terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Livros 2016 [#1] - Dr. No


Eu sei que tem gente que gosta muito do filme 007 contra o Satânico Dr. No (1962). Mas entre os filmes do Sean Connery como Bond é o que eu menos gosto. Achei que devia dar uma chance ao livro.

O livro é muito bem estruturado. Acho que o problema talvez seja que nem todo livro dá pra ir pra telona direto. Por isso, depois que terminei de ler o livro original do Dr. No (1958) vi que a maior diferença é que esse tem, por conta da característica da mídia ser um livro (e não um filme) uma maior profundidade do psicológico dos personagens. E isso explica muita coisa que o filme não explica. Ou explica mal.

O livro começa idêntico ao filme, com a morte do Strangways e da sua assistente, que estavam na Jamaica fazendo um serviço de espionagem ao MI6. As diferenças são pontuais entre o filme e o livro. E começa a partir do segundo capítulo:

Os livros de Ian Flemming tem um roteiro contínuo. E como Dr. No, na cronologia dos livros, é sequência de From Russia with love, Bond está em recuperação depois de ter sido envenenado por Rosa Klebb, agente da KGB que aparece no livro anterior. M decide mandar Bond para Jamaica para investigar Strangways, que seu chefe acha que foi uma questão de deserção, não dele ter sido assassinado.

Como no filme, Bond troca sua Beretta pela Walther PPK, sua arma símbolo.

No livro existe, embora se passe na Jamaica, existem diversas referências de "chigroes", um portmanteau de chinês + negro, se referindo às suas ascendências mistas. E existem muitos mais chineses no livro do que no filme. Até mesmo o próprio Julius No, mestiço (alemão + chinês), no filme é feito pelo Joseph Wiseman, que é tão asiático quanto... Eu.

(Hollywood é racista com asiáticos. Reclame com eles, não comigo)

No filme Bond vai pra Jamaica procurando provas com base em informações da CIA sobre transmissões de rádio interferindo lançamento de foguetes no Cano Canaveral. No livro Bond vai investigar a ilha de Crab Key, muito usada por causa de uma substância lá encontrada chamada "guano". É cocô de passarinho. No filme, é uma mina de bauxita no lugar do guano. Crab Key foi comprada inteira por Julius No, e todas as pessoas que chegam lá nunca mais voltam. Além de um mítico "dragão" que vive lá. E até cospe fogo!


Aquela cena da tarântula que aparece no quarto de Bond para matá-lo é um clássico. No livro é bem parecido, mas é um centípede (vai lacraia, vai lacraia!).

Bond invade Crab Key (no livro e no filme isso acontece) à noite, dorme lá, e quando acorda encontra Honeychile Ryder que estava pegando conchas no mar com um facão na cintura. Impossível não ler essa parte lembrando da Ursula Andress no filme com toda aquela gostosura de fora. Mas existe um diferencial no livro: ELA ESTÁ NUA! A única coisa que ela "veste" é a faca e um cinturão pra segurar. Só.

Má que beleza! Pena que foi só no livro, hahaha.

No livro também explora muito mais o psicológico dos personagens. Honeychile foi estuprada quando era jovem, e seu violentador a deu um golpe que a deixou com uma cicatriz no nariz depois que quebrou. Por isso, seu desejo é conseguir uma grana mandando essas conchas pra revistas especializadas em conchas nos Estados Unidos para se mandar pra lá e trabalhar como "call girl", que eu nem sabia, mas é um sinônimo de prostituta.

Mas como Bond diz no livro, Honeychile é muito bonita, e que mesmo com a cicatriz no nariz, a primeira coisa que as pessoas vêem são os olhos. Ninguém nem repara na cicatriz se ela não disser. Isso, por exemplo, não tem no filme, mas dá um drama todo especial na coadjuvante.

No livro também existe o tal "dragão" (que é na verdade um tanque que cospe fogo) idêntico ao filme, matam o coitado do Quarrel também queimando-o vivo, prendem Bond e Honeychile mas na fortaleza do Dr. No eles não ficam (tão) drogados quanto no filme. Bond é várias vezes "tentado" pela Honeychile, que está caidinha por ele, e doidinha por uma noitada de muita piroca.

Só uma observação: O Bond dos livros é BEM diferente na questão de sexo do que o Bond dos filmes. Enquanto o Bond dos filmes é um vetor de DSTs por conta de tanta mulher que ele passa o rodo, no filme ele é bem romântico e reservado. Eu diria até ligeiramente inseguro sexualmente.

Tanto que, no livro, quando a Honeychile oferece sua perseguida pra ele, ele pensa que não é hora de fazer isso, e deve focar na missão. SIM, James Bond negou uma bela duma FODA!

O desfecho é bem diferente no livro. No livro, depois que Bond janta com Dr. No, e o vilão conta que não era apenas pelo guano que estava usando a ilha, e sim para mandar interferências de rádio ao Cabo Canaveral e ferrar tudo, Bond volta pro quarto e resolve escapar pelo duto de ventilação. Isso acontece no filme também.

A diferença é que Ian Fleming colocou um capítulo IN-TEI-RO sobre essa fuga no duto de ventilação, o capítulo "The Long Scream", que é CHATO PRA CARALHO. Porque é um sobe-e-desce de cano, vai ali, vem aqui, tá quente, tá frio, será que vou cair, aranhas venenosas, choque, será que me descobriram... É interminável de tão chato. Mas termina. Hooray!

Quando Bond escapa ainda tem que lutar contra uma lula gigante (?) usando apenas armas improvisadas (??) e depois de matar o bicho ele volta nadando pra salvar a Honeychile que ia ser comida viva por caranguejos negros (???) mas eles simplesmente ignoram ela, e não a comem (????).

(sim, essa parte é estranha pra caralho)

E o final de Dr. No não tem nada da luta épica que acontece no filme com as explosões. Simplesmente Bond pega a máquina que sugava o guano e despecha cocô de passarinho em cima do malvado, enterrando-o vivo. No meio da merda. Bond volta pra Kingston, dedura tudo o que o Dr. No tava fazendo pras autoridades, e tem um jantar romântico com Honeychile, prometendo um "slave-time" com ela depois da refeição.

Mas ainda assim, embora a história seja meio fraca, eu gostei muito de como os personagens são desenvolvidos. Não tem a investigação enrolada que tem no filme, é uma coisa mais direta e simples, o que caga mesmo são os últimos capítulos, da fuga do duto de ventilação pro final. Mas ainda assim é um clássico, e adorei ler! Mesmo sendo em inglês não é tão elaborado, super fácil de entender e de se imergir. Nota dez!

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