terça-feira, 4 de agosto de 2015

A fantasma da Depressão.


Essa é uma das pessoas que até hoje eu me pergunto: onde raios você foi se meter, Alain seu retardado?

A garota do cabelo cor-de-beringela.

Uma coisa que detesto são mulheres que vivem no mundinho delas. No budismo dizem que o outro é nosso espelho, se não gostamos de algo em alguém é porque no fundo somos iguaizinhos, então acho que tenho que admitir que eu talvez tenha meu mundinho também. Uma coisa é fato: todas as pessoas que vivem nos seus mundinhos têm dificuldades em deixar outras pessoas entrarem no mundinho delas. Vestimos armaduras, achamos que estamos seguros de alguma forma, e somente deixamos entrar algumas pessoas selecionadas a dedo.

Hoje, talvez com a maturidade, eu sei diferenciar um pouco melhor. Mas naquela época eu tinha 16 pra 17 anos e tinha acabado o Ensino Médio, e estava indo pra vida adulta. E se hoje eu acho que devo crescer, imagine na época.

E aí, uma amiga que estudou comigo me disse que a prima dela era bem bonita, solteira e nós iriamos nos dar muito bem porque tínhamos gostos parecidos. A adicionei no extindo MSN e nós conversávamos muito. Muito, muito mesmo. Mas via que aquela menina tinha realmente sérios problemas.

O primeiro era uma extrema depressão. Com tendências macabras e suicidas. Eu era bem depressivo também. E dizíamos que suicídio seria uma fim de vida louvável. Bom, curiosamente tentei tirar minha vida em 2008, mas isso foi uma coisa que aconteceu na minha vida, fez parte dela, e embora hoje nem passe pela minha cabeça tentar isso novamente, foi uma infeliz única escolha que eu via - especialmente com meu convívio com a garota do cabelo cor-de-beringela.

Mas aos poucos fomos nos descobrindo. Eu lembro que ela tinha muitas dificuldades com a imagem dela. Ela era uma menina comum, branca, cabelo preto, olhos escuros, descendente de espanhóis e portugueses como 70% das pessoas desse país. Nas poucas fotos dela que ela me mostrou eu sempre a elogiava, e ela foi ganhando uma boa auto-estima.

Porém o sentimento foi crescendo, e naquele ano eu era um mero estudante de arquitetura que detestava estudar aquilo que havia sido imposto pelos pais. Ela era uma tomboy que queria ser militar e morrer em uma guerra. Duas crianças crescidas.

De facto o cabelo dela era tingido de cor-de-beringela. Especialmente numa das únicas vezes que eu a vi pessoamente. Ela me evitava totalmente por sabe lá deus o quê. Por algum motivo bizarro ela tinha uma total aversão a mim na vida real, embora via PC ela não parava de conversar comigo. Porém eu tinha sentimentos por ela, eu queria ver uma esperança e ser feliz com ela de alguma forma. Eu não queria ser apenas o cara de defensiva ou na passiva esperando alguém cair do céu. Eu queria ir atrás e fazer acontecer.

Só que eu agi de uma maneira totalmente errada!

Eu não lembro exatamente o que eu fiz, mas como conversávamos muito via internet, comecei a tentar chamar ela pra sairmos juntos. Nós nos conhecíamos pessoalmente (já havíamos ido ao Anime Friends, e mal nos falamos, éramos muito tímidos), mas ela sempre declinava. E eu, oras, eu tinha uns 17 anos, era imaturo de tudo. Por isso que hoje eu digo que o que eu fiz foi uma grande merda.

Sente só a merda que eu fiz, haha. Era um plano infalível, só que não:

Eu a havia chamado pra assistir um filme, acho que era o Código Da Vinci no cinema. E ela disse que já havia assistido e não iria sair comigo. E aí o moleque aqui foi lá resolveu provar que ela não havia assistido o filme, e perguntei o que ela tinha achado da teoria sobre o Santo Sudário, o pano que cobriu Cristo depois que ele foi crucificado, que é o tema central do Código Da Vinci, e ela disse que super deu pra entender e sabia exatamente tudo sobre o Sudário depois de assistir ao filme.

Bom, se você que lê isso e assistiu o filme, com certeza sabe que o filme trata do Santo Graal, o cálice de Cristo na Última Ceia, e não o Santo Sudário, haha. E aí eu joguei na cara dela, dizendo que ela não tinha assistido o filme coisa nenhuma, que não queria sair do mundinho dela, tinha medo de relacionamentos e tudo mais. Um plano de bosta que, é claro que ela ficou muito mal depois que eu fiz isso, e chegou inclusive a me bloquear e tudo mais, hahaha.

Nós nunca mais nos falamos desde então. Tudo bem que nós dois agimos de uma forma mega imatura, nós dois éramos adolescentes na época. Duas crianças com tamanho.

Eu não nego que isso foi realmente algo idiota, imaturo e muito babaca. Mas eu era um adolescente, e... Paciência, a gente aprende com os erros, hehe. Mas eu fiquei muito mal. E todo ano eu passava relembrando e remoendo aquilo. E junto da depressão que eu tinha, isso só piorava.

Todo ano, no dia 25 de maio (o dia em que nós brigamos e nunca mais nos falamos), eu postava no meu antigo fotolog. Até o dia 25 de maio de 2012, quando no dia seguinte, dia 26, com a ajuda do mundo espiritual eu elevei ao nível de daijo no templo. E quando isso me aconteceu, vi que era tempo de enterrar aquilo de uma vez por todas. Mas foram seis anos pensando nela praticamente todos os dias. Me odiando por ter agido daquela maneira e ao mesmo tempo me perguntando o motivo dela ter sido tão infantil e simplesmente ter fugido. Mas grande parte da culpa foi minha, isso é inegável.

Mas ainda assim foram... Seis anos. Seis longos anos que duraram quase que uma vida.

E ela serviu de base para a personagem homônima das minhas histórias. O jeito frio da personagem é exatamente como ela era, uma aquariana, levemente deselequilibrada, mas no fundo era uma pessoa muito amável e gentil. Era uma figurinha única mesmo essa menina, hehe. Aquariana braba que só ela! Hoje eu dou risada, mas aquilo com ela foi sem dúvida uma das coisas que mais pesaram para que eu tentasse tirar minha vida dois anos mais tarde.

E hoje?
Poxa, essa aí se deu super bem! Em 2011 ela começou a namorar um cara que ela realmente gostava, mas ele havia deixado o país pra estudar fora. Os dois estão firmes até hoje! Abriram juntos um estúdio de arte para games. E ela até ajuda ele, os dois são um casal super ponta-firme. E apesar das brigas (que sempre rola em qualquer relacionamento) eles estão super bem e felizes. Fiquei muito feliz quando ouvi isso!

Uma canção?
Já que o momento era deprê, o jeito é música deprê: Higeki wa mabuta wo oroshita yasashiki utsu, dos roqueiros japoneses do Dir en Grey. Em 2008 eu entrei em terapia e fiquei um bom tempo indo na psicóloga. Ajudou pacas a me erguer depois (e me preparar pro que ainda viria, hehe! Não tá fácil pra ninguém).

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