versa. Mas isso foi o melhor que poderia ser feito. Isso acabou com o sofrimento do Bibi, e sei que agora ele está no céu, e sei que um dia pode voltar para esse mundo na forma de uma pessoa, saudável, e que vai ajudar muitas outras, graças a todo amor que ele recebeu das pessoas na terra nessa vida.

Estarei em preces sinceras por ele. E quando sentir saudades dele olhei para essa cicatriz no meu indicador direito, que mesmo apesar de todo o gênio difícil dele, foi o amor que o curou. E espero que ele carregue esse amor para o além vida, e nos espere, que um dia logo estaremos com você, Bidu.

Vá em paz, meu amigo!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Treinamento Anual 2015



Todo ano fico ansioso quando vai chegando o Treinamento Anual da Shinnyo-en. É uma época em que quero dar o meu melhor, tentar me aproximar da dedicação dos Pais do Ensinamento e dos Dois Meninos, sem contar que é algo muito precioso poder fazer. Eu já começo a ter ideias pro vídeo de incentivo em agosto ou setembro, no ano passado consegui agilizar ele com alguns amigos e já no final de novembro já estava prontinho (veja acima!). Isso sem contar a dedicação em outras coisas, como cartão de presença, gravação das narrações e até edição dos vídeos finais me confiaram esse ano. Muita, muita coisa! Mas agradeço, porque é grande parte ajuda dos Budas e da confiança que eles ainda têm em mim - mesmo eu deixando-os muito tristes com toda a bagunça que eu faço.

Muita gente que pratica budismo pratica meio como se fossem isolados numa ilha, quando na verdade é um caminho de grande veículo. Comigo é um pouco mais elaborado... Eu me preocupo demais com meus afilhados e com as pessoas à minha volta. Acho que é muito por eu não ter uma madrinha muito presente como eu queria. E aí os Budas me colocam grandes desafios, que é enviar muitos treinamentos pesados pra meus afilhados, acabando com meu coração. E nessa época aconteceu de tudo, tudo pra me fazer me sentir muito mal. Não porque era algo comigo, eu sofro o dobro quando é algo com eles. Foi avó do meu afilhado que faleceu, amiga que parasitava minha afilhada, conjuntivite que contraiu um dia antes do treinamento, um trabalho novo que apareceu, namorada ciumenta, até calha do telhado que amigo meu devia trocar. Isso porque só citei o que lembro agora.

Convites foram feitos. No primeiro dia (23/1) veio uma pessoa às 6h da matina! É mole? Fiquei no aguardo de mais pessoas à noite, e veio uma pessoa só (esperava umas quatro). Isso foi na sexta. No sábado (24/1) veio um afilhado num horário que deixei só pra ele (por conta do serviço dele). Ficamos conversando bastante até tarde. E no domingo (25/1), meu aniversário de cinco anos de conexão ao Ensinamento Shinnyo, foi apenas eu.

É bem duro, porque nessas horas a gente vê que a gente não tem força nenhuma. Que tudo é graças à grande compaixão e benevolência dos Budas, e que é totalmente errado dizer "Foi eu que fiz isso", porque não foi. Quem faz são Eles, somos um mero grão de areia na palma deles (Sun Wukong não lhes ensinou nada?). Tinha que ser assim, lutar pra que? Eu que deveria ter uma meditação melhor. Eu tive tempo pra chamar eles, pra lembrar eles, mas acabei não o fazendo. Se aconteceu essa falha foi inteiramente culpa minha, e peço desculpas sinceras aos Budas por não ter correspondido às expectativas deles.

Na segunda (26/1) fui com minha mãe na Pinacoteca, e começou o período do meio. Queríamos ver o Ron Mueck, mas a fila dobrava o quarteirão. Atravessamos a rua e fomos no museu da Língua Portuguesa, que ela não havia visitado ainda. Durante a sessão lá do "Planetário da Língua", e quando ouvi "Amor é fogo que arde sem se ver" de Luis de Camões lembrei da menina que estou apaixonado. E chorei, porque nunca havia visto algo que descrevesse tão bem o que sinto por ela. E isso porque no dia anterior ela tinha enviado um e-mail daqueles... Fria, distante, rude, me tratando com os chutes dela, como se eu fosse um animal. Talvez no dia que ela perceber que o que ela faz volta contra ela, talvez ela consiga arranjar o amor que ela tanto buscou... Mas até lá, não posso responder da mesma maneira. Minha única resposta é... Amor. Sincero e puro. Porque a única coisa me move agora é a felicidade em sentir isso por ela!

Na terça (27/1) fiquei em casa, assistindo uns filmes, dando uma ajeitada na casa. Na quarta (28/1) teve cerimônia no templo e fui lá. Fiquei muito agradecido com o que o sesshin havia me indicado, mesmo que muitas pessoas pudessem ouvir isso de maneira ruim. Primeiro que crescimento sempre é aos poucos, e que devemos continuar sempre humildemente fazendo esforços. Foi indicado também "dar as costas", e buscar sempre harmonia com os meus arredores, mantendo um esforço sincero pois nunca se eleva de um dia pro outro.

Vi e refleti que eu não havia me esforçado realmente. E que, de fato, havia virado as costas pra muitas pessoas que meu julgamento minúsculo de mundo me dizia "não convide essa pessoa". Os Budas não vêem números. Eles vêem esforços. Diversos grandes mestres durante esses dois milênios e meio de budismo mal conseguiram fazer grandes feitos (exceto uns fodões, tipo Nagarjuna, Kukai, Shobo Rigen, Xuanzhang, etc). Mas acima de tudo Buda viu o esforço de todos que era sincero e os protegeu. Será que era isso que estava faltando em mim?

Ao sair do templo, enquanto voltava pro metrô vi uma formação linda no céu. Parecia um círculo azul perfeito, se abrindo no meio das nuvens. Lembrei do trecho do Sutra de Lótus (Saddharma Pundarika), "O portal universal do bodhisattva Kannon", pois aquilo parecia muito. Sempre tive dificuldades em entender o pobre Avalokiteshvara (Kannon, em japonês)... Sempre o Achala pra mim era mais fácil de meditar sobre ele. Pra mim o Avalokiteshvara era nada mais que um bodhisattva que passava a mão na cabeça das pessoas. E eu não queria ninguém passando a mão na minha cabeça. Mas acho que assim como os católicos oram por Maria, para que rogue por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte, o Avalokiteshvara tinha esse mesmo papel.

Quando eu olhei para aquela nuvem eu vi que talvez Kannon seria isso. Um portal universal, que aceita todas as pessoas, sejam as que tiveram êxito ou não. Que todos nós éramos dignos da sua compaixão, porque no fundo somos nós todos humanos, somos fracos, nem sempre nossa sinceridade chega nas pessoas, mas que não deveríamos deixar de tentar. E quando estivéssemos pulando de alegria, eles nos dariam mais alegria. E quando estivéssemos chorando, eles estariam lá para nos confortar. Pobre do humano que não compreende a imensa compaixão dos bodhisattvas para nossas vidas.

Na quinta (28/1) eu comecei ás 11h a entrar no Facebook, disparar e-mails, whatsapp... E pra todas as pessoas que convidava eu explicava de maneira simples, sempre tentando fazer com que a pessoa entendesse a essência da coisa e ficasse interessada. Cada mensagem era única, eu não copiava e colava em outro lugar. Convidei um total de trinta pessoas. Dizem que de dez, uma aparece, então pelo menos pode ser que eu teria umas três!

Eu não deveria desistir. Os Budas já estavam abençoando o bastante não deixando um tempo quente insuportável como estava antes.

Na sexta (29/1) minha prima e seu filho junto da minha tia nos visitaram. Fiz churros pra eles. Eu gosto muito de criança, e o Miguel, filho da minha prima, é pequenino, tem apenas uns dois aninhos. Ficamos assistindo Peppa, Hi-5 e todos aqueles seriados infantis do Discovery Kids. No sábado começaria o período de fechamento! Resta saber se aqueles trinta e tantos convites surtiriam efeito.

No sábado (30/1) bem... Não vieram tantas pessoas, infelizmente. Só foi... Eu. Nesse dia eu refleti um bocado em gratidão pelos meus pais por me deixarem abrir a casa pra fazer o treinamento. E também nesse dia o Bidu, o poodle da minha mãe, parece que está nas últimas. Pedi muito pros Budas para se ele tivesse que ir, que fosse em paz. E talvez fosse meio mesquinho pedir isso, mas não queria que o cachorro falecesse justo no meio do Treinamento Anual. Tá um clima pesadão aqui em casa.

No domingo (01/2) veio um amigo meu! O mesmo que veio no sábado passado. E como sempre ficamos depois batendo papo, o tempo voou. Muita gente ficaria era muito feliz em fazer o treinamento sozinho. Talvez pensariam que não precisaria ir pro templo e tal. Mas eu não. Eu queria era muitas pessoas vindo em casa, porque eu sou uma pessoa solitária que não gosta de ser solitário (hã?).

E na segunda (02/2) não sei se vai vir alguém pela noite, porque de manhã não tinha ninguém. (se vier ou não eu edito isso! O segundo horário é às 20h30!)

EDIT: SIM! Apareceram DUAS pessoas na segunda! Foi ótimo, e eles nem eram conectados ao Ensinamento ainda. E... Adoraram! Ficamos conversando até umas 23h sobre budismo, religião e tudo mais, foi um baita dia demais, e quando terminou e foram embora agradeci aos Budas por não terem me deixado na mão. Valeu por todos os dias e todas as frustrações, imagina um cara feliz!

Treinamento Anual é sempre um treinamento muito bom! Foi nele que eu e muitas pessoas começaram. Eu também comecei nele, há cinco anos. E sempre é uma época mágica, onde em todas as situações eu vejo mais claramente os intentos dos Budas. Talvez não tenha sido o sucesso que eu estava pensando que seria, com a torcida inteira do Corinthians em casa. Mas eu vi o valor do esforço, e se talvez não tivesse tido o sesshin no meio, provavelmente eu não teria aberto os olhos pra ver com tanta clareza a importância dos esforços!

Embora não tenham vindo tantas pessoas quanto eu imaginava, sinto que aprendi tanto quanto se tivessem vindo muitas pessoas. Dizem que a gente tem que ser grato quando esses desvios de percurso acontecem, pois mostra que os Budas sabem que a gente é forte e segura o tranco. E sei que o treinamento em outros lugares as pessoas conseguiram chamar dezenas de pessoas, ao contrário de mim. Mas, parando pra pensar, se fossem eles que estivessem com poucas pessoas, será que eles olhariam a coisa por esse aspecto que eu vejo? Existe uma imensa compaixão tanto quando algo é bom ou ruim. Os próprios Fundadores já passaram por inúmeros casos de mancada das pessoas que faltavam, e nem por isso desistiram, e nem por isso vou desistir.

Simplesmente... Acontece! =D

Não vou ficar mal pensando que poderia ter me esforçado mais. Ok, talvez até poderia ter feito mais ainda, isso não é desculpa pra ficar sentado e me achando. Mas no budismo nos é ensinado que lutar contra algo já definido é uma luta já perdida, que ganhamos muito mais acolhendo, nos adaptando, do que lutando contra. Se não deu certo, porque tenho que ficar com esse pensamento? Eu tentei, uai! E estou feliz com isso!

Eu comecei esse treinamento meditando sobre o Achala. Mas terminarei esse treinamento meditando calmamente sobre o Kannon. ;)

Obrigado de coração aos Budas pelo valoroso treinamento!

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