sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Eu e Marina.


Era o último dia dela aqui. Subimos pra fazer a oração da noite, tudo já havia passado, o fórum, o eza, e quando acendi a luz ela estava lá, chorando. Eu tava exausto, afinal tinha sido uma semana cheia de coisas pros preparativos do fórum, e abracei ela. Ela encostou no meu ombro e chorava a ponto de soluçar.

Foi assim que terminou a passagem dessa minha amigona aqui.

Bom, eu não moro num lugar muito bom, mas quando ela havia decidido que viria pra São Paulo tentar participar da elevação espiritual eu achei que deveria fazer algo pra ajudar ela. E ofereci então a minha casa. Ela teria chance de passar dias com um praticante Shinnyo como ela, e seria um bom treinamento pra mim, pois nunca hospedamos uma pessoa em casa antes. Pensar em toda a questão da comida, hospedagem e bem-estar era um passo e tanto, mas resolvi topar.

Na noite em que ela veio eu não consegui dormir direito. Fomos cedinho pro aeroporto buscá-la, e por sorte a mala dela tinha sido uma das primeiras a serem despachadas. Meu pai ofereceu uma gentil carona e fomos lá. Mal chegamos em casa e fomos ao templo, participamos de uma cerimônia de aniversário do templo da Shinnyo-en Brasil e ela participou do eza. Seria bom pra ela se acalmar.

No dia seguinte, antes de subir pro eza, não sei descrever, mas eu estava com uma paz tremenda dentro de mim. De fato, todos nós que somos mais experientes temos que abrir o caminho para os novatos conseguirem caminhar. Muitas pessoas me ajudaram, e me ajudam até hoje. E ajudar a Marina seria como ajudar uma pessoa a mais. E isso é enriquecedor.

Mas enquanto ela estava lá meditando eu estava ansioso pra caramba. A ideia de deixar ela em casa era pra exatamente isso, deixá-la mais tranquila, e independente do resultado estar ao lado dela pro que der e vier. Muitos outros praticantes não conseguem ter esse pensamento. Muitos acabam sendo pessoas bem frias e distantes, e sei que isso é terrível. Mesmo que o meu jeito não seja muito de contato físico com as pessoas (e ela, pro meu desespero, adorava abraços, haha), reconheço pessoas especiais na minha vida.

Porém, um cupcake só é gostoso quando comemos um de vez em quando. Por isso gosto de pensar isso sobre meus abraços. Eles são bons, mas se der sempre, enjoa e fica corriqueiro.

E quando subi pra ver o resultado da elevação... Uau! Ela conseguiu! Daijo!

Inacreditável!

Pelo menos pra mim era um peso a menos nas minhas costas! Que felicidade! O fim de semana da elevação passou voando - e com muito gohoshi, ainda bem. Na segunda-feira foi o único dia que tirei pra passear com ela. Fomos numa aventura no centro de São Paulo, que acabou acontecendo por acaso, pois enquanto buscávamos um banco pra pagar uma conta que ela precisava pagar acabamos passando por diversos locais turísticos de São Paulo, como a Faculdade de Direito, a famosa Daiso na frente da Praça do Patriarca, Prefeitura de São Paulo, Teatro Municipal, Rua Líbero Badaró, o Banespão, Mosteiro de São Bento, Páteo do Colégio, Catedral da Sé, pra enfim, lá pelas 15h30 ir almoçar na Liberdade.

Porém, nada estava aberto. O horário de almoço já havia passado, e fomos comer num sujinho dali da região mesmo.

Fomos fazer umas comprinhas e depois irmos de volta ao metrô Jabaquara pra pegarmos o ônibus pra casa. voltamos moídos, mas ainda jogamos Heads Up (sim, o da Ellen Degeneres) no ônibus. Hahaha! Era engraçado as referências que surgiam na cabeça dela pra me dar as dicas.

Na terça tive o dia inteiro de reunião no templo sobre o fórum. Quando chego em casa ela me recepciona com comida do norte, que eu adorei! Tucupi, arroz e carne. Melhor impossível.

Na quarta tive que ir no templo pra gravar um vídeo pro fórum, fui e voltei, e fiquei ilhado no meu computador resolvendo coisas, como o talkshow que seria feito no dia do fórum. À noite fiquei vendo ela jogar Zelda: Wind Waker enquanto fazia tarefas pro fórum.

No dia 29 (quinta) um amigo meu tava precisando de sangue O+ pro pai dele, internado no Hospital do Servidor Público, e fui correndo lá doar pro cara, já que esse é o meu tipo sanguíneo. Na volta fomos passear pelo meu bairro. Levei ela pra comer pastel gigante, tomar sorvete da Ofner por preço muito mais barato e apresentei ela pra minha avó. Espero que minha avó não pense que ela era minha namorada, hahaha.

E na noite, lá fui eu de novo fazer coisas pro fórum. Bem ocupado mesmo. Ela disse que eu tava tão concentrado que estava fazendo "bico", hahaha!

Sexta fomos ao templo aprontar as coisas pro grande dia que seria o fórum. Limpar, passar cera, lustra-móveis, deixar tudo limpo e brilhando pra receber pessoas do Brasil e América do Sul inteiros! Foi bem cansativo, mas foi ótimo. E nem preciso dizer que cheguei novamente esgotado em casa.

No sábado e domingo tivemos o primeiro Fórum Jovem Shinnyo-en América do Sul. E teve de tudo. Muita diversão, emoções, depoimentos sensacionais e muitas novas amizades que espero levar pelo resto da minha vida (isso merece um post à parte).

E quando chegamos em casa depois dos dois dias de fórum ela estava lá, chorando, e eu a abracei.

Novamente: um cupcake só é gostoso quando comemos um de vez em quando. Por isso gosto de pensar isso sobre meus abraços. Eles são bons, mas se der sempre, enjoa e fica corriqueiro.

Ela, chorando, me abraçando, completamente emocionada, me disse: "Puxa, você suporta tanta coisa e continua sendo uma pessoa tão boa".

E aí me lembrei do peso que também rola na gente. Afinal, pessoas estão contando comigo, tem a mim como um "líder" ou "inspiração", mesmo apesar de todas as minhas falhas, todos os meus erros. Agradeço humildemente a todas as pessoas que confiam tanto em mim, e claro, prometo continuar me esforçando, apesar do fato que eu sei que eu tenho muito a aprender e melhorar como pessoa ainda. Mas que é uma coisa difícil, e tenho muito a melhorar, é sim.

No dia seguinte Marina foi de volta pra casa, fui no templo pra uma reunião e voltei sozinho. Bateu um tiquinho de saudade da amiga sempre perdida nos horários, andando pra lá e pra cá, perdida e avoada. Acima de tudo, essa última semana ficará marcada pra sempre no meu coração. Especialmente pelo fato de eu ser sempre uma pessoa bem solitária e sozinha. Ter a companhia da Marina é claro que teve seus momentos bons e outros nem tanto. Mas sem dúvida essa minha amiga deixou saudades.

Foi ótimo ter caminhado esse tiquinho de jornada juntos como nunca antes a distância permitiu. Obrigado, minha amiga do peito!

1 comentários:

Marina disse...

Eu até hoje não consigo botar em palavras o tanto de amor que eu recebi e ainda reverbera na minha vida até hoje. <3
Gratidão por tudo, mano. <3

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