sexta-feira, 3 de julho de 2015

Dangerous (1991)


Dangerous é o álbum que eu menos gosto. Porém ele está na preferência de 8 entre 10 fãs que conheço. Realmente é um álbum muito querido. Mas pra mim, não é que eu não goste, eu apenas gosto menos. Mas tem músicas muito bacanas, e sei que pra muita gente da minha geração foi em Dangerous o primeiro contato com Michael Jackson, no histórico clipe Black or White exibido no Fantástico em 1991. Aquela música foi tão marcante que ficou na minha cabeça esses anos todos, e o clipe também, até em 2001 quando redescobri Michael, já em Invincible.

Esse álbum marca também a saída do Quincy Jones como produtor, e a entrada de Teddy Riley. E o contrato de Michael com a Sony, quando ela comprou a CBS em 1988, onde ele teria que fazer três álbuns inéditos (Dangerous, HIStory e Invincible), um álbum de remixes (Blood on the dance floor), duas coletâneas (primeiro disco do HIStory e Number Ones) e um Box (The Ultimate Collection).

A capa foi feita por Mark Ryden, onde o cara levou nada mais que seis meses pra fazer essa coisa de deus. Existem trilhões de detalhes, e é impossível não ficar observando cada detalhe minúsculo na pintura do cara. Sortudos os que compraram o LP. Existem trilhões de referências ao Michael e sua vida, é quase uma biografia imagética do Michael de até então. Sensacional.

Com Teddy Riley como co-produtor dá pra se perceber que as músicas mudaram MUITO. Não tem aquelas batidas clássicas do Quincy Jones, e Riley ajudou a trazer Michael dos oitenta pros noventa. A maior contribuição do co-produtor é um ritmo que ele criou, chamado "new jack swing" presente nas canções. O álbum tem um pouco de tudo. Baladas, putarias, revolta, rock e músicas de incentivo pessoal. Foi talvez o álbum que mais rendeu clipes (todos lançados no Dangerous - The Short Films) e uma turnê mundial, a Dangerous World Tour, onde Michael Jackson veio pro Brasil dar uns catos na Xuxa fazer shows.

Em 2001 foi lançado uma edição especial. Não contém músicas inéditas, menos ainda entrevistas. Mas todas as músicas foram remixadas:


Dangerous é um álbum muito bom! Suas músicas se tornaram eternas. Vale a ouvida.

1 - Jam (Michael Jackson, René Moore, Bruce Swedien, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Um rap com o tom pop de Michael! O álbum começa já mostrando que esse Michael já era diferente de Bad. A letra não fala de basquete, e sim das injustiças e tudo o que existe de ruim no mundo. Mas o clipe foi com ninguém menos que outro "MJ", o Michael Jordan! Não sei na verdade nem mesmo analisar direito a letra, é complicada pensar numa analogia diferente.


Vendo o Michael Jackson (que tinha 1,83m, não era baixinho, tinha quase minha altura) ao lado do Michael Jordan eu fico ainda me perguntando porque tem gente que diz que eu sou alto. Nossa. Bizarro.

2 - Why you wanna trip on me (Teddy Riley, Bernard Belle) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa música é claramente outro desabafo do Michael para a mídia. Ele fica citando diversos problemas do mundo, como fome, analfabetismo, pobreza, e pergunta sempre porque pessoas ficam perturbando ele (trip on). Na verdade "trip on" é algo como "stumble", isso é, cambalear, ou dentro do significado, ir de encontro com alguém de propósito. Por isso talvez o melhor significado seja "perturbar". É a que eu menos gosto, sei lá, muito repetitivo o refrão (outra característica de Dangerous). O ritmo não muda muito e é muito grave e entediante, exceto no refrão. Não sou muito fã.

3 - In the closet (Michael Jackson, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Lembra um pouco "Liberian Girl", mas com muita putaria, hehe. É uma das que eu mais curto. Começa com a voz sensual da princesa Stéphanie de Mônaco falando um versinho com uma voz super sexy: "Don't hide our love, woman to man". Logo depois disso nós ficarmos de pau duro começa a música que, embora tenha o título de "No armário", a música fala de uma relação heterossexual e... Consensual!


O clipe é bem trabalhado na putaria mesmo. Eu não sei porque raios diziam que o Michael era gay. Francamente nunca vi nada que me fizesse pensar isso. E claro que se ele fosse, óbvio que não deixaria de ser fã dele. Mas o cara manjava das putaria. Se bem que, Naomi Campbell, cara. Negona deliciosa!

4 - She drives me wild (Michael Jackson, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Se no outro era uma moto e Speed Demon, aqui Michael tirou sua carta em categoria B e agora tá de carro! Eu adoro a música! Tem um ritmo tão legal, os sons do fundo, e o refrão gruda na cabeça. Legal o trocadilho de "drives me" (me deixa), com "drive" de dirigir mesmo, por isso as referências com carro, pois a música não fala muito de carburador menos ainda de suspensão. She drives me wild, em português: ela me deixa maluco! Tipo instintos selvagens mesmo, hohoho.

5 - Remember the time (Teddy Riley, Michael Jackson, Bernard Belle) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Lembra que eu disse que Teddy Riley apresentou ao Michael um ritmo chamado "new jack swing" acima? É essa música, basicamente. É uma baladinha empolgada, bem bacana! Parece que o eu-lírico tomou um toco da namorada e ele fica lá tentando fazer ela se lembrar do tempo em que eles estavam juntos e felizes pra fazer ela voltar. É muito bem construída, e essa música é sem dúvida o símbolo dessa parceria nova nesse álbum.


E o clipe, cara? Uma obra de Hollywood comparável a Thriller! Na minha opinião de ex-dançarino (sim, eu fui de um grupo de dança e teatro na adolescência. E fazíamos musicais!), uma das músicas mais difíceis do Michael de se dançar. Comparável apenas com Wanna be startin' somethin' ou 2 Bad. Dançar isso era certeza de ficar esgotado, muitos passos, saltos e movimentos rápidos intercalados com lentos e precisos. No clipe temos Eddie Murphy o policial de muitas confusões na Sessão da Tarde, a gatíssima modelo Iman, e mano, tem até o MAGIC JOHNSON! Hahaha. É um clipe muito divertido e único. Nunca me canso de assistir.

Engraçado ver o Eddie Murphy em 1991 e hoje em dia, vinte e quatro anos depois. Nenhuma ruga a mais ou a menos.

6 - Can't let her get away (Michael Jackson, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Outra música que eu não sou muito fã. É bonitinha, fala de pegação, mas o ritmo é meio chato e muito repetitivo. Até demais. Michael usa e abusa da voz grave, mas como o ritmo de fundo também é grave, não achei que ficou bem ornado.

7 - Heal the world (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Muitos confundem com We are the world. Mas essa música é uma versão melhorada, vai. Heal the world, ao contrário do seu irmão mais velho, não é um pedido pra ajudar a pobreza na África, e sim um tema muito usado por Michael nesse momento em diante: ecologia. Mas ainda estamos falando da maneira bonitinha, Earth Song do próximo álbum sim que é bem mais chocante.


Curar o mundo para não apenas mim ou você, mas pra toda a raça humana. Essa música é muito importante ao Michael. Primeiro pois criou uma ONG dele voltada ao meio ambiente e crianças: Heal the world Foundation. Segundo foi que essa música foi ao ar pela primeira vez ao vivo no SuperBowl. Alguém tem noção disso? Michael já disse publicamente que é a música que mais lhe deu orgulho, e como se isso fosse pouco, várias versões de diversos cantores foram feitas dessa música (até a Xuxa, em espanhol!) e junto de "We are the world" foi a música que fechou o funeral do Michael. Precisa de mais alguma coisa? "Make a better place for you and for me".

8 - Black or White (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
É a minha favorita de Dangerous, junto de Give in to me. E é muito bacana pois une rock, rap e pop. É uma música sem preconceito até mesmo na escolha dos ritmos. Embora seja o Slash que apareça em algumas apresentações do Michael dessa música, não foi ele quem tocou originalmente na música (mas ele tocou em Give in to me). E embora na canção a criança tenha uma voz muito parecida com o então astro-mirim Macaulay Culkin, na canção é o ator Andres Mckenzie.


A canção tem uma letra bem complicadinha, com várias referências que são difíceis de se ligar do que realmente se fala, e existem até sites que debulham a música tentando explicar o seu significado. Mas é basicamente racismo. Todos os versos. Até os que parecem ingênuos como "I had to tell them I ain't second to none" fala que ele não é o "segundo" pra nada (negros tinham que dar prioridade pros brancos) e isso vindo de um cara que sofreu muito com as ignorâncias das pessoas com vitiligo dizendo que ele tinha "ficado" branco. Isso é algo que nós fãs não engolimos tamanha ignorância da sociedade em geral também, machucou o Michael e nos machuca também. Michael sempre foi negro. Um negro que ao invés de subir muralhas, destruiu barreiras raciais pra hoje os dois se darem as mãos.


O clipe foi estreado num domingo em 27 países ao redor do mundo, tendo uma audiência de 500 milhões de pessoas. Realmente algo que só o Michael poderia fazer. Nos DVDs sempre era mostrado a versão completa do clipe, com esse vídeo acima (incluindo o final do Bart e Homer Simpson!). Existem dezenas de referências à luta de raças nos Estados Unidos nesse clipe, desde o fato de Michael ser uma pantera negra, como também as coisas que aparecem pichadas na parede, como "KKK Rules" (Ku Klux Klan, movimento de extrema direita dos Estados Unidos que assassinava negros) ou "Wetbacks go home" ("Costas molhadas" eram como eram chamados os mexicanos que cruzavam para os Estados Unidos a nado, ilegalmente). É uma das obras primas do Michael, sem dúvidas.

9 - Who is it (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Uma baladinha deprê. Mas eu adoro essa música! Ela tem algo muito similar ao hit do Michel Teló "Ai se eu te pego": a letra tecnicamente é pequena, mas repete muito. Mas tem algo diferente, que é basicamente não ser entediante como em "Can't let her get away" pois o ritmo vai mudando, entra um coral no fundo, existem basicamente umas quatro batidas diferentes na música e mesmo que fique nesse vai-e-volta, nunca parece o mesmo. É uma obra muito bem elaborada e calculada pra uma música. Créditos ao Teddy Riley, sem dúvidas! O cara era bom!


O clipe é chatinho, pois nem o Michael mesmo tava muito afim de perder tempo no clipe, já que ele estava nos preparativos finais pra Dangerous Tour dele. Mas fica pro registro! A música, assim como o clipe, fala sobre uma mulher que o eu-lírico gostava e que o abandona de repente, e o eu-lírico fica se perguntando "quem era" (who is it?) a pessoa que ela trocou pelo eu-lírico.

10 - Give in to me (Michael Jackson, Bill Bottrell) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Essa sim é com o Slash! Pelo menos o solo no meio dela. A canção é uma balada de rock bem sugestiva (sexo, sexo, sexo, sexo!!) e junto de Black or White é a canção que eu mais gosto. São canções assim que a gente vê que até no rock Michael se daria muito bem. O clipe é bem chatinho, é só uma apresentação ao vivo, por isso prefiro que apenas ouçam, pois essas guitarras na música são muito boas e únicas. E a letra é um pedido de entrega de amor sincero que faz a uma mulher. Demais.

11 - Will you be there (Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
VAAAAAI WILLY!!! Sim, o tema do Free Willy! Agora espera que essa música é difícil de colocar em palavras, de tão mágica que é. Como podem ouvir no link acima, a canção só começa mesmo lá pelos dois minutos. Tem uma introdução feita pela Orquestra e Coral de Cleveland. Michael a escreveu debaixo de uma árvore em seu rancho Neverland. Aos dois minutos de música começa o pianinho, tão replicado no filme da famosa orca.

A letra é muito linda, uma poesia à parte. Fala sobre abandono, confiança e carinho. Fez parte também do funeral do Michael, cantado por Jennifer Hudson. E o coral do refrão é simplesmente sensacional também. Acho que ficou uma das canções-tema de um filme mais famosas e marcantes até hoje, comparáveis a "My heart will go on" de Titanic ou "As time goes by" de Casablanca. E no final tem uma poesia que Michael declama que acho que vale pra reflexão de todos nós nas nossas vidas:

In our darkest hour
In my deepest despair
Will you still care?
Will you be there?
In my trials and my tribulations
Through our doubts and frustrations
In my violence
In my turbulence
Through my fear and my confessions
In my anguish and my pain
Through my joy and my sorrow
In the promise of another tomorrow
I'll never let you part
For you're always in my heart

12 - Keep the faith (Glen Ballard, Siedah Garrett, Michael Jackson) :: Link para ouvir na Rádio UOL
É a equivalente a "Man in the mirror" de Dangerous. A música pra te tirar da fossa botar pra cima. Tô brincando! Essa música é muito boa. A letra é super estimulante, diz para acreditarmos e mantermos a fé e não nos abalarmos por coisas ruins que acontecem na nossa vida. Sim, é uma música pra gente ouvir naqueles momentos deprê. E até o ritmo é legal, pois ele é super pra cima, e a letra é quase um hino pra nos dar força. Aos 4m41s o ritmo fica bem tribal, com uns tambores e tal e o refrão da música, como se a gente estivesse sendo empurrado pra realizarmos nossos sonhos. Como diz a música: "Don't let nobody take you down, brother! Just keep your eyes on the prize, and your feet flat on the ground! So keep the faith!!". Então, "mantenha a fé"!!

13 - Gone too soon (Larry Grossman, Buz Kohan) :: Link para ouvir na Rádio UOL
Hora da tristeza. Vou ir direto ao ponto: essa música foi feita em homenagem ao Ryan White, um garoto hemofílico que foi expulso da sua própria escola depois de ter contraído HIV em uma transfusão de sangue. O garoto faleceu em 8 de abril de 1990 (aniversário do Buda, uau!). A música foi lançada no dia primeiro de dezembro de 1993, dia mundial de combate à AIDS. O clipe é bem triste, e mostra como mesmo depois de mais de vinte anos o HIV continua fazendo vítimas pelo mundo, que sofrem de preconceito besta da sociedade.

14 - Dangerous (Michael Jackson, Bill Bottrell, Teddy Riley) :: Link para ouvir na Rádio UOL
"Dangeroussss, the girl is so dangerousss", hahaha. Pois é, tomou seu dinheiro e tudo e te deixou só com o pinto na mão mesmo (pois se desse pra tirar, levaria também). A faixa-título do álbum fecha com chave de ouro esse álbum. Eu não sei descrever Dangerous de uma outra maneira a não ser com uma palavra: foda. Parece uma história contada em forma de música, que é claro que a gente sabe que não vai acabar bem. Sons de cidade, misturados com a batida, os versos com a voz grossa do Michael e o refrão com uma melancolia... Enfim, FODA com letras maiúsculas seria mais apropriado!

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