segunda-feira, 30 de março de 2015

Wanna be James Bond.

Quando eu era moleque meu sonho era ser James Bond. Eu queria ser o ator a encarnar Bond também, mas meu maior desejo era ser como James Bond.

Não apenas as partes de ação, pilotar os grandes carros, ou apostar muita coisa em partidas de pôquer. Mas Bond tinha algo que eu sempre sonhei em ser, e que por mais que eu tentasse, eu nunca conseguia o principal: ser um canalha com as mulheres.

Eu via os filmes e pensava: "Nossa, esse deve ser o segredo!", e via a mesma coisa se repetindo ao meu redor. Via que as meninas caiam de amores pelos caras que valiam a mesma coisa de nada, justo os caras que mentiam, enganavam, diziam que era uma coisa, mas agiam como outra. Quando eu via isso, imaginava que esse era o segredo. E que jamais uma mulher se interessaria por um cara como eu.

Inúmeras vezes eu tentei ser um canalha. Mas eu vi que eu não havia nascido pra isso. Que talvez eu tenha nascido pra ser um cara legal, que ouve as mulheres, que entende como elas se sentem - mas que ao mesmo tempo seria alvo do preconceito machista da sociedade, pois facilmente eu seria taxado como um cara "gay". Mas não, ao mesmo tempo que eu as entendia, eu me sentia muito atraído por elas também. Sentia tesão, sentia paixão, sentia amor por mulheres.

E por mais que eu tentasse ser um canalha, eu nunca conseguia. Porque isso não é algo da minha natureza, por mais que isso seja muito vantajoso. Conheço muitas garotas que sempre se apaixonam pelo pior tipo de ser humano da terra, e por muito tempo pensei que talvez o problema fosse eu. Afinal, pensava eu, as garotas querem um cara que as maltrate, pois então, pise nelas!

Mas em muitos casos específicos, vi que talvez o problema não fosse eu não. Em muitos casos eu era a pessoa mais pé no chão, mais realista possível com relacionamentos. Espero que isso não soe machista, mas isso talvez fará tanto homens quanto mulheres concordarem: tem muita mulher desmiolada por aí também. E eu sempre tive um dom especial de me sentir atraído por desmioladas. E muitas delas preferem continuar no mundinho medíocre que criam ao redor de si mesmas, então o jeito é deixar lá, morrendo trancadas no mundo que elas mesmas criam. E deixar continuarem dando de cara no muro, e as vendo deixando caras legais passarem pelo retrovisor. Ficar esperando milagre é que eu não vou, infelizmente.

Já conheci casos inversos também. Vi muitos camaradas chegando em mim e dizendo: "Cara, queria ser assim, uma pessoa direita como você". Acho isso meio irônico, ás vezes. Meu sonho sempre foi ter uma mente como James Bond, mas nunca consegui nem chegar perto dele. Talvez seja por isso que eu sempre gostei muito dos filmes do 007. Todas as garotas que me deram fora, dormiram com um James Bond na noite seguinte.

sábado, 28 de março de 2015

007 contra o Foguete da Morte (1979)


Esse é um dos meus no top five dos meus filmes favoritos de James Bond. Como não gostar de 007 contra o Foguete da Morte? Não é apenas porque ele vem pro Brasil, mas é um filme que tem ficção científica, vilões clássicos, uma BondGirl linda e inteligentíssima, e uma trama redondinha de investigação. Não tem como não gostar de 007 contra o Foguete da Morte.

No filme Bond tem que investigar o roubo de um foguete que estava sendo transportado por um avião. Porém, ônibus espacial foi roubado de cima do avião em pleno vôo. E o ônibus espacial pertencia às empresas Drax, cujo dono, Hugo Drax é mais rico que Bruce Wayne e Tony Stark juntos. Sério.


O cara é tão rico que tem uma estação espacial, mas por algum motivo de merda ele quer acabar com a humanidade espalhando um vírus na atmosfera. Acho que esqueceram de avisar a ele que essas pessoas que ele queria matar são as que fazem dinheiro pra ele. Afinal, de volta na Terra sem nenhuma pessoa como ele iria sobreviver, né? Comendo um estoque de Doritos? Faltou planejamento, Drax, planejamento!

Eu vejo Hugo Drax e penso: um cara desse caga tanto dinheiro que não sabe o que fazer, e resolve destruir o planeta por simples prazer. Na verdade ele tem um plano lá de criar uma raça superior, por isso ele leva vários jovens sedentos por sexo para procriarem na nova Terra que ele criar depois de matar todos nós. Só tem mina top!


O filme foi homenageado no game GoldenEye 007 (acima), lançado em 1997 para o Nintendo 64! Uma das fases secretas chama-se Aztec, pois não sei porque diabos mas os produtores do filme achavam que os Astecas viviam nos confins do Pantanal brasileiro e ainda acho que pode ser que tenham pessoas ainda que pensem que é aqui no Brasil que ficam as ruínas dos astecas... Na fase você não consegue entrar no foguete nem nada, na verdade você tem que ligar o foguete e depois ver ele subindo aos céus.

Vagamente baseada nessa cena do filme, onde Bond e Holly Goodhead estão pra ser incinerados pelo foguete do Drax:


Tem uma cena muito interessante no começo do filme, quando Bond vai direto nas empresas do Drax pra achar pistas sobre o sequestro do foguete. Drax tem até sua floresta particular, com patos selvagens (tipo o Patolino), que ele caça. E você achando que só funk que dava ostentação, né?

Numa dessas cenas ele desafia Bond pra acertar um pato, no maior estilo Duck Hunt. Só que havia um maluquinho com um sniper mirando em Bond em uma árvore. Bond mira nos patos e atira, só que aparentemente erra. Vou deixar um video com esse trecho explicar o resto:


"You missed, Mr Bond"
"Did I?"

Em Veneza, antes de ir pro Brasil (calma que eu tô chegando lá!) enquanto Bond está buscando pistas de empresas ligadas ao Drax e o potente vírus que ele está fazendo pra matar a gente, tem mais uma daquelas cenas clássicas de ação de James Bond. Bond em uma gôndola em Veneza. Só que é uma gôndola motorizada, que inclusive cria rodas e pode correr fora d'água.

Essa cena é uma cena símbolo pra mostrar como o Bond na era Roger Moore era um cara da zueira. Porque a zueira never ends, Mr Bond! A cena é tão surreal, com tantos detalhes engraçados que transforma em poucos segundos James Bond em um filme de comédia. Uma coisa só vista na era Roger Moore, com seu humor escrachado, bem numa época em que Bond era parodiado por inúmeras séries:


A cena inteira é da zueira. Mas salte para os 2m30s. ;)
Vou descrevendo os detalhes legais e vão pausando pra conferir.

2m40s - Grupo de orquestra começa tocando uma música clááááássica que combina com Italia, correria, e inicia a zueira!
2m43s - Um marinheiro fica abismado em ver uma fucking gôndola andando na rua.
2m46s - Um cara tomando uns drinks na praça vê que talvez tenha exagerado nas bebida ao ver a gôndola (ele aparece em outro filme também, e também na mesma situação, hahah!)
2m50s - Um tiozinho pintando na praça tem o quadro roubado por Bond.
2m55s - Um pombo no ritmo do bundalelê.
2m58s - Um cãozinho incrédulo cerrando os olhos.
3m01s - Olha o copo, garçom!

Enfim, se fosse escolher uma cena pra exemplificar como eram os filmes de James Bond na pele de Roger Moore, eu escolheria essa! Zuera pura!

Agora vamos falar do Brasil!


James vem buscar pistas das bases de operação de Drax no Brasil. E sim, é filmado no local! Nessa cena acima Bond está no topo do Pão de Açúcar, onde tem o bondinho. Tem inclusive cenas de ação com o Jaws cortando com os próprios dentes de aço a corda que suspende o bondinho.

Sim, estamos falando de um carnaval onde ainda não existia AIDS , em 1979. Mas existia sífilis, gonorréia, cancro mole, verrugas genitais e herpes. Não sei se o pessoal usava camisinha, mas nas cenas onde mostra o carnaval no Rio os foliões andam praticamente PELADOS na rua. Sério, se vocês acham que a putaria tá rolando solta hoje em dia, vá pedir satisfações pra época dos seus pais ou avós, porque essa época sim é que a putaria rolava solta por aí. O povo de hoje em dia é tudo santinho comparado com antigamente...

Q no filme acha o local onde estão as bases do Drax no Brasil para lançar seus foguetes. Eu juro, no filme ele fala que eles estão instalados na região do Rio Amazoco (WTF???) e Bond diz que isso deve ser na região do Rio Tapirapé (que de fato existe) perto da ilha do Bananal, no sul do Tocantins.

Não vou dizer nada. Apenas olhem só a paisagem desse tal "rio amazoco", no Tocantins:


Não é preciso ser um gênio pra saber que isso não é a Bacia Amazônica, e sim... O Iguaçu. Deve ter muita gente pensando que o Iguaçu ficava na Amazônia, mas sinto muito fellas, é beeeem mais ao sul.

E aí ele passa por essas cataratas, dando um rolê a pé, e acha a base do Hugo Drax:


Esse local é óbvio que nós brasileiros sabemos que não é no Brasil. São as ruínas de Naachtun, na Guatemala. Uma ruína... Maia! Diga-se de passagem ela foi descoberta no meio da mata, e Bond acha na mesma situação: andando no meio da mata. Que clichê!

Peraí, deixa eu ver se entendi. Bond foi pra bacia amazônica, percorreu o rio "amazoco" e caiu nas cataratas do Iguaçu. Depois caminhou um pouco e chegou na Guatemala, ao norte, pra lá da Amazônia. Cara, que viagem do inferno! Não sei se os diretores acharam que algum brasileiro ia reparar nesses sérios erros no filme, mas enquanto assistia reparei nos detalhes e isso me deixou abismado com a quantidade de erros, hahaha!

Eu poderia ficar aqui falando do filme, porque é um dos meus favoritos, por horas! Mas vou falar do espaço e da BondGirl e fechar o post. Está cansativo.

Bom, o filme foi lançado em 1979. Star Wars foi lançado em 1977. Era um hype na época, mesmo depois da Corrida Espacial ter acabado com o homem pisando na Lua dez anos antes do filme. E Bond, cansado das fronteiras do nosso planeta vai pro espaço. Na Estação Espacial do Hugo Drax, imensa, com direito até a gravidade artificial. Realmente o cara deveria ser podre de rico mesmo. E tem cenas de batalhas no espaço que são obviamente muito copiadas dos filmes do tal "Jorge Lucas", aquele do Star Wars:


Coloca o tema de Star Wars e seja feliz! Hahaha.

E o Jaws? Impossível não falar dele. Um dos melhores vilões da série James Bond, ele aparece pela segunda (e última vez) num filme. Sua estréia foi no filme anterior, 007 - O espião que me amava, e nesse aqui ele volta como vilão e tem muito mais cenas que aparece. Inclusive ele tem até uma namorada, uma menina loira (e peituda) de 1,53m, enquanto ele deve ter mais de dois metros sem dúvida:


(sério, é meio desproporcional. Mulheres baixinhas normalmente tem bundinhas grandes, mas peitos assim numa em alguém com essa altura é uma das raras vezes que eu vi!)

E agora, pra terminar o post com chave de ouro, vamos falar de uma das BondGirls mais legais e lindas. Holly Goodhead (Lois Chiles) é uma das BondGirls mais inteligentes. Além de trabalhar pra CIA, ainda estudou um pouco na Nasa, e estava infiltrada nas coorporações Drax como cientista. É mole?


Em várias encrencas que Bond se mete sempre a Goodhead tá lá pra safar Bond e salvar com seus conhecimentos em praticamente tudo - de computação, até física espacial. E ela é uma personagem super segura de si, se dorme com Bond não é porque foi enganada, é porque queria usar o cara mesmo.

E além de tudo prova aquele dilema de muitas mulheres: é possível ser linda e poderosa, e inteligente. ;)



Não sei se era comum isso, mas parecia que esse povo dos anos setenta gostavam que criar o bicho solto. Tem uma cena em Veneza onde eu, assistindo o filme em tecnologia HD, puder que que ela está claramente sem sutiã. Não achei imagens boas na internet, mas é nessa cena acima! E não me venha com essa de que sou homem e só penso nisso (ou só eu repararia nisso). Não tem como não ver! xD

Enfim, a cena final do filme é simplesmente de dar risada. James Bond faz o que muito cara é curioso pra experimentar: sexo no espaço. A cena é muito engraçada, pois enfim os secretários conseguem contatar o ônibus espacial, e iam transmitir as imagens do interior do ônibus espacial inclusive para a Rainha da Inglaterra. E o que aparece na tela?



E pra fechar com chave de ouro o filme, o Q faz um comentário épico e engraçadíssimo:

"I think he's attempting re-entry, sir".

E que re-entrada! Hahahaha!

sexta-feira, 27 de março de 2015

A chuva que me entristece.

Nessa segunda fui nos correios encaminhar uma carta a uma amiga portuguesa. Eu estava meio cansado, tinha tido muitos sonhos estranhos naquela noite, mas ainda assim, eu fui.

Na noite da terça tive um sonho muito estranho. Sonhei com pessoas azuis, não eram como o do Avatar, eram pessoas mesmo, só que a pele era com um tom azulado, eram bem reais, pareciam seres humanos. Uma delas era uma mulher, pele azul e cabelo vermelho, sempre me sorrindo, me dizendo coisas boas. E quando eu perguntava quem era ela, ela dizia que não era desse mundo, mas que estava muito feliz em me conhecer.

Não lembro detalhes do sonho, só sei que acordei na manhã da segunda, busquei no google algum dicionário de sonhos, e vi que sonhar com pessoas azuis é similar a sonhar com divindades. Pode ver que os deuses hindus são todos azuis, significando serem todos deuses.

Eu estava muito cansado, e o tempo estava fechado. Virei e fui dormir. Minha mãe normalmente deixa a tevê da sala ligada, relativamente alta, e dá pra ouvir no meu quarto, no andar superior. Não prestei muito atenção nas notícias, até que ouvi a voz de uma notícia urgente, dizendo que um avião havia caído nos alpes franceses da Germanwings.

Aquela terça eu passei muito mal. Eu devo ser uma pessoa elementarista, porque normalmente quando estou triste o tempo fecha. Ou se o tempo fecha eu fico triste. E esse última terça foi assim, não conseguia fazer nada. E olha que eu detesto sol. Achei que poderia ser algo espiritual. Ás vezes eu sou meio sensível, mas se fosse, deveria ser algo bem pesado.

Mas ainda assim fiz oração que faço sempre. Mas naquela terça eu fiquei o dia inteiro mal, melancólico, havia algo em mim mais forte que eu não sabia explicar. Normalmente eu não fico assim. Alguns pensamentos suicidas passaram na minha cabeça - mas eram apenas pensamentos. Já fiz tratamento e sob nenhuma hipótese eu tiraria minha vida hoje.

Na quinta de manhã ao ver o telejornal vi notícias sobre a caixa-preta do vôo 9525. Andreas Libitz, 27 anos, suicídio. Com mais cento e cinquenta pessoas.

Dediquei preces sinceras pra ele. E acho que entendi ainda mais porque havia estado tão mal. Eu não gosto de ouvir sobre essas tragédias, normalmente eu acabo absorvendo muita coisa. Passei muito mal no incidente da Boate Kiss. Mas acho que não haveria pessoa melhor pra entender o aspecto suicida do pobre Andreas como eu.

Talvez seja por isso que por mais que eu tentasse, eu não conseguia ter forças naquela terça feira. Uma pessoa havia sido ferida no mesmo local onde eu fui ferido. E talvez lá do mundo espiritual essa pessoa estivesse precisando de ajuda. Sinto muito, Andreas, não posso te ajudar. Mas conheço umas pessoas legais aí que podem te dar uma mão. Para esse simples jovem aqui, só posso dedicar preces, e pedir aos Budas que você tenha uma vida aí em paz, mesmo assim. Você deve ter sofrido muito naquele momento em que o avião caiu, e provavelmente nesse momento você também está sendo muito odiado por diversas pessoas no mundo que insistem em dizer: "Se queria se matar, desse um tiro na sua cabeça!". Pobres de espíritos esses que apenas te julgam, pois você deve ter sofrido muito nesse momento.

Vi que no número do seu vôo era 9525. 9 e 5. São números de acolhimento no budismo que pratico.

Acolhimento. 9525. Apesar de tudo não existem pessoas más, nem espíritos maus. Tudo é uma questão de acolher, de entender, de estender uma mão de ajuda. Sei que provavelmente na sua vida ninguém deve ter te oferecido uma mão amiga, você talvez teria problemas, mas nunca conseguiu compartilhar com ninguém. E ainda mais tinha quase a minha idade.

Mas se não for muito tarde, poderia dar uma chance para ajudá-lo?

Inconscientemente eu senti naquela terça toda a tristeza. E agora entendi o motivo daquele dia ter sido tão difícil. Pessoas que morrem de suicídio me deixam muito triste, sabe porquê? Porque eu sei que era pra eu ser um deles. E que fui salvo por muito pouco, já na tênue linha entre a vida e a morte. Dizem que nossa vida quando é salva por alguém não é mais nossa, e sim de quem nos salvou. Por isso prometo continuar trilhando mais firmemente o caminho dos Budas, porque sei que foi a imensa compaixão deles que me salvou. Minha vida não é minha, minha vida é dos Budas, pois a minha vida eu desperdicei, mas fui salvo pela imensa compaixão deles pra hoje trilhar o caminho correto.

Vá em paz, Andreas. Espero que de onde você esteja você receba todos os méritos que envio, e que ajude e salve outras pessoas desse destino trágico e triste.

quinta-feira, 26 de março de 2015

007 - Marcado para a Morte (1987)


Ahhhh os anos oitenta!

Quando eu era moleque eu não gostava muito do Timothy Dalton como Bond. Depois de assistir novamente agora, mudei minha opinião. Virei fã do cara! Pena que só fez dois filmes, esse e o 007 - Permissão para matar.

O Bond de Dalton é um Bond sério, honrado e até um pouco revoltado. É um Bond único, talvez uma versão melhor do de Lazenby. Mas sei lá, a diferença maior pro George Lazenby é Timothy Dalton ser um Bond que não brinca em serviço. Ele atua muito bem, sem parecer forçado, sabe ser bem autêntico no papel sem fugir dos clichês. Só acho meio baixinho pra ser Bond.


Junto com a despedida de Roger Moore como Bond veio também a despedida da lendária Lois Maxwell como a lendária Moneypenny. Desde então nunca chegou uma atriz legal o suficiente. Samantha Bond foi a Moneypenny da era Pierce Brosnam, mas aqui a Moneypenny tem cara de novinha e é muito gatinha na pele de Caroline Bliss (acima).

Apareceu uma Moneypenny nova no final de Skyfall. Quem sabe! Parece uma atriz promissora. Mas Lois Maxwell é lendária, desculpaê.

O filme é uma lição de história do período final da Guerra Fria! Mostra como era o clima das pessoas que queriam desertar da URSS, mostra um país que as gerações novas não reconheceriam chamado Tchecoslováquia (atual República Tcheca), o funcionamento da Cortina de Ferro e até a resistência afegã contra os soviéticos! É como aprender história vendo James Bond!


E é um dos filmes que mostram os outros agentes duplo-0. Tudo na sequência inicial (acima), depois da Gunbarrel, em um treinamento. São o 002, 004 e 008. Além do 007, o único sobrevivente, pois o local é dominado por assassinos querendo acabar com os agentes em treinamento.

A história é bem simples e redondinha. Bond ajuda um coronel soviético desertar, ajudando ele a fugir da Cortina de Ferro, chamado cel. Koskov, que, enquanto fugia, uma bonita violoncelista tenta matá-lo. Porém, depois de exilado, acabam mandando uns soviéticos pra recapturar o cara de volta à URSS, deixando a moral do MI6 no lixo. Bond resolve ir de volta à Tchecoslováquia atrás da violoncelista (nossa, como é difícil digitar isso) atrás de pistas, e descobre que na verdade ela tava ajudando a escoltar o Koskov, e não matá-lo, pois ele tava dando uns pegas nela.

Bond resolve se unir com a garota pra achar onde diabos está o Koskov. E aí ele descobre que Koskov na verdade estava vivendo numa boa, rico, vendendo drogas e armas, junto de um traficante americano. Era tudo uma cilada, Bino!


O filme teve uma salada de títulos diferentes no mundo inteiro. Também pudera, como vai traduzir o título "The Living Daylights"? "A viva luz do dia"? Até que o título em português não ficou tão zuado. Poderia ter sido pior. Mas a música-tema, nos anos oitenta, não teria outra banda melhor pra fazê-la. A canção-tema, The Living Daylights, é interpretada por ninguém menos que o A-ha! Tem como ser mais anos oitenta que isso? Ficou ótimo e super nostálgico!

O filme é cheio da genialidade de Bond pra enganar o inimigo. Acho que nunca num filme isso foi explorado tanto. Talvez seja a cara do Timothy Dalton de "inteligente", porque vários truques aqui até deixariam o James Bond abismado com a genialidade.


Tem essa cena acima onde a Kara, a BondGirl, está indo fugir com o Bond, mas deve despistar os camaradas soviéticos que querem pegá-la.

A cena é genial, porque a Kara vai no telefone público com a caixa do violoncelo e a cena é gravada no ângulo do capanga no carro, só observando ela lá na cabine telefônica. Aí passa um bonde, e depois que o bonde passa a Kara ainda está lá no telefone público.

Mas na verdade ela tinha dado um jeito de fugir e deixou a caixa do violoncelo em pé, na cabine na mesma posição que ela, segurando o casado e o chapéu dela pra enganar o tiozinho no carro. Genial! Truque de câmera básico e elementar.


Tem uma outra cena em que Bond vai atrás de outro soviético que poderia estar junto na rolada das armas, e Bond aparece num teatro e dá uns tiros nele. Só que isso tudo era uma armação, o cara não foi morto, foi tudo encenado pra usar esse russo pra trabalhar pra Bond pra pegar o Koskov fazendo todos acreditar que o cara morreu baleado por Bond. E todo mundo pensa que ele morreu, e foi mais uma pegadinha do Mallandro que engana até quem assiste o filme.



E mais uma cena daquelas que a gente tem dó do dublê (como alguém tem coragem de fazer isso?).

Tem que ter muita bala na agulha. Tudo bem que as cenas com os atores são gravadas em estúdio e tal, é muito tranquilo. Mas imagina os dublês se segurando em um saco desses em pleno ar enquanto simulam umas porradas? Nessa época não tinha CG não, maluco!

Por isso, se você é ator, dê graças a Deus que hoje o Chroma Key evoluiu ao ponto de quase nenhum filme ter nem mesmo cenário. Sério. Isso não deve ser fácil nem pra dublê (mas o produtor ter essas ideias de cenas assim, aí pode!).

O filme tem muitas cenas de ação, mas ele tem aquele ritmo de filme de ação dos anos oitenta. Nunca para, sempre tá rolando alguma coisa, e além da música ser muito característica da época. Eu vi esse filme depois de ver 007 - Os Diamantes são Eternos, e como esse último foi feito no começo dos anos setenta tem aquela trilha sonora de teclado eletrônico que me dá muito medo, igual ao Laranja Mecânica. Já 007 Marcado para a Morte tem aquele rock-pop anos oitenta. É o tipo de filme que a trilha sonora do Top Gun caberia direitinho.


A cena do sequestro do Koskov é épica (acima)! Tem um russo que acaba se disfarçando de leiteiro, entrando num prédio da MI6 onde estavam o M e 007. Nele vemos um fone de ouvido antigo, um discman, e até um rock da época sendo ouvido pelo vilão.

Tem suas cenas de pancadaria, mas o mais zuado são garrafas de leite em forma de granada. Sim, isso mesmo que você leu. O filme tem tanta mentira cenas de ação bem elaboradas que é só buscar no Youtube o título do filme que você vai ver que a criatividade foi a mil nos trechos que vários usuários colocaram! Por isso que é bom trocar o ator que faz Bond também. Eu adoro o Roger Moore, acho ele o melhor Bond, mas essa renovação só pode ser possível com o Timothy Dalton. Genial.


E quem é essa gatinha aí em cima, Alain? ;)

Kara Milovy (pela atriz Maryam D'Abo) pode ter "d'abo" no nome, mas é um anjo que caiu do céu (ba-dum-tss). Se chamam de paraíso, deve ser o local onde eu balanço uma nuvem e cai umas vinte dessas. Que mulher linda, meu deus!

Ela faz o tipo BondGirl super romântica. Tanto que Bond só transa com ela no final do filme. E ela, por ter sido salva do Bond e ter escapado da cortina de ferro, além de tudo vê James como um herói. Ela tem muita admiração pelo cara. Mas o Bond de Timothy Dalton segue o ditato de que "Onde se ganha o pão, não se come a carne", e demora muito até dar uns pegas nela. Enfim os dois botam a língua pra trabalhar numa cena em que "Take my breath away" caberia muito bem como fundo. Numa roda gigante!


No final do vídeo acima tem a cena da Roda Gigante. Fala se não combina com essa trilha sonora?

(TOM-DOM-TOM-DOM-TOOOOOOM)

As cenas que ela mais mostra o lindo sorriso dela é nas cenas juntas da Bond! E mesmo sendo nos anos oitenta, o visual dela ainda é bem atual. Fala se não dá vontade de colocar um laço e levar embrulhada em papel de presente pra casa? :)


E além de linda, é uma excelente atriz! Maryam D'abo rivalizou muito com a BondGirl do próximo filme do Timothy Dalton (007 - Licença para Matar), mas eu ainda a acho levemente melhor. O filme também, é pouca coisa melhor que o seu sucessor na era do Timothy Dalton. Eu gosto muito das caretas que a atriz faz.

Normalmente uma mulher linda desse jeito é a que mais é fechada pra se expressar, mas ela tem umas expressões incríveis, e soube atuar como ninguém no papel. Lhe coube como uma luva!


E esse cabelinho curtinho ainda dá um aspecto super sexy nela. Sim, eu tenho queda por mulheres de cabelo curto. Elas ficam tão lindas e femininas! Fala sério! =)

quarta-feira, 25 de março de 2015

Doppelgänger - #65 - Exército na forma de uma mulher.

“Você não está lendo mesmo minha mente?”, questionou Agatha.

Sara respirou fundo.

“Não, eu prometo”, Sara respondeu.

Agatha fez um movimento com o braço ameaçador. Na sua mão estava ainda a arma. Deu alguns passos, esticou o braço e apontou a arma bem na testa de Sara. Sara recuou um passo. Ela estava visivelmente assustada.

“Se você se assustou, dá pra ver que não leu minha mente realmente”, disse Agatha, derrubando a arma no chão.

Elas estavam no segundo subsolo do estacionamento do prédio. Não havia quase ninguém lá naquele momento. Mas era visível que talvez elas teriam uma certa privacidade, mesmo ali. Victoire estava do lado de fora do prédio, e observou que haviam muitos homens, fortes, como seguranças, protegendo as entradas desse segundo subsolo. Todos os carros eram indicados a descerem pro terceiro ou quarto subsolo.

“Provavelmente são homens de Ar. Não entre, fique atenta na praça pra qualquer movimento suspeito, Vicky. Provavelmente foi um pedido da Sara para que pudesse ter o acerto de contas com a Agatha. Fique atenta”, disse Al para Victoire, via celular.

Sara realmente não estava lendo a mente de Agatha.

Agatha, sem dizer nada, ofereceu a mão à Sara.

“Preciso pensar em um jeito de dar o jeito de escapar do Al. Posso considerar já dentro do grupo de vocês?”, disse Agatha.

Sara agarrou a mão de Agatha, segurando firme.

“Vamos pensar em um jeito. Tem alguém lá fora?”, perguntou Sara.

“Não. Tem ninguém não”, respondeu Agatha.

Parecia que estava tudo arranjado. Depois de Nataku, mais uma deserção no time de Al. Cada vez mais o jovem inglês estava sozinho. Talvez agora só teria Victoire e Neige – dois que sem dúvida jamais trairiam Al, mas que ao mesmo tempo, não seriam páreos muito grandes. Eram apenas uns agentes medianos comparados com Ar. Mas sem eles, Al estaria sozinho, eram elos fracos da corrente.

Sara estava feliz. Avançou dois passos e deu um abraço apertado em Agatha. Sara parecia feliz, parecia ter alguém em quem confiar. Parecia que o seu lado era o certo. Parecia que enfim poderia ter algum tipo de amizade – ou quem sabe até algo maior num futuro – com Agatha.

“O mundo é nosso! Nós duas juntas podemos até superar o Ar!”, sussurrou Sara, no ouvido de Agatha, já planejando planos futuros.

Mas Agatha permanecia com o rosto calmo e sereno. Aquela cena de carinho tocaria qualquer pessoa. Naquele momento estavam naquele estacionamento fechado, no subsolo de Candem Town, e sozinhas. Mas Agatha sabia dissimular como ninguém. Agora era hora do último teste da confiança de Sara.

Idiota. Tal como planejei. Como foi fácil te enganar..., pensou Agatha.

Ainda assim Sara permanecia completamente tocada, e alguns segundos depois de pensar isso a psíquica afastou o rosto do peito de Agatha e olhou nos olhos da holandesa. Sara deu um sorriso, e seus olhos pareciam até mesmo começar a lacrimejar, ao mesmo tempo que mostravam esperança.

De fato, Sara não havia mesmo lido a mente de Agatha. Teria reagido diferente ao perceber que aquilo tudo era um golpe.

Nessa hora Agatha puxou uma faca militar, e num movimento rápido cravou no tronco de Sara e puxou pra baixo, fazendo um imenso corte e jorrando muito sangue.

Sara recuou pra trás, mostrando uma face incrédula. O sangue jorrava, e até mesmo uma parte do intestino era visível, saindo um pedaço pra fora como tripas cheias de sangue. Sara encostou em uma pilastra e foi descendo seu corpo até se sentar.

Foi nesse momento que uma lágrima caiu dos seus olhos, mas não era de tristeza. Era de ódio.

“Merda. Calculei errado, era pra ter ido no coração”, disse Agatha, “Mas esse corte foi bem profundo. Acho difícil sobreviver com o dano nos seus órgãos internos”.

Sara permanecia calada, com o rosto expressando uma imensa fúria. A faca pingava sangue, e o corpo de Agatha também estava com uma imensa listra vermelha.

“Eu tô pouco me fudendo com o que a sociedade acha de mim, Sara. Você deve ser uma dessas feministas nojentinhas, né? Pra mim uma mulher que depende de um movimento pra trabalhar e fazer o que quiser é uma fraca. Eu faço o que eu quero, transo com quantos homens que eu quiser, tenho meu dinheiro e trabalho bastante pra isso. Não preciso de um grupinho de tolas como você que ficam dizendo que ‘lutam pelo direito de nós mulheres’, porque no final das contas pessoas como você se escondem por detrás de um movimento bom pra ficar difundindo essas tolices misândricas, quando na verdade só existe uma pessoa que é responsável pelo seu sucesso na vida ou não: você mesma”, disse Agatha.

“Eu uso homens mesmo ao meu bel prazer e tô pouco me lixando pra isso, detesto mulheres, e detesto mais ainda mulheres como você que são cegas nesse mundinho. Eu sou uma pessoa forte o suficiente pra ser dona do meu nariz e senhora do meu destino. Consigo derrubar em cinco segundos um homem com o dobro do meu tamanho usando apenas um braço. E não tem homem nenhum que me faria baixar a cabeça, seja hoje, ou seja quando quiser. Menos ainda um movimento de fracas como você que querem se promover às custas do esforço de pessoas como eu. Quer saber qual o meu segredo, garotinha?”, disse Agatha, pegando no rosto de Sara.

“Eu não preciso de um movimento pra dizer o que eu posso ou não fazer. Tô cagando e andando pro que a sociedade acha que eu sou. Movimentos como essa bosta aí chamada feminismo até nasceram com uma boa premissa, mas hoje não passa de um grupinho de perdedoras que se acham porque conquistaram o direito de se masturbar. Pra essas aí eu só digo uma coisa: enquanto vocês tão tocando nas suas pererecas, eu tô dando uma trepada gostosa com três homens ao mesmo tempo”, disse Agatha, cuspindo no rosto de Sara.

“Se uma mulher quer dar, que vai lá e trepa, simples. Se quer ter igualdade, conquiste com muito trabalho e mostre que é capaz. O preconceito não é da sociedade. Preconceito só existe na mente dos que acham que são alvo dele. E isso, minha querida, não existe pra mim. Não preciso de um grupinho de desocupadas dizendo que eu mereço ter o salário de um homem, eu vou lá e busco meu direito por mim mesma, eu faço por merecer. E eu faço o que eu bem entender. Veja o Al, por exemplo. Tanta gente pra chamar e só a mim ele chamou pro time, sabe por quê?”, disse Agatha.

Sara fechou a cara, mas perguntou:

“Por quê?”, perguntou Sara.

“Porque ele disse que eu sou um exército na forma de uma mulher”, concluiu Agatha.

segunda-feira, 23 de março de 2015

007 - Os Diamantes são Eternos (1971)


Sean Connery havia feito cinco filmes como James Bond. Depois de Com 007 só se vive duas vezes ele passou o bastão da George Lazenby, em 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade. Mas parece que depois da desistência de Lazenby o pessoal da EON ficou sem alternativa, e pagaram uma grana preta pra Sean Connery voltar como Bond, uma última vez. E assim nasceu 007 - Os diamantes são eternos.

Eu fico abismado como o Sean Connery tá acabado no filme. Ele ainda mal tinha uns quarenta anos, não? E nem tinha dez anos que ele havia começado a carreira como James Bond. Ele tá com uma aparência cansada e mais velho do que realmente é.


Mas vamos falar do filme! Impossível não falar do filme sem a canção tema, uma das mais famosas de toda a série, a canção Diamonds are forever, imortalizada na voz de Shirley Bassey. Na minha opinião a quarta música mais legal da série.

O filme parece bem continuação do anterior, 007 A serviço secreto de sua majestade. Imagina que o cara acaba de matar sua esposa. No começo, antes mesmo do tema, mostra um Bond sanguinário indo atrás do Blofeld (o Blofeld que matou a Tracy! Buááá), e inclusive matando-o. Mas... Rá! Pegadinha do Mallandro!


No meio do filme o cara tava vivo, holy shit. E inclusive tinha feito "clones" dele com alteração de voz e cirurgias plásticas. Tempos onde manipulação de DNA não existia, mas existiam plásticas. E perfeitas, holy fuck.

No filme Bond se disfarça de contrabandista pra investigar tráfico de diamantes na África do Sul. E você pensando que esse rolo de diamantes no sul da África era coisa atual (por conta do filme "Diamante de sangue"), olha só, na década de setenta já falavam que a coisa era feia por lá. Primeiro ele passa em Amsterdã, sob a identidade de Peter Franks, o tal contrabandista, pra pegar os diamantes da lindíssima Tiffany Case e descobrir o destino deles na América. Só que Bond é tão mão rápida que inclusive troca os documentos do verdadeiro Peter Franks com os dele.

E a reação da Tiffany ao abrir a carteira do verdadeiro Mr Franks e ver o nome "James Bond" é sensacional (no fim do vídeo):


"Oh my God! You've just killed James Bond!".

:O

E aí no final Bond descobre que Blofeld queria os diamantes pra colocar num satélite pra fazer um super laser solar pra queimar cidades inteiras, como uma criança com uma lupa queimando formigas.

(sério, mas que plano de bosta pra destruir o mundo, né?)

Bond fica pouco em Amsterdam. Mas ele passeia muito pelos Estados Unidos, em especial... Las Vegas! A parte mais engraçada é quando ele encontra a outra Bondgirl, chamada Plenty O'Toole, onde Bond usa mais uma daquelas falas horríveis de tão engraçadas, hahaha:


"Hi! I'm Plenty!", diz a menina. Com um decote generoso e peitchugas imensas.
"Of course you are", responde Bond.
"Plenty O'Toole", responde a menina, ainda sorrindo.
"The name was your father's idea?".

A brincadeira é que "Plenty" significa "Um monte", "Fartura". E quando ela se apresenta é exatamente assim (foto acima), com os braços cruzados pra deixar os melões ainda mais com cara de melancias (if you know what I mean, hahah). Por isso o trocadilho de Bond quando ela se apresenta como "Plenty", ele diz: "Sim, claro que você é", hehe. Eu ri muito!


E tem uma parte legal do Q jogando cassino e sempre tirando "Bar", que é o maior valor nas máquinas de caça-níquel (acima). Tudo isso usando um treco que ele criou pra sempre se dar bem nas máquinas de jogos de azar! Dinheiro adoidado em Las Vegas!

O filme se passa em 1971, e o homem pisou na lua em 1969. Não sei se vocês sabem, mas existem até hoje gente que tem provas de que o homem não foi na Lua coisa alguma. E o filme se passa apenas dois anos depois que Louis Armstrong deu seus pulos na Lua. Tem uma cena que tira sarro exatamente disso, lá no laboratório do Blofeld, que parece mais uma Area 51:


Pra você ver que tanto os boatos da Area 51, como se o homem pisou na Lua ou não são mais velhos do que se imagina! O foda é que os astronautas NÃO SAEM DO PERSONAGEM MESMO COM O BOND CORRENDO NO MEIO DELES! Hahahahaha!!! Cara, eu ri muito nessa cena acima!

E outra cena bizarra é quando a Tiffany enfim encontra a porra do Blofeld. Na verdade ela encontra uma senhorinha com o gato do Blofeld andando num aeroporto, segue a senhorinha e quando a vê entrando num táxi ela é empurrada pra dentro. E aí dentro do carro que ela vê o significado do ditado de que à noite todos os gatos são pardos:


Enfim, é bizarro. Até maquiagem colocaram no cara, hahaha! (e nem mostrou o rosto! Exceto dentro do carro!)

Tá, mas e a BondGirl? ;)

Tiffany Case, interpretada pela belíssima atriz Jill St John. Na primeira cena em que aparece eu pensei que era bem mais velha, mas algumas cenas mais tarde vi que ela pode ser tudo, menos velha:


Acho que é o cabelo! Dá cara de velha, sei lá. Mas com esse corpinho, uau. Eu acho que ela foi uma das que mais o Bond se deitou num filme. No filme eu contei umas três ou quatro vezes que ele vai pra cama com ela. A personagem dela é super engraçada, toda perdida nos paranauê, não sabe que o mundo tá prestes a acabar, enfim, tadinha, dá dó às vezes, hahaha! Muito no mundo da lua!

Ela lembra muito a Mary Goodnight (de 007 contra o homem da pistola de ouro), mas a Mary é inocente e engraçada, a Tiffany é distraída e engraçada, haha. Tem até uma cena no final onde eles estão na base do Blofeld, e James tem que trocar uma fita cassete (cacete!) com as coordenadas do laser destruidor e a fita com as coordenadas corretas ele coloca dentro do biquini da Tiffany.


Aí a Tiffany toda confusa vai e troca as fitas! xD Coloca a fita com as coordenadas corretas de volta achando que aquela fita que o Bond colocou dentro do biquini dela era a correta. O mais engraçado é a cara dela quando ela na cara dura tenta trocar as fitas (acima) achando que o Blofeld não ia ver. Acho que a reação dela resume bem o que aconteceu enquanto ela trocava, né? Hahaha.

Outra cena engraçada é no final. Já que a fita foi trocada, o jeito é acabar com a base do Blofeld na base da destruição mesmo. Bond pega um guindaste e começa a socar uma cápsula de fuga com o Blofeld dentro destruindo toda a base dele.

E a Tiffany do lado querendo ajudar em alguma coisa? Tinha um guardinha do lado morto, Bond manda ela pegar a arma e atirar nos outros, só que coitada... Nunca havia pegado numa arma, e a cena dela atirando é simplesmente... Hilariante! Hahaha.


SIM, ela fechou os olhos, virou o rosto e... atirou! Hahahaha!!

Enfim, filme muito gostoso de se assistir. Fechou a era Connery com chave de ouro! ;)

sexta-feira, 20 de março de 2015

007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)


Sim, eu sei que falei do livro há pouco tempo. E foi interessante ter lido o livro antes de rever o filme! Realmente, esse filme é muito parecido com o livro, salvo as vantagens que cada mídia tem. Tem poucas diferenças, algumas mudanças na ordem dos acontecimentos, mas em suma é bem similar!

O filme foi o quinto da série, lançado em 1969, depois que Sean Connery havia desistido do papel. Acharam o australiano George Lazenby, que não é lá um ator ruim, mas dizem as más línguas que ele era chatão na hora das filmagens, fresco pra caralho. Lazenby faz um Bond sério, parece uma mistura da frieza do Timothy Dalton sem o carisma do mesmo. Mas, apesar dos pesares não ficou um filme ruim! Mas ele presta muitas homenagens à era Sean Connery.


Logo no começo do filme Bond salva a Tracy, até então desconhecida, que ia se matar se jogando no mar. Aparecem uns capangas (que não tem no livro), Bond desce o couro neles, e Tracy acaba fugindo. Nessa hora Bond aparece, olha pra câmera e diz: "This never happened with the other fella!" (imagem acima), se referindo ao Sean Connery (e ao fato de nunca uma BondGirl fugir depois de ter sido salva). Impossível não rir!

O filme é o mais estranho da série. Sabe quando o Link em Majora's Mask acaba caindo em Termina? Como se Termina fosse uma realidade alternativa de Hyurle? É tipo isso que a gente sente vendo esse filme. Parece que é um Bond numa realidade paralela, não duvido que foi divertido pro produtor Broccoli fazer o filme. Sente só o naipe da abertura:



Quarenta e mil referências à era Sean Connery. Tem até uma cena onde o Bond vai pedir demissão pro M e o chefe dele não permite ele se demitir. Aí o James todo revoltadinho vai pro escritório dele e vê objetos usados pelas BondGirls da era Connery. Tem até o facão da Honey Rider do Dr. No! E cada vez que ele pega um objeto a trilha sonora referente aquela lembrança toca.

A sinopse se trata de Bond salvar a Tracy de se matar na praia, joga cassino com ela, e depois a come (nessa ordem). Aí ele volta pro MI6 e diz pro M que vai atrás do Blofeld, e o M o impede, diz que a missão já era. Bond revoltado pede demissão, é negada, mas ainda assim resolve ir atrás do Blofeld sozinho. Tira uma folga, vai pra França, mas é capturado por Marc Ange Draco, mafioso francês, pai da Tracy. Inclusive o Draco pede pra que ele se case com a Tracy! Mas o Bond nesse momento está defecando e andando pra ela (afinal, normalmente é o Bond que dorme com as mulheres e cai fora, no caso da Tracy foi ela que comeu ele e deixou ele vendo navios. Mexeu com o ego do Bond, hahah).

Mas o Marc Ange tem pistas do Blofeld. Então Bond pesquisa e vê que Blofeld mudou de sobrenome e está vivendo em Piz Gloria:


Por mais que isso pareça cenário irreal, é um restaurante e existe de verdade! No livro também fala dele. Um restaurante no meio dos alpes suíços. O filme já é viajado pra caralho, e tem ainda mais essa!

Blofeld usava Piz Gloria como base pra implantar um vírus, chamado vírus Omega em garotas, para que elas infectem o mundo pra onde forem por meio de um transe que ele impôs nelas. Engraçado é que o transe é feito com jogos de luzes e a voz de Blofeld dando ordens e instruções. E mais engraçado ainda é a tecnologia revolucionária de 1969: fitas cassete com as gravações. Hahaha! E tem uma moçadinha aí hoje em dia que nem sabe o que é isso.

Mas é óbvio que o foco do filme é o amor.


(até James Bond é um bobo quando está apaixonado)

Uma coisa que achei legal é que mostra o amor puro, inocente e bobo entre Bond e a Tracy! No livro não tem essas cenas dos dois em love, foi algo a mais que colocarem que super ajudou a fazer sentido melhor ao filme. No livro Bond só se liga dos seus sentimentos pela Tracy depois que ela o salva na cena do ringue de gelo. Mas aqui mostra que havia uma pegação antes. E era mó bonitinho, vai! Nunca você imaginaria Bond apaixonado por alguém, né?

Antes de falar da Tracy (que merecia um post á parte), quero falar das cenas de ação.


Tem muitas cenas de ski, incluindo avalanche. Parece que James Bond + Ski = Avalanche. E ESSE NÃO É O PRIMEIRO FILME QUE ESSA PATIFARIA ACONTECE. Foda que isso fica na cabeça das pessoas, e eu vou pensar que vai cair uma avalanche quando eu andar de ski também.

Logo depois que Bond foge do Piz Gloria e chega na cidade, encontra a Tracy lá. Ela resolve então salvar o seu amado, com sua caranga venenosa. Eles invadem uma corrida fugindo da Irma Blunt e seus capangas, e como 007 é pura zuera, eles ainda ganham a corrida! Deu pra ver que a cena é muito bem coreografada, e apesar de ter bons dublês, não teria a mesma graça sem as boas tiradas da Tracy. Realmente, foram feitos um para o outro!


Agora vamos falar dela! Condessa Teresa di Vicenzo, a.k.a. Tracy. Na primeira cena que Bond fala o nome dela, ela vira pro Bond e fala: "Não me chame de Teresa. Teresa era uma santa. E eu não sou uma santa". Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa!! Ainda bem. Detesto santinhas (essa fala é minha, sou mais sagaz, chupa essa Bond!).

No filme não explica direito, por exemplo, porque raios ela é Condessa. De fato, ela é. No livro explica melhor o jeito e a história dela. A mãe dela (já falecida) era inglesa, e conheceu o mafioso francês Marc Ange quando ela estava fazendo uma pesquisa jornalística. Rolou um pega aqui, pega ali, a mulher ficou embuchada e nasceu a Tracy. Parece que ia ser complicado, já que Marc Ange por mais que fosse um mafioso é também empresário e... Conde. E teve um caso com uma plebeia. Bom, ainda assim Tracy é uma condessa.


No livro ainda fala que Tracy foi casada, perdeu o filho ainda na barriga, e depois seu marido ainda foi morto. Desde então ela vivia uma vida livre, bem no estilo "deixa a vida me levar", jogando, bebendo, transando. Parece um bocado o estilo de vida de James Bond, né? Nem visitava o pai que, óbvio, sentia falta da filha e se preocupava com ela. Até conhecer Bond.

Claro que todo o romance é bonitinho. E durante um bom tempo no filme nem se tem notícias da Tracy. Quando ela aparece de novo é uma cena muito poética: Bond acaba de fugir dos caras de Blofeld, e sabe que eles estão atrás dele. Resumindo: ele tá fodido. Ele senta num ringue de gelo, fica lá de cabeça baixa disfarçando e pedindo pra um milagre tirar ele de lá. Aí uma pessoa com patins para na frente dele, chamando-o. Ele sobe o olhar, e vê...


Tcharam! Tracy! <3 p="">
É bem nessa cena. Ela tá tão linda, sorridente, com um olhar amável, enfim... Parece aquele olhar que nossa namorada nos dá quando nos encontra. É tão bonitinho!

Depois que eles se livram dos capangas do Blodeld, Bond faz até um voto de que não vai ter sexo, começando já no ano novo, até eles se casarem. Os dois estão numa espécie de estábulo, começam dormindo em camas separadas, aí Bond dá um golpe na cama suspensa dela e ela cai nos braços dele. =) O filme se passa bem na época de fim de ano, entre Natal e ano novo. Bond decide abrir uma exceção e fazer um entra-e-sai antes de fazer a promessa do ano novo sem sexo até se casarem, hahaha.



Tracy fala grosso, é mandona, e ninguém segura ela. Mas ainda assim ela usa um vestido que mostra o interior dela gentil e romântico. Ficou bonitinho esse vestido de casamento, né? ;) Por mais que tenham cenas de ação, explosões e seja um filme muito bizarro, ainda assim não tem como não tirar o foco dela.

E claro, como eu já disse, o filme tem o mesmo desfecho trágico do livro. Logo depois de casarem, quando estavam saindo em lua de mel, Tracy diz que era bom o James ser Bond cama (aplausos pro meu trocadalho = trocadilho do caralho!), pois ela queria três meninas e três meninos. Mas eles mal entram na estrada e o carro é alvejado pelo Blofeld e a Irma Blunt. E um dos tiros acerta Tracy na testa.


"Veja só, ela só está descansando. Nós temos todo o tempo do mundo", diz Bond, chocado e triste ao ver sua esposa falecer em seus braços.

Triste. :(

quinta-feira, 19 de março de 2015

Doppelgänger - #64 - Cinco porcento.

Al e Neige estavam a alguns quilômetros dali, em Waterloo. Dava pra ver a estação de trem da janela do prédio de onde estavam. O celular de Al tocou, era Victoire.

“Acabei de chegar em Candem, Al. Devo ficar aqui sentada na praça mesmo?”, perguntou Victoire.

“Sim, Vicky. Parece que teremos mais uns nove minutos durante a troca dos seguranças no prédio. Temos que dar espaço pra Agatha agir”, disse Al.

“Certo. Ficarei de olho. Qualquer coisa eu dou um toque”, disse Victoire.

“Sim. Tome cuidado, ok?”, disse Al.

Al desligou a chamada e se virou pra Neige, que continuava de olho no computador. Contou para ele que Victoire havia chegado em Candem, estava próxima de Agatha para dar um eventual suporte.

“Acha mesmo que é uma armadilha?”, disse Neige.

“Neige, não pense que eu estou jogando sua pesquisa no lixo, meu caro amigo. Ar sabe que nós iríamos rastrear isso, e não duvido que está nos esperando naquele prédio. Ele sempre parece estar a um passo na nossa frente porque ele solta o queijo e nós somos pegos na ratoeira. Dessa vez, por mais que a pista seja quente, melhor acharmos outras pistas, mais complicadas”, disse Al.

“É complicado trabalhar com o Ar e a polícia vindo ao nosso encalço. Se pelo menos a polícia estivesse ao nosso lado, poderíamos ter invadido lá”, disse Neige.

“Não é essa a questão. Temos a ajuda da Briegel que vai tentar mudar a cabeça dos caras da Interpol. Mas de nada vai adiantar se não entregarmos o Ar de bandeja, com muitas provas contra ele. Precisamos dessas provas, se ele for preso, até ele ser julgado, ele vai escapar de algum jeito com todo o poder que ele tem”, disse Al.

“Por isso quer pesquisar sobre os Doe?”, disse Neige.

“Os Doe é uma pista muito quente. Não tenho dúvidas que vai nos levar para o Al. Só que achar quatro pessoas no meio das milhões desse país é como procurar uma agulha no palheiro. Löfgren foi o mais fácil pois ele parecia querer ser pego. Era um plano de Ar sem dúvidas, e os três caíram fácil nele”, disse Al.

“Precisamos então eliminar as opções equivocadas. Löfgren era um acionista, certo? Consigo puxar uma base de dados das pessoas que são acionistas”, disse Neige.

“Não... Vamos pensar. São quatro pessoas, não acho que as pessoas que recebam as mensagens não dessem um voto de confiança se eles não fossem de fato pessoas. A ideia de que eles são bots criados pelo Ar é infundada. As pessoas sabem que eles são pessoas de fato, senão jamais poderiam confiar nelas”, disse Al.

“Buscar associação com Vanitas ou Legatus é complicado. E isso não garante que eles sejam ligados ao Legatus, que é a que existe como organização real. Mas uma pessoa para dar esse tipo de assessoria sobre economia pode ser qualquer tipo de pessoa, de um bancário, até mesmo um especulador. Teria que ser alguém que inspirasse confiança”, disse Neige.

“Um consultor financeiro?”, disse Al.

“Sim. Existem registros que o Löfgren prestava serviços nisso também”, disse Neige.

“Quantas instituições financeiras existem no Reino Unido?”, perguntou Al.

“Existem cinco principais. HSBC, Lloyds, Royal Bank of Scotland, Barclays e Standard Chartered. Existem mais quinze menores, dá um total de vinte instituições”, disse Neige.

Al pensou por um momento, acendendo um cigarro.

“Não acho que todos eles sejam necessariamente ligados a todos ao mesmo tempo. E eles sabem que nós estamos atrás deles, eles seriam descobertos pelo modo mais complicado. E acho que o modo mais complicado é usando suas habilidades, um pouco do processamento dessa máquina aí, e cruzar alguns dados”, disse Al.

“E quais seriam as variáveis?”, disse Neige.

“Temos vinte instituições financeiras. Quatro pessoas para encontrar. Nenhuma delas estão ligadas a todas as instituições – isso é desnecessário, eles são um grupo, cada um se complementa. E isso seria muito suspeito. Mas no mínimo cada uma dessas pessoas deveriam estar ligadas a cinco instituições cada, no mínimo. E seu cargo deve ser no mínimo como consultor de economia. O que acha?”, disse Al.

“Faz sentido. Mas poderiam ser mais de quatro pessoas como resultado na pesquisa. Como conseguiria peneirar quatro pessoas corretamente?”, disse Neige.

“Isso é o mais fácil. Se tiver os nomes você consegue pesquisar número de telefone e buscarmos acessar os computadores das pessoas, certo?”, disse Al.

“Eu consigo. Mas podem ser centenas de pessoas!”, disse Neige.

“Precisamos dos dados das últimas reuniões de Löfgren antes dele ser morto. Você teve os dados do computador dele, é só checar os e-mails. Se ele se reuniu em hotéis é só invadir o computador do hotel e buscar o nome das pessoas. Mesmo se for em outros tipos de prédio, é só buscar quem se identificou junto com ele. Virão muitos nomes, não duvido que ele era uma pessoa bem ativa. Mas aí depois é só peneirar”, disse Al.

“Acho que estou começando a entender...”, disse Neige.

“Isso. Se a pessoa se reuniu com Löfgren no dia em que ele e o grupo dos outros Doe mandaram os e-mails com as instruções para empresários e bancos, você conseguirá os nomes das pessoas que entraram nos prédios que ele marcou a reunião pelo e-mail pessoal dele. Cruze os nomes das pessoas com essa lista das centenas de pessoas que são no mínimo corretores de economia no Reino Unido e ao mesmo tempo estão ligados a no mínimo cinco dessas vinte instituições financeiras. Existe uma grande possibilidade de sair exatamente quatro pessoas, as quatro pessoas que estamos buscando”, disse Al.

“Uau. Realmente você é um gênio, eu nunca teria pensado nisso. Mas você disse ainda que existe a possibilidade de sair as quatro pessoas... Qual a real porcentagem dessa chance?”, perguntou Neige.

“São 5%”, disse Al.

Neige ficou abismado. A chance era muito pouca.

Mas Al parecia ter 95% de certeza disso.

terça-feira, 17 de março de 2015

007 Contra Octopussy (1983)



Antes que começar vou falar do título! Ian Fleming gostava de brincar com os nomes das coisas. E eu acho isso muito legal, eu também gosto de brincar com isso. Octopussy é uma brincadeira com um trocadilho. Em inglês colocamos o "y" no final igual colocamos "inho" no final, pra deixar no diminutivo, tipo dolly, vem de doll. Logo, "dolly" é "bonequinha". Octopussy é diminutivo de "octupus", que é polvo em inglês. Mas ao mesmo tempo "pussy" significa garota, gatinho, mas também... Buceta.

Logo, uma tradução literal de Octopussy poderia ser... Polvuceta! Dafuq?

Outra coisa: pouca gente sabe mas usar no título "007 contra" é uma coisa que foi feita no Brasil. No título original em inglês os filmes nunca tiveram "007" no título. Nem mesmo nos livros. O que conhecemos como "007 - Marcado para morrer", por exemplo, em inglês o título é apenas "The living daylights". Só que, esse título em português ficou muito mal feito, porque a Octopussy NÃO é uma vilã no filme, logo não teria motivo para ser "007 contra Octopussy".

Vamos vamos falar do filme! Eu gosto muito. Não é dos meus favoritos, mas se fosse dar uma nota não seria abaixo de oito. Foi o penúltimo filme da era Roger Moore, na minha opinião, o melhor ator como James Bond. Se eu fosse ser um Bond, eu seria como o do Roger Moore. Gosto muito do jeito como fala, como anda, como fala "Bond, James Bond" e, acima de tudo, o humor do cara. O cara é mito.


E o filme é da época em que não tinha essa mamata de hoje em dia. Pra fazer uma cena de ação tinha que ter dublês, muito trabalho e grana. Hoje em dia você faz uns takes com o ator e depois pede pra alguém que manja de 3D Max fazer a cena no computador e depois renderizar. Nessa época não tinha isso, e as cenas tinham que rolar ao vivo.

Existem duas cenas de avião que são de tirar o fôlego. A primeira termina com essa foto acima, quando Bond vai abastecer (o trocadilho é fenomenal, o avião para no posto e Bond diz: "Fill up, please!"). Mas a parte perigosa mesmo era fazer esse avião com o Bond passar numa pequena fresta de um hangar enquanto fugia de um míssel:


E a outra é quando Bond vai salvar a Octopussy (Polvuceta em português) do vilão. Eu não queria nunca ser esse dublê, putaqueopariu. Roger Moore a sorte que era cagão também, ele nunca fazia as cenas de ação. Li que a cena foi feita ou muito antes do filme, ou muito depois, tamanha a complexidade. É uma das cenas de maior adrenalina de toda a série, imagino o trabalho e o perigo pros dublês. Pra isso, nada melhor que ver uns trechinhos da cena mesmo:


E, bem, como ainda é um filme no período de guerra fria, não poderia deixar de dar uma alfinetada nos comunistas. O que eu achei foda é que colocaram um ator que é a cara CUSPIDA do Leonid Brezhnev, líder da União Soviética que, ironicamente, faleceu em 1982. E no filme na cena que ele aparece, onde apresenta um dos vilões, o General Orlov, ele é chamado de "Mr Chairman", uma clara referência ao Brezhnev, que liderou os soviéticos até pouco tempo antes do filme ser lançado.

Vê só se não é parecido:


A sinopse do filme é meio confusa (em geral é sempre muito confuso, em todos os filmes). Mas basicamente o agente 009 (que seu disfarce era de palhaço no circo da Octopussy) que estava investigando a Alemanha Oriental (comunista) foi morto e encontraram com ele com um valioso ovo Fabergé, muito valioso, cheio de jóias.

Bond descobre que esse ovo está para ser leiloado, vai ao leilão, e troca o ovo por um falso, e com o verdadeiro ele sabe que as pessoas que buscam o verdadeiro virão atrás dele. Logo, ele bota uns negócios para rastrear o verdadeiro ovo Fabergé. E aí ele descobre que as jóias iam para as mãos de uma traficante de jóias (a tal Octopussy) na Índia que operava um circo itinerante pelas Europa.

Isso parece roteiro de filme tipo "Pantera Cor-de-rosa", de achar a jóia roubada, mas aí entram os comunistas. Eles colocam uma ogiva no vagão que levava as coisas do circo da Octopussy, afinal que governo suspeitaria de um bando de palhaços? E essa ogiva iria explodir justo no meio da Alemanha Ocidental (capitalista), causando... Você sabe o quê.

Embora tenham cenas de ação muito boas, o filme é destacado pelo humor. É simplesmente MUITO engraçado. A cena mais engraçada é quando Bond está fugindo do castelo do Kamal Khan e finge ser um cadáver num saco, e aí levanta fazendo: "Booooo!" assustando os capangas do Kamal Khan, hahaha! É coisa só do Roger Moore mesmo!


O filme se passa na Índia, e mostra exatamente as coisas exóticas do local. A cena do Bond pegando a espada de um desses engolidores de espada na rua é o símbolo dessa coisa exótica da Índia que queriam mostrar no filme!

E é legal ver também como o filme mostra tecnologias que hoje são comuns, mas em 1983 eram novidade. Como... Cristal líquido, o LCD! Era novidade na época, e com uns efeitos especiais consegue fazer parecer como hoje em dia o que temos em celulares ou TV. Demorou quase trinta anos para chegarem na definição que mostra o filme.

E claro que, se tratando de Bond, não poderia ser engraçado e famigerada a cena quando ele vê o primeiro display de cristal líquido, mirando uma câmera para algo em específico a ser mostrado na telinha de LCD do relógio:



Que peitão da porra. Que alta definição esse LCD!

E a tal Octopussy? Ela é a BondGirl do filme! É uma das poucas quarentonas que foram Bondgirls. Normalmente as bondgirls são novinhas, mas não quer dizer que essa é menos linda do que todas as outras. Estamos falando da atriz Maud Adams, que na época do filme tinha nada menos do que 38 anos!

Quem dera ser um peixe, para em teu límpido aquário mergulhar, passar a noite em claro, dentro de ti... A noite inteira dentro, comigo não ia dormir não, aproveitar cada segundinho dessa deusa quarentona só pra mim... Hohoho:


Não sei o que mais gosto na Octopussy. Ela aparenta a idade que tem, o que é melhor, mas ainda assim tem esses olhos azuis hipnotizantes, esse sabor de mulher madura, esse charme que só a idade traz. E no filme ela ainda vive em uma ilha onde apenas mulheres vivem (imagina Bond numa ilha dessas?), e chega numa parte do filme em que elas se unem ao 007 pra dar cabo do vilão.

As mulheres eram todas verdadeiras amazonas, tocando o terror contra os capangas mal encarados do Kamal Khan, dando uma surra em todos pra mostrar que lugar da mulher é dando surra em homem também! Realmente é algo único na série. Por isso muitos colocam Octopussy como um filme muito único na série. Eu gosto muito!


Eu me rendo! Faço o que vocês quiserem. Tudo mesmo. ;)
(d'oh! Tô usando as frases clichês de bosta do Bond, hahaha)

segunda-feira, 16 de março de 2015

Mil e quinhentos!

Segunda-feira sempre é um dia de preguiça. Mas olha só! 16 de março de 2015, e meu amado blog está completando mil e quinhentos fucking posts. Alguém tem noção disso? Acho que nem mesmo eu. Parece que foi ontem que eu postei isso aqui, quando o blog chegou a marca de mil posts.

Só uns três anos para conseguir mais quinhentos posts. E no ano em que esse espaço aqui faz dez anos. Parece que 2015 vai ser só de festa!

Não vou ser repetitivo. Tem um pouquinho da história do blog nesse link pro milésimo post. Mas queria falar mesmo como é a vida de quem tem um blog pessoal e escreve apenas por hobby mesmo. Nunca o fallenPegasus me rendeu um centavo, tudo o que eu faço é apenas porque eu gosto mesmo de escrever e ler outros blogs.

Mas ainda assim escrever um blog e manter ele por tanto tempo requere um bom trabalho. Não se consegue mil e quinhentos posts da noite pro dia, e sim, teve vários momentos nesses mil e quinhentos que o blog provavelmente iria parar. Não foram os mil e quinhentos posts em ponto de bala, não mesmo! Teve meses que eu ficava sem saber o que postar. E eu não gosto de postar coisas perdidas apenas por postar. Talvez no começo, se você ver posts lá de 2006 ou 2007 vai ver que era bem no estilão diário pessoal mesmo. Mas aí vi que é um saco ficar falando da minha vida, exceto se não tiver algo que seja construtivo pra pessoa.

Outra coisa que reparei também é que muitos meses que eu tava desanimado, saiam menos posts no blog também. Quando eu fico desanimado é difícil ter pique e interesse pra postar alguma coisa. Desânimo é sempre uma bosta. Mas veja só... Nada é pra sempre. Nem mesmo o desânimo, e o desânimo passava e cá estava eu de volta aqui, postando.

Ter um blog é complicado. Conheço muita gente que criou blogs e desistiu depois, ou gente que simplesmente criou e postou pouco e nunca mais. Talvez da minha turminha do pessoal que viveu aquela febre inicial dos blogs no Brasil em meados de 2005, só o fallenPegasus sobreviveu. Talvez tenham migrado pro Facebook ou outras redes sociais (todo mundo tem um amigo que posta atualizações imensas na timeline, tipo postagem de blog), mas blogs ainda hoje continuam vivos como nunca, como visto aqui.

Tudo bem que eu faço parte dos quinhentos mil que usam a blogger, é nada perto dos 14 milhões do Wordpress. Mas pelo menos por enquanto não vejo motivos pra sair daqui não. Gosto daqui! Interface boa, continuam trazendo novidades, além da tradição: blogger foi praticamente quem começou os blogs na internet. Tanto que assim como Bombril virou sinônimo de palha de aço, Blogger virou sinônimo de blog (entendeu o trocadilho, né? Blog da Blogger! Rá, rá, rá...).

Continuem visitando! Rumo aos dois mil! =D

sexta-feira, 13 de março de 2015

Doppelgänger - #63 - Proposta de união.

30 de novembro

6h27

Neige havia descoberto que o encontro dos “Doe” seria. Pelas informações o local seria em Candem Town, um distrito com diversas atrações, inclusive uma das mais tradicionais e famosas feirinhas da cidade Londres. O local era a Triton Square, local de diversas sedes bancarias de Londres. Lá também está o prédio do Santander britânico, entre as diversas instituições bancarias.

Agatha estacionou o carro no edifício número quatro do endereço. Ela vestia uma roupa comum, uma saia folgada, uma blusinha e um casaco pro frio, além de meia calça e uma bolsa grande onde levava armamentos. Tinha uma faca de combate escondida nas costas, embaixo da blusa, para emergências ou se precisar lutar em Close Quarters Combat. Desligou a chave e olhou pelo retrovisor a pessoa que estava sentada no banco traseiro.

“Tá tudo bem aí? Bom, vou deixar você aqui. Pelas pesquisas do Neige, tenho que descer alguns subsolos. Pelas plantas, parece que o local exato é aqui nessa vaga, só que abaixo dela. Vou descer”, disse Agatha.

A pessoa no banco de trás apenas assentiu com a cabeça.

As informações que Neige rastreou indicavam claramente que a reunião aconteceria no sexto andar. Agatha foi em direção do elevador, e quando ia apertar o botão viu que alguém havia encostado, colocando a mão sobre seu ombro.

“Puxa, enfim nos encontramos!”, disse a voz atrás de Agatha.

Quando ela se virou viu ninguém menos que Sara. Com um sorriso malicioso, ela piscou com um dos olhos, como se estivesse brincando, debochando da holandesa. Porém, Agatha estava séria depois dessas investidas. Segurou o braço de Sara e afastou, com firmeza.

“Eu sabia que você estaria aqui”, disse Agatha.

“Onde estão seus amigos?”, disse Sara.

“Eu vim sozinha pra colocar um ponto final nisso”, disse Agatha, tirando da sua bolsa uma Uzi, “O quê o Al e os outros vão fazer pouco me importa”.

Sara deu uma risada alta. Caminhou alguns passos para trás. Todo seu riso era carregado de ironia.

“Gostou da piada que fiz com você naquele dia que você veio me bater? Espero que tenha ao menos dado uma surra naquela francesa de merda por mim”, disse Sara.

“Sim, sim. Por um momento até pensei o quão forte você era no mano-a-mano, e me impressionei. Mas depois vi que era apenas um jogo mental da sua parte”, disse Agatha.

“Quando você vai desistir, Agatha? Eu gosto tanto de você. Você tem esse aroma de mulher madura. Eu só queria uma noite só com você, só uma! Eu te levaria pro céu. Com mulher é muito mais gostoso”, disse Sara.

“Você é doente”, disse Agatha, apontando a arma pra ela.

“Doente? Porquê? Porque sou gay?”, disse Sara.

“Não. Ser gay não é doença, sua anta. Você tem é sérios problemas psicóticos”, disse Agatha.

“Não me faça rir, Agatha. Nós duas somos claramente os maiores alvos da crítica da sociedade. Pessoas podem até aceitar homens gays, mas mulheres gays sempre são alvos de preconceito maior da sociedade. Pessoas não aceitam nossa preferência, nos julgam, dizem que o objetivo da mulher é ser uma máquina de filhos, e que ser gay e não poder conceber, é visto como se deixássemos de ser mulheres. Se um homem é gay, é engraçadinho. Mulheres homossexuais são tratadas pior que animais. Homens homossexuais ainda conseguem ter uma profissão. Mulheres homossexuais, não. O preconceito é muito maior”, disse Sara.

“E eu, sou alvo de que crítica?”, disse Agatha.

“Você? Acha que a sociedade aceita uma mulher como você? Nós mulheres temos tanto desejo quanto homens, mas os homens não conseguem ver que nós temos desejo. Tanto desejo quanto eles. Nós gostamos da coisa também. E você sempre foi assim, nunca teve o peso de ser gay, você é hétero. Nós mulheres não podemos gostar publicamente de sexo. Menos ainda podemos ser gays. Somos alvos desse machismo da sociedade, dessa injustiça!”, disse Sara.

“E o que você propõe?”, disse Agatha, baixando a arma, mas mantendo o olhar fixo em Sara.

“Vamos nos unir, Agatha. Ar está construindo um mundo novo, ele nos dará justiça. Não precisaremos mais ter vergonha dos nossos gostos, de quem somos. Poderemos confiar nos outros”, disse Sara.

“É bizarro ouvir de uma pessoa como você falar de confiança. Não duvido que você está lendo minha mente agora”, disse Agatha.

Sara olhou abismada para Agatha. Por mais que pudesse ler a mente de Agatha, parecia um pouco embaralhada, havia algo diferente nela. Havia algo no subconsciente, mas para ela alcançar aquilo talvez deveria se concentrar mais. Por mais que ela pudesse usar seus poderes psíquicos para ler mentes, ela poderia também desliga-los ao seu bel prazer. E Agatha havia abaixado a arma, talvez pudesse confiar.

“Escuta, eu tô muito afim de terminar logo com isso. Na verdade, eu tô é cansada...”, disse Agatha, “Essa coisa toda do Al não vai ter fim. E aquele retardado do Dawson me torturou até dizer chega. Nataku caiu fora, e acho que seria uma boa eu cair fora também. Mas não posso confiar em você, se você lê minha mente. Eu quero confiar em você, mas preciso que você confie em mim – especialmente respeitando a privacidade da minha mente”.

O coração de Sara havia disparado. Por mais que estivesse em lados diferentes, ela sentia ainda uma grande atração pela Agatha. E sabia da lealdade dela, e todos os bons atos dela na Inteligência. Talvez não ler a mente dela seria realmente um ato de confiança. E quem sabe com essa confiança poderia existir “algo mais” num futuro? Afinal, se fosse rolar com Agatha, deveria ter confiança, que é a base de todo o relacionamento.

Não haveria hora melhor de testar isso. Sara fechou os olhos. Se concentrou por alguns segundos. Abriu os olhos e fitou Agatha.

“Pronto. Não estou lendo sua mente. Eu prometo”, disse Sara.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Livros 2015 #1 - On her majesty's secret service.

Quando fui pra Londres em 2012 foi justo na época que foi lançado o filme 007 Operação Skyfall, e eu na época passando numa livraria comprei alguns livros do Ian Fleming, o criador de James Bond. Comprei "The Man with the Golden Gun" e "On her majesty's secret service". Me arrependi de não ter comprado "The spy who loved me". Na verdade eu acho que me confundi, e comprei por engano o "On her majesty's secret service". Não lembro direito.

Tava encostado na estante o livro. Semana passada tava dando uma olhada e vi o livro lá, e resolvi dar uma chance. Eu não lembro do filme porque o assisti faz um tempo. E existe muita diferença entre o Bond do Ian Fleming e o Bond dos filmes do Broccoli/Saltzman.

Talvez seja pela linguagem da mídia livro, tem como mostrar mais o psicológico do personagem, e como na própria contra-capa do livro diz, esse livro mostra como qualquer outro o que tem dentro da mente de James Bond.

A história é única por um único motivo: James Bond se casa.

Sim. Ele se casa (no filme também).

O livro tem também sua parte de investigação e tudo mais, tem uma trama secreta de armas biológicas para ferrar a agricultura e pecuária mundial pelo Blofeld, tem cenas ótimas de perseguição na neve, mas sem dúvida o maior destaque é... O tal casamento (mas ainda assim é um ótimo livro).

Tereza di Vincenzo é uma menina meio suicida. Gosta de correr com o carro perigosamente, e se meter em jogos de casino sem nem ter um tostão, apenas na base do xaveco. E além disso já foi casada, já chegou a ter até mesmo um filho, morto ainda criança por meningite, e seu pai é o chefão da máfia francesa. Bond a salva de uma tentativa de suicídio e o pai dela, Marc-Ange, pede para que Bond se case com ela.

No começo, Bond declina. Menina problemática é osso. Eu te entendo Bond.

Mas o livro foi escrito pelo Ian Fleming. O cara por mais que tenha virado um escritor já numa idade avançada, ele tinha lá suas referências. E uma delas era William Shakespeare. Muita gente critica o sexo na série James Bond, mas Shakespeare também era o rei da putaria. E Shakespeare foi em muitos casos grande inspiração pro Ian Fleming.

Bom, dizem que não existe ninguém melhor que uma mulher pra entender os sentimentos de outra mulher. No caso, acho que ninguém menos que um homem pra entender os sentimentos de um homem também.

Mais pra frente no livro Bond encontra novamente a Tracy. E mesmo a menina toda problemática, depressiva, Bond tece o seguinte pensamento (vou traduzir meio nas coxas agora, espero que consigam entender):

"Bond então pensou: Diabos! Eu nunca vou encontrar uma garota como essa. Ela tem tudo o que eu sempre busquei numa mulher, ela é bonita, na cama e fora. Ela é aventureira, corajosa, engenhosa. Ela é sempre excitante. Ela parece me amar. Ela me deixaria seguir com minha vida. Ela é uma garota solitária, não atravancada com amigos, relacionamentos, posses. E acima de tudo, ela precisa de mim. E vai ser alguém pra eu cuidar também. Eu estou farto de todos esses casos amorosos sujos, casuais que me deixam de consciência pesada. Eu não me importaria em ter crianças. Eu não tenho nenhum plano de fundo social que ela não iria se manter. Nós somos dois de um par, na verdade. Porque não tornar isso para sempre?"

Pois é. James Bond. Acho que muita gente que não conhece ficaria abismado em ler que isso é uma fala de James F*cking Bond.

Porque Bond queria se casar com ela? Ele teve tantas mulheres. Mas acho que essa descrição que Bond dá é algo que se passa na mente de todos nós homens no momento em que amamos uma mulher. Pelo menos uma vez na vida todo homem deve passar por isso. E isso que torna nossas vidas especial.

É complicado mesmo. Muitas vezes temos muitas flores na nossa vida, acabamos provando muitas delas. Mas, o que faz diferenciar uma no meio de tantas? Talvez só quem passou por algo assim possa entender perfeitamente o que Bond sentiu pela Tracy.

Homens não procuram beleza. Pode ver por aí que grande parte dos homens nunca vai se importar de você estar sempre maquiada, ou sempre de roupas bacanas. Mulheres se arrumam não para arranjar homens, mas para satisfazer a si mesmas, ou parecer mais poderosas para as outras mulheres. Porque nós homens não ligamos tanto para isso.

No final das contas o peito vai cair, a bunda vai ficar mole, a cinturinha da menina de vinte anos vai dar lugar a uma barriguinha e rugas aparecerão. Claro, somos homens, temos tesão, e muitas vezes somos levados pela cabeça de baixo, infelizmente. Mas quando nós encontramos o amor vemos que aparência não é nada. O que importa mesmo é o que tem dentro.

Bond no caso pensou muito no livro. Por muitos capítulos ele ponderou se uma pessoa como a Tracy - suicida, viciada em jogos, carros esportivos, bastante ativa sexualmente e bastante autodestrutiva - com todas essas coisas ainda seria uma boa pessoa para partilhar a vida. E no final das contas, ele aceitou! E sabe porquê? Como ele disse na citação que eu coloquei, para ter alguém para cuidar, e ser cuidado também.

Nós somos seres humanos, nós temos muitos defeitos. E muitas vezes, quando estamos em busca do amor, podemos acabar nos deparando com pessoas que possuem defeitos que nós não gostamos. Pensamos muito sobre essa pessoa, e vemos que muitos desses defeitos que vemos nessas pessoas são defeitos similares aos nossos.

Seria encrenca em dobro, se fôssemos ver pelo lado racional.

Mas por outro lado não haveria oportunidade melhor para crescer do que uma pessoa que tivesse os mesmos defeitos que a gente, pois ambos se esforçariam para melhorar e cuidar do outro. Tracy é quase que um Bond de saia, ela joga, bebe, faz sexo e vive perigosamente exatamente como Bond vive. Só não é espiã. E ainda com todos os problemas similares, Bond viu que era apenas ela com quem ele queria ficar ao lado pra sempre!

E isso é algo que move nós homens muito quando encontramos essa coisa louca chamada amor.

E, por fim, a última questão é quando essa vida nossa masculina de promiscuidade simplesmente cansa. Por um momento nas nossas vidas é legal e tal, mas chega uma hora que queremos sim ficar com apenas uma, e ficar ao lado dessa pra sempre. Podem chamar isso do que quiserem, de instinto de sobrevivência, ou perpetuação da espécie, mas é algo muito mais profundo que isso.

E isso muda quando encontramos A Garota! Acho que nunca consegui falar com tanta propriedade.

Essa garota que você vai rir junto. Essa garota que você vai ficar se sentindo bem ao lado dela. Essa garota que você vai ajudar mesmo quando ela não pedir. Essa garota que você vai escrever cartinhas de amor, ou se declarar pra ela usando toda sua sinceridade. Essa garota que você vai lutar todos os dias pelo coração dela, mesmo que não aja nenhuma esperança.

E ainda assim, porquê lutar?

Simplesmente porque nós não conseguimos imaginar nossa vida sem ela. Bond também fala uma frase similar a isso quando ele reflete sobre a Tracy. Quando encontramos essa pessoa nós fazemos o possível e o impossível para lutar para conquistar o seu coração. Tudo pelo simples motivo de que não vemos felicidade longe de tal pessoa. E essa garra pra lutar é uma coisa que só quem está amando verdadeiramente é capaz de sentir.

E pode ter certeza que essa vontade de querer passar o resto da vida ao lado dessa pessoa vai te fazer querer tudo e mais um pouco para conquistá-la. E isso vai funcionar, com certeza, com 90% das mulheres. E se tentou, com toda sua força e sinceridade, e ainda assim não deu, vou te dar um conselho amigo: cai fora desse barco, porque se depois de toda a sinceridade do seu sentimento, depois de todos os votos de querer ficar ao lado dela, depois de todo o esforço ela ainda vier com papinho, é porque ela tem sérios problemas (psicológicos mesmo, precisa de tratamento, acontece).

É uma furada. Se esforce até o máximo e saia com as mãos limpas de quem se esforçou até o fim. Você não tem motivo nenhum para ficar com consciência pesada. Quem tem problemas é, infelizmente, a menina. Não vale nem ao menos citar um ser como esse, que nos faz nos humilhar, que nos faz lutar em vão. Não vale o esforço. Nem olhar pra cara. Desprezível. Algumas mulheres não tem capacidade de deixar ser conquistada. Ficam fechadas e acham que estão amando, quando não chegaram nem a vislumbrar um sentimento grande e bonito como esse. Você, rapaz, tenha amor próprio e saia desse barco, que sinceridade nenhuma vai mudar uma cabeça engessada. Nada vai tocar esse coração. E ela vai continuar assim, e você, que sabe o que é amor, mesmo com o fora dela, vai ser muito feliz. ;)

Tipo esse cara:


Essa é a prova irrefutável que existe esperança. ;) E que amor de verdade existe. E que vale a pena lutar para conquistar, e vale a pena ouvir a sinceridade da pessoa e dar uma chance para ela.

Mas isso é apenas dez porcento. Os outros noventa porcento dos casos são mulheres legais, com a cabeça no lugar. Vale a pena amar! E lutar pelo amor.

Bom, falei demais, mas vou ser chato e dar um spoiler. Não sei se é spoiler, porque o filme é velho. Quando vira clássico não é mais spoiler, né? Todo mundo sabe que a menina do Psicose morre na ducha.

É uma história LINDA. A maneira como Bond descobre que Tracy é a mulher da sua vida é LINDO. Mas... talvez você, leitor, se pergunte: "Tá, mas o Bond pega muitas mulheres. Ele casou com a Tracy e nas missões comia aquela mulherada toda?" ou poderia perguntar "Então esse livro deve ser tipo um capítulo final, a última missão, né? Porque depois do casamento vem o 'felizes para sempre'?".

Pois é.

Mas no final Tracy, enquanto está indo para sua lua de mel com Bond, com apenas algumas horas de casamento, um carro passa do lado com uma metralhadora e a alveja com vários tiros. Tracy Bond morre. A cena da morte é tristemente linda tanto no filme como no livro. Tem poucas diferenças, mas é basicamente a mesma, até nos diálogos:


"She's just resting. We've got all the time in the world".

Muito triste. :(

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