sexta-feira, 1 de maio de 2015

007 - Operação Skyfall (2012)


Meu maior sonho quando era moleque era assistir um filme do 007 na terra da Rainha. Quando eu desembarquei em outubro de 2012 em Londres e vi o cartaz imenso no Odeon em Leicester Square eu não tive dúvidas que aquela seria a oportunidade de realizar meu sonho desde criança. Só que, não foi no famoso cinema Odeon de Leicester Square, e sim numa filial da Vue Cinemas, em Wood Green, Haringey, norte de Londres onde eu estava me hospedando. Mas e daí, caralho! Eu tava vendo James Bond no Reino Unido! Eu não poderia querer mais nada!

Esses filmes atuais com o Craig sempre começam com ação desde o princípio. Bond começa indo atrás de um HD que havia sido levado com todos os dados de todos os agentes do MI6 que estão investigando terroristas. E já desde o começo ele tem uma super companheira, tão durona quanto ele, a Eve:


A perseguição é muito boa! Começa num carro, depois passa pra uma moto e no final, Bond e o tal Patrice - o mané que roubou o tal HD com os dados dos agentes - lutam em um trem em movimento. Eve está com um rifle e com eles na mira, pronta pra atirar. Mas... Acaba errando o alvo, acertando Bond (e tinha como acertar? Impossível!).


Os roteiristas adoram matar Bond ou fazer ele ser demitido. Parece fetiche! Aproveitando o gancho com a queda livre de Bond, já pegam e engatam com o tema do filme, vencedor do Academy Awards de melhor canção-tema.

Uma música de arrepiar, uma das melhores aberturas até hoje, e ainda interpretada por uma das melhores vozes da atualidade. Com vocês, a gordelícia docinho-de-coco, Adele cantando Skyfall:


Essa música até hoje me dá calafrios! Lembro que na sessão que eu fui no cinema em Londres eu tava praticamente sozinho. Ainda bem, porque se tivesse mais alguém veria um marmanjo fã de James Bond lacrimejando com essa abertura que é uma das coisas mais linda que eu já vi! =)

Bom, já que o cara morreu, o jeito é preencher o obituário do cara. Engraçado o comentário da minha mãe vendo a cena: "Nossa, a chefe dele gosta dando dele que tem uma foto dele de papel de parede!". Pois é, parece, mas vendo bem, não é papel de parede, hehe:


A maior estrela do filme é, sem dúvidas, a M. Já que vamos falar muito dela no filme, vou dizer o que acho dela também. Judi Dench assumiu o posto de M em 007 contra GoldenEye. É a primeira M mulher, e justo o papel de M, que é importantíssimo para a trama. M sempre foi o contrário de Bond, os dois personagens sempre foram muito contrastantes. Bond é o cara perdido, bebe, fuma e joga, não tem responsabilidade, tampouco compromissos. Já M sempre é o estandarte da responsabilidade, e ainda por estar acima de 007, sempre que faz vista grossa, James Bond não tem jeito, tem que obedecer, afinal, quem manda é M.

M já foi interpretado por dois atores. Bernard Lee foi o primeiro e imortal M, e depois Robert Brown, que foi bem meia-boca no papel. Mas vamos comparar os dois melhores: Bernard Lee e Judi Dench. Bernard Lee era o M masculino, Bond nunca escondeu que tinha um grande respeito por ele, sempre o chamando de "sir", mesmo que fosse pra discordar ou colocar um outro ponto de vista.


Já Judi Dench toca na ferida de James Bond pois é uma mulher. Não que ele não a obedeça, mas por ela ser mulher, ele tem margem pra ser rebelde, coisa que ele raramente conseguia ser quando o M era um homem. Como se isso não fosse suficiente, Judi Dench ainda é excelente pro papel, e ao menos a minha geração, que é GoldenEye pra cá, não conseguimos imaginar uma outra pessoa no seu papel a não ser ela.

Desde o começo M mostrou que jamais ia deixar o fato dela ser mulher acabar sendo menosprezada ou usada por Bond. Já desde a primeira vez que apareceu, há vinte anos atrás, ela mostrou pro que veio, chamando Bond de machista e um dinossauro misógino. Tem como não amá-la? =)


E eu adoro esse filme pois o foco é ela e a relação dela com Bond.

Mas enfim, voltando pro filme... M parece que vai ser obrigada a se aposentar, e até conhece seu sucessor, Gareth Mallory (acima). Depois do HD ter sido roubado e a "morte" de 007, as coisas ficaram bem complicadas no MI6. Mas ela resiste, e diz que essa será sua última missão no cargo.


Só que, enquanto ela voltava pro MI6 ela vê o prédio sendo alvo de um atentado (acima). Alguém havia hackeado os sistemas e liberado o gás do aquecimento, causando uma explosão no prédio do MI6. Esse prédio é real, ele está próximo da Vauxhall Bridge em Londres, e de facto, é a sede do MI6.

É mano, a porra ficou séria! E o 007?

Comendo mulheres, bebendo, aproveitando a vida, já que achavam que ele tava morto. Até que um dia ele lá de boas tomando uns drink vê na CNN a notícia do atentado. O jeito é voltar e se apresentar ao serviço! Parece uma piada recorrente, mas o Bond de Craig sempre parece que dá um jeito de invadir a casa da M. E não é diferente nesse filme. Bond é apresentado ao novo MI6, e recebe o briefing da missão e começa a treinar.

Duas cenas legais: a primeira, é o teste psicológico que fazem com Bond:


É um teste de bate-bola jogo rápido, falar a primeira palavra que vem a mente quando o psicólogo diz a palavra. As respostas de Bond são as melhores:

Doctor Hall: Gun.
James Bond: Shot.

Doctor Hall: Agent.
James Bond: Provocateur.

Doctor Hall: Woman?
James Bond: Provocatrix. [em inglês, "provocativa"]

Doctor Hall: Heart.
James Bond: Target.

Doctor Hall: Bird.
James Bond: Sky.

Doctor Hall: M.
James Bond: Bitch. [na versão dublada, "vaca". Ficou até leve!]

Doctor Hall: Sunlight
James Bond: Swim

Doctor Hall: Moon
James Bond: Dance

Doctor Hall: Murder.
James Bond: Employment.

Doctor Hall: Country.
James Bond: England. [Bond sempre foi patriota. Um detalhe do personagem]

Doctor Hall: Skyfall.
Bond: ... [sai da sala]

Outra cena muito boa é como Bond reage ao ver que está velho (também né, desde 1962 trabalhando! Uma hora tinha que envelhecer). O primeiro sinal da velhice é disfunção erétil. Bond acabou com uns estilhaços de bala lá da primeira cena da perseguição no trem, e vê que não consegue mais empunhar uma arma como antes.

Foco na feição de Craig, ele realmente passou a imagem de estar mal acabado:


É foda.

Missão dada é missão cumprida, zero dois! Bota na conta do papa, M, que Bond vai recuperar o HD, pegar o Patrice (o maluco que roubou) e claro, matar ele, afinal, ninguém tem o direito de ser julgado se está na mira de Bond. Oq?

Craig parece que sentia falta do clássico personagem Q, antigamente interpretado pelo lendário Desmond Llewelyn. Pegaram o cara que fez Perfume - A história de um assassino, o Ben Whishaw, pro delírio da mulherada que curte de um cara meio nerd:


Se ele me falasse que faz mais estrago com o laptop com o pijama eu teria uma resposta melhor: "Destruição com laptop? Só se for no World of Warcraft, seu nerd viciado no xvideos!". Por isso eu nunca vou ser Bond. :(

Mas a cena é boa! E claro que eu me impressionei. Ver Bond em Londres pra mim foi algo inesquecível em 2012, e ainda mais épico porque o filme é talvez o que mais tem Londres como cenário! Sim, James Bond, o agente britânico mais famoso de todos os tempos nunca teve um filme com o Reino Unido como cenário, afinal ele sempre viaja pra todo canto do mundo!

Parece irônico, mas é real. Nunca teve Inglaterra como cenário. Ainda mais em 2012, a economia tava muito ruim na terra da Rainha, tentaram as olimpíadas pra ver se dava uma levantada no astral, mas nada melhor que um filme de Bond com Londres como cenário.

O quadro que Bond vê na National Gallery é The Fighting Temeraire, de um dos maiores artistas ingleses de todos os tempos, Turner, que eu também tenho como um dos meus ídolos na pintura.


Bond vai pra Xangai atrás do Patrice e, pra variar, mata o cara. Vasculhando as coisas dele, encontra uma ficha de pagamento pro assassinato indicando um local pra ir: Macau. Bond vai pra lá e se envolve com Sévérine Xique Xique, que botou uma boutique para a vida melhorar. É essa linda personagem (acima), que ganhou vida na pele da atriz sino-francesa (sim, é mestiça! Filha do pecado! QUE PECADO BOM!!) Bérénice Lim Marlohe.

É como eu digo: mistura quando é bem feita não tem erro! Fala se não é um sonho essa mulher?

Sévérine é uma acompanhante de luxo, e pode levar Bond para a pessoa que está por detrás de tudo. Incluindo quem emitiu as ordens de roubar o tal HD. Tem uma cena de pancadaria muito boa com dragões de comodo (?) e Bond ainda chega a tempo de tomar um banho juntinho com essa gatinha:


HABEMUS PIROCA! Muito sexo nessa cena, é claro.

Bond vai junto de Sévérine pra ilha e enfim conhecemos o vilão:


O vilão é brasileiro, cara! É mole? Javier Bardem com samba no pé!

O nome do vilão é Silva, o que já é um super avanço, pois pro mundo o Brasil é tipo uma continuação do México onde as pessoas se chamam González, Perez, e Juan e falam espanhol. Povo de Hollywood, entenda que no Brasil as pessoas tem sobrenomes como Silva, Santos, Ferreira e Moreira. E nomes como Zé, Joca, Maria, Fernando e Klébervilsovon, Mirosmar, e Kellen, que é derivação merda de Kelly. E que sobrenomes como Anderson, Kennedy e Washington e Guttenberg aqui viram nomes próprios, inexplicavelmente. Tá mais que na hora de fazerem umas pesquisas!

Mas como nem tudo são flores, o nome real do vilão é Tiago Rodriguez. Sim, "Rodriguez" com "z". Isso não é brasileiro. "Rodrigues" seria mais brasileiro. Nome brasileiro com sobrenome mexicano, aí fode!


A cena da morte da Sévérine (acima) é bem tensa. Silva coloca um copo na cabeça da Sévérine e manda Bond acertar o copo e, claro, ele com o machucado no ombro não acerta e o tiro acerta a parede. Mas Silva pra derrubar o copo dá um tiro á queima roupa na menina, que obviamente morre.

Mas Bond com o transmissor a rádio do Q, um aparato mega simples, acaba conseguindo chamar ajuda e prendem Silva, levando-o para o MI6.

Outro trecho muito bom é o diálogo entre Silva e M (abaixo). Silva era um agente do MI6 no passado, mas havia sido traído pela M, igual como Bond havia sido no começo do filme, quando M manda atirar mesmo assim. Ele parece que foi pego, e ele tinha um pouco de cianeto com ele, pra se matar e evitar os segredos serem violados. Mas ele não morre (isso é possível?) e fica com sequelas. Meio sequelas cerebrais também, porque o cara é muito psycho.


O filme foi muito comparado com Batman - O Cavaleiro das Trevas. Compararam até o Silva com o Coringa do falecido Heath Ledger. De facto, os personagens são muito parecidos. E como ele mesmo disse, vivemos num mundo hoje onde não sabemos quem é o inimigo. Nos tempos antigos o inimigo era a União Soviética e coisa e tal, mas hoje qualquer pessoa teria o poder pra desafiar o sistema. Bem democrático nessa parte até.

Mais cenas em Londres. Dessa vez Bond vai correndo atrás do Silva, mas ele já tinha fugido. E claro que o maluco quer pegar a M! Bond pega um atalho nos subterrâneos de Londres, indo até parar no tubo londrino, o metrô! A cena é muito boa, pois Silva explode um pedaço do túnel e joga um trem inteiro em cima de Bond.


É gente, não tá fácil pra ninguém. Até 007 tem que abandonar os carros luxuosos e andar de metrôzão. Senhores usuários, preparem seu colete à prova de balas que a próxima estação é Jabaquara. Segurem suas carteiras que os favelados da Alba estão à solta! Hahaha!

E, bem, Silva hackeia os computadores do MI6 e escapa. A única opção de Bond é fugir com a véia (M), mas todos os carros do MI6 são rastreados. O jeito é buscar um velho companheiro de aventuras de James Bond, o seu carro oficial, o Aston Martin DB5:


É muito legal a cena em que ele pega o carro, hahaha. Tem até direito ao jingle do 007. M entra no carro e ela comenta que por ser um carro velho ele balança muito. Bond mostra pra ela o botão de ejetar o carona (que foi usado lá atrás na época do Sean Connery) escondido no câmbio. Cena que quem é fã dá muita risada!

E chegamos na Escócia! Especificamente numa propriedade de terras chamada Skyfall, onde Bond morou com seus pais Andrew e Monique Delacroix Bond.


Isso parece pouco, mas essa cena ajuda muito a arrumar um problema recorrente nos filmes de James Bond que é a questão da continuidade da saga como um todo. Eu comecei a ler os livros agora, e uma coisa eu posso afirmar nos poucos que eu li: existe uma linha de história que interliga todos os livros de James Bond de Ian Fleming. Mas essas cenas como essas em Skyfall que fazem o link com o resto da história nos filmes é muito difícil.

Primeiro porque a ordem dos livros não tem nada a ver com os filmes. Por exemplo, os três primeiros livros são: Cassino Royale, Viva e Deixe Morrer e Moonraker. Que na ordem dos filmes são vigésimo primeiro, oitavo e décimo primeiro. Existem em alguns filmes uns pequenos ganchos com os outros, como o túmulo da Tracy que Bond visita em 007 Somente para seus olhos, ou mesmo quando Felix comenta que Bond já foi casado no passado em 007 Permissão para matar. Mas a continuidade dos filmes sempre foi um motivo de discussão entre os fãs, pois nunca teve algo oficial. Parecia que a cada filme era tudo zerado, com nada acontecendo antes, nem depois.

E eis que vemos nesse reboot da série com o Daniel Craig! James indo pra Escócia, e falando de algo que ele nunca falou nos filmes, embora nos livros exista: seus pais e a morte deles em um acidente de esqui. Não explicitamente, não tem um Flashback, nem nada do gênero. Mas é citado, o que já é um baita duma evolução! E pelo menos nessa fase do Craig os roteiristas querem começar do zero até mesmo nisso: enfim vai ter uma continuidade, e não os filmes com um Bond perdido no tempo sem passado, nem futuro. Eu poderia ficar um post inteiro falando nisso, mas Bond voltar pra a Fazenda Skyfall e mostrar seu passado, é algo muito bom!


Conheçam Kincade! Um vovôzinho batuta que era guarda-caça da propriedade da família Bond na Escócia. Achei essa imagem tuitada pelo perfil oficial de James Bond e achei ótima, pois é a frase que ele diz quando vê como Bond é bom com armas. Pelo visto o bom velhinho que criou o pequeno James Bond não sabe que ele hoje em dia é um espião a serviço secreto de sua majestade!

E aí eles preparam várias armadilhas para quando Silva vir atrás de 007 e M. Tipo "Esqueceram de mim", sabe? Só que sem os bandidos molhados. E não é engraçado também. Mas não adianta nada, porque Silva chega com granadas e tal, e no meio da rolada a M acaba levando um tiro. Oh shit.

Mas conseguem fugir. Ainda assim Silva chega no encalço deles e tenta enfim se matar junto da coitada da M, e bem na hora Bond aparece e joga uma faca, matando Silva. Mas parece que era muito tarde pra sua chefe:


Sabe, eu acho essa cena linda. Quem diria que viveríamos pra ver James Bond chorando. E ele chorando justo ao ver sua chefe, aquela que ele sempre fora tão rebelde, e dado tantas dores de cabeça, a vendo morrer. Essa cena realmente nos faz pensar, em especial como 007 mudou com o tempo. É um simbólico muito forte James Bond somente chorar por uma mulher, e ser ela justo a sua chefe.

Judi Dench vai fazer falta. =(
Eu adorava ela como M. E eu odeio essas despedidas, como a do Desmond Llewelyn em 007 Jacaré no seco anda. Esses atores deveriam, sei lá, dar um jeito de gravarem trocentas cenas com eles pra usar nos próximos filmes pra sempre, porque são muito bons.


E no fim, o tal Mallory assume o posto de M. E descobrimos que a agente que andava com o Bond, e que acidentalmente dá o tiro nele no começo do filme tem nome e especialmente um sobrenome muito peculiar: Eve Moneypenny. Bem vinda ao time, nova Moneypenny! Engraçado que ela não tem um rolo com Bond, por mais que o 007 tenha tentado. Um amor impossível, como sempre foi em James Bond e Moneypenny. Um tempera o outro, mas comer que é bom, nada.

E como sempre, a Moneypenny continua uma atriz linda. Já que estamos falando nela, que tal engatar e falar da BondGirl?


Eve Moneypenny (Naomie Harris), acho que ela é mais BondGirl do que a Sévérine. Até o conceito de BondGirls mudou, pois normalmente Bond sempre obrigatoriamente tinha que rolar um pega-prá-capá com as BondGirls em algum momento em todos os filmes, mas nesse a coisa é diferente. Nem beijinho tem.

A BondGirl é definitivamente a Eve, pois ela é quem ajuda Bond, está sempre presente, e tem uma importância maior na história. Mas como todo o "karma" que Moneypenny tem é: Nada de dar uns pegas no Bond. Faz parte do clichê, embora tenha chegado bem perto de rolar:


Essa cena de Bond sendo barbeado pela Moneypenny é sensacional! Tem um erotismo e uma sensualidade tão intrínsecos sem mostrar em nenhum momento um beijo ou eles indo pra cama. A personagem de Moneypenny é o tipo de mulher segura de si, que sabe o que quer e quando quer, e tem culhões pra resistir até mesmo o irresistível de sempre, Bond. Só apareceu em um filme, mas já alcançou o nível de "lendária"!

E curiosidade: fiquei abismado quando googlei o nome dela e descobri que ela fez a Tia Dalma em Piratas do Caribe. É mole? Essa beleza toda escondida embaixo daquela maquiagem toda do filme da Disney, cara!


Por favor, fique assim linda como a nossa Moneypenny. Pra sempre! Fiu, fiu!

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