sexta-feira, 20 de março de 2015

007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)


Sim, eu sei que falei do livro há pouco tempo. E foi interessante ter lido o livro antes de rever o filme! Realmente, esse filme é muito parecido com o livro, salvo as vantagens que cada mídia tem. Tem poucas diferenças, algumas mudanças na ordem dos acontecimentos, mas em suma é bem similar!

O filme foi o quinto da série, lançado em 1969, depois que Sean Connery havia desistido do papel. Acharam o australiano George Lazenby, que não é lá um ator ruim, mas dizem as más línguas que ele era chatão na hora das filmagens, fresco pra caralho. Lazenby faz um Bond sério, parece uma mistura da frieza do Timothy Dalton sem o carisma do mesmo. Mas, apesar dos pesares não ficou um filme ruim! Mas ele presta muitas homenagens à era Sean Connery.


Logo no começo do filme Bond salva a Tracy, até então desconhecida, que ia se matar se jogando no mar. Aparecem uns capangas (que não tem no livro), Bond desce o couro neles, e Tracy acaba fugindo. Nessa hora Bond aparece, olha pra câmera e diz: "This never happened with the other fella!" (imagem acima), se referindo ao Sean Connery (e ao fato de nunca uma BondGirl fugir depois de ter sido salva). Impossível não rir!

O filme é o mais estranho da série. Sabe quando o Link em Majora's Mask acaba caindo em Termina? Como se Termina fosse uma realidade alternativa de Hyurle? É tipo isso que a gente sente vendo esse filme. Parece que é um Bond numa realidade paralela, não duvido que foi divertido pro produtor Broccoli fazer o filme. Sente só o naipe da abertura:



Quarenta e mil referências à era Sean Connery. Tem até uma cena onde o Bond vai pedir demissão pro M e o chefe dele não permite ele se demitir. Aí o James todo revoltadinho vai pro escritório dele e vê objetos usados pelas BondGirls da era Connery. Tem até o facão da Honey Rider do Dr. No! E cada vez que ele pega um objeto a trilha sonora referente aquela lembrança toca.

A sinopse se trata de Bond salvar a Tracy de se matar na praia, joga cassino com ela, e depois a come (nessa ordem). Aí ele volta pro MI6 e diz pro M que vai atrás do Blofeld, e o M o impede, diz que a missão já era. Bond revoltado pede demissão, é negada, mas ainda assim resolve ir atrás do Blofeld sozinho. Tira uma folga, vai pra França, mas é capturado por Marc Ange Draco, mafioso francês, pai da Tracy. Inclusive o Draco pede pra que ele se case com a Tracy! Mas o Bond nesse momento está defecando e andando pra ela (afinal, normalmente é o Bond que dorme com as mulheres e cai fora, no caso da Tracy foi ela que comeu ele e deixou ele vendo navios. Mexeu com o ego do Bond, hahah).

Mas o Marc Ange tem pistas do Blofeld. Então Bond pesquisa e vê que Blofeld mudou de sobrenome e está vivendo em Piz Gloria:


Por mais que isso pareça cenário irreal, é um restaurante e existe de verdade! No livro também fala dele. Um restaurante no meio dos alpes suíços. O filme já é viajado pra caralho, e tem ainda mais essa!

Blofeld usava Piz Gloria como base pra implantar um vírus, chamado vírus Omega em garotas, para que elas infectem o mundo pra onde forem por meio de um transe que ele impôs nelas. Engraçado é que o transe é feito com jogos de luzes e a voz de Blofeld dando ordens e instruções. E mais engraçado ainda é a tecnologia revolucionária de 1969: fitas cassete com as gravações. Hahaha! E tem uma moçadinha aí hoje em dia que nem sabe o que é isso.

Mas é óbvio que o foco do filme é o amor.


(até James Bond é um bobo quando está apaixonado)

Uma coisa que achei legal é que mostra o amor puro, inocente e bobo entre Bond e a Tracy! No livro não tem essas cenas dos dois em love, foi algo a mais que colocarem que super ajudou a fazer sentido melhor ao filme. No livro Bond só se liga dos seus sentimentos pela Tracy depois que ela o salva na cena do ringue de gelo. Mas aqui mostra que havia uma pegação antes. E era mó bonitinho, vai! Nunca você imaginaria Bond apaixonado por alguém, né?

Antes de falar da Tracy (que merecia um post á parte), quero falar das cenas de ação.


Tem muitas cenas de ski, incluindo avalanche. Parece que James Bond + Ski = Avalanche. E ESSE NÃO É O PRIMEIRO FILME QUE ESSA PATIFARIA ACONTECE. Foda que isso fica na cabeça das pessoas, e eu vou pensar que vai cair uma avalanche quando eu andar de ski também.

Logo depois que Bond foge do Piz Gloria e chega na cidade, encontra a Tracy lá. Ela resolve então salvar o seu amado, com sua caranga venenosa. Eles invadem uma corrida fugindo da Irma Blunt e seus capangas, e como 007 é pura zuera, eles ainda ganham a corrida! Deu pra ver que a cena é muito bem coreografada, e apesar de ter bons dublês, não teria a mesma graça sem as boas tiradas da Tracy. Realmente, foram feitos um para o outro!


Agora vamos falar dela! Condessa Teresa di Vicenzo, a.k.a. Tracy. Na primeira cena que Bond fala o nome dela, ela vira pro Bond e fala: "Não me chame de Teresa. Teresa era uma santa. E eu não sou uma santa". Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa!! Ainda bem. Detesto santinhas (essa fala é minha, sou mais sagaz, chupa essa Bond!).

No filme não explica direito, por exemplo, porque raios ela é Condessa. De fato, ela é. No livro explica melhor o jeito e a história dela. A mãe dela (já falecida) era inglesa, e conheceu o mafioso francês Marc Ange quando ela estava fazendo uma pesquisa jornalística. Rolou um pega aqui, pega ali, a mulher ficou embuchada e nasceu a Tracy. Parece que ia ser complicado, já que Marc Ange por mais que fosse um mafioso é também empresário e... Conde. E teve um caso com uma plebeia. Bom, ainda assim Tracy é uma condessa.


No livro ainda fala que Tracy foi casada, perdeu o filho ainda na barriga, e depois seu marido ainda foi morto. Desde então ela vivia uma vida livre, bem no estilo "deixa a vida me levar", jogando, bebendo, transando. Parece um bocado o estilo de vida de James Bond, né? Nem visitava o pai que, óbvio, sentia falta da filha e se preocupava com ela. Até conhecer Bond.

Claro que todo o romance é bonitinho. E durante um bom tempo no filme nem se tem notícias da Tracy. Quando ela aparece de novo é uma cena muito poética: Bond acaba de fugir dos caras de Blofeld, e sabe que eles estão atrás dele. Resumindo: ele tá fodido. Ele senta num ringue de gelo, fica lá de cabeça baixa disfarçando e pedindo pra um milagre tirar ele de lá. Aí uma pessoa com patins para na frente dele, chamando-o. Ele sobe o olhar, e vê...


Tcharam! Tracy! <3 p="">
É bem nessa cena. Ela tá tão linda, sorridente, com um olhar amável, enfim... Parece aquele olhar que nossa namorada nos dá quando nos encontra. É tão bonitinho!

Depois que eles se livram dos capangas do Blodeld, Bond faz até um voto de que não vai ter sexo, começando já no ano novo, até eles se casarem. Os dois estão numa espécie de estábulo, começam dormindo em camas separadas, aí Bond dá um golpe na cama suspensa dela e ela cai nos braços dele. =) O filme se passa bem na época de fim de ano, entre Natal e ano novo. Bond decide abrir uma exceção e fazer um entra-e-sai antes de fazer a promessa do ano novo sem sexo até se casarem, hahaha.



Tracy fala grosso, é mandona, e ninguém segura ela. Mas ainda assim ela usa um vestido que mostra o interior dela gentil e romântico. Ficou bonitinho esse vestido de casamento, né? ;) Por mais que tenham cenas de ação, explosões e seja um filme muito bizarro, ainda assim não tem como não tirar o foco dela.

E claro, como eu já disse, o filme tem o mesmo desfecho trágico do livro. Logo depois de casarem, quando estavam saindo em lua de mel, Tracy diz que era bom o James ser Bond cama (aplausos pro meu trocadalho = trocadilho do caralho!), pois ela queria três meninas e três meninos. Mas eles mal entram na estrada e o carro é alvejado pelo Blofeld e a Irma Blunt. E um dos tiros acerta Tracy na testa.


"Veja só, ela só está descansando. Nós temos todo o tempo do mundo", diz Bond, chocado e triste ao ver sua esposa falecer em seus braços.

Triste. :(

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