quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Doppelgänger - #100 - Tudo.

Eliza Vogl não tinha escolha. Começou então a subir as escadas.

“Sua pirralha, vem cá agora!”, gritou Schwartzman.

Nessa hora uma dupla de oficiais da MPS – Metropolitan Police Service – de Londres apareceram, vendo a comoção que o segurança com a barriga cortada havia causado nas pessoas. Chegando ao local ele ficou abismado com a quantidade de sangue e tamanha carnificina que a cena tinha. O bilheteiro estava vivo, porém extremamente ferido.

“Ei, você aí do jaleco! Parado, senão eu atiro!”, disse ele, sacando sua taser.

A polícia londrina não carrega armas. Exceto as tropas de segurança (estilo SWAT americana). Porém, são os policiais os mais eficientes da Europa. Muito bem treinados, fizeram de Londres uma das cidades mais seguras da Europa. Um taser é capaz de causar muita dor, e é uma arma que as pessoas temem tanto quanto uma autêntica arma de fogo.

Schwartzman ao ouvir parou de subir as escadas. Olhou pra trás, e viu os policiais. Virou-se e desceu calmamente as escadas, com a mão nos bolsos.

“Isso. Agora mãos pra cima! Encosta na parede”, gritou o policial, ainda sem acreditar na cena do homem ensanguentado na sua frente.

“Se vocês me conhecessem, quem teria medo seriam vocês”, disse Schwartzman, carregado no cinismo.

“Coloque a mão pra cima ou vou atirar!! É uma ordem!!”, gritava o oficial. Mas Schwartzman continuava com a mão no bolso.

E então o oficial atirou a taser no peitoral de Schwartzman, apertando o botão pra lançar a carga.

Porém Schwartzman não sentiu nada.

“Eu disse que vocês teriam medo. Quem diria que até nisso a Insensibilidade Congênita à Dor iria me ajudar. Não senti absolutamente nada”, disse Schwartzman, tirando calmamente o eletrodo no corpo, “Agora é minha vez de brincar com vocês”.

E Schwartzman tirou uma espécie de bomba ninja do bolso e lançou. Fez pouca fumaça, mas havia sido inalado pelos oficiais. Eles ficaram extremamente confusos e dopados, entraram num estado grande de paranoia e começaram a correr assustados na frente do Monumento. Estavam aterrorizados, mas todas as imagens eram meramente mentais, sendo criadas pela droga que haviam tragado.

O judeu, como sempre, tinha anticorpos de basicamente tudo correndo nas suas veias. Mais uma droga que ele havia criado e era imune a ela também. Era hora de subir a escada helicoidal de dentro do Monumento e enfim pegar Eliza Vogl. Nada poderia impedi-lo. Nem a polícia, e menos ainda Lucca, que nessa hora já estava morto.

- - - - -

PUM!

Uma batida. Uma pancada.

PUM!!

Parecia um soco no peito. Que coisa horrível.

PUM!!!

“Saiam da frente!! Acho que está fazendo efeito!”, uma voz feminina.

PUM!!!!!

Seus olhos abriram. Confusos, embaçados. Na sua frente via o céu de Londres, escuro, mas a tênue luz da cidade jogava em seu rosto aquela cor alaranjada, que brilhava junto do seu cabelo dourado, loiro como o ouro, e seus olhos claros.

“Minha nossa, você está bem?!”, disse a voz feminina. Se os anjos eram loiros, provavelmente aquilo era um anjo e ele já havia morrido. Sentiu o abraço, como se algo tivesse acontecido, e quando depois de apertar contra si o anjo voltou a ficar na sua frente enfim reconheceu seu rosto.

Era Agatha van der Rohe.

“Nataku! Que bom, minha nossa! Você ficou segurando com toda a força essa seringa e esse antídoto, se não fosse injetar em você e fazer isso circular no seu corpo com esse desfibrilador você jamais teria voltado!”, disse Agatha.

Lucca nem sabia o que falar. Não acreditava que ela viria depois de falar com ela. Agatha era a amiga que nem ele sabia direito da onde vinha essa amizade. Mas sabia que poderia confiar, era algo que nem ele sabia explicar. E ela, como um anjo, apareceu justo naquela hora. Mas não tinha muito tempo. Parece que o antídoto havia curado ele completamente, e seu coração palpitava como se enfim estivesse vivo. Como se enfim estivesse pronto para viver.

“Agora fica deitado que vamos chamar uma ambulância”, disse Agatha, “Eu vou lá pegar o Schwartzman”.

Nessa hora Lucca segurou Agatha. Ela virou e os dois se olharam profundamente.

“Agatha, por favor, não”, disse Lucca, se erguendo, “Deixa que eu vou. Essa menina significa muito pra mim. Eu irei salvá-la”.

Lucca não parecia que estava praticamente morto há momentos atrás. Estava em pé, e caminhando, inclusive. Dentro dele um fogo de determinação havia brotado, e ele estava disposto a tudo pra salvar a menina. Afinal, já tinha morrido mesmo... E várias vezes voltou, pelo jeito. Em sua cabeça ele sabia que depois de tantas segundas chances ele não tinha nada a perder.

E foi então, a passos rápidos, indo em direção ao Monumento.

“Espera, Nataku!”, gritou Agatha, indo em sua direção, “Me responde uma coisa antes?”.

“Claro, pode perguntar”, disse Lucca.

“O que essa menina é pra você?”, perguntou Agatha.

“Tudo”, disse Lucca, em apenas uma palavra.

Agatha, ao ver a determinação nos olhos de Lucca tirou do coldre dentro do seu blazer uma Five-Seven, uma pistola semiautomática belga, potente, com o pente cheio com vinte balas, dando para Lucca.

Lucca guardou na parte de trás da cintura e correu em direção do monumento. Não havia tempo a perder! Quando chegou na porta virou em direção da Agatha e gritou pra ela:

“Ah, Agatha! Me chame de Lucca!”, disse Lucca, corrigindo gentilmente Agatha, que sorriu em resposta.

Você nunca deixou de ser o Lucca, Nataku, pensou Agatha.

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog