segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Quando eu revi Rambo.

Esses dias tava passando Rambo: Programado para matar (First Blood), um filme de 1982, que mostra a gênese do famoso herói do cinema estrelado por Silvester Stallone: o próprio John Rambo.


Cara, eu desde moleque eu sempre fui louco pelo Rambo! Eu tenho até hoje uma foto minha com a faixa, a calça de exército e uma camiseta com uma estampa do Rambo (acima)! Tudo bem que quando eu nasci o Rambo já estava no seu terceiro filme (Rambo III é de 1988), mas uma coisa é ver quando a gente é moleque, outra coisa é ver hoje quando estamos maiorzinhos.

Tirando o fato do Stallone ser um jovem adulto de 36 anos (isso já mostra o quanto o filme é antigo!), e o filme ter muitas cenas de ação, o primeiro filme não tem tanta explosões como os filmes seguintes da série. Na verdade o filme tinha uma crítica social muito forte, e muito interessante, mas muita gente só lembra do Rambo como o cara fortão que explode tudo (eu me incluo nesse grupo).

Durante essa vez que revi o filme fiquei reparando nos detalhes. Como logo no começo, quando o Rambo acaba sendo pego pela polícia local pois basicamente não foi com a cara dele. Na prisão, embora tentem dar um tratamento de spa pra ele, dando-lhe um banho, fazendo a barba e cortando as unhas, ele tem flashbacks tensos dos momentos que ele viveu no Vietnã:


Mas é interessante na cena acima a questão do estresse pós-traumático que muitas pessoas que participaram de guerras têm. E em especial a do Vietnã, uma guerra em que não apenas os Estados Unidos perderam, mas também que causou muita comoção no mundo inteiro. Muitos filmes mostram essa comoção toda, como Forrest Gump ou Apocalypse Now, entre outros.

A partir daí Rambo foge para a floresta. E quando Rambo está na floresta, todos estamos perdidos.



I could have killed 'em all, I could've killed you. In town you're the law, out here it's me. Don't push it! Don't push it or I'll give you a war you won't believe. Let it go. Let it go!

E depois de muita caça na floresta, tem uma cena muito interessante que é quando o Coronel Trautman entra em cena. A única pessoa que o Rambo chama de "amigo", e ao mesmo tempo a única pessoa que pode de fato parar John Rambo de destruir meio mundo.

O diálogo abaixo tem umas falas interessantes. A primeira fala é a de Rambo dizendo que "não existem civis amigos". Outra ponto que o filme mostra é o preconceito que os americanos sentiram quando voltaram do confronto no Vietnã. Ninguém lhes queria oferecer emprego, pessoas os chamavam de "assassinos de bebês", coisas do gênero que os hippies faziam. Porém, a crítica pública deveria ser contra os governantes, contra os generais, não contra os soldados. Eles apenas recebiam ordens, e quando se está numa guerra, e você é convocado pra participar, não existe a opção de se dizer "não". Apenas obedecer.


Rambo consegue massacrar o pessoal e enfim chegar na cidade, pro seu confronto final com o xerife Will Teasle. E nem preciso dizer que se o cara na floresta e desarmado já era forte, quando ele enfim consegue uma arma ele se torna indestrutível. Quando ele enfim pega o cara, e está prestes a terminar tudo, o coronel aparece e para tudo.

Parece que no livro é diferente. Os dois, Rambo e o xerife se matam. Mas o discurso do Rambo é excelente:



Rambo: Nothing is over! Nothing! You just don't turn it off! It wasn't my war! You asked me, I didn't ask you! And I did what I had to do to win! But somebody wouldn't let us win! And I come back to the world and I see all those maggots at the airport, protesting me, spitting. Calling me baby killer and all kinds of vile crap! Who are they to protest me, huh? Who are they? Unless they've been me and been there and know what the hell they're yelling about!

Trautman: It was a bad time for everyone, Rambo. It's all in the past now.

Rambo: For *you*! For me civilian life is nothing! In the field we had a code of honor, you watch my back, I watch yours. Back here there's nothing!

Trautman: You're the last of an elite group, don't end it like this.

Rambo: Back there I could fly a gunship, I could drive a tank, I was in charge of million dollar equipment, back here I can't even hold a job *parking cars*!

Pois é. Depois de tudo a gente entender que não é nada fácil. Nunca foi!

Filmes do Stallone tem essa de falas que explicam tudo, onde o protagonista entra num quase monólogo. Sempre tem umas falas memoráveis, como no Rocky também. Mas a parte mais tensa é ver o horror da guerra na voz de Rambo:

Rambo: We were in this bar in Saigon and this kid comes up, this kid carrying a shoe-shine box. And he says "Shine, please, shine!" I said no. He kept askin', yeah, and Joey said "Yeah." And I went to get a couple of beers, and the box was wired, and he opened up the box, fucking blew his body all over the place. And he's laying there, he's fucking screaming. There's pieces of him all over me, just... Like this, and I'm tryin' to pull him off, you know, my friend that's all over me! I've got blood and everything and I'm tryin' to hold him together! I'm puttin'... the guy's fuckin' insides keep coming out! And nobody would help! Nobody would help! He's saying, sayin' "I wanna go home! I wanna go home!" He keeps calling my name! "I wanna go home, Johnny! I wanna drive my Chevy!" I said "With what? I can't find your fuckin' legs! I can't find your legs!"

E aí ele chora e o Coronel o conforta. E aí a magia do cinema acontece, e todo o resto do filme faz sentido. Muito massa!

Esse post é mais pra mostrar mesmo que Rambo não são apenas explosões, mortes e sangue. O filme, especialmente esse primeiro, trata de uma problema real que aconteceu por conta de outro problema maior ainda, a Guerra do Vietnã e as consequências em cima dos seus soldados. Acho que ajuda a tirar um pouco o glamour que ser um herói de guerra tem, certo?

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