domingo, 31 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #125 - Stronghold Showdown

Al estava seguindo o doppelgänger de Arch de perto. Com passos silenciosos Al permanecia a pelo menos três metros atrás dele, observando cada um dos seus passos. Ele viu o suposto Arch subindo a escada, indo pro segundo andar. Tudo estava muito escuro, e cada vez mais estava difícil de distinguir seu alvo no meio daquela escuridão.

Esse cheiro... É o cheirinho do meu irmão mais velho..., disse Al, puxando sua memória olfativa.

Al se lembrou da época que descobriu o que fazia o perfume do seu irmão tão único. Ele não se lembrava obviamente da marca, mas o cheiro de alguém quando se impregna na nossa memória dificilmente nós esquecemos. Foi um dia, enquanto ele andava em Bond Street, no centro de Londres, que ao passar no local onde se localiza hoje o Madame Tussaunds (antigo planetário londrino) sentiu um perfume parecidíssimo com aquele que seu irmão usava.

Nesse mesmo instante Al se virou e foi atrás da pessoa, e meio descaradamente perguntou pra esse transeunte qual era o perfume. A pessoa falou a marca e depois Al foi a um especialista em perfumes saber quais eram as notas olfativas daquela mistura.

Sândalo e lavanda... É o cheiro do Arch. Está equilibrado, não parece aquele cheiro forte que eu senti quando estava na prisão. Meu irmão verdadeiro sabe exatamente o perfume que usa, pensou Al.

Ele foi subindo as escadas, quase que farejando o cheiro. Mas quando chegou no andar não havia ninguém.

Al se encostou na parede e virou o rosto, buscando. Nada. Passo a passo foi avançando com todo o cuidado. O cheiro ainda estava presente no ar, provavelmente o suposto Arch tinha passado por ali, não havia muito tempo. Al foi avançando, cruzando as várias portas fechadas. Nada. Alcançou um primeiro corredor, deu uma olhada. Estava totalmente escuro. Continuou a caminhar.

“Al, irmãozinho, é você?”, disse uma voz atrás de Al.

Quando Al se virou, seu coração quase que parou. Não era possível aquilo. Era muito similar. O olhar, a seriedade, o cheiro... Obviamente Arch estava bem mais velho do que sua última lembrança, no final da década de oitenta. Pelas suas contas Arch estava beirando os cinquenta anos, e a idade o havia deixado ainda mais imponente do que era antes. Seu cabelo estava totalmente branco, tinha rugas, e a sua inconfundível barba abaixo do queixo estava igualmente grisalha. Além de tudo o olho esquerdo dele era um globo branco. Arch havia perdido ele nas sessões de tortura antes de ter sido morto.

Al ficou em choque, congelado. Era seu irmão. Vivo!

Sua mente estava entrando em parafuso. Acreditava que ele estivesse morto esses anos todos, e agora estava de frente com ele. Não sabia se aquilo era um fantasma, se poderia abraça-lo, se poderia tocar nesse que o criou e o amou como nenhum outro antes. Queria voltar a ser criança, ter os tempos com seu irmão que tanto admirou e o inspirou de volta. As tardes brincando com ele, as longas conversas, o treinamento, os conselhos, tudo. Todos aqueles poucos segundos que o havia visto parecia que o enchia de esperança que até seus olhos ficavam cheios de lágrimas.

“Mano...!”, disse Al, sorrindo.

Al deu um sorriso como nunca antes dera depois desses mais de vinte anos. Seu coração irradiava felicidade, tanta felicidade em ver seu irmão que ele não conseguia dizer nada. Mesmo com os olhos cheios de lágrimas, e enxergando embaçado seu irmão, ele sequer piscava pra não perder um único segundo daquilo. Era ele!

Arch também, estava mudo. Também não acreditava que estava vendo seu irmãozinho na sua frente. O irmão que ele amou tanto, o irmão que foi como um filho pra ele, alguém que ele ajudou a criar, educar, e o ensinou tanto sobre a vida.

“Arch, vamos logo!”, disse uma voz ao fundo.

Isso tirou um pouco Al do seu “transe” em ver seu irmão mais velho. Quando olhou por cima do ombro do seu irmão viu um homem negro no fundo trajando um lança-chamas e uma mulher de longos cabelos negros ao lado dele. Eles pareciam aguardar Arch, que virou seu rosto em direção deles e assentiu com a cabeça.

“Meu irmãozinho, como você cresceu”, disse Arch, segurando Al pelos ombros, “Eu tenho que terminar uma coisa agora ali, não chegue perto de hipótese alguma. Por favor, cuide-se. Foi muito bom te rever, Al”.

E Arch deu um rápido abraço em Al e se virou, indo em direção do homem negro e da mulher de cabelos escuros, entrando numa das salas daquele imenso corredor.

As pernas de Al não respondiam mais, tamanha emoção. Simplesmente caiu de joelhos e começou a chorar. Aquilo estava dilacerando seu coração. Sentia uma dor tremenda, uma vontade de chorar incontrolável, uma impotência e o sentimento de tristeza de ver seu irmão virando as costas pra ele e novamente o deixando.

Queria gritar. Queria gritar pra que ele ficasse, que ele entendesse o quanto fazia falta pra ele. Mas soluçava tanto que mal tinha ar para fazê-lo. Queria gritar dizendo o quanto o queria do seu lado, nem que fosse por esse pouco tempo de vida que restava a ele. Mas não. Al estava tão emocionado com aquele encontro que nada podia fazer a não ser soluçar de joelhos no chão vendo seu irmão partir.

Acima de tudo sentia um arrependimento. Quando seu irmão o abraçou ele estava tão em choque que nem mesmo o agarrou. Sua vontade era o prender no abraço que ele tanto quis nesses anos todos e nunca soltá-lo. Era como se naqueles poucos minutos ele fosse completo de novo. Como se tudo o que aconteceu nesses anos todos, toda a humilhação e coisas horríveis que ouvira sobre seu irmão que tanto amou fossem de súbito... Esquecidas. Tudo era aquele abraço. Como se um pedaço do corpo dele que ele tinha perdido há mais de duas décadas estava de volta. E durante aqueles poucos segundos ele era uma pessoa completa novamente.

Durou alguns minutos esse seu choro. Mas pareciam décadas. Seu coração estava começando a acalmar.

Mano... Eu vou lutar. Pode deixar, pensou Al, se erguendo.

Ele tinha que voltar logo pra levar Eliza Vogl pra parar o VOID. Começou a correr em frente. E quanto mais se aproximava da porta onde o seu irmão havia entrado, vira do corredor que a luz estava acesa.

Mano? Ele está ali?, pensou Al.

Mais passos rápidos em frente e ouviu uma conversa. Era meio difícil de entender, mas ficava mais claro quanto mais se aproximava. O tom era alto.

“Você não estava morto? O que veio fazer comigo?”, gritou a voz. Não era Arch.

“Eu vim fazer o que eu devia ter feito há anos atrás, seu idiota”, disse Arch.

Nesse momento Al passou correndo em frente da sala, indo em direção da sala onde estava Neige e Eliza Vogl. Durou apenas alguns poucos segundos, mas parecia estar em câmera lenta. Todos os detalhes pareciam transcorrer nítidos. Nítidos até demais.

O que Al viu de relance foi Arch ao lado de um homem negro forte e alto, e a mulher magra branca de cabelos pretos na frente de uma quarta pessoa. Essa pessoa era grisalha e bem velha, vestia uma roupa estranha, que parecia uma armadura futurista escura, colada no corpo. Um exo-esqueleto.

Era Dietrich. O homem que havia feito diversas coisas, como manipular o Al, roubar a Dawn os Souls anos trás e agora estava trabalhando como braço direito de Ar.

Al continuou a correr e alguns passos adiante ouviu um estrondo. Era o lança chamas ativado. Dava pra se ouvir o grito de desespero de longe.

Era a voz de Dietrich. Estava sendo queimado vivo.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Livros 2016 [#2] - Desvendando os segredos da Linguagem Corporal.

Eu li esse livro em praticamente uns quatro dias, hehe.

Eu gosto muito dos livros do Alan & Barbara Pease. É um casal especialista em comportamento humano que escreveram livros legais de auto-ajuda como Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor, que eu tenho, e já li.

Nesse eles abordam como não apenas ler a linguagem corporal das pessoas, como também usar ela ao seu favor, pra reuniões no trabalho, entrevistas de emprego, etc. Eu gostei muito! Meu pai sempre me proibia de ficar de braços cruzados, especialmente quando ele me dava as surras dele. Ele dizia que ficar de braços cruzados na frente de alguém mostrava que eu tava na defensiva. Então vamos receber as brigas de braços abertos, haha.

Ficar de braços cruzados sempre foi algo proibido em casa. Mesmo no frio. E lendo o livro entendi o motivo. E isso sem contar os outros diversos outros sinais corporais que o livro aborda. Especialmente como pegar se alguém tá falando mentira ou sendo sincero, por exemplo. É um livro interessantíssimo. Tão interessante que tem tanto conteúdo que fica difícil colocar aqui. Quem tiver interesse, leia, é um best seller aqui no Brasil (quase meio milhão de cópias vendidas!).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #124 - BRUTAL

Victoire e Olivia começam uma luta feroz.

Neige estava de longe observando tudo aquilo que se desenrolava no corredor. O som do impacto dos golpes era tanto que com certeza aquilo teria atraído algum segurança, ou alguém que estivesse de passagem por lá. Mas não havia ninguém. A Bolsa de Valores estava extremamente quieta naquela noite, havia algo estranho. Só se ouvia os golpes de Victoire acertando em cheio Olivia Carrion. E nas raras vezes que os golpes de Olivia não eram desviados por Victoire, quando acertavam não fazia o mesmo barulho.

Minha nossa! Victoire tá avançando ferozmente e a Olivia só está caminhando pra trás tentando se defender dos golpes. Parece que pra cada golpe que a Olivia tenta dar, Victoire dá uns quatro ou cinco. Eu imaginava que ela era boa de briga, mas nem tanto!, pensou Neige.

Victoire estava sem mexer o seu braço esquerdo, machucado com o tiro que levou de Al. Mas mesmo com um membro a menos era clara a vantagem sobre Olivia.

“Ah, corta essa. Você tá lerda igual uma lesma. Deixa eu terminar logo isso!”, disse Victoire, que desferiu um potente soco no estômago de Olivia, que a fez saltar e cair de joelhos na frente de Victoire.

“Nossa!”, gritou Neige. Olivia estava de joelhos na frente de Victoire, caída no chão, cuspindo sangue.

Victoire apenas observava.

“Eu não vou perder de você. Não vou perder de novo!”, disse Olivia, que se ergueu e saiu correndo para dentro daquele salão cheio de mesas e computadores onde Eliza Vogl estava escondida.

Victoire apenas a observava correndo pra lá. Enquanto a francesa caminhava até a entrada da sala ouviu um chamado de Neige.

“Victoire... A Eliza! A Eliza tá escondida na sala! Cuidado pra não quebrarem nada e machucar a menina, pelo amor de deus!”, disse Neige.

Victoire olhou pra Neige ainda de costas e assentiu com a cabeça, e entrou na sala. Olivia havia se escondido em algum lugar. Victoire caminhava calmamente entre as divisórias e ilhas daquela sala, como se fosse um gato procurando um rato acuado.

“Olivia!”, gritou Victoire, “Vamos logo que eu hoje eu tô afim de ver sangue! Tô tão inspirada que daria uma surra em você e no Ar juntos se ele aparecesse aqui. Vamos logo que eu tô com pressa!”.

Quando Victoire terminou a fala e deu mais alguns passos, Olivia saiu de algum lugar com uma voadora potente do lado direito de Victoire, fazendo-a cair em cima do seu braço machucado.

“Ah, tocaia, né? Só uma baixa como você achar que eu ia cair nessa”, disse Victoire, se erguendo. Por mais que tenha doído aquilo, ela estava sorridente e pronta pra dar mais uma surra em Olivia.

E foi isso que aconteceu. Victoire acertava socos e mais socos em Olivia que simplesmente não entendia o que estava acontecendo. E junto com a penumbra da sala, aquilo só dava mais desespero a ela, que mal sabia o que estava acontecendo na sua frente. Apenas sentia as pancadas dos golpes, que depois de tanta dor, estava confundindo ela, que nem estava conseguindo sentir direito.

Incrível. Victoire parece que ficou mais rápida ainda e forte. Eu não consigo nem mesmo ver o que tá acontecendo, e ela vai só avançando pra cima dela, pensou Neige, que tomou um susto ao entrar na sala e ver as duas lutando.

Subitamente alguém cutucou Neige, que pulou de susto.

“Ei, fala baixo! Sou eu! Onde você tava?”, disse Eliza Vogl.

“Ah, Eliza! Minha nossa, o Lucca me mata se acontecer alguma coisa com você! Fica aqui, é mais seguro”, disse Neige.

“Peraí... Com você?”, disse Eliza, zombando com a cara dele.

“Ei! O que você quer dizer com isso?!”, brincou Neige.

Do outro lado a luta continuava claramente em vantagem pra Victoire. Olivia, de tanto tomar socos e pontapés estava ficando tonta, e seu rosto estava cheio de marcas, sangrando cada vez mais.

“Puxa, se conseguirmos pegar o Ar eu vou querer te contratar!”, disse Victoire, no meio dos golpes que desferia em Olivia, “Te contratar como meu saco de pancadas particular. Você tá aguentando bem!”

Olivia se enfureceu, defendeu uns dois golpes de Victoire e jogou seu corpo contra a francesa, empurrando as duas contra uma das muitas mesas dentro das divisórias daquele imenso escritório. Obviamente a estrutura não aguentou e cedeu, jogando as duas no meio de uns monitores e madeira quebrada com o impacto.

“Ah! Então é assim? Vem cá, sua tonta”, disse Victoire, se virando e imobilizando Olivia pelo braço, “Neige! Escuta... Achou a menina aí?”

Neige se assustou por chamarem ele do nada no meio da luta. Mas ainda assim respondeu Victoire:

“Ah, sim! Achamos sim. Tá comigo aqui!”, respondeu Neige.

“Ótimo!”, disse Victoire pegando Olivia pela cabeça, “Então, agora veremos o quanto você é fraca, e o quanto eu sou forte...”.

E Victoire pegou Olivia pela cabeça e a jogou violentamente contra uma das escrivaninhas próximas. Quebrou tudo, obviamente. Olivia mal teve tempo pra respirar e Victoire a puxou pelo braço e, novamente, a jogou contra um outro móvel com computador na frente. E fez isso ainda uma terceira vez. Quebrou tudo. Tudo.

Totalmente ensanguentada e inconsciente jazia Olivia depois do terceiro impacto.

É... Foi divertido. Mas esperava um golpe baixo de você, Olivia, como de costume. Você sempre achava que pra vencer não importavam os meios, mas acho que nem dei muita chance de você bolar algo, pensou Victoire, olhando pro corpo inerte de Olivia no meio das tralhas quebradas.

Foi aí que rapidamente Olivia despertou num salto em direção a Victoire e atacou o único ponto fraco ali naquele momento: pressionou firmemente o ferimento de bala no seu braço, causando uma dor insuportável que fez Victoire gritar.

“Eu não vou perder!! Eu não quero perder!! Eu vou te derrotar sua vagabunda!!”, gritava Olivia enquanto enfiava seus dedos no buraco de bala alojado em Victoire.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Star Wars - O Despertar da Força (2015)


Antes de qualquer coisa: eu gostei do filme.

Como disse um professor meu de cinema da faculdade, deve ter sido muito louco pro JJ Abrams, um cara que provavelmente viu os filmes da trilogia do Luke no cinema, ter sido escolhido pra fazer um capítulo novo da saga. É um sonho de qualquer fã. Tipo me colocar pra ser um novo James Bond, saca?

Engraçado que o pessoal talvez por ter gostado tanto do filme, guardaram os spoilers. E olha que eu não fechei meus olhos pra spoilers. Se um spoiler viesse, eu iria ler. Mas (quase) ninguém falou nada expontaneamente. Foi algo totalmente diferente do que foi na época do filme dos Vingadores (da Marvel), por exemplo. Que rendeu spoilers, memes, e eu sabia de tudo do filme antes de assistir. Eu não ligo pra spoilers, pelo contrário, eu adoro spoilers. Spoilers me dão vontade de assistir (ou não). Mas 90% das pessoas não gostam de spoilers.

Fiquei pensando em um formato legal pra falar do que eu gostei e do que não gostei dos filmes/seriados/música/games que eu experimento. Separei em tópicos do que gostei e o que não gostei, acho que vai ficar legal e melhor pra ler do que um textão! Vamos lá:

Eu gostei mais do Finn do que do resto do pessoal
A Daisy Ridley (Rey) é legal, corre maratonas, mas muito chiliquenta com aquela de "não pega na minha mão!". O Poe Dameron só porque cumprimentou o Finn todo mundo diz que ele é gay (sim, uns tontos falaram que "Malévola" era um amor lésbico também). O Kylo Ren não sei se gostei ou se odiei. Mas desde que os trailers vem rolado sempre pensei que o Finn (John Boyega) ia ser apenas um tapa buraco. Mas não é que depois de ver o filme eu não achei o negão o mais legal de todos?


Essa molecadinha é bem talentosa atuando. Na qualidade da atuação, gostei muito do trabalho da Daisy Ridley. Mas o personagem do Finn é muito bacana porque é o cara mais perdido das galáxias. O medo dele voltar a ser um Stormtrooper, a coragem de seguir em frente mesmo sem saber onde tá pisando, as mentirinhas, a vontade de dar um sapeca-iáiá com a Rey, usar um sabre de luz, e até mesmo mostrar sua carga de testosterona lutando contra o estressadinho Kylo Ren. Finn foi muito além do esperado. E já é meu personagem favorito!

Eu não gostei de ignorarem o Expanded Universe
Quando anunciaram o novo Star Wars eu pulei de alegria. Pensei que enfim iria ver os heróis que eu tanto sonhei em ver, como os filhos do Han e da Leia: Jacen, Jaina e Anakin Solo, o Luke dando uns pegas na Mara Jade e tendo o Ben Skywalker como fruto desse roletrando, as guerras civis, morte do Chewie, etc. Isso tudo está escrito, por fãs, aprovado pelo próprio George Lucas. Mas estamos falando da Disney. A empresa que é tão rica que está acima do bem e do mal. E o meu sonho de ver Darth Caedus (abaixo) foi por água abaixo e colocaram um babaca emo como Kylo Ren no lugar.


Mas quando em meados de 2014 a Disney disse que não usaria o Expanded Universe o meu mundo caiu. Todas as histórias que eu tinha lido até então jamais seriam filme, fariam uma coisa aleatória e tudo mais. Ok, pouquíssimos fãs devem ser fãs o suficiente pra buscarem coisas como o Expanded Universe. Um conselho de fã: tem muita coisa legal. Desde games sensacionais (como The Force Unleashed) como seriados como Clone Wars. Quando verem o esquema tudo, nem que seja pela Wookiepedia da vida, vai ver que é bem legal. É um universo MESMO!

Eu gostei da nostalgia
Os filmes de Star Wars, comparando a trilogia do Anakin e a do Luke, se você analisar o filme parte a parte você vai reparar que a estrutura dos filmes são bem parecidas. Vou dar um exemplo: O primeiro filme (Episódio 4 - Uma Nova Esperança) basicamente temos uma pessoa no deserto, alguém encontra o protagonista, levam pra fora desse deserto, a morte de um mestre, um planeta é ameaçado e uma batalha de naves terminando em uma explosão. Leia essa ordem que eu dei e você vai ver que se encaixa perfeitamente na estrutura do fluxograma dos episódios 1, 4 e 7.

Faz parte do clichê, e embora muita gente detestou pois esperasse uma coisa 100% nova, eu acho que isso deixou esse episódio 7 como um irmão caçula dos seus irmãos mais velhos 1 e 4. E irmãos são parecidos, mas não são a mesma pessoa.


Não entendeu ainda? Se você reparar bem existem mortes que fazem com que os protagonistas enfim entendam suas missões e sigam em frente. Luke perde o Ben Kenobi (episódio 4), Obi-wan perde o Qui-Gon (Episódio 1) e nesse o Finn e a Rey perdem o Han Solo (episódio 7).

O que? Não sabia que o Han Solo morre? Mesmo depois do Marcelo Adnet ter feito essa obra prima?

Eu não gostei da "disneylização" dos diálogos
Isso foi o que eu mais detestei. Eu dei MUITA risada no filme. E eu adoro dar risada. Mas dar risada em Star Wars por tudo parece que algo está muito errado. Acho que poucas pessoas repararam, porque ou quem assistiu foram crianças e não percebem isso pois já estão acostumadas, ou são adultos que nunca assistiram seriados da Disney pra entender do que estou falando.

Mas se você tiver a chance, faça a experiência. Assista uns dois episódios desses seriados juvenis da Disney, como Violetta, Zack e Cody, etc. Preste atenção nos diálogos. Essa molecada que fala com doses cavalares de sarcasmo e aquele som de risada de fundo (mas quando você assiste raramente parece engraçado, pois é extremamente artificial). É o tipo de diálogo de criança "esperta e malandra" com diálogos na ponta da língua. Depois de assistir e reparar no padrão, assista Star Wars. Você vai ver que parecem falas saídas desses seriados estranhos da Disney, e ficou extremamente caricato!


Star Wars tem humor. R2D2 e C3PO sempre foram os engraçados. Jar Jar Binks também dava uma dose de humor. Mas aí você vê uma heroína fudida como a Rey, falando como a Violetta fala no seriado dela, deixando ela com uma idade mental de 13 anos, tirando toda a magia dela de a nova Jedi pica das galáxias. Ou xoxota das galáxias, no caso.

A Disney cagou Star Trek. E com esses diálogos inúteis deixou os personagens com o mesmo intelecto desses seriados toscos que passam no Disney XD. Pior só seria se fosse a Nickelodeon que comprasse a Lucasfilm.

Eu gostei das batalhas de sabre de luz
Sei que isso vai fazer muita gente pensar coisa ruim de mim: mas eu prefiro muito a trilogia do Anakin do que a do Luke. Não apenas porque foi dirigida pelo criador (e George Lucas é um diretor do caralho, que vai muito além de Star Wars), e tenho pouquíssimas críticas sobre a trilogia do Anakin. Exceto talvez as batalhas de sabre de luz. Elas eram muito legais, mas tão legais que ficaram exageradas com todo aquele balé.


As batalhas de sabre de luz da trilogia do Luke eram BORING. O Luke não ganhava uma e era especialista em tomar uma surra de todo mundo. Um Jedi de merda que nunca ganha nada. Já na do Anakin era aquele duelo sincronizado com saltos, dança e tudo mais, parece um filme do Ang Lee. Mas o que notei nessas batalhas do episódio 7 é que a palavra de ordem é força. Não "a Força", mas os golpes parecem mais precisos, fortes, e isso de todos os lados. Não parece aquela luta broxante do Obi-wan contra o Darth Vader, e nem parece aquela luta exibicionista da trilogia do Anakin. Parece uma luta de sabre luz... Realista. Ficou bem diferente.

Enfim, é isso! É um filme bom. Muita gente disse que sentiu "marvelização" da coisa, com um roteiro com muitas lacunas, mas não achei tanto assim. Achei que foi tudo bem explicadinho até. Claro que faltaram coisas a explicar, mas é claro que vão explicar isso nos próximos filmes. E mal posso esperar pra ver a Rey treinando pra se tornar uma Jedi depois que encontra o Luke no final!

Oops. Outro Spoiler! hahaha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Pegasus 10 - 2013


Em 2013 tive pedra no rim e fui pra Chicago.

Esses dois fatos parecem pequenos, mas foram duas coisas marcantes. Cada uma da sua maneira.

A começar pela pedra no rim que me apareceu em janeiro de 2013. Foi algo muito do nada, passei mal, mas estranhamente a dor passou na madrugada. No outro dia, depois de uma bateria de exames no hospital, descobri que havia uma pedra entupida no meu canal entre a bexiga e o rim.

Foi um desespero. Nunca tinha passado por uma cirurgia, e ali seria a primeira vez. Muitas coisas eu refleti naquele dia, e acho que pedras no rim foi uma lição que levei pra vida inteira. Vi como a vida pode simplesmente mudar, ou que podemos estar bem um dia e no outro hospitalizado como se nada tivesse acontecido, e isso me deu coragem pra não deixar mais coisas pro amanhã, agir e encarar as coisas sempre de frente, mesmo que ás vezes eu, como ainda sendo um ser humano, ás vezes vacile.

Mas a lição ficou do quão somos fracos na realidade. E que se tiver que fazer algo, não espere o amanhã.

Ir pra Chicago, primeira vez nos Estados Unidos, foi algo bem marcante. Não apenas por representar meu país num fórum budista, e todas as lembranças que vieram junto. Essa viagem foi também um divisor de águas na minha vida tanto quanto a pedra no rim foi.

Conheci uma pessoa que viajou comigo como nunca antes conhecera alguém. E mesmo apesar dos defeitos, dos conflitos que iriam acontecer inevitavelmente, vi que seria uma pessoa como essa que eu gostaria de passar junto o resto da vida, mesmo apesar de tudo.

Chicago era perto também de Gary, cidade no estado de Indiana, perto de onde Michael Jackson nasceu. Sabia que nada ali era por acaso. Foi inesquecível tudo nessa viagem, e continua pra mim como uma das viagens mais especiais e únicas que já fiz na vida até hoje. Volta e meia nos meus sonhos eu volto pra lá. Como se fosse uma viagem que ainda continua até hoje.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #123 - You hit like a girl.

Neige estava desesperado. Corria com todas suas forças de volta ao local onde estava Eliza Vogl e a agente Olivia Carrion. E como se isso não bastasse, ele estava na mira de um sniper que estava escondido em algum lugar. O desespero tomava conta dele, que transpirava de nervosismo enquanto corria de volta ao local onde estava.

Será que a Olivia sabe da Eliza? Droga... Devem saber, é claro. Nesse momento ela deve estar lá caçando a menina, e preciso chegar lá antes que alguma coisa aconteça! Eu prometi pro Lucca que eu iria proteger a menina com minha vida!, pensou Neige.

Quando virou no corredor que dava na sala onde estava Olivia, quando faltava apenas uns três ou quatro metros até a entrada, Olivia e seu guarda-costas saíram da sala.

Em um primeiro momento Neige ficou tranquilo. Os dois não estavam com Eliza, nem marcas de sangue, nem nada. Isso era bom. Mas havia um outro problema: agora era ele sozinho contra os dois. E Neige não sabia nada sobre auto-defesa, a não ser o que ele assistia nos filmes de kung-fu.

Em outras palavras: nada.

“Neige? Onde estão os outros dois?”, perguntou Olivia ao virar e dar de cara com Neige.

A roupa de Neige estava manchada de sangue. Foi a primeira coisa que Olivia reparou depois de concluir sua fala. Incrédula, ela avançou alguns passos pra olhar e ter certeza do que estava vendo mesmo. Parecia realmente sangue.

“Peraí... Você os... Matou?”, disse Olivia, incrédula.

“E-eu não sei o que aconteceu...”, disse Neige, dando um passo pra trás, com medo, “...Um sniper saiu de algum lugar e tentou matar a nós três, eu simplesmente peguei e saí correndo pra vir te parar aqui”.

A feição de Olivia mudou. Estava agora bem irônica.

“Ora, e o que você acha que veio fazer aqui, Neige? Acha mesmo que pode parar uma agente especial?”, disse Olivia.

Neige estava tremendo. Mas ainda assim, ele se mantinha firme.

“Não me subestime! Eu não vou ter p-piedade de você!”, disse Neige, mas ao gaguejar, isso deixava sua fala sem ameaça alguma.

Olivia olhou pro seu guarda-costas. Ele era um homem loiro, com mais de dois metros de altura, mas que parecia um tanque de guerra na frente de Neige. Seus músculos contrastavam debaixo da camisa colada ao corpo. Sem contar a cara ameaçadora. Extremamente ameaçadora.

“Eu admiro sua coragem, Neige. E pela consideração que eu tinha por você, por mais que você estivesse do lado do Al – e, consequentemente contra o Ar – eu queria apenas te colocar pra fora pra que nada acontecesse com você. Mas estamos no meio de uma guerra, e como você não quer entender por bem, vai entender por mal”, disse Olivia. Depois que concluiu ela deu um sinal com a cabeça pro seu guarda.

“Não acredito que você ia se divertir sem me chamar pra brincar contigo, Olivia!”, disse uma voz ao fundo, como se fosse um grito.

O guarda parou e olhou. Uma pessoa estava vindo atrás de Neige. Uma mulher, carregando um potente sniper PSG1 na alça. Estava com um ferimento bem feio de bala no seu braço esquerdo, mas ainda assim sua voz mostrava confiança e que não estava ali para brincar.

“Impossível... Victoire?”, disse Olivia. Agora foi a vez dela ficar branca de susto.

Victoire se pôs ao lado de Neige, e jogou o rifle pro outro lado da mureta, fazendo-o cair firme no chão do térreo. Neige estava encostado na mureta de proteção, quase sentado no chão de tanto medo. Realmente pensou que iria morrer, se não fosse Victoire chegar no momento decisivo.

“Deixa comigo, Edward. Agora é a minha vez de te ajudar”, disse Victoire pra Neige, sorrindo pra ele.

Mas ainda assim Neige não sabia se dava pra confiar nela. Ela estava com um braço ferido, sem contar todo o abalo psicológico que ela devia estar sentindo depois daquilo que acontecera com Al, momentos atrás. Será que ela estaria bem pra uma luta mesmo?

“Ora, ora... Sabia que eu nem estou muito surpresa de você ter se debandado pro lado do Ar, Olivia? Era algo esperado de uma agente de rank baixo como você. A agente ‘C’, com rank igualmente C. O Ar devia ter usado a lábia dele com gente de melhor nível. Não com você”, disse Victoire.

“Pra sua informação, eu subi de ranking na Interpol. Já sou rank B. Eu não sou a mesma de antes”, disse Olivia Carrion.

“Oh, que medo!”, disse Victoire, carregada no sarcasmo, “Ainda assim pra chegar em mim falta você escalar o rank A e o S. Mas eu vou ser legal com você, assim como você foi com o Neige. Vou dar a chance de você pegar o seu gorila loiro aí e dar o fora sem levar a surra que vou dar em vocês”.

“Idiota! Você levou um tiro no braço, acha mesmo que poderia nos derrubar assim numa luta mano-a-mano? Não se esqueça que nós sempre fomos rivais!”, disse Olivia.

Nessa hora Victoire olhou com o rabo do olho pro seu braço machucado. E deu um sorriso.

“Olivia, Olivia, Olivia...”, disse Victoire, colocando a mão direita na cintura e balançando a cabeça negativamente, “Rival? Fala sério! Acho que pra alguém ser rival de alguém a pessoa tem que ter uma rivalidade, serem equivalentes. Mas você nunca foi rival minha ou coisa alguma. Você nunca ganhou de mim, sua vaquinha. Eu só preciso de um braço pra te dar uma surra que você nunca vai esquecer”.

Neige estava recuado, nem ele entendia direito o que estava acontecendo. Parecia um barraco entre duas mulheres.

“Não abuse da sorte, Vee!”, disse Olivia, chamando Victoire pela letra de agente dela, V, em inglês, “Vander, acaba com ela!”.

O homem louro foi correndo em direção de Victoire, que permanecia sem se mover, só o encarando. O homem cerrou o punho e foi com toda a força pra cima de Victoire.

A francesa se abaixou, desviando do soco, e com seu braço direito aplicou um forte golpe na axila do homem.

Ele simplesmente desabou no chão, com dificuldade de respiração.

“Muito músculo. Pouco cérebro”, disse Victoire, olhando o homem caído no chão, arfando.

“Escuta rapaz, a axila é um ponto que, se golpeado certo, faz a pessoa cair sem ar. Você, sendo alto do jeito que é, nunca deveria deixar ela desprotegida. Foi só um movimento que eu fiz pra te derrubar. Agora levanta, vai. Vou te dar uma segunda chance”, disse Victoire, estendendo a mão pro cara, erguendo-o.

“Vem pra cima!”, disse Victoire.

O homem mal tinha se recuperado do golpe. Ainda estava sem ar. Novamente foi com um soco, igualmente potente pra cima de Victoire que sequer se mexeu e o recebeu, bem no rosto. E depois do soco veio outro soco e três chutes no seu corpo.

“Merda! Você não vai consegue derrotar ela, Vander! Fuja agora!!”, tentou alertar Olivia ao ver o resultado inevitável da luta.

Victoire levou todos os golpes, e quando veio um soco depois dessa sequência, ela segurou firme a mão dele. O homem estava vermelho, completamente sem ar.

“Acho que seria humilhante pra você se eu dissesse que você bate igual uma mulherzinha?”, disse Victoire, “Pois eis aqui um soco de ‘mulherzinha’ de verdade”.

E Victoire o golpeou sem dó no rosto. O homem caiu no chão duro, sem consciência, com um som abafado no chão. E na frente dele estava Victoire, com nem mesmo uma marca no rosto. Parecia que nada havia acontecido.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Livros 2016 [#1] - Dr. No


Eu sei que tem gente que gosta muito do filme 007 contra o Satânico Dr. No (1962). Mas entre os filmes do Sean Connery como Bond é o que eu menos gosto. Achei que devia dar uma chance ao livro.

O livro é muito bem estruturado. Acho que o problema talvez seja que nem todo livro dá pra ir pra telona direto. Por isso, depois que terminei de ler o livro original do Dr. No (1958) vi que a maior diferença é que esse tem, por conta da característica da mídia ser um livro (e não um filme) uma maior profundidade do psicológico dos personagens. E isso explica muita coisa que o filme não explica. Ou explica mal.

O livro começa idêntico ao filme, com a morte do Strangways e da sua assistente, que estavam na Jamaica fazendo um serviço de espionagem ao MI6. As diferenças são pontuais entre o filme e o livro. E começa a partir do segundo capítulo:

Os livros de Ian Flemming tem um roteiro contínuo. E como Dr. No, na cronologia dos livros, é sequência de From Russia with love, Bond está em recuperação depois de ter sido envenenado por Rosa Klebb, agente da KGB que aparece no livro anterior. M decide mandar Bond para Jamaica para investigar Strangways, que seu chefe acha que foi uma questão de deserção, não dele ter sido assassinado.

Como no filme, Bond troca sua Beretta pela Walther PPK, sua arma símbolo.

No livro existe, embora se passe na Jamaica, existem diversas referências de "chigroes", um portmanteau de chinês + negro, se referindo às suas ascendências mistas. E existem muitos mais chineses no livro do que no filme. Até mesmo o próprio Julius No, mestiço (alemão + chinês), no filme é feito pelo Joseph Wiseman, que é tão asiático quanto... Eu.

(Hollywood é racista com asiáticos. Reclame com eles, não comigo)

No filme Bond vai pra Jamaica procurando provas com base em informações da CIA sobre transmissões de rádio interferindo lançamento de foguetes no Cano Canaveral. No livro Bond vai investigar a ilha de Crab Key, muito usada por causa de uma substância lá encontrada chamada "guano". É cocô de passarinho. No filme, é uma mina de bauxita no lugar do guano. Crab Key foi comprada inteira por Julius No, e todas as pessoas que chegam lá nunca mais voltam. Além de um mítico "dragão" que vive lá. E até cospe fogo!


Aquela cena da tarântula que aparece no quarto de Bond para matá-lo é um clássico. No livro é bem parecido, mas é um centípede (vai lacraia, vai lacraia!).

Bond invade Crab Key (no livro e no filme isso acontece) à noite, dorme lá, e quando acorda encontra Honeychile Ryder que estava pegando conchas no mar com um facão na cintura. Impossível não ler essa parte lembrando da Ursula Andress no filme com toda aquela gostosura de fora. Mas existe um diferencial no livro: ELA ESTÁ NUA! A única coisa que ela "veste" é a faca e um cinturão pra segurar. Só.

Má que beleza! Pena que foi só no livro, hahaha.

No livro também explora muito mais o psicológico dos personagens. Honeychile foi estuprada quando era jovem, e seu violentador a deu um golpe que a deixou com uma cicatriz no nariz depois que quebrou. Por isso, seu desejo é conseguir uma grana mandando essas conchas pra revistas especializadas em conchas nos Estados Unidos para se mandar pra lá e trabalhar como "call girl", que eu nem sabia, mas é um sinônimo de prostituta.

Mas como Bond diz no livro, Honeychile é muito bonita, e que mesmo com a cicatriz no nariz, a primeira coisa que as pessoas vêem são os olhos. Ninguém nem repara na cicatriz se ela não disser. Isso, por exemplo, não tem no filme, mas dá um drama todo especial na coadjuvante.

No livro também existe o tal "dragão" (que é na verdade um tanque que cospe fogo) idêntico ao filme, matam o coitado do Quarrel também queimando-o vivo, prendem Bond e Honeychile mas na fortaleza do Dr. No eles não ficam (tão) drogados quanto no filme. Bond é várias vezes "tentado" pela Honeychile, que está caidinha por ele, e doidinha por uma noitada de muita piroca.

Só uma observação: O Bond dos livros é BEM diferente na questão de sexo do que o Bond dos filmes. Enquanto o Bond dos filmes é um vetor de DSTs por conta de tanta mulher que ele passa o rodo, no filme ele é bem romântico e reservado. Eu diria até ligeiramente inseguro sexualmente.

Tanto que, no livro, quando a Honeychile oferece sua perseguida pra ele, ele pensa que não é hora de fazer isso, e deve focar na missão. SIM, James Bond negou uma bela duma FODA!

O desfecho é bem diferente no livro. No livro, depois que Bond janta com Dr. No, e o vilão conta que não era apenas pelo guano que estava usando a ilha, e sim para mandar interferências de rádio ao Cabo Canaveral e ferrar tudo, Bond volta pro quarto e resolve escapar pelo duto de ventilação. Isso acontece no filme também.

A diferença é que Ian Fleming colocou um capítulo IN-TEI-RO sobre essa fuga no duto de ventilação, o capítulo "The Long Scream", que é CHATO PRA CARALHO. Porque é um sobe-e-desce de cano, vai ali, vem aqui, tá quente, tá frio, será que vou cair, aranhas venenosas, choque, será que me descobriram... É interminável de tão chato. Mas termina. Hooray!

Quando Bond escapa ainda tem que lutar contra uma lula gigante (?) usando apenas armas improvisadas (??) e depois de matar o bicho ele volta nadando pra salvar a Honeychile que ia ser comida viva por caranguejos negros (???) mas eles simplesmente ignoram ela, e não a comem (????).

(sim, essa parte é estranha pra caralho)

E o final de Dr. No não tem nada da luta épica que acontece no filme com as explosões. Simplesmente Bond pega a máquina que sugava o guano e despecha cocô de passarinho em cima do malvado, enterrando-o vivo. No meio da merda. Bond volta pra Kingston, dedura tudo o que o Dr. No tava fazendo pras autoridades, e tem um jantar romântico com Honeychile, prometendo um "slave-time" com ela depois da refeição.

Mas ainda assim, embora a história seja meio fraca, eu gostei muito de como os personagens são desenvolvidos. Não tem a investigação enrolada que tem no filme, é uma coisa mais direta e simples, o que caga mesmo são os últimos capítulos, da fuga do duto de ventilação pro final. Mas ainda assim é um clássico, e adorei ler! Mesmo sendo em inglês não é tão elaborado, super fácil de entender e de se imergir. Nota dez!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #122 - We are everywhere

Olivia Carrion estava com outros três capangas. Um ficou com ela, enquanto outros dois estavam escoltando Neige para longe dali.

Como não tinham algemas, ambos os caras – altos, com roupas militares escuras, e cara de poucos amigos – levavam Neige segurando-o pelo braço firmemente. A palidez e o medo do americano contrastava com a frieza dos homens que o carregavam.

“Ei, escuta, vocês vão me bater ou me matar, ou algo assim?”, perguntou Neige, desesperado.

Os homens pareciam ignorar tudo aquilo. Nem mesmo viraram os olhos, e continuavam com suas expressões caladas e sérias.

Havia um emblema na roupa deles. Como um brasão, do lado do peito. Parecia muito o brasão que haviam descoberto que tinha uma ligação com Vanitas, a organização criada pelo Ar. Porém era muito melhor produzido, colorido, haviam até uns animais estilizados do lado, parecia um verdadeiro emblema da realeza. Mas no centro ainda se destacava as letras L, R, e o grande arco em cima deles.

“Olha, eu tenho amigos que estão nesse lugar agora, então vou ser bem breve com vocês. Se me deixarem ir, posso garantir uma saída tranquila pra vocês. Caso contrário, sofrerão as consequências”, disse Neige.

É claro que aquilo era um blefe. Porém, mesmo assim, os dois homens olharam pra ele, encarando-o. Neige engoliu seco. Deu pra ver, por mais que suas palavras dissessem uma coisa, seu corpo dizia outra totalmente diferente.

“Eu tô falando sério”, disse Neige, esboçando controle da situação pra maquiar sua mentira, “Me deixem voltar agora e nada acontecerá com vocês!”.

Nessa hora dos dois homens pararam. Não sabiam realmente julgar se aquilo era mentira ou verdade. Eles começaram a conversar entre si em um idioma que Neige não tinha mínima ideia do que era. Ainda seguravam firme Neige, que não via escapatória alguma dali. Uma gota de suor frio correu sua espinha nessa hora, e ele torcia com todas as suas forças de que eles estivessem conversando entre si algo sobre deixar ele ir embora, ou algo do gênero.

Um dos caras virou seu rosto e encarou Neige. Sua resposta era cheia de sotaque, mas ainda assim, inconfundível:

“Sem chance, idiota”, disse o guarda.

Ambos começaram a andar novamente levando Neige pelo braço. Estavam perto da escada que dava na saída e no térreo do prédio. Era tudo ou nada. E Neige no desespero insistia na mentira:

“Olha, então não digam que eu não os avisei!”, disse Neige.

Nessa hora um som, como se fosse uma explosão foi ouvida por Neige. Parecia levemente distante. Ele mal virou seu rosto pra ver o que ela quando um rio de sangue se desenhou do seu lado, e o homem na sua direita simplesmente começou a cair, soltando-o.

O que é isso...?, pensou Neige tentando entender o que havia acontecido.

Ele mal teve tempo pra ver o que estava acontecendo que viu novamente o som de um disparo longe. O guarda que o segurava do outro lado mal teve tempo de se abaixar, a bala furou seu queixo e seu pescoço de frente, furando a carne e saindo do outro lado da nuca, fazendo ainda mais sangue jorrar do lado inverso.

Cacete!! Eu sou o próximo?, pensou Neige, que viu que se tratava de um sniper. Ele se abaixou e se esgueirou pela parede.

Droga, não tenho como me esconder aqui, é um corredor, e provavelmente esse atirador de elite está me vendo do mesmo jeito! Acho que a melhor opção é correr...! Deve ser difícil acertar um alvo em movimento!, pensou Neige, que começou a correr desesperadamente de volta à sala onde estavam Eliza Vogl e a agente Olivia Carrion.

- - - - - -

Do lado de fora Natalya Briegel estava apreensiva. Estava muito preocupada com Al, Neige e Eliza Vogl lá dentro. E Victorie havia entrado havia um tempo já. Dentro do furgão de armamento do exército ela vira o espaço que um sniper da Heckler & Koch estava ocupando na prateleira até ser levado, momentos atrás.

“PSG1. Engraçado como essas velharias ainda atraem esses jovens”, Briegel disse, brincando com Bose.

“Olha, não vou negar não, estão entre as minhas favoritas, mesmo com as super poderosas de hoje em dia”, disse Bose.

Ambos se viraram, descendo do furgão. Tudo ao redor deles continuava muito calmo. Todos os carros de polícia, as luzes brilhando, as pessoas orientando os pedestres e motoristas. Nada ali parecia ser o palco de uma insurreição.

“Weaver, venha cá, por favor”, chamou Natalya.

“Sim, madame”, disse Weaver.

“Acho que a ala sul está com poucos homens. Ali é acesso fácil até a entrada da bolsa de valores, acho melhor colocar mais homens...”, disse Natalya, que se viu interrompida por um bip no rádio de Weaver. Parecia urgente.

“Só um segundo, madame”, disse Weaver, colocando o radio no ouvido.

Natalya Briegel estava apreensiva. Aquilo não cheirava bem a ela. Pensou em dar uns passos e tomar o rádio comunicador de Weaver pra saber o que estava acontecendo, mas achou que aquilo iria queimar a sua confiança com ele, que mesmo depois de tanto tempo continuava servindo ela como seu braço direito. Mesmo numa missão nem um pouco oficial.

As palavras que Briegel ouvia eram indecifráveis. Ventava muito, e os sons da redondeza camuflavam ainda mais, por mais que ela ficasse encarando tentando saber o que estava sendo falado.

Até o momento em que Weaver, ainda com o rádio no ouvido, olhou pra Briegel. Depois tirou o olhar dela. Aquilo realmente não devia ser bom.

Weaver deu um comando pelo rádio e se voltou para Natalya.

“Senhora Briegel, espero que a senhora não ofereça nenhuma resistência pra isso”, disse Weaver.

Soldados começavam a se aproximar. Eles pareciam render outros soldados e alguns estavam se juntando em grupo se aproximando calmamente para onde Briegel e Bose estavam.

“Resistência? Do que está falando, Weaver?”, perguntou Natalya.

“Madame, eu sinto muito, mas recebi uma ordem do próprio filho de Arch, e eu, e todos os que aqui estão, que acreditam no papel dele, não podemos deixar de cumprir o que nos foi mandado”, disse Weaver.

Natalya estava sem reação. Simplesmente não podia acreditar naquilo. Weaver e todos aqueles homens estavam do lado de Ar? Parecia que embora todos ali fossem militares e policiais do mesmo lado, de súbito estavam todos revelando um grupo dentro de um grupo maior, rendendo seus próprios companheiros de farda ao comando de Weaver. Bose estava atônico em ver seus companheiros policiais e capitães do exército voltando suas armas para ele. O indiano não conseguia falar absolutamente nada.

“Eu não acredito... Justo você, Weaver?”, disse Natalya enquanto Weaver a algemava.

“Nós estamos em todos os lugares”, sussurrou Weaver.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Supergirl


Existe vários motivos pra eu não assistir seriados em geral. O motivo é que eu vicio muito fácil, por isso eu me mantenho longe de drogas também, porque sei que sou uma pessoa que vicia fácil em qualquer porcaria - seja boa ou ruim.

No começo de dezembro fui fazer uma entrevista ali na Angélica e cruzei a Paulista com a Consolação e num ponto de ônibus vi o poster acima. Uau. Supergirl? Deve ser mais legal que aquele Smallvile (que eu não assisti). Eu desde moleque sempre gostei do Superman. Assistia todos os dias na Globo aquele seriado antigo, e sempre gostei do Clark Kent, todo bundão ao tirar o óculos virar o Homem de Ferro. Sei que o Superman é tosco, é um cara de azul voando por aí com uma cueca vermelha por cima da roupa. Mas o plot sempre foi muito bem bolado. Os dilemas também.

Logo quando vi o poster eu sabia que iria gostar. Mas quando assisti a Supergirl vi que ainda era muito além do que eu pensava.


É a história de Kara Zor-el, uma kriptoniana que havia sido mandada de Krypton para proteger seu primo Kal-el e cuidar dele até o bebê crescer. Mas acontece que ela acabou sendo tragada por uma fenda espacial, o tempo não passou, e ela acabou chegando na Terra quando o seu priminho Kal-el já havia crescido, e havia se tornado o Superman.

Como não tinha mais o primo pra proteger, o Superman pede pra uma família cuidar da sua prima kriptoniana, os Danvers, pra dar uma vida humana pra sua prima Kara. Agora com o alter-ego Kara Danvers (acima).

Kara cresce, vira uma loura gatíssima, e trabalha como secretária da poderosa Cat Grant, presidente da poderosa CatCo, uma empresa de mídia em National City (que não é a Metropolis onde o Superman vive). Mas quando ela salva um avião que iria cair com a sua irmã adotiva usando seus poderes, ela vê que ela também pode ajudar as pessoas a terem uma vida melhor igual ao seu primo Clark, afinal ela tem os mesmos poderes que ele. Aí nasce a Supergirl!


Eu gosto muito de clichês! E com séries baseadas em quadrinhos é melhor ainda quando eles são colocados na hora certa e nos momentos certos. Muitos ficaram mesmo no primeiro episódio, como ela abrir a camisa no trabalho e mostrar o "S" embaixo (como aos 5m45 do trailer acima), o óculos e o cabelo preso que a fazem ser "irreconhecível" como Kara/Supergirl, e o dilema entre ser Supergirl ou Superwoman, e a resposta da sua chefe, dona da mídia na cidade, ao batiza-la assim (3m05):

Kara: If we call her "Supergirl", something less than what she is, doesn't that make us guilty of, of being anti-feminist? Didn't you say she's the hero?
Cat Grant: *I'm* the hero. I stuck a label on the side of the girl. I branded her. She will forever be linked to CatCo, to the Tribune, to me. And what do you think is so bad about "Girl?" Huh? I'm a girl. And your boss, and powerful, and rich, and hot and smart. So if you perceive "Supergirl" as anything less than excellent, isn't the real problem you?


(e tecnicamente "Superwoman" é a Lois Lane)

E além dos vilões, Kara passa por dilemas que toda mulher deve passar por aí. Um deles é logo no segundo episódio quando ela é duramente criticada pela mídia, e aí a Cat Grant (acima), sua chefe, diz que a Supergirl tem que entender que só por ela ser mulher ela deve ser duas vezes melhor que os homens pra poder ser considerada boa realmente.

Tem um episódio onde as pessoas ficam com medo da Supergirl pois todos tem receio dela pelo mesmo motivo que têm do Superman: não são dos poderes que ambos têm, mas sim caso eles percam a cabeça e saiam destruindo o mundo por aí. E aí a Kara vê que ela deve dar um jeito de extravasar a raiva. Aí ela chama o Jimmy Olsen (também personagem original da DC), que sabe dos poderes dela e é amigo do Clark/Superman.

O diálogo é bem bacana:


Mas mantém toda a fantasia e leveza dos clássicos da DC. Parece que foi a resposta para Marvel lançar o seriado da Jessica Jones, que também é legal, mas Supergirl é diferente. Não precisa de toda aquela violência, tristeza e realidade exagerada da Marvel.

É legal também o envolvimento amoroso das pessoas até agora. A Kara é caidinha pelo Jimmy Olsen. Mas o Jimmy gosta (e ao mesmo tempo foge) da Lucy Lane, irmã da Lois Lane, que ele tem um relacionamento de longa data. O carinha que gosta da Supergirl, o Winn, um nerd que trabalha no TI da CatCo é o friendzone da Kara, embora o coitado seja caidinho por ela também.

E, por fim, pra render episódios, a trama é que junto da nave que trouxe a Supergirl, por conta da atração gravitacional, veio também a prisão de Krypton, o Fort Rozz, trazendo junto todos os criminosos de Krypton, que ela agora tem que prender todo mundo com a ajuda da sua irmã e da organização DOE, que caça alienígenas na Terra.

Enfim, é bem legal! Vale a pena assistir!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #121 - Pálido como a neve.

Pelo menos uns dez carros da polícia, comandados por Natalya Briegel estavam nas redondezas da Bolsa de Valores londrina fechando o perímetro naquela noite para pedestres.

“Senhores, por favor, podem fazer o retorno pelo outro lado? Estamos fazendo um treinamento de incêndio, coisa corriqueira, nesse momento. Pedimos desculpas pelo transtorno”, disse Briegel, acalmando um grupo de turistas de passeio na região do Bank. Obviamente era mentira dela.

“Senhora Briegel, o perímetro inteiro está fechado. Nossas viaturas estão de prontidão no aguardo de suas ordens”, disse Weaver, o antigo braço direito de Briegel nos tempos da Inteligência.

“Obrigada, Weaver. É apenas pra evitar que algo aconteça”, disse Natalya Briegel.

Natalya ainda ficara surpresa com o tamanho respeito que as pessoas tinham por ela, mesmo depois de estar aposentada há tempos. Homens e mulheres que haviam trabalhado junto com ela, pessoas que a conheciam, a respeitavam, e que mesmo depois de tanto tempo ainda se lembravam dela. E ainda assim o respeito era compartilhado por todos.

“Briegel!”, disse Bose, se aproximando de Natalya, “O Frost já está lá dentro. Está colocando escutas e câmeras em locais próprios pra gravar tudo. Ele parece bem empolgado”.

Natalya deu um sorriso tímido.

“É. Espero que lá dentro esteja bem mais movimentado que aqui. Aqui está calmo...”, Natalya fez uma pausa, “...Calmo até demais”, desabafou Natalya, que não gostava muito desses momentos de calmaria em missões importantes como essa.

- - - - -

Neige pegou e começou a correr, tentando achar um lugar pra se esconder dentro daquelas ilhas dentro daquele escritório imenso onde os corretores trabalhavam em suas divisórias. Pelo menos estava tranquilo, pois Eliza Vogl não estava à sua vista. Provavelmente ela já estava escondida em algum lugar.

Quando ele enfim conseguiu entrar nas divisórias começou a procurar um local pra se esconder. Talvez embaixo de uma mesa, e esperar até esse grupo de pessoas passar e ir embora. Olhou, olhou, olhou. Levou tanto tempo que ficou rodando o local, indeciso, com medo.

Até o momento em que vira um pointer vermelho brilhando em seu peito. Uma mira a laser.

Neige simplesmente congelou.

“Neige!”, gritou a voz feminina, apontando uma lanterna em sua direção, “Jogue sua arma no chão e venha até aqui, calmamente. É bom que você não tente nenhuma bobagem, senão vou atirar”.

Neige estava branco, mais branco do que ele era realmente.

“E-eu n-não tô armado!”, disse Neige, gaguejando.

“Ótimo. Imaginei que não estava. Venha até aqui então. Não vamos te machucar. Onde está o Al?”, perguntou a voz feminina.

Neige começou a dar a volta e ir em direção daquele grupo de pessoas. Tudo estava escuro, não dava pra ver rosto de ninguém, exceto que havia uma lanterna apontada pro seu rosto, impossibilitando visualizar bem qualquer coisa.

“Eu não sei”, disse Neige.

“Ora, vamos logo, você sabe sim. Ele veio com você não veio?”, perguntou a voz feminina.

“Sim, ele veio sim, mas ele foi pra um lado e eu fui pro outro. Como aqui tinham computadores, pensei que poderia entrar o sistema por aqui”, disse Neige, sem contar nada sobre Eliza ou Rosebud.

E enfim o grupo se encontrou com Neige.

“E você, quem é?”, perguntou Neige.

“O que? Não tá me reconhecendo, Neige? Já trabalhamos juntos. Não tem nem mesmo um palpite?”, perguntou a voz feminina.

Sim, a voz era realmente familiar. Tinha um leve sotaque latino. Ela virou a lanterna pro seu rosto e aí Neige se lembrou que já tinha sim trabalhado com ela.

“Sim, eu lembro de você... Mas como era seu nome mesmo?”, perguntou Neige.

“Nossa, como você trabalha na NSA com essa memória de bosta?”, brincou a mulher, “Fala sério. Sou eu, Olivia Carrion”.

“Carrion! Isso! Mas o que raios você tá fazendo aqui?”, perguntou Neige.

“Olha Neige, nada pessoal, mas estou do lado do Ar. Mas como eu te conheço, vou ser leve com você e só te deixar trancado lá embaixo enquanto o Ar termina as coisas dele. Não leve a mal, sim?”, disse Olivia.

“Tá certo. Game over pra mim então, né? O Ar realmente deve estar feito com pessoas como você no time dele. Você é a agente C, não?”, perguntou Neige.

“Olha só, você tem boa memória! Bom, vou pedir pra vocês dois levarem meu amigo lá pra baixo”, disse Carrion, ordenando pra dois dos seus três capangas levarem Neige, “Você fica aqui comigo pra fazermos a ronda”.

E enquanto isso Eliza Vogl estava escondida, em algum lugar daquela sala, sozinha, com muito medo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Pegasus 10 - 2012


Em 2012 eu fui pro Japão.

Eu sempre tive o sonho de ir pro Japão. Mas nunca pensei que realizaria o sonho com apenas vinte e quatro anos. Foi quando fui convidado pra representar o Brasil e a América do Sul em uma cerimônia budista no ano do centenário da fundadora da comunidade budista que pratico, a Shinnyo-en.

Fiz um desenho no estilo Comics, bem estilão de superherói mesmo, que era como eu tava me sentindo. 2012 foi talvez um dos melhores anos, e escolher apenas uma coisa é algo extremamente difícil. Mas isso ficou na minha mente, e vai ficar pra sempre como algo inesquecível que aconteceu comigo. Foi tudo um sonho. Perfeito!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Doppelgänger - #120 - O doppelgänger de Arch.

“Venha, Eliza. Temos que tomar cuidado com esses seguranças. Só prestarmos atenção, ok? O que eu mandar você fazer, você faz”, disse Neige.

Eliza Vogl estava apreensiva. Ela sabia que a qualquer momento poderia ser alvo dos homens de Ar. Ela era a maior cabeça a prêmio. E naquele momento qualquer um daria tudo para colocar as mãos nela e arrancar dela o Rosebud.

Neige havia recebido no seu comunicador via rádio o aviso de Al que havia encontrado um terminal do VOID. Era só questão de chegar lá e plugar o pendrive e deixar o programa fazer o resto. A questão era chegar lá. Ele era apenas um analista da NSA, ele não era esses agentes de campo que tinham treinamento em CQC. Mesmo Al não era lá um grande lutador, e Agatha e Lucca estavam no hospital. E se fosse necessário Neige lutar contra alguém, como ele faria? Nem ele tinha noção. Ele sempre ficava sussegado com Victoire do seu lado. Ela sabia lutar e o defenderia.

Talvez por usar óculos poderia usar a desculpa que muitos nerds dão, perguntando: Você bateria em alguém de óculos?

Mas a questão era a menina que estava com ele. Ele tinha que proteger Eliza Vogl, e o tempo estava urgindo. Ele estava no segundo andar da Bolsa de Valores londrina, procurando um terminal do VOID em uma sala com diversos computadores usados pelos funcionários da Bolsa. Ele tinha que apenas descer dois andares e ir até o salão onde negociam as ações.

Ok, pense, pense... Não dá pra usar o elevador, então o jeito é voltar por onde eu vim, pensou Neige, indo até a entrada. Ele tremia muito, e ficava com medo toda hora que ouvia os passos silenciosos de Eliza Vogl atrás dele.

“Eliza, espera aqui. Vou dar uma olhada pra ver se tem alguém”, disse Neige.

Ele encostou no beiral da porta, tremendo de medo, e colocou lentamente um olho pra fora. Por mais que Al dissesse que estava a caminho, e que era pra ele aguardar lá, Neige queria dar uma de valente e, na melhor das intenções, facilitar um pouco o trabalho levando Eliza até lá.

Mas o mundo não é feito de apenas boas intenções. Na hora em que ele se virou pra olhar se tinha alguém, um segurança viu seu rosto esgueirado ali.

Merda!! Ele me viu!!, pensou Neige.

“Olá? Tem alguém aí? Identifique-se agora, senão chamarei reforços!”, disse o segurança, apontando sua lanterna e se aproximando da sala onde Neige estava.

“Droga, Eliza! Ele me viu, e tá vindo!”, disse Neige, sussurrando pra Eliza Vogl.

“Ah não! E agora? O que a gente vai fazer?”, perguntou Eliza.

“Você é baixinha, quero que você se esconda e fique atenta a eles, se esconde em alguma dessas divisórias aí, embaixo da cadeira, sei lá! Ou atrás da cortina, mas cuidado pra não mostrar seus pés! Vamos correr que ele tá vindo!”, sussurrou Neige, tentando improvisar uma alternativa pra Vogl. A menina na hora começou a correr silenciosamente.

Mas uma nova voz ecoou no corredor onde o vigilante estava caminhando.

“Esse local agora é nosso. Sinto muito, mas teremos que te eliminar”, disse a voz feminina. Era possível ouvir o salto.

“O que diabos...?!”, gritou o segurança.

Quatro disparos. Era claro que as armas estavam com silenciadores. O som abafado dos tiros atingindo o segurança mal deram tempo pro homem gritar. Devem ter sido tiros para matar instantaneamente.

Agora Neige tremia ainda mais de medo. Havia um outro grupo de pessoas no edifício! E eles estavam lá pra matar as pessoas!

Al, cacete... Aparece logo, caramba!, pensou Neige, aterrorizado.

- - - - -

O grande salão onde os corretores ficam imensos em seus telefones e computadores estava apenas mostrando o protetor de tela em standby os logos da “London Stock Exchange” e “FTSE 100”. A luz era parca e o local estava em escuridão. Al estava voltando pra buscar Neige, já estava a poucos metros do local onde Ar, Dietrich e Rockefeller estavam conversando.

Agachado, olhando calmamente para onde estava indo, Al ia avançando, metro a metro, até a entrada do outro lado do salão, usando os computadores como proteção pra não ser visto.

Havia um guarda no topo caminhando, fazendo ronda. Al parou em uma esquina pra esperar ele passar. Talvez ele poderia vê-lo ali embaixo, mesmo que a única iluminação viesse dos protetores de tela dos computadores.

“Ah... Minha coluna, droga”, disse Al, sentindo as dores depois de andar tanto tempo agachado.

A idade realmente está chegando... Merda. Seria muito bom se fossem apenas esses cabelos brancos, pensou Al.

Ele, escondido ainda, sentou-se pra descansar a coluna e esperou meio minuto pra olhar de novo pra ver se o segurança já havia dobrado o corredor acima.

Al ouviu um som abafado. Pra quem trabalha na Inteligência sabia que aquele som era inconfundível. Era o som de uma arma disparada com um silenciador. Al voltou a se agachar e baixou pra olhar a direção de onde o tiro estava vindo.

O segurança estava caído no chão, e quatro pessoas estava puxando seu corpo. Seu rosto estava virado pro lado, e era claro ver o buraco que havia sido feito na sua testa.

Hã? Quem são esses caras?, pensou Al.

As pessoas estavam com roupas stealth, roupas usadas em operações de espionagem especiais do exército. Pretas. Pareciam agentes experientes.

Merda, não posso perder mais tempo, preciso alcançar logo o Neige!, pensou Al.

Foi então avançando de computador a computador até a porta, agachado. A dor parecia que estava passando, uma vez que o desespero estava tomando mais conta de seu coração. Al apenas via a porta da saída que ele deveria alcançar, pra pegar Eliza Vogl e enfim trazê-la com o Rosebud pra acabar com tudo isso. Estava tão focado que apenas uma coisa poderia tirar seu foco do seu objetivo. Apenas uma coisa:

Novamente Al viu as costas daquela pessoa que ele sabia que era inconfundível.

Mano?, Al novamente pensou ao vê-lo caminhando.

Parecia seu falecido irmão, Arch. Novamente. Caminhando calmamente entre os computadores, indo em direção da mesma saída em que ele estava indo. Por mais que realmente parecia muito com os trejeitos de Arch, Al sabia que aquilo com certeza era uma cilada.

Não, Al, foco, foco! Não pode ser o Arch. Arch está morto! Larga disso... Mas e se for o Ar de novo com essas brincadeiras dele? Se for ele mesmo, ele deve ser a pessoa que se troca mais rápido no mundo, pois não tem nem uns dois minutos que acabei de vê-lo ali na sala..., pensou Al.

Como ambos estavam indo na mesma direção, Al continuou seguindo para a saída, sempre mantendo uma distância do suposto Arch, que estava na sua frente. Viu inclusive o próprio Arch cruzando a entrada do salão. Era apenas uma questão de Al subir a escada na sua frente, ir até o segundo andar, e tirar Neige e Eliza Vogl de lá. Ele poderia deixar pra pegar o Ar, que estava claramente disfarçado de Arch pra depois.

Foi aí que Al, que mantinha o olhar em Arch, esperando ele cruzar o corredor para ele então subir a escada virou seu rosto em direção de Al. E aí seus olhares se cruzaram no meio daquela penumbra.

Não era possível. Era muito parecido. Bem mais envelhecido, é claro, afinal Arch deveria estar beirando os cinquenta anos se estivesse vivo. Mas com certeza era daquele jeito que Arch estaria se estivesse vivo. O cabelo grisalho jogado pra trás, os olhos azuis, a barba apenas no queixo, a barba de “bode”, e um detalhe que, embora fosse incômodo, fazia todo o sentido: um dos seus olhos era branco. Não tinha íris. Fruto da época pouco antes da sua morte em que ele fora torturado e perdera um olho.

Mas o olhar, o jeito, a expressão, era como se seu irmão não tivesse morrido e estivesse ali, na sua frente! Al tremeu, sentiu quase como se seu coração tivesse parado. Por um lado sua mente dizia que aquilo era uma ilusão, que não era Arch vivo realmente. Mas por outro lado seu coração queria ver aquilo mais de perto. Não poderia ser verdade! Ele conseguiria copiar tão fielmente seu irmão, ou aquele lá era seu irmão de verdade mesmo?

Era um dilema que havia colocado ele com duas escolhas na mão. Exatamente como foi com Victoire, momentos atrás. A missão, ou sua vida pessoal?

Merda... E agora? E se o Neige estiver com problemas? Mas que droga... Porém pode ser que seja o Ar disfarçado. Ah, mas que besteira, Al. É claro que o Ar disfarçado de Arch! Como você teria dúvidas ainda sobre isso? Bom... Acho que já sei, pensou Al.

Muitas vezes nós estamos com o destino na nossa mão, em nossa vida. Ainda que nós tenhamos uma escolha óbvia e correta na nossa frente, muitas vezes acabamos agindo com nosso coração e fazendo uma segunda escolha. E achamos até mesmo uma justificativa pra nós mesmos pra fazer o que não é correto. Tudo para podermos satisfazer o que queremos e ao mesmo tempo manter uma consciência limpa. Foi isso que Al decidiu naquele momento.

Vou atrás desse falso Arch. Preciso ver mais de perto com meus próprios olhos. É claro que o Ar disfarçado. Vou derrubar ele e depois trazer Eliza Vogl pra cá. Com certeza eles não devem estar em apuros, pensou Al, indo em direção do doppelgänger de seu irmão mais velho.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Final Fantasy VI (1994)



Mais um Final Fantasy terminado para a lista! Na última quarta (6) terminei Final Fantasy VI, jogando um remake ruim pro PlayStation (lerdo pra caramba, comparado com a versão original do SNES), mas não deixei isso abalar. Pra muitos, o melhor Final Fantasy. Talvez o único que poderia competir com o lendário Final Fantasy VII como o melhor da série por muitos fãs. Sempre tem o time que gosta do 6 e o time que gosta do 7. E o time que gosta do resto, hehe.

Final Fantasy VI é um grande jogo. Eu tinha começado na época que eu havia começado a jogar o oitavo, mas acabei deixando de lado porque simplesmente fiquei perdido sem saber o que fazer no jogo. Tentei retomar depois que eu terminei o oitavo, mas eu tava perdido na segunda parte do jogo e decidi começar do zero de novo no começo do mês passado. Não me arrependi! E lembrei o quanto o jogo havia me emocionado e... Pasmem, me emocionei nas mesmas partes.


O que tem de mais legal em FF6 é que existem vários personagens. E todos, sem exceção, tem sua história individual desenvolvida. Logo, cada pessoa que joga tem o seu personagem favorito, pois cada um é diferente e cada um tem um roteiro único e independente, o que é sensacional. E é o primeiro episódio da série que tem uma protagonista feminina! É a Terra Branford (acima, arte do Dissidia).

O jogo se passa num mundo bem apocalíptico. É um mundo onde não existe magia, e a tecnologia domina tudo. No meio dessa rolada, o malvado imperador Gestahl acaba usando uma garota, a única pessoa do mundo que possui magia, para aprimorar suas armas de Magitek (Magia + Tecnologia) e a envia para uma cidade gelada, chamada Narshe, para raptar uma coisa chamada Esper. Só que acaba não dando certo, os guardas da cidade acabam com eles, e a menina desconhecida cai em uma caverna inconsciente.

Um ladrão caçador de tesouros chamado Locke, que faz parte dos Returners (tipo a Aliança Rebelde do Star Wars) que não curte muito o império resolve ir lá na caverna salvar a menina. Ela estava sendo controlada por uma coroa, e mesmo com seus sentidos recobrados ela não lembra de nada, exceto seu nome: Terra. Locke se junta com Edgar, o rei de um castelo próximo dali, e o irmão gêmeo desse rei, Sabin, e os quatro começam a proteger essa estranha menina com poderes mágicos que o imperador, e o mágico da sua corte, Kefka Palazzo (abaixo), estão atrás.


Por mais que os protagonistas sejam legais, o vilão Kefka rouba toda a cena. Ela é um maníaco psicopata, sem nenhuma noção, mas que passa o começo do jogo inteiro com uma ânsia imensa por poder - poder esse que ele tem zero, mas não mede esforços, nem moralidade, nem ética para conseguir isso! Kefka manipula até mesmo o imperador a fazer o que ele quer, e chega ao ponto de até invadir o mundo dos Espers em busca de uma maneira de conseguir magia. É um vilão muito único e divertido.

Peraí... Espers?

Sim, Espers! Espers nesse jogo são criaturas que possuem magia, que vivem em seu próprio mundo, escondido e longe dos humanos. Kefka quer o poder dos Espers pra ele se tornar a criatura mais forte do mundo, e deixar sua carreira de bobo da corte no passado. Porém, mais pra frente, descobrimos que a Terra Branford é na verdade um ser híbrido: sua mãe, Madeline, humana, acabou caindo no mundo dos Espers e lá se apaixonou por Maduin, e Terra é o fruto desse amor, meio Esper, meio humana, raptada pelo Imperador Gestahl para ser criada por ele pra dominar o mundo.

O passado dela é uma das partes mais bonitas do jogo:


E no decorrer do jogo Kefka fica ainda mais maluco, a ponto dele mesmo ganhar poder, se rebelar contra o imperador (mesmo depois do imperador ter mostrado desejo de parar a caça aos Espers e a Terra) e abalar o equilíbrio do mundo, tirando do lugar três estátuas sagradas que cuidavam do equilíbrio do mundo, tudo isso pela sua sede incontrolável de poder, destruindo completamente o mundo.

E são as duas partes do jogo. Primeiro no World of Balance, e depois jogando no mundo destruído por Kefka, o World of Ruin, onde você começa jogando com a Celes (uma das muitas personagens do jogo) onde ela tem a missão de achar o povo todo que estão espalhados pelo mundo depois do que Kefka fez.

A Celes é uma general do imperador Gestahl, que depois de ver as barbaridades do imperador e do Kefka, resolve se rebelar, e aí ela se junta aos Returners. É engraçado que num determinado momento em que eles devem achar Setzer, a única pessoa que tem uma Airship no mundo, eles descobrem que Celes é a cara cuspida da cantora de ópera mais famosa daquelas bandas, e resolvem disfarçar ela pra servir de isca pra atraírem o Setzer, que tem uma queda pela real solista.


(sim, eu chorei nessa parte também. Tão bonitinho! Hahaha)

Essa canção, aliás, foi muito homenageada pela internet afora. Desde uma versão vocalizada em japonês e até mesmo cantoras de opera fazendo uma versão fudida dela. Isso sem contar diversas outras versões no Youtube afora. Minha favorita é essa aqui, com uma orquestra inteira (comece aos 4m30s)!

A Celes é uma das minhas personagens favoritas. Ela quem sozinha tem que juntar a galera toda depois que o mundo é destruído pelo Kefka, no meio do jogo. Ela havia sido resgatada pelo avô dela, Cid, e ele cuidou dela durante muito tempo numa ilha isolada no que restou do mundo. E quando o avô dela não resiste e morre, ela resolve tirar sua própria vida, já que não tinha ninguém, nem família, nem amigos:



Ela só ganha esperanças depois que um pombo traz pra ela a bandana do Locke, o "love interest" dela. Celes ruma sozinha pelo mundo em uma jangada pra achar seus amigos. E depois de uma jornada imensa, achar todos os amigos em cada canto do mundo, a turma resolve ir até a torre de Kefka acabar com os planos diabólicos dele. É uma fase bem complicada, e os chefes então, nem se fala.

E tudo isso seria difícil por si só se o Kefka, de palhaço bobo da corte que tinha força apenas pra matar baratas, não se tornasse um fucking... DEUS:


Bom, não sei muito o que dizer do jogo além disso. FF6 é um jogo completo, perfeito e redondinho. É impossível não perceber isso depois de jogar. Talvez um problema seria você ficar meio perdido no World of Ruin com todas as cidades com nomes difíceis em cada canto do mundo, mas tirando isso é um jogaço. Você cria carisma pelos personagens a ponto de expontaneamente treinar eles, deixar todos eles fortes pra que na fase final você controle nada menos que doze personagens em três grupos!

E na batalha final contra o Kefka, doze contra um? Cada um que vai sendo nocauteado vai sendo trocado (e olha que eu perdi uns seis pra derrotar o Kefka! Carinha difícil da porra!). E o final é aquela coisa de esperança depositada para um novo e reconstruído mundo, sem mais o Kefka com sua "Light of Judgement" ditando as regras de quem vive ou morre.

O jogo está disponível pra smartphones, como no Google Play.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Pegasus 10 - 2011


Em 2011 eu me formei. A faculdade foi algo inesquecível e excelente, mas o TCC foi uma experiência que eu não sinto falta alguma.

Talvez essa caricatura seja bem um reflexo de como eu estava naquela época. Completamente maluco, com os olhos virados sem dormir, uma pilha de coisas pra escrever, resumir e pesquisar, e minha orientadora, como uma sombra pairando sobre mim.

Isso sem contar a reprovação.

Por mais que eu goste de diversas outras áreas (de astronomia, até gastronomia), eu ainda assim adoro design. E sempre gostei muito da faculdade, minha pior média foi um 8,0. Era sempre disso pra cima, porque eu realmente gostava muito. E todos os semestres, por mais que fossem puxadíssimos, eram ótimos, pois eu sempre curtia mais e mais. Até chegar o famigerado TCC.

O TCC foi também um período bem solitário, porque todos os amigos estavam focados nos seus trabalhos, nem sempre eu encontrava mais os meus amigos, as aulas eram substituídas por orientação pra monografia, enfim. Mas no final, depois de muito suor, lágrimas e sangue, tudo terminou bem. Mas a incerteza, o medo, o fantasma da reprovação, tudo isso pairou até o momento em que na última banca eu recebi a aprovação. Até demitido do emprego eu fui, pra ter noção da pilha que minha vida estava.

Foi sem dúvida um período muito complicado. Que passou, mas que foi muito, muito difícil.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

2015, o ano que custou a terminar.

Esses dois últimos meses de 2015 foram sem dúvidas os piores de um ano que por si só foi horrível.

A começar pelo que aconteceu dia 11 de novembro, desencadeando de volta minha velha amiga depressão. Me fez abandonar (mesmo que temporariamente) minha fé, a coisa que eu mais amo nessa vida.

Mas desde aquele dia, várias coisas aconteceram de horrível comigo. A começar pelos atentados em 13 de novembro na França. Ok, detesto franceses, e tenho uma verdadeira bronca com pessoas de lá, mas um atentado é um atentado. Ainda mais com tanta gente inocente morta.

No final de novembro meu pai tirou férias forçadas do serviço. A firma não anda bem das pernas (tem alguma que está bem nesse país?) e, para evitar ainda mais demissões, deram férias coletivas. Porém, minha vida inteira, sempre que ouvia que meu pai iria tirar férias, eu sempre ficava péssimo, porque se já é difícil conviver com ele vendo-o apenas nas noites quando chega cansado do serviço, encarar ele todos os dias com o temperamento igual é algo péssimo. Pois era uma pessoa em casa criticando tudo, dizendo que eu era um lixo, dizendo aquelas coisas "lindas" que ele sempre me disse, mas tinha um agravante: Meu pai estava na lista dos que seriam demitidos.

E isso pra um cara que trabalhou trinta anos na mesma empresa, que tinha um cargo de confiança e grande sucesso na carreira foi um duro golpe que, pra variar, nós em casa que devíamos aguentar o mau humor dele elevado ao cubo. Ver esse homem me encarando, como se tudo na vida dele fosse culpa minha, aos berros gritando com tudo e com todos, nos agredindo verbalmente, era demais pra mim.

Junte isso à depressão. Junte isso a pior desilusão amorosa da minha vida. Junte isso à dificuldade enorme em conseguir emprego. Junte isso aquele sentimento de não ter pra onde correr e ter que encarar isso tudo de frente. Junte isso à vontade imensa de colocar uma corda no pescoço e torcer pra que na próxima vida eu tenha mais sorte.

E aí meu avô, no começo de dezembro, contraiu uma infecção gravíssima, que junto com a diabetes dele, fez com que uma picada de inseto em três dias evoluísse e praticamente comesse a perna esquerda dele inteira.

Eu amo demais o meu vô Chico. Adoro ouvir as histórias dele e conversar com ele. E quando ouvi isso decidi ficar um tempo por lá, dar uma força pro pessoal e me mandei pro interior. Era um rehab também, pra me afastar desses problemas imensos que estavam engolindo minha vida. Eu nunca consegui correr dos meus problemas. Conheço tanta gente que corre dos problemas, mas eu nunca consegui. Sempre quando eu tinha problemas eu estava preso numa gaiola onde a única opção era enfrentar - por mais duro que pudesse ser.

E óbvio que a família inteira tava abatida. Mas ainda assim não perdia a fé nos Budas e pedia todos os dias pela saúde do meu avô. E quando cheguei lá, em quatro dias, ele teve alta do hospital. Fiquei até dia 29 lá, e quando saí, ele estava praticamente curado. E isso pra quem estava praticamente com a perna na fila da amputação (pra não dizer coisa pior, como a infecção chegar na corrente sanguínea).

Mas 2015 ainda tinha coisas que iriam me deixar ainda pior.

Dia 31 meu irmão acordou muito tonto, e meu pai o levou pro hospital achando que era uma labirintite. Ele foi internado com princípio de AVC. Foi, sem dúvidas, a pior passagem de ano que eu tive.

Depois da bateria de exames, do desespero, e da promessa de que eu voltaria ao templo se ele ficasse bem, dia 01 pela manhã recebemos a confirmação de que não era derrame coisa nenhuma. Era uma vertigem. Graças aos Budas, é claro, e no mesmo dia fui participar de uma cerimônia no templo - o mesmo lugar que eu não gostaria de ir. Pelo menos não tão cedo.

Mas talvez tenham coisas que eu precise refletir sobre. Respostas essas que virão apenas num futuro próximo.

Mas que esse ano não deixará saudade alguma, ah... Não vai deixar não.

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