domingo, 27 de dezembro de 2015

Doppelgänger - #119 - Uma rosa para parar a aurora.

Dentro da Bolsa de Valores de Londres estava tranquilo. Alguns monitores estavam ligados, câmeras de vigilância continuavam a funcionar e até mesmo alguns seguranças faziam a ronda noturna. Estava muito calmo o local. Até demais.

“Algum sinal do Ar?”, perguntou Natalya Briegel, no fone para Al.

Não havia sinal de nada. Ninguém. Dois guardas apenas guardando o local. Parecia que tudo estava pronto para a qualquer momento Ar começar sua insurreição. Sem testemunhas. Sem ninguém.

“O lugar está tranquilo. Quieto demais”, disse Al.

Enquanto Al procurava algum terminal do VOID no térreo, Neige e Eliza Vogl subiram para os andares superiores. Depois de invadir o sistema de segurança com seu laptop, Neige conseguira abrir uma porta atrás da outra, e ia adentrando nos andares superiores da Bolsa de valores londrina.

“Nada ainda, Al. Estamos indo pro segundo andar”, disse Neige, subindo as escadas.

Enquanto Al virava em um dos corredores, entrando na sala onde as negociações de ações são feitas viu um vulto ao longe.

Pessoas que conhecem bem umas às outras muitas vezes possuem a curiosa habilidade de reconhecer uma pessoa de longe, de qualquer ângulo possível. E assim que Al viu essa pessoa de costas tinha certeza absoluta de quem era. O cabelo, altura, até o jeito de caminhar.

Mano?, pensou Al. Mas logo ele se corrigiu e viu que era impossível de Arch estar lá. E que isso com certeza era a incrível semelhança que Ar, o filho dele, tinha com o pai.

Al foi seguindo calmamente Ar, tomando cuidado para não ser visto. Realmente a sala estava muito deserta, e uma penumbra dificultava ainda mais a invasão. Ninguém próximo deles. As câmeras pareciam estar desligadas, e apenas alguns computadores com proteção de tela com o logo da Bolsa de Valores de Londres que iluminavam o caminho até lá.

Ar havia entrado numa sala, e estava conversando com uma pessoa que fazia muito tempo que Al não encontrava. Dietrich. E do lado estava Rockefeller. Era uma sala pequena, com um mainframe imenso, e três laptops conectados a eles.

“Boss, quer que eu vá lá e mate Al e Victoire? Se eles entrarem aqui e virem o que estamos fazendo podem usar como provas contra nós”, disse Dietrich.

Al, ouvindo a conversa toda encostado na quina da porta não acreditava no que seus olhos viam. Dietrich havia desaparecido depois que a Dawn of Souls havia sido perdida, há quase dez anos. O tempo havia castigado ele demais, mas ele parecia que usava uma espécie de exo-esqueleto, uma armadura metálica que deixava ele com uma estranha aparência robótica embaixo do sobretudo militar. Dietrich estava realmente estranho.

“Não. Não tem mais nada que eles possam fazer agora. Vamos colocar o plano em ação agora, o Al não pode fazer mais nada. O que nós não podemos deixar é que aquela menina coloque o Rosebud aqui”, disse Ar.

“Será que ela descobriu o que o Rosebud pode fazer? Pra ela deve ser apenas um programa estranho que a Saunders deixou. Eu duvido que eles tenham essa informação”, disse Rockefeller.

“Mas o que realmente o Rosebud faz?”, perguntou Dietrich.

“O Rosebud é um programa de segurança, que funciona como um vírus de computador, criado pela Interpol para um fim específico. Eu havia pedido para que os Doe os buscasse, mas eles nunca conseguiram achar esse programa. Na época eu lhes disse que esse programa é o único que poderia parar o VOID, mas na verdade ele é capaz de parar o VOID pois seu alvo é na verdade outro. É apagar quaisquer rastros da Dawn of Souls”, disse Ar.

Al, que estava escondido, nessa hora arregalou os olhos.

“Entendo. E você colocou a Dawn of Souls no local mais protegido dentro do VOID, na raiz do seu sistema”, disse Rockefeller.

Então é isso... Será que esses laptops estão conectados no VOID então? Se for, preciso buscar o Neige e a Vogl o mais rápido possível, pensou Al.

Tudo parecia enfim estar caminhando para um fim. Depois de semanas correndo atrás de Ar, cruzando países, cidades, investigando diversas pessoas, depois de diversas mortes, tudo parecia enfim estar chegando no seu fim. Era só levar Eliza Vogl com o Rosebud para lá e acabar com tudo isso.

“Ei, o que é aquilo na porta?”, perguntou Rockefeller.

Al pensou rápido, se virou, agachou e foi andando sorrateiramente na direção oposta. Rockefeller foi até a porta, esticou o pescoço e olhou. Nada.

“Acho que foi impressão minha”, disse Rockefeller.

Al já estava saindo do salão principal quando ligou seu comunicador para falar com Neige.

“Neige, aqui na sala principal onde negociam as ações. Acho que achei um terminal do VOID”, disse Al.

- - - - - -

Victoire estava erguida. Tinha rasgado um pedaço de pano e enrolado no seu braço para estancar o sangue que continuava jorrando do ferimento de bala que ela havia sofrido. Tirando o ferimento que estava com a bala alojada nela, ela parecia estar bem e ativa.

Ao ver Victoire em pé, Natalya Briegel se assustou.

“Onde você pensa que vai assim?”, perguntou Natalya para Victoire.

“Eu vou entrar. Não vou ficar aqui parada”, disse Victoire.

Victoire começou a caminhar até a entrada, pressionando o ferimento no seu braço com a outra mão. Natalya foi até ela e a puxou pelo braço.

“Você tá louca? Com esse ferimento você vai só atrapalhar, e se acontecer alguma coisa com...”, disse Natalya, interrompida de súbito por Victoire, que havia com apenas um braço e com dois golpes nas pernas de Natalya, a jogado no chão de bruços, e aplicado uma chave com seu joelho, imobilizando-a.

Natalya Briegel não estava acreditando naquilo.

“Eu só preciso de um braço. Eu já atrapalhei demais o Al nessa missão. Não quero mais ser um estorvo para ele”, disse Victoire, soltando Natalya, que teve dificuldades em se erguer. Até mesmo os capangas de Natalya Briegel ficaram sem reação ao ver a força da francesa.

“Ah... O que eu faria se pudesse ter uns vinte anos a menos. Com certeza seria eu quem te daria uma surra”, disse Briegel, “Então vai logo e para de me encher o saco”.

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