sexta-feira, 8 de maio de 2015

Doppelgänger - #70 - M.

"Senhor Ar. Ligação para o senhor", disse a secretária de Ar.

"Transfira para a linha segura, por gentileza", disse Ar.

A tela mostrou o logo da Interpol. Logo abaixo dele havia a inscrição Sector 56.

"Ar? Bom dia. Gostaria de ter alguns minutos pra conversar com você. Tem mais alguém ouvindo essa ligação?", perguntou a voz.

"Não, ninguém está ouvindo. Quem fala?", perguntou Ar.

"Sou um membro de elite da Interpol. Por segurança no momento não posso revelar meu nome, mas me chame de Emy. Fiquei sabendo que você está em busca do Al e seu bando. Tem um momento para me ouvir?", disse a voz.

M? Que curioso isso. Uma luta entre o L e R. N deu uma mão para o Al há alguns dias. E agora mais um agente envolvido? E quer me ajudar?, pensou Ar.

"Eu já peguei o Al. E logo Agatha e Victoire estarão nas minhas mãos. Preciso apenas parar o Nataku, que não tenho certeza onde ele está", disse Ar.

"Eu tenho a informação de onde está o Nataku, o Lucca. Mas preciso que você me faça um favor. Quero sua certeza de que fará o Al sofrer muito. Quero que o leve até o inferno ainda em vida. Quero que o faça se sentir tão miserável de culpa que irá vegetar por vontade própria. Você pode ter vontade de se vingar do Al, mas a minha vontade em vê-lo perecer é maior ainda que a sua, esse irmãozinho do traidor", disse a voz.

"Ótimo. Não precisava nem pedir, na verdade. Pode me passar então, senhor Emy. Ou seria senhora? Essa voz está claramente desfigurada... Não consigo definir. Você tem o que? Endereço do Nataku?", disse Ar.

"Sim, anote, por gentileza. É numa casa, muito perto do Alexandra Park, ao norte de Londres", e a voz disse o endereço.

"Certo. Quer que eu mande um vídeo do que farei com o Al para você ter um gostinho?", disse Ar.

"Seguramente", disse a voz, se despedindo e desligando a linha.

Ar virou-se para seu computador e acessou um endereço na sua rede coorporativa. Um banco de dados muito pesado, com muitas informações, mas igualmente seguro, fechado a sete chaves. Aquilo era a maior herança que seu pai o havia deixado. Aquilo seria a ferramenta para a criação do novo mundo.

O nome do local na rede era "DawnOfSouls".

Havia um campo de pesquisa. Ar simplesmente digitou "M". O computador começou então a pesquisar.

- - - - -

"Minha nossa! Enfim te encontrei", disse uma voz, se aproximando por detrás de Victoire.

Era Neige. Ele parecia afobado, parecia que havia corrido uma maratona. Ele carregava seu laptop nos braços, e mesmo no meio daquele frio, estava começando a transpirar. Seu aspecto nerd era evidente, parecia até estar mancando - afinal, mesmo uma corrida pequena como essa era algo pouco usual para ele.

"Onde está o Al? Ele está bem? Ele não entrou mais em contato comigo", perguntou Victoire.

Neige sentou no banco ao lado dela, abrindo o laptop.

"Trago más notícias. Al foi pego. Acabei de hacker o sistema da delegacia e parece que pegaram ele. Foi uma loucura, quando fomos ver já tinham diversos policiais ao redor do prédio e não tivemos opção a não ser correr. Até mesmo eu", disse Neige.

Victoire gelou. Ela sabia que o Al tinha mais informações, além de ser a única pessoa capaz de enfrentar o Ar de igual pra igual. E agora... Ele estava fora de ação.

"Minha nossa, temos que ir agora tirar ele de lá!", disse Victoire se levantando.

Nessa hora Neige pegou firme no braço da francesa. Por mais que ele fosse um nerd de óculos e branco como um palmito olhou firmemente pra Victoire naquela hora. Eram olhos que misturavam ao mesmo determinação e medo. Apertava o braço de Victoire de uma maneira leve, como se pedisse para que ela o ouvisse antes de tomar qualquer decisão. É curioso como apenas um olhar é capaz de falar tanto sem ao menos uma única palavra. Era isso o que Neige queria dizer.

"Por favor, não vá. Fique", disse Neige.

Aquele pedido havia tocado Victoire de alguma maneira. Talvez no mundo lá fora, machista, dificilmente um homem pediria ajuda para uma mulher. E menos ainda um homem pediria para uma mulher o proteger. Mas era isso o que estava intrínseco no pedido sincero de Neige, junto com a mão no braço da francesa. O americano tinha medo. E sabia que a única pessoa que poderia contar naquele momento era aquela que estava em sua frente.

"Tá. Tudo bem", disse Victoire. Ela olhou pra mão de Neige segurando seu braço e mostrou um ligeiro embaraço, "Escuta... Será que você pode me soltar então? Eu vou ficar aqui, pode deixar".

"Ah, ah... Obrigado!", disse Neige, ruborizado.

Victoire olhou para a porta do estacionamento. Algumas dezenas de metros os separavam da batalha da Agatha, mas ainda assim pareciam quilômetros. E ela estava apreensiva com o que estava acontecendo lá.

"Sequer consigo ouvir os tiros, não tenho ideia do que está acontecendo. E tampouco posso entrar lá agora. Não sei se a Agatha está conseguindo...", disse Victoire.

"Bom, o jeito é esperar", disse Neige, abrindo seu laptop e puxando uma conexão de internet da estatal britânica, "Pelo menos aqui tem esses hotspots de internet na praça".

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