segunda-feira, 25 de maio de 2015

The end.

Hoje tava lembrando que vai acontecer nessa noite o Lanternas Flutuantes.

E lembrei da última vez que fiz a dublagem pra português dessa cerimônia. Eu fiz as vozes masculinas e você as femininas. Aquilo foi tão divertido! Naquele tempo era tudo mais fácil, você estava sempre lá, e mesmo que eu já te olhasse com olhos apaixonados, eu ficava quietinho, pois mesmo que eu não tivesse você do meu lado como minha companheira, eu ainda tinha você lá do meu lado. Com todos os defeitos e qualidades, mas ainda tinha você lá.

E hoje enquanto eu andava na rua lembrei daquele tempo.

E comecei a pensar muito. Em tudo o que aconteceu. Inclusive as minhas frustradas declarações apaixonadas pra você.

Karma é sempre essa bosta que a gente tem que dar um jeito de superar. Ao mesmo tempo os Budas estão vendo nosso esforço, mas ainda assim muitas vezes é um caminho que devemos trilhar, independente da imensa compaixão que os Budas depositam na gente, nos ajudando a carregar o fardo. Mas no fundo, depois que começamos a superar, a ver uma luz no fim do túnel, a coisa vai melhorando.

E nessa caminhada muitas coisas vieram na minha cabeça.

Engraçado que eu sempre fui uma pessoa que sempre apoiou você voltar a estudar. Queria mesmo que você fizesse algo que te fizesse feliz. E, por ironia do destino, sei que um dos fatores que mais pesou pro seu "não" pra mim foi a sua faculdade. Nesse momento, por alguns dias, eu realmente me arrependi muito de ter te incentivado a voltar a estudar, hehe.

Mas isso era infelizmente ser possessivo. Muito foi por aquela lembrança que eu tive daqueles tempos antigos quando nós éramos muito amigos. As coisas eram bem mais simples, sabe? Eu sinto falta, muita falta, mas sei que se voltar a ter amizade contigo eu vou inevitavelmente me apaixonar mais uma vez. O jeito é viver.

Se antes eu pensava que esse tipo de vida ia me fazer triste, hoje eu penso de outra maneira.

Nessa caminhada eu vi que nada me faria mais feliz do que ver você feliz. Apoiar você na sua escolha, e continuar todas as preces e energias, mesmo que seja distante fisicamente de você. É isso que você quer, é isso que vai te fazer feliz. Mesmo que depois que tudo terminar você fique com um outro, ou mesmo que encontre o homem dos seus sonhos, eventualmente. É isso que vai te fazer feliz!

Por mais que antes fosse difícil entender isso, hoje parece algo muito claro. Eu realmente fui um idiota. E o preço a pagar por isso é esse, mas eu não ligo. Quero que você estude, quero que seja feliz, quero que você encontre o que te faz feliz! Não quero que você desista de nada. Mesmo que eu não possa ver seu sorriso, quero fechar os olhos e imaginar que você está feliz. Mesmo que eu não possa estar do seu lado, quero imaginar que as pessoas que estão do seu lado estão felizes junto de você. Mesmo que eu não possa te apoiar verbalmente você a buscar seus sonhos, quero de longe manter a meditação e te ajudar sempre.

E pelo resto da vida quero manter as lembranças de quem é você. E quem foi você na minha vida. A pessoa que talvez tenha sido a paixão mais completa da minha vida: começou platônico, depois teve a fase da negação, a fase da vergonha, a fase do desejo, a fase da felicidade, a fase da tristeza e talvez agora seja a fase da aceitação.

Porque? Porque apenas te desejar pra mim nunca te fará feliz, completa. Eu sempre disse que você pra mim parecia uma pessoa triste e desmotivada, e se nós ficássemos juntos seria muito distante disso? Claro que seria. Você não seria feliz, pois provavelmente teria que deixar muita coisa pra trás. Você mesma se perguntou muitas vezes se teria que desistir da faculdade, se casar e se aquietar de vez, mas... Não! Isso não vai te fazer feliz. O que te faz feliz é o que você faz agora: perseguir o seu sonho! =)

Eu que tinha uma mente pequena que não percebi isso. E acabei causando isso tudo. Eu sinto muito.

Você é feliz agora! Que direito eu tenho de acabar com isso por um desejo mesquinho meu? Nenhum. Quando fecho os olhos e lembro daqueles tempos de dois, três anos atrás eu sempre sorrio. Aquilo era tão bom! E agora eu sei que, por mais que talvez até você queira reatar a amizade, quem não consegue sou eu. E eu quero e devo viver com isso e feliz, pois eu não quero novamente me apaixonar por você e sei que mesmo que você queira ficar comigo, vai acabar deixando pro lado todos seus sonhos e desenhos, e eu realmente não quero isso. Jamais!

Eu quero sua felicidade. E sua felicidade é o que você está trilhando agora. É um sacrifício, é jogar tudo pro alto, é abandonar um sonho? Pra mim, sim. Mas o que me incentiva é apenas uma coisa: não ser mais um empecilho pros seus sonhos e pro seu futuro. E sim de longe ser um expectador e torcer muito. Sentir meu coração bater forte quando ver cada coisa que você vai conseguir, e mesmo que eu não esteja lá do seu lado pra te abraçar, te dar os parabéns, te dar bronca ou te apoiar com palavras, verei todo o sucesso e toda a felicidade que você vai conseguir.

E nessa hora que eu ver você feliz e realizada, mesmo que longe dos meus braços, uma coisa vai saltar na minha mente: a certeza de que você é uma grande e inspiradora mulher. E que mesmo que eu nunca vou estar ao seu lado como seu companheiro, tenho certeza de que tudo o que passou foi lindo e inesquecível. E que você vai continuar com esse espaço imenso dentro do meu coração que você sempre teve.

E nessa hora em que eu ver você no campo do estádio, e eu estiver no lugar mais discreto da torcida e ver você levantando o troféu da sua felicidade com todas as pessoas importantes pra você do seu lado uma certeza eu vou ter: que esse amor todo é muito maior do que qualquer coisa na vida. E que o verdadeiro amor não é ter alguém pra beijar ou andar de mãos dadas pelas ruas. Um verdadeiro amor é esse que mesmo que seja de longe, continue apoiando e torcendo pra pessoa, vibrando com cada conquista e cada felicidade alcançada, afinal... Nada me faria mais feliz do que isso: Ver você feliz!

Parece que o fim da novela pra mim. Mas quer saber? Depois disso tudo eu nunca estive tão em paz comigo mesmo.

Obrigado, Dê.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Doppelgänger - #74 - A volta de quem não havia ido.

20h05

Al estava na prisão.

E nem tinha ideia do que estava acontecendo do lado de fora. Menos ainda sabia do desfecho da luta entre Agatha e Sara. Pelo menos torcia para que acontecesse o melhor.

"Senhor, aqui está sua comida", disse o guarda.

Al se ergueu e foi até ele. Era indiano. E tinha também o uniforme da SAS.

"Obrigado", disse Al, que se surpreendeu ao ver que ele relativamente jovem, mesmo com tantas insígnas no peito, "Você é relativamente jovem pra estar nesse posto que está. Meus parabéns".

"Eu não sou tão jovem, senhor. E não acho que eu seja tão destacado assim", ele falava inglês perfeitamente, sem sotaque.

"Você é nascido aqui no Reino Unido?", perguntou Al, reparando na sua lapela com seu sobrenome: Bose.

"Sim. Minha família é da Índia, migraram pra cá ainda nos tempos que era parte do império inglês. Eu devo ser quinta ou sexta geração que vive aqui", disse o guarda.

"Excelente", disse Al, dando uma mordida no sanduíche, "Bose é seu nome? Pode me chamar de Al. Você é bem mais legal que os seus outros companheiros".

"Ah, muito prazer. Meu nome é Ramachandra Bose. Sou tenente-coronel do quinto regimento do Special Air Service", Bose disse.

Al ficou meio sem jeito. Nunca teve facilidade com esses nomes indianos.

"Uau, belo currículo. Realmente você não aparenta a idade, já é tenente-coronel, huh? Me chame de Al mesmo. Sou... Um office-boy da Rainha", brincou Al.

Bose sorriu.

"Sei bem quem o senhor é. Seu irmão mais velho foi uma lenda", disse Bose.

"Pft... Não consigo mesmo fugir da sombra do meu irmão", brincou Al.

Nessa hora Bose se aproximou do gradil da porta, olhando pros lados pra saber se ninguém estava de olho, e colocou a mão perto da boca, como se quisesse falar algo baixinho. Al aproximou o ouvido.

"Senhor Al, quero que me ouça e não expresse nenhuma surpresa. Estou tentando tirar o senhor daqui. Eu não gosto nem um pouco do Dawson, e você deve saber que ele está atrás de você. Ele parece estar querendo alguma coisa que não sabemos, mas de qualquer forma não confio nele. Estou junto da Natalya Briegel, estamos bolando um plano pra tirar o senhor daí o mais rápido possível. O senhor está numa base da SAS perto de Brighton, sul do Reino Unido. Londres é aqui pertinho, mas a dificuldade vai ser tirar o senhor daí. Dawson mandou todos os guardas ficarem atentos e cuidar de você com prioridade máxima, mas estamos trabalhando pra tirar o senhor daqui nessa noite ainda. Peço apenas um pouco de paciência e que confie em nós", disse Bose.

"Tudo bem, Bose. Vou ficar aguardando. Tome cuidado você também. Dawson embora seja do alto escalão da Yard, também não me inspira muita confiança", disse Al.

"Obrigado, senhor", disse Bose, saindo.

Al resolveu tirar um cochilo depois de comer o sanduíche gelado. Tava frio e escuro. Parece que consideravam ele realmente um preso de alta periculosidade, pois não o colocaram junto de mais ninguém. Acordou ouvindo ao longe o que pareciam ser gritos. Talvez aquilo fosse algum outro preso maluco chamando a atenção. Mas os gritos pareciam se misturar com um barulho estranho, como se fosse algo pneumático sendo acionado. Como um motor, ou algo assim.

De súbito o barulho parou. Inclusive os gritos. Já passavam das nove da noite, Al poderia enfim virar pro outro lado e tentar cochilar. Seu corpo tremia por causa do vento gelado. Tentar dormir passando frio é muito ruim, pois o corpo fica numa de ficar desperto e ao mesmo tempo o cansaço nos domina. Cochilamos e acordamos depois de cinco minutos. É realmente algo ruim.

Entre um sono e outro, Al ouviu alguns passos, e percebeu que alguém estava aparentemente parado na frente na porta da cela.

E a pessoa ficou lá parada. Um barulho de um molho de chaves foi ouvido, e uma chave entrou no buraco.

Puxa, finalmente..., pensou Al. Uma pessoa veio resgatá-lo!

Quando a porta abriu, o vento trouxe um cheiro de sândalo e lavanda que ele conhecia muito bem.

Os cheiros de uma pessoa muitas vezes acabam virando a identidade da pessoa. Por mais que o número de fragrâncias seja relativamente limitado, Al tinha um estranho dom de reconhecer as pessoas pelo cheiro. E associava a pessoa com aquele cheiro. Ele também tinha os perfumes dele, mas por mais que tentasse usar outro perfume, nada substituía a fragrância de sândalo misturada com lavanda.

Aquele cheiro havia sido memorizado na sua mente de tal forma, que ele persistia em usar aquele mesmo perfume. E só se sentia bem, limpo e cheiroso usando esse cheiro. Esse cheio significava algo pra ele, pois uma pessoa muito importante na vida dele usava esse cheio, e usar esse cheio o fazia sentir mais próximo dessa pessoa. Esse cheio o fazia se sentir seguro. Caso contrário, não achava que aquele cheio refletia a sua personalidade.

Mas aquele aroma da pessoa que havia aberto a porta, e ficado em pé na frente sem entrar na cela, era inconfundível.

Al não conseguia ver seu rosto. A luz estava na outra direção, apenas via sua silhueta.

Era necessário mesmo ver a silhueta da pessoa? Só uma pessoa usaria aquele exato perfume, e somente uma pessoa que ele conhecia exalava tal atmosfera imponente e respeitosa.

"O que está fazendo aí, maninho? Levanta logo, vamos dar o fora daqui!"

Al arregalou os olhos. Aquilo só podia ser brincadeira! A silhueta ia se tornando cada vez mais clara a cada momento que ia se aproximando, com a luz parca iluminando o rosto. O cheiro era inegável e dominava suas narinas.

"...M-Mano?!", disse Al, surpreso.

Seu falecido irmão mais velho Arch estava vivo, na sua frente, inexplicavelmente.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sailor Moon Crystal


Sabe, machismo é uma bosta. Se os homens percebessem um dia que o machismo fode a vida deles tanto quanto a das mulheres, até eles iriam sacar e deixar disso, que é mais um atraso de vida. A maior prova é essa.

Quando eu era moleque, claro que eu assistia Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X, Pokémon e Digimon, animes ditos para meninos. Mas eu também não perdia um capítulo de Corrector Yui, Card Captor Sakura e Sailor Moon. E embora tenha esse preconceito machista e bobo que proíbe nós homens de assistirmos esses animes mais femininos pelo preconceito besta que diz que se você é homem e assiste automaticamente você seja gay, eu assistia e assisto ainda, e nunca que isso iria influenciar na minha sexualidade muito pelo contrário, meu sonho era ver aquela saia delas voando.

Assistir Sailor Moon não vai te transformar em gay, rapaz. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, larga desse preconceito, porque quando você se fecha pra coisas que você gosta por imposição da sociedade, quem perde é sempre você.

Também tem aquele preconceito mais besta que por ser heroínas mulheres não serviriam de exemplos para homens. Como se bondade e heroísmo fossem algo exclusivo dos homens. Pelo menos esses três animes mostram que isso não tinha nada a ver, especialmente vindo de um país vinte vezes mais machista que o Brasil, o Japão. Considero a Usagi da Sailor Moon tão heroína e exemplar como o Seiya de Cavaleiros do Zodíaco ou Kenshin, do Samurai X. Rapaziada, vamos largar desse pensamento besta pois uma coisa não tem nada a ver com a outra, ok?

Bom, lição de moral dada, hora de falar do anime!

Eu curtia muito Sailor Moon quando era moleque. Não pedia na Manchete, e depois menos ainda no Cartoon Network. Mas vou confessar que o anime era tão grande, e eu sou uma pessoa muito desmemorizada, realmente esqueci de 90% das coisas. Só lembro que era do caralho.

Aí a Toei resolveu fazer um remake do anime, com toda a tecnologia de hoje, e dessa vez sem aquela cacetada de episódios fillers pra encher linguiça que rolavam. Agora está tudo 100% baseado no mangá, o que deixa a coisa bem mais interessante, compacta e bacana! E aí nasceu Sailor Moon Crystal.

Ainda está em produção, e eu preciso ver o resto que baixei. Mas ficou um trabalho excelente. Minha favorita continua sendo a Sailor Júpiter, afinal, ELA É DO MEU TAMANHO. É a mais alta das Sailors, até usa uniforme diferente porque não acha roupa do tamanho dela, hahaha. Ela é tão eu, né? Hahaha!

(sim, eu tenho dificuldades de achar roupas do meu tamanho. Especialmente sapatos...)

Dá pra sacar a qualidade da coisa só na animação da transformação delas. Mandaram bem no cell-shading:


Ficou bem diferente, mas a versão antiga também seu charme clássico, hehe. Eu só não gostava da música antiga. Talvez a animação antiga com a música atual ia ficar melhor.

Mas em suma o anime é um revival do que já era ótimo! O Japão tá nessas de fazer remakes ou continuações de coisas bem velhas, tipo Saint Seiya, Rurouni Kenshin e tal. Eu acho isso ótimo, pois os animes antigos eram excelentes, e ver isso atravessando gerações é ótimo! Pelo menos a gente pode dizer que assistiu a primeira versão um dia (e a moçada de hoje vai dizer que a gente tá tudo velho também, mas foda-se, hehe).

Se você é fã, assista. Se não é, assista pra virar fã. É bem legal! Eu passaria pros meus filhos, independente se forem meninos ou meninas. É um anime sobre amizade, bondade e heroísmo que não importa se é menino ou menina, só tem coisa legal a se aprender. ;)

Doppelgänger - #73 - Who dares, wins.

30 de novembro

16h11

Nataku estava na tocaia o dia inteiro. Havia alugado um carro e estava lá dentro, apenas observando uma modesta casinha na Alexandra Park Road, uma rua colada junto do Alexandra Park, em Londres. As informações dos insiders indicavam que ali havia o próximo contato. E seria uma outra pessoa que era também uma insider.

A casa não tinha indicação que era da família, o que tornaria o serviço muito mais fácil. Nataku apenas tinha um sobrenome: Vogl. Ele não sabia se alguma outra pessoa tinha essa informação, mas ele não poderia simplesmente chegar na casa da pessoa anunciando quem era. Isso poderia ser perigoso, tanto pra ele, quanto pras pessoas ali na casa. Insiders confiam plenamente um no outro, e é um grupo muito, muito restrito.

Acontece que esse insider teria as mesmas informações que Sheryl Saunders tinha. E poderia levar Nataku direto para o grupo dos cinco empresários que estariam fazendo o lobby a favor de Ar, ajudando ele a controlar a economia global. Porém, Nataku estava sozinho. Todas as coisas que ele descobriria não iria compartilhar nem com Ar, nem com Al. Seguindo a orientação de Al, ele resolveu andar por conta própria, e buscar a verdade que existe por detrás de tudo. E as ferramentas todas ele tinha nas mãos.

Nataku agora havia herdado o posto de Saunders. Havia se tornado um insider, e herdado todas as valiosas informações que Saunders havia compartilhado no grupo. Mas haviam ainda muitas lacunas, e dentro do grupo ele mesmo foi orientado a buscar um outro insider, cujo apenas o sobrenome era conhecido: Vogl, residente próximo do Alexandra Park, Haringey, Londres. Não se sabe nenhuma característica, se é homem, mulher, branco, negro, asiático, latino, rico, pobre... Nada.

Mas para Nataku, aquelas informações eram mais que suficientes.

Parece que é aqui que o tal Vogl mora. Vou estacionar meu carro aqui e ficar na espreita. Espero conseguir alguma coisa logo, disse Nataku. Já haviam se passado dois dias.

Nataku estava cansado de ficar comendo apenas lanches servidos no Spouter's Corner, um pub da franquia do Wetherspoon em Wood Green, o mais próximo do Alexandra Park. Mas isso era necessário, pois seria ótimo ele não levantar nenhuma suspeita em cima dele.

No dia 29 de novembro viu uma senhora saindo três vezes da casa dos Vogl. Ela ia caminhando até uma loja de conveniência próxima para comprar alguns pães e hortaliças, e pela noite ia até o mesmo Spouter's Corner pedir um dos pratos principais ingleses: Fish 'n Chips, filé de peixe empanado com batata frita. A noite ela saía com uma garota, possivelmente sua neta.

Nataku sabia que ali estava um grande problema.

Se fosse apenas a velha seria mais tranquilo. Mas havia uma criança, e justo uma menininha, aparentando não mais que dez anos. Nataku sabia que havia uma grande chance do Ar estar observando ele, e se ele tentasse uma abordagem se estudar muito bem o terreno antes, ele poderia ser seguido e além da senhora ser alvo, a criança também acabaria provavelmente sucumbindo caso os capangas de Ar decidissem eliminar a senhora do mesmo jeito que foi com Saunders.

Provavelmente a garotinha não seria poupada.

Nataku nem tinha idéia que longe dali, em Candem Town, Agatha havia enfim vencido Sara. O time de elite do Ar estava com dois a menos, perdendo Ravena na Colômbia, e Sara em Candem Town. E faltava justamente aquele que ele conheceu primeiro na ocasião que foi tirar Agatha da cadeia da Holanda: Schwartzman.

Já passavam das quatro da tarde, já havia anoitecido. Nataku decidiu ficar apenas mais algumas horas observando a casa, e era mais um dia comum, parece que só a senhora e a garota viviam mesmo na casa. Uma casa comum, sobrado inglês colado no vizinho, cor cáqui, detalhes em branco.

No próximo dia, logo pela amanhã, ele iria tocar a campainha e entrar. Agora era dia de voltar e descansar.

- - - - -

Al havia sido jogado numa cela, sozinho.

Merda. Poderiam ter jogado um cigarro junto, pensou.

Já havia anoitecido, e sabia lá deus como ele iria sair de lá. Talvez a ideia fosse esperar, e torcer para que Neige tentasse achá-lo nos registros nos computador e vir buscá-lo. Quanto antes pudesse sair, melhor. Fazia bastante frio na cela. E Al nem tinha ideia de onde estava.

Nem mesmo haviam dado um daqueles uniformes de presidiários. Corte de custos da realeza? No fundo Al estava achando um pouco de graça daquilo. Mas ainda não era hora de desistir, por mais que o Reino Unido tivesse a melhor polícia, ainda tinha lá suas falhas. Ainda havia uma esperança. Talvez Natalya Briegel poderia dar uma mão.

Mas a situação estava realmente contra Al. A insígnia dos guardas era uma das mais temidas em todo o Reino Unido: SAS.

Quem se atreve, ganha, pensou Al, lembrando do motto da SAS britânica - who dares, wins - presente no emblema deles. Realmente pra sair de lá ileso teria que ter muita ousadia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Doppelgänger - A história dentro da história (8)

Pouca gente dá importância ao leste europeu. Existem até hoje muitos grupos separatistas, nacionalistas e extremistas naquele local. Todos embora tenham suas ideologias distintas, usam dos métodos mais cruéis, cortando liberdades individuais das pessoas, expandindo territórios por meio de forças armadas revolucionárias e castigando pessoas que vão contra sua ideologia. O leste europeu está em guerra. Uma guerra e uma revolução silenciosa que desde a perestroika nunca esteve tão forte.

Se existe um palco perfeito para uma nova guerra mundial hoje, esse local é o leste europeu. A quantidade de grupos armados e terroristas só aumentam, dia após dia.

Mas na década de 1960 era bem diferente a coisa. Estamos no norte da Hungria, onde uma pequena garota, Erika Lakatos brincava de pular corda com seus amiguinhos.

“Erika, Erika!”, disse uma das suas amiguinhas, “Advinha o que eu tô pensando?”.

A pequena Erika se concentrou. Ela não sabia direito o que ela mesma tinha, ou como ela conseguia fazer isso, mas se ela fechasse seus olhos ela conseguia ler o que a pessoa estava pensando.

“Uma melancia?”, disse Erika.

“Acertou!! Nossa, dessa vez foi difícil, né? Vai você pular corda agora!”, disse a amiguinha.

Nada poderia ser escondido da pequena Erika Lakatos. Porém, seus pais nunca acreditaram muito no estranho dom da menina. Por mais que a menina acertasse, achavam que aquilo era apenas uma coincidência. Como seria possível uma pessoa ler a mente das outras pessoas?

Ela tinha sangue cigano. Seus pais haviam tido ela tarde, e eles haviam sobrevivido por pouco de duas grandes catástrofes. A primeira foi a Segunda Guerra Mundial, com Hitler caçando ciganos com a mesma truculência que judeus. Porém, os ciganos eram uma etnia pobre, nunca conseguiram o respeito que judeus conquistaram, vivem até os dias de hoje marginalizados, reféns da sua própria sorte na mão do povo húngaro “sangue-puro”.

E a segunda foi quando a Hungria, ainda parte da União Soviética tentou uma insurreição para se separar do bloco comunista. Os leais a Imre Nagy foram completamente massacrados pelo exército vermelho em 1956. Toda a família dos pais da pequena Erika faziam parte da revolução fracassada, todos os tios, primos, parentes, todos morreram, apenas os pais sobreviveram – e tiveram que viver isolados no norte, criando sua filha sozinhos, com medo de represália do governo, que poderia vir a qualquer momento. Eles tinham medo da sua própria sombra.

Erika Lakatos gostava muito do aroma de lavanda. Era primavera, e seus pais tinham uma pequena plantação de lavanda na pequena chácara. Erika adorava correr nos campos com os braços abertos e narinas pra baixo, como se desse rasantes em todas aquelas flores. Eles não tinham muito, mas esses pequenos prazeres eram inestimáveis.

Todos os dias ela encontrava com uma senhora, já aparentando ter lá seus cinquenta anos. Ela a conhecia apenas como Brigitte. Parecia alemã. Pelo menos umas três vezes por semana Brigitte aparecia perto do portão da chácara e chamava por Erika. No começo havia estranheza, afinal sua mãe deixara bem claro pra ela, nunca conversar com estranhos, pois seria perigoso, afinal ela era apenas uma criança. Mas a tal Brigitte sempre aparecia com um pelo Golden Retriever no portão, chamado Alf, que a pequena garota adorava brincar.

“Me diga, sua mãe não é daqui, né?”, perguntou Brigitte, enquanto via o Alf lambendo a pequena Erika.

“Não, ela não é daqui não”, disse Erika.

“Da onde ela é então, menininha?”, perguntou Brigitte.

“Eu não sei direito... Eu sei que papai e mamãe estavam no exército do Nagy. Eles falam que esse governo comunista é corrupto, e que o governo faria de tudo pela cabeça deles”, disse Erika, cheia de inocência.

“É mesmo? Interessante...”, disse Brigitte.

Por mais que Erika pudesse ler mentes, ela era também igualmente inocente. Nunca pensou que uma pessoa que tivesse cachorros poderiam ser alguém mal. E Brigitte a conhecia, muitas vezes a velha aparecia no portão da sua casa e passava um ótimo tempo com ela, não teria problemas falar dessas coisas – no fundo, aquilo era uma forma de desabafo. Já havia passado tanto tempo, o que poderia acontecer?

Na semana seguinte Brigitte não veio. Nem na outra. Menos ainda na seguinte. Quase um mês depois sua última visita, Brigitte chamou Erika para a frente do portão. Fez a garota abrir e sair pra fora da propriedade, e sua mãe ao longe viu o movimento estranho e chamou pela filha.

Porém, quando sua mãe viu Brigitte levou um susto, reconhecendo-a. Vários homens saíram do nada de diversos locais e entraram correndo na propriedade portando armas. E na frente da própria Erika Lakatos fuzilaram a mãe dela sem piedade.

Era fim de tarde, os soldados invadiram a casa da garota e foram em busca do pai, que tentou ainda se defender se escondendo atrás da porta e esfaqueando um dos soldados, mas apenas parou um deles, o segundo apareceu e alvejou sem dó o velho Lakatos.

Todo ser humano tem uma primeira experiência com a morte. Normalmente é quando pecamos o peixinho do aquário e colocamos ele na mesa. Nós o vemos se debater, até que enfim ele morre. Tentamos colocar de volta na água, mas o animal morto apenas boia, inerte.

Erika Lakatos naquele fim de tarde viu sua casa em chamas. Aquilo brilhava como o sol. Se aproximou do corpo da sua mãe, ensanguentada, com dezenas de marcas de tiro no corpo e viu o sangue saindo. Olhou pra trás e viu que todos os homens haviam sumido, e ela nunca havia visto a morte. Não sabia o que havia acontecido, menos ainda havia visto uma arma. Mas viu o sangue que jorrava da sua mãe, já morta.

Por um instinto pensou que se ela colocasse aquele líquido vermelho de volta e tampasse os buracos sua mãe acordaria. Pensou que aquilo talvez fosse algum fluido de vida, algo do gênero. Crianças possuem uma imaginação fértil. Ela sabia que Brigitte nunca poderia fazer nada. Brigitte tinha um cachorro! E quem tem cachorro não pode ser gente má. Porque sua mãe não respondia? Porque ela não parava com aquela brincadeira? Porque a casa dela com suas bonecas de pano estava em chamas? Porque aquela coisa vermelha estava saindo do corpo dela?

Minutos depois uma vizinha, também cigana, apareceu e viu Erika lá. Será que foi correto poupar a vida daquela garota? O cheiro de lavanda de misturava com sangue. Um aroma que Erika nunca mais se esqueceu. Naquela dia ela conheceu a morte. E viu que ela é imbatível, e insuperável. Nunca mais veria sua mãe, teria um abraço dela, ou teria ela falando pra não falar com estranhos.

O jeito era fugir. E como bons ciganos, eram um povo migrante. O nome da vizinha era Judith Horvath, e a senhora Horvath adotou a jovem Erika, mudando seu nome pra Marlene Horvath, e se mudando pra Holanda. Erika, agora Marlene, era extremamente inteligente, e rapidamente se adaptou ao país e a língua. A família Horvath eram pessoas bem informadas politicamente. Gostavam de sediar debates, e inclusive fizeram parte do levante contra o governo comunista na Hungria junto dos pais da Erika Lakatos, muitos anos antes.

Mas nunca contaram pra Erika como conseguiram mudar seu nome pra Marlene Horvath. E menos ainda Erika entendia como eles conseguiam tão facilmente deixar os países do outro lado da Cortina de Ferro e ir para aquele mundo capitalista abundante e livre. Nunca sequer tocaram no assunto.

Porém, Marlene tinha uma característica um pouco perturbadora. E o primeiro sinal disso foi quando sua vida se cruzou com Agatha van der Rohe.

Os pais adotivos de Marlene eram pessoas ligadas a movimentos de esquerda, por mais que estivessem fugindo do bloco comunista. Parecia que o bloco comunista estava prestes a ruir, fruto da ineficiência e corrupção do governo após o outro, mas ainda assim várias ideias de esquerda eram defendidas com afinco e a jovem, pela sua criação com seus pais adotivos, achava aquilo correto. Não demorou muito para que Marlene conhecesse os ideais feministas, e os defendesse com unhas e dentes. Mesmo que estivesse sozinha nisso naquela época.

Mas Agatha era uma pessoa que não ligava pra ideologias. Na verdade, as abolia. Era uma menina de uma abastada família holandesa, absolutamente nada faltava pra ela, logo qualquer coisa que ela fosse fazer era por simples prazer e diversão. De longe Marlene tinha nojo daquela pessoa, pois pra ela Agatha parecia a encarnação de tudo que existia ruim que seus pais adotivos diziam. Sua missão era acabar com Agatha, e fazê-la vir de joelhos pedir por ajuda. Mas como sabemos o destino foi meio ingrato com Marlene, levou um soco bem dado por Agatha no rosto, machucando não apenas seu rosto, mas sua integridade, seus ideais.

Foi citado acima que nessa época Marlene desenvolveu uma caraterística única, mas igualmente destrutiva e perturbadora. Marlene sofria do que chamavam de Síndrome de Estocolmo, pois mesmo detestando Agatha com toda sua força, estranhamente desenvolveu uma paixão absurda por ela, que aos olhos de Agatha era uma perseguição doentia que a outra fazia nela.

Marlene queria Agatha por cima de tudo. Queria Agatha do seu lado, não apenas na ideologia, mas também no coração. Não conseguia viver com o fato de Agatha a detestar, ela a perdoava e queria ela ao seu lado a todo custo. Talvez um fruto da sua criação e o medo de perder alguém como fora com seus pais, ela viu que a chance de vida seria se unir a alguém mais forte, mas fazia isso sem perceber, pois aquilo pra ela era... Amor. Justo a garota que havia dado aquele soco bem dado nela. Um soco que a fez se apaixonar por ela. Algo curioso da mente humana.

Essa recordação a seguir Agatha não tem, pois no dia da sua festa de graduação do colégio ela estava completamente bêbada, a ponto de não se recordar de nada. Mas Agatha, complemente embriagada, foi levada para um quarto de hotel pela Marlene, que por mais que defendesse os direitos feministas, acabou abusando sexualmente da Agatha, passando a noite com a holandesa que estava muito embriagada pra lembrar de alguma coisa. Aquilo era mais forte que ela, o desejo era imenso, aquilo na mente de Marlene era a coisa mais bonita do mundo, mas talvez num olhar de uma pessoa de fora se caracterizava como uma cena de estupro, mesmo que se fosse feito por uma outra mulher. E pior ainda: com a vítima inconsciente.

No meio da transa parece que Agatha acordou e vomitou. Ela realmente tinha nojo de mulheres, e a sujeira que ficou no cabelo de Marlene parecia só dar mais tesão pra ela. Uma feminista abusando sexualmente de uma mulher. Tão paradoxal quanto um padre abusando dos seus coroinhas.

Agatha até hoje não entende como foi parar naquele quarto de hotel sozinha, menos ainda se lembra do que aconteceu na manhã seguinte. Marlene havia deixado ela lá sozinha no meio da noite.

Naquele mesmo dia Marlene voltava pra casa realizada. Havia provado da mulher que ela sempre tivera vontade. E pra ela, de fato, mulheres hétero tinham um sabor diferente das outras que eram gays.

Mas quando chegou na sua casa, viu diversos policiais. E quando se aproximou viu sua mãe adotiva, algemada, sendo levada pra dentro do carro policial. Marlene foi se aproximando da sua casa, toda interditava e tomada por curiosos e policiais, entrando no meio das pessoas até chegar na frente e entrar na casa.

Duas coisas se misturaram, tal como havia acontecido na sua infância. Primeiro ela sentiu um gostoso cheiro de lavanda, e viu que um homem alto, grande e bem bonito que exalava o cheiro. Quando ele viu que a jovem havia entrado na casa fez um sinal para os policiais ficarem tranquilos, ainda de costas. Ao se virar, Marlene viu que sua roupa tinha marcas de sangue espirrado, e ele carregava uma arma.

“Você mora aqui?”, perguntou o homem.

Marlene não respondeu nada. Estava em choque. Por um simples motivo: quando o homem chegou nela e perguntou se ela morava lá ela viu o corpo do seu pai adotivo estirado no chão. Morto.

O cheiro delicioso de lavanda se misturou novamente com o sangue, e aquela cena parecia uma bizarra reprise do assassinato dos seus pais de quando ela era criança. Mas dessa vez ela estava na frente do algoz dos seus pais adotivos.

“Sim... Eu moro aqui. E quem é o senhor?”, perguntou Marlene. O homem pegou uma ficha, que tinha o nome e os dados daquela jovem.

“Você deve ser Erika Lakatos. Pelo visto você não sabe quem eram seus pais adotivos, mas eles eram espiões soviéticos procurados há muito tempo por nós aqui. São pessoas ligadas à mais alta cúpula do governo, e estão ligados a diversas atividades ilegais nesse bloco de cá do mundo, obtendo informações e tudo mais. Um deles infelizmente reagiu e acabou sendo morto, mas a mulher conseguimos prender sem maiores problemas. Por conta da influência deles, você conseguiu uma nova identidade e família. Eu sou Briegel, mas me chame de Coronel. Eu sou o agente líder do Sector 9 da Interpol”, disse Briegel.

O Coronel então passou por ela, saindo da casa. Marlene era de novo Erika Lakatos. Ela via aquela situação e enfim envia entendido: parecia que a vida havia voltado no mesmo ponto de antes, e dessa vez ela teria a chance de fazer uma nova escolha – uma coisa que ela não pode fazer quando era uma criança sozinha no mundo. Agora Erika era uma mulher, dona do seu nariz, de portas pra vida adulta. E nada a segurava, nem seus pais, menos ainda seus pais adotivos.

“Coronel, não é?”, gritou Erika, chamando a atenção de Briegel, que continuou andando sem se virar, “Escuta, eu não tenho nada aqui que me segura mais. Será que você pode me levar contigo? Posso ser útil de alguma forma como agente nesse local que você trabalha. Eu sou capaz de ler mentes”.

O Coronel Briegel que estava praticamente entrando no carro parou e olhou para a jovem senhorita Lakatos. Com um tom de desafio disse: “Ler mentes? Me prove”.

Erika só precisou de cinco segundos.

“Seu nome é Roland Briegel. Você nasceu em cinco de maio de 1895, portanto tem hoje oitenta e seis anos. O senhor tem uma filha, chamada Natalya, que também trabalha com o senhor, e você tem uma irm...”, nessa hora Erika hesitou, como se tivesse visto algo aterrorizante enquanto lia a mente do Coronel, que tentava entender o que estava acontecendo, “...o senhor tem uma irmã mais velha, já falecida, cujo nome é...”.

O Coronel naquele momento não entendia o motivo das lágrimas caindo do rosto de Erika Lakatos. Mas dias mais tarde ela o explicou – e foi justamente esse fato que provou que foi nada menos que o destino que trouxe Erika Lakatos para ser sua subordinada. Não era coincidência, na mente de Briegel, católico convicto, era uma providência divina, era o próprio Espírito Santo em ação.

Erika caiu de joelhos, colocou a mão no rosto e começou a chorar. Todos os agentes olharam para Coronel, que estava prestes a entrar no carro quando voltou, e segurou Erika pelos ombros, erguendo sua cabeça depois. Foi aí que ele completou a frase que ela havia começado:

“Brigitte. Esse era o nome da minha irmã mais velha. Significa algo pra você?”.

Erika Lakatos entrou na Interpol com a ajuda do Coronel Briegel. Mais tarde conheceu Arch e teve uma história com ele também, já que faziam parte da mesma seção. Foi inclusive nessa história que ela criou o codinome que acompanharia por toda sua vida dentro da Inteligência: Sara.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Jinrilationships

Eu gosto mundo de fazer andanças pela internet afora. Faz alguns meses eu conheci uma revista masculina (tipo a Playboy), que, acredite, eu gosto de ler as matérias, eu não compro essas revistas só pra ver mulher pelada. Acho mó chato isso, essas revistas normalmente tem excelentes jornalistas, e muitos artigos escritos por jornalistas mulheres para nós homens, o que é melhor ainda!

Aprecio muito de ler as matérias da Playboy, os ensaios sensuais ultimamente andam em segundo plano (mas é claro que não vou ser hipócrita em dizer que não vejo, pois vejo!), mas devido ao ótimo conteúdo sobre moda, comportamento e dicas para nós, homens ficou uma revista atrativa como um todo.

Propaganda feita, a FHM é uma versão similar. Eu no caso vejo a versão online, que diga-se de passagem, é bem humorada também. A versão que eu mais gosto é a filipina. As Filipinas foram por um tempo território americano, então eles falam inglês também, mas tem seus dialetos estranhos locais. Por isso ás vezes é osso, porque é como se você conseguisse ler a matéria sem problemas e do nada eles começavam a fala katchang ma waa bieh kula mumuli bakura eei meh dúúú, e você fica boiando naquela frase que tem sonoridade similar daqueles bichinhos do Star Wars nas suas línguas esquisitas que só o C3PO entende.

MAS TIRANDO ISSO, ATÉ QUE DÁ PRA ENTENDER!
(e ao ouvir eles falando eu não consigo segurar o riso! Soa muito engraçado, kkkkk)

Foi numa dessas que conheci uma koreana que foi capa uma vez da revista, a estonteante Jinri Park:


(ela não tem mamilos? Mamilos são polêmicos até nas Filipinas?)

Enfim, eu sei que é koreana, e koreanas são 90% cirurgia plástica e tal, mas essa não é a questão, hehe. Acontece que a Jinri Park resolveu se lançar como atriz, além de modelo que ela já é. E como eu a sigo no Twitter e no Instagram, vi o teaser de uma série na web com ela como protagonista chamado Jinrilationships, cujo slogan é algo assim: "Encontrar o amor é difícil, mesmo pra alguém como a Jinri Park!".

Sim, porque ás vezes mulheres podem ver um mulherão como ela e pensar que pra ela deve ser a coisa mais fácil do mundo. E eu ouvi muitas mulheres tipo ela que falam que pra elas é muito difícil por exatamente elas serem bonitas, e os homens terem MEDO. Incrível, não?

Mas o seriado, veiculado apenas na web, é bem massa. Eu gosto muito da linguagem, dos termos atuais, mesmo que de vez em quando eles começam a falar aquela língua baca-baca bu-bu mi meh dú que é a língua falada por lá misturada com o inglês, dando confusão geral pra entender o que diabos estão falando. Um dos meus episódios favoritos é sobre o primeiro encontro. Os outros episódios estão disponíveis na página do Facebook do seriado. Enjoy:



Jinrilationships - First Date
GET THE CHANCE TO MEET ME IN PERSON!How? Simply like the Jinrilationships Page, share this episode with a caption saying what you loved about it, don't forget to add #PARKibig, and make sure your post is PUBLIC so that I'll be able to see it.Share! Share! Share! Meet! Meet! Meet!
Posted by Jinrilationships on Wednesday, 1 April 2015

terça-feira, 12 de maio de 2015

Doppelgänger - #72 - Troca de almas.

Agatha apertou o botão.

Nessa hora, a pessoa que aguardava o sinal estava no andar superior do estacionamento. E o sinal havia sido recebido sem problemas. A hora de acabar com isso era agora!

Agatha caiu no chão, praticamente morta, carbonizada pelas chamas. Sara ficou de olho dela. Havia algo diferente que estava acontecendo. Estava ligada na alma de Agatha, e naquele momento tentou ler a sua mente.

A primeira coisa que Sara viu pelos olhos de Agatha era uma praça. Um local aberto, ao ar livre. O sol estava brilhando forte. Aquele mês de novembro em Londres havia feito sol quase todos os dias - uma raridade, dado ao fato de que é um local que chove muito.

A segunda coisa que reconheceu foram vários prédios. Prédios comerciais, de bancos, de diversas instituições financeiras.

Quando Agatha virou seu rosto, viu que estava sentada num banco, e ao lado havia um rapaz, aparentemente jovem, pele branca, óculos, barba rala e cabelo loiro escuro.

Nessa hora, Agatha colocou a mão no seu ombro, assustada. E viu que suas roupas estavam diferentes. Mas ainda assim, tomada pelo susto, sua respiração estava ofegante e muito frenética, como se tivesse levado um susto.

Por outro lado, Sara não entendia aquilo. O corpo de Agatha estava ali na sua frente, inerte.

Parece que o rapaz ao lado de Agatha na tal praça se virou pra ela e disse algo:

"Tá tudo bem com você, Victoire?".

Nessa hora Sara reconheceu o local. Era o mesmo local que ela havia passado antes pra entrar no prédio. E que inclusive Agatha estava assistindo tudo do lado de fora. "Mas como isso era possível", ela se perguntava. Aquele local que Agatha estava vendo era Triton Square, em Candem Town!

Como se isso não bastasse para assustar a psíquica, o corpo real de Agatha na sua frente começou a se erguer.

"Uau, como você conseguiu derrubar a Agatha sem dar um arranhão nela, enquanto você aí tá toda baleada e furada?", disse a pessoa, com um estranho sotaque francês.

Dessa vez foi a vez de Sara sentir medo.

"V-você não tá queimada? Era pra você estar morta!", gritou Sara.

Nessa hora o corpo Agatha, erguida na frente de Sara, apontou a arma para a psíquica. Sara se desesperou.

"PORQUÊ? Porque não consigo ler a sua mente?", gritou Sara, que ia recuando um passo depois do outro, parecendo fazer força pra conseguir ler a mente, sem sucesso.

"Bom, vamos acabar logo com isso. Realmente o plano do Al funcionou direitinho", disse o corpo de Agatha, dando o primeiro tiro na coxa direita de Sara próximo ao joelho, derrubando-a no chão.

"Pare! Pare! Pare!!!", gritava Sara de despero.

A arma estava apontada pra sua cabeça. Sem hesitar, o corpo de Agatha deu mais um tiro em Sara.

Mas o tiro passou de raspão, deixando um corte sangrando na bochecha, abaixo da orelha.

"Droga. Bem que o Al insistiu pra gente treinar mais. Não consegui corrigir, esse braço dela é diferente, é mais longo que o meu, sem contar que é um pouco mais alta. Tô acostumada com meu corpo mesmo", disse a entidade no corpo de Agatha.

"Quem diabos... O que diabos é você?", disse Sara, aterrorizada, chorando e implorando clemência.

"Ah! Desculpe, não me apresentei. Sou eu, Victoire. A tal francesa que você não foi muito com a cara, lembra?", disse Victoire, no corpo de Agatha.

"Mas como você...?", perguntou Sara.

Nessa hora Sara olhou pra detrás do corpo de Agatha, e viu ninguém menos que Ravena, a mediúnica do grupo.

"Ravena... Porquê?", perguntou Sara.

Com a arma apontada pra cabeça o fim de Sara era inevitável nas mãos de Victoire no corpo de Agatha. Mas dizem que o destino tem planos maiores para nós mesmos, e talvez nós mesmos sejamos pequenos demais pra entender o que existe planejado para nós mesmos dentro dessa grande corrente de acasos que é a nossa vida.

Quando Victoire puxou o gatilho e arma emperrou. A chance disso acontecer era próxima de zero porcento, mas por um acaso do destino aconteceu.

"Merda. Parece que a dama da sorte tá do seu lado mesmo", disse Victoire. Depois disso ela deu uma pancada na cabeça de Sara com a arma, fazendo a psíquica cair desacordada.

Victoire virou-se para Ravena, no corpo de Agatha.

"Nossa, meu mamilo tá coçando... Ai, ai", disse Victoire, olhando para o seio de Agatha, que estava com marcas de mordidas, talvez ocorridas durante as noitadas de sexo dela, "Minha nossa, isso tá coçando demais! Eu não deixo ninguém morder meus peitos assim. Enfim... Ravena, pode fazer o favor de nos trocar de volta? Quero de volta meu corpo limpinho, por favor".

- - - - -

"Nossa. Quer dizer que aquele fogo nunca aconteceu?", disse Agatha, já de volta ao seu corpo.

"Não. Seu corpo tá inteirinho. Sem nenhum arranhão. Exceto aquilo nos seus seios...", disse Victoire, olhando com nojo pra Agatha, "Quando você sair pra uma noitada dessas selvagens passa alguma coisa pra essas feridinhas, tá? Nossa, isso tá coçando horrores, e você parece que tá sentindo nada!".

"A Sara não consegue produzir fogo, nem usar os poderes telepáticos dela de uma forma que mexa tanto com objetos físicos. Todo esse fogo era uma ilusão que ela projetou na sua mente, Agatha", disse Ravena.

"Parecia bem real. Mesmo", disse Agatha.

"A mente humana é um negócio fascinante mesmo", disse Ravena, "Inclusive tem a força pra parar de lutar pela vida quando percebe que a mesma chegou no fim, mesmo que isso seja apenas uma ilusão. Muitas pessoas que Sara matou ela sequer encostou num fio de cabelo deles, mas projetou de forma realista tantos danos no corpo por meio das suas ilusões que depois de um momento as próprias pessoas perdiam a vontade de viver acreditando que haviam sido feridas mortalmente, por mais que, fisicamente, nada daquilo havia acontecido".

"Esse plano foi excelente mesmo. E ainda bem que você conseguiu vir a tempo lá da América Latina, Ravena. Tivemos pouco tempo pra treinar, mas no final deu tudo certo", disse Victoire.

"Sara estava controlando psiquicamente a Agatha. Mesmo quando troquei a alma, ela continuou fixada na alma da Agatha, só que dessa vez estava no corpo de Victoire que não estava vendo ilusão alguma. Como Victoire não entrou em transe com Sara, quando ela acordou no corpo de Agatha nenhuma ilusão a estava afetando. Ainda bem que ela apertou o botão de pânico a tempo, pois ela poderia ter perdido de vez a vontade de viver e teria fatalmente morrido dentro da ilusão da Sara. Quando o botão apertou nós três meditamos e entramos em sintonia, e eu só fui o canal que trocou as almas umas das outras", disse Ravena.

"Você conhece a Sara bem pelo visto, não?", disse Agatha.

"Sim. Na verdade nós duas temos histórias diferentes, mas similares em um ponto: cruzamos nosso caminho com o Arch, anos atrás", disse Ravena.

"O quê? Sara também?", disse Agatha, abismada.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Livros 2015 - #2 - The man with the Golden Gun

Oba! Terminei ontem. Sim, eu já fiz a resenha do livro antes, mas eu não tinha lido direito, por isso ficou uma resenha de bosta. Dessa vez resolvi dar uma outra chance pro livro e não me arrependi! Ian Fleming é um excelente escritor. Eu que sou um leitor preguiçoso, hehe.

O livro não é tão redondinho quanto On Her Majesty's Secret Service, especialmente na parte que diz sobre sua adaptação ao cinema. Pouquíssima coisa a ver. Mas isso não quer dizer que o livro seja ruim, jamais!

Eu já comentei que os filmes possuem quase nenhuma continuidade. Praticamente todos os filmes são independentes uns dos outros. Mas nos livros, não. Existe uma linha de enredo que vai ligando um ao outro.

O livro começa com o M recebendo ligações de alguém que se dizia ser Bond, que ele acreditava estar morto. O livro que precede esse é o famoso You only live twice, aquele que Bond vai pro Japão e dá uns pegas na Kissy Suzuki. Não achei o anterior pra ler ainda, mas pelos spoilers que já vi por aí, Bond acaba engravidando a Kissy e inclusive tem um filho com ela apenas no livro (wtf?).

Enfim, acontece que todo mundo realmente achava que Bond estava morto no livro. E depois de explodir a base do Blofeld, Bond acaba levando um sério dano na cabeça, e passando por diversos países, sofrendo lavagem cerebral ao ponto de que ele não se lembrava de muita coisa. E meses depois ele liga pro MI6 se identificando como Bond, que todos lá achavam que estava morto.

O pessoal do MI6 então se dá conta que Bond está vivo mesmo, e durante uma conversa com o M, Bond dá uma de louco e tenta matar seu próprio chefe. Mas ainda assim, como não tem pessoa melhor pra colocar pra trabalhar, dão uma chance pro Bond ainda assim.

Tem um capítulo que é um dossier completo da vida do próximo alvo de Bond, Francisco "Pistols" Scaramanga. Esse "Pistols" não é um apelido usado no filme, mas a história dele é idêntica tanto no filme, quanto no livro. Incluindo a história do elefante no tempo que Scaramanga trabalhava no circo e era seu melhor amigo. Quando o elefante num ataque de fúria começou a bater em todo mundo Scaramanga teve que matá-lo a sangue frio dando cinco tiros no olho do elefante, que fez o então garoto Scaramanga crescer com muitos traumas.

A descrição bate muito com o filme. Inclusive o terceiro mamilo (mamilo, não seio!). Eu dei uma pesquisada na internet e esse distúrbio do terceiro mamilo existe de verdade, fica tipo uma verruga, fica até bonitinho! E alguns outros detalhes sobre inclusive Scaramanga ser homossexual pois, pasmem, não sabe assobiar. Nessa hora o M está lendo o texto sobre o Scaramanga e se dá conta que desde moleque nunca conseguiu assobiar, aí ele faz o biquinho de assobio e um som sai quando ele assopra, e ele fica aliviado por não ser homossexual. Sim, what the fuck isso tem a ver? hahaha.

(aposto que se tiver um homem lendo esse texto você deve ter assobiado pra ter certeza, né danadinho? hahaha! É teoria de bosta do livro, não minha!)

Scaramanga está na Jamaica e Bond é enviado pra lá. Note que Ian Fleming adorava a Jamaica. No meio do caminho ele tromba com ela, a Mary Goodnight. A Goodnight é uma personagem que aparece em outros livros do Bond também, como On Her Majesty's Secret Service e You Only live twice, afinal ela trabalha no MI6 e é uma agente de campo também.

E lá segue algumas pistas do paradeiro do Scaramanga e cai num bar, cuja dona atendia pelo nome "Tiffy". Engraçado quando Bond a pergunta da onde vem o apelido, e ela fala que mãe dela deu os seguintes nomes pras irmãs dela: Violet, Rose, Cherry, Pansy e Lily. E quando ela nasceu a mãe não sabia mais nome de flores e chamou ela de "Artificial". Por isso, "Tiffy" (sim, sei que uma interrogação enorme está surgindo na cabeça agora).

A Mary Goodnight continua toda atrapalhada, tadinha! Bond é chamado pra ser o guarda-costas do Scaramanga quando ele estiver fazendo negociações com outros empresários. E quando Bond está hospedado, a Goodnight aparece no seu hotel e quase caga toda o esquema, pois justo na hora que ela tá lá o Scaramanga entra no quarto de Bond e Bond é obrigado a dizer que ela era sua esposa pra manter o disfarce.

No filme, Scaramanga é um assassino sob encomenda que possui um treco pra puxar energia do sol e gerar energia que ele queria vender pro governo chinês. Aqui ele é mais um empresário meio contrabandista especialmente no ramo de cana de açúcar, que ele quer dominar o mercado. Ele tem uma pistola de ouro também, mas não é legal como no filme. Essa é a do filme:


No filme é legal porque ela é formada por caneta, isqueiro e outros apetrechos que montados viram essa belezinha, que com um tiro único mata qualquer pessoa. A do filme é uma Single Action Colt calibre 45. Uma arma comum, que Scaramanga apenas ostenta, ela é similar a outra qualquer, exceto pela cor dourada:



Bom, deixa eu pular logo pro final, hehe.

Bond acaba sendo pego e descoberto pelo Scaramanga, e inclusive pega todas as evidências junto do seu amigo Felix Leiter. Bond é levado pra um trem que vai atropelar a Mary Goodnight que está amarrada nos trilhos, mas ainda assim Bond consegue derrotar todos os caras e ainda frear o trem antes de atropelar sua amiga. Mas quando ele cai fora pra ir parar a reunião dos tais empresários que iam fechar negócio com Scaramanga o trem explode, e Scaramanga aparece vivo, fugindo.

Os dois lutam num daqueles lamaçais de caranguejos. Bond com uma arma e Scaramanga com uma faca. É bem bizarra essa parte, porque o Scaramanga pega uma cobra e corta ela toda com sua faca e come suas víceras com Bond só "na moita" observando. Scaramanga percebe que Bond está atrás dele, mas acaba rendido. E Scaramanga, como um bom católico, pede pra fazer uma última oração em latim antes de morrer (?).

E aí Scaramanga fica lá louvando e coloca suas mãos no rosto, como se fosse chorar, e vai deslizando as mãos pra sua nuca, onde tinha uma Derringer, uma arma compacta, no seu colarinho. Ele pega e acerta Bond, que revida e desfere o pente da Walther PPK nele. Bond acaba hospitalizado e quase um mês depois recebe alta.

E quando ele recebe alta ele descobre que a rainha Elizabeth quer condecorá-lo fazendo-o virar "Sir James Bond", que ele rapidamente declina e diz que ele todo dia iria dar risada dele quando se visse no espelho e se chamasse "Sir James Bond". Tira um merecido descanso com quem? Quem? Quem? Mary Goodnight, é claro! Ela sempre foi caidinha pelo Bond, acha que ela iria perder essa? ;)

Foi o último livro completo escrito pelo Ian Fleming. No ano seguinte ele morreria, deixando inacabada duas obras: "Octopussy" e "The Living Daylights".

domingo, 10 de maio de 2015

Doppelgänger - #71 - Um botão para mudar o mundo.

Medo.

Agatha nunca sentira antes medo. Na verdade sempre viveu sua vida, pois nunca temeu que poderia morrer. Ela não era aquele tipo de agente que era um órfão adotado pelo Estado para se tornar uma agente. Agatha era de uma família abastada, e simplesmente entrou no ramo por estar "entediada". Sua sede de aventuras nunca a permitiu sentir medo. De nada. Nunca.

Mas naquele momento ela estava com medo.

Sara apareceu por detrás da holandesa e tocou com o seu dedo no ombro de Agatha. Uma pequena fagulha foi lançada, queimando seu corpo como se estivesse todo embebido em querosene. As chamas foram lentamente consumindo seu corpo, e parecia que quanto mais Agatha batia com sua mão para apagar as chamas, mais elas pareciam se multiplicar.

Mas Agatha tinha medo do quê?

Pensava que teria uma morte comum no máximo, com um tiro na testa, ou empurrada de um prédio. Nunca pensou que sofreria pra morrer. Sua vida era regada de prazeres, os quais ela nunca se proibiu, afinal a sociedade proíbe as outras mulheres de terem prazer, porque ela deveria segui-las se tudo para as mulheres era muito mais fácil do que para os homens?

Simplesmente ela não via sentido em seguir o pensamento da sociedade de que mulheres eram inferiores. Se um homem quer, por exemplo, sexo, ele deve conquistar a mulher, embriagá-la, ter uma conta bancária boa, uma boa conversa, ou ter charme. Mas se uma mulher quer sexo, ela apenas diz que quer fazer e aguarda o primeiro que chegar. Se um homem quiser crescer na vida, provavelmente tem que trabalhar muito, se destacar, ser amigo do chefe ou conseguir uma mina de ouro. Agatha sabia que essa era a mesma receita para mulheres, e sentia nojo das mulheres que diziam que "lutavam pelo direito de igualdade entre sexos", pois achava que elas eram um bando de desocupadas que não queriam ralar duro como ela ralava. Pois se Agatha chegou onde ela chegou, era puramente mérito dela, e do trabalho duro dela.

Ser uma mulher é muito vantajoso, e ela sabia usar absolutamente tudo ao seu favor.

Dizem que o ser humano tem uma mente que é muito fácil de se manipular. Se existe um corredor, qualquer pessoa pode tranquilamente caminhar sobre ele. Mas se você colocar uma placa - apenas apoiada por um pedestal - mesmo que não existe nenhuma barreira física, existe uma grande barreira intelectual: pessoas não passarão pela placa que estiver escrito "Proibida a entrada" pois ela é uma barreira muito mais mental do que física.

E na opinião de Agatha era isso que acontecia. A sociedade dizia que mulheres deveriam ser de um jeito ou de outro, mas nenhuma tentava ultrapassar essa barreira psíquica - e o que sobrava era essa revolta por não conseguir passar. E ela havia passado a barreira, e quando passou olhou pra trás, e viu que muitas não passavam pois obedeciam a placa do "Proibida a entrada", e aí que ela viu a fragilidade do ser humano quando ela ultrapassou a barreira e olhou pra trás.

Elas queriam passar da placa e ser respeitadas. Elas queriam passar pela placa e ser aceitas. Elas queriam passar da placa e continuarem sendo chamadas de moças de família.

E isso simplesmente nunca atingiu Agatha. Nunca se importou sobre essas questões. Nunca.

E tudo isso passou na sua mente naquele momento em que as labaredas ficavam mais e mais fortes. Agatha não soltou nem mesmo um gemido de dor, por mais que a dor fosse terrível. Aquele calor só aumentava e aumentava, e então caiu de joelhos.

O cheiro do seu corpo queimando era insuportável. E ela sabia que mesmo que sobrevivesse, dificilmente naquele ponto ficaria sem uma mínima sequela. Sua pele estaria destruída com queimaduras de terceiro grau, não teria mais cabelo, viveria como uma múmia por um longo tempo, e dificilmente sobreviveria.

Mas naquele momento olhou para Sara.

Sara recuou, inexplicavelmente.

Eu ainda tenho uma última arma, pensou Agatha.

E ela percebeu pela feição de Sara ao ler a sua mente: De fato tem alguma coisa ali, pensou Sara.

No seu cinto havia o que ela chamava de "botão de pânico". Um botão vermelho que alertaria alguma pessoa em algum lugar pedindo por ajuda. Se o prédio estava prestes a desabar em chamas, ou se o próprio corpo dela iria virar cinzas isso tudo não importava. A holandesa não queria ter que usar aquele botão, mas não havia escolha. Ela achava que conseguiria derrotar Sara tem maiores problemas, mas parece que seus poderes psíquicos eram muito além da capacidade humana.

Se ela não poderia derrota-la, pelo menos outra pessoa poderia.

Agatha então pressionou o botão.

Ela não tinha mais nenhum medo.

- - - - -

Do outro lado da cidade Ar estava verificando o computador. A pesquisa estava concluída.

A Dawn Of Souls indicou quem era o agente conhecido como "M".

O mesmo se espantou quando viu que era uma mulher.

E que havia inclusive trabalhado com seu pai, anos atrás, e era um dos membros fundadores da Chrysalis.

Ela é também filha do Arch..., pensou Ar.

Ela ficou ativa como M por cerca de vinte anos, entre 1978 e deixou o serviço em 1998. Não havia mais nenhum registro de sua atuação como M posterior a essa data. Provavelmente ainda estava agindo, pois uma pessoa que consegue tal cargo, por tanto tempo, acaba conseguindo de maneira vitalícia - mesmo depois que abandona o cargo. Vira uma pessoa tão essencial que nem mesmo os que cuidam do registro se dão ao trabalho de atualizar seu cadastro ás vezes.

E pelas informações, ainda estava viva.

Com certeza ainda está ativa. Ninguém fica vinte anos na elite e sai assim do nada, não importa a razão, pensou Ar.

No topo do arquivo o nome dela estava em negrito, em caixa alta, ao lado da sua foto: Natalya Briegel.

sábado, 9 de maio de 2015

Monges de sabre de luz (1)

Esses dias eu tava assistindo essa última trilogia de Star Wars (episódios 1-3), e como eu sou budista, foi inevitável fazer algumas comparações com a minha religião. Muita gente curte, mas nem sabe que os Jedis foram baseados muito na filosofia e crenças budistas. Até por aí criaram uma religião chamada "jedaísmo" em homenagem à série. Mas vamos considerar que foi apenas baseado na crença budista, muitas coisas não tem nada a ver também com o que o Buda pregava.

Anakin, você fez tudo errado!
Ai, ai, Anakin Escaiuólquer, me trinca de vergonha, cara. Mas tudo bem, passou e você colocou aquele penico preto na cabeça buscando seu fone de ouvido headphone e nos fez dar muitas risadas no Youtube. Mas você traiu o movimento, véio!


Talvez quem conhece um pouco de budismo possa dizer que Anakin Skywalker se tornou um Sith por causa do ódio. Em um lado pode ser bem verdade. Mas antes do ódio havia alguma coisa muito forte: apego. E especialmente esse apego gerou nele o medo de perder alguém. E isso o cegou, pois ele só achava que as coisas poderiam funcionar do jeito dele. E aí, tomado pelo medo, ele não viu saída a não ser se juntar ao lado sombrio da força.

Vou exemplificar de outra maneira: se Anakin tivesse pensado de uma forma mais budista (ou Jedi) ele teria visto de uma outra maneira as coisas. Quando eu via ele se tornando Sith eu pensava: "Ué, ele poderia continuar a vida dele numa boa! Poderia ser um pai solteiro dando duro pra criar o Luke e a Leia com todo o carinho, mesmo que tivesse que deixar o caminho Jedi". A morte é inevitável, mas existe vida mesmo depois que um ente querido morre!

E outra: quem garante que mesmo ele se casando e tendo filhos ele não poderia ainda assim continuar um Jedi? Afinal compaixão é uma palavra-chave dentro do budismo e dentro do meio Jedi. Todos nós erramos, mas pedimos desculpas sinceras e seguimos nossas vidas.

Se talvez Anakin, ao invés de fugir dos seus medos, tivesse encarado de frente, usaria a morte da Padmé no parto (que seria inevitável, ele se tornando um Sith ou não) como força pra se erguer e continuar em frente, e não como desculpa para se unir ao Darth Sidious (Palpatine) e melar todo o esquema pra sempre.



Anakin, tomado pelo medo, virou no budismo o que chamamos de Ashura, um ser dominado pela fúria.

No cristianismo permeia muito a dualidade entre bem e mal, que é uma coisa que não existe no budismo. Por isso que as pessoas que são budistas não tem medo nenhum de demônios ou "seres do inferno", pois mesmo esses são passíveis de acolhimento, de entendimento, e assim conseguirem se livrar das suas amarras. E isso inclui os "demônios" (no caso do budismo, seres dominados pela fúria e discórdia).

Budismo não tem medo de demônios. Pois o Buda, na sua imensa compaixão, acolhe até os que os outros chamam de "demônios", os entendendo, mostrando sua compaixão e perdoando seus atos maléficos. Buda foi tentado por Mara, o rei dos demônios, enquanto ele sentava na árvore bodhi para alcançar o Nirvana. Ele não "exorcizou" o demônio jogando-o de volta pro inferno, mas o derrotou no momento em que toda aquela dúvida, ira e sentimentos não o atingiam mais - nesse momento ele alcançou o nirvana, a plenitude, a iluminação.

Eu achei muito errado o que o Obi Wan fez. Chegar no cara e começar a lutar contra ele? Que coisa feia, isso não é nem um pouco budista, hehe. A violência nunca será o caminho. Jamais. Especialmente com alguém como o Anakin, que precisava ser entendido, não massacrado. Tudo bem que foi ele quem mais ou menos se matou, tomado pela raiva quando o Obi Wan tinha a vantagem do terreno, cortando as duas pernas do menino. Mas ainda assim, agir daquele jeito foge muito dos preceitos budistas.


A compaixão no budismo é exatamente mostrar isso nesses momentos! Não é punir o cara com a morte. Possivelmente o Obi Wan seria morto se ele chegasse lá disposto a falar com o Anakin? Provavelmente, sim. Mas eu creio que poderia ter tido um final diferente ainda assim.

Nesse estágio, Anakin saiu do medo de perder alguém, passou a ser dominado pela fúria, e chegou sim num estágio de icchantika, que isso sim no budismo é ruim, pois significa uma pessoa cega, que perdeu as raízes da sua fé (ou no caso, suas raízes Jedi). Anakin estava realmente cego, pois não importasse o quanto Obi Wan falasse ele nunca entenderia pois estava afundado em demasia no lado sombrio da força.

Na verdade até o período do Sutra do Nirvana no budismo quem fosse icchantika não teria salvação de forma alguma. Mas o Buda quando deu seu ensinamento final mostrou que até mesmo os icchantikas, as pessoas cegas de fé, teriam salvação.


Talvez isso necessite de um exercício de imaginação. Supondo que Obi Wan chega lá em Mustafar e vê o Anakin já bêbado de lado sombrio da força. E se ele mostrasse pro Anakin que poderia ter sim um futuro bom na frente, mesmo apesar de tudo? Poderia, por exemplo, mostrar a compaixão de um Jedi e dizer que iria ajudá-lo a viver num lugar seguro com a Padmé pra criar os pimpolhos, ou dizer que não importasse o que ele tinha feito ele o perdoava, e que ele poderia desistir daquilo tudo de coração e seguir em frente, sem problemas.

Bom, Anakin mesmo depois que virou Darth Vader mostrou que havia algo de bom dentro dele. Havia uma chance dele ouvir o pedido de Obi Wan e voltar pro lado da luz. Mas poderia ser também diferente, Anakin poderia ter sacado o sabre de luz e cortado a cabeça do mestre dele. E aí? Legítima defesa do Obi Wan ainda seria um argumento?

Quem pratica o budismo com afinco vai eliminando seus medos um a um. Chegando em um estágio que nem mesmo a morte é capaz de nós fazer temer, afinal ela faz parte da vida.

Uma vez um dos discípulos do Buda veio se despedir do seu mestre e disse que iria para um vilarejo longínquo, cuja fama era de que as pessoas naquela área não gostavam de budismo, e seguramente ele iria morrer se fosse para lá. Ainda assim o Buda perguntou pra ele: "Mesmo que você vá, saiba que as pessoas podem inclusive te matar. Ainda assim não medo de ir?"

E o discípulo do Honrado pelo mundo disse:

"Se eu morrer, não tem problemas. Todas as pessoas morrerão um dia, e eu sei que se eles tirarem minha vida antes estarão fazendo um favor pra mim, adiando minha ida ao mundo espiritual. Mas até lá, irei de coração me dedicar no tempo que tiver em ajudá-los a alcançar a iluminação e levar vidas melhores".

Talvez Obi Wan poderia ter esse tipo de pensamento e ir encarar o Anakin sem medo nenhum. E se ele fosse morto, ele sabia que de alguma forma ou de outra as palavras de compaixão haviam entrado no Anakin, e que mesmo que ele continuasse um Sith algum dia ele seria acolhido na imensa compaixão dos Budas e enfim pedido perdão por tudo o que tinha feito - afinal, maldade não se cura com mais violência.

E nossos atos bondosos e sinceros com as pessoas sempre plantam sementes nos que nós queremos o bem. E inevitavelmente em algum momento o mérito brilhará e a pessoa se redimirá.

Se levariam anos e provavelmente nem Luke, nem Leia, nem ninguém se levantaria contra o Império? Possivelmente. Mas existia alguma fagulha de bondade em Anakin, ninguém é inteiramente mal, isso não existe. Talvez no final da vida Darth Vader iria se lembrar daquelas palavras de Obi Wan em Mustafar e pediria perdão pelo que havia feito, cedo ou tarde. E nesse momento, sem dúvida, ele teria sua redenção.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Doppelgänger - #70 - M.

"Senhor Ar. Ligação para o senhor", disse a secretária de Ar.

"Transfira para a linha segura, por gentileza", disse Ar.

A tela mostrou o logo da Interpol. Logo abaixo dele havia a inscrição Sector 56.

"Ar? Bom dia. Gostaria de ter alguns minutos pra conversar com você. Tem mais alguém ouvindo essa ligação?", perguntou a voz.

"Não, ninguém está ouvindo. Quem fala?", perguntou Ar.

"Sou um membro de elite da Interpol. Por segurança no momento não posso revelar meu nome, mas me chame de Emy. Fiquei sabendo que você está em busca do Al e seu bando. Tem um momento para me ouvir?", disse a voz.

M? Que curioso isso. Uma luta entre o L e R. N deu uma mão para o Al há alguns dias. E agora mais um agente envolvido? E quer me ajudar?, pensou Ar.

"Eu já peguei o Al. E logo Agatha e Victoire estarão nas minhas mãos. Preciso apenas parar o Nataku, que não tenho certeza onde ele está", disse Ar.

"Eu tenho a informação de onde está o Nataku, o Lucca. Mas preciso que você me faça um favor. Quero sua certeza de que fará o Al sofrer muito. Quero que o leve até o inferno ainda em vida. Quero que o faça se sentir tão miserável de culpa que irá vegetar por vontade própria. Você pode ter vontade de se vingar do Al, mas a minha vontade em vê-lo perecer é maior ainda que a sua, esse irmãozinho do traidor", disse a voz.

"Ótimo. Não precisava nem pedir, na verdade. Pode me passar então, senhor Emy. Ou seria senhora? Essa voz está claramente desfigurada... Não consigo definir. Você tem o que? Endereço do Nataku?", disse Ar.

"Sim, anote, por gentileza. É numa casa, muito perto do Alexandra Park, ao norte de Londres", e a voz disse o endereço.

"Certo. Quer que eu mande um vídeo do que farei com o Al para você ter um gostinho?", disse Ar.

"Seguramente", disse a voz, se despedindo e desligando a linha.

Ar virou-se para seu computador e acessou um endereço na sua rede coorporativa. Um banco de dados muito pesado, com muitas informações, mas igualmente seguro, fechado a sete chaves. Aquilo era a maior herança que seu pai o havia deixado. Aquilo seria a ferramenta para a criação do novo mundo.

O nome do local na rede era "DawnOfSouls".

Havia um campo de pesquisa. Ar simplesmente digitou "M". O computador começou então a pesquisar.

- - - - -

"Minha nossa! Enfim te encontrei", disse uma voz, se aproximando por detrás de Victoire.

Era Neige. Ele parecia afobado, parecia que havia corrido uma maratona. Ele carregava seu laptop nos braços, e mesmo no meio daquele frio, estava começando a transpirar. Seu aspecto nerd era evidente, parecia até estar mancando - afinal, mesmo uma corrida pequena como essa era algo pouco usual para ele.

"Onde está o Al? Ele está bem? Ele não entrou mais em contato comigo", perguntou Victoire.

Neige sentou no banco ao lado dela, abrindo o laptop.

"Trago más notícias. Al foi pego. Acabei de hacker o sistema da delegacia e parece que pegaram ele. Foi uma loucura, quando fomos ver já tinham diversos policiais ao redor do prédio e não tivemos opção a não ser correr. Até mesmo eu", disse Neige.

Victoire gelou. Ela sabia que o Al tinha mais informações, além de ser a única pessoa capaz de enfrentar o Ar de igual pra igual. E agora... Ele estava fora de ação.

"Minha nossa, temos que ir agora tirar ele de lá!", disse Victoire se levantando.

Nessa hora Neige pegou firme no braço da francesa. Por mais que ele fosse um nerd de óculos e branco como um palmito olhou firmemente pra Victoire naquela hora. Eram olhos que misturavam ao mesmo determinação e medo. Apertava o braço de Victoire de uma maneira leve, como se pedisse para que ela o ouvisse antes de tomar qualquer decisão. É curioso como apenas um olhar é capaz de falar tanto sem ao menos uma única palavra. Era isso o que Neige queria dizer.

"Por favor, não vá. Fique", disse Neige.

Aquele pedido havia tocado Victoire de alguma maneira. Talvez no mundo lá fora, machista, dificilmente um homem pediria ajuda para uma mulher. E menos ainda um homem pediria para uma mulher o proteger. Mas era isso o que estava intrínseco no pedido sincero de Neige, junto com a mão no braço da francesa. O americano tinha medo. E sabia que a única pessoa que poderia contar naquele momento era aquela que estava em sua frente.

"Tá. Tudo bem", disse Victoire. Ela olhou pra mão de Neige segurando seu braço e mostrou um ligeiro embaraço, "Escuta... Será que você pode me soltar então? Eu vou ficar aqui, pode deixar".

"Ah, ah... Obrigado!", disse Neige, ruborizado.

Victoire olhou para a porta do estacionamento. Algumas dezenas de metros os separavam da batalha da Agatha, mas ainda assim pareciam quilômetros. E ela estava apreensiva com o que estava acontecendo lá.

"Sequer consigo ouvir os tiros, não tenho ideia do que está acontecendo. E tampouco posso entrar lá agora. Não sei se a Agatha está conseguindo...", disse Victoire.

"Bom, o jeito é esperar", disse Neige, abrindo seu laptop e puxando uma conexão de internet da estatal britânica, "Pelo menos aqui tem esses hotspots de internet na praça".

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Doppelgänger - #69 - Aquilo que é dotado de beleza e desespero.

Sara estava flutuando no ar. Seus braços abertos pareciam ter Agatha como presa. Parecia um ser pronto pro abate a qualquer momento. Por outro lado, Agatha continuava no chão, em pé, mirando em Sara.

"Onde está o Ar? Vamos, me diga!", disse Agatha, ameaçando com a arma.

"Eu consigo ler sua mente como um livro aberto", disse Sara, ignorando Agatha.

Agatha estava sem paciência. Al havia mandado trazer às pressas uma pessoa, e o último dia em especial foi todo usado para um treino específico com essa pessoa. E ela sabia que essa pessoa estava ali, próximo, mas presente. Mas pelo estado mental de Sara talvez sequer iria precisar disso.

"Chega disso. Você pode ler minha mente, mas e daí? Vai por acaso parar a bala em pleno ar?", disse Agatha, carregada na ironia.

Agatha puxou o gatilho, mirando no joelho, uma das partes que mais doem no corpo caso se leve um tiro. Mas inexplicavelmente Sara flutuou pra esquerda milésimos antes depois do gatilho ter sido acionado. Agatha ficou surpresa.

O quê? Não... Deve ter sido coincidência. Vou despejar agora vários tiros, quero ver se escapa agora!, pensou Agatha.

A rajada de tiros foi disparada, ainda assim por mais que ela virasse pra esquerda Sara parecia sempre conseguir escapar por milímetros do tiro, dando até mesmo a impressão de que os tiros estavam acertando seu alvo. Mas na verdade ainda estavam passando ligeiramente longe - milímetros, mas ainda assim, fora do alvo.

"Eu te disse! Eu posso ler sua mente como um livro aberto, Agatha! Eu sou imbatível, ninguém nunca vai conseguir acertar um tiro em mim, se eu fosse você, desistiria. Ajoelhe-se na minha frente!", disse Sara.

"Rá... Nem fudendo. Que coisa mais anos oitenta... Ajoelhar? Estamos em 2012. Ninguém faz mais isso, você tá parecendo vilã de filme B. Você só consegue escapar de uma bala ou outra, quero ver se consegue escapar dessa", disse Agatha.

Agatha saiu correndo em volta de Sara. Como estavam em um estacionamento, haviam muitas pilastras ao redor do local. O plano era ousado, mas merecia o teste. Agatha atirou não diretamente nas pilastras, mas num ângulo ligeiramente diagonal. Ela gostava de brincar nisso nos tempos que começou como agente na inteligência. Uma avançada técnica de ricocheteio de tiros, mas que haviam anos que ela não testava.

"Ah!", gritou Sara, de dor. Algo a havia acertado.

Um tiro pegou em cheio no braço de Sara, que gritou de dor. Mas Agatha havia basicamente furado várias pilastras, e desperdiçado muitos tiros nessa brincadeira pra um resultado pífio. Realmente estava enferrujada.

"É só isso que pode fazer, Agatha?", disse Sara, aproximando-se do ombro de Agatha furtivamente, assustando-a, "Vou te mostrar o que eu realmente posso fazer".

Sara estendeu os braços e deu um grito. Fogo parecia brotar dos seus braços, e logo estava queimando uma parte do chão daquele estacionamento.

"Você é louca? Estamos no subsolo! Se o prédio desmoronar com esse fogo nós vamos...", disse Agatha, interrompida.

"Nós não. VOCÊ! Você é quem vai morrer!", disse Sara, que continuava jogando rajadas de fogo saindo das suas mãos.

Merda, merda, isso deve ser um truque. Deve ter alguma coisa acoplada nela, tipo um lança chamas, sei lá. Isso é impossível! Não dá pra criar fogo desse jeito com forças psíquicas. Nunca ouvi falar disso dentro da Inteligência. Ou dá?, pensou Agatha.

"Não é um truque, Agatha", disse Sara, envolta de chamas.

Agatha ficou calada olhando para aquela cena.

"Isso é tudo uma amostra do que eu fiz pra te superar, Agatha. Tudo por todos esses anos de humilhação. Por você ser quem você é achando que todas as pessoas possam ser como você. Vou fazer questão de te matar aqui e agora! E assim, enterrar junto o que você representa pra todas nós que lutamos por mais igualdade para nós mulheres!", disse Sara.

"Nossa! Quer dizer que esse fogo todo é só para isso? Eu já te achava meio louquinha, mas agora eu tenho é certeza disso. Você acha que isso é uma luta de ideologias, mas nunca foi, pois a única ideologia que existe aqui é a sua. Eu sou livre e faço o que eu quiser, e não vai ser um movimento, menos ainda umas desmotivadas como você que acredita nessa bosta que acham que podem forçar as pessoas a respeitarem vocês se vocês não arregaçam as mangas e vão pra luta. Como eu disse, nunca um homem vai me fazer abaixar a cabeça... Pois todos estão já aos meus pés", disse Agatha.

"Chega de asneiras! A próxima rajada vai ser direto em você!", disse Sara.

"Sabe o que mais me deixa intrigada?", disse Agatha, ganhando na retórica.

Sara ficou calada.

"É que há momentos atrás você estava realmente afim de mim. Chega a soar irônico como uma pessoa como você diz que nutriu um ódio mortal por mim todos esses anos e aparece assim, querendo me amar. Você sabe... Nós da Inteligência aprendemos a fazer cenários psicológicos para entender o comportamento dos nossos alvos. Tenho dois cenários, limpe bem esses ouvidos para me ouvir, está bem?", disse Agatha.

"E qual a sua teoria?", disse Sara.

"O primeiro cenário é que o ódio se transformou em amor. Isso é bem comum, muitas pessoas acabam negando seus sentimentos por outra pessoa e, dentro da sua própria incapacidade de controlar esses sentimentos, reagem com raiva, achando que podem tirar essa pessoa à força de suas vidas. O segundo cenário é que talvez você tenha algum psicopatismo - para isso não se assuste, eu também não tenho muito discernimento, talvez seja por isso que entrei na Inteligência - porque pra uma pessoa fazer o que você faz só deve gostar de sofrer mesmo. Especialmente auto-sofrimento", disse Agatha, ressaltando a ironia na última frase.

Agatha tentou mais uma vez desferir tiros, mas nada. Ela sequer conseguiu trocar o pente reserva quando viu uma enorme bola de fogo vindo na sua direção. Aquilo era dotado de beleza e ao mesmo tempo desespero. Uma enorme bola alaranjada voando lentamente em sua direção.

Nesses momentos próximos da morte as coisas em nossas vidas parecem estar em câmera lenta. Faltando poucos centímetros para a bola acertar, Agatha deu um salto pra esquerda, se protegendo atrás de uma pilastra, vendo a bola acertar o chão e explodir. A onda de choque voltou um pouco pra cima de Sara, que virou seu rosto pra se proteger.

Aquela era a hora!

Agatha deu um salto saindo da pilastra e deu uma corrida até onde Sara estava. Quando apenas menos de dois metros a separavam da psíquica, a holandesa desferiu vários tiros. Mais da metade do seu último pente de balas foi usado, e ela viu cada uma das balas acertando as costas de Sara. O som parecia denunciar que estava realmente sendo alvejada, pois parece que o próprio fogo que Sara havia criado a estava consumindo.

Vitória!

Agatha parecia aliviada. Aquele fogo todo estava deixando aquela sala sem possibilidade para até mesmo se respirar, sem contar o calor. Agatha transpirava, pingando de suor no chão, enquanto se sentia sendo assada viva. Provavelmente não conseguiria sair de lá tão facilmente. E nesse ponto, parecia que o prédio todo estava prestes a ser consumido pelo fogo - isso é, se já não estivesse sendo consumido.

Ah... Agora tenho que dar um jeito de sair daqui, pensou Agatha.

Porém, quando ela se virou, deu de cara com Sara. Pelo visto aquele corpo que ela alvejou de tiros era uma ilusão.

"Aonde pensa que vai? Não terminei ainda contigo", disse Sara.

Agatha pela primeira vez em muitos anos sentiu medo. Estava encurralada.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

007 O espião que me amava (1977)


Chegamos ao último filme! E deixei o meu filme favorito pro final. Porque eu adoro esse filme? Por muitos motivos, que vão desde a trilha sonora, vilão, bondgirl, cenários e acima de tudo, a trama. 007 O espião que me amava ainda é um filme que me empolga como da primeira vez que o vi. Nele, James Bond, o agente britânico 007, tem que unir forças com Anya Amasova, a agente russa Triple-X, para parar um empresário maluco que quer criar uma nova e perfeita sociedade no fundo do mar.

O filme começa mostrando o sequestro de um submarino, que desaparece misteriosamente. No Kremlin, o general Gogol contacta agente Triple-X. A cena é curiosa porque mostra um casal na cama, e claro que todos pensam que tal agente Triple-X seja o homem. Mas na verdade, quem responde o chamado na caixinha de música é a mulher, Anya Amasova:


Na Áustria, Bond está curtindo uns sexo com uma loura. E recebe o chamado do MI6 pra se apresentar imediatamente. É engraçado quando a mulher diz "But James, I need you!", e Bond responde: "So does England!", hahaha.


Note que aos 2m00s do filme acima Bond mata um carinha. Apenas guardem esse fato, pois ele é o namorado da Triple-X, que estava numa missão pra matar Bond na Áustria. Mas Bond matou sem saber quem era o cara realmente, e nesse momento nem tinha noção do que aconteceria mais pra frente, menos ainda que trabalharia com a namorada do cara que deu um tiro.

E temos no final do vídeo uma das cenas mais fodas da série. James Bond pula de um desfiladeiro com esqui e tudo. E no final, abre o para-quedas, com uma imensa bandeira do Reino Unido. Se o filme parasse por aqui já estaria muito bom! Mas ainda estamos no comecinho. Pra ser mais exato, depois dessa cena temos o tema do filme:


A canção Nobody does it better, eternizada na voz da Carly Simon, foi a primeira canção-tema de um filme de James Bond que não tem o título igual ao filme (embora que na letra da canção ela fala "The spy who loved me" no meio da música). Simplesmente foi eternizada. A gente ouve até hoje essa canção, seja no Oscar, seja até em filmes como Sr & Sra Smith e até mesmo no filme da Bridget Jones já tocou.

É meu tema favorito de todos também. A sequência de animação é linda também! É engraçado ver esses peitinhos pontudos balançando, hahaha. Eu sempre fico cantando junto também. Nobody does it, better! Makes me feel saaad for the rest!


Curioso que na mesa do chefão soviético o que mais me chamou a atenção foi o telefone vermelho! Era um mito que existia nessa época, do famoso telefone vermelho de emergência que o pentágono e Kremlin poderiam usar para se comunicar no caso de uma ameaça atômica. A tal linha existia, mas não era um telefone, e tampouco vermelho. Mas foi algo curioso que os produtores colocaram!

Nessa cena Anya descobre que seu namorado foi morto e recebe sua missão, de buscar um microfilme com os planos para a construção de um sistema de rastreamento de submarinos super avançado e trazê-lo para os soviéticos.


Essa cena de briefing é bem curiosa! Na ponta esquerda temos um tal de almirante Hargreaves, interpretado por Robert Brown, que anos mais tarde faria o papel de M, depois de Bernard Lee. Na ponta direita é o Q com seu papo tecnológico e tal, explicando os paranauê.

Missão dada, missão cumprida! Vamos ao Egito então! Parece que o tal microfilme está sendo negociado no mercado negro no Egito. E claro que Bond não tem uma recepção muito calorosa:


Gosto muito do final da cena! Fekkish é o tal carinha suspeito de ter o microfilme. Bom, se ele está nas pirâmides, vamos lá. Bond chega no local e reconhece Anya Amasova (parece que os agentes todos se conhecem, mesmo que trabalhem para lados diferentes do globo) que também está lá pra pegar o microfilme do Fekkish.

Mas temos um novo amiguinho. E não é o Dollynho:


Jaws, conhecido no Brasil também como Dentes de Aço, que dispensa maiores apresentações! Muitos músculos e pouco cérebro, um dos vilões mais clássicos de Bond trabalhando pro malvadão do Stromberg. Ele aparece no próximo filme também, 007 contra o Foguete da Morte.

O maior suspeito de ter informações que levariam até o microfilme, o tal Fekkish, é morto pelo grandalhão aí. Tenso! Mas não tem nada que um drinque entre colegas não resolva. Bond vai investigar outra pessoa suspeita de ter o microfilme em um boteco ali mesmo em Cairo. E lá encontra a major Amasova vestida para matar:


Até mesmo a bebida favorita um do outro eles sabem! De Bond, todos conhecem, Vodka Martini, batido não mexido. A da major Amasova é Bacardi com gelo. E na conversa, Anya Amasova toca na maior ferida de Bond, e o fantasma da Tracy volta a aparecer, mesmo que por apenas alguns segundos:

Major Anya Amasova: "Commander James Bond, recruited to the British Secret Service from the Royal Navy. License to kill and has done so on numerous occasions. Many lady friends but married only once. Wife killed..."
James Bond: "You've made your point."
Major Anya Amasova: "You're sensitive, Mr. Bond?"
James Bond: "About some things."



Curioso que o tiozinho que estava com o microfilme, logo após ser morto pelo Jaws, é encontrado o corpo pelo 007 que ao ver que o microfilme havia sido levado pelo Dentes de Aço põe uma plaquinha de "Out of order" (fora de serviço) que estava na cabine telefônica em cima do corpo.

Bond entra no furgão de Jaws pra saber onde o grandalhão estava indo. Mas quem entra junto pra não perder a ação? Ela, Anya Amasova, claro! Jaws vai até as ruínas de um templo egípcio, e claro que temos briga. A parte mais legal é Jaws, de mãos nuas, quebrando o carro todo com socos. O cara é mito.


Ê agonia esse carro que não pega, haha! E claro que o carro nesse estado todo depenado não iria muito longe. Quando Bond e Anya desistem do carro e resolvem ir a pé toca até a música do Lawrence da Arábia toca (trollagem do sonoplasta, hehe!) enquanto eles caminham a pé no deserto.

Eles chegam num rio e, enfim, parecem estar salvos. Conseguem uma carona num barco, e Bond tenta chegar chegando na Anya, achando que pode conseguir uma trepada fácil. Amasova está lá, poucas roupas, passando frio, e começa a falar do treinamento dela de sobrevivência em climas extremos, como na Sibéria, falando dos pontos principais do treino:


Major Anya Amasova: "That it's very important to have a positive mental attitude".
James Bond: "Nothing more practical than that?"
Major Anya Amasova: "Food is also very important".
James Bond: "Mm-hmm. What else?"
Major Anya Amasova: "When necessary, shared bodily warmth".
James Bond: "That's the part I like".

It's a trap! Amasova aproveita que Bond tava pertinho e tasca um cigarro que na verdade estava cheio de pó sonífero, assoprando na casa de Bond e derrubando o cara, e pegando o microfilme. Bond vai então onde o MI6 estava alocado em Cairo, e eles analisam o conteúdo do microfilme. Os cinco analisam, general Gogol, major Amasova, Bond, Q e M.


E descobrem que havia um carimbo das empresas de Stromberg, um magnata cheio da grana, que agora é o maior suspeito. Os dois líderes resolvem fazer um pacto de amizade e pela primeira vez a União Soviética e o Reino Unido dão as mãos para enfrentar um inimigo em comum. Bond e Amasova irão atrás de Stromberg!

Eles pegam um trem até Sardenha. Só que quem estava no trem também pra complicar as coisas?


Anos mais tarde o ator que fez Jaws (Richard Kiel) confessou que deu um pulo quando assistiu essa cena pela primeira vez, hahaha! Susto da porra. Como podem ver, Bond é um franguinho perto do Jaws, mas ainda assim a luta é muito boa.

Bond volta e meia luta em trens. Essa não foi a primeira, menos ainda a última. É outro clichê usado na trama! Logo depois dessa cena conhecemos o carro da vez. O Lotus Esprit:


Nesse momento o Q só revela pra 007 as traquitanas desse novo carro. Nem nós, menos ainda a major Amasova ouvem a conversa entre os dois explicando o funcionamento do carro. Não preciso nem dizer que é algo sensacional, né? Já já eu mostro!

Bond vai ao encontro de Karl Stromberg, o vilão. E descobre que o cara é um maluco mesmo, que não aperta as mãos das pessoas quando lhe estendem (hã?). Cheio de nojinhos:


Mas como se seu medo de pegar germes não fosse o suficiente, o cara ainda quer construir um conjunto de moradias submarinas - que na verdade é um disfarce para seu plano de aniquilar a raça humana e deixar apenas alguns escolhidos a dedo por ele povoarem a nova Terra (ou planeta Água, já que será tudo submarino).


Engraçado que a desculpa dele pra aniquilar a raça humana é porque na opinião dele o ser humano não presta, vai se auto-destruir pois todos os valores e blá-blá-blá-whiskas-sachê-blá-blá-blá de moralidade e bons costumes foram pro foço.

E o filme é de 1977. Se há quase quarenta anos atrás o pessoal achava isso da humanidade, se seu argumento de que antigamente eram tempos melhores, sinto muito, mas era a mesma bosta que hoje em dia, hehe.

E claro que Stromberg descobre quem é James Bond e Anya Amasova, e manda capangas atrás deles e seu carrão.


E aí em uma ação desesperada de se safar dessa, Bond joga seu carro no meio do mar! E aí que mostra uma das engenhocas mais legais que o Q colocou num carro em toda a história. O Lotus Esprit vira um fucking submarino.

FU-DI-DO. Sem mais, meritíssimo.


A cena dele saindo na água é excelente também! Tem o tiozinho bêbado que aparece em 007 contra o Foguete da Morte e no 007 Somente para seus olhos. Pra quem não sabe, ele é Victor Tourjansky, diretor assistente do filme que faz o papel do bêbado que não acredita nas coisas que vê e sempre olha pra sua bebida com cara de culpado!

Ele é visto aos 0m24s desse vídeo:


E aí, alerta pra PLOT TWIST!

Bond e Amasova estão lá como dois pombinhos reunindo as informações que coletaram e investigaram, e aí a Amasova vai fumar um cigarro e vê que o isqueiro que Bond comprou é bonito, e pergunta onde ele comprou. E ele fala que foi na Áustria, durante uma missão, há três semanas.

E nem preciso dizer que Amasova associou uma coisa com a outra. Bond estava na Áustria em uma missão no mesmo tempo que seu namorado também estava por lá, com a missão de matar um agente certo britânico - no caso, Bond - só que ele acabou morto por Bond no começo do filme. Olha a cara dela chocada quando descobre:


Ela faz ali uma promessa: assim que a missão acabar, vai matar Bond. Tá fudido, rapá!

Gosto muito do gelo que ela dá em Bond quando eles estão sendo transportados pra um submarino que serviria de isca pra Stromberg. Olha o Bond sorrindo com cara de cachorro carente e ela nem dando bola pro cara, hahaha:


Realmente a menina tá puta. Um conselho, Bond: quando mulher tá assim nem chega perto!

E o submarino acaba sendo pego pelo Stromberg, e Bond e Amasova são presos no navio imenso de Stromberg que engole submarinos. E ali mesmo ele mira duas ogivas nucleares pra explodirem em Moscou e em Nova Iorque. Bond consegue mudar o alvo dos mísseis e os mísseis acertam os próprios submarinos que lançam as ogivas.

Com o mundo salvo, e o navio de Stromberg afundado, agora Bond tem que correr e salvar Amasova, já que ele fugiu com ela pra sua fortaleza submarina (mas pera aí... Não havia um trato que ele seria morto por ela depois que a missão acabasse?).


Para isso Q manda pra Bond um protótipo de uma wetbike (acima). Na época era uma novidade, não havia nada de igual feito, menos ainda jetskis de hoje em dia! Quem diria que mais pra frente isso viraria até um esporte. Legal!


E aí, temos a luta final entre Bond e Stromberg. Bond o encontra numa mesa imensa comendo, e Bond vai lá e senta na ponta (educação britânica, saca?). Só que havia algo embaixo da mesa:


Bond, com seus reflexos fenomenais, escapa. E devolve o tiro, mirando nesse cano embaixo da mesa, que acerta o vilão bem no meio da... Bom, vou deixar a expressão do Stromberg resumir o lugar que o tiro de Bond acertou:


Cara, se um chute lá embaixo já dói pacas, imagina um tiro? Não sei o que ocorre quando isso acontece isso na vida real, mas o Stromberg morre depois do tiro nas bolas. Viver sem o peru ia ser osso!

Bond salva Amasova depois de um rápido confronto com Jaws (que sobrevive no final do filme!). Quando eles estão na capsula de fuga de Stromberg enfim chega a hora da verdade. A hora da vingança da Anya Amasova:


Bom, no final os sentimentos da Amasova acabam sobrepujando o ódio dela e a vontade de se vingar de Bond e aí os dois juntos são pegos no bem-bom pelos seus chefes depois de serem resgatados.

M: "007!"
General Gogol: "Triple X!"
Minister of Defence: "Bond! What do you think you're doing?"
James Bond: "Keeping the British end up, sir".

Está no começo desse vídeo de coletânea de vezes que Bond foi pego fazendo sexo, hehe. Sensacional ainda mais é o papel no champanhe na cena!

É issaê! Manter a Inglaterra em pé, hahaha.

Esse filme além de ser meu favorito, é meu favorito em diversas coisas se analisadas separadamente, como trilha sonora e trama. Mas nada pra mim supera a beleza da Bondgirl, Anya Amasova, também conhecida pelo codinome Agente Triplo-X que ganhou vida na atuação de Barbara Bach.


Quando eu era moleque meu sonho era casar com ela! Eu acho ela tão bonita! Pra mim é a BondGirl mais bonita de todas. E sabe com quem ela é casada na vida real? Infelizmente não sou eu (ela também poderia ser minha avó), mas sim o Ringo Starr.

A atuação dela é genial. O sotaque russo dela é bem sutil, nada forçado e engraçado (isso é muito importante!). Eu gosto muito pois ela sempre passa o ar de ser muito segura e estar sempre no controle da situação, até debochando em muitas partes do próprio Bond que tem hora que nem sabe o que fazer com os sorrisos cínicos dela!


A rivalidade entre os dois é óbvia, assim com havia a rivalidade entre o Reino Unido e União Soviética. A personagem dela é tão bem construída que esbarra em outras duas lendas, como a Melina Havelock de 007 Somente para seus olhos e a própria falecida esposa de Bond, a Tracy Bond, de 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade.

Afinal, ela é uma agente de elite do seu país também, e seu comportamento é muito parecido com Bond, especialmente na cama, bebida e armas. Ela é a espiã que nós amamos depois de assistir o filme, isso sim!


E a beleza dela mereceria um post á parte! Eu adoro esses olhos redondos e expressivos. E esse rosto dela fica lindo, seja com cabelo preso ou solto. E o corpo dela é bem bonito também, na medida certa e perfeita, sem adicionar nem tirar nada. Barbara Bach sempre foi um sonho pra mim, sorte do Ringo que realizou esse sonho e está há anos casado com ela.

Pois casado esse pacote todo nessa perfeição de mulher, só depois que a morte separe, mesmo! Iria aproveitar cada segundinho desse sonho até lá!

- - - - -

Bom esse é o último filme que faltava! Terminando com chave de ouro! Se você leu até aqui, muito obrigado! Se quiser ler os outros, é só buscar os posts com a tag James Bond aqui no meu blog. Espero que tenham gostado até aqui! Foram dois meses de muitos posts, e já estou com saudades dessa maratona (por mais que tenha dado um trabalhão também). Continuem visitando!

Muito obrigado!

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