sábado, 25 de julho de 2015

A fantasma do Desejo.


Ela eu conheci na oitava série. Fazíamos teatro juntos, e quando batíamos papo sempre a coisa era bem legal. Ela era uma ótima pessoa. Era loira, alta, trabalhava de modelo. Tinha um sorriso gengival, mas ainda assim eu a achava muito bonita.

Porém, antes que eu percebesse, ela estava namorando. E o cara que ela namorava eu o admirava como um ídolo, além de ser um grande amigo meu. Eu era uma pessoa bem tímida, e ele era a pessoa que falava com todos, sempre cumprimentava e era amigo de todos no grupo, muito comunicativo e engraçado. De alguma forma eu queria ser como aquele cara.

E quando eu via os dois eu ficava me sentindo como se eu estivesse junto de duas divindades. De um lado ele, que era um cara que eu admirava muito e tinha orgulho de ser amigo dele. Do outro, a garota loira que eu estava apaixonado com todo o meu coração.

Mas como normalmente é o ciclo da vida, nós queremos eventualmente superar quem nós admiramos, quem nós nos espelhamos. Mas o cara era insuperável. E ela nunca me daria bola. Achava estranho todas as vezes que ela estava abraçada ou depois de dar uns amassos nele, ela virava e ficava me encarando. Especialmente depois que, mesmo namorado, ela ficou sabendo que eu nutria sentimentos por ela.

Nesse momento pensei que poderia mostrar que eu era um cara mais legal. E eventualmente até acabar com o relacionamento deles. Tudo bem vai, coisa de adolescente, eu tinha uns 14 anos na época.

A gente sempre voltava junto pra casa. E todas as vezes a gente conversava muito. Eu ficava muito feliz ao lado dela, e sempre na longa rua que separava minha casa da minha antiga escola eu torcia pra ela cada vez ser mais e mais longa, pois aquele era o momento que eu poderia ter ela do meu lado, só eu e ela, mesmo que fosse apenas na amizade.

E como toda fofoca interna, é claro que esse namorado dela ficou sabendo que eu estava afim de namorada dele. Mas ele agiu de uma forma super legal. E eu lembro que perto do fim do ano ele teve que se transferir de escola, e inclusive terminou o namoro com essa loura. A última frase que eu ouvi dele foi: "Eu sei que você gosta da minha namorada. Agora vai lá, e faça ela feliz!". Esse cara era realmente alguém muito difícil de encontrar, pois mesmo sabendo dos meus sentimentos pela namorada dele ainda me incentivar assim, nossa.

Escrevia cartas de amor pra ela com trechos das baladas do Michael Jackson junto de trechos de Shakespeare. E eu comecei uma das cartas de amor pra essa menina com o seguinte trecho shakesperiano:

"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança".

E eu lia aquilo e sabia que aquilo era a descrição exata do que eu sentia. Sem dúvida ela foi a primeira paixão da minha vida. Mas, ainda assim, não deu em nada. Lembro perfeitamente do dia em que eu me declarei pra ela e ela, séria, meio sem saber o que dizer disse: "Não vai rolar, desculpa". Embora ela tenha aceitado todas as cartas, lido todas, e guardado todas com carinho. Fiquei sabendo de uns boatos que até hoje ela as guarda. Deve ter ficado bom!

Fiquei muito mal pensando em como seria minha vida depois daquele ano de 2002. Aquele foi o último dezembro. A última vez que a vi foi na minha formatura da oitava série. Ela estava muito bonita. Ela me deu um abraço apertado, um beijo na minha bochecha e se despediu de mim. No outro ano ela saiu da escola e do grupo de teatro. E eu também saí do teatro e mudei de escola no ano seguinte. A última vez que a vi foi em 2002, naquela formatura.

E hoje?
Hoje ela está ótima! Fiquei sabendo que ela seguiu carreira em moda. E que ela chegou até a noivar um terceiro cara - um tiozinho meio careca e barrigudo, com aparência de bem mais velho! É a última coisa que fiquei sabendo dela, e tem uns cinco anos já. Provavelmente está casada já e feliz em algum lugar por aí. Nunca mais a vi desde a formatura da oitava série em 2002. Nem tenho ideia de como ela está hoje.

Uma canção?
Sim! Uma canção que até hoje me faz lembrar dela é You are not alone, do Michael Jackson. Embora eu pensasse nela enquanto ouvia a música, acho que era mais uma descrição de mim mesmo, naquele momento, haha.

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