sexta-feira, 24 de abril de 2015

007 contra a Chantagem Atômica (1965)



Outro nome complicadinho! Em inglês soa tão estranho como A view to a kill, mas nada que uma pesquisa não explique. 007 contra a Chantagem Atômica, e seu título original, Thunderball não significa um ataque do Pikachu de Pokémon. Menos ainda choque nos testículos. Thunderball era um nome popular que soldados americanos deram pra descrever uma bomba atômica enquanto testavam ainda no Projeto Manhattan. Uma "trovão dentro de uma bola", referindo-se ao grande flash que acontecia depois que a bomba atômica redondinha explodia.

O filme foi um dos únicos filmes da franquia que ganhou um Academy Awards (o popular Oscar). Esse filme foi vencedor na categoria melhores efeitos especiais, competindo com "A maior história de todos os tempos", um filme de 1965 contando a história de Jesus. Outro Oscar ficou com 007 contra Goldfinger com melhor Edição de Som (o Oscar mais sem graça, reservado aos filmes que o povo gosta, mas a Academia não curte) e outros dois prêmios pro atual 007 Operação Skyfall, com Edição de Som e um super merecido Oscar de melhor canção tema, obra de uma das melhores vozes da atualidade, a gordinha Adele. Quatro Academy Awards e contando!

O filme teve algumas tretas que o processo foram terminar só recentemente. Calma, vou explicar:


Parece que Ian Fleming havia escrito o roteiro de 007 contra a Chantagem Atômica baseado numa peça de teatro que ele havia escrito junto com Kevin McClory e Jack Whittingham. Ian Fleming adaptou os personagens e lançou como se estivesse escrito por ele. Thunderball era pra ter sido o primeiro filme de James Bond, mas por causa dessa treta aí acabaram adiando por anos. Fleming, o autor original, foi processado por McClory e tudo mais, e tiveram até que colocar na abertura do filme que foi baseado numa obra de Fleming, Whittingham e McClory, e não apenas Fleming (por mais que o livro só tivesse o nome dele).

Acontece que o filme foi um sucesso, ultrapassando até Goldfinger, o anterior. Só que McClory e Whittingham queriam os direitos da coisa, a fatia do bolo. E, enfim, em 1983, eles conseguiram verba e direitos de filmar a sua versão de Thunderball, agora com o nome 007 Nunca mais outra vez (Never say never again), cujo pôster está acima, com Connery de volta ao papel e até a Kim Bassinger como a Domino, a BondGirl.

E esse impasse dos direitos só foi resolvido agora, em 2013. Em 1997 a MGM comprou a Orion Pictures, e em 2013 a McClory Estate chegou em acordo com a EON devolvendo os direitos das marcas Thunderball, Ernst Stravo Blofeld e SPECTRE de volta pra EON. Ainda assim, "Nunca mais outra vez" não faz parte do cânon oficial da MGM/EON.

Agora com os direitos de volta às mãos da EON, curiosamente, depois de quase cinquenta anos vão lançar um novo filme chamado SPECTRE. Chega em novembro desse ano, novo filme de James Bond, com o Daniel Craig.

Bom, vamos falar do filme agora? O filme começa bem, com James Bond participando de um funeral e depois dando um murro na cara da viúva:


É uma cena bem chocante. James Bond batendo sem dó numa mulher. Porém, tudo faz parte da magia do cinema, e na mesma cena mais pra frente descobrimos que essa mulher tinha barba. E provavelmente tinha um pinto também (abaixo).

Na verdade a viúva era apenas um disfarce, tinha um homem lá, lutando contra James Bond usando saia e até salto alto. É uma cena tórrida, hahaha:


Hahaha! Duvida? Olhe com seus próprios olhos aqui.

O filme tem uma das bugigangas mais famosas, que até hoje é o sonho de muita gente ter um. Logo no começo, para fugir de uns bandidos, Bond usa uma exclusiva mochila a jato:


Alguém tem noção disso? E ainda mais porque o filme foi feito em 1965! Há cinquenta anos e nós ainda não temos uma dessas no supermercado. Que futuro de bosta nós vivemos, haha! Parece que os produtores do filme contrataram uma das únicas duas pessoas no mundo naquela época que sabiam pilotar uma belezinha voadora dessas, que tinha uma autonomia de voo que poucos minutos.

É mais um filme que conta com os vilões clássicos da SPECTRE, a organização terrorista antagonista da série. Aqui o vilão principal é Emilio Largo, o número 2. Mostra até uma cena com uma reunião bacana deles planejando como destruir o mundo. Se mudassem os diálogos, pareceria uma cena saída do Austin Powers:


O título em português é perfeito. Realmente existe uma chantagem atômica, pois mostra logo no início do filme duas bombas nucleares sendo roubadas e o próprio Emilio Largo pedindo 100 milhões de libras esterlinas em forma de diamantes para que as bombas não sejam detonadas. É um dos roteiros mais verossímeis da franquia, e depois que nós vemos o filme temos uma certeza: Thunderball é um filme bem pé no chão, bem realista. Até demais.

Engraçado que mesmo cinquenta anos depois a gente ainda vive com medo de algo exatamente assim acontecer, de bombas nucleares acabarem nas mãos de pessoas que irão usá-las para chantagear o mundo.


O filme conta com a primeira vilã (gostosa) da série! A maquiavélica Fiona Volpe, femme fatale, com seus peitões igual melões, uma agente da SPECTRE, que sempre tá junta de capangas pra surrar o Bond (ela tem classe, não sujaria suas mãos lavadas com Dettol).

Nem é preciso dizer que ela trabalha junto com o vilão Largo. Bond tenta usá-la para chegar até Largo, mas na verdade era o próprio Bond que era sempre usado por ela, que com sua genialidade sempre estava a um passo na frente de Bond. Exceto numa cena em um hotel onde Bond entra no quarto dela e a pega numa situação... Não muito vantajosa pra ela:


"Since you're here, would you mind giving me something to put on?"

E Bond dá apenas o par de sandálias pra ela, hahaha, com um risinho de "vou te comer daqui a pouco, sua danadinha", hahaha. Essa é uma das melhores cenas de toda a série! A cara dela é sensacional também!

Tem uma cena de briefing, onde ficam sabendo da tal chantagem atômica da SPECTRE, onde M chama todos os agentes 00. É curioso que Bond senta justamente na sétima cadeira (007, dã!), e é o filme que mais mostra os outros agentes 00 em toda a série, mesmo que nenhum deles tenham um importância relevante na história. Parece que o único que trabalha aí nessa bagaça é o 007.


Foco na tecnologia da época. Fita magnética, hehe!

O filme tem muitas cenas submarinas. Muitas. Mas não é chato, porque sempre tem uma música, uns sons abafados de baixo d'água, e coisa e tal. Difícil de escolher a melhor, mas vou ficar com a cena em que Bond se infiltra junto com os homens de Largo que estavam movendo a bomba nuclear pra ser usada e descobrem que aquele mergulhador (Bond) não é da turma deles... É uma cilada, Bino!


Tem uma outra cena sensacional quando Bond está jogando poker com o Largo. Como se não bastasse cada um estar de um lado diferente da rolada (o que já causaria muita treta), Bond ainda faz questão de humilhar o cara no poker.


Estão jogando um jogo que quem tiver o número maior vence. E Bond sempre vence por um, não importa o número Largo tire. Por isso ele fica com essa cara de bunda (acima) com a mão boa de Bond e as cartas.

Outro fato que eu não gostei muito é que a BondGirl, a Domino (acima), parece muito com a vilã Fiona Volpe. Poderiam ter colocado uma outra atriz, mais diferente. Na cena em que a Fiona Volpe morre eu pensava que era a Domino que havia morrido, pois as duas são muito parecidas. Aí saquei que pra diferenciar o esquema pode ser a pinta que a Domino tem no rosto.

E a trilha sonora? Yes, nós temos batata!


Quem assina a canção tema é olha só, um homem (sem ironia)! Tom Jones canta Thunderball. Li por aí que o cara desmaiou enquanto segurava ao máximo a última nota da canção! A música é bem legal, mas como se não bastasse isso, o resto da trilha sonora é muito bem bolada.

Isso parece meio óbvio nos filmes atuais que tem muita música de fundo, mas estamos falando da década de sessenta, e nem todos os filmes, especialmente os policiais, tinham tanta música de fundo. Mesmo os filmes de James Bond dessa época são muitas vezes dominado por apenas silêncio e as falas dos personagens.

007 contra a Chantagem Atômica foi além, e tem uma trilha sonora riquíssima, muito bem produzida por John Barry. Se ganhou um Oscar nos efeitos, eu daria um Oscar na melhor trilha sonora também.

Enfim, eu gosto muito desse filme. É o último de Sean Connery que farei a resenha (sim, já fiz todos do Connery!), e deixei meu segundo favorito no final. Sim, eu ainda prefiro Goldfinger na era Connery, mas por muito, muito pouco mesmo. 007 contra a Chantagem Atômica é muito, mas muito bom mesmo.


Achou que eu ia esquecer dessa vez da BondGirl? Dominique Derval, para os íntimos Domino (Claudine Auger), um nome forte pra uma mulher igualmente forte. Dá até arrepios só de lembrar dela!

A Domino é aquele tipo de mulher que você luta desesperadamente pra conquistar o coração dela. E quando enfim você chega lá, você descobre que era incrivelmente melhor do que você pensava, e ela te deixa no paraíso. Domino durante grande parte do filme fica evitando e dando botas em Bond até dizer chega. Ela, junto da Volpe, são duas mulheres que estão ligadas ao Largo, e Bond precisa de ajuda delas pra evitar que as bombas nucleares sejam detonadas.


E ela fica durante muito tempo sem se render a Bond e nem mesmo ajudá-lo pois ela é amante do Largo. O momento em que ela vê a furada em que ela tá metida é quando ela descobre que seu irmão havia sido seduzido pela Volpe, e depois morto por ela (vídeo acima), e isso desperta a revolta na mulher que resolve enfim colaborar com Bond pra pegar Largo no seu navio, o Disco Volante.

Alguém tem noção que, pelo menos nesse filme, o destino do mundo entrar em um colapso nuclear estava nas mãos dessa beldade aqui? Realmente uma mulher de matar!


Tem uma cena bem chocante (acima) que é depois que Largo descobre que ela o traiu, quando a pega com um contador Geiger, usado pra medir radioatividade, enquanto ela descobria em que lugar do navio o Largo esconde as bombas. Sim, ele a tortura queimando a menina com seu cigarro acesso e depois aplicando gelo na ferida.

Dois extremos, frio e quente, e é uma cena bem chocante, por mais que a câmera não mostre nada de maneira explícita. Se hoje eu vi e achei chocado, imagina lá em 1965?


Domino é uma BondGirl dona do seu nariz. Muita atitude. O filme tem muitas cenas subaquáticas, mas é papel da Domino nos deixar sem ar toda vez que aparece. E olha que a atriz, Claudine Auger, ela foi Miss França em 1958! Parece que a atriz tinha muito sotaque falando inglês, e tiveram que trazer de volta a Nikki van der Zyl, que dublou a Ursula Andress em Dr No de volta. Mas nem parece dublado! Foi muito bem feito.

Poxa, Domino... Tantos anos nos separam. Realmente eu nasci na época errada. Você poderia ser minha vovó. :(

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog