sexta-feira, 13 de março de 2015

Doppelgänger - #63 - Proposta de união.

30 de novembro

6h27

Neige havia descoberto que o encontro dos “Doe” seria. Pelas informações o local seria em Candem Town, um distrito com diversas atrações, inclusive uma das mais tradicionais e famosas feirinhas da cidade Londres. O local era a Triton Square, local de diversas sedes bancarias de Londres. Lá também está o prédio do Santander britânico, entre as diversas instituições bancarias.

Agatha estacionou o carro no edifício número quatro do endereço. Ela vestia uma roupa comum, uma saia folgada, uma blusinha e um casaco pro frio, além de meia calça e uma bolsa grande onde levava armamentos. Tinha uma faca de combate escondida nas costas, embaixo da blusa, para emergências ou se precisar lutar em Close Quarters Combat. Desligou a chave e olhou pelo retrovisor a pessoa que estava sentada no banco traseiro.

“Tá tudo bem aí? Bom, vou deixar você aqui. Pelas pesquisas do Neige, tenho que descer alguns subsolos. Pelas plantas, parece que o local exato é aqui nessa vaga, só que abaixo dela. Vou descer”, disse Agatha.

A pessoa no banco de trás apenas assentiu com a cabeça.

As informações que Neige rastreou indicavam claramente que a reunião aconteceria no sexto andar. Agatha foi em direção do elevador, e quando ia apertar o botão viu que alguém havia encostado, colocando a mão sobre seu ombro.

“Puxa, enfim nos encontramos!”, disse a voz atrás de Agatha.

Quando ela se virou viu ninguém menos que Sara. Com um sorriso malicioso, ela piscou com um dos olhos, como se estivesse brincando, debochando da holandesa. Porém, Agatha estava séria depois dessas investidas. Segurou o braço de Sara e afastou, com firmeza.

“Eu sabia que você estaria aqui”, disse Agatha.

“Onde estão seus amigos?”, disse Sara.

“Eu vim sozinha pra colocar um ponto final nisso”, disse Agatha, tirando da sua bolsa uma Uzi, “O quê o Al e os outros vão fazer pouco me importa”.

Sara deu uma risada alta. Caminhou alguns passos para trás. Todo seu riso era carregado de ironia.

“Gostou da piada que fiz com você naquele dia que você veio me bater? Espero que tenha ao menos dado uma surra naquela francesa de merda por mim”, disse Sara.

“Sim, sim. Por um momento até pensei o quão forte você era no mano-a-mano, e me impressionei. Mas depois vi que era apenas um jogo mental da sua parte”, disse Agatha.

“Quando você vai desistir, Agatha? Eu gosto tanto de você. Você tem esse aroma de mulher madura. Eu só queria uma noite só com você, só uma! Eu te levaria pro céu. Com mulher é muito mais gostoso”, disse Sara.

“Você é doente”, disse Agatha, apontando a arma pra ela.

“Doente? Porquê? Porque sou gay?”, disse Sara.

“Não. Ser gay não é doença, sua anta. Você tem é sérios problemas psicóticos”, disse Agatha.

“Não me faça rir, Agatha. Nós duas somos claramente os maiores alvos da crítica da sociedade. Pessoas podem até aceitar homens gays, mas mulheres gays sempre são alvos de preconceito maior da sociedade. Pessoas não aceitam nossa preferência, nos julgam, dizem que o objetivo da mulher é ser uma máquina de filhos, e que ser gay e não poder conceber, é visto como se deixássemos de ser mulheres. Se um homem é gay, é engraçadinho. Mulheres homossexuais são tratadas pior que animais. Homens homossexuais ainda conseguem ter uma profissão. Mulheres homossexuais, não. O preconceito é muito maior”, disse Sara.

“E eu, sou alvo de que crítica?”, disse Agatha.

“Você? Acha que a sociedade aceita uma mulher como você? Nós mulheres temos tanto desejo quanto homens, mas os homens não conseguem ver que nós temos desejo. Tanto desejo quanto eles. Nós gostamos da coisa também. E você sempre foi assim, nunca teve o peso de ser gay, você é hétero. Nós mulheres não podemos gostar publicamente de sexo. Menos ainda podemos ser gays. Somos alvos desse machismo da sociedade, dessa injustiça!”, disse Sara.

“E o que você propõe?”, disse Agatha, baixando a arma, mas mantendo o olhar fixo em Sara.

“Vamos nos unir, Agatha. Ar está construindo um mundo novo, ele nos dará justiça. Não precisaremos mais ter vergonha dos nossos gostos, de quem somos. Poderemos confiar nos outros”, disse Sara.

“É bizarro ouvir de uma pessoa como você falar de confiança. Não duvido que você está lendo minha mente agora”, disse Agatha.

Sara olhou abismada para Agatha. Por mais que pudesse ler a mente de Agatha, parecia um pouco embaralhada, havia algo diferente nela. Havia algo no subconsciente, mas para ela alcançar aquilo talvez deveria se concentrar mais. Por mais que ela pudesse usar seus poderes psíquicos para ler mentes, ela poderia também desliga-los ao seu bel prazer. E Agatha havia abaixado a arma, talvez pudesse confiar.

“Escuta, eu tô muito afim de terminar logo com isso. Na verdade, eu tô é cansada...”, disse Agatha, “Essa coisa toda do Al não vai ter fim. E aquele retardado do Dawson me torturou até dizer chega. Nataku caiu fora, e acho que seria uma boa eu cair fora também. Mas não posso confiar em você, se você lê minha mente. Eu quero confiar em você, mas preciso que você confie em mim – especialmente respeitando a privacidade da minha mente”.

O coração de Sara havia disparado. Por mais que estivesse em lados diferentes, ela sentia ainda uma grande atração pela Agatha. E sabia da lealdade dela, e todos os bons atos dela na Inteligência. Talvez não ler a mente dela seria realmente um ato de confiança. E quem sabe com essa confiança poderia existir “algo mais” num futuro? Afinal, se fosse rolar com Agatha, deveria ter confiança, que é a base de todo o relacionamento.

Não haveria hora melhor de testar isso. Sara fechou os olhos. Se concentrou por alguns segundos. Abriu os olhos e fitou Agatha.

“Pronto. Não estou lendo sua mente. Eu prometo”, disse Sara.

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