quarta-feira, 1 de abril de 2015

007 contra GoldenEye (1995)


Oba! GoldenEye. É um dos meus favoritos, mas também tem um apelo emocional pra mim, pois foi o primeiro filme de James Bond que eu vi! Eu alugava na locadora e via direto, havia decorado as falas (e sim, eu ainda lembro de 90% delas ainda hoje), e enfim, é impossível eu assistir sem um pouco de saudosismo. Pessoas da minha geração também viram primeiro esse filme (ou apenas esse), afinal o filme foi lançado depois de um hiatus de seis anos desde 007 - Permissão para matar (1989) e achavam que Bond acabaria junto da Guerra Fria.

Mas não! Aliás, o filme mostra bem como estava o climão do mundo depois da União Soviética cair. O maior medo era um russo boludo aparecer e tomar as armas nucleares e começar uma guerra. Hoje, vinte anos depois do filme ser lançado, nós damos risadas dos russos em videocassetadas no youtube ou apreciamos as diversas atrizes pornôs loiras, lindas e peitudas que esse país gera. Mas em 1995 a coisa era bem diferente.

Ao rever o filme agora uma coisa me chamou a atenção: É UM FILME COM TROCENTOS TROCADALHOS (trodacalho = trocadilho do caralho). Portanto, a cada cena que eu vou comentar, vou comentar o "trocadalho" da cena. First things first! Alguns vídeos peguei de um canal do youtube chamado GoldenEye Dossier. Créditos deles!

Vou começar pela Gunbarrel.


Anos noventa e computação gráfica! Isso foi muito bom, porque eu nunca imaginava que era um cano de uma arma apontando pra James Bond (talvez essa informação vai chocar muita gente também que não imaginava isso).


Mas eu vou confessar algo que provavelmente apenas eu achava que a Gunbarrel era. Eu achava que a Gunbarrel era uma... ÁGUIA. Foi apenas em GoldenEye que eu descobri que era a porra dum cano de uma arma, e não uma águia de perfil. Afinal, se fosse um cano de arma seria como o Gunbarrel do GoldenEye, a luz ia incidindo e mudando o desenho interno! E não essa coisa fixa das Gunbarrel anteriores.


O filme começa no passado, quando existia ainda URSS, com a famosa cena do Bungee Jump em uma represa. Pouca gente sabe, mas a represa na verdade é na Suíça, e SIM, você pode saltar (e eu JAMAIS saltaria, nem fudendo).

A primeira cena de um ator quando assume o papel de James Bond é sempre icônica. E a de Pierce Brosnam não poderia ser diferente. Invade a tal fábrica de armas químicas na União Soviética, vai pelos dutos de ar condicionado e fica lá, dependurado, cheirando o cocô do soldado perestroika passando um fax pro doutor Barroso.

Trocadalho #1
"I beg your pardon, forgot to knock!"
Ele poderia ter falado QUALQUER COISA. O soviético poderia ter gritado de susto. Mas não... Ironia de James Bond em ação. "Me perdoe, esqueci de bater!". Esse "bater" é tanto relacionado a bater na porta pra entrar, como também bater na cara do pobre russo que só deus sabe se ele falava inglês pra entender.

Depois da cena do começo, e a "morte" do Alec Trevelyan, o 006, começa a música inesquecível do filme, na voz de Tina Turner e letra do Bono e o The Edge. Uma parceria épica!

Eu poderia ficar aqui uma meia hora comentando o clipe de abertura do filme, mas basicamente é a queda da União Soviética, muito peito, muita bunda, muito fogo, muita arma e um tiozinho de smoking andando por aí. Se você reparar, é quase um resumo do filme. Tem até Janus, o vilão, em um momento. O deus romano de duas cabeças.


Eu tava revendo o filme com a minha mãe, e quando ela viu essa cena ela na hora disse: "Olha, a menina do X-men novinha!". Sim, gente. Famke Janssen, novinha, gatinha e uma das vilãs mais psycho da franquia James Bond. Se bem que mesmo depois de uns 20 anos ela ainda tá muito, muito, muito bonita ainda. Porque a matou, Wolverine? :(

Aí vem a cena do cassino. Bond joga truco, seis, nove, doze, aposta o toba e perde. Xenia, com o toba de Bond nas mãos (ou não!) sai p* da vida da mesa e Bond vai lá se apresentar. E temos a cena pra mais um trocadalho do filme:


Trocadalho #2
Xenia: "Thank you, mister...?"
Bond: "Bond, James Bond"
Xenia: "Xenia Zaragevna Onatopp"
Bond: "On a top?"
Xenia: "Onatopp"
Bond confunde Onatopp (o sobrenome da bichinha) com "On a top", posição sexual onde a mulher fica por cima. Curiosamente a posição sexual preferida da personagem, inclusive quando ela tenta matar o Bond cenas pra frente. Engraçado que até mesmo a Moneypenny brinca com o sobrenome da Xenia quando manda um relatório sobre ela pro Bond, na cena seguinte. "I'm sure you'll be 'onatopp' everything, James". Bullying extremo.
Xenia mata o tiozinho que ela tá dando uns pegas, Bond vai na fragata no outro dia e vê que haviam matado o velho. Xenia foge junto com Ourumov com o helicóptero Tiger, um helicóptero Stealth, invisível a radares.

A próxima cena é onde conhecemos a BondGirl, Natalia Simonova (Izabella Scorupco)! Ela é programadora no norte da Rússia. E esse filme prova que não é apenas James Bond que é capaz de cria trocadalhos. Coadjuvantes também têm sua parcela de trocadalhos!


Trocadalho #3
"Alright, I'll give you a hint. They're right in front of you and can open very large doors."
KNOCKERS, digitado por Boris.
Boris sempre dá dicas pra que descubram suas senhas. E ele sempre coloca coisas idiotas como senha, como fazíamos nos anos noventa. Quem nunca colocou uma senha idiota naquele tempo de net discada? "Eles estão na sua frente, e podem abrir muitas portas". Knockers é uma forma meio ofensiva de chamar "seios", porque é uma brincadeira do verbo "to knock", o verbo "bater", especialmente em portas (knock the door).
E aí que sabemos o que tá rolando na trama! Como eu disse, o maior medo do povo nos anos noventa eram as armas soviéticas nas mãos dos russos causarem alguma guerra por aí. E depois que Xenia e Ourumov percorrem com helicóptero a distância de Mônaco até a Sibéria (oq?) ativam o satélite GoldenEye, que lança um pulso eletromagnético destruindo quaisquer circuitos elétricos no alvo (no caso, alvo foi Severnaya). Boris é levado por Ourumov, e Natalya é a única sobrevivente.

Mas a cena mais legal é quando a nova M aparece. Sim, senhoras e senhoras, a dama inglesa Judi Dench:


Mudar o ator de James Bond não é apenas um momento de mudança, mas mudar a produtora também. E temos aqui a filha do Cubby Broccoli, Barbara Broccoli, como produtora dos filmes de James Bond. E com a Barbara, diminuiu um pouco a imagem machista do MI6, colocando M como uma mulher comendo o rabo de Bond.

Colocar uma mulher como a M, a chefe de 007, é muito, mas muito legal. Justo as mulheres que Bond mais as usa. E claro que o discurso da M é quase que um desabafo feminino sobre a maneira de Bond tratar as mulheres:

I think you're a sexist, misogynist dinosaur. A relic of the Cold War, whose boyish charms, though wasted on me, obviously appealed to that young woman I sent out to evaluate you.

Épico. Judi Dench nasceu pra ser a M. Uma pena que se aposentou em Skyfall. Depois é a cena lendária com o Q. Outra cena que tem muitos trocadalhos, mas vou destacar um que rola a partir dos 1m58 desse vídeo:


Trocadalho #4
Bond: "Always said the pen was mighter than the sword." 
Q: "Thanks to me they were right."
[Depois de explodir a caneta explosiva,]
Q: "Don't say it..." 
James Bond: "The writing's on the wall?"
Tem um ditado inglês que a caneta é mais forte que a espada, afinal é com a caneta que as decisões são assinadas, mesmo que em combate uma caneta não surta muito efeito (exceto se você é o Coringa, no Batman). Mas o mais legal é o Q, pronto pra um trocadalho do Bond dizer "Não fale nada!", e Bond soltar um "O destino dele estava escrito na parede?", hahaha. Genial.
Bond vai pra São Petersburgo, ao encontro de Jack Wade. Olha só, eu conheço esse cara! Jon Don Baker, que inclusive foi vilão em 007 - Marcado para a morte. Apareceu de volta pra ser novamente um americano - mas sem ligação alguma com o vilão do outro filme. Bond tenta achar alguém que o leve até Janus, que quer ativar o GoldenEye.


O contato é Valentin Zukovsky (acima). O ator que mais tarde ficaria famoso no papel de Hagrid, na série Harry Potter! Ele decide ajudar Bond a encontrar Janus, mas antes, uma pausa pra mais um trocadalho desse filme!

Trocadalho #5
"James Bond. Charming, sofisticated, secret agent. Shaken, but not stirred".
HAHAHAHA! Chupa essa, Bond! Valentin começa elogiando o cara, mas no final solta o melhor: "Batido, não mexido". É um dos bordões de James Bond. A bebida de James Bond é Vodka Martini, batido, não mexido (além de ser um dos bordões dele). Esse bater ou mexer é a forma de misturar a vodka e vermouth pra fazer o drink. James Bond gosta de batido, isso é, naquele copo de metal que barman usa. Se fosse mexido, seria num copão de vidro e misturado ali mesmo com uma colher, sem bater.
E aí Bond vai se preparar pro encontro com Janus dando uma nadada na piscina do hotel. Quando... Tcharam! Xenia aparece e os dois começam a se bater (abaixo). E a Xenia bate forte! Bond ganha pro pouco.


Os dois começam a brigar na porra duma sauna. E, bom, essa era Pierce Brosnam é uma putaria só. Como se não bastassem as cenas de sexo serem bem mais explícitas do que com os outros atores, a Xenia Onatopp é das que ficam gemendo enquanto matam o cara estrangulando com as pernas. Você nunca mais vai fazer o bom e velho papai-e-mamãe de novo. Pelo menos não com ela.

Trocadalho #6
Xenia: "You don't need the gun, commander".
Bond: "Well, that depends on your definition of safe sex."
Eu fico vendo esse filme e a questão não é Bond ter carros, escapar de explosões ou comer muita mulher. E sim, como é possível um ser humano ter uma língua tão afiada? Imagina a cena: uma mulher psycho vem TE MATAR na porra duma SAUNA. Você consegue se safar dela, saca sua arma pra se defender, e ela diz: "Você não precisa da arma, comandante", e Bond responde: "Depende da sua definição de sexo seguro". O que eu faria depois de apontar a arma pra ela se ela estivesse prestes a me matar? Eu ia gritar: "PARADA AÍ CARALHO, SENÃO EU TE MATO SUA DESGRAÇADA!". Isso seria bem comum. Ainda mais depois dela tentar me matar.
Bond vai então ao encontro de Janus. E olha só quem volta dos mortos! Alec Trevelyan, o 006. Mas o curioso aqui não é apenas o Alec não ter morrido. E sim ter o Sean Bean no seu papel, cara! Sean Bean, o cara que em todo filme que faz, morre. E em GoldenEye, não satisfeito em apenas morrer, morre no começo, resurge, e no final, morre de novo!

Esse poster define a carreira de Sean Bean. #RIP


Alec conta seu plano satânico de destruição do mundo, mas tem mais um elemento histórico aí. Alec é filho dos cossacos de Lienz. Tio Alain, o que são cossacos de Lienz? Primeiro, não são pessoas que gostam de coçar vossos testículos. Cossacos eram basicamente russos que lutavam contra a União Soviética na Segunda Guerra Mundial, querendo especialmente derrubar Stalin. Acabou a Guerra, eles moravam na Terra da Rainha exilados, e o Reino Unido os deportou para Lienz, na Austria, entregando de bandeja os traidores de volta pra Stalin que, obviamente, nem preciso dizer o que ele fez com o cossacos.

E essa é a vingança do Trevelyan. O alvo dele é o Reino Unido. Vingança.

Depois Bond recebe um dardo tranquilizante, cai, acorda no helicóptero roubado lá prestes a lançar um míssil, tendo como alvo... O próprio helicóptero. Bond escapa ejetando a cabine e de quebra salva a Natalya, que também estava lá, no helicóptero. Bond é preso e interrogado na prisão. Começa um tiroteiro, Bond foge com a Natalya, mas a perde. Olha pra garagem e vê um veículo legal de se usar. A cena fala por si mesma:


Acho épica essa cena de quando o tanque quebra a parede. É um clássico! Mas mesmo com a porra dum tanque soviético em São Petersburgo, Bond ainda perde a Natalya, que é colocada num antigo trem bala soviético com destino a... Acapulco, lá vou eu!

Alec deixa Bond num dilema: a garota, ou a missão. Bond na frieza dele responde: "Pode matá-la, não significa nada pra mim". Até parece! Bond acaba matando Ourumov, salvando a Natalya, mas deixa Trevelyan fugir com Xenia, com uma bomba de três minutos pra explodir o trem.


Enquanto isso, Natalya no computador, tenta descobrir onde raios está o Boris. É uma das cenas mais legais, Bond vai abrindo um buraco com um relógio com laser, e Natalya descobre nos últimos segundos que a base do vilão é em Cuba!

Se Cuba tiver mísseis, Cuba lança? (rá, rá, rá!)

Bond e Natalya encontram Wade, que os empresta um avião em troca da BMW que lança mísseis (acho justo). E Bond erra ainda o nome da pobre Natalya, chamando-a de "Natalya Siminova". Se ela ficou brava por trocar uma letra, imagina se a chamasse de "Natalya Semi-nova"! Ia cortar fora o do 007!


Trocadalho #7
Wade: "Did you check her out?".
Bond: "Head to toe"
Seria interessante checá-la sim, afinal, sei lá! Poderia estar armada. Ou poderia ser uma traidora. Mas o sorrisinho de Bond no final do filme denuncia. É claro que a "checou" em um sentido bem mais safadinho.
Bond de Brosnam tem direito a questionamentos interiores. O diálogo abaixo é uma prova disso, querendo buscar o que move Bond, a não ser uma máquina de destruição movida a Vodka Martini. Junto com a fala da M chamando-o de um dinossauro misógino, é uma das cenas que jamais imaginaríamos na era Sean Connery, por exemplo. Foi uma forma de deixar mais humano o personagem:


Natalya Simonova: He was a friend, Trevelyan?
James Bond: Yes.
Natalya Simonova: Now he's your enemy and you will kill him. It is that simple?
James Bond: In a word, yes.
Natalya Simonova: Unless he kills you first?
James Bond: Natalya...
Natalya Simonova: You think I'm impressed? All of you with your guns, your killing, your death. For what? So you can be a hero? All the heroes I know are dead. How can you act like this? How can you be so cold?
James Bond: It's what keeps me alive.
Natalya Simonova: No. It's what keeps you alone. (chupa, Bond!!)

Com o avião do Wade procuram a antena de transmissão dos cubanos, mas um míssel os acerta e eles acabam sendo obrigados a fazer um pouso forçado. Bond fica desacordado e quando acorda, Xenia vem pra um payback.

Trocadalho #8
Xenia: "This time Mr Bond, the pleasure will be all mine".
Sempre as coisas da Xenia tem que ter algo relacionado a sexo. Não é apenas porque ela mata os caras fazendo sexo, mas esse trocadalho é referência ao começo do filme quando eles se apresentam, e Bond insiste que o prazer foi todo dele. Pois é, James, "What goes around, comes around"!


A morte da Xenia é uma das mais chocantes. Em muitos países foi até censurada, mas a cena dela trepando com o tiozinho, claro que não é censurada. Basicamente Bond a prende na corda que ela desceu do helicóptero e depois atira no helicóptero até ele cair, levando Xenia e a sufocando em uma árvore. Irônico, pois justo ela mata as pessoas sufocando até a morte.

Alec e Boris ativam o GoldenEye, mirando em Londres. Com o objetivo de destruir tudo o que é eletrônico no país, causando além de muitas mortes, o caos econômico. Bond acaba sendo pego, mas Natalya consegue acessar um computador e trocar todas as senhas do GoldenEye, e faz o satélite acertar algum ponto no Atlântico isolado, causando nada.

Boris brinca com a caneta explosiva, Bond dá um tapa na caneta e acaba explodindo em tanques de combustível. James sai correndo então pra quebrar a antena! Mas 006 está no seu encalço. É a cena final de ação. Bond resolve enguiçar a antena, e depois começa uma luta mano-a-mano contra Trevelyan. Os dois ficam se batendo por vários minutos até que...


"For England, James?
"No. For me".

E Sean Bean morre (isso não é novidade) pela segunda vez (isso é novidade!).

Boris é congelado em nitrogênio líquido no meio da destruição, e Bond e Natalya estão no meio do mato dando umas beijocas quando... Wade aparece para tirá-los de lá! E ainda oferece carona para um local mais legal pros dois fazerem um love. E temos a última fala do filme, de um filme que começou com um trocadalho, e terminou com outro.

Trocadalho #9
Wade: "Maybe you two would like to finish debriefing each other at Guantanamo, hmm?"
Bond: "You ready?"
Natalya: "I'm not going on a helicopter with you. No plane. No train. Nothing that moves."
Bond: "Darling, what could possibly go wrong, eh?"
Pois é, Natalya tem razão! Todo veículo que Bond entrou nesse filme acabou explodindo. De trens, a tanques de guerra. Ela fala a mesma coisa logo após os dois escaparem do trem em São Petersburgo, e lá a resposta de Bond foi a melhor: "Boys with toys" (garotos com brinquedos).
E a BondGirl? Ainda tem espaço!


Izabella Scorupco, meio polonesa, meio sueca, deu vida à Natalya Simonova. Quem que era moleque como eu vendo GoldenEye quando era moleque e não queria casar com a Natalya, huh? E essa pinta! Hahaha, é da atriz mesmo. Não é um artifício para "sensualizar".

É difícil dizer o que é mais legal nela. Ela fez um sotaque muito convincente de russa, e em todas as cenas ela atuou brilhantemente. Acho que a cena dela nos Arquivos depois de serem presos pelo Mishkyn é muito boa. Falando mais alto que todo mundo ali e dizendo que quem mandava ali era ela!


Ela não é atriz de apenas sorrir, ou de apenas ser séria. Scorupco fica bem de qualquer forma, e continua sendo uma das BondGirls mais bonitas até hoje. Os traços do seu rosto, suas feições, são todas muito lindas, sem contar esses grandes olhos claros e expressivos (e hipnotizantes!). O mais engraçado é procurar fotos dela hoje em dia e... Ela ainda tá mais bonita! :O

Esse povo vive no formol, só pode!

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog