quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Doppelgänger - #100 - Tudo.

Eliza Vogl não tinha escolha. Começou então a subir as escadas.

“Sua pirralha, vem cá agora!”, gritou Schwartzman.

Nessa hora uma dupla de oficiais da MPS – Metropolitan Police Service – de Londres apareceram, vendo a comoção que o segurança com a barriga cortada havia causado nas pessoas. Chegando ao local ele ficou abismado com a quantidade de sangue e tamanha carnificina que a cena tinha. O bilheteiro estava vivo, porém extremamente ferido.

“Ei, você aí do jaleco! Parado, senão eu atiro!”, disse ele, sacando sua taser.

A polícia londrina não carrega armas. Exceto as tropas de segurança (estilo SWAT americana). Porém, são os policiais os mais eficientes da Europa. Muito bem treinados, fizeram de Londres uma das cidades mais seguras da Europa. Um taser é capaz de causar muita dor, e é uma arma que as pessoas temem tanto quanto uma autêntica arma de fogo.

Schwartzman ao ouvir parou de subir as escadas. Olhou pra trás, e viu os policiais. Virou-se e desceu calmamente as escadas, com a mão nos bolsos.

“Isso. Agora mãos pra cima! Encosta na parede”, gritou o policial, ainda sem acreditar na cena do homem ensanguentado na sua frente.

“Se vocês me conhecessem, quem teria medo seriam vocês”, disse Schwartzman, carregado no cinismo.

“Coloque a mão pra cima ou vou atirar!! É uma ordem!!”, gritava o oficial. Mas Schwartzman continuava com a mão no bolso.

E então o oficial atirou a taser no peitoral de Schwartzman, apertando o botão pra lançar a carga.

Porém Schwartzman não sentiu nada.

“Eu disse que vocês teriam medo. Quem diria que até nisso a Insensibilidade Congênita à Dor iria me ajudar. Não senti absolutamente nada”, disse Schwartzman, tirando calmamente o eletrodo no corpo, “Agora é minha vez de brincar com vocês”.

E Schwartzman tirou uma espécie de bomba ninja do bolso e lançou. Fez pouca fumaça, mas havia sido inalado pelos oficiais. Eles ficaram extremamente confusos e dopados, entraram num estado grande de paranoia e começaram a correr assustados na frente do Monumento. Estavam aterrorizados, mas todas as imagens eram meramente mentais, sendo criadas pela droga que haviam tragado.

O judeu, como sempre, tinha anticorpos de basicamente tudo correndo nas suas veias. Mais uma droga que ele havia criado e era imune a ela também. Era hora de subir a escada helicoidal de dentro do Monumento e enfim pegar Eliza Vogl. Nada poderia impedi-lo. Nem a polícia, e menos ainda Lucca, que nessa hora já estava morto.

- - - - -

PUM!

Uma batida. Uma pancada.

PUM!!

Parecia um soco no peito. Que coisa horrível.

PUM!!!

“Saiam da frente!! Acho que está fazendo efeito!”, uma voz feminina.

PUM!!!!!

Seus olhos abriram. Confusos, embaçados. Na sua frente via o céu de Londres, escuro, mas a tênue luz da cidade jogava em seu rosto aquela cor alaranjada, que brilhava junto do seu cabelo dourado, loiro como o ouro, e seus olhos claros.

“Minha nossa, você está bem?!”, disse a voz feminina. Se os anjos eram loiros, provavelmente aquilo era um anjo e ele já havia morrido. Sentiu o abraço, como se algo tivesse acontecido, e quando depois de apertar contra si o anjo voltou a ficar na sua frente enfim reconheceu seu rosto.

Era Agatha van der Rohe.

“Nataku! Que bom, minha nossa! Você ficou segurando com toda a força essa seringa e esse antídoto, se não fosse injetar em você e fazer isso circular no seu corpo com esse desfibrilador você jamais teria voltado!”, disse Agatha.

Lucca nem sabia o que falar. Não acreditava que ela viria depois de falar com ela. Agatha era a amiga que nem ele sabia direito da onde vinha essa amizade. Mas sabia que poderia confiar, era algo que nem ele sabia explicar. E ela, como um anjo, apareceu justo naquela hora. Mas não tinha muito tempo. Parece que o antídoto havia curado ele completamente, e seu coração palpitava como se enfim estivesse vivo. Como se enfim estivesse pronto para viver.

“Agora fica deitado que vamos chamar uma ambulância”, disse Agatha, “Eu vou lá pegar o Schwartzman”.

Nessa hora Lucca segurou Agatha. Ela virou e os dois se olharam profundamente.

“Agatha, por favor, não”, disse Lucca, se erguendo, “Deixa que eu vou. Essa menina significa muito pra mim. Eu irei salvá-la”.

Lucca não parecia que estava praticamente morto há momentos atrás. Estava em pé, e caminhando, inclusive. Dentro dele um fogo de determinação havia brotado, e ele estava disposto a tudo pra salvar a menina. Afinal, já tinha morrido mesmo... E várias vezes voltou, pelo jeito. Em sua cabeça ele sabia que depois de tantas segundas chances ele não tinha nada a perder.

E foi então, a passos rápidos, indo em direção ao Monumento.

“Espera, Nataku!”, gritou Agatha, indo em sua direção, “Me responde uma coisa antes?”.

“Claro, pode perguntar”, disse Lucca.

“O que essa menina é pra você?”, perguntou Agatha.

“Tudo”, disse Lucca, em apenas uma palavra.

Agatha, ao ver a determinação nos olhos de Lucca tirou do coldre dentro do seu blazer uma Five-Seven, uma pistola semiautomática belga, potente, com o pente cheio com vinte balas, dando para Lucca.

Lucca guardou na parte de trás da cintura e correu em direção do monumento. Não havia tempo a perder! Quando chegou na porta virou em direção da Agatha e gritou pra ela:

“Ah, Agatha! Me chame de Lucca!”, disse Lucca, corrigindo gentilmente Agatha, que sorriu em resposta.

Você nunca deixou de ser o Lucca, Nataku, pensou Agatha.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Pegasus Wings Decade 05-15 - Pré-história (1)

Dez anos de blog! Fazendo parte dos posts comemorativos dessa década resolvi criar essa série de posts: Pegasus' Wings Decade 05-15. E hoje eu queria mostrar o embrião disso tudo que se tornou o blog hoje.

Infelizmente nada sobreviveu do embrião que foi o 2 Bad!!, o meu primeiro blog. Mas antes de mostrar a réplica que eu criei de acordo com o que conseguia puxar da memória, queria contar como era o clima da época daqueles idos anos de 2003-2005 mais ou menos quando estourou a onda de blogs no Brasil e no mundo e a época que o meu santo blog aqui começou.

Não é novidade nenhuma que eu participei muito do Fórum Saint Seiya Arayashiki, onde jogavámos um RPG online de interpretação de personagens do universo dos Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya). E naquela época áurea dos blog eu lembro que muitas pessoas criavam blogs - normalmente duravam apenas alguns meses, mas criavam.

E eu sempre quis muito ter um diário. E a coisa mais legal que eu gostava no blog é que o blog é um diário, só que invertido, pois é público. Não tem o aspecto privado que os diários originais têm. Isso sempre me atraiu muito.

E todas as pessoas faziam um blog com o nome do seu personagem favorito. Quem gostava do Shaka de Virgem fazia um blog com algo do nome no título, e assim sucessivamente. E embora o Seiya de Pégaso, o protagonista, seja meu personagem favorito do universo Saint Seiya, o meu primeiro protótipo de blog não era sobre o Seiya, menos ainda o pégaso.

Era Hypnos, o deus do sono, também presente na obra do Masami Kurumada:


Foi provavelmente no começo de 2004 que eu resolvi fazer o 2 Bad!!, meu primeiro blog. Eu lembro mais ou menos o visual, e acima está uma reprodução do que ele era mais ou menos. Eu lembro que a ideia era fazer posts que alternavam entre o eu (Alain) e o Hypnos. Eu cheguei até a fazer o layout no Photoshop, cheguei a recortar a imagem e fazer todo o código dele, mas eu não postei nada.

Na época usava o serviço de Weblogger, que nem existe mais, do Terra. Na época os serviços mais famosos era Blogger (que era da UOL), Blig (da iG) e o Weblogger do Terra. Cheguei a subir os arquivos em um domínio que eu tinha no serviço de páginas do Terra, mas o blog havia morrido antes mesmo de começar.

Mas claro, tinha lá seus motivos:

Não sei, acho que achei muito limitado. E eu desde o começo tinha o plano de começar um blog e continuar, e se eu fosse fazer sobre o Hypnos, e ainda mais com essa coisa de posts duplos, eu ia enjoar fácil. Sem contar que com esse título de "Hypnos Blog" iria limitar muito, ia ser chato.

E tinha o problema desse nome também. Por mais que fosse uma das minhas músicas favoritas do Michael Jackson (a canção 2 Bad), não era muito legal como nome de blog também. "2 Bad" pode ser lido como "Too bad", que equivale à expressão "que pena!", em português. Não era legal.

Ainda em 2005 eu decidi que iria recomeçar. E embora no Fórum eu tinha assumido o personagem do Hypnos, e todo mundo fazia o blog de acordo com o seu personagem, resolvi recriar o meu blog com alguma referência ao Seiya de Pégaso. Porém, tinha que ser um nome que não faria nenhuma menção direta ao personagem, pois iria me limitar de novo. Tinha que ser um nome que pudesse de alguma forma durar por um tempo e que eu pudesse fazer qualquer template sem ficar grudado no tema. E ao mesmo tempo carregaria junto o meu mito grego favorito, meu personagem de Saint Seiya favorito, e seria um nome que serviria pra fazer o que eu quisesse, sem ficar atrelado ao Seiya apenas.

E aí achei o nome perfeito: Pegasus Wings. Só faltava o mais importante: fazer o blog!

No próximo post vou mostrar os primeiros protótipos que sobreviveram. ;)

Continua...

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Doppelgänger - #99 - Tudo ou nada.

“Minha nossa, alguém, rápido, tragam um desfibrilador!! Esse rapaz tá tendo um ataque cardíaco!!”, disse um turista, observando Lucca.

Londres é uma cidade onde existem diversos desfibriladores públicos espalhados pela cidade, para salvar as pessoas que eventualmente sofram um ataque cardíaco súbito. Faz parte da política de saúde da cidade.

Lucca no chão já não sabia mais o que fazer. Segurava na sua mão firmemente a ampola com o antídoto. O antídoto que ele estava tão perto de conseguir. E viu então a morte de aproximando.

Porém, nenhum filme passou na sua mente. Era um jeito de morrer muito triste. Sem memórias. Sem nada querido que possa carregar pro além vida. Viver sem ter uma vida. Uma vida em que não se viveu.

E as dores apenas aumentavam e nada delas passarem. Seus olhos embaçados já estavam desistindo, e pouco a pouco seu corpo ia desistindo de lutar contra o veneno. Sentia seus membros formigando, depois de tantos espasmos musculares. Sentia seus olhos se fechando. Nem mesmo o esforço pra respirar ele estava querendo fazer. Depois de tanta dor, o que ele mais queria naquele momento era descansar.

No fundo Lucca estava tranquilo. Eliza Vogl havia corrido para o Monumento. Lá sem dúvida existiriam policiais, e eles a protegeriam. Suas únicas lembranças eram desses momentos curtos que havia tido com a menina. Momentos tão curtos que, assim como o amor, são atemporais.

Não precisamos de uma vida inteira para amar alguém. O amor pode acontecer assim, de uma maneira rápida e forte, e persistir pelo resto de uma vida. Não havia muito tempo que Lucca havia conhecido a pequena Vogl, mas era o tempo suficiente para que ele aprendesse o que era amor.

Quando fechou seus olhos, depois das memórias recentes da Eliza, veio uma outra memória, perdida, de uma mulher. Japonesa, sorridente, olhos puxados, pele branca, sorriso lindo. O cheiro dela, o corpo dela junto do dele, a troca de saliva, transpiração, respiração. Essa japonesa sem nome, que ele sempre via, e nunca soube quem era nos seus sonhos. Mas sentia saudades dela. Ela era alguém especial que havia tido a coragem de dividir a vida com ele.

Se ele apenas vivesse mais um pouco pra descobrir quem ela era...

Mas agora era tarde.

A vida de Lucca estava se esvaindo.

- - - - -

“Elizaaaaaa!”, gritava Schwartzman, “Come here to papa!”.

Schwartzman sorria igual nunca antes havia sorrido. Enfim, depois do fracasso de Ravena e Sara, enfim ele teria sua importância reconhecida. Com uma psíquica e mediúnica, ele sempre ficava em terceiro lugar no quesito de manipular as pessoas. Era apenas alguém que “dopava” as pessoas. Mas no final, era o único que não havia sido pego, ou derrotado. Era o campeão. E isso havia enfim provado que todos os anos estudando levou ele pra um patamar que nenhum outro paranormal o conseguiria superar.

Já Eliza, vendo Schwartzman cada vez mais se aproximando do Monumento, onde ela estava, estava pálida como a neve, assustada.

“Você conhece esse cara, menina?”, disse o funcionário da bilheteria do Monumento.

Eliza simplesmente não respondia. Seus olhos estavam arregalados e ela estava pasma, como se fosse uma presa na frente do predador. Completamente em estado de choque. E o jeito que Schwartzman vinha em sua direção era igualmente bizarro para o bilheteiro também.

Mas ele era o adulto da situação. Ele devia fazer algo. Aquela menina não havia esboçado nada, e pelo olhar de pânico dela olhando Schwartzman, sem dúvida ele não era seu “papai” como ele havia dito antes.

“Menina, passa aí, entra logo, que eu vou conversar com esse cara estranho”, disse o bilheteiro.

E Eliza, mesmo tremendo dos pés a cabeça se segurou no corrimão e subiu a escada mais difícil da vida dela. E escada em caracol dentro do Monumento. Ela mal subiu três degraus e Schwartzman já estava na porta.

“Ei cara, essa menina acho que não te conhece”, disse o bilheteiro, impedindo a entrada de Schwartzman, “Se você não ficar na tua eu vou chamar a polícia”.

Schwartzman pegou suas facas de combate e desceu um golpe no bilheteiro. Precisão cirúrgica. Cortou a barriga dele, e o chão ficou tingido de sangue, enquanto ele caía no chão com seu intestino saindo pra fora do corpo, gritando de dor.

“Essa menininha foi muito peralta, e o chefinho quer que ela morra”, disse Schwartzman, “Vem cá Eliza, fofinha. Não vai doer nada”.

A pobre Eliza Vogl não sabia o que fazer. Pessoas gritavam na rua, e ela viu o corpo de Lucca longe, o corpo sem movimento. Agora ela não tinha opção. Lucca deu sua vida pra salvar a dela. Ela tinha que fazer jus e sobreviver à ameaça de Schwartzman!

Era tudo ou nada.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Metroid Prime 3: Corruption.


Tava vendo aqui e faz quase um ano que eu fiz o review quando terminei Metroid Prime 2: Echoes. E um ano depois eu termino mais ou menos na mesma época a conclusão da trilogia Prime. Legal!

Eu peguei mesmo pra jogar de umas semanas pra cá só. Eu tinha começado há muito tempo e tinha parado logo do comecinho. Mas me deu uma vontade imensa de jogar Metroid e lembrei que não havia terminado o Metroid Prime 3: Corruption pro Wii e resolvi dar uma chance e, terminei, claro.

O jogo é a conclusão do trabalho magnífico da Retro Studios quando pegaram a série Metroid pra fazer. E termina com chave de ouro! Se Metroid Prime foi uma revolução, Metroid Prime 2 foi uma evolução. Metroid Prime 3 foi a expansão, porque o jogo é maior, novos itens, história eletrizante e o HYPERMODE:


O jogo não se chama "corrupção" por acaso. Embora você não controle nenhum político, você tem que lutar no jogo inteiro para não ser corrompido pelo Phazon - uma substância azulada, tipo um musgo, extremamente radioativa e venenosa, presente desde o Prime 1, capaz de matar ou dominar a sua mente - tentando te corromper o jogo inteiro.

Ao mesmo tempo que o Phazon é seu inimigo, ele também é seu amigo, pois nesse jogo a Samus toda overpower anda com a PED Suit. Phazon Enhancement Device. É esse trequinho azul no meio dos peitos dela. Com ele você pode ativar o Hypermode quando quiser, ao custo de um tanque de energia:


A mecânica é que ao mesmo tempo que você vira um destruidor-motherfucker-matador-sanguinário-imbatível com o Hypermode que ninguém te segura, tem um custo grande que é você ter que se manter longe de ficar corrompido. Não dá pra vacilar até o "auto-vent" ventilar todo esse phazon pra fora do corpo da Samus.

Caso contrário, não importa o quanto de vida você tenha. Game over na certa:


(É bizarro. Fiquei duas noites sem dormir depois que fui corrompido pela primeira vez)

E como o resto das armas são meio fracas, a graça é apelar pro Hypermode mesmo. É a dificuldade do jogo, mas é bem legal.

E quanto a história? Ela é a sequência do Prime 2, óbvio. Mas pra entender tudinho, tem que voltar pro Prime 1. Tem que entender que o ser que gera o tão radioativo Phazon é o Metroid Prime (vilão), que caiu junto de um meteoro no planeta Tallon IV (onde o primeiro jogo acontece). Só que quando você termina o jogo, e mata o Metroid Prime, ele absorve a armadura da Samus, e cria um ser idêntico a heroína loura de seios generosos, a Dark Samus.


E essa Dark Samus (acima) faz mil e uma loucuras na Sessão da Tarde. Veja a partir dos 2m15 ela contaminando a Samus com Phazon. Foi tão feio que tiveram que criar o PED pra limpar o Phazon e manter sob controle.

No Prime 2 ela vai pro planeta Aether, e lá espalha o Phazon, dando um poder imenso aos sombrios Ing, uma das duas raças que vivem no planeta, ameaçando o equilíbrio que os Luminoth, a raça da luz, criou no planeta. Samus vai, derrota o imperador dos Ing, só que a Dark Samus sobrevive no Prime 2, e aí chegamos enfim ao terceiro volume da trilogia.

Nesse, a Dark Samus não quer mais brincar. Como deu certo em Aether corromper o planeta de Phazon, ela (ou ele?) resolve por meio de uma nave chamada Leviathan plantar "sementes" nos planetas para que elas produzam Phazon e vão infectando planeta atrás de planeta. E aí a Federação Galáctica resolve chamar a Samus, já que é tudo culpa dela, né? Quem mandou vacilar no primeiro jogo e criar a Dark Samus, caraio?


E como eu disse, esse jogo é "expansão", ao invés de ficar estacionado em um planeta (como em todos os outros), você tem pelo menos uns seis lugares pra zanzar por aí matando os Piratas Espaciais e limpando o Phazon deles. Incluindo o "Pirate's Homeworld", o planeta onde fica o quartel-general dos Piratas Espaciais, os vilões do jogo. Cagaço da porra.

Temos o Ridley bonitão de volta (acima)! Os chefões são tranquilos de matar (exceto o primeiro... Eu morria várias vezes pro Mogenar!) e o final é sensacional. E sim, enfim a Dark Samus é morta! Aleluia irmão!

No mais, jogaço. Concluindo com chave de ouro uma das trilogias que mais curti em toda a série Metroid de quem sou tanto fã!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Doppelgänger - #98 - Sacrifice

“Você tem no máximo uns cinco minutos, Lucca”, disse Schwartzman.

Era a morte. E com segundos. Cronometrada. A respiração de Lucca parecia se tornar cada vez mais difícil. Estava difícil de se manter em pé. E só tinham se passado alguns segundos desde a injeção letal.

Sacrifice. A combinação de drogas criada por Schwartzman. Capaz de causar em um ser humano uma morte similar a de um animal de estimação de um dono. Primeiro o torpor, o sono, o estado letárgico. Depois, a morte.

O que o Sacrifice significava? Era como se Schwartzman fosse o dono e estivesse se livrando de Lucca, seu animal de estimação? Como se estivesse levando ele para ser sacrificado na sua frente? Talvez esse seria o significado, mas definitivamente não era o que se passava na mente de Schwartzman. O judeu psicopata não tinha nenhuma empatia. Era apenas uma máquina de matar, sedenta por mais um ser humano para ser dissecado – mesmo que fosse vivo.

Lucca não tinha muito tempo. Mas de alguma forma teria que proteger Eliza Vogl a todo o custo. Ele estava disposto a dar sua própria para salvar a menina. A hora era agora.

“Eliza, fuja daqui, rápido!!”, gritou Lucca.

Eliza, tomada por lágrimas, virou seu rosto e começou a correr. Schwartzman apenas via a cena. As pessoas ao redor não sabiam o que estava acontecendo, olhavam aquela cena na frente do Monumento incrédulas. Aquilo devia ser um flashmob, ou algo do gênero, não era possível que fosse a cena de um assassinato no meio da cidade de Londres!

“Vocês só complicam a minha vida...”, disse Schwartzman, entediado. Ele começou a caminhar em direção da pequena Vogl, porém, foi interrompido por Lucca, que parou na sua frente.

“Você fica aqui... Temos coisas... Pra resolver”, disse Lucca, já sendo dominado pelo torpor.

“Seu morimbundo!”, disse Schwartzman, “Não entendo porque tá demorando tanto pra fazer efeito! Saia da minha frente que você não me vale mais nada!”, disse, empurrando violentamente Lucca contra o chão.

Lucca caiu sobre seu braço. A dor foi imensa. Seu ombro havia deslocado, tamanha violência da queda. Caiu como um saco de batatas lançado no chão. Seus olhos estavam cada vez mais desfocados, e sua mente cada vez mais confusa. Os efeitos do propofol eram mais fortes do que imaginava. E Schwartzman estava acelerando o passo indo ao encontro de Eliza Vogl.

Merda, eu preciso dar um jeito de ficar acordado!! Droga, o que eu tenho no meu bolso... Um canivete só. Será que ele tem uma lâmina? Vamos, fica acordado, não durma, não durma, não durma! Eu tenho que salvar a Eliza! Eu prometi a ela!! Não vai acontecer o mesmo que aconteceu com a Saunders na minha frente, jamais!, pensou Lucca.

Ele pegou o canivete e com um só golpe mirou na sua coxa esquerda. A dor o fez despertar. Pelo menos por alguns segundos, dando forças pra ele ficar de pé. Quando o torpor estava voltando tirou novamente o canivete e espetou novamente na sua outra perna. Lucca emitiu um grito surdo de dor, com os olhos quase fechados.

Nesse meio tempo Eliza estava cada vez mais perto do Monumento. E Schwartzman corria atrás dela, sorrindo, como se fosse um predador prestes a dar o abate. O tempo estava correndo, a distância cada vez mais se encurtando, algo devia ser feito, e rápido!

Foi aí que Schwartzman, mesmo que não sentisse dores, sentiu algo o empurrando, como uma bala de canhão.

Ele caiu no chão, e quando olhou pro lado viu Lucca, com sangue nas pernas, olhando firmemente pra ele, também no chão. Lucca não poderia fazer muita coisa, mal conseguia manter seus olhos abertos. Porém se lançou correndo e jogou seu corpo de uma vez contra o judeu. Seus instintos o guiaram dessa vez.

Eliza olhou pra trás, e viu Lucca e Schwartzman caídos no chão. Na sua frente estava a entrada de visitantes do Monumento. Achou que seria um bom local para se esconder ali, ao menos, e entrou no monumento pra buscar abrigo.

Schwartzman se ergueu, e Lucca também. Aquilo parecia uma cena de um duelo, prestes a acontecer ali, na frente de todas as pessoas. O judeu tirou do seu jaleco duas facas de combate, e passou um algodão úmido nelas.

“A esterilização é essencial antes de um procedimento médico”, disse Schwartzman, despejando um outro líquido na faca, guardando-o de volta, “Isso aqui é o antídoto. Não do propofol, mas do veneno que está afetando seu sistema nervoso. Mas se você quiser ser curado, vai ter que me deixar rasgar seu corpo. Assim. Vivo. Acha que sobreviveria?”.

“Eu não tenho nada a perder mesmo”, disse Lucca, correndo em direção de Schwartzman.

Por mais que estivesse dominado pelo torpor, Lucca conseguiu ainda desviar dos fracos e desajeitados golpes de Schwartzman. Suas pernas doíam muito, e cada vez mais os efeitos do propofol estavam dilacerando sua mente. Seus olhos pareciam que estavam com um peso imenso, extremamente difíceis de manter-se com eles abertos. Mas todas as vezes que Schwartzman realizava um golpe, Lucca ainda conseguia se esquivar com maestria, se agachando, caminhando pra trás e pros lados.

“Mas que merda! Porque esse merda não faz logo efeito!!”, gritou Schwartzman, cada vez mais nervoso por ver que estava perdendo de um moribundo.

Schwartzman avançou em uma estocada, e Lucca desviou, puxando o braço do judeu para si e aplicando uma chave, deixando-o virado pro chão, imobilizado, com seu braço puxado pra trás, dominado por Lucca.

“Seu braço é meu agora”, disse Lucca, colocando a mão no bolso do jaleco do judeu, tirando o frasco com o antídoto, “E a cura também”.

Lucca com todas as forças tirou a ampola com o líquido curativo do jaleco de Schwartzman, junto de uma seringa.

“Será que você vai ser finalmente a pessoa que vai acabar comigo?”, disse Schwartzman, praticamente aceitando a derrota.

Foi aí que o jogo virou novamente:

Já havia passado mais de cinco minutos desde que havia tomado a injeção letal. O corpo de Lucca foi então dominado por um espasmo, soltando Schwartzman, e se contorcendo totalmente. Ele começou a jorrar saliva, que borbulhava da sua boca. Seu corpo se contorceu totalmente e sua respiração ficou cada vez mais eufórica. Lucca caiu no chão, tão fraco que mal conseguia gritar de dor. Parecia que havia um alien dentro dele, pois todos os músculos pareciam ter entrado em choque, seu olho havia revirado pra cima e do seu nariz saía uma secreção horrenda. Suas calças estavam todas molhadas de urina, e seu único braço bom (que não havia sido deslocado na queda) estava em cima do peito, pressionando, como se estivesse sentindo uma dor insuportável.

Seu peito doía como se algo o estivesse dilacerando vivo.

Não havia apenas sonífero o sonífero no Sacrifice. Aquilo era já o veneno fazendo efeito.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Hipnotizador


Existe um motivo por eu nunca assistir seriados: eu me vicio muito fácil. Também é o mesmo motivo por eu nunca ter usado drogas. Eu sei que viciaria fácil também.

Quando eu vi no ponto de ônibus o cartaz eu vi que esse seria muito difícil de eu ficar longe, pois pelo título já dá pra se ver que trata de um tema que sempre me deslumbrou: hipnose (e qualquer coisa relacionada ao sono).

Eu quando era criança eu morria de medo de dormir. Até hoje eu tenho medo de dormir, hehe. Sei lá, você se deitar, fechar os olhos e quando vai ver... PUM! Já é de dia. Isso sempre me deu muito medo, como se fosse um período de semi-morte, sei lá. Isso sem contar a bizarra realidade dos sonhos e pesadelos. Toda noite eu tenho vários, sejam bons ou ruins, aí fica difícil dormir, cacete. Porém, minha cabeça é muito ativa, e ironicamente eu durmo bastante, e sempre me sinto cansado pois ao mesmo tempo que meu corpo pede pra dormir, eu morro de medo do processo. Sim, isso é bizarro.

E quando eu vi O Hipnotizador, vi que esse seria o meu seriado, hahaha.

É um seriado latino, baseado nos quadrinhos homônimos de Pablo De Santis e Juan Sáenz Valiente. Produzido pela HBO (que eu gosto não por Game of Thrones, e sim pelo excelente seriado brasileiro Alice). Filmado no Uruguai, nossa extinta província da Cisplatina, e muito similar em um quesito com o antigo Donas de casa desesperadas, a versão latina do Desperate Housewives: é um seriado falado ao mesmo tempo em espanhol e português.

Mas isso não deixa ele estranho, jamais! Fica legal, pois cada um na sua língua parece que se entende e tal, não ficou nada forçado, nem prejudicou a atuação. O protagonista, Arenas (interpretado pelo argentino Leonardo Sbaraglia) é um hipnotizador distante e misterioso. Não deu ainda pra sacar tudo dele, exceto de que ele resolve fazer shows de hipnose em um teatro em troca de alguns mangos. Seu passado parece que é uma grande incógnita.

O elenco tem ótimas atuações do uruguaio César Troncoso (fluente nas duas línguas! Sensacional!), Chico Darín, Chico Diaz, mas duas atrizes me chamaram muito a atenção.

A atriz Bianca Comparato como Anita, uma personagem que tem tudo para ser protagonista. O papel dela é muito bacana no seriado pois ela é como uma protagonista, uma pessoa que tenta descobrir tudo o que tá rolando, sem ser uma protagonista de facto. Anita é uma menina ingênua, mas incrivelmente corajosa e pesquisadora. Foi a primeira pessoa hipnotizada (tenso esse primeiro capítulo!) e nos outros episódios parece que tenta descobrir as verdade por detrás da trama - inclusive quem é o tal misterioso hipnotizador.

E, uma que eu sempre gostei muito, Juliana Didone como... Sei lá diabos quem ela é. Nem teve um nome ainda revelado, hehe. Ela parece que é tipo um fantasma do protagonista, o hipnotizador Arenas. Talvez uma paixão perdida no passado? Mas todas as cenas que ela aparece são carregadas de mistério. Não acho a Didone uma mulher bonita, ela na minha opinião é bem feinha, mas é uma atriz de calibre muito, muito alto. E quando vi o nome dela nos créditos vi que valeria a pena parar e assistir.

Enfim, viciei. Tô fudido.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Doppelgänger - #97 - Quando Lucca conheceu o amor.

“Eu não posso continuar em frente, numa nova vida, enquanto eu não tiver certeza de quem eu fui”, disse Lucca.

“L-Lucca...!”, disse Eliza Vogl, com seus olhos lacrimejando, e sorrindo com muito orgulho do que estava vendo.

Eliza Vogl não tinha ninguém naquele momento. Mas aquele homem era como o pai que ela nunca havia tido. E ela queria tanto ter um pai! Sofria muito quando via as amiguinhas da escola indo felizes levando os trabalhos escolares de dia dos pais para seus pais, e ela não podia fazer isso. Talvez o pai a amaria mais do que a mãe que a abandonou. Talvez se o pai nunca tivesse morrido, nada disso teria acontecido também.

“Eliza, eu não sei o nome disso que eu sinto”, disse Lucca, se agachando, olhando firmemente pra Vogl, “Mas eu vou te proteger, nem que eu tenha que sacrificar minha vida! Pois eu quero te ver feliz!”.

Nessa hora Lucca chorou. E Eliza também. E os dois se abraçaram. Para as pessoas ao redor aquilo parecia um emocionante encontro de pai e filha. O coração no peito de Nataku não parava de bater. Talvez a presença de Eliza havia transformado realmente o Nataku, o deus que não havia alma, de volta pra Lucca, o ser humano com sentimentos.

“Sabe qual é o nome disso, Lucca?”, perguntou Eliza Vogl, mergulhada no abraço de Lucca.

“Não. Como se chama?”, perguntou Lucca.

“Isso é... Amor!”, disse Vogl.

“Fique comigo. Confie em mim. E não importa o que eu disser, faça, sim?”, disse Lucca, olhando para Vogl, “Me promete isso?”.

“Prometo!”, disse Eliza Vogl.

Schwartzman olhava aquela cena sem entender direito. Seu coração não tinha empatia suficiente pra ver a beleza daquela cena. Mas ainda assim deu o tempo pros dois conversarem. Eles não teriam escapatória. A noite tingia de escuro toda Londres, e o tempo deles estava chegando ao fim. Um deles iria morrer.

Lucca e Schwartzman estavam se olhando. Ficaram apenas se encarando por alguns segundos. As pessoas ao redor pensavam que aquilo seria algum tipo de flashmob, ou algo do tipo, uma vez que Schwartzman, com suas roupas, parecia qualquer tipo de lunático.

Lucca pegou Eliza pela mão e foram andando.

“Não quero perder tempo com você aqui. Tenho que parar o Ar”, disse Lucca.

Foi aí que Schwartzman apareceu e, totalmente sem jeito, deu um soco nas costas de Lucca, que sentiu o empurrão.

“Eu vou acabar com você agora!”, disse Schwartzman.

Lucca olhou de lado pra ele. Seus olhos ardiam com um fogo de ódio.

“É só isso que você sabe fazer?”, disse Lucca, que deixou Eliza e avançou pra cima de Schwartzman.

Primeiro desferiu um soco potente, atingindo a bochecha esquerda junto do imenso nariz do judeu. Ele ficou simplesmente atordoado, caindo pra trás. Antes mesmo que pudesse cair, Lucca pegou no seu avental (completamente sujo de sangue batido) e puxou pra si, desferindo uma joelhada no seu estômago.

Schwartzman nem mesmo desferiu um único grito de dor. Pra concluir, Lucca desferiu um potente gancho no queixo dele, que quase o fez voar, literalmente. E quando Schwartzman estava caindo ele ainda colocou a mão na cara do judeu e pressionou sua cabeça contra o chão, agressivamente.

Lucca estava arfando. Fazia tempo que não desferia uma sequência tão rápida. A idade estava chegando pra ele também. Mas o que ele não entendia era que mesmo ensanguentado o rosto de Schwartzman pressionado contra o chão permanecia com uma expressão que não cabia para aquele momento.

Schwartzman estava sorrindo.

“Surpresa!!”, gritou Schwartzman, tirando uma injeção e aplicando no braço de Lucca.

Lucca deu um salto pra trás quando sentiu a agulhada. Mas já era tarde. O líquido já estava circulando no seu corpo. Schwartzman levantou calmamente.

“Você nunca vai me fazer sentir um pingo de dor. Ou você acha que eu só usei você como cobaia? Meu corpo é inteiro anestesiado, eu não sinto absolutamente nada. Desenvolvi CIP no meu corpo, e como eu mesmo sou engenheiro biológico, sei cuidar do meu próprio corpo pra não adquirir nenhuma doença, e isso me fez invencível”, disse Schwartzman.

“CIP? Que porra é essa?”, perguntou Lucca.

“A sigla pra Insensibilidade Congênita à Dor. Você pode me bater a vontade, eu não sinto nada. Mas porque estou falando isso pra você? Daqui a alguns minutos você estará morto!”, disse Schwartzman.

“Merda... O que é isso que você injetou em mim?”, disse Lucca.

“Lucca, Lucca, Lucca. Apenas um pai tem o direito de tirar a vida do seu filho. Afinal, fui eu quem te reviveu, mesmo que eu não seja seu pai biológico. Você foi um filho malvado, que não quis ficar do lado de quem te criou com tanto carinho e te deixou do jeito que você está hoje. Logo você estará morto, Eliza Vogl virá comigo, e sinceramente não dou a mínima pro fato de você estar morto, afinal os estudos pra te tornar o que você é estão comigo, é só pegar outra carcaça e criar novos Nataku. Será que consegue entender o que injetei em você?”, disse Schwartzman.

Lucca olhava para a seringa no chão. Ainda tinha metade dela preenchida por um líquido esbranquiçado, parecendo leite.

“Parece um leite...”, disse Nataku.

“É uma mistura do leite da amnésia, o famoso diprivan, ou propofol que preferir, com uma droga que inventei, o MMPH-1. Ataca o sistema nervoso, como um veneno de cobra, mas é totalmente sintético. Você vai dormir, pra depois nunca mais acordar. Nem vai sentir nada. Dei o nome de uma música que gosto muito do Elton John. Sacrifice, o sacrifício”, disse Schwartzman.

Nessa hora Lucca olhou pra Eliza. Ela deveria ser salva a todo custo!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Um cachorro chamado Beto.


EDIT: Beto partiu desse mundo em paz, hoje, dia 9 de setembro de 2015, ás 20h45. Vá em paz, meu irmão.

O Betão hoje recebeu o diagnóstico da veterinária: ele não vai aguentar por muito tempo. Teremos que sacrifica-lo muito em breve.

Mal deu pra nos recuperarmos no baque que foi a perda do Bidu em fevereiro e temos essa péssima surpresa. Meus pais levaram o Beto pra fazer exames hoje e os resultados não foram bons. Parece que ele tinha uma pedra no rim que não conseguiu passar pra bexiga e causou rompimento do canal da bexiga. Uma veia está infeccionando o corpo dele. Entramos com antibiótico, mas o jeito é sacrificar mesmo.

Num momento como esse que eu vivo, com o coração desolado por causa de uma garota, sem emprego há mais de um ano, deprimido bastante com tudo o que acontece, atarefado de coisas pra fazer, e me acontece mais isso. Um sesshin me indicou que isso é muito valioso, pois eu mais do que nunca estou conhecendo perfeitamente como é o sofrimento humano, e que isso tudo vai me fazer crescer muito.

Mas precisava ter mais isso? Ás vezes eu penso assim.

Essa foto foi uma das primeiras que tirei quando o Beto chegou em casa. Beto vivia na casa das inquilinas da minha avó Judite. O cachorro sempre foi muito amigo, "invadia" a casa da minha avó com seu jeito molecão, mas ao mesmo tempo era muito maltratado. Era magro, cheio de pulgas, e vivia numa escada debaixo de sol e chuva. Beto sofreu muito, tínhamos muita dó quando víamos o cachorro na casa alugada pela minha avó.

Beto mesmo sendo um cachorro que sofreu o pão que o diabo amassou, sempre foi um cachorro muito iluminado. Ele sempre pensava no bem estar dos outros, por mais que ele sofresse também. Sempre estava disposto a brincar, sempre me recebia em casa pulando e deixando a marca da pata nas minhas calças jeans (o que me deixava obviamente, muito puto), mas sempre era carinhoso. Corria pulando de felicidade, era um cachorro que mesmo depois de velho - e banguela - continuava sorrindo.

Nem parecia o cachorro que minha avó pediu pra gente adotar, pois ele tava sendo muito mal cuidado pela inquilina dela. Beto engordou, perdeu as pulgas, ficou com um pelo lindo e brincava livre no quintal, tinha proteção contra a chuva aqui em casa, e parecia que vivia todo dia grato a isso - e não tenho dúvida que mesmo se ele não tivesse isso tudo, ele seria grato da mesma forma, pois Beto me ensinou a ser grato por toda coisa pequena que temos.

Ele chegou em 2007. Todas as pessoas que vinham em casa ficavam abismados em como o cachorro era amistoso - do pedreiro até o medidor de luz. Muitas vezes a gente ficava trabalhando no quintal e ele ficava quietinho, olhando. E se você olhasse pra ele, ele balançava o rabo e vinha ao nosso encontro. Beto sempre foi um vira-lata inacreditável.

E mesmo eu, nesse momento péssimo que estou vivendo, com todo esse sofrimento inesgotável que eu ando passando, nesse momento não consigo parar de chorar imaginando que estamos vendo os seus últimos momentos de sua vida. E muitas vezes olho pra cima e pergunto porque os budas são tão cruéis comigo? Eu, que sempre fui uma pessoa feliz, que levava felicidade para os outros, agora estou vivendo o momento mais triste da minha vida. Da onde querem que eu tire forças pra seguir em frente, se essa tristeza me corrói por dentro como nunca antes nada o tenha feito?

Beto voltou pra casa. Tomou um antibiótico, mas não vai durar muito tempo. Provavelmente amanhã o sacrificaremos. O que mais me deixa admirado vendo o Beto é que mesmo ele sofrendo as dores que ele sente, ele ainda continua sentado lá, virado pra gente, e quando vamos fazer carinho ele continua nos olhando com carinho, e por fora parece que nada está acontecendo com ele por dentro.

Beto é um cachorro forte e gentil. E isso me faz refletir bastante. Que só quem é realmente muito forte é capaz de mostrar bondade pros outros. Mesmo ele sentindo o que ele está sentindo, ele é forte o suficiente pra continuar balançando o rabinho como se tudo estivesse bem.

Acho que tenho muito, muito a aprender com ele. Todos nós.

Ficaram as canções, e você não ficou.

Acordei num susto. E vi que era um sonho.

Era você. Estava do meu lado. E eu com aquela mesma cara de sempre. É verdade que eu sinto muita saudade de você, e queria mesmo retomar a amizade, mas cheguei num ponto onde não daria mais pra se voltar atrás.

Mas nesse sonho era eu e você, sentados um do lado do outro e você viu que era eu e pousou sua cabeça do meu ombro. Claro, você nunca fez isso, e nem é uma pessoa de fazer isso, fiquei assustado. Como seria caso isso acontecesse na vida real.

E aí parece que uma pessoa pediu para nos abraçarmos. Como sinto falta disso também! Eu lembro que eu estava bem hesitante no começo, mas como era solicitado o abraço, e você não ligava, eu fui lá e te abracei.

E apertei tanto, foi um abraço tão bom! Por aqueles segundos eu senti como se tudo estivesse superado, que eu nunca tivesse me declarado pra você, que tudo estaria bem e tudo ficaria bem. Sentir você junta de mim, os corações tão pertinho um do outro, aquele seu cheiro, rosto no rosto... Era uma emoção tão grande que eu chorei.

E acordei em lágrimas. E lembrei que talvez apenas nos sonhos e na imaginação que eu poderia te encontrar. Irônico isso, não? Eu sempre critiquei o fato de você ser sonhadora e agora mais do que nunca eu estou nesse papel.

E quando acordei do sonho, lacrimejando, lembrei que esse era o único lugar que eu poderia te encontrar. Afinal, estou doente. E minha cura é apenas essa, te encontrar nos meus sonhos, e encarar sua ausência na minha realidade.

Me desculpa bastante, mas acho que agora é minha vez de retribuir e te proteger. E pra isso teria que me cortar o que me era de mais precioso. Um corte como se fosse na carne, pois onde estaria a amiga que tanto estimava, a mulher que sempre amei, a donzela que desejei? Um corte triplo em mim mesmo, sem dó, pra te proteger. E pra te fazer feliz. Pra que vivêssemos sem brigas. Pra que não fosse um estorvo na sua vida. Pra que você pudesse ser enfim feliz, mesmo me tirando da lista de amigos do seu blog e tudo mais.

Cortes na minha carne mesmo. Para te proteger dessa minha doença que foi me apaixonar por você.

Enxuguei minhas lágrimas e fiquei olhando pela janela. Manhã chuvosa. Não era apenas eu chorando, pelo visto.

domingo, 6 de setembro de 2015

Quem foi o melhor Coringa?

Que os games hoje rendem tanto quanto Hollywood ninguém nega. Mas muitas pessoas ainda tem um preconceito danado taxando games de "joguinhos", o que é muito triste, pois cada vez mais até mesmo os atores de Hollywood estão também fazendo excelentes trabalhos nos games. E isso é excelente!

Não acho que games vão acabar com o cinema. O cinema tem todo aquele charme do seus frames por segundo serem mais lerdos que as taxas imensas de frames dos games. Mas é bom ver cada vez mais ótimas atuações tanto em um quanto em outro.

Esses dias eu tava jogando pro WiiU o game Batman - Arkham City. Cheguei inclusive a terminá-lo. Joguei a versão com o áudio original em inglês. E fiquei impressionado com as ótimas vozes. Kevin Conroy, o dublador do Batman oficial desde a década de 90 está muito bem, diga-se de passagem.

Tem ainda a gatíssima (e que voz!) Tara Strong como Arlequina, a excelente dubladora Grey DeLisle como Selina Kyle/Mulher-gato, e o mito Nolan North no papel do Cobblepot/Pinguim. Esses três aqui são os meus favoritos.

Mas um que eu não daria nada foi quem no fundo mais se destacou. Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, como o melhor vilão da história: Coringa.


Incrível esse "por detrás das cenas", né? O cara encarnou o personagem mesmo. Muitos atores ótimos fizeram o Coringa, como Cesar Romero, Jack Nicholson, Heath Ledger e recentemente o Jared Leto. Mas temo dizer que o melhor Coringa que eu já vi é justamente o que não estava nos filmes, que é esse do Mark Hamill!

O jogo é muito bom! Eu não dava nada antes de jogar, mas me viciou em cada momento. Gosto muito da profundidade que dá aos personagens, pois no Batman o mais sem graça mesmo é o Batman mesmo, os vilões são todos únicos e perfeitos - do Duas-caras até o Bane. Todos os gadgets do Batman dá pra usar o D-Pad do WiiU, e o roteiro de Arkham te prende do começo ao fim. É simplesmente demais.

Mesmo o jogo sendo excelente, as vozes são mais do que épicas. Vale a pena botar as mãos e experimentar. Mesmo só pra quem assiste a outra pessoa jogando já é em si um jogaço!

sábado, 5 de setembro de 2015

Doppelgänger - #96 - Quando Nataku voltou a ser Lucca.

“Lucca, huh?”, disse Schwartzman, carregado de ironia.

Nataku em um só golpe puxou o braço de Schwartzman pra si com o controle remoto, e o derrubou, aplicando uma chave de braço. Os turistas na frente do Monumento olhavam para aquilo sem entender o que estava acontecendo.

“Chega disso aqui”, disse Nataku, pegando o controle da mão, apertando o botão e jogando-o no chão, e com um golpe com sua própria mão quebrando-o, deixando inutilizável.

A dor de cabeça estava enfim passando.

“Escuta, Nataku... Vamos conversar, vai. Você tem que ouvir. Afinal, você... É a minha CRIAÇÃO!”, disse Schwartzman.

Nataku ficou abismado. Aquilo o abalou tanto que mesmo que tentasse segurar Schwartzman as palavras “minha criação” ecoavam na mente dele. Como uma expressão simples como aquela o havia feito passar tão mal? Soltou Schwartzman, que ficou de pé, enquanto ele parecia suar frio, sentindo algo no estômago.

Aquele mesmo enjôo estranho que sentiu quando se encontrou com Ar, dias atrás.

“O que quer dizer com isso?”, disse Nataku, querendo saber mais sobre ele ser a ‘criação’ de Schwartzman.

“Eu sou um engenheiro biológico, e ex-chefe da seção médica do Sector 9. Você é o meu trabalho mais bem feito, foi a minha cobaia que deu certo. O homem que estava praticamente morto que voltou das portas do inferno. Você nunca se perguntou porque desse seu codinome, né? Nezha, Nataku...”, disse Schwartzman.

Nataku se ergueu. Eliza Vogl estava atrás de Nataku, se protegendo de Schwartzman. Nataku não respondeu nada.

“Depois do expurgo de Arch, você por ser o braço direito dele tinha sua cabeça valendo o peso de ouro. Porém, o governo havia investido muito dinheiro em você. Você não era tão abaixo do Arch, vocês eram uma dupla e tanto, e mesmo sozinho era um ótimo agente da Inteligência. Não poderíamos dar ao luxo de te perder. E eles sabiam que eu estava com um curioso estudo sobre implante de memórias e persona nas pessoas. E como você deveria ser morto do mesmo jeito, a maneira que encontraram era usar você como cobaia. Se você morresse, seria jogado do lixo do mesmo jeito, a ideia era aproveitar a carcaça que havia sobrado de você”, disse Schwartzman.

“Cobaia? Você tá me dizendo que tudo isso em mim foi culpa sua?”, disse Nataku.

“Achei que seria mais prático te implantar uma doença que não atacasse muito o cérebro, logo te contaminei com uma pneumonia agressiva, e você morreu, sem maiores dificuldades. Ou melhor... Estava praticamente morto, sinais vitais bem fracos. Nesse momento o Al ainda não sabia disso. Afinal, você deve até se lembrar de ter se encontrado com ele ainda em 1995”, disse Schwartzman.

“Tá... E o que fizeram comigo?”, disse Nataku.

“Fizemos uma obra de arte!”, disse Schwartzman, erguendo os braços, “Criamos células-tronco, te mantemos drogado em um coma por anos a fio enquanto moldávamos seu corpo ao nosso gosto. Foi quando seu corpo já estava praticamente pronto que o Al descobriu tudo. Sabe, ele queria que você morresse, disse que você deveria descansar, e que isso era imoral te deixar semi-morto, imerso em drogas... Mas dane-se a ética! Se nazistas furavam judeus vivos, porque eu não poderia brincar com meu próprio humano e trazê-lo de volta à vida?”, disse Schwartzman.

“Você... Você é um monstro...”, disse Nataku. Seus olhos estavam marejados de lágrimas de fúria.

“A melhor obra foi no seu cérebro. Reconstruímos muitos tecidos, neurônios, mas por conta da baixa atividade cerebral no seu estado praticamente morto perdemos muitas células. Se você voltasse a vida, voltaria como um retardado comum, e seria inútil. Todo aquele trabalho reconstruindo seus órgãos com células tronco suas e incontáveis embriões com seu DNA que matamos teria sido jogado ao lixo. Como o cérebro funciona com impulsos elétricos, consegui alterar aspectos da sua memória, e até adicionando memórias que não eram suas nele! Depois era só dar um choque e apagar tudo de novo. Ficamos inserindo e apagando coisas ao nosso bel prazer na sua massa encefálica”, disse Schwartzman.

“E foi aí que você inseriu essas coisas na minha mente? Isso é doentio... Isso parece impossível!”, disse Nataku.

“Implantes cirúrgicos no seu cérebro. Ao apertar o botão do controle remoto...”, disse Schwartzman, olhando pros frangalhos do que era um controle remoto no chão, “...Ou pelo menos quando eu tinha esse controle remoto, uma descarga elétrica era disparada no seu cérebro. Foi assim que nós brincávamos com as suas memórias. Fizemos o implante das placas pra facilitar o trabalho”, disse Schwartzman.

“Ora, seu... Mas porque colocou meu codinome como Nezha e Nataku? O que significa?”, perguntou Nataku.

“Com os danos permanentes no seu cérebro, todas as vezes que nós despertávamos você, percebíamos que você ainda mantinha todas as habilidades. Mas não tinha sentimentos. Não tinha passado. Não tinha sequer uma alma. Nezha e Nataku são os nomes em chinês pro deus da mitologia chinesa que não possui alma. Esse era o nome perfeito pra você. Afinal, você não tem uma alma, Lucca”, disse Schwartzman.

“Ele tem uma alma sim!”, gritou Vogl, atrás da perna de Nataku, “O Natak... Quer dizer, o Lucca é uma pessoa sensível e sincera. Eu confio totalmente nele, e nunca uma pessoa que ‘não tivesse uma alma’ seria assim!”, disse Eliza Vogl, quebrando o seu silêncio.

“Você é minha criação, Nataku”, disse Schwartzman. De novo o enjôo e os calafrios voltaram a atormentar Nataku, “O cérebro humano é algo mesmo fascinante. Você associou no seu inconsciente comandos. Todas as vezes que você sofria, todas as vezes que tinha que dar um novo choque pra apagar sua mente, eu olhava pra você com orgulho naquele câmara hiperbárica e dizia...”.

“...Você é a minha criação...”, completou Nataku, “Agora entendo os pesadelos que eu tinha de estar me afogando e ouvir isso...”.

“Exato! Talvez os pesadelos sejam traumas psiquiátricos que ficaram... Efeitos colaterais em prol de um bem melhor. Eu criei o agente perfeito. Imortal. Com corpo aprimorado, e ao mesmo tempo completamente submisso. O Al pediu pra te matar, mas olha só o que você se tornou. Você é um ser perfeito. Tão perfeito que eu jamais aceitaria uma prole sua. Você é completamente estéril também, pode fazer sexo, mas jamais vai fecundar alguém. A perfeição que você é jamais pode se misturar com as imperfeitas biscates que se tem por aí”, disse Schwartzman.

Nataku permaneceu calado, olhando pra baixo. Sua cabeça estava a mil. Ainda mais quando soube que sua vida estava nas mãos do Al. Mas Lucca já estava morto. Lucca estava doente, havia tido inclusive morte cerebral, mas foi revivido. E virou então uma espécie de Frankenstein, usado nas manipulações biológicas de Schwartzman. No fundo voltar a viver foi talvez algo contra o desejo da natureza. Não era pra ele estar vivo.

Mas já que ele estava vivo, já que ele teve uma segunda chance, ele sentia que deveria sim aproveitar. Fazer a diferença. E voltar a ser quem ele era. Quem ele nunca deixou de ser.

“Não quero que me chame mais disso”, disse Nataku.

“Te chamar? Chamar do quê? Nataku?”, disse Schwartzman.

“É. Meu nome é Lucca. Giancarlo Lucca”, finalizou Lucca.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Como os roteiristas salvaram o Exterminador.

Esses dias eu vi passando na tevê dois filmes que eu gosto muito. Eu gosto muito da série O Exterminador do Futuro. Tem gosto de infância! O que me dava medo mesmo era o Robocop 2, com o Cain virando robô. Até hoje eu tenho medo, pra dizer a verdade...

Mas, enfim, eu assisti todos da série, e lembro que dia desses acordei e acessei o Youtube, que me indicou ver o trailer do Exterminador do Futuro - Genisys.

Embora eu tenha detestado os atores, que não tem nada a ver com a Linda Hamilton (Sarah Connor) e menos ainda o Kyle Reese (Michael Biehn) originais, parece que a nova dupla pelo menos atua bem. Especialmente a nova Sarah Connor, na pele da novinha Emilia Clarke (além de ser uma gatinha! Que belo bumbum no poster!).

Mas a coisa que obviamente eu mais gostei foi o que a série tá virando. Eu gosto muito de séries assim que ficam criando paradoxos temporais. Afinal, desde o primeiro filme o dia do julgamento final (que seria o dia em que as máquinas destruiriam a raça humana) está cada vez mais sendo postergado. Aquele futuro que o Kyle Reese contou pra Sarah no primeiro filme ficou lá na frente quando assistimos ao Exterminador do Futuro - A salvação, o quarto filme da série.

Porém, nesse último filme, o Genisys, chegou enfim a hora de mandar o Exterminador pro passado pra matar Sarah Connor e também mandar o Kyle Reese pra salvar (e engravidar?) a Sarah. E é óbvio que todo mundo já sabe o que aconteceria. Não faria sentido fazer um remake do primeiro Exterminador do Futuro (1984).

Nessas horas que eu vejo como é bom ser roteirista e brincar com a história. Saca só:


A cena do Exterminador (o malvado) chegando pra pegar as roupas dos punks é exatamente igual ao do Exterminador do Futuro original de 1984! Só que com a diferença do paradoxo temporal, com a chegada do Guardian, interpretado pelo próprio Schwarzeneger, trinta anos depois, um Exterminador bonzinho que protege a Sarah no passado. Adorei a referência!

Só essa cena me deu vontade de ver esse filme, hehe. Achei muito bem bolada. E você achando que era o máximo rejuvenecer o Jeff Bridges em Tron: O Legado.

Não vi o filme, mas achei vilões demais. Parece que o John Connor virou vilão, além do T-800 (o Schwarzenegger jovem) que voltou pro passado pra matar Sarah Connor, além do coreano que a mulherada adora, o Lee Byung-hun como T-1000, outro exterminador de mercúrio, igual esses que vive aparecendo desde o Exterminador do Futuro 2 e 3.

E no meio disso tudo, ainda tem o Kyle Reese.


Tá, eu detestei esse Jai Courtney como Kyle Reese. Nada a ver. Tem vários atores parecidos com o Michael Biehn por aí. Custava?

Nem pra colocar um penteado mais anos oitenta no cara pra dar uma disfarçada. Mas quem viu o Exterminador do Futuro original tem uma certeza: essa cena dele chegando ficou idêntica. Até roubando as calças do mendigão louco. Exceto, é claro, ele bater de frente justo com o T-1000.

Enfim, eu adoro a série O Exterminador do Futuro. Vi todos os filmes, mas como eu evito seriados por motivos óbvios (eu sempre me vicio muito fácil) não vi ainda Terminator - Sarah Connor Chronicles. Mas sou louco pra ver. :)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Doppelgänger - #95 - O homem que sabia quem era.

“Não!!”, dizia Vogl, sendo levada por Schwartzman.

O mundo parecia em câmera lenta. Nataku permanecia deitado no chão, vendo a menina dos seus olhos sendo levada para longe. Seus olhos não estavam focados em nada, a dor na cabeça havia tirado todas suas energias, esgotando-o completamente.

“Me solta, me solta!”, dizia Vogl, com as imagens e a voz ecoando na mente de Nataku.

Quem sou eu? Nem mesmo eu sei direito...

Parece que todas minhas memórias estão cada vez mais confusas... Eu não consigo me lembrar de muita coisa. Nem mesmo meu verdadeiro nome.

O que somos? Será que um mero nome é capaz de nos definir? Dizem que eu sou esse tal de Lucca, mas isso pra mim é apenas um nome. E uma pessoa não é um nome, não é uma imagem. Se eu sou o Lucca, eu tenho que ter memória, personalidade, sentimentos. Não é apenas aceitar esse nome e atender quando me chamarem. Um ser humano é bem mais que isso.

O que faz uma pessoa ser uma pessoa?, pensou Nataku.

Nataku se esforçou e ficou de joelhos. Eliza continuava sendo puxada, e chamando por Nataku, cada vez mais desesperadamente. E nesse momento Nataku viu que os olhos da menina estavam lacrimejando. Tristeza. Desespero. Ela seria levada para algum lugar e morta a sangue frio.

E aquilo entrou de tal maneira no coração de Nataku que ele sentiu algo lindo que ele não sabia como descrever. Era uma sensação de uma felicidade imensa, como se tudo de súbito fizesse sentido. Depois sentiu também uma gratidão sem fim, gratidão por estar vivo, gratidão por ter um coração e poder sentir aquilo. Gratidão por respirar. Gratidão por viver. Por fim, sentiu também uma vontade de proteger Vogl. Mesmo que arriscasse sua vida para isso.

Ela mal me conhece... E está chorando por mim. Por quê, Eliza Vogl? Nós nos conhecemos há apenas algumas horas. E porque meu coração está tão apertado vendo você partir? Não... Eu não quero isso. Eu não quero te perder! Eu não sei direito o nome disso que eu sinto, mas não vai ser agora que vou deixar você partir, pensou Nataku.

E ele foi se erguendo. E nesse momento, depois de todos os flashes de memória que ele teve, enfim começou a compreender o que era ser alguém. Afinal, ele era ninguém, uma pessoa com um passado confuso que achava que estava lá, mas nunca estava. Uma pessoa que apenas cumpria cegamente as ordens do governo, ou da Inteligência. Uma máquina de espionagem. Não havia mais as amarras que o prendiam. Não havia mais o medo. Não havia mais a incerteza.

Não importava se as pessoas diziam que ele era quem ele achava que não era. Naquele momento ele sabia exatamente o que ele sentia, ele sabia quem ele era. Que não era o que as outras pessoas diziam, ou o que elas lembravam que definiam quem Nataku era. Que mesmo que todas as memórias estivessem todas perdidas, o que o fazia ser quem ele era não era o que as outras pessoas diziam o que ele era. O que fazia ele ser quem ele era era o que ele nunca perdeu: sua essência.

Isso nenhuma lavagem cerebral conseguiria fazê-lo perder.

“Espera aí, Schwartzman”, disse Nataku, se erguendo, indo em direção deles.

Nesse momento o judeu ficou sem reação. Não era pra ele se erguer tão cedo. Não depois daquilo tudo! Algo estava errado. Tomando um controle remoto do seu bolso ele apertou o botão. E novamente Nataku foi dominado uma dor de cabeça imensa.

Porém ao invés dele gemer de dor e cair no chão, algo diferente aconteceu.

Nataku então parou, em pé. Estava a poucos centímetros dos dois, que permaneciam estáticos. Levou a mão na cabeça, mas não gritou. Permaneceu firme, erguido. Segundos depois olhou firmemente para Schwartzman. Foi nessa hora que o judeu viu que havia algo de errado. E aquela foi uma das raras vezes que Schwartzman sentiu um pouco de medo, vendo aquilo fora do seu controle. Algo estava muito errado.

“Quem diabos é você?!”, disse Schwartzman, não entendendo como Nataku se aguentava em pé ainda.

Nataku avançou dois passos. Seu rosto estava distorcido de tanta dor, uma mão na cabeça e embora ele mal pudesse ficar de pé, de algum lugar ele tirava forças.

Nataku colocou a mão no braço de Eliza Vogl firmemente e a puxou de volta pra si.

“Eu sou EU. E como nunca antes na vida eu tenho enfim certeza de quem eu sou”, disse Nataku, segurando Eliza Vogl do seu lado, “Mas se você quiser um nome pra me chamar, meu nome é Giancarlo Lucca”.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

The Legend of Zelda - Skyward Sword (2011)



Terminei dias atrás do The Legend of Zelda - Skyward Sword para o Wii.

Sensacional! Pessoal reclamava muito que a série Zelda não tinha uma cronologia, e cada jogo era isolado um do outro em épocas e reencarnações diferentes (exceto os que são sequências óbvias, como Ocarina of Time/Majora's Mask), e Skyward Sword foi criado pra mostrar o começo do mundo. Antes mesmo de Hyurle, o país fictício de toda a série sequer existir. Nem mesmo a Zelda é princesa ainda!


Aliás, falando em Zelda (acima), eu nunca a vi tão participativa num jogo como nesse. Ela realmente rouba a cena. Nos jogos mais antigos a Zelda era tipo a Princesa Peach do Mario, você nem tinha noção de quem era, até derrotar o Bowser e descobrir que aqueles belos sprites cor de rosa eram a tal princesa.

A série Zelda não era muito diferente não, mas de Ocarina of Time pra cá a Zelda está muito mais participativa, o que é excelente. Sonho ainda é um jogo onde ela seja contolável, como em Hyurle Warriors.

Em Skyward Sword a Zelda é uma mera moça latino-americana sem dinheiro no banco, sem amigos importantes. Uma estudante de Skyloft, e apaixonadinha por um loirinho baixinho e narigudo, o Link, o protagonista e o carinha que você controla. E claro que esse amor é correspondido! Mas a menina parece despertar uma força que pode salvar o mundo, e decide ir sozinha arrumar as coisas na superfície do mundo. E o Link, é claro, vai atrás da menina!


Essa cena acima é uma que das muitas que eu chooooorei largado! É tão bonitinho! A Zelda nem esperava que seu amado iria fazer essa loucura de seguir ela no temível mundo da superfície (eles moravam numa ilha no meio das nuvens!), e mesmo que esse escudo de madeira seja super brochante, Link tem coragem mesmo, porque força e dinheiro coitado, ele nunca tem, haha.

Mas é lindo esse amor puro dos dois! Mas melhor falar do resto do jogo, senão vou ficar só falando da Zelda, hehe.

O vilão do jogo é esse tiozinho de franja branca no vídeo acima, o Ghirahim. O quê? Cadê o Ganondorf, vilão clássico? Calma que vamos chegar lá. Mas o Ghirahim é muito legal, mesmo que ele seja meio psycho ("meio?"). Em seu currículo ele deve escrever que sua ocupação é ser o "Lorde dos demônios" que no jogo inteiro está atrás da Zelda para usar a força dela pra despertar o seu mestre. O temido Demise:


Ele é a origem de todo o mal. E ele mesmo diz que ele vai renascer inúmeras vezes, mas em todas as vezes que ele renascer nesse mundo, Zelda e Link estarão lá pra acabar com a raça dele. Em todas as eras! Basicamente ele é um embrião do que virá a ser Ganon/Ganondorf/Agahnim.

Link continua aquele atleta de sempre! Corre, pula e sapateia. Ao mesmo tempo.

O controle do jogo é o WiiMote mais o Nunchuck, e com os movimentos do WiiMote é como se fosse uma espada mesmo. E é obrigatório o uso do Wii Motion Plus, mas eu fortemente recomendo que você use o que já vem embutido do controle (as versões mais atuais) do que plugar no soquete do controle, porque sempre descalibra, e sempre nas priores horas.

O visual do Link ficou bem parecido com o do Twilight Princess! Mas menos dark:



O jogo em si é muito bom! Zelda é Zelda, a Nintendo sempre trata com super carinho. É muito bom sair pelo mundo colecionando upgrades, garrafas e indo em dungeons. Mas entenda que as dungeons nesse jogo são pelo menos uma três vezes maiores que nos outros jogos! São tão grandes que você tem savepoints no meio das dungeons, só pra ter uma noção! Se for jogar, reserve um tempo. Não é uma dungeon como antigamente que você termina em uma hora no máximo. Essas aqui realmente levam tempo.

Temos itens clássicos de volta, como arco-e-flecha, escudo (o Hylian Shield é o mais difícil de pegar, pasmem!), mas outros itens legais que aproveitam as características do WiiMote, como o Chicote e até uma rede pra pegar insetos. E temos Clawshot também, a versão evoluída do clássico Hookshot, presente desde que o Link veste verde.

Em suma é um jogo ótimo! Eu demorei muito pra jogar, mas quando resolvi sentar e continuar não me arrependi. Jogo com carisma, personagens memoráveis, uma história demais e a Fi, o espírito que reside na Master Sword e guia você como o Navi no Ocarina of Time. E o final, como sempre, é de chorar.

Mas minha cena favorita não é o final. É essa:


"Stand now, Link.
Draw your sword".

Como faz pra não amar? :)

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