quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Doppelgänger - #106 - O estupro.

Agatha estava chegando na sede da Yard, em Westminster. Sua imponente fachada de vidro parecia mais escuro ainda por ser noite. Na porta o logo "New Scotland Yard" mostrava que aquele não era local de brincadeira. Estava no covil da serpente. E dessa vez talvez teria que ter mais sorte ainda pra ser novamente salva pelo Al e escapar dali viva.

Agatha foi levada, algemada, pro sexto andar. Dois fotógrafos da imprensa estavam lá esperando, e provavelmente teriam uma manchete bombástica pela frente: Traficante de armas holandesa foi capturada em Londres. Ou algo parecido com isso.

A sala que deixaram a holandesa tinha espelhos imensos na parede. Claro que estavam sendo observados do outro lado. Haviam escutas por toda a sala.

Bom, acho que agora tanto eu quanto o Lucca estamos fora do jogo. Bem... Foi divertido. Foi bom sair da prisão e tomar um ar aqui fora. E acho que ajudei bem. Espero que o Al consiga acabar com essa coisa toda, pensou Agatha.

Nessa hora o capitão Dawson entrou na sala com mais três policiais.

"Ora, ora. Algemada. Isso é meio que um fetiche meu, sabia?", disse Dawson.

Agatha olhou pra baixo e soltou um riso irônico.

"Fetiche todo mundo tem. Quero ver encarar uma mulher de verdade, ao invés de ficar batendo punheta imaginando estar fodendo alguém", disse Agatha.

"Sua idiota!", disse Dawson, dando um potente soco em Agatha, jogando-a no chão, "Você vai morrer aqui mesmo!".

Agatha, algemada, virou e encarou Dawson, no chão.

"É fácil derrubar alguém sentado numa cadeira vagabunda dessas e algemada. Mas como eu sempre disse, só tenho a aparência externa de uma mulher. E, sendo bem sincera...", disse Agatha, se erguendo, "Esse seu soco não doeu nada. Você é um homem por fora e uma menininha por dentro. Bate fraco pra caramba".

"Venha cá, sua vagabunda!", gritou Dawson correndo em direção de Agatha.

Dawson foi pra cima de Agatha querendo dar outro soco. Agatha desviou apenas dando um passo pro lado. Deu então uma potente rasteira em Dawson que caiu no chão, e com ele no chão ela deu uma forte joelhada no estômago do velho.

"Não fique me menosprezando porque por fora eu sou mulher. Eu não sou fraca. Você deve saber muito bem que eu derrubo caras bem maiores e fortes que você. Cinco ao mesmo tempo. E eu nem precisei tirar essas algemas. Humilhante, não?", disse Agatha.

"Ah é? Vamos ver então. Venham aqui vocês dois, agora!", gritou Dawson, chamando os dois guardas, "Tirem as algemas dela, e dêem uma lição nela! Quero que batam nela até morrer!".

Os guardas vieram e tiraram as algemas de Agatha. Enfim ela estava com os braços livres.

"Uau. Posso dizer que isso foi um cavalheirismo da sua parte me deixar com meus braços livres?", disse Agatha.

"Não. Isso foi pra que pudéssemos acelerar o processo de te levar de volta pra prisão. Vamos alegar legítima defesa, e você, mesmo que sobreviva, vai voltar pra onde veio!", disse Dawson, ordenando com a cabeça para que começassem a espancar Agatha.

O primeiro guarda deu um golpe potente nas costas de Agatha, que caiu no chão. E ela ficou lá, aparentemente desfalecida, inerte. O segundo guarda chegou e começou e dar violentos pisões nela, que ainda assim Agatha ficara firme, sem dar um grito de dor. O primeiro guarda chegou e começou a alternar entre as pisadas do outro com potentes chutes no estômago de Agatha.

Ainda assim Agatha não soltou um único gemido.

"Minha nossa", disse um dos guardas que pisava nela, "Ela tem o corpo duro como uma pedra!".

"Sim. Esse abdômen, nossa, parece o de um homem!", disse o outro.

Agatha então deu um chute violento na perna do que estava chutando seu estômago. O chute foi potente o suficiente pra quebrar a tíbia da perna dele, que caiu com a perna dividida em três, no chão, gritando de dor.

O outro guarda se afastou e, com a cara aterrorizada, ficou mudo.

"E aí, acabou, seu otário?", disse Agatha se erguendo, "Vocês chutam igual umas mulherzinhas!".

E Agatha pegou a cabeça dele e deu uma joelhada potente no nariz dele. O cara simplesmente caiu no chão, desmaiado.

Dawson, que ainda estava se recompondo, não conseguia acreditar no que estava vendo. Agatha van der Rohe derrubou dois caras, e ela mal parecia estar machucada. Estava bem e andando normalmente, cheia de fôlego e vitalidade.

"Agora é o gran finale", disse Agatha, pegando o cacetete de um dos guardas.

"Ora sua, você sabe que você vai ser presa!! Você vai mofar na cadeia! Melhor não me bater com isso, Agatha!", gritou Dawson, desesperado.

Agatha deixou o cacetete numa mão e deu um soco na cara de Dawson com a outra mão. O inglês caiu no chão, de bruços, mas ainda plenamente consciente. Agatha pegou seu braço e o imobilizou no chão. Ela se aproximou do ouvido dele e disse baixinho, pausadamente:

"Escuta aqui, eu não tenho medo nenhum de ser presa. Eu sou uma criminosa de mais alta periculosidade, uma traficante de armas internacional. De qualquer maneira eu vou mofar na cadeia mesmo, mas seria melhor ainda mofar na cadeia depois de dar uma surra em você", disse Agatha.

"Pelo amor de deus, não me mate!", gritava Dawson, imobilizado.

"Uma pena que ninguém pelo visto deve estar vendo isso atrás desses espelhos. Afinal, se estivessem vendo já teriam mandado mais uns caras... Mas as câmeras tão aí, esse material sem dúvida vai ser motivo de chacota pelo resto da sua vida...", disse Agatha, baixando as calças de Dawson, "...Bom, Dawson, meu querido, não peguei esse cacetete pra te bater".

E Agatha pegou e enfiou o cacetete brutalmente no ânus de Dawson.

Ele gritava de dor. Sangue estava escorrendo no cacetete, e o cheiro de bosta estava impregnando o local. Ainda assim Agatha parecia tentar enfiar ainda mais, usando toda sua força, mesmo com ele gritando de dor. Uma dor insuportável.

"Ora, você disse que ia me estuprar, né? HAHAHA! Pode me prender sob a alegação de estupro, se quiser. Quero ver como seus companheiros de trabalho vão te encarar depois que souberem que você é quem foi estuprado no prédio da Scotland Yard!", disse Agatha.

Nessa hora a porta da sala de interrogatório se abriu. Era Natalya Briegel.

"Minha nossa...!", disse Natalya, abismada em ver que havia um homem gemendo no chão com a perna quebrada, um outro inconsciente com a cara em frangalhos e Dawson com um cacetete no meio do cu, "Agatha, por favor, venha comigo. Preciso tirar você daqui agora!".

"Puxa, justo agora que eu ia começar a me divertir?", brincou Agatha.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Quando eu revi Rambo.

Esses dias tava passando Rambo: Programado para matar (First Blood), um filme de 1982, que mostra a gênese do famoso herói do cinema estrelado por Silvester Stallone: o próprio John Rambo.


Cara, eu desde moleque eu sempre fui louco pelo Rambo! Eu tenho até hoje uma foto minha com a faixa, a calça de exército e uma camiseta com uma estampa do Rambo (acima)! Tudo bem que quando eu nasci o Rambo já estava no seu terceiro filme (Rambo III é de 1988), mas uma coisa é ver quando a gente é moleque, outra coisa é ver hoje quando estamos maiorzinhos.

Tirando o fato do Stallone ser um jovem adulto de 36 anos (isso já mostra o quanto o filme é antigo!), e o filme ter muitas cenas de ação, o primeiro filme não tem tanta explosões como os filmes seguintes da série. Na verdade o filme tinha uma crítica social muito forte, e muito interessante, mas muita gente só lembra do Rambo como o cara fortão que explode tudo (eu me incluo nesse grupo).

Durante essa vez que revi o filme fiquei reparando nos detalhes. Como logo no começo, quando o Rambo acaba sendo pego pela polícia local pois basicamente não foi com a cara dele. Na prisão, embora tentem dar um tratamento de spa pra ele, dando-lhe um banho, fazendo a barba e cortando as unhas, ele tem flashbacks tensos dos momentos que ele viveu no Vietnã:


Mas é interessante na cena acima a questão do estresse pós-traumático que muitas pessoas que participaram de guerras têm. E em especial a do Vietnã, uma guerra em que não apenas os Estados Unidos perderam, mas também que causou muita comoção no mundo inteiro. Muitos filmes mostram essa comoção toda, como Forrest Gump ou Apocalypse Now, entre outros.

A partir daí Rambo foge para a floresta. E quando Rambo está na floresta, todos estamos perdidos.



I could have killed 'em all, I could've killed you. In town you're the law, out here it's me. Don't push it! Don't push it or I'll give you a war you won't believe. Let it go. Let it go!

E depois de muita caça na floresta, tem uma cena muito interessante que é quando o Coronel Trautman entra em cena. A única pessoa que o Rambo chama de "amigo", e ao mesmo tempo a única pessoa que pode de fato parar John Rambo de destruir meio mundo.

O diálogo abaixo tem umas falas interessantes. A primeira fala é a de Rambo dizendo que "não existem civis amigos". Outra ponto que o filme mostra é o preconceito que os americanos sentiram quando voltaram do confronto no Vietnã. Ninguém lhes queria oferecer emprego, pessoas os chamavam de "assassinos de bebês", coisas do gênero que os hippies faziam. Porém, a crítica pública deveria ser contra os governantes, contra os generais, não contra os soldados. Eles apenas recebiam ordens, e quando se está numa guerra, e você é convocado pra participar, não existe a opção de se dizer "não". Apenas obedecer.


Rambo consegue massacrar o pessoal e enfim chegar na cidade, pro seu confronto final com o xerife Will Teasle. E nem preciso dizer que se o cara na floresta e desarmado já era forte, quando ele enfim consegue uma arma ele se torna indestrutível. Quando ele enfim pega o cara, e está prestes a terminar tudo, o coronel aparece e para tudo.

Parece que no livro é diferente. Os dois, Rambo e o xerife se matam. Mas o discurso do Rambo é excelente:



Rambo: Nothing is over! Nothing! You just don't turn it off! It wasn't my war! You asked me, I didn't ask you! And I did what I had to do to win! But somebody wouldn't let us win! And I come back to the world and I see all those maggots at the airport, protesting me, spitting. Calling me baby killer and all kinds of vile crap! Who are they to protest me, huh? Who are they? Unless they've been me and been there and know what the hell they're yelling about!

Trautman: It was a bad time for everyone, Rambo. It's all in the past now.

Rambo: For *you*! For me civilian life is nothing! In the field we had a code of honor, you watch my back, I watch yours. Back here there's nothing!

Trautman: You're the last of an elite group, don't end it like this.

Rambo: Back there I could fly a gunship, I could drive a tank, I was in charge of million dollar equipment, back here I can't even hold a job *parking cars*!

Pois é. Depois de tudo a gente entender que não é nada fácil. Nunca foi!

Filmes do Stallone tem essa de falas que explicam tudo, onde o protagonista entra num quase monólogo. Sempre tem umas falas memoráveis, como no Rocky também. Mas a parte mais tensa é ver o horror da guerra na voz de Rambo:

Rambo: We were in this bar in Saigon and this kid comes up, this kid carrying a shoe-shine box. And he says "Shine, please, shine!" I said no. He kept askin', yeah, and Joey said "Yeah." And I went to get a couple of beers, and the box was wired, and he opened up the box, fucking blew his body all over the place. And he's laying there, he's fucking screaming. There's pieces of him all over me, just... Like this, and I'm tryin' to pull him off, you know, my friend that's all over me! I've got blood and everything and I'm tryin' to hold him together! I'm puttin'... the guy's fuckin' insides keep coming out! And nobody would help! Nobody would help! He's saying, sayin' "I wanna go home! I wanna go home!" He keeps calling my name! "I wanna go home, Johnny! I wanna drive my Chevy!" I said "With what? I can't find your fuckin' legs! I can't find your legs!"

E aí ele chora e o Coronel o conforta. E aí a magia do cinema acontece, e todo o resto do filme faz sentido. Muito massa!

Esse post é mais pra mostrar mesmo que Rambo não são apenas explosões, mortes e sangue. O filme, especialmente esse primeiro, trata de uma problema real que aconteceu por conta de outro problema maior ainda, a Guerra do Vietnã e as consequências em cima dos seus soldados. Acho que ajuda a tirar um pouco o glamour que ser um herói de guerra tem, certo?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Doppelgänger - #105 - Confiança e traição.

A porta da ambulância estava fechada. Lucca estava ainda consciente, observando tudo ao redor. Os médicos estavam aplicando algumas coisas na sua veia, e o soro já estava entrando no seu corpo. Por mais que por fora ele esboçasse estar tranquilo, por dentro ele estava muito preocupado.

Não apenas preocupado com Eliza Vogl sozinha lá fora, mas também com seu estado, muito ferido. Porém por um momento uma coisa começou a preocupá-lo mais ainda. Ao olhar um emblema no jaleco branco dos médicos ao seu redor.

SAS? Puta merda... Tô fudido, pensou Lucca.

Com certeza era gameover pra ele.

Mas ele estava feliz. Tinha feito o que precisava ser feito. Agora era só confiar em Agatha e torcer para que os céus o ajudassem. Lucca era um europeu padrão, sem crença alguma. Mas naquele momento, se existisse algo que pudesse protegê-lo, era hora de fazer um pedido sincero aos céus pra que tudo acabasse bem.

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"Agatha! Ora, ora, veja só quem eu encontro assim, ao acaso", disse Dawson, se aproximando de Agatha.

"Pft, pena que eu não posso dizer o mesmo", disse Agatha, carregada na ironia.

"Não diga isso, Agatha, não queira ferrar de vez a única chance que talvez esse mundo tenha, afinal, você já fez parte desse mesmo plano, anos atrás", disse o capitão Dawson.

"Plano? Nossa... Quer dizer que você tá do lado do paspalho do Ar? Bem típico de você, Dawson. Quanto aquele mercenário pagou pra você? Uma nova lua-de-mel pro seu filho?", provocou Agatha.

"Ora sua putinha, vem cá", disse Dawson, apertando o hematoma que ele mesmo havia causado no braço de Agatha na sessão de tortura dias atrás, "Dessa vez eu vou fazer pior com você. Não vou te torturar, e sim meter bem fundo em você, vou te estuprar até você morrer, sua vaca".

Ainda assim, Agatha permanecia inabalável. Ela não tinha sentido medo nenhum da ameaça de Dawson. O que mais doía naquele momento era a mão dele apertando o braço dela, machucado.

"Ah, é mesmo? E qual o tamanho da sua rola?", disse Agatha, "Se seu pau duro for menor que 15 centímetros melhor você nem tentar. Você não vai nem me fazer cócegas. Eu gosto de pau grande, e sexo bem forte, que talvez um velhote como você nem consiga".

Eliza permanecia ao lado de Agatha, porém Dawson estava tão centrado em pegar Agatha que sequer percebeu que a menina estava relativamente próximo da holandesa. E Agatha, com as mãos rápidas que sempre teve, disca um número no celular, e antes de ser levada para o carro de polícia por Dawson, se vira, e rapidamente deixa o celular nas mãos de Eliza Vogl.

Antes de entrar no carro Agatha se vira pra Eliza, dá uma risadinha e pisca o olho pra menina. A ligação estava feita, e a pessoa do outro lado estava ouvindo tudo. O carro fechou com Agatha e Dawson dentro e aí então Eliza se viu no meio daquele mundo de gente na frente do Monumento e... Sozinha.

O celular ainda estava com a chamada sendo feita. Ela colocou o ouvido e falou.

"A-alô?", disse Vogl.

"Quem é?", disse a voz masculina do outro lado.

"Eliza. Eliza Vogl", disse Vogl.

Silêncio do outro lado da linha. Durou mais ou menos meio minuto.

"Certo. Talvez a Agatha esteja em apuros, mas se deixou o celular com você talvez você seja alguém importante. Me chame de Neige. Você sabe andar de metrô? Preciso que venha pra Candem Town imediatamente", disse Neige para Eliza Vogl no celular.

A menina estava a salvo.

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19h25

O restaurante Mango Room em Candem Town serve comida caribenha, e fica próximo da estação do metrô de Candem Town. Al e Victoire foram pra lá jantar, enquanto aguardava a análise dos dados que todos haviam coletado.

O pedido já estava feito, e eles aguardavam ansiosamente a comida chegar.

"Acho que será a primeira refeição que eu faço em semanas", desabafou Al.

"Sem dúvida está sendo uma barra e tanto essa coisa toda", disse Victoire.

"Mas tem algo que me incomoda muito, Vicky", disse Al.

Nessa hora o prato chegou. Ficaram quietos enquanto o garçom servia. Depois que o garçom saiu voltaram a falar.

"Incomoda? O que seria?", perguntou Vicky.

Al deu a primeira garfada.

"Toda hora o Ar está um passo na nossa frente. Não consigo pensar que seja apenas genialidade do cara. É como se tudo que a gente tentasse ele fosse lá e... Estivesse nos esperando!", disse Al.

"Bom, estamos com essa frustração desde o começo dessa investigação. E agora então estamos com todos contra nós. Somos inimigos de Estado contra alguém que manipula o Estado de uma maneira tão fácil...", disse Victoire.

"Sim. Mas eu desconfio de algo pior. Mas não sei se concordaria com o que vou dizer", disse Al.

"Não, por favor, diga. Qualquer opção agora é válida", disse Victoire.

"Tem alguém nos traindo, Vicky. Só isso pode explicar", disse Al.

domingo, 11 de outubro de 2015

Diário de Fotógrafo #27 - Festa Junina 2015

Nós lá no templo da Shinnyo-en fazemos Festa Junina também! Eu já postei fotos da primeira e da segunda aqui. Eu gosto muito, pois é sempre uma oportunidade de fotografar e sair bons cliques! Apesar do imenso atraso (a festa foi dia 12 de julho), antes tarde do que nunca!

Sem mais delongas, vamos lá para as fotos:










sábado, 10 de outubro de 2015

Doppelgänger - #104 - Trust me.

“Lucca! Lucca! Você tá me ouvindo? Por favor, não morra!”, a voz de Eliza Vogl era ouvida por Lucca claramente enquanto os médicos levavam ele pra fora do Monumento.

A menina simplesmente não desgrudava dele.

“Eliza, sou amiga dele, meu nome é Agatha. Você precisa deixar ele entrar na ambulância!”, disse Agatha, puxando a menina.

“Não! Não!!”, gritava Eliza, aos prantos, achando que Lucca estava morrendo, “Eu quero ficar com ele!!”.

Lucca usando todas as suas forças virou seu rosto pra pequena Vogl e disse algo para acalmá-la:

“Eu estou bem. Agora fique com ela e a obedeça. Ela é uma grande amiga minha”, disse Lucca.

Nessa hora Eliza enfim ficou mais tranquila. A maca entrou na ambulância e Lucca enfim foi levado ao hospital, completamente ferido. Já Agatha estava abismada. Olhava pra Eliza e não conseguia acreditar que aquela menininha pudesse ter uma importância tão grande, que fosse detentora de segredos tão grandes assim.

Sequer pode Agatha reparar que junto dos policiais vinha novamente o capitão Dawson. O mesmo detetive que havia preso Agatha dias atrás.

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19h10

A noite já há muito tingia o céu londrino. Victoire estava sentada no sofá, não resistiu ao friozinho confortável do local e adormeceu vendo TV. Estava assistindo um programa culinário na NHK World.

Neige permanecia no computador, vendo as informações que ela havia conseguido no HD. Era realmente muita coisa a ser vista, e resolveu usar um programa pra buscar algumas palavras-chave necessárias dentro dos arquivos nos HD.

Nessa hora ele viu Victoire. Ela estava sentada no sofá do quarto de frente com a porta. Parecia um cão esperando o dono, no caso, Al. Enquanto o computador processava, Neige dava uma olhava no movimento da rua. Tudo estava tranquilo. Tranquilo até demais.

Hum... Conteúdo interessante...Tem vários e-mails de ordens do Ar para todos eles aqui. São ótimas provas. Melhor ir fazendo um backup disso em algum lugar. Acho que tenho um espaço ainda no Skydrive..., pensou Neige.

Neige deixou o computador processando os termos de busca e pegou um cobertor, colocando calmamente em cima de Victoire. Ela dormia profundamente, e parecia ainda mais bonita dormindo. Seu rosto estava sereno. Mas ainda assim ele tinha medo. Não apenas pelo fato dela ser obviamente completamente apaixonada pelo Al, mas também o fato dela aparentemente não dar nenhuma bola pra ele, e junto ao crescente medo que homens têm hoje em dia de se aproximarem de mulheres. Numa era onde não existe mais romantismo, nem paquena, uma singela e educada cantada por mais bem intencionada que seja pode eventualmente ser taxado de algum machismo, ou algo assim, quando uma coisa não tem nada a ver com a outra. Por via das dúvidas Neige deixou quieto. E voltou para o computador.

O café já havia acabado faz tempo. Passou alguns minutos e alguém bateu na porta. Victoire acordou e abriu a porta prontamente, sem nem perceber que estava com um cobertor.

Era Al.

“Al! Nossa. Que alívio”, disse Victoire, “Tudo bem com você?”.

“Oi Vicky. Sim, está tudo bem. Cadê o Neige?”, perguntou Al, falando da mesma maneira que normalmente fala com Victoire.

Nessa hora Neige viu Al. Deu um olhar surpreso pro seu amigo, parecia incrédulo de alguma forma.

“Al? Já voltou?”, perguntou Neige.

“Sim, desculpe Neige, acabei perdendo o celular lá que tinha como contato contigo. Como estão os dados? Já conseguiu alguma coisa?”, perguntou Al.

Neige esboçou tranquilidade, e levou Al até o computador.

“Sim, achei alguns dados já. Coisa bem quente. Acho que poderemos usar isso aqui e denunciar tudo o que o Ar fez. Vocês fizeram um ótimo trabalho”, disse Neige.

“Ótimo. E onde está Agatha e o Lucca?”, perguntou Al.

“Eu não sei. Agatha estava aqui, mas disse que recebeu uma ligação do Lucca e foi correndo atrás dele”, disse Neige.

“Entendo. Talvez Lucca esteja correndo perigo. Sabe se ele conseguiu algo?”, perguntou Al.

“Não. O problema é que tem centenas de policiais vindo atrás de nós agora, e sem contar o Ar que está também nos caçando com aquele exército dele”, disse Neige.

As mãos de Neige estavam tremendo. E Al não conseguiu deixar de reparar nisso.

“Suas mãos estão tremendo. Você está bem?”, perguntou Al.

“Ah, desculpa, Al. É que eu sou um mero assistente na NSA. Essa coisa toda está sendo muito estressante pra mim, acho que estou meio com medo da minha própria sombra, eu nunca fui tão caçado assim na minha vida”, confessou Neige.

Nessa hora Al colocou a mão no seu ombro e olhou firmemente nos olhos de Neige.

“Meu amigo, não há nada a temer. Vamos conseguir terminar isso bem. Confie em mim”, disse Al.

Neige confirmou com a cabeça. Al foi até o cabide e tirou seu paletó, vestindo após colocar no seu pescoço um cachecol. Estava abaixo de zero lá fora.

“Vou descer pra comer alguma coisa e fumar um cigarro. Já venho. Vai querer alguma coisa, Vicky?”, perguntou Al.

“Acho que estou com fome também. Vou descer contigo, pode ser?”, disse Victoire.

Al ficou calado e a aguardou na porta, sem responder nada. Os dois falaram “até logo” pra Neige e fecharam a porta.

As mãos de Neige continuavam a tremer como nunca.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Doppelgänger


Yeah! Esse layout estava pronto desde junho mais ou menos.

Comemorando que a história que eu escrevo, o Doppelgänger está chegando ao fim (sim! Spoiler!), queria fazer algo homenageando isso que foi divertido de escrever!

Pelo menos aí estão todos os personagens principais da trama. Os dois "gêmeos" maiores são o Al (esquerda, fumando) e o Ar (direita, de sobretudo). No centro está o Arch, como se fosse um "deus" da história. E aí os vitrais com os outros personagens principais.

Victoire (azul), Agatha (verde), Lucca/Nataku/Nezha (Laranja) e abaixo deles temos Ravena (amarelo), Sara (vermelho) e o temido judeu psicopata, e um dos meus favoritos, Schwartzman, o de laranja na última linha de baixo (eu não queria matá-lo, era tão divertido escrever ele!)

Pretendo terminar até dezembro, se tudo correr bem. :)

Eu gosto desse estilo. Tento seguir esse estilo como se fossem vitrais nas artes relacionadas a esses personagens que eu crio. Como por exemplo naquela série de posts que mostrei em novembro de 2012. O capítulo ali mostrado era a queda da "dawn of souls" que resultou no casamento forçado de Al. E também tinha bastante do passado de Arch e Émilie também, e toda a conspiração por detrás.

Pra quem não se lembra, desenhei essa arte na época:


Foi meio complicado adaptar e mostrar a passagem do tempo. Se bem que aí só tem a Agatha (verde) e a Victoire (azul claro, na parte inferior) e o Lucca (laranja inferior esquerdo). Mas acho que tem lá uma semelhança legal entre eles.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Doppelgänger - A história dentro da história (11)

Na minha frente estavam Al e um outro rapaz numa luta feroz. O ano era 2000, e o local era Rosário, na Argentina. Al dava socos, chutes e empurrões contra essa pessoa, que parecia e fedia como um mendigo velho. O morador de rua estava realmente fora de si.

Anos mais tarde descobri que esse mendigo era ninguém menos que o próprio Lucca, que havia tido a persona de Schultz, o mentor de Arch, implantado nele através de Schwartzman.

O que ninguém sabe é o que aconteceu depois. Al conseguiu parar Lucca, que nesse momento já havia perdido sua alma, e havia se tornado Nataku, com as personas e memórias implantadas, como um boneco sem vida. O local estava todo bagunçado. Al se recompôs e veio na minha direção. Por um momento achei que ele ia me matar. Eu tinha apenas uns 12 anos, e morria de medo.

“Venha comigo garoto”, disse Al, me puxando pelo braço. Eu não tive escolha. Saímos do prédio, mas antes eu virei e disse adeus à Brigitte, a governanta, e uma mulher enviada pela minha mãe pra cuidar de mim. Ela estava ferida com um tiro no joelho disparado por Nataku. Foi a última vez que eu a vi.

Eu cresci longe da minha mãe. Ela disse que eu era filho de um homem muito inteligente, e que era por isso que eu também era inteligente. Desde pequeno eu sempre frequentei as melhores escolas, e descobri que eu tinha uma aptidão especial pra números. Eu era um gênio da matemática, e com 12 anos eu já era phD em matemática e economia.

Eu não sei bem o que aconteceu. Eu morava na França e tinha uma vida tranquila. Brigitte disse que eu corria perigo de vida e devíamos ir para o mais longe possível pois estavam atrás de mim. Pessoas aparentemente queriam me matar, e achei que Al iria me matar naquele momento. Eu era apenas uma criança, e ele me puxou pra fora do prédio, me colocando dentro de um carro.

Eu estava mudo. Completamente assustado. Tremia, tremia muito.

Al entrou no carro do meu lado e acendeu um cigarro. Deu duas tragadas e olhou pra mim.

“Não precisa ter medo de mim. Aquele maluco ia te matar, provavelmente. Pode me chamar de Al”, disse Al.

Ainda assim eu não conseguia dizer nada. Al ainda assim continuou.

“Eu sei quem é você, dispenso apresentações. Preciso de você, garoto. Talvez você possa me levar pra sua mãe, além do que preciso evitar que outras pessoas coloquem as mãos em você”, disse Al.

O garoto enfim quebrou o silêncio. Na verdade nem ele mesmo conhecia direito sua mãe. Só sabia que ela era a pessoa que o sustentou, mas ele sequer a havia visto. Ao mesmo tempo não sentia falta – ele nunca teve uma mãe, como poderia ter saudade de ter uma mãe se ele nunca teve uma?

“Desculpa, senhor”, eu disse, “Eu não tenho contato com minha mãe. Eu nem sei onde ela está”.

Al me pareceu meio frustrado. Ouviu toda minha estória e olhava pela janela, tragando seu cigarro, e depois mais um. Chegamos num container, e Al ali recebeu uma ligação. Era sobre uma mulher chamada Victoire, que havia sido presa. Na época não entendi nada. Ele ficou profundamente perturbado. Enquanto isso algumas pessoas tratavam dos meus ferimentos.

Enquanto Al estava quieto na porta observando o movimento, uma linda moça de cabelos cor-de-beringela estava cuidando de mim. Eu tinha alguns poucos arranhões, e ela estava aplicando um antisséptico.

“Está se sentindo melhor?”, ela perguntou.

“Sim”, eu respondi.

“Você não fala muito, né? Mas fique tranquilo. Com a gente você tá protegido”, disse a garota.

“Moça, porque estão atrás de mim? Não tô entendendo nada do que tá acontecendo”, eu disse.

A garota do cabelo cor-de-beringela tomou ar e respondeu calmamente.

“Nós somos da Interpol. Aquele homem ali, o Al, está atrás das pessoas que mataram o irmão mais velho dele. Além disso, as pessoas roubaram um importante chip com os nomes de todos os agentes. Se isso vier a público, irá abalar o mundo inteiro, pois revelarão todas as identidades dos milhares de agentes ao redor do globo. Isso vai causar muito estrago”, disse a moça.

“Mataram o irmão mais velho dele? Nossa...”, eu disse.

“Acontece que o cofre que está essa lista tem uma chave muito específica, que não abre com código, nem digitais, nem mesmo identificação da retina. Ela pode ser aberta por meio do DNA. E, embora seu DNA não seja idêntico à da pessoa, você tem muitos genes similares. Um fio de cabelo seu vale milhões para essas pessoas. E, por conta da sua genética eles não teriam o menor escrúpulo pra virem atrás de você, garoto”, disse a moça.

“Minha nossa. E justo meu DNA? Que raio de chave é essa? Eu nunca ouvi falar de uma coisa dessas”, eu disse.

“A pessoa que fez isso foi o irmão mais velho do Al. Ele deixou na verdade várias chaves, mas a chave final é essa ligada ao DNA. É o legado, um presente que ele havia deixado pro Al, por isso reage ao DNA do irmão mais velho do Al, do próprio Al, que é o irmão mais novo dele, e o seu DNA, que compartilham sequências similares”, disse a moça.

Então eu liguei uma coisa à outra. Se o DNA original era o de Arch, e ele deixou pra reagir com DNA que tivessem similaridades com os dele, então o de Al reagiria por ele ser um parente, ter o mesmo sangue do irmão mais velho. Mas... Eu? Então, tecnicamente, eu seria parente desse homem?

“Pera lá, então quer dizer que...?”, eu disse, mas Al chegou perto de mim.

“Arthur Blain, de agora em diante teremos que andar bastante juntos. Como ela contou agora você já teve saber. Eu sou seu tio, e meu irmão mais velho, já falecido, é o seu pai”, disse Al.

Eu fiquei abismado. Eu não tinha nenhuma família, e do nada eu descobri que tinha um pai, quem era ele, e que tinha um tio, que eu aprendi a admirá-lo muito, pois era uma pessoa muito inteligente, e parecia que enfim iria conseguir recuperar a tal Dawn of Souls. E eu gostava de observar. Ele era tipo um mestre que me ensinava mesmo quando não percebia. Tentava copiar ele em tudo, e durante esse tempo todo vivíamos juntos. Havia um laço muito forte. E mesmo naquele tempo eu descobri como era bom ter uma família. E ter o Al como meu tio era a melhor coisa do mundo.

O tempo passou até que um dia ele chegou na nossa casa, dizendo que teríamos que partir pro exílio.

“Vamos, façam logo as malas, não temos tempo! Precisamos ir logo”, disse Al, tirando as roupas do armário e jogando na cama.

“Mas o que aconteceu? Pera lá... Não conseguiu recuperar a Dawn of Souls?”, eu perguntei.

“Ar... Sim. Exatamente isso. Nós perdemos”, disse Al, com frustração em cada sílaba. Eu fiquei abismado. E se caísse nas mãos erradas? Parece que seríamos nós três em algum país desconhecido. Al, sua esposa Val, e eu, que era apenas um moleque de doze anos.

Fiquei quieto e comecei a arrumar minhas malas. Terminei e, quando fui pro quarto do Al ele estava sentado na cama, chorando. Fiquei comovido com aquilo e o abracei. Al sempre foi um exemplo pra mim, era uma pessoa que eu adorava, e queria vê-lo feliz. Mesmo apesar dele sempre ser sério, com cara de poucos amigos e tudo mais. Al era meu tio, minha família, a única pessoa com o mesmo sangue que me aceitou. Ele chorava no meu ombro.

“Escuta Ar, olha bem pra mim”, disse Al. Eu olhei pra ele.

“De agora em diante não quero que me chame de Al, nem de tio. Tudo bem que você nunca me chamou de tio, mas gostaria que me chamasse de irmão. Quero te tratar e te criar como meu irmãozinho. Quero te colocar no mesmo patamar que eu e seu falecido pai chegamos. Entendeu?”, disse Al.

“Sim, Al... Quer dizer... Mano”, eu disse.

E assim fomos para o exílio. Tínhamos uma vida humilde. E tinha Al como meu irmão mais velho e a Val como uma espécie de mãe. Ambos eram muito especiais pra mim. Mas parece que a Val tinha seus problemas graves de depressão, e ela era uma mulher muito fria e séria, apesar de sempre nos tratar bem e com o amor, mesmo que do jeito dela.

Al tinha alguns problemas com ela, mas sempre eram gentis uns com os outros. Porém, Val amava outra pessoa. E por mais que ela até sentisse sentimentos por Al, não era com o Al que ela queria ficar. Eles tiveram que casar à força para usarem isso como disfarce e conseguirem morar em outro local junto de mim.

E eu sempre pesquisava mais e mais sobre meu irmão. Eu já estava, assim como o Al, resolvendo e fazendo assessoria em pequenos casos da Inteligência. Nós fazíamos uma dupla imbatível, e eu talvez o via com a mesma admiração que ele via o Arch, meu pai, mas o Al era o irmão mais velho que eu me espelhava. O tempo passou, e chegamos em 2006. Eu já tinha dezoito anos.

Porém algo aconteceu que deixou tudo de pernas pro ar. Depois de uma briga que haviam tido, a Val cometeu suicídio, se jogando contra um carro em uma ponte. Al chegou e viu toda a cena, e sua esposa, a mulher que ele tanto amou, morreu em seus braços.

A garota do cabelo cor-de-beringela era alguém especial pra mim também. Era a coisa mais próxima de uma mãe que eu havia tido, pelo menos naquele tempo. Mas Al mergulhou numa depressão profunda ao ver sua esposa morrer na sua frente. E vi como a perda do irmão mais velho quando ele era criança, e a perda da esposa que ele tanto amou havia abalado ele de tal forma que ele não mais queria saber de nada. E fomos para a Inglaterra, e enfim ele entrou numa aposentadoria forçada, graças a intervenção de uma velha bem influente.

“Mano, vamos! Podemos reconstruir nossas vidas! Sei lá, podemos fazer o sonho do meu pai se tornar realidade, aquele mundo que o Arch sempre quis! Podemos começar um negócio também, estamos na Inglaterra, aqui temos muitas oportunidades!”, eu dizia, insistindo.

Mas Al estava tão deprimido que tinha forças pra nada. Óbvio que eu fiquei triste com a morte da Val, assim como ele, mas... Isso havia passado. Mas o trauma nele ficou. Seus olhos haviam perdido o brilho, ele não era aquela pessoa forte que havia me salvado há tempos atrás. E ele havia me ensinado tudo o que eu sabia, filosofia, antropologia, ciências, espionagem, dialética, etc. Me ensinou a ser ainda mais capaz de ser o dono do meu destino! E agora que eu queria reconstruir a vida com ele, ele não queria.

“Ar, você já é crescido, já tem 18 anos, é dono do seu nariz. Me desculpe... Eu preciso ficar sozinho. Preciso começar tudo sozinho. Preciso ter uma vida normal, já que agora enfim eu posso ter a chance disso”, disse Al.

“E o que isso quer dizer? Sozinho? Não quer viver junto de mim? Vai me abandonar, seu irmão mais novo?”, eu perguntei.

“Sinto muito, Ar. Talvez um dia a gente se trombe por aí. Mas agora... Eu preciso ficar sozinho. Não tenho forças mais pra sonhar. Pois duas vezes meus sonhos morreram em meus braços. Primeiro com meu irmão mais velho, e seu pai. E agora, com a morte da mulher que sempre amei”, disse Al.

Fiquei muito triste. Muito mesmo. Não queria ter visto aquela cena. É óbvio que eu poderia me virar sozinho, mas eu queria meu irmão do meu lado! Tudo bem que eu não tinha passado pelas coisas que ele tinha passado, mas eu era tão bom quanto ele. Não... Eu sou na verdade melhor que ele! Eu posso ser e fazer o que eu quiser.

Um dia recebi um convite inesperado e fui pra França. Lá, reencontrei minha mãe, Émilie Blain. Ela também me apresentou o maior nêmesis do Al, uma mulher que todos pensavam que estava morta, a italiana Francesca Vittorio. A mulher que havia manipulado ele por anos a fio, que havia ditado todos os seus passos e controlado o Al, sem que ele nunca suspeitasse.

“Filho, fiquei feliz por ter abandonado a tutela do Al”, disse Émilie.

“Sim. Aquele não era o Al que eu sempre admirei. Aquele era um fraco. É alguém repugnante. Como eu pude admirar e me espelhar numa pessoa assim? Agora é só um idiota depressivo, triste demais pra levar até uma vida comum”, eu disse.

“Muito bem, garoto”, disse Francesca Vittorio, “Acho que você então vai ser um ótimo sucessor. Você já tem uma mente incrível. Imagino o que faria com um pouco de poder nas suas mãos”.

“O que eu faria? Bom, me deem tal poder que deixarei pra vocês duas o melhor camarote pra assistir o que posso fazer”, eu disse.

Aquelas duas mulheres me deram influência tanto política quanto monetária. Rapidamente consegui gerar tanto capital que conseguia manipular cada instituição financeira e cada moeda em todo o globo. O sistema financeiro é algo muito fácil de entender, e algo capaz de se explorar graças às suas muitas brechas. Mas eu ainda queria minha vingança.

E a primeira vingança foi contra minha mãe. Fiz a crise econômica global de 2008 explodir. Émilie Blain, esposa de um milionário francês viu todo o seu império ruir. Seu esposo se suicidou, e ela também o seguiu para o além-vida. Eu nunca a vi como uma mãe mesmo. Francesca Vittorio de mentora se tornou minha subordinada, mas ainda havia uma pessoa que eu deveria eliminar. Uma única pessoa no mundo que poderia me parar.

E essa pessoa é o Al.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Doppelgänger - #103 - Preto como a morte.

Schwartzman parecia uma máquina. Batia, batia, e batia. Acertava o rosto, peitoral, pernas, tudo. Ele parecia dar golpes que pareciam esmigalhar cada uma das partes do corpo de Lucca depois de cada impacto.

Novamente aquilo parecia o fim. Mas talvez depois de tanta adrenalina correndo nas veias, Lucca por mais que tentasse desistir, não conseguia. Já era pra ele ter morrido faz tempo. Um ser humano não conseguiria aguentar tantos golpes e ficar vivo.

“Morra, morra, morra!! Você não é Lucca coisa nenhuma!!”, gritava Schwartzman, dando chutes.

E depois de um chute forte no estômago Lucca perdeu as forças, e seus olhos pareciam ter se fechado. Mas ainda assim ele ouvia tudo. Mas já não sentia dor. Tinha levado tantos golpes que havia perdido a consciência, e sua mente se fechara dentro de si mesmo.

Tudo estava escuro. Mas ele ainda ouvia o que se passava ao redor. Estava inconsciente, e ainda levando os duros chutes de Schwartzman.

“Você é um ser sem alma!! Você é apenas um invólucro vazio! Você não tem família, não tem sentimentos, não tem passado, você é um ninguém, um nada!!”, gritava Schwartzman, perdendo o controle depois da overdose.

A dose excessiva estava deixando Schwartzman louco. Perdendo o senso das coisas, virando apenas uma máquina agressiva. Seus olhos estavam se dilatando, e seu corpo parecia ficar em um eterno loop de chutes e mais chutes em Lucca, que já nem mesmo mais reagia.

“Nataku, Nezha, é isso o que você é! Você nunca vai recuperar o que você foi no passado, ouviu! Nunca!! Nunca!!!”, gritava Schwartzman.

A overdose estava fazendo um efeito bizarro. Ele continuava chutando e os seus músculos começaram a saltar, como se estivesse dominado por câimbras. Piscava seus olhos tentando buscar foco da retina mas nada acontecia. Sua língua estava pra fora, parecia adormecida. Ainda assim não conseguia parar de chutar. Começou a sentir uma palpitação, e parecia que seu braço já não respondia direito. Nem mesmo sua perna também. Algo estava acontecendo.

Schwartzman abriu seu jaleco e tentou buscar algo. Mas sua vista estava tão embaçada que conseguia ler absolutamente nada dos rótulos.

“Droga, cadê, cadê... Acho que um pouco daquilo poderia dar uma acelerada no meu batimento, e aquele outro poderia desentupir as artérias do meu cérebro... Deve ser princípio de um derrame da overdose”, ele falava sozinho, e parecia extremamente calmo, como se estivesse fazendo um procedimento em outra pessoa.

“Parado, seu assassino!”, gritou uma voz feminina. Mas por ser fina era óbvio deduzir que se tratava de uma criança.

Era Eliza Vogl com a Five-Seven mirando em Schwartzman.

“Ah, que bom que subiu. Vou terminar com você aqui mesmo também. Que prático”, disse Schwartzman, indo em direção da pequena Eliza Vogl.

“EU DISSE PARADO!!”, gritou Eliza. Estava realmente disposta a atirar no homem.

Era apenas uma menina. Nunca havia pego numa arma antes. Seus olhos lacrimejavam e ela tremia muito. Olhava pra baixo e via Lucca, totalmente ferido no chão cheio de sangue, desacordado. Provavelmente mais morto do que vivo. Mas tudo o que Schwartzman precisava era isso. Quando ela desviou o olhar pra ver Lucca no chão ele avançou em direção da menina.

“Ora, corta essa!”, disse Schwartzman, indo em direção de Eliza Vogl.

E nessa hora Eliza Vogl puxou o gatilho. Mas a arma estava travada. A bendita trava de segurança!

“Acha que eu não vi! Tá na cara que essa merda tá travada! Dá pra ver de longe!!”, disse Schwartzman, jogando a arma dela no chão.

“Não!!”, gritou Eliza, assustada.

E foi aí que algo bateu forte no braço de Schwartzman quando havia erguido Eliza, soltando a menina no chão. Um golpe forte, que óbvio que ele não sentiu numa dor, mas mecanicamente ele a soltou. Eliza caiu de bunda no chão, e olhou pra cima. Sob as luzes da noite ela reconheceu o rosto. Inexplicavelmente era Lucca.

Schwartzman ficou mudo. E como nunca antes na vida foi a vez dele sentir medo. Por mais que fosse um psicopata com todas as letras, como todo psicopata, a única coisa que temia era sua própria vida. E Lucca estava lá, em pé, todo ferido, e parecia forte como nunca. Como depois de tantos golpes ele ainda estava de pé?

Mas que merda... Eu apaguei a memória dele! Não é possível que ele ainda tem essa característica. Sim... Eu lembro! Quando ele ainda estava em treinamento as pessoas falavam da imensa capacidade de suportar golpes que ele tinha. E que mesmo que ele fosse mais fraco que o oponente chegava um momento em que ele apenas recebia os golpes pra guardar forças e voltar ainda mais forte!, pensou Schwartzman.

E de fato, Lucca desferiu o soco potente no rosto de Schwartzman, deixando-o zonzo. E antes dele cair no chão Lucca o agarrou pelo pescoço e o jogou brutamente pro outro lado, acertando o gradil de ferro de segurança do topo do Monumento.

Esse idiota recebeu os golpes de propósito pra guardar o máximo de força pra se erguer depois! Mas eu pensei que havia apagado tudo do cérebro dele. Inclusive essa característica dele. E agora ele perdeu completamente o controle de si mesmo, nem mesmo abriu os olhos!, pensou Schwartzman.

Na verdade os olhos de Lucca estavam minimamente abertos. Porém ainda assim ele não via nada. Estava fora de si. Era como um animal. Como um leão vendo sua presa. Por mais que seu corpo estivesse machucado, ombro deslocado, órgãos internos feridos, completamente ferido e cheio de sangue havia ainda uma coisa que o mantinha em pé. Um instinto assassino. Lucca havia virado uma fera, incapaz de responder ninguém, que apenas descansaria quando sua presa estivesse morta.

“Acha que tenho medo? Eu não tenho medo de voc...”, gritou Schwartzman, porém antes de terminar sua frase seu corpo se contorceu.

O tempo crítico pra overdose havia terminado. A droga estava destruindo seu sistema nervoso. Parecia que tinha um alien dentro dele. O corpo inteiro estava com os músculos vibrando sozinhos, como se tivesse algo passando embaixo da pele, sua boca espumando e seu corpo se contorcendo no chão. Era algo mais bizarro ainda do que quando Lucca estava sofrendo com a droga no sistema nervoso, momentos atrás.

Lucca pegou a arma no chão calmamente e ficou na frente de Schwartzman. Aquela cena era uma poesia muda. Não havia troca de olhares, nem nada. Apenas os sons de desespero do corpo contorcido de Schwartzman. Até mesmo Eliza Vogl estava em choque vendo aquela cena. Nem ela sabia que o corpo poderia se mexer daquele jeito.

Lucca destravou a Five-seven, mirou no peito de Schwartzman, e disparou.

O corpo de Schwartzman soltou um gemido abafado. E enfim parou os movimentos estranhos.

Quando caiu no chão inerte o ferimento da bala estava jorrando um sangue estranho. Um sangue preto como a morte.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pegasus Wings Decade 05-15 - #1

Como eu disse no post anterior, eu esperava o melhor momento para lançar enfim o blog. Fiquei produzindo o layout, mas não sabia nem quando lançar, menos ainda se lançar. Sim, fiquei muito hesitante em lançar um blog, já que a moda estava esfriando naquela época.

As aulas do terceiro ano do ensino médio terminaram no começo de dezembro. A despedida dos amigos tinha passado, e no futuro eu via uma grande incógnita. Tudo era incerto, eu estava entrando na vida adulta, e tinha um grande medo. Medo do tempo passar e eu não perceber. Afinal, provavelmente eu estaria entrando na fase mais rotineira na minha vida, entraria pro grupo dos robôs adultos que só sabiam trabalhar, trabalhar e trabalhar.

E eu queria um registro daquele tempo, para que eu olhasse pra trás e visse o que estava acontecendo, o que eu pensava na época, o que estava passando comigo. Não queria ser apenas mais um sem passado.

No dia 14 de dezembro enfim joguei o blog no ar e fiz a primeira postagem:


#1 - Pegasus Dreams (Dez/2005 até Jan/2006)
Até hoje está online essa primeira postagem. Bom, lendo bem dá pra perceber como era o clima na época! A arte-base era o pégaso, o cavalo alado da mitologia grega. Fiz três linhas no topo com imagens. No topo esquerdo um mapa do Brasil e um pégaso e filhote do lado, embaixo tem uma obra do Pablo Picasso e meus olhos, e na linha final nuvens, muitas nuvens.

Essa arte do pégaso da esquerda eu peguei na internet mesmo. E como todo bom blog da época, tinha um imenso perfil da pessoa no lado direito, com coisas irrelevantes, como elemento, santa preferida, e o que eu odeio. Note que eu já detestava o calor, pois entre todas as coisas do mundo a que eu mais odiava era o calor. Não mudou muito.

Engraçado que os links do lado todos tem blogs de amigos que eram do Arayashiki. Da Renata até o Mancha! E a foto do meninão no topo? Mas eu gostei e ainda gosto muito. Deu um trabalho do cão pra fazer, e eu curti muito o resultado.

Em dezembro os posts refletiam esse final do ensino médio e entrada da faculdade. Foi um momento bem tenso da minha vida, pois eu comecei a fazer arquitetura, que eu não gostava nem um pouco. E também o post sobre minha formatura no ensino médio.



#2 - Pegasus Fantasy (Fev/2006 até Mar/2006)
O primeiro (e único) sobre o Seiya! Afinal foi o pégaso e ele indiretamente que inspirou a criação do Pegasus Wings. Eram todas screenshots da Saga de Hades, na época tinha uma fama enorme. Eu gostava muito do efeito nuvens do Photoshop, dá pra perceber no fundo. Super cafona.

Tinha essa azul meio Seiya, e o perfil já tinha umas alterações, incluindo a foto. Provavelmente estão achando meio confuso essa coisa branca enorme ao lado, mas era um tempo em que os browsers só tinham a resolução de 800x600 (inclusive o de casa). E eu tinha acessado o blog numa configuração superior (1024x768) e tinha ficado um azul enorme vazio. Joguei um gradiente branco no lado pra preencher espaço.

Os posts dessa época eram bem depressivos, pois eu tinha acabado de entrar numa faculdade que eu não queria, tinha muitas brigas com meu pai, e eu detestava a vida de adulto. Não mudou muita coisa também! Hehe.



#3 - Ethernal Sage (Abr/2006 até Mai/2006)
Eu jogava muito Ragnarok Online. Era um MMORPG muito famoso no Brasil na época, e eu passava dias, horas, semanas jogando. E nessa época eu tinha um personagem cujo job era Sábio (Sage), uma evolução de mago. Eu gostava dos personagens refletindo a mim mesmo, e como eu era uma pessoa que gostava muito de conhecimento, fiz um sábio.

Tinha até uma foto dele no perfil do blog, nessa coluna da direita do perfil. Era uma screenshot do jogo, dele atacando (não, ele não andava igual um pato). Porém, a ideia era ter lançado um outro layout no lugar, sobre Metal Gear Solid (mais pra frente eu mostro. Até hoje eu os tenho aqui).

No topo tem um artwork do sábio feito pela própria Gravity (empresa que criou o Ragnarok) e no fundo a cidade de Juno, a cidade dos sábios no jogo. Eu gostei muito das cores, acho que super combinaram com a atmosfera do personagem.



#4 - Raging Monk (Jun/2006 até Jul/2006)
Eu gostava muito de animações em Flash. E fiz o topo do blog com animações em Flash. Bem simples, aliás, eram mais umas pétalas de cerejeira caindo em cima do logo. Foi completamente inspirado no site do filme Memórias de uma gueixa japonês (lá o filme se chama "Sayuri") que eu achei genial. Não está online.

Assim como o do mês anterior, foi baseado em um dos meus personagens do Ragnarok Online, dessa vez o monge que eu tinha. Artwork e uma screenshot dele no jogo. Sim, ele tinha um chapéu chinês, haha.

Ficou bem redondinho, cores legais, um tom amadeirado, só esse fundo que não deu muito certo. São umas flores, mas ficou bem mal cortado. E mesmo eu nem sendo budista ainda nessa época, curioso é o conhecimento que eu já tinha sobre a religião feitos com minhas próprias pesquisas. Até bhikkhu. Realmente parecia algo meio predestinado eu me tornar budista no futuro! Se até no meu jogo favorito meu job era... Monge.

Continua...

domingo, 4 de outubro de 2015

Doppelgänger - #102 - OVERDOSE.

Lucca, como sabia muito de artes marciais, conseguiu se recompor depois de ser jogado alguns degraus abaixo. Porém suas costas e seu braço que estava deslocado estavam doendo muito ainda. Naquele momento estava achando que realmente teria sido uma boa ter ouvido Agatha e ter ido ao hospital.

Mal ele teve tempo de se erguer e Schwartzman apareceu na frente dele, dando uma voadora, lançando ele mais alguns degraus abaixo. Lucca se apoiou na parede pra se erguer e olhou pra baixo: a five-seven estava dois degraus abaixo dele.

“E aí? Você mandou procurar alguém do seu tamanho, e não apenas tenho o seu tamanho como sou mais forte que você!!”, gritou Schwartzman, descendo, preparando mais uma investida.

Porém nessa hora Eliza Vogl pulou nas costas de Schwartzman, agarrando e puxando o cabelo dele pra trás, tirando todo o seu equilíbrio.

“Eliza!! Sua doida!! Eu disse pra você ficar lá em cima!!”, gritou Lucca.

“Lucca! Pegue a arma agora, atira!!”, gritava Eliza Vogl, puxando o judeu firmemente pra trás.

“Merda!! Não, Eliza, esse tiro vai passar por ele e vai te acertar!! Você tá doida?”, gritou Lucca.

“Eu não ligo! Você já me salvou várias vezes, e talvez eu morta possa ser realmente mais útil. Eles vão continuar atrás de mim, vai ser inevitável! Acabe logo com isso!”, gritou Eliza.

Lucca estava com a arma engatilhada. Apenas um disparo poderia mudar toda a história, e estava em suas mãos. Schwartzman continuava se contorcendo tentando tirar a menina que o estava atrapalhando. Lucca não tinha muito tempo de decidir.

Mas ele havia prometido. Prometido que iria proteger a menina com todas suas forças. Ele não poderia quebrar sua promessa. Mesmo que custasse novamente sua vida.

Lucca colocou a arma na sua cintura. Ele tinha um plano melhor.

“Eliza!! Solta ele AGORA!!!”, gritou Lucca indo em direção de Schwartzman.

As palavras pareciam que haviam entrado na alma da pequena Vogl, que soltou o homem do jaleco ensanguentado instantaneamente. Lucca começou a dar vários golpes nele. Schwartzman ainda estava zonzo da surpresa que foi a pequena Eliza ter pulado nas suas costas. Lucca parecia ter sido dominado por uma cólera.

Nossa, da onde eu sei todos esses golpes? Eu não consigo me lembrar de quando eu os aprendi, eles parecem que saem de maneira automática!, pensou Lucca.

Ele havia virado uma máquina de combate. Chutes, socos, voadoras, ganchos, aquilo parecia uma verdadeira aula de combate se desenrolando na frente dos olhos de Eliza. E Lucca parecia empurrar com seus golpes Schwartzman escadas acima. Nem mesmo os olhos dela conseguiam direito acompanhar o que estava acontecendo. O judeu não gritava de dor, mas dava pra perceber a respiração, o ar saindo dos pulmões, o sangue sendo jorrado da sua boca, e o suor de Lucca dominando seu rosto.

Por mais que Schwartzman tentasse contra-atacar, ele simplesmente errava o golpe. Até que enfim caiu, faltando quinze degraus até o topo do Monumento.

Lucca sacou sua arma e mirou no rosto de Schwartzman.

“É o fim, Schwartzman”, disse Lucca.

Schwartzman usou então a sua última cartada.

“Você é minha criação, Lucca!”, ele disse, e novamente o enjoo começou a tomar conta de Lucca.

As pupilas de Lucca dilataram, e um enjoo começou a dominar seu estômago. A ânsia foi subindo, por mais que ele não tivesse mais muita coisa no seu estômago. O enjoo do medo.

“Sim, você é a minha criação. Eu te ressuscitei dos mortos, eu aprimorei cada centímetro seu, eu te criei a imagem e semelhança de um deus!”, disse Schwartzman.

Nessa hora Lucca simplesmente caiu no chão e começou a vomitar. E foi dominado por medo. Falar “minha criação” era apenas o início dessa frase que ficou ecoando na sua mente todos os anos em que ficou em coma, com seu corpo sendo usado como cobaia. Sentiu as dores de todas as cirurgias sem anestesia, as diversas vezes que ficou imerso em água, as poucas vezes que abriu os olhos e via seu corpo sendo dilacerado com ele vivo, desmaiando de dor logo depois. Aquele vômito nunca foi nojo. Era medo. Um comando que estava impresso no seu cérebro, dito pela voz correta, na entonação correta.

Schwartzman, com o corpo todo ferido, mas ainda sem sentir nenhuma dor se ergueu. Pegou Lucca pelo colarinho e o puxou até o topo do Monumento. O topo do Monumento do Grande Incêndio de Londres dá pra ver grande parte da City londrina, mesmo que os prédios já estivessem bem mais altos do que o centenário monumento. É uma plataforma protegida por um arame, uma vez que várias pessoas tentaram suicídio séculos atrás. No topo existe uma imagem de uma urna dourada em chamas, marcando o local onde o incêndio de 1666 começou.

“Venha cá, seu inútil”, disse Schwartzman.

Lucca começou a ser chutado por Schwartzman. Chutes, chutes e mais chutes, como se ele fosse um moribundo. O italiano não tinha alternativa. Ele tinha que superar esse medo e reagir! Tantas vezes ele esteve tão perto, e agora quando estava pronto pra dar um fim nisso simplesmente novamente algo aconteceu e ele não conseguiu.

Foi aí que Lucca, deitado no chão, recebendo os golpes de Schwartzman no topo do Monumento segurou a perna do judeu. E ficou mudo. Não tinha forças nem mesmo pra falar nada.

“Você ainda tem força pra me segurar?”, disse Schwartzman, puxando sua perna de volta. Mas inexplicavelmente Lucca não soltava, “Droga... Me solta! Ora, seu... Se é assim que você quer, vou ficar mais forte ainda!”.

E Schwartzman usou novamente o spray nele mesmo.

“Ah... O doce aroma da vitória”, disse Schwartzman, voltando a golpear Lucca. Inacreditavelmente os golpes pareciam ainda mais fortes que antes, e Lucca não sabia se aguentaria muito tempo. Sentia que seus órgãos estavam esmigalhados por dentro, e o sangue cada vez mais jorrava da sua boca.

Porém Schwartzman parou e encarou Lucca. Seus olhos estavam mais do que nunca alterados, seu corpo parecia pulsar cada um dos nervos, cheio de erupções, pelos ouriçados, seu corpo estava nitidamente sob o efeito de uma espécie de overdose.

sábado, 3 de outubro de 2015

Pegasus Wings Decade 05-15 - Pré-história (2)

Mostrei o rascunho de memória que eu tenho de como era o That's 2 Bad!!, o primeiro blog que eu tive, que nunca chegou a ter uma postagem, hehe.


Eu sempre fui fã do mangá X/1999 da Clamp. E tinha três personagens favoritos, o Subaru, Seishirou e Sorata. Ok, os dois primeiros são gays e eu sou hétero, e isso não tem nada a ver, são fudidos da mesma forma!

Esse rascunho acima sobreviveu! A data do arquivo é 07/10/2004. Mas como já expliquei no post anterior, eu não queria lançar o 2 Bad como um blog. Até eu sabia que um dia eu ia deixar de ser otaku e gostar de outras coisas, e isso me limitaria demais.

Esse arquivo abaixo é ainda mais velho. 23/07/2004. Um dia depois do meu aniversário de dezesseis aninhos:


Eu já tinha registrado o domínio pegasuswings.weblogger.com.br

Era um plano B, mas que tinha tudo pra dar certo como plano principal, já que tecnicamente o 2 Bad nem chegou a ser lançado. E já que todos faziam blogs homenageando seus personagens favoritos, eu queria homenagear o Seiya, oras! E ia ser de cara.

Se não fosse o Seiya, seria o Seishirou Sakurazuka:


Só restou esse banner do topo. Mas eu já usava o nome "Pegasus Wings". É curioso rever esses layouts antigos, e ver como as coisas foram mudando. Nessa época eu era influenciado por basicamente dois amigos. Um deles é o Giovani Padoin, que na época que eu frequentava a mjBeats tinha feito uma página simplesmente magnífica em design, a Black or White Homepage. Minha outra franca influência era Richard Mendelsohn, o Beakman, que era um grande amigo meu nessa época. Ambos eu perdi contato. Mas eram excelentes designers!

E eu era um moleque de 17 anos querendo alçar vôos maiores. Já era 2005, e eu precisava de um momento bom para lançar o blog. E também um primeiro layout sem referência nenhuma a nada. Era o primeiro, oras! O primeiro deveria refletir algo de mim, não personagens ou coisas que eu gosto.

No próximo capítulo os primeiros layouts, e enfim, o princípio de tudo!

Continua...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Doppelgänger - #101 - Nada.

“Venha cá, Eliza! Para de fugir, sua maldita!”, disse Schwartzman, depois de tanto subir a escada, ficando sem fôlego.

“Socorro! Alguém me ajuda!!”, gritou Eliza Vogl. Mas era tarde demais. Schwartzman havia pego seu braço.

Mas já perto do topo do Monumento ele estava praticamente sem ar. A menina era uma criança, tinha aquele fôlego infinito que todas elas têm. Ela por instinto pegou e deu uma mordida forte na mão de Schwartzman que a segurava. Porém, nada aconteceu.

“Bela tentativa, menina. Eu não sinto dor alguma”, disse Schwartzman, sério.

Ele, ainda arfando, puxava a menina descendo a escada. Eliza não tinha escapatória. Ela tinha que pensar em algo, e rápido.

Ele não sente dor? Droga... Que cara estranho, será que usou o conhecimento biológico pra fazer aprimoramentos no seu próprio corpo? Pensa, Eliza, pensa... Por mais que o corpo dele não sinta dor, o corpo dele ainda é feito de tendões e nervos. Talvez se eu pressionar no lugar certo, ele abrirá a mão de forma motora e vai me soltar. É isso! Já sei!, pensou Eliza Vogl.

A menina era bem-dotada. Um verdadeiro gênio da sua idade. E além de tudo, conhecimentos em anatomia. Fez toda sua força pra parar Schwartzman, que a puxava com muita força, mas ainda assim o forçou a parar.

“Venha logo, larga disso!!”, gritou Schwartzman, puxando Eliza Vogl.

Nessa hora ela jogou seu corpo, junto com a força do braço de Schwartzman ela praticamente voou em direção ao corrimão, mas o cotovelo do judeu bateu primeiro, e o tendão do cotovelo, aquele famoso nervo que nos dá “choque” o fez abrir a mão e liberar Eliza.

“Ora, sua! Volte aqui!!”, gritou Schwartzman enquanto Eliza voltava a subir as escadas em direção ao topo.

“Ei, Schwartzman!”, uma voz masculina veio de baixo, “Veja se procura alguém do seu tamanho!”.

Era Lucca. Com a Five-seven apontada pra Schwartzman.

Schwartzman estava sem reação. Ele nunca viu ninguém que havia sobrevivido a ele. E na sua frente, sua maior criação estava viva, apontando uma arma. Seus olhos estavam arregalados, e nem mesmo ele sabia o que esperar. Aquilo era algo inacreditável. Impossível que ele teria sobrevivido aquilo!

“Lucca!!”, gritou Eliza, ao ver seu salvador.

“Eliza, continua subindo! Estou com ele na mira. Agora vamos, Schwartzman. Tem vários policiais nos esperando lá embaixo. Eu vou preso, mas você vai junto comigo. Vamos logo, eu estou armado, e não tenho medo de atirar!”, disse Lucca.

Schwartzman desceu dois degraus e olhou pra Lucca. Ainda parecia mentira pra ele. Por um momento lembrou de tudo o que tinha feito com Lucca. Ele havia colocado também diversas modificações para fazer com que a vida da sua criação fosse prolongada, que ele fosse resistente a envenenamento, drogas mentais. Pelo menos um bom número delas. Pra que Lucca fosse um guerreiro tão invencível quanto o próprio Schwartzman.

Olhando pra Lucca, vivo, na sua frente, só havia uma coisa que ele poderia perguntar:

“Você por acaso é imortal também?”, perguntou Schwartzman.

E Lucca não tinha uma resposta melhor:

“Não. Eu apenas não tenho medo da morte”, disse Lucca.

E Schwartzman deu um golpe desajeitado, batendo no braço de Lucca e jogando sua arma escada abaixo. O judeu sacou sua faca de combate e foi pra cima de Lucca, mas todos seus movimentos eram inúteis, já que Lucca conseguia se esquivar de todos e devolvia diversos golpes em Schwartzman.

E os dois se engajaram um combate descendo as escadas em caracol de dentro do Monumento. Lucca sempre se desviando e dando golpes, Schwartzman não conseguia dar um único golpe, e seu corpo estava cada vez mais machucado – por mais que ele não sentisse dor alguma.

Ainda assim, o corpo dele poderia em algum momento poderia entrar em colapso depois de tantos golpes. Ele tinha que revidar. Dentro do seu jaleco tinha diversas drogas alucinógenas. Algo tinha que funcionar!

Schwartzman sacou um spray comprimido que tinha depois de levar um soco de Lucca bem no rosto.

“Surpresa!!”, gritou Schwartzman, mas Lucca desviou o rosto.

Porém, quando Schwartzman apertou o spray, não era pra envenenar Lucca. O gás todo foi apertado e, aparentemente por engano, acabou mirado no rosto do próprio Schwartzman.

O que? Ele injetou a droga nele mesmo? Deve ter se enganado. Esse cara é maluco!, pensou Lucca.

Mal o spray havia sido tragado pro Schwartzman e Lucca fechou o punho e foi em direção a Schwartzman.

Porém, inexplicavelmente, o judeu simplesmente desviou.

E Lucca sem entender nada de novo sem perder tempo cerrou o outro punho e novamente deu um golpe. Schwartzman não apenas desviou, como segurou firmemente o punho de Lucca. Aquele homem estava inexplicavelmente mais forte e ágil!

“Eu chamo isso de Acelerador Neural e de Reflexos. Todos os meus nervos e músculos do corpo estão em seu máximo. Eu sou muito mais forte e consigo ver todos os seus movimentos. Tudo parece em câmera lenta, é tão fácil lutar assim!”, disse Schwartzman, dando um riso irônico.

“Incrível o que a droga certa pode fazer com a pessoa! Realmente agora ficou mais difícil!”, disse Lucca, ainda com o braço em poder de Schwartzman.

“Você vai voltar a ser o que você sempre era quando eu te encontrei Lucca”, disse Schwartzman.

“O quê? Você vai me matar, é?”, disse Lucca, ainda sem conseguir tirar seu braço que estava sendo segurado por Schwartzman. Ele tinha ficado realmente forte.

“Não. Você vai voltar a ser um NADA”, disse Schwartzman, dando um potente soco no rosto de Lucca, jogando-o pelas escadas abaixo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Lisa, a nova moradora de casa.


Essa é a Lisa. Nova moradora de casa.

Lisa chegou no último sábado, dia 26. É uma lhasa apso, igual a Meggie, o famoso cachorro dos monges budistas, hehe. Não foi de propósito, foi só depois de anos que eu descobri que uma coisa tinha a ver com a outra.


Aqui a Lisa é a irmã mais nova. A Lisa que é a bebêzinha, hehe. Meggie que deveria ser a bebê (de acordo com os Simpsons pelo menos) é a maiorzinha.

E foi duro deixar a Lisa comportada pra tirar essas fotos.


Lisa me lembra muito o Beto. Corre pulando igual a ele. Além de ser toda amigona. Meu pai a comprou de uma criadora, e eu tenho muita dó de bichos de criadores. Muitos deles maltratam demais as fêmeas, deixando-as trancadas em gaiolas até ficarem no cio para procriarem, e depois que desmamam, voltam pras gaiolas.

Fiquei muito sentido quando a vi no colo de um desses criadores. Dá muita dó, sabe?


Fiz um pedido de consolação para os antepassados dela, e dediquei preces. Independente de serem ou não desses criadores desumanos, queria que de alguma forma dedicando preces tivesse algum alívio pra eles. Curiosamente depois disso a menina grudou em mim. Colada igual um carrapato. Exceto quando vou no meu quarto. Ela é muito pequena ainda, não sabe subir escadas.

Bom, mas como eles crescem rápido, sei que minha paz não será pra sempre.

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