quarta-feira, 11 de março de 2015

Livros 2015 #1 - On her majesty's secret service.

Quando fui pra Londres em 2012 foi justo na época que foi lançado o filme 007 Operação Skyfall, e eu na época passando numa livraria comprei alguns livros do Ian Fleming, o criador de James Bond. Comprei "The Man with the Golden Gun" e "On her majesty's secret service". Me arrependi de não ter comprado "The spy who loved me". Na verdade eu acho que me confundi, e comprei por engano o "On her majesty's secret service". Não lembro direito.

Tava encostado na estante o livro. Semana passada tava dando uma olhada e vi o livro lá, e resolvi dar uma chance. Eu não lembro do filme porque o assisti faz um tempo. E existe muita diferença entre o Bond do Ian Fleming e o Bond dos filmes do Broccoli/Saltzman.

Talvez seja pela linguagem da mídia livro, tem como mostrar mais o psicológico do personagem, e como na própria contra-capa do livro diz, esse livro mostra como qualquer outro o que tem dentro da mente de James Bond.

A história é única por um único motivo: James Bond se casa.

Sim. Ele se casa (no filme também).

O livro tem também sua parte de investigação e tudo mais, tem uma trama secreta de armas biológicas para ferrar a agricultura e pecuária mundial pelo Blofeld, tem cenas ótimas de perseguição na neve, mas sem dúvida o maior destaque é... O tal casamento (mas ainda assim é um ótimo livro).

Tereza di Vincenzo é uma menina meio suicida. Gosta de correr com o carro perigosamente, e se meter em jogos de casino sem nem ter um tostão, apenas na base do xaveco. E além disso já foi casada, já chegou a ter até mesmo um filho, morto ainda criança por meningite, e seu pai é o chefão da máfia francesa. Bond a salva de uma tentativa de suicídio e o pai dela, Marc-Ange, pede para que Bond se case com ela.

No começo, Bond declina. Menina problemática é osso. Eu te entendo Bond.

Mas o livro foi escrito pelo Ian Fleming. O cara por mais que tenha virado um escritor já numa idade avançada, ele tinha lá suas referências. E uma delas era William Shakespeare. Muita gente critica o sexo na série James Bond, mas Shakespeare também era o rei da putaria. E Shakespeare foi em muitos casos grande inspiração pro Ian Fleming.

Bom, dizem que não existe ninguém melhor que uma mulher pra entender os sentimentos de outra mulher. No caso, acho que ninguém menos que um homem pra entender os sentimentos de um homem também.

Mais pra frente no livro Bond encontra novamente a Tracy. E mesmo a menina toda problemática, depressiva, Bond tece o seguinte pensamento (vou traduzir meio nas coxas agora, espero que consigam entender):

"Bond então pensou: Diabos! Eu nunca vou encontrar uma garota como essa. Ela tem tudo o que eu sempre busquei numa mulher, ela é bonita, na cama e fora. Ela é aventureira, corajosa, engenhosa. Ela é sempre excitante. Ela parece me amar. Ela me deixaria seguir com minha vida. Ela é uma garota solitária, não atravancada com amigos, relacionamentos, posses. E acima de tudo, ela precisa de mim. E vai ser alguém pra eu cuidar também. Eu estou farto de todos esses casos amorosos sujos, casuais que me deixam de consciência pesada. Eu não me importaria em ter crianças. Eu não tenho nenhum plano de fundo social que ela não iria se manter. Nós somos dois de um par, na verdade. Porque não tornar isso para sempre?"

Pois é. James Bond. Acho que muita gente que não conhece ficaria abismado em ler que isso é uma fala de James F*cking Bond.

Porque Bond queria se casar com ela? Ele teve tantas mulheres. Mas acho que essa descrição que Bond dá é algo que se passa na mente de todos nós homens no momento em que amamos uma mulher. Pelo menos uma vez na vida todo homem deve passar por isso. E isso que torna nossas vidas especial.

É complicado mesmo. Muitas vezes temos muitas flores na nossa vida, acabamos provando muitas delas. Mas, o que faz diferenciar uma no meio de tantas? Talvez só quem passou por algo assim possa entender perfeitamente o que Bond sentiu pela Tracy.

Homens não procuram beleza. Pode ver por aí que grande parte dos homens nunca vai se importar de você estar sempre maquiada, ou sempre de roupas bacanas. Mulheres se arrumam não para arranjar homens, mas para satisfazer a si mesmas, ou parecer mais poderosas para as outras mulheres. Porque nós homens não ligamos tanto para isso.

No final das contas o peito vai cair, a bunda vai ficar mole, a cinturinha da menina de vinte anos vai dar lugar a uma barriguinha e rugas aparecerão. Claro, somos homens, temos tesão, e muitas vezes somos levados pela cabeça de baixo, infelizmente. Mas quando nós encontramos o amor vemos que aparência não é nada. O que importa mesmo é o que tem dentro.

Bond no caso pensou muito no livro. Por muitos capítulos ele ponderou se uma pessoa como a Tracy - suicida, viciada em jogos, carros esportivos, bastante ativa sexualmente e bastante autodestrutiva - com todas essas coisas ainda seria uma boa pessoa para partilhar a vida. E no final das contas, ele aceitou! E sabe porquê? Como ele disse na citação que eu coloquei, para ter alguém para cuidar, e ser cuidado também.

Nós somos seres humanos, nós temos muitos defeitos. E muitas vezes, quando estamos em busca do amor, podemos acabar nos deparando com pessoas que possuem defeitos que nós não gostamos. Pensamos muito sobre essa pessoa, e vemos que muitos desses defeitos que vemos nessas pessoas são defeitos similares aos nossos.

Seria encrenca em dobro, se fôssemos ver pelo lado racional.

Mas por outro lado não haveria oportunidade melhor para crescer do que uma pessoa que tivesse os mesmos defeitos que a gente, pois ambos se esforçariam para melhorar e cuidar do outro. Tracy é quase que um Bond de saia, ela joga, bebe, faz sexo e vive perigosamente exatamente como Bond vive. Só não é espiã. E ainda com todos os problemas similares, Bond viu que era apenas ela com quem ele queria ficar ao lado pra sempre!

E isso é algo que move nós homens muito quando encontramos essa coisa louca chamada amor.

E, por fim, a última questão é quando essa vida nossa masculina de promiscuidade simplesmente cansa. Por um momento nas nossas vidas é legal e tal, mas chega uma hora que queremos sim ficar com apenas uma, e ficar ao lado dessa pra sempre. Podem chamar isso do que quiserem, de instinto de sobrevivência, ou perpetuação da espécie, mas é algo muito mais profundo que isso.

E isso muda quando encontramos A Garota! Acho que nunca consegui falar com tanta propriedade.

Essa garota que você vai rir junto. Essa garota que você vai ficar se sentindo bem ao lado dela. Essa garota que você vai ajudar mesmo quando ela não pedir. Essa garota que você vai escrever cartinhas de amor, ou se declarar pra ela usando toda sua sinceridade. Essa garota que você vai lutar todos os dias pelo coração dela, mesmo que não aja nenhuma esperança.

E ainda assim, porquê lutar?

Simplesmente porque nós não conseguimos imaginar nossa vida sem ela. Bond também fala uma frase similar a isso quando ele reflete sobre a Tracy. Quando encontramos essa pessoa nós fazemos o possível e o impossível para lutar para conquistar o seu coração. Tudo pelo simples motivo de que não vemos felicidade longe de tal pessoa. E essa garra pra lutar é uma coisa que só quem está amando verdadeiramente é capaz de sentir.

E pode ter certeza que essa vontade de querer passar o resto da vida ao lado dessa pessoa vai te fazer querer tudo e mais um pouco para conquistá-la. E isso vai funcionar, com certeza, com 90% das mulheres. E se tentou, com toda sua força e sinceridade, e ainda assim não deu, vou te dar um conselho amigo: cai fora desse barco, porque se depois de toda a sinceridade do seu sentimento, depois de todos os votos de querer ficar ao lado dela, depois de todo o esforço ela ainda vier com papinho, é porque ela tem sérios problemas (psicológicos mesmo, precisa de tratamento, acontece).

É uma furada. Se esforce até o máximo e saia com as mãos limpas de quem se esforçou até o fim. Você não tem motivo nenhum para ficar com consciência pesada. Quem tem problemas é, infelizmente, a menina. Não vale nem ao menos citar um ser como esse, que nos faz nos humilhar, que nos faz lutar em vão. Não vale o esforço. Nem olhar pra cara. Desprezível. Algumas mulheres não tem capacidade de deixar ser conquistada. Ficam fechadas e acham que estão amando, quando não chegaram nem a vislumbrar um sentimento grande e bonito como esse. Você, rapaz, tenha amor próprio e saia desse barco, que sinceridade nenhuma vai mudar uma cabeça engessada. Nada vai tocar esse coração. E ela vai continuar assim, e você, que sabe o que é amor, mesmo com o fora dela, vai ser muito feliz. ;)

Tipo esse cara:


Essa é a prova irrefutável que existe esperança. ;) E que amor de verdade existe. E que vale a pena lutar para conquistar, e vale a pena ouvir a sinceridade da pessoa e dar uma chance para ela.

Mas isso é apenas dez porcento. Os outros noventa porcento dos casos são mulheres legais, com a cabeça no lugar. Vale a pena amar! E lutar pelo amor.

Bom, falei demais, mas vou ser chato e dar um spoiler. Não sei se é spoiler, porque o filme é velho. Quando vira clássico não é mais spoiler, né? Todo mundo sabe que a menina do Psicose morre na ducha.

É uma história LINDA. A maneira como Bond descobre que Tracy é a mulher da sua vida é LINDO. Mas... talvez você, leitor, se pergunte: "Tá, mas o Bond pega muitas mulheres. Ele casou com a Tracy e nas missões comia aquela mulherada toda?" ou poderia perguntar "Então esse livro deve ser tipo um capítulo final, a última missão, né? Porque depois do casamento vem o 'felizes para sempre'?".

Pois é.

Mas no final Tracy, enquanto está indo para sua lua de mel com Bond, com apenas algumas horas de casamento, um carro passa do lado com uma metralhadora e a alveja com vários tiros. Tracy Bond morre. A cena da morte é tristemente linda tanto no filme como no livro. Tem poucas diferenças, mas é basicamente a mesma, até nos diálogos:


"She's just resting. We've got all the time in the world".

Muito triste. :(

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