sexta-feira, 31 de julho de 2015

O desencoraçado (The unhearted)

Como disse, em comemoração aos dez anos do blog, e como é um blog pessoal, resolvi fazer um auto-retrato meu, algo que explicasse um pouco de quem eu sou, no mínimo minha faceta mais intrigante (e a coisa que eu mais tenho que melhorar em mim mesmo) que é a questão sobre relacionamentos.

Essa arte foi rascunhada muito até chegar nesse resultado. A pintura em si, digital, levou mais ou menos umas duas semanas de trabalho (tô ficando craque!). Quero explicar os detalhes da pintura, por isso subi uma versão em alta da obra. Tente clicar com o direito e abrir numa nova guia/janela, vai facilitar:


O título é O desencoraçado, um neologismo traduzido da expressão The Unhearted, em outras palavras, "aquele que não tem coração". Como gosto de prestigiar minha língua, achei que valia a pena "traduzir". Basicamente parte da ideia de ser um indivíduo sem coração. Mas não que eu não consiga me apaixonar ou amar as pessoas, mas porque desde a mais tenra idade pessoas sempre julgaram meus sentimentos (e julgam até hoje).

Pessoas sempre dizem que o que eu sinto nunca foi amor, que nunca era algo real e verdadeiro, seja na família, amigos ou até mesmo as garotas que eu sentia algo. Sempre me senti meio Forrest Gump correndo atrás da sua Jenny. Todo mundo me acha um retardado que não sabe o que é amor. A Jenny pode parecer por muitos como sendo o amor do Forrest, mas embora o que o Forrest sentisse por ela fosse algo real, sólido e sincero, ela sempre negou a vida inteira dizendo que ele não sabia o que era amor - quando na realidade a pessoa que mais sabia o que era amor era justamente o Forrest e não a Jenny.

Mas como no mundo do cinema tudo funciona, os dois ficam juntos. No meu caso, esses julgamentos só ajudaram a enrijecer e machucar internamente. Por isso a cena principal do meu auto-retrato é esse questionamento: Será que eu sou capaz de amar as pessoas?

Gosto muito das palavras da Oráculo, em Matrix: "Ser o Escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe, e não tem dúvida. Nenhuma". Talvez me faltasse ouvir um pouco meu coração, parar de questionar (como na pintura) e entender que a única pessoa que pode dizer se meus sentimentos por alguém é sincero e verdadeiro sou eu mesmo. E torcer para que essa sinceridade chegue nas pessoas. Superar a timidez, a insegurança, o medo do "não" e todos esses vários fantasmas. Além do maior dos medos: o medo de não tentar.

(eu disse que essa obra era uma reflexão interna imensa, não?)


Essa parte superior eu fiz nesse formato pois é como basicamente me sinto com o fantasma de "levar uma bota de alguém". É como se algo viesse do nada, meio que do além e afetasse minha parte lógica, as palavras ressuscitando as situações. Eu posso até esquecer a menina, ou "desapaixonar" depois de um tempo, mas eu lembro claramente todas as sílabas que foram faladas na hora do fora. Absolutamente todas.

E a lógica (o cérebro) fica com medo de que a situação de repita. E já aconteceu de se repetir, hehe. A área da conquista é como pisar em um campo minado, cuja última linha está cheia de bombas e não há escapatória. Talvez o mundo seria algo melhor se as mulheres saíssem um pouco dessa eterna defensiva, e assim deixar pessoas como o Hitch, o conselheiro amoroso, sem emprego.


Eu normalmente quando me retrato, eu sou caolho. Mas eu não sou caolho na vida real, óbvio. É meio que uma "marca registrada" minha. Deixa um ar de pessoa que passou por várias batalhas, sejam internas ou não. O caolho significa todas essas cicatrizes que ficaram.

Eu gostei muito da lágrima. Mas a lágrima é pra reforçar a tristeza ao olhar incredulamente pro coração que parece não saber o que é amor, já que todos julgam. No fundo a lágrima não significa tristeza. Meu olhar e minha expressão é de não entender porque ter um coração se as pessoas dizem que eu não tenho. A lágrima é também o desejo de poder amar e ser amado. Nada está na obra por acaso!



A engrenagem é outro tema recorrente, assim como o olho machucado. Eu sou um cara bem emotivo. Eu choro mesmo, gosto de me apaixonar e amar as pessoas, gosto de nutrir minhas amizades, enfim, eu só tenho tamanho, sou um manteiga derretida. Mas por ser homem a sociedade (e inclusive as mulheres) nunca aceitaram um homem ter sentimentos. Sei que muitas podem ter até me achado bonitinho, mas queriam que eu fosse uma pessoa mais estável na parte dos sentimentos, mais fria, como teoricamente "todo homem deveria ser".

Eu parto do pressuposto de que na verdade é o homem o sexo frágil. Já li vários artigos sobre, e cada dia que passa mais tenho certeza disso. Afinal, o homem é muito mais influenciado pelos seus sentimentos do que as mulheres, são seres bem mais instáveis emocionalmente. As mulheres suportam muito mais carga de emoções que os homens, elas são muito mais evoluídas nesse aspecto. O homem, qualquer coisinha errada que acontece ele fica violento, ignorante e imbecil. A engrenagem significa meu desejo imenso de ser uma pessoa lógica e fria.

Isso melhoraria 300% meus relacionamentos. Sei que muita mulher detesta homens mais emotivos. A sociedade em si é muito machista nesse quesito pois não abre leque de aceitação pra homens terem esse tipo de coisa. E sei que se eu fosse uma pessoa mais fria, meu número de mulheres que levei na cama aumentaria umas cinquenta vezes, não teria medo de me declarar, menos ainda de levar foras, e que nem mesmo esses fantasminhas aí existiriam. Provavelmente meu auto-retrato se eu fosse uma pessoa fria como eu sempre sonhei ser seria bem diferente, hehe.

O sangue é a dor. Porque sempre que eu tento ser uma pessoa mais lógica, isso sempre barra no meu emotivo, e é uma briga interna imensa. E eu sou a pessoa que mais sofre nessa coisa toda.


Bom o coração não significaria nada se não tivesse o imenso buraco no peito (aliás, foi bem realista até. Achei até meio bizarro depois que terminei). Caso contrário seria uma fatia de fígado cru (???).

Se pudesse ser um gif animado, esse coração sem dúvida estaria pulsando. Pulsando por alguém? Não necessariamente. Talvez um pulsar de esperança. Esperança de um dia encontrar alguém que não responderia a uma declaração sincera criando obstáculos intransponíveis, ou ainda de uma pessoa que pudesse aceitar esse coração - isso é, os sentimentos - já que tantas outras negaram, ou criaram milhares de motivos para não aceitar, ou fizeram o que mais me machucou: julgaram meus sentimentos, dizendo que eram errados, que eu não sabia o que era amor, que estava confundindo as coisas, ou coisas até piores.

É isso! =)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Doppelgänger - #90 - O último dos Doe.

Al ainda estava sem palavras. Francesca Vittorio era a última pessoa que ele queria encontrar naquele momento. Tudo parecia correr como um filme na sua cabeça. Um dos seus maiores fantasmas novamente batendo na porta.

Foi ela quem foi minha chefe, e no fundo ela que esteve por detrás de manipular Victoire para me injetar o vírus. Também foi toda uma conspiração dela para fazer com que eu brigasse com a minha falecida esposa. E também foi ela quem estava me dando as ordens para ir atrás da Dawn of Souls há anos atrás. Ela havia sumido, mas eu achei muito suspeito... Ela estava viva então?, pensou Al.

Vittorio se aproximou de Al. Ele permanecia mudo.

"Quanto tempo, Al. Você está mais acabado que eu!", comentou Vittorio.

"Pelo visto vocês se conhecem mesmo", disse Andrada.

"E você, Natalya! Quanto tempo não te vejo. E o seu filho retardado? Fiquei sabendo que você se aposentou pra cuidar dele", disse Vittorio, provocando Briegel.

Embora Natalya Briegel fosse uma pessoa controlada, quando citavam seu filho deficiente ela ficava muito enfurecida. E talvez ela com uma arma na mão não seria exatamente a melhor pessoa a ser provocada.

Briegel correu em direção de Francesca Vittorio e disparou contra ela, que deu um passo pro lado antes e a bala passou raspando na sua roupa. Quando Briegel deu um segundo tiro Vittorio virou de lado, deixou o braço dela passar e aplicou um golpe no estilo Close Quarters Combat, batendo firme no braço de Briegel e fazendo a arma dela cair.

Porém, o som dos tiros haviam alertado os policiais ali próximos.

"Você sempre foi muito boa, mas não aguentava ser provocada, não é Briegel?", disse Vittorio, segurando firmemente o braço e imbolizando Briegel, "Agora eu tenho seu braço comigo. Se eu quiser, posso quebrá-lo! E deixar você aqui, esperando a polícia".

"Sua idiota...", disse Briegel, virando o rosto para Al, "Eu vou segurar ela aqui. Pegue o Andrada e torture ele até arrancar o último fio de informação!".

Al como que desperto por um transe segurou Andrada pelo braço e o levou para fora de lá, puxando enquanto ambos corriam pelo parque. O barulho dos tiros haviam chamado atenção para lá, e enquanto Al corria segurando Andrada viu os policiais indo até o local onde estavam Natalya Briegel e Francesca Vittorio.

Al puxou Andrada para perto de uma entrada do Zoológico de Londres, no Regent's Park, que estava fechado naquele novembro de 2012. Era o melhor lugar para ter uma conversa.

Antes mesmo de perguntar algo Al desferiu um potente soco na mandíbula de John Doe. O brasileiro gritou de dor.

"É bom que você consiga falar depois disso. Eu quero informações sobre o Chrysalis, e quero agora", disse Al.

"Seu idiota, acha que vai conseguir arrancar algo de mim assim?", disse Andrada, cuspindo sangue em Al. Ele aproveitou a distração e começou a correr.

Foi aí que mais um tiro foi ouvido. Foi direto no joelho de Andrada. Na lata.

"Acho que temos uns... Setenta segundos", disse Al, se aproximando rapidamente de Andrada, que caiu no chão gemendo de dor, "Quem disse que eu não estava armado? Você deduziu por você mesmo. Não gosto de usar armas de fogo, mas não quer dizer que eu não as saiba usar. E um tiro no joelho dói. É a parte no corpo que mais dói. Especialmente se eu pressionar, assim".

E depois de dizer isso, com Andrada no chão, Al deu um pisão no joelho dele. O homem gritava de dor de virar os olhos.

"Quarenta segundos, Andrada. Onde será a próxima reunião do Chrysalis?", perguntou Al.

Andrada continuava gemendo de dor.

"O próximo tiro será na sua testa", disse Al.

Andrada resolveu falar.

"Essa noite, na Crush Room na Casa de Opera Real (Royal Opera House) em Covent Garden. Umas 21h", disse Andrada.

"Certo. Sinto convicção na sua fala. Mas eu quero mais. Onde está a Dawn of Souls?", perguntou Al.

"Eu... Eu não sei! Eu juro!!", disse Andrada.

Al deu uma coronada na cabeça de Andrada. Por sorte ele não caiu inconsciente.

"Claro que você sabe. Você tem contato direto com o Ar. Você sabe até onde que é a base dele", disse Al.

"Por favor, me deixa ir, meu joelho está doendo!!", disse Andrada.

"Eu preciso de localizações, Andrada. Quero endereços!", disse Al, elevando a voz.

"Ele sempre me vendava quando eu visitava ele pessoalmente, eu nunca vi onde era o local, mas eu tinha o contato direto na central dele. Está no meu celular! Meu escritório fica na região das Docas de Londres, tem o endereço aí também. O pin pra desbloquear é 1234", disse Andrada.

Que senha imbecil, pensou Al.

"A Dawn of Souls está protegida por um super computador inteligente. Existem apenas duas chaves para destravá-lo e uma delas está comigo, no meu escritório, na gaveta da esquerda. Essa noite será a última reunião da Chrysalis antes da insurreição de amanhã. Bolsas do mundo inteiro vão entrar em colapso, pois o Legatus vai comprar diversas ações por meio dos seus agentes e vão deixar as ações com preço de ouro, mandando as pessoas irem todas ao mesmo tempo retirar saldos das suas ações. É como a Queda da Bolsa de 1929. Só que em escala global", disse Andrada.

Al ficou abismado.

"A Crise de 2008 foi apenas o aquecimento do Ar. Agora em 2012 ele vai mostrar que realmente tem o sistema econômico nas suas mãos. Líderes previamente orientados por ele tomarão todos os lugares de liderança em todos os maiores postos do mundo - especialmente os que não falirem. E todos eles serão submissos ao Ar. O mundo enfim fará as vontade dele, e nenhum de nós estará a salvo. Em um ano o mundo não será o mesmo. Países falirão, o povo nas ruas farão protestos, grupos rebeldes tomarão o poder, e se não se alinharem com o Ar, ele os tirará do poder. Todos os agentes serão revelados, pessoas serão caçadas, guerras eclodirão e ninguém poderá fazer nada. Pois todos estarão buscando roer os resquícios da carne que estão no osso", disse Andrada.

"Preciso de documentos sobre isso", disse Al.

"Eu tenho acesso pleno ao Legatus. No meu escritório tem as chaves de acesso. Dá pra ver pela internet", disse Andrada.

"Ótimo", disse Al, concluindo.

Al o pegou com violência o jogou numa piscina desativada do zoológico. Provavelmente era onde ficavam alguns felinos, no fosso de proteção para os visitantes. A água fedia, encardindo seu caríssimo terno.

"Com sorte também você não manque muito quando conseguir andar. Vai gritando aí, talvez alguém te ouça. Sorte sua que não tem nenhum bicho aí", disse Al, deixando Andrada lá e indo ao encontro de Vittorio e Briegel.

- - - - -

Al chegou discretamente e viu os policiais no local onde eles haviam encontrado Vittorio. Mas não havia ninguém lá. Nem Briegel, menos ainda Vittorio.

"E aí, conseguiu alguma coisa?", disse Briegel, atrás de Al.

"Ah, você tá aí", disse Al, se virando pra Briegel, "Consegui sim. O Chrysalis vai se reunir hoje ás 21h. É minha chance de pegar informações e levar pro nosso amigo Frost. E você? Cadê a Vittorio?".

Briegel suspirou.

"Uma velha enferrujada. Mas eu tô bem velha também", disse Briegel, "Mas acabou me distraindo e fugiu. Fiquei tão impressionado quanto você quando vi a Vittorio viva".

"O Ar é o que une todos. Se conseguirmos parar ele, conseguiremos quebrar toda a corrente, por mais que tenha elos fortes, como a Francesca Vittorio", disse Al, ligando no seu celular para Neige.

"Neige, quero que dê um jeito do Ar revelar sua localização. Mas tente fazer com que ele não suspeite que você deixou de propósito. Diga pra Victoire que eu me unirei a vocês em breve. Eu tenho um plano. O código é 609C. Obrigado", disse Al, terminando a ligação.

"Código?", perguntou Briegel.

"São instruções que eu passo pro Neige. Só eu e ele sabemos. Fique tranquila", disse Al.

- - - - -

Vinte minutos depois de se atolar na lama da fossa no zoo, Andrada ainda gemia de dores. Provavelmente aquela ferida iria infeccionar e dar muito problema se ele não corresse logo. Mas provavelmente ele não teria pra onde correr de qualquer forma.

Ai, como dói isso! Esse Al, maldito, quando eu sair daqui vou matar ele!, pensou Andrada.

Ele apenas sentiu algo na garganta. Um dos agentes camuflados de Ar apareceu e lhe cortou a garganta. Ele sequer percebeu alguma coisa.

O último dos Doe estava morto.

sábado, 25 de julho de 2015

A fantasma do Desejo.


Ela eu conheci na oitava série. Fazíamos teatro juntos, e quando batíamos papo sempre a coisa era bem legal. Ela era uma ótima pessoa. Era loira, alta, trabalhava de modelo. Tinha um sorriso gengival, mas ainda assim eu a achava muito bonita.

Porém, antes que eu percebesse, ela estava namorando. E o cara que ela namorava eu o admirava como um ídolo, além de ser um grande amigo meu. Eu era uma pessoa bem tímida, e ele era a pessoa que falava com todos, sempre cumprimentava e era amigo de todos no grupo, muito comunicativo e engraçado. De alguma forma eu queria ser como aquele cara.

E quando eu via os dois eu ficava me sentindo como se eu estivesse junto de duas divindades. De um lado ele, que era um cara que eu admirava muito e tinha orgulho de ser amigo dele. Do outro, a garota loira que eu estava apaixonado com todo o meu coração.

Mas como normalmente é o ciclo da vida, nós queremos eventualmente superar quem nós admiramos, quem nós nos espelhamos. Mas o cara era insuperável. E ela nunca me daria bola. Achava estranho todas as vezes que ela estava abraçada ou depois de dar uns amassos nele, ela virava e ficava me encarando. Especialmente depois que, mesmo namorado, ela ficou sabendo que eu nutria sentimentos por ela.

Nesse momento pensei que poderia mostrar que eu era um cara mais legal. E eventualmente até acabar com o relacionamento deles. Tudo bem vai, coisa de adolescente, eu tinha uns 14 anos na época.

A gente sempre voltava junto pra casa. E todas as vezes a gente conversava muito. Eu ficava muito feliz ao lado dela, e sempre na longa rua que separava minha casa da minha antiga escola eu torcia pra ela cada vez ser mais e mais longa, pois aquele era o momento que eu poderia ter ela do meu lado, só eu e ela, mesmo que fosse apenas na amizade.

E como toda fofoca interna, é claro que esse namorado dela ficou sabendo que eu estava afim de namorada dele. Mas ele agiu de uma forma super legal. E eu lembro que perto do fim do ano ele teve que se transferir de escola, e inclusive terminou o namoro com essa loura. A última frase que eu ouvi dele foi: "Eu sei que você gosta da minha namorada. Agora vai lá, e faça ela feliz!". Esse cara era realmente alguém muito difícil de encontrar, pois mesmo sabendo dos meus sentimentos pela namorada dele ainda me incentivar assim, nossa.

Escrevia cartas de amor pra ela com trechos das baladas do Michael Jackson junto de trechos de Shakespeare. E eu comecei uma das cartas de amor pra essa menina com o seguinte trecho shakesperiano:

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança".

E eu lia aquilo e sabia que aquilo era a descrição exata do que eu sentia. Sem dúvida ela foi a primeira paixão da minha vida. Mas, ainda assim, não deu em nada. Lembro perfeitamente do dia em que eu me declarei pra ela e ela, séria, meio sem saber o que dizer disse: "Não vai rolar, desculpa". Embora ela tenha aceitado todas as cartas, lido todas, e guardado todas com carinho. Fiquei sabendo de uns boatos que até hoje ela as guarda. Deve ter ficado bom!

Fiquei muito mal pensando em como seria minha vida depois daquele ano de 2002. Aquele foi o último dezembro. A última vez que a vi foi na minha formatura da oitava série. Ela estava muito bonita. Ela me deu um abraço apertado, um beijo na minha bochecha e se despediu de mim. No outro ano ela saiu da escola e do grupo de teatro. E eu também saí do teatro e mudei de escola no ano seguinte. A última vez que a vi foi em 2002, naquela formatura.

E hoje?
Hoje ela está ótima! Fiquei sabendo que ela seguiu carreira em moda. E que ela chegou até a noivar um terceiro cara - um tiozinho meio careca e barrigudo, com aparência de bem mais velho! É a última coisa que fiquei sabendo dela, e tem uns cinco anos já. Provavelmente está casada já e feliz em algum lugar por aí. Nunca mais a vi desde a formatura da oitava série em 2002. Nem tenho ideia de como ela está hoje.

Uma canção?
Sim! Uma canção que até hoje me faz lembrar dela é You are not alone, do Michael Jackson. Embora eu pensasse nela enquanto ouvia a música, acho que era mais uma descrição de mim mesmo, naquele momento, haha.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Doppelgänger - #89 - O maior dos fantasmas de Al.

"Surpreso por eu saber quem você é, Al?", disse John Doe.

Não, melhor não deixar isso me abalar, pensou Al, que continuava quieto olhando pra John Doe.

"Esses jardins eram privativos da Rainha. Em 1932 foi aberto ao público. Tem uma coleção enorme de flores aqui, mas como estamos no outono, o visual não é tão rico quanto na primavera", disse John Doe.

"Onde você quer chegar?", perguntou Al.

"Porque você está vivendo o outono da sua vida. Sua doença está te envelhecendo, te deixando cheio de rugas, cabelos brancos, e seus órgãos estão começando a falhar. Você mal fez quarenta anos, mas parece alguém de sessenta. Mas quer saber como eu sei de tudo isso?", disse John Doe.

Al ficou em silêncio.

"Se você ficou quieto talvez queira saber", disse John Doe, provocando, "Eu sou um dos noBODY, eu sou o quarto elemento da trupe do Ar. Junto da Ravena, Sara, Schwartzman e eu. Só que nenhum dos outros do braço interno do Vanitas sabe. Apenas sabem que eu sou o líder. Eu não tenho 'poderes' como a Ravena ou a Sara, ou algum conhecimento como o Schwartzman. Mas eu sou muito bom na lábia - e ganhar a confiança de empresários do mundo inteiro é minha missão também", disse John Doe.

"O Ar pelo visto te alertou sobre mim", disse Al.

"Sim. E nós sabíamos que seria justo você que viria atrás do líder, no caso, eu. E se meus conhecimentos sobre você estiverem certos, você não gosta de andar armado por aí. Logo, você não oferece muito perigo pra mim. O cérebro do grupo não mexe com armas. Mas não quer dizer que você não venha com armas. Tem suas armas - o seu intelecto", disse John Doe.

"Acertou. 50%", disse Al, apontando pra atrás dele.

Na hora que Andrada virou, uma senhora saiu detrás de um arbusto no parque. Ela apontava uma arma para John Doe.

"Gostaria de apresentar minha colega, Natalya Briegel. Ela sim está armada e com você na mira", disse Al.

Por um momento John Doe parecia em apuros, mas viu que ainda estava em vantagem.

"Natalya Briegel. Sim, sim. Sei quem é. Antiga membro da elite da Section 9 da Interpol. Grande agente de campo, ótima em combate, pena que esteja velha. Antiga agente M. E só alguns ficam com essa patente de uma letra só. Mas gostaria na verdade era de te fazer uma pergunta...", pausou John Doe, "O que esse jovem aqui te contou pra te fazer se juntar ao time dele?".

Natalya Briegel continuava atenta, apontando a arma.

"Não dê atenção pra ele, Briegel. É um blefe", disse Al.

"Não, não, não, Al. Sejamos honestos", disse John Doe, se virando pra Natalya depois, "Você nunca achou estranho essa estorinha toda? Um cara fica anos sumido, morando sabe lá deus aonde, do nada aparece aqui, pra parar seu sobrinho com a desculpa de que ele quer causar um colapso econômico mundial por meio de terrorismo econômico?".

Briegel continuava imóvel.

"Pense comigo, Briegel. Ele busca aqui três agentes que já trabalharam pra ele. Sem contar a francesa. Uma detenta holandesa, um italiano sem passado e você, uma alemã aposentada. E sem contar aquela francesa, com aquela paixão platônica por ele. Pessoas que ele acabou com elas há anos atrás, será que isso cheira bem mesmo?".

Nessa hora Briegel olhou pra Al.

"Briegel! Não dê ouvidos pra ele. Preciso apenas arrancar dele os próximos passos do Ar", disse Al.

"Os próximos passos do Ar? Ah, isso é fácil! Na verdade, como você não pode fazer nada, vou te dar essa vantagem nessa corrida. Pelo menos vai ver com seus próprios olhos o Ar acabando com a economia mundial. Será amanhã, dia dois de dezembro, pontualmente ás 21 horas. Será o princípio do fim, o começo da insurreição dele. Lá no Banco de Londres, tem até a estátua do que Duque de Wellington apontando pro local onde o Ar fará o futuro. Era isso que queria saber?", perguntou John Doe.

"Porque está me dizendo isso?", perguntou Al.

"Al, meu puro e ingênuo Al. Todos vocês foram enganados. Vocês todos estão em uma missão achando que estão fazendo algo, mas verdade o Ar ficou foi bastante frustrado com a capacidade de vocês. Foram bem abaixo da média que ele esperava. Vamos, fale a verdade para Briegel", disse John Doe.

"Não há verdade nenhuma, idiota. Não escondi nada", disse Al.

"Escondeu sim. E se isso tudo o que você e o Ar estiverem fazendo é um teatro? Pela capacidade de vocês dois já era pra um ter pego o outro faz tempo. Você está há um mês usando essas pessoas de isca, para dar um fim neles na primeira oportunidade!", disse John Doe.

Briegel olhou pra Al e baixou a arma.

"Que tolice. Nós dois somos excelentes agentes. É óbvio que eu estou atacando e ele está defendendo muito bem. A luta contra o Ar significa algo muito mais pra mim. É a luta contra meu próprio passado. Afinal, fui eu quem o salvou em Rosário, na Argentina, há doze anos atrás!", disse Al.

"Como é?", disse Briegel, quebrando o silêncio.

"Sim. Depois que o Ar nasceu Émilie o exilou durante anos na América Latina. Ele tinha apenas doze anos naquela época. Acontece que Lucca, com sua mente e lembranças totalmente lavadas, teve a persona de Schultz, o mestre do meu irmão mais velho, implantada nele. Só que ele não era nem Lucca, e menos ainda Schultz. Ambos haviam morrido - literalmente ou não. Mas o que aconteceu depois poucos sabem...", disse Al.

"E o que aconteceu?", perguntou Briegel.

"Existe um motivo pro Ar me chamar de 'irmão'. Pois a partir daquele momento que eu o salvei eu disse que adotaria ele como meu irmão mais novo. Eu queria ser pra ele não apenas um tio, mas um exemplo como o Arch foi pra mim. Mas meu irmão mais velho era perfeito, justo e sincero. E por mais que eu tentasse, nunca consegui passar esses valores para o Ar. Só muito tempo depois que ele descobriu que nós éramos parentes e que eu era o seu tio", revelou Al.

"Minha nossa... Então quando você diz que você quem criou o Ar, então é verdade!", disse Briegel.

"Sim. Por isso somente eu sou capaz de pará-lo", disse Al.

"Pois é, a verdade está saindo. Mas acho que agora posso te mostrar uma coisa que vai te deixar ainda mais abismado, Al", disse John Doe, fazendo uma pausa. Al não sabia o que esperar, "Quando Birger Löfgren foi morto, você não estava presente, não é mesmo? Você sabe que Rockefeller está trabalhando do nosso lado e inclusive foi lá, certo?".

"Sim. Mas eu nunca confiei no Rockefeller. Eu sabia que tinha grandes chances dele me trair", disse Al.

"Exato. Mas não sei se você se lembra, mas tinha uma outra pessoa presente lá", disse John Doe.

Al permaneceu em silêncio.

"E ela é alguém que realmente vai te causar muita surpresa", disse John Doe.

Nessa hora o maior pesadelo de Al veio caminhando do seu lado. Estava com uma aparência muito mais velha, abatida, mas ainda assim permanecia com o rosto altivo. Caminhava com elegância, quase que andando sobre plumas. Vestia um belo sobretudo preto, uma cachecol laranja e seus cabelos estavam tingidos com aquele mesmo to avermelhado que ela sempre usava.

"Não pode ser. Era pra você estar morta!", exclamou Al.

Briegel também se assustou. Afinal, ela também trabalhou muito tempo com ela na Inteligência. Foi Natalya Briegel quem disse em claro e bom tom quem era a mulher caminhando em direção ao Al, falando seu nome, enquanto Al permanecia atônico:

"É você... Francesca Vittorio?!", concluiu Briegel.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Blood on the Dance Floor: HIStory in the mix (1997)



Chegamos em Blood on the Dance Floor: HIStory in the mix, o álbum de remixes com mais vendas na história, seis milhões de cópias! Foi o último álbum do Michael que eu consegui, em 2004 mais ou menos (e foi presente de uma amiga que estudou no ensino médio comigo) pois simplesmente não o encontrava um novo em lugar nenhum. HIStory fez tanto barulho que merecia ser remixado, e aí nasceu Blood on the Dance Floor que contém cinco músicas inéditas e oito remixes inéditos feitos por estúdios e DJs de calibre. Afinal, Michael Jackson não é pouca mizera.

Outro álbum que é meio apagado entre os fãs, mas eu adoro também! O álbum, além dos clipes que renderam, rendeu também o filme Ghosts, um filme estrelado por Michael Jackson onde ele faz nada menos que cinco papéis (!), entre eles o Maestro (Michael Jackson), um morador de um castelo antigo assombrado por fantasmas que está causando altas confusões na Sessão da Tarde. O prefeito (Michael Jackson também) vai lá tomar satisfação com o fanfarrão e aí juntamos dança com temas de terror com a maestria que Michael sempre fez. Esse é o poster do filme:


O filme é muito bom. Escrito por Michael Jackson e Stephen King o rei do suspense. Efeitos especiais da lenda do cinema Stan Winston, que fez desde Jurassic Park até Avatar. Tem aqui ele online, se você curte cinema, não deixe de assistir! É um filme bem legal. Dizem lá que o personagem do prefeito foi baseado no Tom Sneddon, o promotor que acusou Michael na época das alegações de abuso de menores de 1993. E os dois ficam competindo pra ver quem vai assustar o outro primeiro. Foi lançado no festival de Cannes, inclusive!

O álbum é uma continuação do HIStory, mostrando mais temas ainda da vida de Michael, incluindo o uso de drogas. Ele não tinha medo de dar a cara a bater mesmo. Das canções inéditas são todas temas do filme Ghosts. Por fim os remixes foram feitos por pessoas de calibre da Flyte Tyme (Jimmy Jam e Terry Lewis), do grupo de hip hop The Fugees, e até o Tony Moran estava presente pra fazer remixes. Time escolhido a dedo! Além de Teddy Riley (co-produtor de Dangerous) de volta.

1 - Blood on the Dance Floor (Michael Jackson, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Eu tenho uma tia chamada Susy, e ela sempre brincava que essa música foi feita pra ela, haha. Afinal, a canção fala de uma donzela chamada Susie, que parece que junta pessoas em uma pista de dança e vai tirando pessoas para dançar. Até aí tudo bem, tirando o fato da Susie ter sérios problemas psicóticos e quer meter uma faca nas pessoas que não a satisfazerem com sua dança.


A música é muito boa! A Susie deve ser essa gostosa donzela do clipe. Eu adoro esse ritmo de fundo e a voz do Michael, indo do grave pro agudo. E diria ainda mais que ele colocou de um jeito único na voz um desespero, deixa a gente ouvindo a música e imaginando a situação de ter que dançar com uma arma na cabeça, prestes a morrer. Realmente muito foda. Foi lançado em um DVD a versão remixada pelo The Fugees, que ficou sensacional também em ritmo mais de hip-hop.

2 - Morphine (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Muita gente pergunta porque meu e-mail é "MJ Morphine". Ta aí o motivo, haha! Todo mundo do fórum de Michael Jackson que eu frequentava tinha criado e-mails com referências às músicas do Michael, e eu carrego com muito orgulho Morphine! Toda hora que eu ouço essa música, nossa, tem uma energia e tal, mesmo que infelizmente fale do vício do Michael em drogas - de morfina, até o demerol, que foi a infeliz maneira que ele encontrou pra lidar com todo o assédio doentil da mídia, sua infância triste e as acusações de pedofilia de 1993.

Mas é uma das minhas músicas favoritas, e eu sempre admirei Michael por mostrar com tanta autenticidade um problema tão grave quanto as drogas que ele tinha. A música reflete essa euforia das drogas, os refrões pesados cheios de palavrões, o vai-e-volta do efeito, euforia e no meio a música simplesmente para, fica um pianinho de fundo e alguns versos bem tensos sobre o efeito de tomar as drogas causava: "Relax, this won't hurt you/ Before I put it in/ Close your eyes and count to ten/ Don't cry, I won't convert you/ There's no need to dismay/ Close your eyes and drift away/ Demerol, Demerol/ Oh God, he's taking Demerol". Uma obra genial. Por isso virou meu e-mail. Hahaha!

3 - Superfly Sister (Michael Jackson, Bryan Loren) :: Link para ouvir na Rádio UOL
De novo a tal Susie aparece pra dar o ar da graça, haha. Eu gosto muito dessa música pois ela é toda pra cima e tal, super bacana. Eu já li muitas teorias sobre a letra dessa canção, uns dizem que é sobre a imensa família Jackson, que o Michael por ser o mais rico, sempre teve que sustentar por conta da fama. Outros dizem que é uma resposta contra seus dois maiores desafetos: Madonna e Prince. A Madonna pois foi ela quem começou com os boatos de que Michael era gay pois, supostamente, ele negou sexo pra ela. E Prince, bem, tem todo aquele histórico de baba-ovismo com o Michael. Independente do significado, é uma música que parece uma volta no tempo da era Dangerous, mas imensamente melhorada. Sensacional.

4 - Ghosts (Michael Jackson, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Eu gosto muito do começo. A música vai se desenrolando, começa com uns sons de engrenagens, aí vai aparecendo outros sons, até chegar no ritmo final da música. É a canção irmã de "Is it scary", a próxima faixa. Até a letra é similar. Só que em Ghosts fala-se de um fantasma invejoso que quer roubar a mina do eu-lírico: "And who gave you the right to scare my family/ And who gave you the right to shake my baby, she needs me/ And who gave you the right to shake my family tree/ They put a knife in my back/ Shot an arrow in me/ Tell me are you the ghost of jealousy?". Gosto muito dos corais no meio da canção. E claro, faz parte do filme Ghosts.

5 - Is it scary (Michael Jackson, James Harris III, Terry Lewis) :: Link para ouvir na Rádio UOL
O que a faixa anterior tinha de divertido, essa tem de tenebroso! Já começa com o piano tenso de filmes de terror. Vai descrevendo fantasmas sedentos por sangue em todos os locais vindo te buscar, e aí num ponte da canção o eu-lírico diz que na verdade ele é o fantasma! Quando você pensa estar fudido menos espera o eu-lírico pergunta se ele é assustador pra você. Parece pela letra um depoimento do Michael das pessoas acharem que sua aparência é assustadora, depois das plásticas, vitiligo, drogas, mídia, e enfim... Ele tava até bem pra quem passou por tudo isso, isso sim.

6 - Scream Louder (Flyte Tyme Remix) (James Harris III, Terry Lewis, Michael Jackson, Janet Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Que comecem os remixes! E já começa chutando o pau da barraca com um remix mestre do pessoal da Flyte Tyme, James Harris III e Terry Lewis, que ajudaram a produzir o álbum anterior, HIStory. Muita gente detesta esse remix, mas eu acho muito, muito legal! Não ficou um dançante forçado, valorizou ainda mais os vocais da Janet Jackson, e tem uma riqueza de sons, que vai desde música de elevador, até um pop pesado. E ficou harmonizado no final das contas! E eu gostei muito que usaram muito bem o grito "Ahhhhh" do Michael de Scream. Marca registrada da música.

7 - Money (Fire Island Radio Mix) (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Remix feito pela banda inglesa Fire Island, em estilo house music! Muita gente gosta mais dessa versão que a versão original do HIStory. Eu acho que tirou todo o clima de incerteza e sombrio da música original e ficou dançante até mais. Mas o ritmo é legal! House music é uma coisa super anos oitenta, e foi muito bem remixada, apesar dos pesares.

8 - 2 Bad (Refugee Camp Mix) (Michael Jackson, Bruce Swedien, René Moore, Dallas Austin) :: Link para ouvir na Rádio UOL
"No Mercy!! This is officially a Refugee Camp Remix... Hooooome with it!!", hahaha. Esse começo da música é inesquecível. Eu gosto muito de 2 Bad, é uma das minhas músicas favoritas do Michael, e esse remix conseguiu mostrar o que era bom de uma forma diferente, com todo esse ritmo de hip-hop. O rap no meio é interpretado por John Forté. E aos 3m00 de música tem um sample de "Beat it" super bacana, só no sapatinho. Dá pra perceber o tiozinho falando "Beat it, beat it, beat it" com o sample da música ao fundo. Muito bom mesmo!

9 - Stranger in Moscow (Tee's In-house Club Mix) (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa mudou TOTALMENTE. Não sei como, mas transformaram Stranger in Moscow em música de discoteca (sim, pois a música foi lançada em 1997, e só de uns 2000 pra cá que chamaram o local de "balada"). Embora o ritmo tenha distorcido toda a tristeza e melancolia original da música que eram sua marca principal, o vocal do Michael foi MUITO valorizado. A voz dele se sobressai totalmente, e isso é um ponto muito bacana dos mixadores. Remix de Todd Terry, famoso DJ americano!

10 - This time around (D.M. Radio Mix) (Michael Jackson, Dallas Austin) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Outro DJ que manja das danceteria! Dessa vez é David Morales, e a música começa com uma batucada muito louca, e fica a voz do Michael remixada cantando "This time around, around, around", hehe. Ficou super anos noventa esses sons sintéticos! Gosto muito do ritmo do refrão, embora hoje seja cafona, em 1997 era o "ó do borogodó". Não valorizou tanto a voz do Michael como a faixa anterior, e sei que muita gente prefere esse remix do que a versão original do HIStory. É boa, mas também não acho que é pra tanto.

11 - Earth Song (Hani's Club Experience) (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Bom, não parece tão dançante no começo. Tem uns sons de natureza e tal. Mas depois começa o "puts-puts-puts-puts". Porém, o que diferencia essa canção dos outros remixes é a estrutura e a riqueza de ritmos dentro dela. E ainda mantém o pianinho clássico da música original, coisa única. Dá pra ver a diferença, pois o tal Hani que fez o remix não é um DJ, e sim um remixador profissional (fez até remixes da Alicia Keys!), por isso a estrutura da música é super bem bolada sem perder a essência. Gente fudida é outra coisa. Ainda bem que confiaram uma das melhores canções ao cara!

12 - You Are Not Alone (Classic Club Mix) (R. Kelly) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Outro remix em house music! Dessa vez uma obra de Frankie Knucles, outro DJ. Uma característica desde o primeiro segundo da canção: ficou super feliz, haha. Não que a música fosse triste, mas era uma balada romântica, virou quase um P.Y.T. de Thriller, de tão alegre que ficou. Mas eu gostei que não saiu muito do romântico ainda assim. Pianinho de fundo, violinos, tudo ornando bem até, junto da batida de house music. Parece trilha de encerramento de anime shojo, tipo Inuyasha.

13 - HIStory (Tony Moran's HIStory Lesson) (Michael Jackson, James Harris III, Terry Lewis) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Muita gente detesta a canção HIStory original do álbum anterior. Mas eu brinco dizendo que a canção original é uma pobre incompreendida, de tão genial que é. Mas aqui temos ninguém menos que Tony Moran, um famoso remixador, fudido pra caralho. O que eu mais gosto é que a batida que ele criou combinou muito com a música, dando um ar de coisa épica ainda assim! E isso porque tecnicamente a canção é super pequena, mal tem letra. Além de estender pra caramba (oito longos minutos!), fez com que pessoas elegessem esse o remix dos remixes de Michael Jackson. Na minha opinião? É boa, muito bem remixada. Mas eu sou chato com remixes. Igual o Michael era.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Doppelgänger - #88 - Um toque, um beijo.

Qualquer pessoa poderia ter aparecido naquele momento. Menos o Ar. Justo ele.

"O que você tá fazendo aqui?", perguntou Victoire, apontando a pistola para ele.

"Vou ser sincero que até mesmo eu estou surpreso em te ver aqui, Vicky", Ar tentava ao máximo se assimilar ao Al, usando a paixão de Victoire como ponto fraco dela, "Mas quando Tsai, ao abaixar pra pegar os documentos apertou o botão de pânico, e o VOID me indicou que os arquivos do Jack Doe foram roubados, vi que o meu irmão mais velho tinha pensado num plano engenhoso - se não fosse por um motivo - que para o azar dele eu estava justamente nesse prédio em uma reunião", disse Ar.

Agora mais essa! Isso parece brincadeira... Tanto lugar no mundo pra esse cara estar e ele foi aparecer justo aqui? Preciso dar um jeito de sair daqui e ajudar a Victoire... Mas como? Eu não sei nem usar armas, e tenho nada aqui que possa usar... Exceto isso, pensou Neige, olhando pro seu laptop. Pelo menos de algumas coisas do prédio ele tinha controle.

"Não aponte isso pra mim se você não tem a intenção de atirar", disse Ar, se aproximando lentamente de Victoire.

"Não se aproxime!!", gritou Victoire.

Ar ignorou o pedido dela, e continuou avançando passo-a-passo.

"Você não vai atirar em mim. Você só tem idade, e não tem um pingo de maturidade. Fica sonhando com amor de uma pessoa que nunca vai olhar pra você. É estúpida como qualquer menininha imbecil, com essa de 'eu tô bem sozinha', mas nunca quis estar sozinha. Não nasceu pra ser sozinha. Tem vontade, mas é a pessoa que mais se auto-censura. E acha mesmo que pode apontar a arma pra mim me ameaçando atirar? Aceite a si mesma, Victoire. Abaixe essa arma", disse Ar.

Nessa hora Victoire viu como é frágil o coração de uma mulher apaixonada. Seus olhos lacrimejaram ao ouvir de novo a verdade que tanto a machucava. Ao mesmo tempo mantinha aquela esperança vazia, e viu o peso do auto-engano que praticava. Todos a alertavam disso, mas ele nunca enfrentou. E estava ouvindo justo do cara que era idêntico fisicamente à pessoa que ela amava. Aquilo doía em dobro, como se fosse o próprio Ar falando.

Em lágrimas, baixou a cabeça e olhou pro chão. Seus braços foram descendo, e ela inevitavelmente baixou a arma.

"Boa garota", disse Ar, deixando Victoire em pé lá, em prantos, enquanto o vilão ia em direção de Tsai.

"Bom, senhora Jane Doe, acho que temos a chance agora de mostrar pra nossa amiguinha aqui o alcance do VOID. O melhor guarda-costas do mundo. Aquele que acessa qualquer computador, que vê tudo, ouve tudo, e sabe tudo o que acontece e inclusive toma decisões", disse Ar.

Victoire, ainda de costas, olhando pro chão, via sua visão ficando embaçada com tantas lágrimas que jorravam dos seus olhos.

"Ora, Vicky, não seja má educada. Vire-se que vou te mostrar o que ele pode fazer. Seja minha platéia, tudo bem minha querida?", disse Ar.

Victoire, ainda desolada, virou-se para Ar.

"Voilá comment on dit en français, non?", além de tudo o cara era fluente em francês, "Preste bem atenção. Talvez o VOID pareça não estar aqui, mas ele está em todo o lugar, e me obedece, não importa onde eu esteja. E vou demonstrar usando nossa amiga chinesa aqui".

Victoire não estava entendendo. O que Ar estava tramando?

"Ok VOID, command", disse Ar, fazendo uma pause de suspense, "terminate Jane Doe", finalizou.

Segundos depois Teresa Tsai levou as mãos na cabeça. Parecia ter sido acometida com uma dor de cabeça insuportável. Victoire observava aqui sem entender nada. Como era possível? O que diabos é "VOID"? Muitas perguntas brotavam na cabeça dela, mas naquele momento o que mais a intrigava eram os gritos de dor da chinesa com as mãos na cabeça.

Ar apenas observava. E Victoire olhava de maneira incrédula.

A chinesa caiu no chão e ficava batendo sua cabeça no chão. A ação toda deve ter durado uns 30 segundos, mas parecia correr em câmera lenta. O desespero, os gritos de dor insuportável, as lágrimas e todo o ranho que corria do nariz de Teresa Tsai eram incalculáveis. Parecia até que a sala havia aquecido uns cinco graus só com a força dos gritos dela naquela cena tórrida. Terminado o meio minuto parece que ouviu-se um estralo. E ela caiu no chão.

"Eu vi num filme isso. Uma bomba cerebral. Achei genial e implantei nela pra no caso dela ser pega. Créditos do Schwartzman, meu judeu e psicopata favorito. Eliminar a pessoa e as provas juntas. E agora estamos só nós dois aqui, querida", disse Ar se aproximando de Victoire.

Ela estava simplesmente congelada. Seu coração palpitava. Sabia que deveria fazer algo, mas tinha que ser justo ele? Porque ele tinha que parecer tanto com o Al? Até mesmo aquele cheiro, igual ao Al, que ela gostava tanto. Queria que aquilo tudo fosse um sonho, que ele se revelasse o Al, e perguntasse se queria fugir com ele pra longe. Não precisava de dinheiro, nem de nada. Victoire era uma menina sonhadora, mas a paixão doentia e cega estava virando um pesadelo na sua vida. Amar um homem que jamais a amaria. Dizer que estava se sentindo bem sozinha, e ao mesmo tempo sonhar com amores impossíveis. Uma vida na prática do auto-engano.

E aí Ar se aproximou. A abraçou, e a beijou. E Victoire retribuiu o beijo. Ela não via Ar, ela via Al. Envolta por aquele sabor, os lábios, a pegada, ela queria se entregar para Ar assim como se entregava para Al, que transava com ela quando ela bem queria. Passar uma noite juntos. Fugir da realidade que tanto a atormentava. Fugir dos problemas. Apenas... Fugir.

Afinal era isso que ela tinha feito na vida inteira dela.

"Victoire!! Victoire!!", uma voz no ponto eletrônico a chamando. Parecia que era uma pessoa querendo puxá-la dessa fuga. E como um cavaleiro que aparece para salvar a donzela, Neige apareceu. Todo maltrapilho, sem fôlego, sujo e cheio de graxa.

E como um blecaute as luzes se apagaram. Os dois se assustaram com o barulho, mas ainda tinha luz vindo das janelas. Neige entrou pela porta e puxou Victoire, que deixou sua arma cair na frente de Ar.

"Vamos, Victoire, temos que fugir daqui! Vamos logo!", gritava Neige.

Ar pegou a arma e apontou para eles. Dois tiros saíram, mas ele errou, pegaram na parede. E isso assustou Neige ainda mais que acelerou ainda mais o passo, puxando Victoire que estava toda maquiada, de salto alto e saia se rasgando, correndo sabe lá deus como.

Ar ainda tentou correr até a porta mas já era tarde. Eles já tinham desaparecido nos corredores do andar.

Neige foi até um dos elevadores, que estava aberto, e com seu laptop nas mãos digitou alguns comandos, e estabeleceu a energia só para o elevador. É claro que o blecaute era obra dele, e eles tinham poucos segundos até a força se restabelecer. O elevador desceu em direção ao subsolo. Ainda no elevador, os dois sem ar depois de tanto correr se olharam. Victoire estava com os olhos vermelhos de tanto chorar.

"O que raios aconteceu lá? Porque você tá chorando?", disse Neige, sem entender direito o que estava acontecendo.

Victoire se virou e viu o quão frágil era. Especialmente no coração.

"Eu estou chorando porque... Porque eu sou uma idiota e só sei fugir dos meus problemas", disse Victoire.

Neige nessa hora viu que embora fosse ela quem conseguisse protegê-lo 90% do tempo, talvez essa seria a hora dele mostrar alguma compaixão com sua colega.

"Escuta, Victoire... Pessoas superam paixões. Você é uma grande mulher, sortudo é o homem que você escolheria pra ficar junto! Você é bonita, independente, inteligente e muito gente boa. Você tem todas as qualidades pra fazer qualquer homem feliz, mas você fica vivendo nessa vida de que só existe o Al e não viu que a fila andou. Raramente é o primeiro namorado da pessoa o único namorado pro resto da vida. Insistir em tentar reviver algo que já morreu só vai te trazer sofrimento e perder possibilidades uma atrás da outra. Só você é a responsável pela sua felicidade...", disse Neige.

Ele não tinha um lenço descartável, e por ter ficado disfarçado de funcionário da manutenção e depois de ter corrido pra cima e pra baixo pra salvar Victoire ele estava todo sujo de graxa e suado. Nada romântico. Mas ainda assim Neige improvisou: pegou então no braço de Victoire e usou a própria mão dela, limpa, pra limpar uma lágrima dela que caía do seu rosto.

"Ser feliz só depende de você. Chega de ficar correndo atrás de ex-namorados. Existe um mundo inteiro de possibilidades te esperando. Não pense que está dando uma chance pra outros caras. Pense que está dando uma chance pra si mesma", concluiu Neige.

As lágrimas de Victoire cessaram.

domingo, 19 de julho de 2015

The Legend of Zelda - The Wind Waker (2002)


O primeiro Zelda que eu joguei foi The Legend of Zelda - Ocarina of Time, o aclamado jogo, que ganhou todos os prêmios existentes e imagináveis. Depois joguei bastante The Legend of Zelda - Majora's Mask, que é meio que "continuação" do Ocarina. Quando comprei meu Gamecube eu estava louco pra botar as mãos no Wind Waker. Mas só joguei agora, treze anos depois.

Muitas pessoas não gostaram muito. A revolta do povo era basicamente como o Link estava:


Mas sabe, isso no fundo não é nada mal.

Eu tinha muito medo de Majora's Mask, por mais que o Link fosse criança no jogo. O jogo é BIZARRO, e muito SOMBRIO. Em Wind Waker, o Link é uma criança também, mas o jogo tem uma pureza incrível, e não dá medo como o outro dava! O que a gente sente mesmo é o sentimento de estar em uma aventura mesmo, não num filme de suspense com três dias pra Lua cair na Terra e correr pra terminar o jogo.

No jogo você controla o Link, que vive numa ilha no meio do grande oceano e tem sua irmã, Arryl sequestrada por um pássaro gigante. Link, como um bom pé-rapado, decide pegar carona com piratas, liderados por uma linda piratinha loira chamada Tetra (na direita):



E claro, isso nem é spoiler (afinal o jogo é velho) mas a Tetra depois descobre que ela é a reencarnação da Zelda (acima, à esquerda), assim como o Link, que é reencarnação do herói de Hyurle (só que ao invés dele ser o "The Hero of Time", aqui ele é "The Hero of Winds"). E nem vem que a Tetra ser a Zelda é mais manjado que o Sheik ser a Zelda em Ocarina. Spoiler tem validade, todo mundo sabe que o Darth Vader é pai do Luke, cacete. =P

E o jogo é um Zelda clássico, com suas mini-estorinhas, minigames, puzzles, muita aventura, gadgets, enfim. Zelda nunca perde essa essência de sucesso!

Uma coisa chata é justamente a coisa que está no coração do jogo: viajar de barco pelo imenso oceano. Ás vezes é muito chato e entediante. Ainda bem que no remake do jogo pro Wii U, o The Legend of Zelda - Wind Waker HD arrumaram e colocaram um item chamado "Swift Sail", que muda até mesmo a direção dos ventos. Além do jogo ter ficado muito bonito.

Essa é a abertura pro WiiU, versão HD. Fala se não é a coisa mais linda?


Eu adoro a música do jogo inteiro. Por mais que eu seja exigente com música em games, eu odeio a Nintendo pois sempre faz coisas impecáveis. E como sempre, tratam a série Zelda com muito carinho. Eu gosto muito pois o sistema de luta aprimoraram muito o que já existia em Ocarina of Time, seu predecessor e todas as inovações foram usadas na sequência do Wind Waker, o Twilight Princess.

Continua tendo os itens clássicos da série, bumerangue, arco-e-flecha, espada, escudo, hookshot, e mais aqueles itens que não se usa muito. Fico abismado como eles mantém as coisas boas e adicionam coisas melhores ainda.

Gosto muito das cutscenes também. Minha favorita é a batalha final contra o Ganondorf:


Os jogos de Zelda são essa poesia muda. Link chega no castelo do vilão no fundo do mar, e Ganondorf, que havia sequestrado a Zelda está com ela, adormecida numa cama com véu e tudo, quando chega o Link só na base da coragem mesmo (porque coitado, ele é o único que tem poder nenhum, kkkkk) salvar sua princesa.

Mas desses jogos pra cá, a Zelda é quem salva o Link mesmo, porque o coitado só tem coragem mesmo. Força e umas magias loucas pra descer o cacete no Ganondorf que é bom ele não tem. Aí a Zelda quebra o galho matando o vilão e o Link fica com aquela cara de pasmo: "Se você podia matar ele, porque não matou, fia da puta?". Faz parte da poesia muda da série Zelda, haha.

E depois nos 12m15s desse vídeo o segundo filminho com o Link todo esfolado indo lutar contra o Ganondorf. Só achei meio exagerado matar ele empalando a espada da testa do Gerudo macho.

Mas nota dez pra Nintendo reviver e remasterizar os clássicos. A geração atual tem que saber o que foi Ocarina of Time, Majora's Mask e também Wind Waker! Sem dúvida são games que serviram de base para todos os que são feitos hoje em dia. Games que fizeram história. ;)

sábado, 18 de julho de 2015

Doppelgänger - #87 - VOID.

"Tá, então pode começar falando o que você sabe", disse Victoire.

"Ok. Na verdade nem sei direito por onde começar. Essa Crise Econômica Mundial foi toda fruto do Ar. Ele estava por detrás de tudo. E a partir do momento em que ele colocou as mãos na economia americana com o Legatus foi o momento em que ele alcançou o ápice. Foi naquele momento em que ele realmente dominou o mundo. E quando todos duvidavam ele foi lá e quebrou a maior economia que existe nesse planeta", disse Tsai.

"Sim. A crise imobiliária americana", disse Victoire.

"Não foi apenas a questão das dívidas dos que compraram imóveis e não conseguiram pagar. Na verdade isso foi apenas um disfarce pra toda a engenhosidade do terrorismo econômico que ele criou. O povo foi o bode expiatório, quando na verdade teve culpa alguma. Nós brincamos que isso tudo foi o onze de setembro da bolsa. Estava tudo arquitetado nos mínimos detalhes. Desde a manipulação da mídia, a desculpa esfarrapada, o dinheiro que o governo tomaria das pessoas para socorrer os bancos, tudo, tudo, tudo", disse Tsai.

"Novamente os bancos. Mas se o Legatus tem controle dos bancos, então na verdade foi...", disse Victoire, entendendo tudo.

"Sim. Não foi calote nenhum. Foram decisões arquitetadas e calculadas. O Legatus conseguiu esgotar todo o sistema bancário americano. Ações, especulações, dinheiro saindo de um lado e indo pro outro. No fundo o Ar fez com que essas pessoas brigassem por carniças. Nada desse dinheiro existe de verdade. Pessoas acreditam que o dinheiro tinha valor por causa dos títulos do governo que davam o valor, mas não, nada disso. É um sistema falho. O governo poderia emprestar o valor de por exemplo, 1 milhão de dólares, mas nunca foram os bancos que faziam esse dinheiro render, multiplicando os valores. Eles não têm poder pra isso. Era tudo obra do Legatus, usando as falhas do 'Modern Money Economics'. Só que ao mesmo tempo que o Legatus dava, ele também tirava. E o que sustenta mesmo são os bancos. Falindo os bancos você cria um efeito dominó na sociedade inteira. Bancos esses que não possuem nada do dinheiro que dizem possuir em seus cofres. É tudo uma transação eletrônica, muito fácil de se manipular. FED, GS, e outras entidades são meros bodes expiatórios. É o Legatus que sempre esteve por detrás de tudo", disse Tsai.

"Realmente o Ar é um gênio. Incrível mesmo", disse Victoire.

Tsai foi de volta pra sua cadeira e se sentou. Se abaixou por alguns instantes enquanto Victoire a observada, mirando a arma nela. Ao se erguer, Tsai mostrou algumas pastas com papéis.

"Eu não sei onde está o Ar. Eu já fui levada ao edifício que ele ficava, mas fui completamente vendada, não vi nada. A única coisa que eu tenho é a senha de acesso", disse Tsai, dando um bilhete que estava dentro da pasta.

Estava escrito: Filhos de Arch.

"Senha?", perguntou Victoire.

"É. O cara pergunta algo como: 'E quem é vossa senhoria?' e tínhamos que responder: 'Filhos de Arch'. Eu não sei o que isso significa, menos ainda quem é Arch. Talvez faça mais sentido pra você", Victoire ouviu e guardou o bilhete no bolso.

Filhos? Mas o Arch até onde eu sei só teve um filho, que é o Ar... Não faz muito sentido a pessoa se identificar como filho de Arch, e por estar no plural então faz menos sentido ainda. Não é possível que o Arch tenha tido outros filhos, embora ele fosse muito assediado. Acho que só o Al deve saber algo..., pensou Victoire.

"Só existe uma maneira de parar o Legatus/Vanitas. É por meio de provas divulgadas pela imprensa. Mas tem que ser uma imprensa bem corajosa, porque provavelmente quem divulgar isso tudo morrerá. Mesmo a imprensa é controlada por empresas, e essas mesmas empresas são controladas pelo Ar também. Vocês terão que achar outra forma. Talvez um leak poderia funcionar, algo assim", disse Tsai.

"E qual será o próximo passo do Ar? Talvez se reunirmos as provas e guardarmos, poderemos mostrar assim que ele ensaiar os próximos movimentos", perguntou Victoire.

Tsai tirou mais documentos. Três pastas. Nelas estavam escritas Ucrânia, China e Irã nas capas delas, respectivamente.

Victoire abriu a primeira e ficou abismada. Aquilo era praticamente um manual de terrorismo econômico. Abrindo a pasta "Ucrânia" ela viu todos os planos que Ar estava arquitetando.

"Certo, você pegou Ucrânia. Ar fará uma insurreição lá. O primeiro passo vai ser incentivar os grupos separatistas russos, criando uma tensão para anexar parte do território. Talvez a Criméia. É uma área estratégica para o mar, petróleo e terrenos férteis. Vale cada centímetro de terra. Vai usar a mídia pra inventar uma desculpa qualquer, patrocinar alguns grupos separatistas com armas, falir empresas no local e com agentes em campo levar essa insurreição para as ruas. Essa última é a parte mais fácil, discursos de ódio, ampla propaganda e histeria coletiva. Em tempos de redes sociais isso se faz muito fácil. Nunca antes na história da humanidade manipular povos foi tão fácil. E o Ar faz isso como se fosse uma ópera - com ele como o maestro", disse Tsai.

"Minha nossa... Victoire, pegue esses papéis! É o que precisamos!!", disse Neige, no interfone.

Mas Victoire nem sabia direito o que fazer. Estava abismada. Aquilo que eles estavam mexendo não era apenas uma conspiração. Aquilo era real. Tinham provas! Era uma nova forma de terrorismo do mundo contemporâneo. Um terrorismo invisível, que manipula a mídia, governos, que espiona, enfim. Aquilo era muito além de qualquer coisa na imaginação. E haviam grupos de pessoas que achavam estar no poder, mas no fundo todos apenas cumpriam ordens de cima. E quem estava no topo do mundo era Ar!

"Além de vocês, quem ajudava o Ar a manipular tanta gente?", perguntou Victoire.

"São dois braços. O braço interno e o externo. Os 'Doe' são o braço interno. Todas as empresas do mundo hoje são grandes conglomerados que possuem diversas partes menores. E no fundo embora pareça que existam muitas empresas no mundo, todas as empresas estão nas mãos de algumas dezenas que são as que comandam essas subsidiárias. Nós, os 'Doe' somos os que estão acima desses que comandam, controlando e ditando ações. Caso não nos sigam, o Ar dá um jeito, que pode ser desde a morte, até a falência. Manda quem tem o dinheiro. E no caso do Ar, o dinheiro não vale nada, porque é ele, por meio do Legatus que dita as regras do valor do dinheiro mundial, criando, movendo, desvalorizando ou simplesmente fazendo o dinheiro valer um pedaço de papel inútil - ou no caso, dados de computador sem valor algum", disse Tsai.

"Certo. E o braço externo?", perguntou Victoire.

Tsai mostrou fichas. Elas tinham fotos e dados de pessoas que eles conheciam muito bem...

"Ravena, mediúnica. Com sua capacidade espiritual ela pode estar presente em qualquer local e saber de qualquer decisão tomada em qualquer reunião no mundo. Sara, psíquica. Manipular mentes, basicamente. Sabe como ninguém convencer qualquer empresário no mundo e descobrir todos os segredos de corporações. Schwartzman, químico. O homem que faz o golpe 'boa noite Cinderella' ser brincadeira de criança. Dopa pessoas, causa doenças em líderes políticos ou empresários, opções são variadas e intermináveis no ramo biológico. Eles têm contato direto com o Ar, mas não sei muita coisa, além dessas fichas", disse Tsai.

Agora tudo se encaixava.

Aquiles papéis todos era de valor incalculável. Mesmo tendo as provas, como a coisa seria feita? Como mostrar quem é Ar para a mídia, se a própria mídia ou governos poderiam silenciar? Por meio de "leaks", isso é, vazamentos? Levar a informação para o público sem a manipulação da mídia já manipulada? Era coisa para se pensar em grupo, e Victoire tinha que dar o fora dali logo, seja com Tsai ou não.

O jogo parecia estar se vertendo para o lado deles, enfim! E as notícias boas não paravam de chegar:

"Victoire, acabei de receber uma mensagem da Agatha. Ela conseguiu um HD com backup de todas as conversas do tal árabe (Jack Doe)! Serão ótimas provas!", disse Neige, no ponto no ouvido de Victoire.

"Ótimo", disse Victoire para Neige, "Preciso que você me passe o quanto de dados que você puder nesse pendrive, Tsai. Especialmente todos esses documentos impressos em forma digital. Pode deixar que vai dar tudo certo", assegurou Victoire.

Tsai sentou no computador e começou a mexer. Realmente a vitória parecia estar chegando e enfim ia acabar tudo! Virou de costas para Tsai e sorria, olhando pra cima, pensando:

É isso Victoire... Vitória! Haha! E pensar que meu nome significa "vitória". Enfim essa coisa toda vai terminar! E quem sabe vou poder correr para os braços do Al!, pensou Victoire. Ela pegou todas as pastas com todos os documentos impressos e colocou na sua bolsa. Ela ficou bem pesada depois disso. Aquela pasta deveria ser protegida com a vida dela a todo custo.

Um barulho agudo foi emitido pelo computador.

"Oh-oh...", disse Tsai, assustada.

Victoire correu e olhou para o computador. A máquina emitiu uma tela azul e uma linha de comando atrás da outra.

"Isso é hora do computador travar?", disse Victoire, sem entender.

"Não travou. Olha essa linha de comando", disse Tsai.

A linha de comando mostrava algo estranho. Nunca tinha visto algo assim em um computador antes:

command VOID: erase;

"Fomos pegos. É o VOID. Já era", disse Tsai.

VOID? Que diabos é isso?, pensou Victoire.

Nessa hora alguém entrou pela porta. Andando calmamente em direção a elas, não precisou sequer chegar na luz para que Victoire percebesse quem era. A francesa apontou a arma, assustada, mas quando reconheceu o resto viu a imensa similaridade com o Al. Como se fosse um sósia, um doppelgänger do seu amado na sua frente.

"Vicky? E aí, minha querida. É um prazer imenso revê-la aqui. Mas temo que será o último".

Na sua frente era ninguém menos que Ar.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Diário de Fotógrafo #26 - 桜

Pétalas símbolo do Japão, as pétalas de cerejeira (桜 - sakura) normalmente nessa época de junho e julho que mostram toda sua beleza.

Nesse último domingo (12) organizamos uma belíssima Festa Junina num sítio aqui em Guarulhos, e muitas pessoas se maravilharam com a beleza que as pétalas de cerejeira mostravam. Eu também não perdi a chance e fui lá fotografar. Não é todo dia que temos uma chance de ouro como essa!

Os resultados mais legais estão aqui:









quinta-feira, 16 de julho de 2015

Doppelgänger - #86 - A lealdade de Agatha van der Rohe.

Era realmente muito dinheiro.

Agatha se aproximou, sem deixar de apontar a arma para o árabe. E sem hesitar, fechou a pasta com violência. O silêncio dominou o local, enquanto Agatha olhava fixamente para Fareed Al Abed.

"E então?", disse o árabe. Ele suava frio.

"Sinto muito, mas quando eu estou jogando em um time, eu prefiro perder nele do que o trair. Se você pensou que ia conseguir me fazer trair, eu sinto muito, mas mesmo que o mundo esteja com o Ar e contra nós, vou ficar do lado do que escolhi, pois traição é um ato covarde, além de imoral", disse Agatha, com firmeza.

Mas que merda..., pensou Fareed.

"Eu estou pouco me lixando pra você. Na verdade, vou pegar isso aqui e pegar as coisas que preciso", disse Agatha, tirando um HD portátil do bolso.

Ela conectou no laptop do empresário e rodou um programa que Neige havia criado. Um backup de todas as conversas, e-mails, planilhas e qualquer informação relevante estava sendo baixado.

A tela do computador apontava 10%.

"Não sei se vocês são corajosos ou se são loucos. O Ar já tem domínio completo da mídia, do sistema econômico, das empresas, dos políticos. Não dá pra fugir do cara! Ele vai achar vocês, vai estar sempre um passo na frente, vai buscá-los a todo custo", disse Fareed.

Agatha parecia ignorar. 23% e contando...

"Minha nossa, ele vai me matar! Ele colocou uma bomba em mim! Ele vê tudo, ele ouve tudo, ele sabe onde vocês estão e o que vão fazer. Ar sabe como ninguém apagar as provas e tudo mais, ele é invisível, ele é a sombra do sistema que manipula todo ele! Não dá pra fugir dele!", dizia Fareed, aumentando o tom de voz.

Nessa hora as garotas de programa que estavam trancadas no banheiro aproveitaram a brecha e saíram correndo. Agatha arriscou um tiro, mas pegou na parede. O computador continuava contando, 52%.

"Então me proteja, me use como prova! Eu posso não ter muitos dados de onde o Ar está, mas as poucas informações que eu tenho podem valer de alguma coisa no tribunal, mas por favor, não me deixem trancado na prisão! Eu sou apenas um empresário, eu dou emprego pras pessoas, nós que movemos a economia, somos nós que distribuímos os pães ao povo!", suplicava Fareed.

Agatha quebrou o silêncio. O computador apontava 68%.

"Pode deixar que usaremos você sim. Você e sua barriga gorda vão valer de alguma coisa, idiota", disse Agatha.

"Minha nossa, que ótimo! Isso me deixa feliz. Muito feliz", disse Fareed. Seus olhos marejavam e sua fala estava ficando confusa. Parecia estranho. "O pessoal da própria Inteligência vai me proteger, e eu vou ficar bem. Talvez nem pegarei tanta prisão, mas pelo menos aquele reino de bosta do Ar vai acabar. Ai, ai, ai, ai... Será que eu conto que eu sei como o Ar conseguiu reunir tantos agentes pelo mundo?", Fareed parecia falar sozinho.

Agatha ouviu. O computador apontava 86%. Ela deu um tiro pro alto pra chamar a atenção e olhou atentamente para o homem.

"Como o Ar conseguiu reunir tantos agentes? O que você sabe sobre isso?", perguntou Agatha.

"A Dawn of Souls sumiu na época em que o Al estava atrás dela, antes dele se casar com aquela menina, lembra? Pois ela foi pras mãos da própria Émilie, o documento valioso com os nomes verdadeiros e localização de todos os agentes da Inteligência pelo mundo. E Émilie passou pro seu filho, o Ar. E ele usou a Dawn of Souls para recrutar pessoas ao redor do mundo inteiro para a Neo Chrysalis", disse Fareed.

"Mas que merda...!", disse Agatha, abismada. A Dawn of Souls estava desaparecida há anos. E ela está nas mãos do próprio Ar!

O computador apontava 97%.

"Mas humanos não poderiam proteger a Dawn of Souls. Você sabe porque aquela lista tem esse codinome, não?", perguntou Fareed.

"Sim. O 'alvorecer das almas'. É um documento que abriria os olhos de toda a humanidade e iria expor todos os agentes ao público. Seria como se as pessoas que vivem na escuridão que a Inteligência os dá fossem levados à luz, ao alvorecer, à aurora", disse Agatha.

"Isso, isso! E como você bem sabe o documento tem um valor incalculável", disse Fareed. Ele estava suando frio, e começou a desabotoar sua camisa. Parecia estar passando realmente mal. O computador apontara 100% e Agatha puxou o HD portátil do plugue USB.

"Mas o que você quer dizer que humanos não poderiam proteger a Dawn of Souls?", perguntou Agatha, nervosa.

"Ahhh...", Fareed caiu no chão de joelhos. Sua respiração estava difícil, "Todos querem ir pra luz. Todos querem o dinheiro incalculável que essa luz traria...", o árabe colocou a mão no peito.

Mas que merda! O que tá acontecendo aqui?, pensou Agatha.

"Ar criou um computador... Inteligente... Um A.I. (Inteligência Artificial) super poderoso... Capaz de proteger... Tomar decisões... E juntou isso ao Dawn of S...", disse Fareed. Caindo depois, asfixiado.

"Merda!!", disse Agatha. Fareed Al Abed estava morto.

Agatha pegou uma seringa e puxou um pouco de sangue do árabe para Victoire analisar. Começou a revistar o corpo dele e não achou nada demais. Pegou a pequena seringa e saiu do prédio disfarçadamente.

A polícia chegou segundos depois de Agatha deixar o prédio e pegar um táxi.

"Neige, já saí do local. Consegui encher o HD com provas que podem nos levar ao Ar", disse Agatha.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

HIStory: Past, present and future - Book I (1995)


Chegamos em 1995! E meu álbum favorito. Nada menos que HIStory: Past, present and future - Book I, ou para os íntimos, apenas HIStory. Sai Teddy Riley da produção e entra, entre outras pessoas, Jimmy Jam e Terry Lewis (da produtora Flyte Tyme), e R. Kelly. Três grandes calibres da música pop e R&B.

Junto de Michael, esse time de produtores criaram algo digno do nome "HIStory", mesmo que o álbum não seja lá muito da preferência dos fãs em geral. HIStory vendeu nada menos que 30 milhões de cópias, e considerando que ele é um disco duplo, é o único álbum que chegou na marca de Thriller, com 60 milhões de cópias de unidades. É histórico mesmo.

Existem milhões de motivos pra eu curtir esse álbum. O primeiro é que é o trabalho mais autêntico de Michael. Parece mesmo uma viagem no tempo, pois aqui temos um Michael recém-saído das acusações de abuso de menores de 1993. Que embora muita gente não saiba da real, o garoto nunca conseguiu provar que havia sido realmente abusado. Parece que quando você é abusado, você tem que dar queixa e descrever traços do corpo da pessoa, etc, coisas que ficam gravadas na mente do abusado. E o garoto não conseguiu e o processo estava indo pro perjúrio, isso é, acusação falsa. Michael fez um acordo extrajudicial pagando uma quantia enorme pra família do garoto retirar a acusação (que estava totalmente favorável ao Michael e seus advogados) e pagou uma enorme quantia para a família, porém a mídia sempre podre disse que Michael fez isso para se safar da acusação, queimando pra sempre sua reputação.

E o álbum claramente mostra essa revolta, por isso é o álbum que talvez mais chegue próximo e descreva quem é Michael Jackson e também toda sua história em forma de música. Os temas são os mais variados, desde ele viver na câmara de oxigênio, comprar os ossos do Homem Elefante, homossexualidade, e outras alegações. O álbum é cheio de músicas com referências a intolerância, guerras, violência, solidão e, é claro, tabloides. Mas isso não tira a qualidade musical incrível dele. É uma jóia rara, cheia de personalidade.


Outro fato que eu gosto bastante é o livreto dentro do álbum. Em tempos de iTunes vendendo MP3, é bem triste perder uma arte física tão bonita. O livreto é bem grande, e não é por conter todas as letras de um álbum duplo. Na verdade, contém apenas umas três letras de músicas. O que se vê mesmo são diversas fotos e uma diagramação incrivelmente fudida (vide acima duas páginas).

Achei um site com várias páginas do livreto online. Vale dar uma olhada, mesmo. Parece um livro da história do próprio Michael até 1995. Entre os agradecimentos do Michael, logo na primeira página, temos uma gratidão especial que ele expressa ao Quincy Jones e Diana Ross, os que mostraram o caminho entre as pedras ao Michael:


Gosto MUITO dessa foto com o Quincy (acima, à esquerda). Mostra um Michael jovem, inocente, abismado ao ouvir seu trabalho num tempo distante. Foto de 1984! Era um moleque ainda. Tem agradecimentos ao Berry Gordy, chefão da Motown também.

O álbum tem dois discos. O primeiro disco é chamado de HIStory Begins que é um álbum de greatest hits, contendo trabalhos de Off the wall (Don't stop 'til you get enough, Rock with you, She's out of my life), Thriller (Billie Jean, Thriller, Beat it, The girl is mine, Wanna be startin' somethin'), Bad (Bad, The way you make me feel, I just can't stop loving you, Man in the mirror), e Dangerous (Black or White, Remember the time, Heal the world).

Esses greatest hits foram lançados separadamente também no álbum Greatest Hits: HIStory.


Já o segundo álbum é todo de material novo, chamado HIStory continues. Será esse segundo disco apenas que irei analisar aqui, de material inédito, obviamente. HIStory é apimentado, cheio de palavrões, revolta, críticas à mídia, enfim, é um álbum mais sombrio do Michael e ao mesmo tempo o que mais tem personalidade. Teve uma turnê, a HIStory World Tour que não veio pro Brasil. Porém, Michael, como um amante do nosso país, gravou aqui um clipe exclusivo, o "They don't care about us".

E ter um clipe só nosso é muito mais legal!! Chupa, mundo!!

1 - Scream (James Harris III, Terry Lewis, Michael Jackson, Janet Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Dueto com sua irmã caçula, Janet Jackson! A Janet já bombava nessa época também, e é um dueto simplesmente perfeito. O álbum tem muita personalidade, e ele já começa com tudo, com uma canção cuja letra fala sobre a cobertura da mídia e os ataques contra Michael Jackson nas acusações de abuso de 1993. Pelo tom da música, pelos gritos, a gente percebe toda a fúria de Michael logo no verso inicial: "Kicking me down, I got to get up, as jacked as it sounds, the whole system sucks, damnit!"


O clipe acima ganhou Grammy de melhor videoclipe, e custou a bagatela de US$7 milhões (ajustados na inflação de hoje, o valor iria pra 11 milhões) deixando-o como o clipe mais caro feito na história. Não se engane por ser preto-e-branco, tem muitos efeitos especiais que até hoje filmes pelejam pra conseguir igual. E já passaram vinte anos! A Janet está sensacional, acho que ela está bem mais explícita que o Michael, provocativa, mexendo nos peitos, mostrando o dedo do meio. Acho que era a forma dela de mostrar que não era mais a "bonequinha" da família Jackson, que era mulher crescida e uma cantora fudida como o irmão.


Dentro do livreto tem uma obra do pintor Gottfried Helnwein chamada "Das Lied" (A canção) que mostra uma criança gritando olhando pra cima (acima), vestindo apenas roupas íntimas e ao lado a letra de Scream. Bem chocante pra época, mostrando que o Michael havia amadurecido, e não era mais o garoto daquelas baladas dos anos oitenta. Ficou bem chocante. E estamos só na primeira faixa.

2 - They don't care about us (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
"Maicou, eles não ligam pra xenti!". Hahaha! O início do clipe é inesquecível. Eu adoro essa música. É quase um hino contra injustiças sociais no mundo, sobre as pessoas que sofrem discriminação, imperialismo dos países de primeiro mundo, pobreza, enfim. Teve uns grupos antissemitas que forçaram o Michael regravar a música pois se sentiram citados, mas tirando isso a música é quase um hino a favor dos protestos e de quem não é ouvido na sociedade. É quase um rap, com diversas palavras falando sobre os temas mencionados, e depois o refrão chiclete: "All I wanna say is that, they don't care about us".


Outra música com muita personalidade. Bom, nem preciso dizer que foi algo no mínimo marcante a passagem de MJ no Brasil. Justo na época em que o Rio estava tentando vaga pra sediar as Olimpíadas de 2004, Michael fez um clipe justo no Pelourinho com o Olodum e na favela Dona Marta no Rio de Janeiro, com direito a um exército de policiais. Bom, foi esperto, pois se fosse na Lagoa Rodrigo de Freitas ele seria esfaqueado (nossa, essa foi péssima...). Mas vendo o clipe não é que o cara se divertiu no final das contas? Hehe. Legal a tiazinha pulando querendo abraçar o Michael. Tem outra versão do clipe, a famosa (e censurada) versão da prisão. É bem mais sombria e tensa que essa do Brasil que era só festa, mas vale ver também. Michael nos fazendo pensar. Interessante.

3 - Stranger in Moscow (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Uau. Eu adoro essa música também (e estamos na faixa três ainda). A letra dela, tomando no sentido literal, fala sobre solidão e o climão da Rússia pós-Perestroika (queda da URSS), mas existe muita coisa nas entrelinhas. Michael revelou que essa canção foi criada como um poema por ele querendo mostrar o limbo que a mídia o jogou depois de tanta coisa que inventaram dele. Incluindo as diversas drogas que ele começou a usar por conta de depressão desencadeada. Isso é bem evidenciado nos versos: "I was wandering in the rain, mask of life, feelin' insane. Swift and sudden fall from grace. Sunny days seem far away". Que letra magnífica, né?


O refrão é um "How does it feel" super melancólico e triste. No final da música tem uma fala em russo: "Porque você veio para o oriente? Confesse! Para roubar as grandes conquistas do Povo, as conquistas do proletariado...". É de acordo com Rod Temperton a melhor música escrita pelo Michael. O clipe é bacana também, de novo tudo em preto-e-branco, foco na melancolia, tristeza, tudo em câmera lenta e a poética chuva do final. Lindo.

4 - This time around (Michael Jackson, Dallas Austin, Bruce Swedien, René Moore) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Hora dos palavrões, tirem as crianças da sala, caralho! Um desabafo do Michael em ser usado como fábrica de lucros pra Sony e como é ruim ser uma pessoa famosa. Interessante que a música fala sobre algo dele estar sendo acusado injustamente (que deve ser claramente a polêmica das acusações de 1993). O Rap no centro sensacional, apresentado por Notorious B.I.G., o rapper. Gosto muito do refrão, a batida é muito boa, a música mantém um padrão que não se repete, enfim. Faltou só clipe!

5 - Earth Song (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Na época do Dangerous era Heal the World, tudo bonitinho, crianças dando as mãos, mas agora vamos falar da preocupação ecológica que Michael sempre teve em um clipe e canção igualmente chocantes. A música é muito bem estruturada, com versos falando sobre o que fizemos com o mundo, numa visão pós-apocalíptica. O refrão é simplesmente genial, pois é um "A-hahhhhhhh, U-huuuuuuu!" com muito ritmo e entoação, como se fosse o "grito da Terra morrendo".  E não ficou chato, nem parece feito nas coxas. E vai ficando cada vez mais grave e com ritmo o grito, especialmente depois do meio, é algo genial de se ouvir. Aos 4m20 começa um ritmo mais frenético com um coral de "What about us" chamando a atenção para o que estamos fazendo destruindo o planeta. E termina com mais do refrão de "A-hahhhh, U-huuuuuu". Mistura perfeita de gospel, blues e opera.


O clipe é uma obra com fotografia deslumbrante. Igualmente chocante igual ao resto do álbum. Se Michael queria ser "Bad", pois que tivesse lançado esse álbum com esse nome, porque realmente ele é malvado. Mostra a destruição do meio ambiente em quatro locais. O primeiro é Brasil, na nossa Amazônia, com índios de verdade (não eram atores). Segundo é uma zona de guerra na Croácia. O terceiro é na Tanzânia com caça ilegal de animais (porém nenhum animal foi ferido na filmagem do clipe. Os animais sendo mortos são de outros documentários) e por fim, Nova Iorque, com a queimada de um campo de milho. O clipe é uma obra sensacional, chocante e vibrante. Tirando a foca aos 3m17s. Me dá náuseas até hoje. Que dó.

6 - D.S. (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Seria massa ser imortalizado numa canção do Michael. Exceto se você for Tom Sneddon, o tiozinho que junto com Tommy Motolla (o carrasco dono da Sony, marido da Thalia) são pessoas que o Michael ensinou a nós, seus fãs, a odiar. A música fala de um cara frio chamado Dom Sheldon, quando na verdade é super claro que no refrão Michael fala muitas vezes "Tom Sneddon" mesmo, numa crítica a esse ser: "I bet he never had a social life anyway, you think he brother with the KKK. I bet his mother never taught him right anyway".

Mas quem diabos é Tom Sneddon, tio Alain? Tom Sneddon foi o promotor de Santa Barbara que começou toda a investigação contra Michael em 1993, alimentando a mídia com mentiras, inclusive foi o que fez o baculejo (strip search) em Michael. Não sabe o que é baculejo? Basicamente tirar sua roupa e verificar seu corpo inteiro, com direito a fotografias do pênis, revirando cada centímetro do seu corpo em busca de pistas, algo bem... Invasivo e humilhante. Enfim... Esse é Tom Sneddon/Dom Sheldon. Ah, e tem guitarra do Slash na música!

7 - Money (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Dizem que a música foi feita para Evan Chandler, o pai da criança que levantou acusação de abuso de 1993. Muita gente não gosta dessa música, mas eu adoro muito. É quase um rap em ritmo pop na voz do Michael. Eu acho que não é direcionado apenas ao Evan Chandler, mas serve de reflexão para todos nós, afinal até onde as pessoas iriam atrás de dinheiro? Talvez matar, mentir, ou até vender a alma pro diabo, como diz a canção? Gosto muito da mudança de batida, sempre uma surpresa, música muito bem estruturada, enfim. Show de bola.

8 - Come together (John Lennon, Paul McCartney) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Só do começo dela a gente vê que está pisando no terreno dos lendários Beatles em uma das suas mais icônicas músicas. Embora o Michael tivesse comprado o catálogo dos Beatles anos antes, foi uma das poucas músicas que ele regravou. Eu gosto muito pois ficou com um ar mais de rock moderno, a batida ficou excelente. Perfeito seria se colocasse os vocais de Lennon e McCartney, mas não ficou ruim não com a voz do Michael. Gravado na época de Bad possivelmente, e é a canção que fecha o filme Moonwalker.

9 - You are not alone (R. Kelly) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Uma das melhores baladinhas do Michael (e única presente nesse álbum). Escrita por seu amigo R. Kelly, famoso cantor R&B. Nessa época Michael estava no seu primeiro casamento com Lisa Marie Presley, filha única do Elvis Presley. Foi a primeira música a estrear na Billboard em número um em sua história. Foi a primeira parceria com o até então ilustre desconhecido R. Kelly, que nem acreditou quando o Michael disse que gravaria e chamaria o cara pra ajudar a produzir. Fala sobre melancolia do amor, mas eu acho muito linda, é aquela tristeza de amor bonitinha. Basicamente o corno eu-lírico está sozinho e afirma que é só chamar que ele estará lá, que a moça não está sozinha.


O clipe é uma coisa quase angelical, de Michael e sua então esposa Lisa Marie Presley. É um bocado sensual, com os dois semi-nus, dando uns amassos, e inclusive a bunda redondinha da filha do Elvis aos 1m04s (uau!). Essa balada foi usada muito na HIStory World Tour, substituindo "She's out of my life" como a música onde chamam uma fã pro palco pra dançar junto do Michael.

10 - Childhood (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Tema de Freewilly 2! Parece uma biografia da sofrida infância do Michael. É impressionante mesmo! E mostrando também a imensa pureza dele por ter perdido sua infância em ensaios intermináveis nas mãos do temido Joe Jackson, seu pai e carrasco. É uma música pra se sonhar! Uma música pra se ir pra Neverland voando com o Peter Pan. Eu prefiro um pouco o tema de Freewilly, o "Will you be there", mas essa não tá muito abaixo não. Só senti um pouco falta de ritmo.


Se a música é a viagem sonora ao mundo infantil e puro de Michael, o clipe é a realização disso em forma de vídeo. Esses efeitos são muito bons, e embora tenha sido um ótimo tema pra Freewilly 2, coube muito bem como tema e história do próprio Michael. Sensacional. Sente só a frase do começo pra ver a vibe: "No one understands me, they view it as such strange eccentricities. Cause I keep kidding around like a child... But pardon me!". Fala se essa frase da música não resume a vida do MJ?

11 - Tabloid Junkie (Michael Jackson, Terry Lewis, James Harris III) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Quando eu era moleque eu ficava dando repeat da 11 até a 13, haha. São as minhas três favoritas desse álbum. O que dizer de uma música que é um desabafo do Michael contra a mídia - sempre ela levantando tanta coisa viajada sobre ele? A música é um pedido para que não acreditem em tudo o que a mídia publica, pois nem sempre é real.

A música na letra fala de todas as polêmicas dele, da câmara de oxigênio, homossexualidade, homem elefante, enfim, a letra parece um documento disso tudo. Gosto muito dos sons de fundo, tem de tudo, de armas até elefantes, todos misturados como uma sinfonia. Temos também o começo da música com jornalistas dando as notícias inventadas pra denegrir o Michael mas o mais legal são as pausas súbitas depois dos refrões, onde ele, no silêncio com apenas sua voz em evidência fala: "They say he's homosexual", que é sobre as acusações da mídia contra ele. Uma pena que não teve clipe, sequer lançado em single, mas foi simplesmente sensacional.

12 - 2 Bad (Michael Jackson, Bruce Swedien, René Moore, Dallas Austin) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Quando eu moleque comprei o álbum e vi uma faixa chamada "2 Bad" pensei: "Nossa, Bad Dois? Deve ser uma continuação do Bad!" e quando eu ouvi, vi que era na verdade "too bad" ("que pena", em inglês), mas eu não fiquei frustrado. Viciei na música. Tem até rap do Shaquille O'Neil! Parece um desabafo contra todas as pessoas que tentaram acabar com o Michael, onde ele parece que dá a volta por cima e fala "Too bad, too bad about it! Why don't you scream and shout it?".


E clipe? Yes, nós temos batata! Faz parte do filme de "terror" do Michael de 1997, o Ghosts. É, na minha opinião, minha coreografia favorita e igualmente a mais difícil. Se você acha fácil sincronizar seus braços com as pernas desse jeito, pense novamente! Não sei dizer se essa é minha música favorita de fato, entre todas as canções feitas pelo Michael, mas no mínimo está no meu top five. O clipe é quase um Thriller atualizado, só que ao invés de zumbis, temos fantasmas!

13 - HIStory (Michael Jackson, Terry Lewis, James Harris III) :: Link para ouvir na Rádio UOL
A canção título é simplesmente marcante. Tem vários trechos de áudios históricos, que vão desde Charles Lindbergh cruzando o pacífico, quanto o homem pisando na Lua. Parece um passeio na história do mundo, isso sim! Aí a música muda do nada e aparece o Michael recitando um poema forte: "He got kicked in the back! He say that he needed that! He hot willed in the face! Keep daring to motivate!" com batidas fortes e presentes. Depois vem o refrão com uma canção super pra cima com o "Everyday create your history". Depois repete mais uma vez, outra ponte com frases fortes, refrão de novo, gravações, enfim. Não dá pra descrever a música porque simplesmente não existe nada parecido, e é mais uma referência ao pós-modernismo que o Michael tem. Gosto muito do garoto que faz o cover do Michael criança no final (realmente tem a voz parecida!). Outra música que eu sou viciado. Chega a emocionar até hoje.

14 - Little Susie (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
A música começa com um lindo coral triste, uma menina brincando com uma caixinha de música e dando corda, depois uns sons de filme de suspense (dá quase pra imaginar uma menina correndo, fugindo de alguém) e aí a voz do Michael, bem séria: "Somebody killed Little Susie, the girl with the tune, who sings in the daytime at noon...". Na minha opinião a música que mais choca. A canção foi baseada numa pintura de Gottfried Helnwein (aquele mesmo da pintura do Scream acima) que Michael era fã, cuja obra se chama "Linda vítima" (Beautiful Victim). É bem chocante a obra (e está no livreto do CD):


Tenso, né? A música fala de inocência e violência doméstica contra crianças que não tem pra onde correr. Embora a Susie, a personagem da música, seja uma inocente menina, acho que dá pra mostrar a preocupação que Michael sempre teve com crianças - especialmente para que não sofressem o que ele havia sofrido na infância. Ou até mesmo serem mortas no ambiente familiar. Uma música que retrata uma dura realidade.

15 - Smile (John Turner, Geoffrey Parsons, Charles Chaplin) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Cantaram essa canção no funeral do Michael, pela voz do seu irmão rebelde, Jermaine (que junto da LaToya foram os que mais lhe deram dores de cabeça). Canção baseada numa versão da mesma na peça "Smile" de Chaplin. É bem bonita na voz do Michael! É aquele misto de tristeza com felicidade, esperança, enfim. Fecha o álbum com chave de ouro. Michael era um admirador do Carlitos, e foi essa a forma que ele achou pra homenagear um dos reis do cinema!

Clipe extra - HIStory Teaser
Michael Jackson era um rei da publicidade também. Quem diria que ele gastaria tanto dinheiro em apenas um comercial pro seu álbum? Inacreditável. Sem dúvida ele queria fazer de HIStory algo histórico mesmo, e duvido que teremos artistas que farão algo tão magnânimo quanto ele fez. O teaser já mostra o quanto de investimento foi feito - e lembrando que isso foi um comercial pra tevê:


Isso sem contar as estátuas que andaram pelo mundo, idênticas à capa do álbum. Existe até hoje uma na Holanda, na cidade chamada Best (que eu não sabia, senão óbvio que eu teria visitado). Michael e sua criatividade ainda me deixam abismado até hoje e é minha maior inspiração pra tentar fazer coisas que cheguem perto dessas peças lindas que ele fazia sempre com muita habilidade. De onde ele tirava isso, meu deus? Que água tu bebia, Michael?

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