sexta-feira, 31 de julho de 2015

O desencoraçado (The unhearted)

Como disse, em comemoração aos dez anos do blog, e como é um blog pessoal, resolvi fazer um auto-retrato meu, algo que explicasse um pouco de quem eu sou, no mínimo minha faceta mais intrigante (e a coisa que eu mais tenho que melhorar em mim mesmo) que é a questão sobre relacionamentos.

Essa arte foi rascunhada muito até chegar nesse resultado. A pintura em si, digital, levou mais ou menos umas duas semanas de trabalho (tô ficando craque!). Quero explicar os detalhes da pintura, por isso subi uma versão em alta da obra. Tente clicar com o direito e abrir numa nova guia/janela, vai facilitar:


O título é O desencoraçado, um neologismo traduzido da expressão The Unhearted, em outras palavras, "aquele que não tem coração". Como gosto de prestigiar minha língua, achei que valia a pena "traduzir". Basicamente parte da ideia de ser um indivíduo sem coração. Mas não que eu não consiga me apaixonar ou amar as pessoas, mas porque desde a mais tenra idade pessoas sempre julgaram meus sentimentos (e julgam até hoje).

Pessoas sempre dizem que o que eu sinto nunca foi amor, que nunca era algo real e verdadeiro, seja na família, amigos ou até mesmo as garotas que eu sentia algo. Sempre me senti meio Forrest Gump correndo atrás da sua Jenny. Todo mundo me acha um retardado que não sabe o que é amor. A Jenny pode parecer por muitos como sendo o amor do Forrest, mas embora o que o Forrest sentisse por ela fosse algo real, sólido e sincero, ela sempre negou a vida inteira dizendo que ele não sabia o que era amor - quando na realidade a pessoa que mais sabia o que era amor era justamente o Forrest e não a Jenny.

Mas como no mundo do cinema tudo funciona, os dois ficam juntos. No meu caso, esses julgamentos só ajudaram a enrijecer e machucar internamente. Por isso a cena principal do meu auto-retrato é esse questionamento: Será que eu sou capaz de amar as pessoas?

Gosto muito das palavras da Oráculo, em Matrix: "Ser o Escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe, e não tem dúvida. Nenhuma". Talvez me faltasse ouvir um pouco meu coração, parar de questionar (como na pintura) e entender que a única pessoa que pode dizer se meus sentimentos por alguém é sincero e verdadeiro sou eu mesmo. E torcer para que essa sinceridade chegue nas pessoas. Superar a timidez, a insegurança, o medo do "não" e todos esses vários fantasmas. Além do maior dos medos: o medo de não tentar.

(eu disse que essa obra era uma reflexão interna imensa, não?)


Essa parte superior eu fiz nesse formato pois é como basicamente me sinto com o fantasma de "levar uma bota de alguém". É como se algo viesse do nada, meio que do além e afetasse minha parte lógica, as palavras ressuscitando as situações. Eu posso até esquecer a menina, ou "desapaixonar" depois de um tempo, mas eu lembro claramente todas as sílabas que foram faladas na hora do fora. Absolutamente todas.

E a lógica (o cérebro) fica com medo de que a situação de repita. E já aconteceu de se repetir, hehe. A área da conquista é como pisar em um campo minado, cuja última linha está cheia de bombas e não há escapatória. Talvez o mundo seria algo melhor se as mulheres saíssem um pouco dessa eterna defensiva, e assim deixar pessoas como o Hitch, o conselheiro amoroso, sem emprego.


Eu normalmente quando me retrato, eu sou caolho. Mas eu não sou caolho na vida real, óbvio. É meio que uma "marca registrada" minha. Deixa um ar de pessoa que passou por várias batalhas, sejam internas ou não. O caolho significa todas essas cicatrizes que ficaram.

Eu gostei muito da lágrima. Mas a lágrima é pra reforçar a tristeza ao olhar incredulamente pro coração que parece não saber o que é amor, já que todos julgam. No fundo a lágrima não significa tristeza. Meu olhar e minha expressão é de não entender porque ter um coração se as pessoas dizem que eu não tenho. A lágrima é também o desejo de poder amar e ser amado. Nada está na obra por acaso!



A engrenagem é outro tema recorrente, assim como o olho machucado. Eu sou um cara bem emotivo. Eu choro mesmo, gosto de me apaixonar e amar as pessoas, gosto de nutrir minhas amizades, enfim, eu só tenho tamanho, sou um manteiga derretida. Mas por ser homem a sociedade (e inclusive as mulheres) nunca aceitaram um homem ter sentimentos. Sei que muitas podem ter até me achado bonitinho, mas queriam que eu fosse uma pessoa mais estável na parte dos sentimentos, mais fria, como teoricamente "todo homem deveria ser".

Eu parto do pressuposto de que na verdade é o homem o sexo frágil. Já li vários artigos sobre, e cada dia que passa mais tenho certeza disso. Afinal, o homem é muito mais influenciado pelos seus sentimentos do que as mulheres, são seres bem mais instáveis emocionalmente. As mulheres suportam muito mais carga de emoções que os homens, elas são muito mais evoluídas nesse aspecto. O homem, qualquer coisinha errada que acontece ele fica violento, ignorante e imbecil. A engrenagem significa meu desejo imenso de ser uma pessoa lógica e fria.

Isso melhoraria 300% meus relacionamentos. Sei que muita mulher detesta homens mais emotivos. A sociedade em si é muito machista nesse quesito pois não abre leque de aceitação pra homens terem esse tipo de coisa. E sei que se eu fosse uma pessoa mais fria, meu número de mulheres que levei na cama aumentaria umas cinquenta vezes, não teria medo de me declarar, menos ainda de levar foras, e que nem mesmo esses fantasminhas aí existiriam. Provavelmente meu auto-retrato se eu fosse uma pessoa fria como eu sempre sonhei ser seria bem diferente, hehe.

O sangue é a dor. Porque sempre que eu tento ser uma pessoa mais lógica, isso sempre barra no meu emotivo, e é uma briga interna imensa. E eu sou a pessoa que mais sofre nessa coisa toda.


Bom o coração não significaria nada se não tivesse o imenso buraco no peito (aliás, foi bem realista até. Achei até meio bizarro depois que terminei). Caso contrário seria uma fatia de fígado cru (???).

Se pudesse ser um gif animado, esse coração sem dúvida estaria pulsando. Pulsando por alguém? Não necessariamente. Talvez um pulsar de esperança. Esperança de um dia encontrar alguém que não responderia a uma declaração sincera criando obstáculos intransponíveis, ou ainda de uma pessoa que pudesse aceitar esse coração - isso é, os sentimentos - já que tantas outras negaram, ou criaram milhares de motivos para não aceitar, ou fizeram o que mais me machucou: julgaram meus sentimentos, dizendo que eram errados, que eu não sabia o que era amor, que estava confundindo as coisas, ou coisas até piores.

É isso! =)

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