sexta-feira, 17 de abril de 2015

007 Na Mira dos Assassinos (1985)


Outro filme com o título nada a ver em português. O nome original é A view to a kill que é confuso de se entender até em inglês. Eu gosto muito do título em espanhol, Panorama para matar acho que é o que mais se aproxima do sentido (sem acabar com todo o sentido). Uma vista para a morte, seria o que eu sugeriria, pois o filme, especialmente no final, é todo trabalhado na vista de Max Zorin da baía de San Francisco enquanto ele vê o plano de matar todas as pessoas da cidade com seu terremoto proposital.

Mas sabe, eu brinco muito que se o título é zuado em português do Brasil, afinal, nenhum assassino está necessariamente mirando em Bond, então pra que "na mira dos assassinos", caralho? Na lusitânia o filme se chama "007 - Alvo em movimento". Isso sim é pisar na jaca. Sempre tem alguém pior, hehe!


O filme tem vilões simplesmente épicos! Vocês reconhecem o loiro na foto? Sim, Christopher Walker, jovem. Ele é Max Zorin, um magnata psicopata, resultado de uma experiência soviética que criou seres humanos com um imenso QI e psicopatas, incapazes de nutrirem quaisquer sentimentos. Ele é um dos únicos sobreviventes, um gênio, mas ao mesmo tempo psicopata. E por ironia do roteirista: empresário.

E um empresário bem nessa época de 1985, quando os computadores pessoais estavam se popularizando e o Vale do Silício bombando de empresas de tecnologia. Seu objetivo era causar um terremoto que inundaria o Vale do Silício deixando o mundo dependente dos seus microchips, dominando o mercado de PCs, já que todos os processadores eram fabricados ali no Vale do Silício.

E a vilã do lado?


A lenda, May Day! Eu peguei uma imagem que retrata toda a delicadeza da mulher, haha!

May Day é foda, é forte, implacável e além de tudo, apaixonada. E ela que faz todo o trabalho sujo. Essa dupla funciona igualzinho à Elektra e o Renard de 007 Jacaré no seco anda, só muda o sexo. Zorin é um psicopata igual Elektra, e Renard é quem faz o trabalho sujo, igual a May Day. E as semelhanças não param por aí. May Day é apaixonada pelo Zorin, exatamente igual o Renard pela Elektra. E tem o mesmo destino, os dois forçudos são traídos pelo chefe psicopata.

Além de ser a primeira mulher vilã num filme James Bond, ela é uma das primeiras mulheres negras num filme de James Bond. May Day além de ser muito forte, na cena de sexo com Bond ela é uma das únicas em toda a série que fica por cima de Bond. Bond sempre transa com as mulheres com ele por cima. Dessa vez May Day decide ficar por cima, algo inédito até então:


Agora foi a primeira vez que eu vi esse filme inteiro. Eu tinha a coleção de James Bond da Caras quando era moleque, e essa fita veio defeituosa. No meu VHS tive que ficar toda hora dando FF porque tava impossível de assistir, logo só via algumas partes. Enfim vi o filme inteiro sem aquele chiado que as fitas tinham!

Uma coisa que choca muito é a aparência de Roger Moore. Ele parece que enrugou de vez comparado com o filme anterior, 007 contra Octopussy. Roger Moore fez 57 anos enquanto filmava, e isso porque ele havia começado já bem velho, com 45 anos, em Com 007 Viva e Deixe Morrer. Mas é um pouco de tudo, cabelo ralo, olhos sem vida, muito enrugado e aparência cansada. Apenas dois anos separam esse do filme anterior, mas na parece na verdade uns vinte!

O filme não é pra pessoas como eu que têm medo de altura. Sempre tem filmagens em locais altos ("a view to a kill", sacou?), a começar pela perseguição na Torre Eiffel.


E a May Day salta de lá. Dafuq?

Tem uma piada engraçada enquanto Bond está em Paris investigando o Zorin. O nome do disfarce dele é Mr Sinjin-Smythe, e todos com sotaque francês o chamam de Mr St John Smith. E toda hora ele corrige, com um sorriso amarelo.


E também é a despedida não apenas de Roger Moore como último filme que ele fez, como também hora de dizer tchau pra eterna Miss Moneypenny, a secretária de M e sempre apaixonada por Bond, interpretada pela Lois Maxwell.

É a última participação dela num filme de James Bond.

Max Zorin é muito sanguinário, o que torna o filme muito violento. Não tem todo aquele humor e zuera característicos da era Roger Moore. Ficou diferente. Eu não gostei muito, gosto do Roger Moore fazendo graça, combina muito com ele.

Anos oitenta. Lembram de como os filmes tinham violência gratuita?


A luta final é no topo da ponte Golden Gate, em San Francisco. É curioso a reação do Zorin prestes a morrer. O cara é tão psycho que ele dá RISADA, hehe.

Tem uma cena em que Bond está investigando o Zorin e ele dá de cada com uma tal de Pola Ivanova, uma espiã da KGB que também estava espionando Zorin. Eu li umas trivias do filme dizendo que esse papel era pra ser da Barbara Bach, que voltaria no papel de Anya Amasova de 007 O Espião que me Amava. Mas ela não topou.


O papel da espião soviética ficou com Fiona Fullerton (acima), que é a cara da Xuxa.

O filme até hoje é motivo de chacota. Eu sempre busco vídeos sérios sobre o filme, mas não sei porque eu achei mais paródias do que tudo. E o foda que são todas bem feitas.


Uma delas é acima, com o PC do Zorin. Óbvio que a cena no filme não é assim, mas é engraçado e pelos cortes de câmera ficou genial! Acho que é porque é tão surpreendente ver o Christopher Walken novo, porque ele eu achava que era tipo a Susana Vieira, que a gente até mesmo nas fotos em preto-e-branco dela ela tá velha. Eu nunca vi Susana Vieira jovem, só existe foto dela velha, até quando ela era supostamente jovem. o__o

E é legal o dirigível do Zorin! Bond fica dependurado pela corda, em uma daquelas cenas em que eu jamais seria o dublê. Nunca. E Zorin tenta jogar Bond na Ponte Golden Gate de San Francisco, e Bond consegue se segurar na estrutura da ponte e amarrar o dirigível. Laço de marinheiro!

E a épica frase dele: "Isso vai doer mais nele do que em mim".


E a canção tema, "A View to a Kill", bombou na época. Estamos nos anos oitenta, e não existe outro cantor que seja tão simbólico pros anos oitenta do que ele, Duran Duran. Ficou até legal a música, e ela toca em diversos pontos do filme. Isso parece meio essencial em qualquer filme, mas não necessariamente é regra num filme do 007.


E como BondGirl temos a bonitinha da Stacey Sulton (interpretada pela Tanya Roberts), uma geologista que Zorin engana, e ela tem como missão parar Zorin na mina dele cheia de dinamite pra causar um terremoto colossal em San Francisco enchendo de água toda a falha císcima de lá.


Ela é linda! Magrinha, loirinha, olhos claros, cinturinha fina, só tem um problema: A voz. Especialmente gritando. GENTE, QUE VOZ IRRITANTE. E além de tudo enquanto grita histericamente "James, James, James" ainda é... ROUCA. É um pesadelo essa voz, pelamordideus.

Tem até uma usuário no Youtube que fez um final alternativo (eu disse que esse filme foi alvo de muitas paródias!) que, pra quem assistiu o filme com a voz irritante dela gritando não deixaria de seriamente considerar esse ser o final oficial. Mas na verdade, é um final fake.


Ela é bem bonita. Mas a atuação ficou muito ruim. E ser uma BondGirl não é apenas ser bonita. Tem muita BondGirl que não é lá tão bonita mas atuou com toda a dedicação. Ficou fraquinha, apagada. Exceto pelo grito. Essa voz irritante é... Inesquecível. Infelizmente.

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog