quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Doppelgänger - #60 - The pendulum starts to swing.

27 de novembro

9h45

A cidade de Southend-on-sea fica ao leste de Londres. Dá pra se tomar um trem para lá saindo de Waterloo. Al foi bem cedo, usando um discreto chapéu até lá. Não poderia ser visto pelas câmeras, possivelmente seu rosto ainda estaria sendo divulgado internamente entre os policiais.

Southend-on-sea é uma cidade litorânea. Tem muitos prédios bonitos, e um efervescente comércio local. É uma das praias mais próximas para os londrinos relaxarem um pouco. Ali, o Canal da Mancha, dividia França do Reino Unido.

Era uma casinha simples nos subúrbios de Southend. Al tocou a campainha, e uma senhora atendeu.

“Al... Nossa, como é parecido com o Arch!”, disse Natalya.

Al olhou pro lado meio sem jeito. Por mais que pessoas falassem isso, isso ainda soava estranho pra ele. Parecer com o Arch poderia ser um orgulho para o irmão caçula, mas para as outras pessoas era o mesmo que rever o rosto do “traidor”.

“Olá, Natalya. Obrigado por atender minha ligação ontem. Preciso conversar um pouco com você, tem uns minutos?”, perguntou Al.

“Sim, sim. Por favor, entre”, pediu Natalya.

Briegel se tornou mãe já com idade avançada. Depois de uma gravidez de risco, deu a luz a uma criança aos quarenta anos. O garoto já estava com treze anos, mas era visivelmente deficiente. Parecia um jovem adolescente, com olhar perdido, babando. Natalya pegou uma frauda e secou a baba do garoto.

“Ele teve má formação no útero. Mas ainda assim, é um filho adorável”, disse Briegel.

“Natalya, não tenho muito tempo, queria ir direto ao ponto. Você era filha do Coronel, que era o líder do Sector 9 antes de indicar meu irmão para o posto, como sucessor. E eu sei que você também teve uma grande carreira na inteligência”, disse Al.

“Sim. Mas eu deixei a Inteligência em 1998, quando quis engravidar”, disse Briegel.

“Exatamente por isso. Talvez consiga puxar da sua memória. Acontece que o filho do Arch – e meu sobrinho – está planejando uma insurreição para derrubar a economia do mundo inteiro. Porém estou sem nenhuma pista, e tudo o que estamos fazendo é muito óbvio, e ele sempre está um passo na frente, não importa o que fizemos. Mas uma das pessoas que estavam no meu grupo conseguiu uma fonte, ele não quis dizer de onde ele arranjou, mas confio plenamente nele”, disse Al.

“Al, e se ele for um traidor? Pelo visto ele era do seu grupo, mas deixou ele”, disse Briegel.

“Eu sei, mas eu confio nele. Mas algo me diz que isso é algo que tem a ver com meu irmão, e você tem as memórias daquela época, além de conviver junto com o Coronel e meu irmão mais velho. Talvez mesmo que seja um mero pensamento possa dar uma luz”, disse Al.

“Tudo bem. Me mostre”, disse Natalya.

Al mostrou. Natalya reagiu, pegando o papel e analisando bem. Sua cara mostrava surpresa.

“E então?”, perguntou Al.

Natalya Briegel deixou o papel na mesa de centro. Olhou para Al firmemente.

“Me diga antes o que você conseguiu descobrir?”, disse Briegel.

“Só tenho hipóteses”, disse Al.

“Pois me diga que ideias veio na sua cabeça”, respondeu Briegel.

“Bom, pra uma pessoa que não conhece diria que esse L/R significa Left/Right. Mas não é isso. Essas duas letras significam Eu e o Ar”, disse Al.

“Uau. Então vocês eram da Elite mesmo. Elite com “e” maiúsculo!”, disse Briegel.

“Sim... Al são as iniciais do meu nome, mas também é um disfarce. Dentro da Inteligência ninguém nunca vai achar procurando por Al. Mas a forma como pronuncia Al é similar à maneira que se fala ‘L’ (em inglês). E como você bem sabe, apenas os mais destacados agentes da Inteligência ganham um codinome de uma letra só”, disse Al.

“E o ‘R’? É esse tal de Ar? Seu sobrinho?”, disse Briegel.

“Sim. Ar é como se pronuncia ‘R’ (em inglês). E existe um arco no topo. Como se ele juntasse a qualidade dos dois. Como se os dois abaixo dele fossem derivados dele. Não acho que preciso dar mais detalhes, até porque esse desenho foi claramente feito à mão... Talvez faltem mais detalhes”, disse Al.

“Arco... Por acaso seria Arch?”, perguntou Briegel.

“Sim. Meu irmão era tão superior que não existiria letra alguma que o destacaria. Portanto, só havia uma coisa que o destacaria. Um arco... Por isso, ‘Arch’. Isso faz sentido pra você também?”, perguntou Al.

“Totalmente. Mas eu acho que talvez a pessoa que desenhou colocou um arco onde na verdade era uma outra coisa”, disse Briegel.

A senhora Briegel pegou uma caneta, e puxou duas pequenas curvas embaixo do arco. Tornando-o a letra grega ômega.

“Ômega?”, disse Al.

“Sim. Apenas uns poucos agentes chamavam Arch de ômega. Mas esse era o real codinome dele dentro da Inteligência”, disse Briegel.

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