terça-feira, 30 de junho de 2015

Bad (1987)


O ano é 1987. Michael descobriu vitiligo pouco antes de Thriller. Tem até algumas imagens do corpo dele com as manchas características ainda na época do The Jacksons, e claro que ficaria cada vez mais bizarro todas aquelas manchas dominando o corpo. Logo, Michael ficou alguns anos em tratamento para acelerar o processo do vitiligo para tornar a pele mais uniforme possível. Por isso, anos depois de Thriller (1982), ele aparece assim, "branco" em Bad .

E anos antes ele sofreu aquele incidente da queimadura nas filmagens de um comercial da Pepsi. Isso fez ele até mesmo criar um centro de tratamento para pessoas que sofreram queimadura com toda a grana da indenização da Pepsi pra ajudar pessoas na mesma situação que ele. A máquina que Michael se tornou depois de Thriller começou a alimentar também tablóides sensacionalistas que nessa época já inventavam diversas coisas sobre ele - tornando ele de uma pessoa incrivelmente criativa em um maluco solto por aí.

O álbum Bad foi a resposta dele pra isso tudo. Michael queria mostrar com essa figura de macho, malvadão, o cara das ruas quem mandava no pedaço. Não podemos esquecer também que nessa época também apareceu um rival de Michael, o cantor Prince, que praticamente copiava em tudo o Michael, descaradamente. E a resposta disso tudo foi Bad. Mas Michael, você nunca foi mal, menino, menos ainda um cara das ruas. Precisava disso tudo?

É um ótimo álbum, e eu adoro o trabalho, é meu segundo favorito. Foi o último da parceria com Quincy Jones, e foi totalmente co-produzido por Michael e Quincy Jones. Acho que Michael também tinha um enorme carinho por Bad. Marcou a primeira turnê mundial, a Bad World Tour, que não deu as caras no Brasil, mas juntou milhares de pessoas no mundo inteiro.

E também, não dá pra citar que foi quando a primeira cirurgia no nariz foi feita. Michael admitiu que essa cirurgia foi feita pra ajudar ele a cantar melhor - e de fato, a qualidade e afinação dele desse momento em diante é fora de limites. Michael tinha muitas dificuldades pra puxar sons graves, e agora depois dessa cirurgia no nariz enfim ele consegue fazer mais fácil uma das coisas que ele mais teve dificuldade: puxar pros graves, como em Speed Demon, nesse álbum.

O álbum teve duas edições especiais. A primeira em 2001, assim como todos os outros, lançado remasterizado, com entrevistas com Quincy Jones e três faixas exclusivas inéditas:


E mais uma outra edição especial marcando os 25 anos de lançamento do álbum, com uma nova capa e também e MUITAS faixas inéditas, e três remixes de bosta também, afinal sempre tem um povo querendo tirar uma casquinha:


Vamos para as músicas!

1 - Bad (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
"Your butt is mine". A música já começa bem, haha, indicando que meu orifício anal pertence ao Michael. Quando eu era moleque, Bad com seu "PÃ-PÃ-PÃ-PÃÃÃ" no início era o lembrete perfeito de quando esquecia o som no volume máximo. Até hoje. Acorda os defuntos de Thriller. Bom, a letra é muito boa! Super mostrando que quem manda na bagaça é o Michael, afinal, ele é mal, muito mal. Who's Bad?


Eu indico fortemente que assistam a versão estendida do clipe. Foi dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese. O cara junto do Michael levou um simples clipe a outro patamar criando um curta metragem. Dois monstros da arte. O clipe foi alvo de uma paródia do próprio Michael em Badder, parte do filme Moonwalker, onde é estreado por ninguém menos que crianças. Bad é Bad, não existia melhor maneira de começar o álbum do que com a faixa título, sensacional. O sucesso de Bad foi tanto que até Weird Al Yankovic fez paródia, criando o Fat. Sem dúvida Bad se tornou imortal!

E estamos só na primeira faixa do álbum.

2 - The way you make me feel (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Ah, eu adoro essa música! Tem várias declarações de amor bacanas na letra da música. E fala sobre deixar de tudo e se entregar mesmo, dar uma chance pro cara, parece minutos de imploração com muita empolgação, sem ser melosa. A batida é muito empolgante, e os instrumentos de sopro como aquele toque do Quincy Jones.


No clipe, Michael divide espaço com a gatíssima modelo Tatiana Thumbtzen, tentando por cima de tudo conquistá-la. Acho que foi meio pesado ele ficar fazendo aquele gesto de trepar com ela (aos 2m10s), talvez na vida real a menina te acharia um maníaco e correria de você, mas tudo bem, é um clipe e vale sonhar. Mas não tente isso na vida real. #fikdik

3 - Speed Demon (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Tá aí o motivo pra fazer a plástica no nariz! Essas notas o Michael alcançaria nunca com a antiga anatomia narina. Dá pra perceber os graves, tons antes bem complicados de alcançar. A música é outra na pegada mais "malvada" do Bad, com sons de motocicleta e coisa e tal. Eu gosto muito da mudança aos 1m38s da música! Que exalta que o eu-lírico não é apenas um motociclista que não vê diferença entre o bem e as leis de trânsito, mas acima de tudo ressalta a liberdade que é andar sobre duas rodas.


O clipe faz parte do filme "Moonwalker", embora seja muito legal e nunca incluído nos DVDs de clipes do Michael (o que é uma pena, pois é muito bem produzido!). O interessante é que Michael mostra como é o assédio dele dos fãs, que nunca medem esforços e são até meio psicopatas pra chegar perto dele, haha. E aí ele se veste de coelho headbanger e sai por aí na sua moto turbinada. Eu acho muito legal!!

4 - Liberian Girl (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Quando eu era moleque eu pensava que era "Garota liberada" a tradução, mas na verdade é liberiana. Sim, do micropaís nas África chamado Libéria. Sua população de doze pessoas na época ficaram super felizes quando Michael os citou, afinal, esperaríamos qualquer país menos... Libéria! Talvez Papua Nova Guiné, ou Turcomenistão, ou ainda Tuvalu, mas nunca Libéria, haha. Piadas à parte, a música é uma baladinha muito bem bolada. Tem um coral de fundo muito afinado e essas cordas de fundo dão um ar todo divino, surreal na música, a fazendo quase flutuar.


Yes, nós temos batata! E um clipe bem chato. Mas temos. O clipe começa mega estiloso em preto-e-branco, achamos que é outra obra-prima do Michael, mas é... Rá! Pegadinha do Mallandro! Parece que Michael chamou todos seus amigos famosos pra um churrasco na lage, e no final ele malandrinho estava filmando todos. Tem de tudo: Paula Abdul, Whoopi Goldberg, Olivia Newton-John, Don King (!!) e seu "filho" (??) e até o caça-fantasma Dan Aykroyd. Que deus o tenha.

O que? Ele não morreu?

5 - Just good friends (Terry Britten, Graham Lyle) :: Link para ouvir na Rádio UOL
O dueto que todo álbum tem que ter! Dessa vez com aquele que é um cara bem legal, pena que não pode VER mulher: Stevie Wonder. Eles sempre foram bem amigos! Ao contrário do McCartney que só sabe comprar briga com suas bochechas de Kiko do Chaves. A música é muito legal! Eu acho o máximo como as vozes dos dois combinam. A música fala sobre - de novo - a pegação nossa de cada dia. Dois amigos competindo por uma mina, mas a amizade prevalece. A parte mais legal? Tem uma parte que o Michael fala: "Listen Up, Hee . . .We've Got A Problem Here!" e o Stevie Wonder responde: "I can SEE the signs". Tem algum termo aí desencontrado... Hahaha. Brincadeirinha, Stevie, nós te amamos (ao contrário do Paul McCartney asshole)!

6 - Another part of me (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
O single foi lançado pertinho de quando eu nasci! Dia 11 de julho de 1988, eu nasci no dia 22. A música eu nunca consegui entender direito, e é a que eu menos gosto do álbum Bad, sempre achei ela meio deslocada. No lugar iria a canção Streetwalker, que anos depois foi lançada na edição especial do álbum. Mas não é ruim não! É super anos oitenta, aquelas batidas graves, pop genuíno da época.

7 - Man in the mirror (Siedah Garrett, Glen Ballard) :: Link para ouvir na Rádio UOL
A música composta por Siedah Garrett (que faria outro dueto nesse álbum na próxima faixa) é simplesmente uma das músicas mais sensacionais. E acho que essa música é um embrião do que viria a seguir, com Heal the world, em Dangerous, pois é uma música que fala em fazer o bem, se olhar no espelho e começar a mudança em nós mesmos. É realmente uma música linda, e volta e meia me faz até chorar, de tão bacana que é.


É uma das jóias de Bad, sem dúvida. Ela é a canção que começa o filme Moonwalker, mostrando uma apresentação ao vivo do Michael e mostrando alguns clipes no fundo de situações que mudaram o mundo e foram televisionadas recentemente. E o "Chaaaaange" na bomba atômica? Nossa. Impossível não se arrepiar.

8 - I just can't stop loving you (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Ah, o amor é lindo. E pensar que ele regravou essa música em espanhol e francês. Até em português rolava um "Não consigo deixar de amar tu", hahaha. Eu acho que se Michael fizesse uma dupla legal com uma mulher ficaria ótimo. Acho que a voz dele fica bem masculina ao lado de um vocal feminino, por mais que seja aguda. É uma das baladinhas mais famosas e bacanas da carreira de Michael, também marcou história. Daria tranquilo pra um filme da Disney. Fácil, fácil.

9 - Dirty Diana (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Esse também é o embrião de outra característica das músicas de Michael: a revolta. A música não é o ritmo pop casual, e sim rock. Sabe quem adorava a música? Lady Di, a princesa, hahaha. Mas claro que a música não era sobre ela. A música é tipo uma remodelada de Billie Jean, só que o que a outra tinha de tristeza, essa tinha de "alisa minha rola" (não estamos falando com você, Malafaia!).


A letra é bem pesada até. Fala sobre uma fã safadinha que só queria ficar seduzindo o eu-lírico. Eu ouvi uns boatos que essa música era descrever como era as turnês de Michael e seus irmãos, no The Jacksons: muita menina só queria saber de muita putaria e "roletrando" com eles. Mas ainda assim, é do caralho a música. O clipe é parte do filme Moonwalker também.

10 - Smooth Criminal (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
"Annie, are you ok? Are you ok, Annie?", haha. A música que quero dançar no meu casamento, haha (se você quer se casar comigo, considere fortemente isso na hora da valsa, ok?). Cara, eu poderia ficar duas horas falando desses quatro minutos e dezessete que é Smooth Criminal. Mas a música é muito boa. A letra é super simples, e mantém todo aquele clima de gangsters americanos do começo do século passado. E fala sobre o assassinato (ou tentativa) de uma menina chamada "Annie", descrevendo todo o suspense de ter um assassino no seu encalço.

Ia ser a música-título do álbum, mas Quincy "Chatão" Jones não deixou cuzão filho da puta. Tem algumas curiosidades, como a frase que sempre se repete "Annie, are you ok?" é uma referência ao treinamento de massagem cardíaca que pessoas fazem, onde a manequim se chama "Annie". A canção é também parte do filme "Moonwalker", e é a base do real plot do filme. Eu gosto mais da versão sem cortes do filme, pois o "transe" completo dos atores no clipe é bem mais legal (5m10s em diante):


E além de ser o primeiro clipe oficialmente mostrando o moonwalk (o passo pra trás) tem a famosa inclinação de 45 graus. Patenteada e tudo mais. É um dos trecos mais legais, que Michael fazia até mesmo em shows, e era simplesmente genial. Diga-se de passagem que deveria se ter uma força imensa nas pernas, porque inclinar tudo isso e voltar, nossa. Só Michael mesmo.

11 - Leave me alone (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Como na época existia LP (algum jovem sabe o que é isso?) essa música era exclusiva pra quem comprasse o CD, faixa bônus. É uma canção de revolta que fala sobre o assédio da mídia, que já naquela época começava a tecer todos os boatos idiotas sobre a vida de Michael e sobre sua originalidade, chamando o cara de louco. O clipe exemplifica muito isso.


Afinal, nele, Michael é o parque de diversões da mídia. Tem trilhões de referências, e essa música é tão bacana que mereceria um post à parte. E tem até o saudoso chimpanzé Bubbles! Parece a capa do álbum Dangerous em forma de clipe. Simplesmente uma obra única! Adoro o pianinho!

Faixa bônus - Streetwalker (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa música, na minha preferência, só perde para Smooth Criminal. Engraçado que as pessoas que foram fazer o jogo The Michael Jackson Experience e colocaram essa música, mesmo ela não tendo clipe e menos ainda sido lançada oficialmente. Quando eu ouvi a primeira vez me apaixonei. Tem uma mudança de ritmos muito legal, um refrão que fica na cabeça, uma escrita mais "das ruas" e sobre a paixão despertada em uma... prostituta (streetwalker). Pena que colocaram "Another part of me" no lugar. Ia deixar o álbum simplesmente perfeito!

Faixa bônus - Todo mi amor eres tu (Michael Jackson, Rubén Blades) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Versão em espanhol da baladinha "I just can't stop loving you". A letra ficou muito bem adaptada e composta, feita com o olho clínico do Michael! Mas o mais legal é que o cara sabia mandar bem no espanhol, cara. E não falo porque sou fã não. Coisa boa mesmo!

Faixa bônus - Fly away (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Michael produziu muita coisa na era Bad. Acho que era um álbum que ele tinha um carinho especial, sempre nas coletâneas ele colocava várias canções do álbum. Essa é mais uma daquelas baladinhas que mereciam estar no álbum! Gosto muito da clareza da voz do Michael, fica super em primeiro plano, sempre afinado como sempre.

As faixas abaixo são do disco 2 da edição especial de 25 anos de Bad

Faixa bônus - Don't be messing around (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Tá aí uma música que levou tempo pra sair e morreu na praia. E é ruim não! Michael começou a gravar na época das gravações pra Bad, depois mexeu um pouco nela na época das gravações dos álbuns Dangerous e HIStory. Note a aproximadamente 3m00s da música o super ritmo empolgante dos "Pa-pa-pa-ra-pa-pá". Bem legal!

Faixa bônus - I'm so blue (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Eu sou tão azul, igual um smurph! hahaha. Baladinha bacana! Refrão legal. Se hoje cantor sertanejo faz refrão com "Tchê-tchê-rê-tchê-tchê", Michael estava fazendo isso há trinta anos antes de você com muito mais estilo, menino. E nem é tão deprê, mesmo com o título. É bem bonitinha! Tem até uma gaita no meio.

Faixa bônus - Song Groove (a.k.a. Abortion Papers) (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa música caberia em um filme do Eddie Murphy na década de oitenta, haha. Esse ritmo é bem legal! Bom, essa música iria deixar muita mulher de hoje em dia meio... Puta da vida, pois fala sobre aborto. Dizendo que se assinar o papel vai estar cometendo um assassinato e tal. Eu francamente não tenho opinião nem a favor, nem contra o aborto, então não opino (afinal, quem tem que ter opinião sobre isso são as mulheres, pois o corpo é delas), haha. Mas a música é legal também!

Faixa bônus - Free (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Super música de "good vibes"! Música leve, letra confusa (parece inacabada a composição) mas vale a pena ouvir! Ritmo bem diferente, gosto muito do baixo arrebentando nessa música ao fundo. Bacana!

Faixa bônus - Price of fame (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Música desabafo sobre como é viver na fama. Não vou falar muito da música, pois o refrão resume tudo. Saca só que tenso: "Father always told me, 'You won’t live a quiet life', If you’re reaching for fortune and fame, I fell the pressure setting in, I’m living just to win; I’m down in my pain, Don’t you fell’ no pain ?". Foda.

Faixa bônus - Al Capone (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
O irmão de Smooth Criminal! A música Smooth Criminal ia se chamar "Chicago 1945", mas foi renomeada e depois com o restante da letra virou a canção "Al Capone". A semelhança com Smooth Criminal é inegável! Estrutura musical muito similar, mas consegue ser mais sombria ainda por não conter o clássico violino da canção original, que dava todo um tchan na música.

Faixa bônus - Je ne veux pas la fin de nous (Michael Jackson, Christine "Coco" Decroix) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Versão francesa de "I just can't stop loving you". A tradução é algo como "Não significa o fim para nós". Eu detesto franceses e sua língua maldita, seu povo maldito, suas cidades malditas, sua história maldita e sua existência m... de merda. Porque nem mesmo o mesmo xingamento esse povo nojento merece. ;)

domingo, 28 de junho de 2015

Doppelgänger - #81 - A pureza da resposta das crianças.

10h47

Nataku e a pequena Vogl estacionaram o carro no centro e foram andando a pé.

Com certeza a dona do carro já anunciou que o carro não está lá e os policiais já estão vindo atrás da gente. Melhor ir agora um pouco de transporte público ou a pé, pensou Nataku.

Depois de uns quinze minutos de caminhada foram parar em Leicester Square, uma famosa praça onde o gigantesco e famoso cinema Odeon chamada a atenção pra premiere de "Os Miseráveis", o musical de 2012.

"Eliza, acho que um local com muitas pessoas pode nos ajudar a nos confundir na multidão", disse Nataku.

A menina ainda estava com uma cara péssima.

"Liza, escuta. Você gosta de sorvete? Tem uma filial ali da Häagen-Dazs. Eu pago um sorvete pra você!", disse Nataku.

E, com as mãos dadas com Vogl, Nataku foi até a sorveteria. Pediu três bolas pra menina. Já pra ele, pediu duas com sabor do famoso creme de licor alcoólico, o Baileys.

Talvez isso seja o mais próximo que eu vou conseguir de um porre. Se bem que isso não vai nem me deixar tonto..., pensou Nataku.

Os dois subiram pro andar de cima e começaram a tomar sorvete.

Mas Nataku não conseguia desgrudar os olhos de Vogl.

"Porque você tá me olhando tanto?", perguntou Eliza Vogl.

Nessa hora Nataku parecia ter saído do "transe".

"Ah! Nossa. Desculpa, Liza. Não sei exatamente o motivo... Como eu disse, eu não sei nem mesmo direito quem eu sou. Eu era um agente, mas parece que eu fui caçado, e fiquei à beira da morte. Conseguiram recuperar meu corpo, mas mudaram a minha identidade. Porém eu perdi completamente a minha memória", disse Nataku.

"Nossa. Isso é realmente grave", disse Vogl.

"Sim. Mas ás vezes eu tenho alguns sonhos. Parecem lapsos de lembranças. E eu sempre vejo uma mulher, asiática, grávida. E o filho que ela está carregando é meu. Poderia pensar que isso é algo da minha cabeça, ou um desejo escondido de ser pai, mas esse sonho eu pelo menos uma vez por semana desde que eu me entendo por gente. Não deve ser algo tão trivial. Talvez essa mulher tenha sido uma esposa minha, ou algo assim.", disse Nataku.

Um silêncio tomou conta do local. Eliza Vogl deu duas colheradas no sorvete e depois prosseguiu:

"Você só a vê grávida... Então você não chegou a ver a criança nascer, é isso?", perguntou Vogl.

"Não. Mas, não sei explicar... Eu te olho, e eu quero muito te proteger. Como se eu tivesse perdido uma coisa no passado e não quisesse de forma alguma perder de novo. Não sei quem é essa asiática, muito menos se esse filho está vivo e bem. Eu francamente não tenho a mínima ideia. Mas só a ideia de ver algo acontecer com você, mesmo não tendo nenhum laço sanguíneo comigo, me faz querer realmente te proteger com a minha vida o que eu não consegui proteger no passado", disse Nataku.

Isso parecia ter dado um alívio grande pra Eliza de alguma forma. A pequena Vogl, cujo sorvete estava até derretendo dentro do copinho de isopor, parecia enfim estar se sentindo bem pra tomar o sorvete. Nesse momento, Nataku a vendo feliz daquele jeito sorriu. Ele não precisava mais daquele sorvete de Baileys. Jogou no lixo antes de sair.

Andando de volta em Leicester Square, Vogl viu o famoso "M&M's World". Uma loja imensa onde se vende os famosos confeitos de chocolate, e tem vários brinquedos temáticos.

Ela nunca tinha visto aquilo. Por mais que ela fosse o grande gênio super dotado que fosse, Eliza Vogl nunca teve muito tempo pra brincadeiras. E o tempo que sobrava, ela usava pra cuidar da sua avó, de idade bem avançada. Por mais que aquela loja fosse algo trivial, muitas vezes quando ela passava em Leicester Square com sua avó só tinha a chance de ver as vitrines, mas nunca entrar. Logo, ali com Nataku, ela parecia hipnotizada com aquilo.

"Liza, quer entrar e conhecer o local? Eu também estou bem curioso!", disse Nataku.

Eliza Vogl sorriu nessa hora, olhando pra Nataku. Começou com uns passos tímidos em direção da entrada, mas quando se virou e viu que Nataku estava passando na frente dela, com mais curiosidade ainda do que ela, a menina saiu correndo e entrou na loja como uma verdadeira criança faria.

Aquilo era um sonho pra ela! Todos aqueles brinquedos, pelúcias, doces! Eliza Vogl poderia ser apenas uma criança, mas nunca teve a chance de agir como uma. E naquele momento ela enfim se sentia livre! Comprou dois saquinhos de M&M's coloridos, e mais uma pequena almofada. Era tudo com o pouco de dinheiro de Nataku tinha naquele momento, mas aquilo pra menina era inestimável.

Nataku olhava pro sorriso puro e sincero da menina, os olhos arregalados e todo o sorriso que ela dava ao ver aquilo tudo.

Isso despertou um imenso sentimento paterno em Nataku. Ele sempre quis ser pai. Parecia algo instintivo, algo dentro do coração dele de maneira inerente. E não seria apenas um pai que bota apenas comida em casa. Queria ser um pai pra andar junto com o filho, participar da vida e ser amigo deles. Queria poder brincar com seus filhos e ensinar o pouco que sabia sobre a vida, aconselhar.

Não era apenas um sentimento de proteção com Vogl. Aquela menina estava sozinha no mundo. Seu pai havia morrido, sua mãe havia deixado sua guarda com a avó pra casar de novo e sabe lá deus como era o relacionamento da filha com a mãe. A avó estava morta, e nesse momento a menina estava com a cabeça a prêmio por parte de Ar, que não mediria esforços para matá-la. Mesmo ela sendo uma menininha.

Nataku não queria que isso acontecesse. Embora o sentimento pela menina fosse ainda algo muito recente - questão de apenas horas desde que conhecera Eliza - ele tinha certeza que aquilo tudo era muito puro. E que iria proteger Eliza como se fosse a filha que ele sempre quisera ter.

Os dois saíram de mãos dadas depois de uma meia hora dentro da M&M's World.

"Vamos na Chinatown? É aqui do lado! Eu sempre quis conhecer!", pediu Vogl.

"Sim! Vamos lá!", disse Nataku.

Mas mal eles sabiam que estavam sendo vigiados. E bem de perto...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Thriller (1982)



Difícil explicar a importância de Thriller. Thriller é até hoje o álbum que mais vendeu no mundo, com 42 milhões de cópias vendidas, mantendo o recorde insuperável até hoje. O segundo álbum mais vendido é o The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, com 22 milhões de cópias, um degrau imenso até a lenda que foi Thriller. Ter Thriller era como ter uma bíblia sagrada, um item obrigatório nas casas das pessoas na década de oitenta. Se pudéssemos nos transportar para 1983 e ver uma aldeia qualquer de qualquer país do mundo, pode ter certeza que tinha no mínimo um produto relacionado ao Michael Jackson. E todo ano, esse álbum continua vendendo 130 mil cópias, cara. É um sucesso que não acaba.

Embora seja o número um de vendas, na lista da Rolling Stone de melhores álbuns Thriller está em vigésimo. Claro que o número um é Sgt Pepper's dos Beatles... Enfim. Thriller mudou o mundo. Mudou o mundo dos clipes, com Thriller ganhando o prêmio de melhor clipe musical, mudou o mundo do marketing, e claro, mudou a MTV.

Michael Jackson foi o primeiro cantor negro a aparecer na MTV. E isso foi revolucionário pra época. E o clipe na época foi... Billie Jean! E como se isso não bastasse, Thriller ainda foi um dos álbuns que mais ganharam Grammy, um total de oito prêmios. Esse recorde só seria quebrado por Santana (com álbum Supernatural) e U2 (com o álbum How to dismantle an atomic bomb) com nove prêmios.

Thriller foi um divisor de águas na questão racial americana. Até então música Pop era gênero pra brancos, e pros negros ficavam com R&B. Michael inclusive ganhou uns grammys com Off the wall, mas foi colocado na categoria R&B, e isso o deixou meio puto, e em 1982 com Thriller, ele entrou na categoria Pop e ajudou a acabar com a segregação racial nos "Estados do Apartheid Unidos". Se hoje temos Jay-Z, Akon, e outros cantores com tamanha popularidade, todos eles devem ser imensamente gratos ao Michael que possibilitou eles saírem do semi-gueto musical e ir pras massas. Isso sem contar os que tomaram o caminho inverso, como Justin Timberlake, que sua influência do Michael é inegável.

Thriller teve duas edições especiais. A primeira foi lançada em 2001, totalmente remixado, e contém faixas inéditas gravadas na época e entrevistas com Quincy Jones e Rod Temperton. Além da capa muito melhor na minha opinião:


E em comemoração aos vinte e cinco anos do lançamento de Thriller, em 2008, com o Michael ainda vivinho da silva, lançaram outra edição comemorativa:


Essa segunda versão tá com faixas remix dos caras do Black Eyed Peas e esses zé-ninguém, mimimi, e odeio remixes (assim como o Michael detestava) então não vou falar dos remixes, e sim das faixas inéditas originais. ;)

Vamos embarcar em Thriller:

1 - Wanna be startin' somethin' (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Não acho que tem melhor maneira de começar o álbum do que com essa música! Ela é tão dançante, tudo sincronizado e redondinho! Realmente é uma música muito boa. Não tem aquela apelo mais disco de Off the wall, realmente é cem porcento pop. Nunca teve clipe, mas Michael fez uma coreografia insana com muita dança e eu lembro que sempre que eu tentava dançar quando era adolescente era exaustivo. Essa música é uma das mais energéticas e pra cima que o Michael criou! Uhuuu!

2 - Baby be mine (Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Depois de toda aquela energia, hora de baixar a bola e ouvir uma das baladinhas do Michael que eu mais amo! Já muitas paixões minhas tiveram essa música de trilha sonora, haha. Eu gosto muito do contraste dos sons graves com a voz aguda do Michael. E o refrão é bem meigo. E como sempre né, composição do Rod Temperton, a letra é uma poesia à parte. Num tempo onde Michael não tinha o R. Kelly pra ajudar ele, Temperton o fazia muito bem.

3 - The Girl is Mine (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Outra participação do Beatle que "está morto" (McCartney) na vida do jovem Michael. Escrito por Michael, lembra muito Girlfriend do álbum anterior. É uma música muito curiosa porque conta dois amigos competindo pela garota, haha! E no final, os dois tomam toco (chupa!!). É curioso no final da música os dois discutindo "I'm a lover not a fighter", hahaha. Só curiosidade: existe a famosa música Say, say, say, que muita gente pensa que é Michael feat. McCartney, mas na verdade é McCartney feat. Michael, pois faz parte do álbum Pipes of Space, da discografia do Beatle mais babão, sem graça e chato. Porque os dois legais morreram? :-(

4 - Thriller (Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
"Cause this Thrilleeeer, thriller night!!", hahaha. Thriller é uma ópera em forma de música. Começa com o ranger da porta, o som de terror na batida pop, e aí entra o Michael cantando. E no meio disso o refrão e depois volta nos versos comuns. Lá pelos 4m20s entra o rap do lendário Vincent Price, mestre do terror americano, mais uma vez o refrão (dessa vez bem mais legal!), fim do rap e a risada maléfica que... Era no final das contas a única coisa realmente tenebrosa na música.


O clipe, bem, nem tenho o que falar. Embora embaralhou a ordem divina música toda, virou uma obra de Hollywood nas telas. Thriller é FODA, e não tem o que dizer além disso. E no fundo é uma música tão simples, não é poluída, nem nada. Precisa de mais alguma coisa?

5 - Beat it (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Eu já disse que o Michael compositor era meia-boca. Mas essa música tem uma letra muito boa. Basicamente brigas de gangues nos Estados Unidos e toda a atmosfera que o país passava (ou ainda passa, sei lá) na época. Mas a maior coisa que chama a atenção é a guitarra nervosa da música. Obra do imortal Eddie Van Halen. Alguém tem NOÇÃO disso? Chamar Eddie Van Halen pra tocar com um artista negro na década de oitenta era uma coisa inédita na racista nação do norte do nosso continente. Michael não era mais R&B, nem mesmo Pop. Estava entrando no fechado círculo do Rock americano com Beat It.


A guitarra do Van Halen foi tão única que até o Guitar Hero tem essa música. E o clipe é legal também! Não é uma obra-prima como Thriller, mas também tem seu charme. E a dancinha do final, bem única!

6 - Billie Jean (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Pausa. Agora é a hora de Billie Jean. Perceba que esse batida do começo fica inalterada até o final da música. E eu acho essa batida simplesmente genial. Foi ideia do próprio Michael que fez um beatbox com a boca enquanto pensava na música e mostrou isso aos produtores que super souberam encaixar na música.

Billie Jean é uma música triste. Na minha opinião, essa deveria ser a faixa-título do álbum, mas tudo bem. Fala sobre uma mocinha chamada Billie Jean que aparece grávida dizendo que o filho é do eu-lírico, enquanto ele nega isso, afinal o eu-lírico havia quebrado o coração da menina e ela achou essa forma de se vingar. Tem umas cordas no meio do refrão que são únicas, e a versão clássica que fizeram reflete exatamente toda a tristeza que a música passa (é a única que eu realmente gostei). Não vou mostrar o clipe, porque eu não gosto tanto do clipe. Eu gosto da apresentação em 1983 no aniversário de 25 anos da Motown que Michael se apresentou:


Naquele momento Michael havia se tornado a pessoa mais famosa do mundo. Se os Beatles eram mais famosas que Jesus, Michael era mais famoso que os Beatles. E foi a primeira vez em que ele publicamente mostrou o Moonwalk, o "passo pra trás". Billie Jean não é uma obra de Michael. Billie Jean é uma obra pra humanidade!

7 - Human Nature (Steve Porcaro, John Bettis) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa música ia participar do This is it, dessa última turnê que Michael estava ensaiando antes de falecer. Essa é uma música cuja poesia parece uma previsão do futuro, falando sobre a solidão do ser humano, sobre ser observado por "olhos elétricos" e sobre a natureza humana. É realmente uma música linda, e menosprezada no álbum. Ela tem uns teclados bem legais, e uma batida muito gostosa. Era minha faixa favorita do álbum quando eu ouvi pela primeira vez.

8 - P.Y.T. (Pretty Young Thing) (James Ingran, Quincy Jones) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Que coisa linda, meu deus. Saca só: "Where did you come from lady, and ooh won't you take me there? Right away won't you baby? Tenderoni you've got to be! Spark my nature, sugar fly with me!". É mó legal declarar seu amor por uma dama com bom humor e como se tudo fosse uma grande viagem muito louca, hehe. Baby be mine é uma baladinha mediana entre o amor e humor, P.Y.T. é totalmente esse humor, felicidade. Já a última, The Lady in my life é super melosa. Gosto muito da festa que a música fica aos 2m20s, com os "Pretty young things, repeat after me, say: Na, na na!", hahaha! É muito legal essa música, cara!

9 - The Lady in my Life (Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Enfim, uma baladinha melosa pra fechar o álbum. Já ouvi fã dizendo que só trepava ouvindo essa música (hã?). Composição do Temperton, né mano? Você fica ouvindo a música e dá até um peso no coração, hahaha. Mas não é a fossa de "She's out of my life" do álbum anterior. É uma declaração bem franca, e a letra é linda. Gosto muito das mudanças de ritmo, dando um ar bem alegre pra música. É uma música tão bonita, e fico triste pelo Michael sempre ter deixado de lado essa obra. É realmente de tocar e acalentar o coração: "Cause she'll always be the lady in my life...". Eu tocaria no meu casamento. Fácil.

Faixa bônus - Someone in the dark (Alan Bergman, Marilyn Bergman, Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
A música do ET - O Extraterrestre. Michael e Spielberg eram grandes parceiros! Dois grandes gênios. É bem legal, e no meio tem até a voz do ET. Música pra ouvir, e dar aquela viajada. Tema perfeito pra umas voltas de bicicleta na frente da lua voando. ET, telefone, minha casa!

Faixa bônus - Billie Jean (Demo) :: Link para ouvir na Rádio UOL
É legal ver esses demos pra sacar como a música muda até a versão final. As batidas de Billie Jean estão mais discretas, Michael desafina bastante e vários sons meio estranhos pra quem está acostumado com a original. Vale ouvir!

Faixa bônus - Voice-over session from Thriller :: Link para ouvir na Rádio UOL
A lendária gravação do Michael e Vincent Price do rap dele que foi colocado em Thriller. Além de ser "A Capella" ainda tem novos versos ainda inéditos na música (que esses sim são bem tensos e tenebrosos). Deu pra perceber porque tiraram da versão final da música. Tá vai, como se o resto do rap fosse "bonitinho", hehe. Carnificina total!

Faixa bônus - Carousel (Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Acho que todo mundo num momento da vida se envolve com alguma menina desmiolada como é citada na música. Uma menina de um mundo de pipoca e doces, enquanto nós somos de um mundo de desapontamentos de confusões, hahaha. É uma canção que valeria muito a pena estar no álbum original!

Faixa bônus - For all time (Michael Sherwood , Steve Porcaro) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Uma baladinha inédita original das gravações de Thriller presente na edição de vigésimo quinto aniversário. Eu já conhecia há milênios por vazamentos que eu baixava, hehe. Mas cara, que música linda que eu não canso de ouvir. Letra impecável, vocal do Michael como sempre impagável e uma música tão bem bolada que caberia como trilha sonora de 9 entre 10 filmes dos anos oitenta. Igual a Carousel, porque deixaram de fora essa obra magnífica, meu deus?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Diário de Fotógrafo #25 - Virada Cultural 2015

A última vez que eu fui na Virada Cultural foi em 2011. Na verdade nem mesmo aqui no blog eu postei as melhores fotos daquele dia, sabe lá deus porquê. A Virada Cultural é uma oportunidade ímpar que eu tenho de fazer o que eu mais gosto: fotografar a cidade. Afinal, temos o centro de SP e temos policiais, e bastante segurança. Só na Virada mesmo.

Em 2012 eu tentei ir pra Virada Cultural. E eu lembro que justo no dia da Virada eu comecei a escolinha de budismo que eu frequentei no templo. Lembro que aquele dia foi essencial, pois eu poderia faltar na aula e ir pra Virada, mas decidi não ir na Virada e fui pra aula.

Por mais que eu quisesse ir pra Virada, eu não me arrependi em nenhum momento da minha escolha, e ir pra Virada nesse ano foi como um flashback pessoal dos últimos três anos da minha escolha, e como tudo na vida, tem uma hora certa pra acontecer e um motivo nobre. Os três anos de curso passaram, concluí o curso avançado e esse ano, quatro anos depois da última vez que fui, lá estava eu.

O mais importante de tudo? Lembrei o quanto eu amo fotografia. Por isso esse Diário de Fotógrafo é diferente! É um cronograma de por onde eu andei e cliquei durante a virada com minha Nikon D60 companheira de sempre. Enjoy!


Meu ponto de partida no domingo foi o local que eu queria visitar: a Sala São Paulo, na praça Júlio Prestes. Eu tive muita sorte, pois o dia estava muito bom e com uma luz muito boa. A primeira foto foi essa acima, da Estação Pinacoteca, ao lado da Praça Júlio Prestes.


E claro que não poderia deixar de tirar uma foto daquela torre imensa da Estação Júlio Prestes! Foi nesse local que eu terminei a Virada Cultural anterior, mas nesse ano foi daqui o ponto de partida.


Ali dentro tem um número infinito de coisas pra se prestar atenção. Mas essa abóbada é simplesmente sensacional e tinha umas cores bem bacanas. Ficou uma foto com efeito legal!


E esse é o salão de espera do concerto na Sala São Paulo. Muito bonita a arquitetura. Nem parece que estamos no meio da cracolândia. Atrás de mim nessa foto tem uma lanchonete. E logo ali na frente não pude deixar de usar o belo banheiro deles. Eu mijei na Sala São Paulo, mano! É nóis!


Toda foto na Sala São Paulo sai meio zuada. A câmera não sabe direito traduzir as cores, sempre a foto sai meio alaranjada. Mas aí já é dentro da sala de concertos! Pensei que fosse maior, e foi o único local que eu entrei em toda a Virada. Um concerto fudido com Strauss, Ravel e Nielsen. Precisa de mais alguma coisa? Eu adoro assistir orquestra, e me emocionei.


Saindo de lá saí da bagunça da Júlio Prestes fui andando na Rua Duque de Caxias e parei na Praça Princesa Isabel onde não existe uma imagem da nossa princesa, e sim do Duque de Caxias. A maior estátua equestre do mundo (de fato, é grande pra caralho) e lá tinham muitas barraquinhas de comidas de chefs bacanas, onde eu comi uma paella. Sim, com frutos do mar e tudo (mesmo eu detestando). E quer saber de uma coisa? Adorei. ;)


De lá eu me perdi (PRA VARIAR), eu não conseguia sair da cracolândia, caralho. Todo mundo me encarando, foi foda. Quando vi que estava definitivamente no local errado voltei todo o caminho pela Avenida São João (e sim, eu cruzei com a Avenida Ipiranga, e como na música alguma coisa aconteceu no meu coração), mas antes, tirei uma bela foto da Igreja de Santa Cecília, acima. Que cores!


Continuei andando pela São João até chegar no Largo do Paiçandu, local onde na outra Virada de 2011 teve 24 de shows dos Beatles. Mas a vista é a mesma. O prédio símbolo de São Paulo, o Banespa!


E do lado, o prédio dos Correios. É um dos prédios mais bem conservados dali, adoro muito os seus detalhes. Sempre ótimo pra tirar uma foto.


Enquanto eu decidia pra onde eu ia, resolvi tirar uma foto "daqueles que são invisíveis", os garis da cidade que estavam fazendo hora extra nesse dia de Festival. Junto do Grafitti na rua, e só depois reparei na simpática cara da senhora. Uma das minhas fotos favoritas!!


Passei pela Praça das Artes, já no Anhangabaú, onde estava cheia de comida. Cheguei na Praça Ramos de Azevedo, onde tava tendo um show de hip-hop, olhei pra cima e vi muita maconha o Theatro Municipal. Pouca gente tira foto do Theatro Municipal visto da Praça Ramos. Ficou legal!


Essa foto é de praxe. Eu adoro a Ferradura da Avenida Prestes Maia, ao lado da Prefeitura. Acho que a vista ali do Viaduto do Chá é sempre sensacional. De lá fiquei vendo uma apresentação na rua de chorinho (eu adoro chorinho!) na Praça do Patriarca. E de lá vi uma placa apontando pra Sé, e a segui...


 ...Só que eu parei no começo da praça, e quando olhei pra trás vi um prédio rosa e fui ver o que era. E enfim conheci um local de SP que eu sempre quis conhecer. O Pateo do Colegio. Foi aqui que os Jesuítas fundaram essa cidade, em 25 de janeiro de 1554! Eu adorei esse local, eu me senti tão em casa, parece um oásis no meio da cidade.


A Secretaria de Justiça é um prédio magnífico. Cliquei junto do poste de luz pra dar um enquadro legal. Ali na praça eu tive a segunda (e última) refeição do dia: cachorro quente francês. Eles estão na feira gastronômica do Butantã, e é sensacional (mesmo sendo uma merda criada nesse país de bosta chamado "França").


Gostei muito dos dois prédios da Secretaria de Justiça, no Pateo do Colegio. O prédio branco eu curti muito, pois ele é muito branquinho e a luz estava perfeita. Perfeita pra levar ao gozo o fotógrafo aqui. Vocês não tem noção de como um fotógrafo fica feliz quando encontra a luz perfeita pra uma foto.


E andando ali do lado entro no Casa da Imagem de São Paulo (aka Casa Número Um)! É uma das antigas mansões da Marquesa de Santos (aquela que deu uns pegas do Dom Pedro I). É um museu dedicado à fotografia! Entrei pra ver a exposição e pra fazer xixi no banheiro limpinho com sabão cheiroso pra lavar a mão!


Uma das exposições era sobre papéis efêmeros da fotografia, com esses "conselhos para fotógrafos amadores" que eu fotografei acima. É engraçado que as dicas não mudaram muito de como se tirar uma boa foto.


Parece aquelas casas antigas do interior, só que no meio do centro de SP. Tem até uma varanda, onde dá pra ver o Banespa. Eu não sei explicar, mas simplesmente adorei a atmosfera do lugar. E nem foi por causa do banheiro que me salvou de ir nos banheiros químicos da rua. Havia algo lá que não sei explicar.


E essa é a tal "casa rosa" que me chamou a atenção. É o Solar da Marquesa de Santos. Tem fotografias antigas de São Paulo sensacionais, além da banheira em que a própria Marquesa tomava seus banhos de lua.


Essa era a área gastronômica do Pateo do Colegio. Foi realmente uma surpresa conhecer! Eu me senti respirando história (e nem tava fedendo tanto a mijada dos mendigos).


Chega! Vamos pra Sé. Monumento em homenagem ao Padre José de Anchieta, que similar ao Papa Chicão, era Jesuíta também.


Parece Londres, Paris, mas é a fachada da Sé. Deixei em preto-e-branco pra dar esse realce às expressões. Ficou bem legal!


Eu tirei umas vinte fotos dentro da Catedral da Sé, mas a que eu mais gostei foi essa. A luz dos vitrais deu esse colorido todo nas pilastras, ficou algo sensacional.


E claro que antes de ir não poderia deixar de tirar uma foto de uma das cinco maiores catedrais neogóticas do mundo, a nossa Praça da Sé. Realmente grande pra caralho.


Peguei ali a Rua Benjamin Constant até a Faculdade de Direito. Tava tendo shows de rock lá e muitas barracas de comida.


E ali no Largo São Francisco que eu vi o emprego dos sonhos. Se o Forrest Gump gosta de pilotar o carro de cortar grama porque eu não posso sonhar em ser lixeiro com esse carrinho coletor? Deve ser o maior emprego do mundo!! Deve ser MUITO legal ficar nesse carrinho o dia todo, fala sério!


De novo eu me perdi (lol) e fui parar na Rua Líbero Badaró, onde o Banespa aparecia novamente, imponente. 


Eu adoro tirar fotos de pessoas batendo foto. Se "aparelho excretor" foi o hype de 2014, sem dúvida de 2015 o hype é o pau... O "pau de selfie"!


No fundo os moradores de rua loucões são os que mais aparentam ser felizes na vida, fala sério. Improvisando um Michael Jackson só no sapatinho.


Por fim fui pro Mosteiro de São Bento, o dia estava acabando e o Banespa ficou laranja com a luz do poente. Assisti uns vinte minutos da missa no Mosteiro, nunca tinha ouvido o tal canto gregoriano, e achei simplesmente SENSACIONAL (afinadíssimo!). Missão cumprida, dia acabando, fiz o que mais eu queria (entrar na Sala São Paulo e ver um concerto) e voltei pra casa com dever cumprido.

Ah, antes de sair eu tirei uma foto do Mosteiro de São Bento, e fiz minha primeira foto HDR. Eu sei que passou a modinha, mas ficou até legal, vai:

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Doppelgänger - #80 - A busca pelos 'Doe'.

Longe dali de onde estavam Nataku e a pequena Liza Vogl, Neige, Victoire e Agatha estavam em uma ligação com Al, ainda em Candem Town.

"Eu não tenho muito tempo, então vou ser rápido, caso contrário essa ligação pode ser rastreada. Neige, você já tem processado quem são os 'Doe'?", perguntou Al.

"Sim, Al. Estão aqui comigo", disse Neige.

"Ótimo. Nesse momento eu não posso agir muito, mas estou bem, consegui sair da prisão. Estou com um plano aqui, mas preciso que vocês continuem em frente na missão. Ao mesmo tempo não podemos chamar a atenção, e o encontro com o Doe tem que ser simultâneo, nenhum pode se encontrar com seu 'Doe' em horário diferente do outro. Neige, quero que me mande o perfil completo de todos os seis 'Doe' nesse e-mail novo que criei aqui", disse Al, passando o endereço do e-mail recém-criado.

"Eu responderei daqui a alguns minutos. Quero que Neige vá junto de Victoire, mas ela que ficará encarregada do interrogatório e de descobrir as informações. Agatha, você vai sozinha, tudo bem?", perguntou Al.

"Sim, sem problemas, já estou cem porcento", disse Agatha.

"Ótimo. Reportem todas as informações que conseguirem, tudo bem? Conto com vocês. Obrigado", disse Al, desligando o telefone.

O celular ainda mostrava a duração da ligação. 28 segundos.

"Em 30 segundos eles conseguem rastrear precisamente o local das ligações. Realmente aproveitou cada segundo", disse Neige.

"Talvez o Al queria ser rastreado. Com esse tempo eles têm praticamente o local exato. Dois segundos a mais de tracking não dá muita diferença", disse Victoire, pensativa.

"Bom, o que temos aqui então?", disse Agatha, virando a tela do computador de Neige com todos os dados sobre os "Doe".

John Doe
Nome verdadeiro: Bruno Andrada
Nacionalidade: Brasil
Idade: 46 anos
Ramo: Commodities, petróleo
Observações de Neige: aparentemente é o chefão, pelo tom dos e-mails e organização. Nascido na América do Sul, hoje possui negócios em todo o mundo. Tem todo o poder econômico da América do Sul, controlando valores de commodities pro mundo inteiro.

John Roe
Nome verdadeiro: Roland Webb
Nacionalidade: Irlanda
Idade: 63
Ramo: Tecnologia, bolsa de valores
Observações de Neige: Mora em Vancouver, no Canadá, já esteve na diretoria de importantes bancos, como Goldman Sachs. É o único com pé na política. Responda a acusações de racismo na Grécia.

Jane Doe
Nome verdadeiro: Teresa Tsai
Nacionalidade: Hong Kong
Idade: 47
Ramo: Energia
Observações de Neige: O contato forte de controle do Ar na China. Mulher, casada, ficha impecável. Impecável até demais. Filantropia, ajuda aos necessitados, grande investidora.

Jack Doe
Nome verdadeiro: Fareed Mohammad Al Abed
Nacionalidade: Emirados Árabes Unidos
Idade: 52
Ramo: Petróleo, turismo, esportes
Observações de Neige: Muitas mulheres, muita roubalheira, muito dinheiro não declarado. Esse talvez seja o mais fácil de conseguir algum motivo pra prender. Exceto pelo dinheiro. É o mais rico do grupo.

Joe Doe
Nome verdadeiro: Birger Löfgren
Nacionalidade: Suécia
Idade: 48
Ramo: Economia
Observações de Neige: Já morreu, mas ainda assim não podemos desconsiderar que a mando de Ar esse homem foi o cabeça da crise de 2008, derrubando o Lehman Brothers. É o que mais andava descoberto, o mais fácil de encontrar.

Joan Doe
Nome verdadeiro: Donna Smith-Young
Nacionalidade: Estados Unidos
Idade: 40
Ramo: Automobilística, agricultura, bancos
Observações de Neige: Não achei muita coisa sobre ela. Exceto que frequenta grupos de extrema direita nos Estados Unidos.

Os três ficaram olhando para a lista, incluindo as fotos de cada um. Realmente Neige tinha feito um ótimo trabalho com todas as variáveis que tinha. Cruzando as informações ele achou todos os agentes empresários que trabalham na insurreição de Ar. Mas ainda assim eram apenas peixes pequenos. O alvo é usá-los para chegar até Ar, já que eles recebem ordens do próprio Ar para causar golpes econômicos abalando o mundo inteiro com terrorismo econômico.

Segundos depois o e-mail de Neige saltou. Era Al. Foi mais rápido que imaginavam. Os três abriram e viram a decisão de Al.

"Certo. Eu irei atrás desse árabe. Que saco... Fiquei com o mais fácil, pelo jeito", lamentou Agatha.

"Bom, o Al talvez tenha um motivo pra te colocar pra encontrar com ele", disse Neige.

"De qualquer maneira a gente também tem um alvo. Essa tal Jane Doe, a chinesa. Espero que você não seja um peso me atrapalhando, Neige", disse Victoire.

"Nada, que isso. Fala sério, vai ser divertido ir atrás desse pessoal, vai!", brincou Neige.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Super Smash Bros for Wii U


Eu sou uma pessoa que vicia muito fácil em qualquer coisa. Por isso eu não assisto filmes, nem seriados, nem jogos pois sei que eu vicio em qualquer porcaria do mundo. Me vicio em coisas boas também, e sei que uma vez viciado é difícil voltar à normalidade, hehe. Mas é bom que vou aprendendo a conviver. Vivendo e aprendendo, mesmo entre os vícios.

Já disse antes que sou fã da série Super Smash Bros desde o início lá atrás no Nintendo 64. Mas agora estou arrebentando meus dedos jogando igual uma pessoa civilizada e elegendo quais os personagens que eu mais gosto. Vamos lá, top five!

5- Lucina
Eu gosto muito de personagens femininas! Mulheres tão com tudo e não arredo o pé.


A Lucina desde aquele primeiro trailer dela lutando com o Capitão Falcon eu já adorei. Eu pensava que era uma versão feminina do Marth, mas ela é muito mais legal. Os golpes são idênticos, mas o alcance de uns é melhor, e pra alguns golpes ela é mais rápida que o protagonista do Fire Emblem.

Ela apareceu pela primeira vez no último episódio da série Fire Emblem, o famoso RPG da Nintendo, como protagonista do Fire Emblem: Awakening.

4- Villager
Ele pode ter essa cara meiga e seu sorriso carismático, mas na minha mão eu causo o terror!


O Villager é um personagem dos mais difíceis de se jogar. A dificuldade é pelo fato dele arremessar coisas, desde vasos de plantas até bolas de boliche, e os golpes dele são bem complicados, tem muito macete. Eu fiquei jogando com ele praticamente umas duas semanas direto, ao ponto de encarar quatro carinhas na CPU com nível máximo e simplesmente estraçalhar todos. Sem tirar jamais o sorriso da cara desse personagem simpático!

Se eu fosse participar de um campeonato, sem dúvida seria com esse amigo sorridente. Esse golpe da foto é bem complicado, pois ele planta uma mudinha, rega e corta com esse machado a árvore. E quando cai na pessoa, é praticamente morte na certa. Poucos sobreviveram na minha mão, posso garantir!

3- Zero Suit Samus
Tá aí a prova que umas alterações pequenas no personagem pode transformar muito!


A Samus pelada (ou Zero Suit Samus) apareceu pela primeira vez no Super Smash Bros. Brawl pro Wii. Mas os golpes eram muito apenas pra dar dano, e no Smash você tem que depois de dar dano "decolar" a pessoa pra fora da tela. E nisso era era muito ruim.

Só que nesse jogo enfim arrumaram. E deixaram ela ainda mais rápida. Resumindo: virou uma arma e tanto. Gosto muito, mesmo que muitos golpes sejam apenas pra atordoar a pessoa. Com ela tão tem pra ninguém comigo, joguei e na minha mão é difícil alguém ficar em pé no ringue!.

2- Mr Game & Watch
Ah, esse todo mundo que joga comigo fica com medo quando escolho, hahaha!



(não o Pacman, o da esquerda é o Mr Game & Watch)

Eu jogo com o Mr Game & Watch desde o Smash Bros do GameCube. Em questão de tempo de jogo só perde pro Luigi mesmo que está desde o primeiro jogo, do 64. Muita gente não gosta porque ele é meio "duro" pra jogar, mas na minha mão, ele fica super eficiente. Na verdade pros outros pode parecer um personagem todo "duro", mas na verdade eu o acho muito rápido. E eu adoro personagens rápidos!

Os golpes continuam os de sempre. Até mesmo o Oil Panic (baixo + B) continua igual. Personagem que mudou muito pouco e está sempre presente. É um clássico mais velho que o próprio Mario! Essa imagem dele acima é no final do trailer do Pacman, onde aparece uma seta dizendo que ele e o amigo amarelo são os dois personagens mais antigos do jogo.

1980 cara. Pacman é Mr Game & Watch são contemporâneos. Trinta e cinco aninhos!

1- Luigi
O famoso Mario verde.


Eu sou super fã do Luigi. E sou fã desde sempre. Gostava de jogar até aqueles jogos antigos com o Luigi ao invés do Mario. Sempre dava um jeito de ser o Player 2. Simpatizo muito com o Luigi, ele é mais magro, tem a voz mais fina e é o irmão covarde junto do seu irmão super corajoso, o Mario. Mas o que vou fazer? Adoro esse encanador!

Eu antes comecei jogando muito com o Mario. Só que o Mario, sacumé né? Ele é mais gordo que o Luigi, e desde os tempos do N64 eu queria alguém com os mesmos golpes e versatilidade do Mario, só que mais rápido. E aí que conheci o Luigi e nunca mais soltei.

O uppercut dele com cima+B continua devastador. Além de manter todos os golpes. Mas gostava do Final Smash dele do Brawl, embora esse seja melhor por causa do dano direto.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Doppelgänger - #79 - Confiança.

Os tiros formaram um barulho intenso durante quase um minuto. Eram mais de três metralhadoras, sem dúvida. O som dos tiros cessaram, e o barulho de um carro arrancando foi ouvido.

Eliza Vogl estava em prantos. Seus olhos vermelhos de tanto chorar, nariz saindo catarro e um grito estridente.

"Vovó!! Vovó!! Eu quero minha avó!! Vovózinha!! Vovó!!", gritava Vogl, enquanto Nataku a segurava pra ela não ir.

"Espera, Liza! Espera!!", gritava Nataku, tentando tranquilar Eliza que não parava de gritar pela sua avó.

A parede na frente estava cheia de buracos. Os tiros haviam passado e destruído tudo na cozinha atrás deles. A porta também foi toda destruída com a explosão e os tiros. Eliza Vogl não parava de gritar, nunca tinha visto tamanha crueldade.

Os gritos dela, embora estivessem muito altos, ficaram ainda mais altos quando a porta, toda em frangalhos, se moveu com o vento gelado se abrindo, e aí Eliza Vogl viu apenas o braço da sua avó na bancada da cama, estirado, cheio de sangue e buracos.

"NÃÃÃÃOOO!! VOVÓ!!! NÃO ME DEIXA, VOVÓ!! EU SÓ TENHO VOCÊ NA VIDA!! ME SOLTA, ME DEIXA LIGAR PRA POLÍCIA!!", gritava Vogl.

Nataku saiu de cima dela e a segurou pelos ombros. Embora ela fosse apenas uma menina de nove anos, parecia ser forte como um gorila.

"Liza, Liza, olha nos meus olhos, me ouve", disse Nataku, tentando trazer Liza de volta, "Não podemos chamar a polícia! Tem pessoas do Ar infiltradas na polícia também, eles iriam te pegar e aí sim te matar. Eles acham que te mataram também, se você chamar a polícia vai acabar sendo morta! Eu te prometo que vou te proteger, eu juro pela minha vida, mas preciso que você venha comigo. Confie em mim, por favor", disse Nataku.

Os vizinhos perceberam o som e estavam se amontoando na frente da varanda da casa com a janela do quarto da velha Candice Murphy. Seu corpo era apenas um amontoado de carne, totalmente desfigurado. Ninguém entendia o que estava acontecendo.

"Venha, vamos fugir pelos fundos!", disse Nataku, agarrando firme na mão de Eliza.

Havia apenas uma muro baixo dividindo o quintal dos fundos dela com a casa na frente. Nataku pulou e entrou sorrateiramente na casa, saindo pela porta da frente do outro lado. Eliza não estava gritando pela avó, mas chorava muito.

Droga... Acho que fui muito enérgico com ela. Por mais que ela seja um gênio super-dotado ela não passa de uma menina! E agora está envolvida até o pescoço nessa confusão toda... Droga. E meu carro está do outro lado, estacionado na frente. Como vou passar sem que percebam?, pensou Nataku.

O som de carros da polícia começou a ser ouvido ao longe. Nataku tinha que pensar em algo, rápido.

"Liza, espere aqui", disse Nataku.

Nataku correu pra dentro da casa do vizinho de Vogl e começou a procurar alguma coisa. Achou as chaves de um carro junto de um molho de chaves da casa. Perfeito. Agora só tinha que encontrar o carro.

"Minha vizinha tem aquele carro", apontou a menina pra um Fiat 500, "Talvez seja a chave de lá".

Nataku desativou o alarme no controle remoto da chave e colocou a chave na fechadura, girando-a. O carro abriu, e Vogl entrou. Era um carro apertado e pequeno, mas era uma solução emergencial para aquele momento.

- - - - - -

Nataku dirigiu até Wood Green e deixou o carro na rua, indo até uma loja de conveniência. Comprou água e alguns doces. Passou num mercado de roupas e comprou algumas roupas quentes infantis, no tamanho dela. Vogl estava de pijamas ainda, e passando muito frio.

"Liza, beba um pouco de água", disse Nataku, já no carro, oferecendo à menina.

Eliza Vogl não parava de chorar. Nem ligou pra água que Nataku havia trago.

Ai, ai... Justo uma menina? Se fosse um adulto seria muito mais fácil... Não tenho paciência com essas pirralhas, pensou Nataku.

Ele virou-se pra frente, olhando pro movimento das pessoas ao longe. O ar condicionado estava desligado, mas não estava muito frio de acordo com o termômetro do carro. Além de chorar, Vogl estava com os braços cruzados, passando muito frio.

"Olha, eu trouxe esse casaco pra você. Tá muito frio lá fora, e tem essas calças também", disse Nataku. A menina continuou ignorando.

Nataku então colocou a blusa por cima dela, improvisando um cobertor, já que ela se negava a vestir.

Mas ainda assim a menina não parava de tremer.

"Você mesmo com essa jaqueta te cobrindo ainda tá sentindo frio?", disse Nataku.

E pela primeira vez depois de todo esse tempo, Vogl falou.

"Não é frio aqui fora. É frio aqui dentro", disse Vogl, apontando pro coração dela.

Nessa hora os olhos de Nataku lacrimejou. E viu que aquela menina sentia exatamente o que ele sentia. Nataku também sentia um vazio no peito dele, que ele nem mesmo sabe direito do que sente falta, pois sofreu lavagem cerebral e não se lembrava de muita coisa concreta. Talvez esse vazio seja de algo que ele perdeu quando estava na sua outra identidade que nunca conseguiu recuperar. E agora, enfim, parecia que havia encontrado alguém que compartilhava do mesmo sentimento que ele.

Nataku pegou nas mãos de Vogl. Estavam geladas.

"Escuta. Eu ouvi um ditado que pode te ajudar. Quem tem mãos frias, é porque tem o coração quente, e amor pra sempre. Sua avó queria que você vivesse e se tornasse uma grande mulher. E eu sei que talvez eu não seja mesmo um super guarda-costas, mas me dá a chance de te proteger, tá? Eu prometo pela minha vida, Liza, que vou te proteger de tudo, custe o que custar. Nos conhecemos hoje, e você teve emoções demais pra um dia, mas deixe tudo comigo. Apenas confie em mim", disse Nataku.

Vogl balançou a cabeça positivamente. Ela não tinha muita escolha.

Nataku pegou a sacola e tirou uma barra de Dairy Milk, uma marca de chocolate ao leite. Quebrou um quadradinho e ofereceu pra Vogl.

Aquele doce a confortou muito. Os olhos da menina estavam agora apenas vermelhos. Não estavam mais derrubando lágrimas, pelo menos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Off the wall (1979)


Michael Jackson é outra coisa que me influenciou muito. Como já fiz review todos os filmes de James Bond, Michael merecia um espaço. Nesses dez anos de blog acho bom preencher ele com algum conteúdo no mínimo relevante e que signifique algo pra mim também. Por isso quero falar do Michael Jackson e dos álbuns dele! Então vamos nessa.

Vou começar do começo. Off the wall foi o primeiro álbum solo de Michael já na Epic/Sony. Sim, Michael começou lá atrás, no Jackson Five na Motown, depois na própria Motown ele conciliava uma carreira solo, e antes de fechar de vez com a Sony ele ainda estava com o grupo The Jacksons pelo selo Epic. Tudo ao mesmo tempo.

Nele, Michael firma sua parceira com o lendário Quincy Jones. Parceria essa que se estenderia por quase dez anos, pelo menos até o lançamento de Bad (1987). Quincy Jones foi o responsável por trazer muita maturidade musical pro Michael, que ele mesmo admite isso numa dedicatória linda ao Quincy que ele oferece no livreto do álbum HIStory - Past, present and future Book I. E de fato, o Quincy o recria totalmente e dá um super up na imagem do Michael Jackson - que até então era um prodígio musical, mas pertencia à Motown, que vivia ruins das pernas.

Notemos também a qualidade do trabalho. Foi o primeiro álbum em estúdio de Michael Jackson. Na Motown era meio capenga, e eles gravavam com microfones e tudo junto sem divisão de faixas, tudo era tocado ali, ao vivo. Em canções de estúdio (como Off the wall) cada faixa, cada instrumento e inclusive a voz são gravados separadamente em fitas mestras. Por isso a qualidade é muito superior.


E foi com essa mesma edição que em 2001, junto com o álbum Invincible a Sony lançou uma versão especial (acima) com entrevistas com Quincy e Temperton além das gravações-teste originais de Don't stop 'til you get enough e Workin' day and night (esse último com direito a "participações especiais/acidentais" do Randy e Janet ajudando o irmão Michael na gravação, hahaha! é mole?).

Nesse álbum também possui também canções escritas pelo lendário Rod Temperton, Steve Wonder, Carole Bayer Sager e até o Paul McCartney, ainda naquele tempo que ele era amigo do Michael (teve uma treta aí quando no final da década de oitenta o Michael comprou os direitos de todo o catálogo dos Beatles. Direitos que só foram perdida agora, pouco depois da sua morte).

Off the wall fez sucesso pra caralho. E mesmo só por ele, Michael já tinha mais que garantida sua presença na Sony, tinha começado com o pé direito. Mas ninguém, nem mesmo o Michael esperavam o próximo álbum... Aquilo sim seria inesperado!

Vamos pras músicas!

1- Don't stop 'til you get enough (Michael Jackson)
A famosa música do Videoshow:


(mas hoje em dia mudou, videoshow não tem mais essa música... #chatiado)

Que música boa! Esses efeitos também devem ter sido o "ó do balacobaco" na época, essa coisa de duplicar o Michael e tal. O resto foi Chroma-key, com certeza. A música fala da vibe de estar numa danceteria (hoje chamamos "balada") curtindo com os brotos (hoje chamamos de "as mina"). Mentira vai, não é tão velho, haha. Mas a letra fala muito sobre manter o pique e só parar quando estiver satisfeito! Rebolando e descendo até o chão, chão, chão!

Gosto muito dos arranjos da música. As músicas do Michael usam muitas camadas de som, e isso com certeza foi herança do Quincy Jones nessa época e sua influência. Se tinha algo nos tempos da Motown era muito discreto, pois lá o que prevalecia era estar sempre afinadinho. A percussão é muito boa, mas o que domina mesmo é essa trombeta! É uma mistura perfeita de R&B com ritmos dançantes, realmente é uma ótima música.

2 - Rock with you (Rod Temperton)
Eu acho o Michael um cantor e dançarino genial. Mas como compositor, meu deus, como as letras são idiotas. Não sei se o Quincy pensava o mesmo que eu, pois não colocava muitas composições do Michael nos álbuns. Rock with you foi escrita por Rod Temperton, que escreveria mais tarde nada menos que... a canção Thriller. Gosto muito das rimas, da letra suave, do ritmo, enfim, compositor bom é outra coisa!

Essa é a segunda (e última) canção de Off the wall com clipe:


É, o clipe é meio fraco, mas é legal esses efeitos, roupa brilhando e tal. Se talvez achassem que na época era cafona, hoje é um clássico. É uma música tanto pra dançar agarradinho com sua namorada(o) quanto também dançando juntos na balada.

3- Workin' day and night (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa música é tão empolgante! É pura batinda funk e tal, realmente é uma música muito contagiante. Gosto muito dos sons de batida no fundo perfeitamente sincronizados com o beatbox do Michael, além de é claro, a música, que fala de um pobre trabalhador dando duro pra dar do bom e melhor pra sua mina. Eu adoro o refrão! As músicas compostas pelo Michael sempre tem um refrão que repete, repete, repete, repete até grudar na cabeça nossa assim você me mata ai se eu te pego ai se eu te pego.

4- Get on the floor (Michael Jackson, Louis Johnson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
É, junto da última faixa, as únicas duas que eu não gosto muito nesse álbum. Mas são músicas boas! Eu gosto muito do solo no meio, é muito empolgante. Música com clima de danceteria mesmo, mas parece meio deprê, falta tômperro, como diria Erick Jacquin do Masterchef Brasil. A letra fala sobre cair na pista de dança com o eu-lírico e dançarmos juntinhos. Os arranjos são muito bons, super clima de danceteria (eu tô falando muito isso?). Mas é o clima do álbum! ;)

5- Off the wall (Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
A música título! Nunca Michael desaponta. E ainda com composição do Rod Temperton, putz, difícil não sair algo legal. A música é completa. Começa com um som meio de terror, parece até Thriller. Aí a letra começa, praticamente apenas Michael e um ritmo no fundo, coisa bem simples, falando sobre a responsabilidade e as dificuldades da vida, até o momento em que ele fala que viver a loucura é o único jeito, hehe! Live off the wall, como a música diz, viver fora do muro, sem restrições, sendo o que você realmente é. Afinal, esse momento pra mostrar esse seu lado é no hoje, e agora. A letra é uma poesia à parte, e o refrão é tão cheio de ritmo, e sempre termina com o "If you live off the wall, Life ain't so bad at all (live life off the wall)". É uma música muito boa!

6- Girlfriend (Paul McCartney) :: Link para ouvir na Rádio UOL
O Beatle que eu menos gosto (ele não havia morrido?) era um grande amigo do Michael nessa época. E bem, sempre suas composições são todas cuti-cuti, e nessa não seria diferente. O ritmo é todo romântico, com sons agudos chamando a atenção e um baixo arrebentando no fundo (sim, eu adoro o som do baixo, mesmo que ninguém consiga ouvir!). Michael abusa dos agudos nessa música, coisa que só iria melhorar depois da primeira plástica no nariz, depois de Thriller, quando ele enfim consegue puxar uns graves. A letra? É bonitinha. Mentira, vai. Fala de um caso extraconjugal onde o eu-lírico diz que tá dando uns pegas na mina que tem namorado e desafia ela a falar o que eles andam "fazendo", if you know what I mean. Safadinhos. Metendo chifre no boi da mina, Michael?

7- She's out of my life (Tom Bahler) :: Link para ouvir na Rádio UOL
É ENGRAÇADO ELE CANTAR "ELA ESTÁ FORA DA MINHA VIDA" DEPOIS DE CANTAR "GIRLFRIEND", NÉ? Hahaha. Isso que dá. É claro que ela iria voltar pro namorado, cara. Pode voltar a trabalhar dia e noite, hehe. Brincadeiras à parte, essa música é uma obra de arte. Embora a letra seja bem triste objetivamente, acho que no fundo tem também uma boa dose de positividade, como se fosse um aprendizado depois que a menina que a gente gosta deixa nossa vida e escolhe outro. Era essa música que Michael nos shows chamava uma fã pro palco pra ele cantar abraçadinho com ela (isso até os seguranças virem puxá-la. E claro que era BEM difícil e elas faziam escândalo pra caralho). Na turnê HIStory foi substituída por You are not alone, bem menos triste, e que caberia em 80% dos filmes românticos do universo.

8- I can't help it (Steve Wonder, Susaye Greene) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Viram quem escreveu, né? Claro que a música é bem melosa, haha, grande Steve Wonder. É um meio termo entre a felicidade enjoada de Girlfriend e a tristeza absoluta de She's out of my life. Eu adoro esse teclado no fundo! Super anos setenta. A música é uma romântica mais dançante, e a letra é bonitinha, sobre como é impossível resistir ao amor. Gosto muito!

9- It's the falling in love (Carole Bayer Sager, David Foster) :: Link para ouvir na Rádio UOL
It's the fallin' in love, that's makin' me high, it's the being in love, that makes me cry, cry, cry!! Sempre tem um dueto nos álbuns do Michael. E nesse tem Patti Austin! Poxa, eu adoro essa música! Quando eu ouço o comecinho dela eu já começo a cantar sozinho. Parece uma música meio sádica, porque ela é tão pra cima, tão alto astral, mas fala de tristeza no amor, HAHAHA. Mas eu ainda assim amo demais essa música! A voz dos dois combinam muito juntos nesse dueto.

10- Burn this disco out (Rod Temperton) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Como eu disse, é a que eu menos gosto, junto da Get on the floor. Mas não é ruim não! Só a acho muito parecida com Off the wall. Talvez se trocasse o número, e Off the wall fosse a última, eu diria que ela que se parece com Burn this disco out. Mas é legalzinha! Super empolgante, sobre danceteria e tals, dançar até cair duro no chão. Só os arranjos que poderia mudar, pois os vocais são ótimos, a letra é muito boa, as a canção é muito parecida com Off the wall na minha opinião. Mas e daí? Eu nunca pulo quando ouço o álbum, hehe.

Faixa bonus - Don't stop 'til you get enough (Demo) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Se é demo, é do satanás. Brincadeira, haha. Na edição especial, além de faixas com entrevista com Rod Temperton e Quincy Jones, temos demos, faixas inacabadas, mas que mostram que as músicas não mudaram muito, a essência é a mesma. Engraçado ouvir que a letra mudou um bocado, mas o ritmo e os vocais, não. Vale ouvir!

Faixa bonus - Workin' day and night (Demo) :: Link para ouvir na Rádio UOL
No começo dá pra ouvir baixinho a voz dos irmãos Randy Jackson e Janet Jackson (ainda uma pirralha, nada do mulherão de hoje, afinal é a caçula) no estúdio aprontando com o irmão Michael. Basicamente Randy manda um: "Michael, desliga essa porra, caralho, meu ouvido vai estourar!". Michael e eu somos crianças sem jeito mesmo, hehe. Assim como a anterior, só ouvindo mesmo e comparando. Preste atenção na batida! Não tem habilidade, mas tem muito coração. =)

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