terça-feira, 14 de abril de 2015

007 - Quantum of Solace (2008)



Acho que foi o primeiro título que não traduziram pro português. Mesmo Cassino Royale tá traduzido o título (em português "cassino" é com dois "s", já que era o nome do cassino). Entre as muitas idéias que eu ouvi, acho que a menos ridícula tradução do título seria "Quantia de Consolo". Mas ia ficar estranho mesmo assim, então deixa em inglês, vai!

Tem duas versões do pôster, mas eu gosto muito dessa. Nunca antes, em absolutamente nenhum filme tem essa simbologia tão forte no poster. Bond do lado e com o mesmo peso na foto que uma mulher. E ela com tanta cara de badass como ele! Normalmente nas capas o destaque sempre era Bond, mas aí, é um sinal dos novos tempos! Muito bom!

Esse filme é continuação direta do Cassino Royale. Volte e vai ler antes pra entender. Por isso eu resolvi assistir um depois do outro e também escrever aqui pra não perder o fio da meada, porque é um pouquinho confuso também, mas nada absurdo, tipo Inception ou Brilho Eterno de uma mente sem lembranças.


E começa com tudo! Perseguição com carros! Isso sempre é presente nos filmes de James Bond desde que Bond é Bond. Sei que ali a grande maioria da coisa é CG, mas existem alguns detalhes da linguagem de hoje em dia que causam muito mais imersão que é o pó mágico da magia do cinema. Muitos cortes, câmera tensa, e ótima fotografia. Ver uma perseguição de carros na era Sean Connery era uma coisa, hoje em dia é bem mais tenso.

A canção-tema achei meio fraquinha. Another way to die, é o primeiro dueto da história do filmes de James Bond, com Jack White e Alicia Keys cantando. Eu não curti muito, embora a animação seja muito boa (como sempre).


Lembram que no outro filme no final falou de um rolo do namorado da Vesper que havia sido sequestrado e tal? Esse acima aí que é o boi. Dá pra o tamanho dos chifres dele, kkkkkk. M diz logo no começo que parece que haviam encontrado um corpo com os documentos dele, mas confrontaram com DNA de fios de cabelo encontrado no apê da Vesper e o corpo era falso. Agora ninguém mais fala desse boi o resto do filme. Só no final.

Afinal, havia uma fucking organização por detrás de tudo. Desconhecida, que até mesmo o segurança pessoal da M estava envolvido. Tem mais uma cena de ação muito boa com Bond correndo atrás dele. E acaba sobrando tiro até na coitada da M.


Essa queda no andaime eu nunca vi algo parecido em outros filmes. Tá, Missão Impossível fizeram algumas coisas similares, mas não com tantos detalhes e tão bem sincronizado. Uma coisa engraçada é que além da tal Quantum, a organização do mal, ser muito difícil de conseguir qualquer informação, Bond sempre que encontra um suspeito ele mata. Que burro, dá zero pra ele!

As pistas levam pra Porto Príncipe, no Haiti. Ao checar o hotel onde um dos suspeitos está hospedado Bond pega uma mala com coisas dele e na saída do hotel uma bela jovem aparece com um carro e diz: "Entra aí". Pause o filme nessa parte. É claro que eu entranharia no carro de uma estranha sem hesitar se ela me chamasse, só que não!


Mas e se fosse uma belezinha dessas? Hahaha! Eu acho que pensaria duas vezes!

Minha mãe na hora que a viu disse: "Nossa, que menina bonita!". O sonho da minha mãe sempre foi que eu namorasse uma caboclinha desse tipo da Camille, uma menina moreninha, cabelo liso e alta. Minha mãe sempre quis que eu namorasse uma mulher que fosse parecida com ela mesma, afinal minha mãe tem essa beleza meio cabocla, haha.

Acontece que a tal Camille pensava que Bond era o real dono da mala, tenta matar ele, e ela vai ao encontro de um político militar daquelas quebradas com Bond só na moita. Ele acaba salvando a menina (que na verdade não queria ser salva) que ia ser levada pelo general Medrano. E somos apresentados ao vilão, Dominic Greene.


A gente tá cansado de filmes colocarem russos como vilões. Já encheu o saco. Dois temas legais no filme: o primeiro é que o filme trata de eco-terrorismo, de domínio de recursos. Se antes o problema eram armas atômicas, o problema hoje é empresas dominarem recursos, como a água, pagando propinas ao governo que está defecando e andando pro povo e claro, o povo tomando no rabo. Onde eu já ouvi essa história antes?

E o segundo ponto é a fragilidade política da América do Sul, o cenário do filme. Como disse o próprio Greene mais adiante no filme: "Se vocês não colaborarem com a gente, tiraremos vocês do poder e o próximo que virá irá cooperar com nossos interesses". Onde eu já ouvi essa estória antes? [2]

E é justo aonde? Bolívia! Enfim... Se bem que, não é preciso ir até a Bolívia pra ouvir uma estória dessas, if you know what I mean...


Acho muito legal a cena da "Tosca" (a ópera de Puccini) quando Bond encontra cara-a-cara com Greene, que estava negociando os detalhes do acordo com os outros empresários. A cena de tiroteiro que vem depois é bem diferente por ser muda, apenas com sons da tal ópera tocando de fundo. É um detalhe muito interessante que deu outra aparência ao filme.


E olha quem temos de volta! Mathis no final das contas não era um traidor. Na verdade Mathis tava com o Le Chiffre pra descobrir sobre a Quantum, e não para armar contra o Bond. E reencontrar Mathis é bom também pra de alguma forma mostrar pra Bond que a Vesper era no fundo uma menina legal por mais desequilibrada que fosse.

Então, vamos pra Bolívia!


E temos uma trepada! Habemus trepada! Hahaha. Eu tava lendo umas coisas sobre a trivia do filme e parece que colocar a ruivinha Gemma Arterton foi uma homenagem especial do diretor à Diana Rigg, que fez a Tracy em 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade pela sua semelhança. Poxa, a Tracy é a Tracy, a mulher é um mito, foi a única que conseguiu encoleirar James Fucking Bond.

Bond vai pra uma festa de gala onde Greene estaria e encontra lá a Camille. Bond consegue salvar a menina de novo (que de novo não precisava ser salva), e Mathis acaba sendo morto pelo contato dele na Bolívia, que obviamente, tinha relações com a Quantum. Mathis morreu pedindo pra Bond perdoar os atos da Vesper.

No lugar de Bond não sei se perdoaria, pessoalmente. Sei que parece repetitivo, e muita gente pensa que Bond é cusão, mas é uma situação bem foda. Logo depois disso tem uma cena de ação num avião. Faço minhas as palavras de Natalya Simonova em GoldenEye: "What's your problem with moving vehicles?".


E como sempre, o melhor fica no final. Bond é invencível mesmo, porque tomar essa pancada caindo de paraquedas e ficar vivo e inteiro depois... Só em filme mesmo! E aí ficamos sabendo o que motivava Camille. Ela não queria pegar Greene, e sim Medrano (o general fanfarrão que trabalha com o Greene), pois ele havia matado a família, queimado sua casa, estuprado sua mãe e irmã mais velha, e deixou ela, a caçula com uma sede de vingança.

E quem sabe ela protagonizará Kill Medrano, nos moldes de Kill Bill. #fikdikTarantino

E aí descobrem a rolada do Greene com a água. É uma cena bem tensa, e sei que isso provavelmente passou batido pra muitas pessoas que assistiram o filme, pois não achei nenhuma única foto da cena da cidade da Bolivia que estava sofrendo com a seca. Não é um problema reservado à ficção, é um problema real que o filme expôs, pois é de viés político e que diz respeito à America Latina e seus recursos nas mãos de empresas como a do Greene.

E você reclamando do sinal de celular por causa da ganância das teles do Brasil, transporte esse problema pra outros recursos essenciais, como a água. Isso é, se isso já não estiver acontecendo... Especialmente em São Paulo.


É legal que mais pra frente a Camille aparece com um carro numa cena idêntica a do começo do filme, e com a mesma fala dizendo pra Bond entrar no carro. Só que dessa vez sem o Ford Ka, e sim um fusquinha meia-nove. Dessa vez a meta é para irem atrás de pistas que levem ao Greene. E quem aparece? Felix Leiter (sim, o ator voltou! Ele é mó legal!)!

E aí a cena final! Bond quer Greene e Camille quer o Medrano. E os dois se encontram num hotel no meio do deserto. A cena tem muita explosão, muito tiroteio e tudo mais. Mas o mais legal é o acerto de contas de Camille com Medrano.


A luta dos dois é simultânea, foi uma sacada bem legal. A Camille com a fobia de incêndio, e o tiro certeiro de Bond pra explodir a parede para escaparem. A captura de Greene e a lata de óleo de motor, hehe. Depois a M fala que encontraram óleo de motor no corpo dele, que estava apodrecendo no deserto.


Bond não come a Camille. Ambos estavam muito focados na missão que cada um tinha. A única coisa que acontece no final (acima) é um beijinho na boca amistoso depois que a missão foi completa dentro do carro. O diálogo é bem bonito, e mostra como Bond ainda tinha seus fantasmas do passado que o impediam de seguir em frente:

Camille: "But I keep thinking, 'He's dead. 'Now what?'"
Bond: "Well, the dam we saw will have to come down, and there'll be others, too. Someone who worked for Greene might be of help".
Camille: "Not a bad idea. Do you think they'll be able to sleep now?"
Bond: "I don't think the dead care about vengeance."
Camille: "I wish I could set you free. But your prison is in there", diz Camille, apontando pra cabeça de Bond antes de beijá-lo.

E pra fechar de vez o rolo com a Vesper, Bond encontra o boi da Vesper, com uma outra menina. Afinal, aonde a vaca vai, o boi vai atrás.


Basicamente o tal franco-argelino, Yusef Kabira, é um agente da Quantum que seduzia mulheres que tenham contatos no alto escalão. E o próximo alvo dele era essa menina que Bond pegou no flagra, uma agente da Inteligência canadense. Bond alerta a garota que ela teria o mesmo destino da Vesper, seria enganada pelo filho da puta acima.

Em outras palavras, Bond, o rei dos canalhas, tem nas mãos o canalha que levou a mulher que amou. Eu acho que é o sonho de todo cara que passa por essa situação, ter uma arma apontada pro crápula que seduz e engana a mulher que a gente ama. Mas ainda assim Bond não atira, e manda os agentes prenderem o cara, afinal, ele estava associado com a Quantum. The End.

A cena final é Bond jogando no chão o colar da Vesper. Enterrando de vez a mulher que amou.

Que filmaço!

Bom, se resta algum fôlego pro leitor, vamos falar da linda Bondgirl, a Camille Montes, interpretada pela lindíssima atriz franco-ucraniana Olga Kurylenko.


Carinha de anjo, mas um espírito BADASS! Camille busca vingança! Eu acho engraçado que ela aí, toda morena da cor do pecado e... A atriz é ucraniana! Não tem nada de sangue latino, embora o nariz e os olhos denunciem que ela não tem sangue latino. Mas pensava que era no mínimo mestiça entre uma pessoa latina e algum russo, sei lá, mas não! Ela tem sangue ucraniano, russo e bielo-russo. 0% latino.


Gostei muito! Atriz sem frescura, faz as cenas de ação mesmo e pau no cu dos outros. Tem uma grande parte do filme que ela não aparece, mas quando volta da metade pra frente fica até o final. Seu papel é talvez único na história de todas as BondGirls, porque ela não está interessada em Bond. Os dois tem um objetivo em comum, e seus alvos trabalham juntos, logo isso é mais do que um motivo para juntarem forças para cumprirem sua missão.

Me lembra um pouco a BondGirl do meu filme favorito, 007 O espião que me amava, a Anya Amasova. Mas aqui a questão não é cumprir o dever, e sim, vingança no maior estilo!

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