quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pegasus 10 - 2009


Em 2009 Michael Jackson morreu, a pessoa pelo qual eu sempre nutri uma admiração maior do que qualquer outra.

Acho que essas coisas que deixam um grande buraco dentro da gente acabam escritas na nossa memória de maneira que jamais o tempo pode apagar essas tristezas. A perda de Michael foi uma delas. Eu lembro exatamente do que estava fazendo no dia: tinha ido na Paulista, assistir um filme de José Padilha, e estava voltando pra casa quando algumas pessoas me ligaram, perguntando se eu sabia o que tava acontecendo com o Michael.

"O que aconteceu com o Michael? Ué, pra mim ele tá bem!", eu respondia.

E ele estava. Claro que eu tava muito feliz em ouvir que ele estava voltando com tudo para a turnê This is it. E até onde eu sabia, as últimas semanas daquele período de 2009 eram de intensos ensaios, pois parecia que a coisa realmente prometia ser espetacular. E quando chego em casa e ligo a tevê, vejo carros saindo de Neverland, o corpo de Michael, e depois a morte confirmada.

A morte sempre vai ser algo trágico. Mas parece que na minha vida, as mortes que presenciei sempre foram muito do nada. Era uma doença ou algo muito grave que pegavam, que já evoluía, e... Pum. Matava. Como se num dia estivesse tudo bem, e no outro... Morto.

Levou quase um mês pra cair a ficha. Pra mim Michael ainda estava lá nos ensaios da turnê, ou que isso era uma piada dele, sei lá. Minha ficha só começou a cair mesmo no dia em que assisti seu memorial. E chorei muito com Paris Jackson quando ela - no final do serviço memorial - chorou quando falou do que seu pai significava pra ela.

Paris, pra mim seu pai significou muito também.

Michael começou pra mim como uma pessoa que eu curtia muito suas músicas. Mas quando eu conheci sua pureza de caráter, as dificuldades que ele sofria com seu pai, a infância que ele nunca teve, pois nunca conseguiu brincar com as outras crianças, e aquela ingenuidade me fez ver que aquele cara poderia ser pra mim algo mais do que um ídolo. Michael era o amigo que eu nunca tive, que passou pelas mesmas coisas, que tinha as mesmas manias, que era um adulto por fora com uma criança imensa por dentro - criança essa que foi muito reprimida quando era uma pequeno - assim como eu.

Eu não gosto de falar da minha infância. Mas não foi nada boa.

Michael era a esperança que eu tinha de ser eu mesmo. Que não era errado essa pureza que eu nutria. Que não era errado eu querer brincar com as crianças do que conversar com adultos. Que não era errado eu querer ser diferente das pessoas.

E quando ele morreu, uma parte enorme dentro de mim morreu junto.

Michael foi sem dúvida a maior base da minha vida inteira. E ainda hoje continua uma imensa inspiração pra ser cada vez melhor em tudo o que eu faço. Exatamente como ele era.

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