segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Doppelgänger - #130 - O vazio está em todo lugar.

O caminho até Ar, dentro da Bolsa de Valores, parecia se iluminar em um caminho único em linha reta. E como se tudo estivesse sendo controlado por uma força invisível, as telas brilhavam em branco indicando o caminho a seguir. Al e Eliza Vogl caminhavam lentamente, atônicos, abismados com aquilo tudo que estava acontecendo.

Uma luz forte ligou. Iluminado por essa luz estava Ar. Ele estava encostado de costas no parapeito, em um lugar elevado, mexendo no seu celular. Provavelmente dando algum comando ao VOID.

“Oh, já chegou! E aí, meu irmão. Gostou do meu plano?”, disse Ar.

Al pegou o seu bolso e tirou um cigarro, acendendo-o.

“Ah, como eu odeio esse seu hábito. Sempre detestei fumaça de cigarro. Mas também né, que opção você tem?”, disse Ar, tirando uma pistola de um coldre embaixo do seu sobretudo preto, e mirando em Al, “Talvez diga que eu seja um desnaturado, apontando uma arma pro meu próprio irmão. Mas tô pouco me lixando!”

“Sou eu quem você quer. Deixa a menina ir. Ela não tem mais nenhum valor pra você”, disse Al.

“Tudo bem, tudo bem. Vou deixar ela junta da Briegel lá fora. Guardas, levem-na, por favor”, disse Ar, baixando a arma. Estava tranquilo que Al não tinha nenhuma arma escondida. Apenas mesmo um maço de cigarros na metade.

Dois homens saíram não se sabia de onde, e escoltaram Eliza Vogl até a saída. Ela parecia meio nervosa, seus olhos estavam lacrimejando ainda de culpa. Al não tirou os olhos dela, até ela desaparecer na escuridão das luzes desligadas da Bolsa de Valores.

“Bom, agora que ela foi, acho que você me deve explicações. Então se o Rosebud não serve para parar o VOID, para que então ele te serve?”, perguntou Al.

“Ótima pergunta! Sim, o Rosebud. Bom, Al, creio que você sabe como funciona o método de criar dinheiro. Tá tudo escrito lá, naquele Modern Money Mechanics. O governo passa títulos, bancos convergem títulos em valores, e dinheiro é criado assim. Um método seguido em todo o globo. É um mero código que o governo cria que é capaz de criar dinheiro do nada. Créditos eletrônicos, sabe?”, disse Ar.

“Sim. Foi assim que você tem feito cada vez mais e mais dinheiro com todas as instituições financeiras que você tem no mundo. Isso descobrimos. Ou será que foi você quem me deixou descobrir?”, perguntou Al.

“Bom, eu sei que você não é nada burro, meu irmão. E isso é de domínio público. Qualquer pessoa que pesquisar na internet sobre isso vai descobrir tudo. Só é preciso ler, entender, e ligar uma coisa com a outra”, disse Ar.

Al deu uma tragada profunda no seu cigarro, nervoso com aquela situação. A idade do seu corpo com envelhecimento precoce não permitia mais isso. Acabou tossindo toda aquela fumaça.

“Me desculpe”, disse Al, se recuperando. Essa tossida não foi com teor irônico, mas provavelmente Ar pensaria isso.

“Já acabou?”, disse Ar, depois que Al parou de tossir, “Você não está meio velho pra fumar tanto? Não falo da sua idade real, claro. Um cara que mal completou quarenta e todo grisalho e cheio de problemas de saúde que só apareceriam aos seus sessenta anos. Eu também fiquei com muito medo que te desse algum problema e você morresse no meio dessa missão, sabia?”.

“Bom, se isso te deixa feliz, eu quase morri algumas vezes”, disse Al, com um sorriso sem graça.

“Puxa, você tá me fazendo sair do foco da nossa conversa. Pois bem, voltando...”, Ar limpou a garganta antes de prosseguir, “...Esse método é bom, e como eu fazia isso aos poucos, em diversos bancos, conseguia fazer o dinheiro render. Mas eu queria acelerar o processo, e fazer meu plano tornar real o mais rápido possível. Quando pessoas acreditam em você como acreditavam nos nossos ideais, elas querem também ver resultados rápidos”.

“E onde entra o Rosebud nisso?”, perguntou Al.

“O Rosebud não é nada pra parar o VOID. Apenas eu sabia a verdade, e contei aquela mentira para os Doe. Como uma mentira é uma coisa grave, né? Por isso pessoas sempre falam que não devemos nunca mentir. Isso sempre confunde as pessoas, em um filme ou livro, por exemplo. Na vida real, nem se fala. A mentira é algo tão podre que quando as pessoas estão atentas em uma estória, leem aquilo acreditando que todas as conversas estão tratando sobre verdade. Aí você joga uma mentira e tem que esperar a pessoa que está assistindo a estória assimilar e ver que tudo aquilo que acreditava ser verídico era... Mentira. Fazer os Doe acreditarem que o Rosebud seria uma ameaça real os fariam mover céu e terra atrás do Rosebud. Ao mesmo tempo, esconderia de vocês a verdade sobre o que ele realmente é”, disse Ar.

“E o que essa merda realmente é?”, Al estava perdendo a paciência. E o cigarro, acabando.

“O Rosebud é o cartão de crédito mais poderoso do mundo! O Rosebud nada mais é do que um programa capaz de criar esses créditos que os bancos centrais cedem aos bancos do mundo e assim criar dinheiro infinitamente!”, disse Ar.

“O Rosebud cria os códigos eletrônicos que bancos usam pra gerar dinheiro? Mas se você injetar esse dinheiro todo na economia pode causar um caos imenso na economia”, disse Al.

“Essa é a ideia. Mas eu não vou apenas injetar na economia. Não é isso que eu quero. Meu plano é bem melhor. Preciso apenas dos créditos eletrônicos. Bancos vivem criando isso, é impossível ter todo esse dinheiro nos seus cofres. A questão é: onde eu irei usá-lo”, disse Ar.

Al apenas ouvia, tragando seu cigarro lentamente.

“Um código criptografado ultra-seguro, o Rosebud gera esses créditos pra mim, que com o VOID e seu processamento super avançado cria esse montante de dinheiro que eu monitoro bem por aqui. Milhões de libras por segundo sendo criados desde que você instalou o VOID pra mim”, disse Ar, descendo as escadas e se aproximando de Al, mostrando que estava vendo no seu smartphone.

As cifras já passavam de bilhões de libras.

“E onde raios está o VOID?”, perguntou Al.

Nessa hora Ar riu.

“Ora, ora, meu irmão, isso é óbvio!”, disse ele, erguendo os braços. Nessa hora todos os computadores e luzes da Bolsa de Valores acenderam. Nas telas aparecia o logo do Vanitas.

“O VOID está em todo lugar!”, disse Ar.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Batman: Arkham Knight (2015)


Eu nunca fui muito fã do Batman. Eu gosto mais do Superman. O Batman é muito chato, legal mesmo são os vilões dele, que são os melhores do universo. Mas jogos do Batman, entre todos os super-heróis, é sempre sinônimo de sucesso. Sabe lá deus o motivo.

Talvez porque seria muito chato controlar um imortal como Superman, ou iria ficar muito parecido com Sonic um jogo do The Flash. Mas Batman? Batman é luta contra o crime e investigação! Isso é sempre garantia de sucesso mesmo.

Eu gostei da caracterização dos personagens
Normalmente filmes de heróis sempre são trajes bem escuros. Um pretinho básico funciona bem na telona. Mas como é um game, existe a possibilidade de fazer o que o cinema não permite, uma caracterização bem bolada. E o game se baseou muito bem nas obras em HQ. Dá pra destacar muitos personagens, até o Robin ficou (quase) nada viado. Mas a minha caracterização favorita foi da Arlequina:


(DAT ASS!!)

Hahaha! Ok, talvez não seja o melhor close da roupa da Arlequina, mas em cada jogo ela tem um visual diferente. E nesse jogo, em que talvez ela esteja ainda mais psicótica depois da morte do Coringa no jogo anterior, deixando-a ainda mais aterrorizante. De enfermeira no Asilo de Arkham (2009), indo pra esposa gostosa (2011) e viuvinha (2015):


Eu não gostei dos desafios do Charada
Eu adoro o Charada! Depois do Coringa é meu bat-vilão favorito. E nesse jogo você deve salvar a Mulher-gato que teve uma coleira explosiva colocada nela pelo próprio Edward Nygma. Mas pra conseguir ter sua batalha final contra o Charada você tem que resolver DUZENTOS E QUARENTA E TRÊS enigmas dele espalhados por Arkham. FUCK. Isso é muito chato. Eu fiquei três dias direto jogando, e isso porque eu usei um guia que achei na IGN.

Mas pelo menos o final compensa:


Ao contrário do Mario que nunca ganha um beijinho da Princesa Peach, o Bruce Wayne lascou um beijão na Selina Kyle (também né, com aqueles peitos e dando aquele mole!). Mas acaba sem os dois juntos, né. Afinal, Bruce gosta mais de uma boa pimenta-síria, que só encontra com a Talia Al-Ghul.

Eu gostei das muitas opções de lutar
Eu e meu irmão jogamos bem diferente. Eu gosto de jogar mais stealth, tomando cuidado pra não ser visto, acabando com todos os carinhas sem chamar a atenção. Já meu irmão mais novo não tem paciência, ele é dos que gostam de aparecer no meio da briga e bater em todo mundo. Eu gosto de eliminar os carinhas fazendo armadilhas ou pegando-os por cima. Já meu irmão gosta de usar o subsolo e pegar eles.


Além disso, se você tiver um parceiro pra lutar, você pode alternar entre os dois pra quebrar o pau em dobro. E isso você pode fazer com o Asa Noturna (o Dick Grayson, primeiro Robin), Mulher-gato, e o Robin (aqui, o Tim Drake). É ótimo experimentar a mecânica de outros personagens.

Eu não gostei da história
Não sei, não ornou muito. Eu gostei muito da história do antecessor, o Batman: Arkham City. No antecessor o maior obstáculo era a luta contra o tempo pois o Batman havia sido infectado pelo Coringa e ia perder o controle da sua mente até que ele recuperasse a cura desse vírus. E nesse meio tempo luta contra o próprio Coringa.

Depois que o Coringa acaba morrendo no jogo anterior (ele não consegue a cura a tempo), Arkham é ameaçado pelo Espantalho, que vai despejar sua toxina por toda a cidade. Só que um vilão desconhecido se junta ao Espantalho, com um exército de milicianos, o Arkham Knight:


Parece saído do Kamen Rider da vida. Mas ele fica com sua identidade desconhecida o jogo inteiro. E ao invés de ir revelando aos poucos, nada. Fica aquele roteiro meio Scooby Doo, onde o vilão tira a máscara no final e se revela. E o Coringa no jogo fica na forma de alucinação pro Batman, por causa de, novamente, uma toxina do Espantalho que faz só o Batman ver o Coringa. Precisavam drogar o Batman de novo? Que falta de originalidade...

Eu não gostei dos trocentos comandos
É um aspecto bom o jogo te dar a possibilidade de dar várias opções de combate. Mas o jogo não é nem um pouco intuitivo, e existem trocentos comandos, habilidades, e modos diferentes de lutar. E como eu tô ficando velho, fica difícil ter tanta destreza com as mãos (e a cabeça) pra desempenhar todos os comandos. Especialmente quando mais se precisa deles.


Acima é a árvore de habilidades. E dentro de cada uma dessa opções tem mais uma porrada de coisa dentro. Pra quem tem essa capacidade, ótimo. Mas quem é um pouco mais lerdinho como eu, fica osso. Podiam ser um comandos mais fáceis, mais lembretes na tela pra fazer, e uns tutoriais por mais que fossem chatos, ajudariam. Eles tem muito a aprender com o Metal Gear Rising, por exemplo, um dos controles mais geniais que já vi nos games.

Eu gostei do Batmóvel
Logo no começo do jogo você encontra... Tcharam! O Batmóvel! É DO CARALHO!! Faltou só o Ace, o Bat-cão pro jogo ter tudo do Batman. É o único jogo que você pode controlar o lendário carro do Batman, construído pelo Lucius Fox. E se já é legal ver nos filmes aquele calhambeque, quando você tem ele nas suas mãos é sensacional. A primeira cena que o Batmóvel aparece é de arrepiar:



Ah, e ele não vira moto igual ao Batmóvel do filme Batman - O Cavaleiro das Trevas. Mas com ele você pode perseguir carros, correr, saltar, voar, atirar mísseis, entrar no modo de combate, escanear pistas, jogar um pulso no solo, lançar-se no céu, metralhar coisas, além de ter aquele papo esperto com o Alfred ou a Oráculo (Barbara Gordon, aka Batgirl). Só não faz café. Uma pena.

Eu gostei das vozes
E pro elenco chamaram ótimos dubladores. A começar pelo Batman, que o dublador clássico Kevin Conroy deu vida. O Coringa tem a voz do Mark Hamill (sim, o Luke Skywalker!), Tara Strong como a Arlequina, Nolan North como Pinguim, e muitos outros.



Tantos bilionários no mundo, e ninguém tentou usar a grana pra virar o Batman ou criar um Batmóvel desses. Esse mundo tá perdido mesmo. Enfim, é um jogaço! Completei 100%. Então eu devo ter gostado mesmo! Hahaha!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Doppelgänger - #129 - Obrigado, Al.

Era ninguém menos que o Ar no celular. Al estava atônico.

“Ar? Do que você tá falando?”, perguntou Al.

“Você não apenas achou o Rosebud pra mim, como também o trouxe e até mesmo o ativou! Você fez um favor imenso pra mim mesmo”, disse Ar.

“O que quer dizer com isso?”.

“Queria que também me perdoasse por ter te envolvido nessa coisa toda. Ter sido obrigado a ter tirar de não sei onde você estava vivendo, exilado, com a desculpa de vir parar minha Insurreição. Mas no final das contas, você se provou mais útil do que eu poderia imaginar!”, disse Ar.

Al ficou mudo.

“Sim, sim! Provavelmente você nesse momento deve estar pensando que o Rosebud seria algo para me parar, mas aí eu acabo ligando pro seu celular que você achava que era seguro, que ninguém mais sabia, e nesse momento você deve estar pensando que havia um traidor entre vocês”, disse Ar.

“Um traidor? Alguém me traiu?”, perguntou Al.

“Cara, pior que eu tentei. Mas Victoire, Agatha, Neige e Natalya Briegel eram incorruptíveis! Você realmente tem um time de ouro com você. O Lucca ficou com as dúvidas dele, mas ele na verdade não pendia nem tanto do meu lado, nem tanto do seu. Mas no final das contas ele confiou a pirralha aí do seu lado com o Rosebud a você, e não a mim. Mas não pelo Rosebud, ou pela capacidade dele me parar. Mas porque alguém colocou na cabeça dele que eu iria matar a menina. Pelo amor de deus, Al! O que a vida de uma menina que mal tem dez anos seria útil pra mim? Eu não sou o vilão dessa estória. Eu só queria o Rosebud ativado! Eu iria devolver ela sem mexer um único fio de cabelo dela”, disse Ar.

Al continuou em silêncio, apenas ouvindo Ar:

“Você estava nas minhas mãos o tempo todo, Al. Tudo, tudo, tudo foi planejado por mim. Foi muito estranho terem achado você depois de tantos anos no aeroporto de Charles De Gaulle no último dia nove de outubro e terem pedido sua ajuda pra virem atrás de mim, não? Talvez depois de tantos anos você não negaria um pedido, e provavelmente nem mesmo suspeitou de nada de início. Mas aí você veio pra Europa, pra Londres, e aqui nos encontramos, depois de tanto tempo”.

“Um encontro de bosta”, disse Al.

“Isso mesmo, meu irmão! De fato eu sempre estava a um passo na frente de todos vocês. E de fato, eu conseguiria ficar um passo na frente de pessoas naturalmente, mas eu estava muito ocupado com os planos da minha insurreição. Por isso, eu deixei tudo nas mãos do VOID. Eu sempre dava um jeito de ficar próximo de vocês, de fingir que estava mordendo uma isca, mas todas as pistas, todas as evidências por menores que fossem, foram todas colocadas estrategicamente pra tentarem fazer vocês pensarem que estavam se aproximando de mim. Mas tudo foi planejado, meu amado irmão”, disse Ar.

“Você nos manipulou esse tempo todo?”, disse Al.

“Exato! Puxa, pensei que iria demorar mais pra sua ficha cair! Eu gostaria de te pedir pra sentar pra ouvir, mas acho que você tá muito tenso até mesmo pra sentar. É normal nossa mente ficar desacreditada depois de uma ideia ficar tão fixada na nossa cabeça. Eu te entendo perfeitamente”, disse Ar.

“Fala logo!!”, gritou Al.

“Calma aí, bonitão! Bom, como você sabe, estou com meus planos de Insurreição faz tempo. E agora que eu consegui completar não faria diferença alguma te contar, afinal nada pode ser desfeito. E eu gostaria muito de não ter precisado da sua ajuda, desde que você se exilou em algum país no fim do mundo, todo depressivo depois de perder seu irmão mais velho e sua amada esposa. Depois de ter sido tantos anos usado como uma ferramenta do governo. Pois bem...”.

Al apenas ouvia.

“...Por mais que eu precisasse de meios pra causar um caos econômico mundial e eu tivesse bancos e diversas instituições financeiras eu precisava de algo que agilizasse esse processo. E embora eu tivesse o VOID, e ele sempre apagava qualquer rastro meu, era impossível não ser conhecido em alguns círculos. E os Insiders, como a Sheryl Saunders, me conheciam. E sabiam dos meus planos também. Mas ao mesmo tempo, pro meu azar, descobri depois que eram os Insiders que tinham o Rosebud também”, disse Ar.

“Você então me manipulou para que fôssemos atrás dos Insiders e pegássemos o Rosebud?”, perguntou Al.

“Bingo! Mas aquele maníaco do Schwartzman, vestido de turista, acabou cagando tudo quando matou a Saunders sem minha autorização. Acho que ele pensou que ela andaria com o Rosebud por aí, mas depois que o Lucca saiu da cena do crime nós investigamos o corpo, mas não havia nada. Por um momento pensei que eu tinha perdido o jogo! Fiquei furioso com o Schwartzman. Quase tudo foi pelo ralo. Não sei porque diabos ele fez isso, aquele judeu burro”.

“E então vocês confiaram que o Lucca iria descobrir os segredos da Saunders, e deixou que ele agisse sozinho, indo atrás das informações”, perguntou Al.

“Isso mesmo. E ele ainda fez melhor. Descobriu que havia uma pessoa que guardava tudo o que Saunders tinha de informações. Uma linda menininha, um gênio na verdade, com mais estudo do que todos nós. Mas que não passa de uma menininha... Eliza Vogl. A que está do seu lado. E como a dama da sorte estava do meu lado, embora Saunders soubesse exatamente o que o Rosebud fazia, provavelmente sabe-se lá o motivo não contou pra Eliza o que o Rosebud fazia. Coisas da vida, sabe? Se isso fosse um filme, seria muito estranho. Mas isso é a vida real, e pessoas cometem erros! E essa é a magia da coisa!!”, brincou Ar.

“Al, me perdoa...”, dizia Vogl, chorando e soluçando. Al passou a mão na cabeça dela confortando-a. Talvez Saunders na verdade queria proteger a garota, por isso não contou nada. E como a morte foi imprevista, nem mesmo teve como contar pra menina a tempo.

Ar prosseguiu:

“Eu só tive que esperar vocês descobrirem tudo. Foram atrás do Insiders, ganharam a confiança deles, e trouxeram Eliza Vogl com o Rosebud pra mim. E você achando que tinha conseguido chegar até aqui por conta dos seus méritos! HAHAHAHA!”, o riso de Ar foi gritante e cheio de deboche, “Meu irmão, você e seus amiguinhos eram os únicos que não sabiam de nada! Pobres idiotas! Essa investigação nunca foi uma investigação! Vocês foram manipulados igual uns patinhos!”, disse Ar, segurando o riso.

“Aonde você tá, seu merda?!”, gritou Al no celular.

O silêncio imperou do outro lado da ligação. Nessa hora todas a luzes da Bolsa de Valores foram ligadas. Tudo estava claro. Era como se um caminho estivesse brilhando na frente deles indicando o destino.

“Eu estou bem aqui, na sua frente, meu irmão. Vem cá pra você ver minha vitória  sobre você”, disse Ar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Doppelgänger - A história dentro da história (13)

Meu irmão mais velho foi o meu maior exemplo. Uma pessoa que sozinha encarnava justiça, amizade, companheirismo. Mas, para mim, era apenas meu irmão. Sua morte deixou um buraco imenso no meu coração, até hoje. Essas são partes das minhas memórias que tenho com ele, que guardo no fundo do meu coração.

“Al, Al,”, dizia Arch, me despertando, “Acorda, irmãozinho”.

“M-mano! Eu queria, eu queria te mostrar! Eu consegui resolver todos os quebra-cabeças desse livro!”, eu disse, ainda moleque, apontando o livro.

Eu tinha agarrado num sono no meio do sofá. Meu irmão tinha passado a madrugada inteira resolvendo um caso, como muitas vezes ocorria, e Émilie não estava lá, saiu a noite inteira, pra variar. Meu irmão estava com mais três colegas dele de trabalho. Entre eles estava Lucca, que ao pegar o livro não acreditou no que tinha visto.

“Minha nossa, você resolveu tudo! Você é realmente um gên...”, disse Lucca, interrompido por Arch:

“Irmãozinho, você ficou mais de vinte e quatro horas acordado pra resolver isso tudo. Acha que isso iria te fazer bem?”, disse Arch, me repreendendo.

“Mas mano, eu fiz tudo! Resolvi tudo! Me esforcei e vou te ajudar a...”, eu disse, mas ele interrompeu.

“Al!”, gritou Arch, com cara de quem não queria ter de fazer isso, “Escuta, é admirável mesmo. Você tem uma capacidade de imersão muito grande. Muito maior que até mesmo a minha. Mas resolver uma investigação na vida real precisa de muito mais do que isso. Me prometa, Al. Não quero que nunca mais faça isso. A Inteligência não é algo bonito como é nos filmes. Podemos morrer a qualquer hora, uma morte pior que de cachorro. E se eu estou me esforçando pra termos uma vida boa é pra que você estude e nunca precise se envolver isso. Nunca. Entendeu o que eu disse?”, meu irmão me agarrou pelos ombros e olhou no fundo dos meus olhos, “Não te quero mais ver envolvido com isso. Faz isso por mim?”, concluiu.

Eu pensei que ele iria ficar orgulhoso de mim. É verdade que eu tinha uns sete ou oito anos, eu era uma criança. Mas eu queria mostrar pro meu irmão que eu poderia ajuda-lo. Que eu queria seguir os passos dele. E meus olhos lacrimejaram. E os do meu irmão mais velho também. Ele seria um péssimo pai, hahaha! Acho que nunca conseguiria repreender um filho, se ele tivesse.

E aí Arch, meu irmão, me abraçou. Me abraçou forte mesmo, sabe? Eu sentia o coração dele pulsando contra meu rosto.

E eu só ficava chorando, e ele também, e eu sabia que os amigos dele vendo aquela cena não estavam entendendo nada. Esse era o amor do meu irmão. Um amor que sabia até mesmo repreender da melhor forma do mundo. No meio das lágrimas e do soluço, eu disse no ouvido dele enquanto estávamos abraçados:

“Mano, eu... Só queria te proteger...”.

Semanas depois disso meu irmão recebeu uma carta. Como ele não ficava muito em casa, era eu quem cuidava de tudo. Por um lado era bem trabalhoso, mas meu irmão muitas vezes mesmo exausto ele tirava forças não sei de onde pra fazer até mesmo o serviço de casa, deixar meu almoço na geladeira, e me incentivar a comer bastante coisa saudável. Talvez seja por isso que eu tenha desenvolvido habilidades culinárias e limpeza da casa. Era a forma de retribuir tudo o que meu irmão fazia por mim.

Essa carta vinha da família da esposa dele, a Émilie. Eram os Blain. Eram franceses, riquíssimos, grandes empresários, e ao mesmo tempo envolvidos com máfia, e dominavam até mesmo os políticos da França. Eram pessoas acima do bem e do mal. E os Blain detestavam meu irmão mais velho. Diziam que ele era um vira-lata se envolvendo com pessoas do mais alto pedigree. Mas Émilie era sua esposa, e o amava.

Porém, desde que eu estava morando lá, Émilie parecia me ver como alguém que queria roubar seu marido. Arch era meu irmão, e minha única família. Mas isso não importava a ela. Ela nutria um ciúmes doentio por mim, mas meu irmão nunca ouvia apenas o lado dela. Ele sabia desse ciúmes dela, mas não se abalava.

A carta dos Blain eram um convite. E veio junto com um emissário. Era pra ressaltar mesmo que era uma convocação. E não havia a opção de dizer “não”.

“Jovem, tenho uma convocação para seu irmão, Arch. A família da sua esposa quer promover uma reunião familiar, e como ele é membro, deve comparecer. Caso contrário será considerado uma afronta, uma traição!", o homem disse, ressaltando a palavra ‘traição’.

Isso era errado, mas eu não resisti e abri a carta depois que fechei a porta e agradeci ao entregador. Parecia sério. E meu irmão sempre dava uma desculpa pra não ir nessas reuniões dos Blain. O endereço era claro. E como não tinha ninguém em casa, achei que eu poderia ir à mansão dos Blain em Londres. Era fácil de chegar, ficava no subúrbio de Londres. Nem reparei que eu estava de pijamas ainda. Só me liguei quando estava chegando no local mesmo. Mostrei o convite e entrei. Era noite, e todos estavam vestidos de maneira bem elegante, e ao longe eu vi Émilie, que ao me ver virou o rosto, e fingiu que não tinha me visto. Era normal por parte dela.

"Ei, garoto! Aqui não é lugar pra uma criança suja como você pisar, dê o fora daqui agora!", o homem disse, brabo. Devia ser algum dos Blain.

"D-desculpe, senhor! Eu vim aqui apenas dizer que meu irmão não vai poder comparecer, e gostaria de pedir desculpas por ele, ele está passando mal e disse que sentia muito!", eu disse, tremendo e gaguejando de medo.

"Então você é irmão daquele merda?", o velho gritou, todos no salão se calaram e olharam para nós dois, "Diga se ele não vier hoje e mostrar um mínimo de respeito a nossa tradição, considere-se fora da nossa família! Pare de inventar essas estorinhas e vá buscar ele agora!".

"Senhor, meu irmão é uma pessoa bondosa e honrada! Ele apenas está doente e não poderá vir!", naquela hora eu vi a furada que eu havia me metido. Nem meu irmão sabia da convocação (e mesmo se soubesse ele não iria de qualquer forma). Eu estava em um ninho de cobras, prestes a virar parte do jantar deles.

Foi aí que eu vi o primeiro homem (o que gritou comigo) resmungando baixinho vários "Não vai vir, é?" e se aproximando de mim, com seus olhos vermelhos de fúria.

Nessa hora esse homem me deu um chute muito forte no meu peito. Nossa, como isso doeu! Eu fiquei tonto, não conseguia mais ver nada, e a dor queimava ao mesmo tempo que o susto da surpresa tinha feito meu coração disparar. Com o impacto eu fui jogado pra trás, e esperava bater a cabeça na parede ou numa quina de uma mesa.

Mas alguém me pegou. E tinha aquele cheiro gostoso que apenas meu irmão mais velho tinha.

"Algum problema, François?", disse Arch, me segurando, "Eu não dou a mínima para as asneiras que vocês falam sobre mim. Mas eu não perdoo essa perna que acabou de chutar meu irmãozinho. Vem agora, seu merda! Bote sua perna aí para que eu possa torcê-la!".

Esse era meu irmão. E coitada da pessoa que mexesse com alguém que ele amava. Assim como qualquer outra pessoa, ficaria completamente louco e fora de si.

Naquela noite, ao voltarmos pra casa, meu irmão me deu banho e escovou meus dentes. Fui deitar, mas não consegui dormir. A porta do meu quarto estava entreaberta, e a fresta da porta fazia brilhar a luz no corredor, que estava chegando nos meus olhos. Do outro lado da porta estavam Arch e Émilie, tendo uma briga de casal.

“Eu já te disse, entrega ele a um orfanato então! Eu não quero mais ver esse pirralho aqui com a gente! Você é o meu noivo! O que vai fazer quando nos casarmos? Vai levar esse moleque junto?”, dizia Émilie.

“Émilie, pelo amor de deus! Al é o meu irmão mais novo! Eu não tenho como abandonar ele! Eu o amo! Ele vai vir morar com a gente, aceita isso!”, dizia Arch.

“Eu não quero!! Eu não quero!! Eu não quero esse pirralho se metendo entre a gente!!”, gritou Émilie, com um profundo sentimento de negação.

“Minha nossa, o que você tem contra ele?”, perguntou Arch, tentando entender a situação.

Émilie ficou quieta. Muda. Colocou a mão na testa, parecia tensa. Se sentou. Arch ficou parado em pé na frente dela, aguardando a resposta. Nada.

“É bom que você escolha. Ou vai ser ele, ou a mim. E é bom que você faça a escolha certa”, disse Émilie, pegando as chaves do carro e saindo de casa apressada.

Essa cena eu nunca vou esquecer. Me bateu um frio no estômago, e arrepiei quando vi que eu era a causa dessa briga toda. Meu irmão sentou na poltrona e colocou as mãos no rosto e chorava, chorava muito. Por mais que meu irmão fosse meu tutor, meu mestre, meu exemplo, naqueles momentos eu via quantos dilemas ele passava na sua vida. E por um momento me senti culpado. Mesmo eu não tendo culpa alguma. Émilie era uma víbora, uma pessoa que havia me colocado como um empecilho na vida dela. E que por mais que eu me esforçasse, ela nunca me aceitaria. E o coração do meu irmão ficava nesse impasse. Amando ao mesmo tempo o irmão e sua noiva. Ele não poderia escolher. Nós dois o completávamos do mesmo jeito.

E aí meu irmão foi morto. Eu tinha apenas dez anos.

Eu lembro de tudo, como se fosse ontem.

No dia estava pingando uma chuva. Parecia uma chuva escura. O corpo estava sendo velado num lugar bem simples. Não haviam muitas pessoas, sequer haviam flores. Cheguei ao local junto de Schultz, aquele que havia sido o mestre do meu irmão, e havia ensinado tudo pra ele. Ele já estava na casa dos noventa anos, andava com uma bengala e muita dificuldade, mas quando percebeu o quanto eu estava triste no velório do meu irmão mais velho ele me deu um empurrãozinho e eu fui na frente, enquanto ele ia atrás, caminhando lentamente.

As pessoas ao meu redor, pelo menos as poucas pessoas que lá estavam, pareciam que estavam lá pra denegrir o resto de imagem que meu irmão tinha. E apontavam o dedo pra mim, e via nos rostos deles a expressão de nojo pra mim. Diziam que eu era irmão mais novo do traidor. E que eu era um moleque imundo que não merecia viver. Que meu sangue era o mesmo que corria nas veias dele. O sangue do traidor imundo que Arch era pra eles.

Havia um caixão. E por cima do esquife tinha um pano branco, bem simples, de algodão. Eu me aproximei, chorando, e desabafei.

“Mano... Porquê tudo isso?”, foi a única coisa que eu consegui dizer.

Ao erguer o pano, não havia nada dentro do caixão. Nem mesmo o corpo do meu irmão estava lá pra ser velado. Um traidor que sofreu a punição mais grave de todas: além de ser morto, teve o corpo perdido. Uma coisa que é feita com diversos líderes que tinham legiões de seguidores, para que o local onde o corpo esteja enterrado não sirva pra nenhum tipo de propagação ou propaganda de seus ideais.

Mas quem havia morrido não era apenas um líder, inspirador ou mestre. Era meu irmão mais velho que eu tanto amava!

Será que era pedir muito que eu tivesse a chance de chorar os restos mortais do meu irmão, e não um caixão ou lápide vazios? Já é uma coisa dura você perder um ente querido. Nós choramos, nos entristecemos muito. Mas pior ainda é não ter a possibilidade de chorar, pois nem sequer o corpo dele havia sido achado.

Mano... Você me faz tanta falta...

- - - - -

Schultz morreu alguns anos depois. Abandonei sua tutela, a escola e tudo. Ainda adolescente fui treinado pra ser um agente da Inteligência por Vincent Artax, meu mestre, pois queria desmascarar e fazer justiça em nome do meu irmão. Quando tinha por volta de vinte anos abandonei sua tutela e fui atrás de cada uma das pessoas que faziam parte da equipe do meu irmão. Muitos dos quais também o haviam traído, e estavam envolvidos em seu expurgo e execução.

Muitos deles eu prendi com minhas próprias mãos.

No nosso time eram eu, Victoire, Yuri e a garota do cabelo cor-de-berinjela. Tentamos parar Dietrich, que no final conseguiu botar a mão na Dawn of Souls, um disco com a localização e dados de todos os agentes de espionagem do mundo. Temendo nosso perigo, Francesca Vittorio, nossa chefe na época, mandou eu e a garota do cabelo cor-de-berinjela para o exílio, casados, para não levantarmos suspeitas. Victoire permaneceu em Londres, trabalhando na Inteligência, e Yuri desapareceu.

Em 2006 a garota do cabelo cor-de-berinjela, minha esposa, morreu nos meus braços, criando mais uma ferida impossível de cicatrizar no meu coração. Eu que havia perdido meu irmão, agora havia perdido a única mulher que havia amado.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Livros 2016 [#3] - As brumas de Avalon - A senhora da magia

Se teve um livro que marcou minha adolescência foi esse. Lembro até hoje de ter achado na biblioteca do colégio sem querer e comecei a ler. É a terceira vez que estou lendo, mas ainda me emociona como a primeira vez.

Foi em Brumas de Avalon que eu comecei a gostar do Reino Unido e sua história. Foi também nessa época que coloquei o "Sir" no meu nome. Não é tanto pela ordem da Commonwealth, mas sim pois sempre quis ser um cavaleiro da Távola Redonda!

As Brumas de Avalon é uma série em quatro livros que conta a história do Rei Artur sob a perspectiva das mulheres da época. A personagem principal é a sacerdotisa Morgana, filha de Igraine com Gorlois e irmã mais velha de Artur, que é filho do segundo casamento de Igraine com Uther Pendragon. Esse primeiro volume (A senhora da magia) tem duas partes. A primeira é contada por Igraine, que descende das tribos celtas mais antigas da Bretanha, cuja linhagem é de pessoas de Avalon - a ilha misteriosa e mística onde as pessoas adoram à Deusa, o arquétipo sagrado feminino. Igraine é casada com Gorlois, o duque da Cornualha, descendente dos romanos (note que na época do Rei Artur o império romano já havia caído, e o inimigo deles são os saxões, que ainda eram bárbaros e não haviam cruzado ainda com os celtas pra formar o povo anglo-saxão).

Igraine vive isolada no castelo com sua filha Morgana e Morgause, sua irmã mais nova. Até que um dia recebe visita do Merlim e Viviane do Lago, sua irmã mais velha e sacerdotisa suprema de Avalon. Ela vem lhe dizer que ela terá um filho com Uther Pendragon, e que esse será o rei que unirá toda a Bretanha e expulsará os saxões da ilha. Ela não aceita muito isso, pois sente que parece que sua irmã está manipulando sua vida, mas tudo era parte de um grande plano da Deusa pra assegurar o futuro do país.

Nesse meio tempo, o rei Ambrósio Aureliano, atual rei da Bretanha, adoece e nomeia Uther Pendragon como seu sucessor. Igraine e Gorlois vão pra Londinium (atual Londres) pra ver o funeral do rei e Igraine conhece Uther, e vê que a ligação deles era maior que qualquer coisa, que eles já eram casados desde eras imemoriais, em Atlântida. Ela se apaixona, mas é casada com Gorlois, e não quer trair o seu marido (Ok, na verdade ela tem medo, pois o marido bate nela constantemente, além de ser Cristão moralista).

Gorlois prende Igraine no castelo e resolve enfrentar Uther Pendragon. Igraine usa uma magia proibida pra alertar seu amado Uther pra se proteger de Gorlois, e Uther mata Gorlois, indo depois salvar Igraine no seu castelo. Eles deitam juntos e ali ele planta nela quem viria a ser o rei Artur no futuro.

Uther se casa com Igraine e envia Artur (ou Gwydion, o nome real dele) pra ser criado por um vassalo dele, e manda Morgana pra ser treinada como sacerdotisa em Avalon, sob a tutela de Viviane.

A segunda parte do livro (e todos os outros livros da série) são a partir daí narrados por Morgana, já adulta. Morgana é uma sacerdotisa da Deusa muito competente, cuja virgindade dedicou à Deusa. Galahad (aka Lancelote), filho da sua tia Viviane, vem visitar sua mãe e Morgana se apaixona por ela, e vice-versa. Mas ela não se entrega aos prazeres da carne pois prometeu sua virgindade pra Deusa.

Uther Pendragon adoece e está prestes a morrer. Artur, como filho único, deve subir ao trono. Mas Viviane resolve coroa-lo sob a fidelidade à Avalon, e não como apenas um cristão, já que ele tem o sangue real de Avalon por parte de sua mãe. Para tanto, resolve que ele deve participar do rito de Beltame, do casamento sagrado entre o deus e a deusa. Em outras palavras, um rito de procriação sagrado.

Viviane manda Morgana pra participar do ritual de Beltane sem ela saber quem estará lá. E trajam Artur da entidade do galhudo (um cervo), onde ele deve, com o corpo todo azul, vestindo pele de cervo e chifres, caçar um veado e mata-lo, banhando-se com seu sangue. E depois disso se deitar com a sacerdotisa prometida.

E é exatamente isso que acontece. Morgana e Artur trepam, sob o transe religioso. Depois do transe ter passado, eles ainda no escurinho vão lá e fazem de novo nheco-nheco, gozando de plenas faculdades mentais e gozando no outro sentido também, literalmente.

Mas ao raiar do dia eles vêem os seus rostos e... SURPRESA! INCESTO DETECTED!

E claro que ambos ficam aterrorizados. E não existia camisinha no século IV. Artur é então coroado e, como as coisas não poderiam ficar ainda piores, a menstruação de Morgana não desce, e ela descobre que está grávida do seu irmão. Oh, Fuck! Mas só deixando claro que Morgana não ficou mal por causa da gravidez ter rolado enquanto eles estavam sob o transe religioso, mas sim por causa do repeteco que aconteceu depois que o ritual tinha terminado, quando eles tinham plena consciência, mas não sabiam quem era quem ainda.

Morgana fica puta com Viviane por ter feito isso com ela. Abandona Avalon e vai buscar sua tia Morgause para ter esse filho lá.

Nos outros livros mostra que esse filho que vai nascer é Mordred, único herdeiro do trono de Artur, que é muito malvado, e assassina seu próprio pai.

Enfim, só acho meio chato a parte da Igraine nesse livro. Gosto mais da Morgana. Mas é um livro muito especial pra mim, um dos meus favoritos! Engraçado que mesmo depois de uns sete anos desde a última vez que li ele ainda continua tão vivo na minha memória. :)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Doppelgänger - #128 - The final showdown

Que estranho. Ninguém no caminho. Menos ainda gente aqui. Será que realmente o Ar já iniciou a Insurreição?, pensou Al enquanto entrava na sala.

“Pode vir, garota”, disse Al, chamando Eliza Vogl pra entrar na sala.

Eliza Vogl tinha um misto de medo e respeito para com Al. Ela só havia ouvido falar dele, e agora estava na frente dele. Sua altura e sua voz grossa deixavam ele com uma cara ainda mais de poucos amigos. Seu jeito sério era sem dúvida algo bem imponente. Mas ainda assim a garota se sentia relativamente bem ao seu lado.

Al estava no console buscando a entrada pro VOID que ele havia encontrado. Um laptop estava aberto com um sistema operacional estranho, mas que dava pra ver o logo do Vanitas estampado no papel de parede. Parecia muito o desenho que o Lucca havia feito há dias atrás. Mas muitíssimo melhor elaborado. Tinha até animais estilizados do lado, parecia o brasão de um país.

“É aqui, Vogl”, disse Al, apontando pro laptop.

Eliza Vogl chegou e parou na frente do computador. Ela hesitou. Nem ela entendia direito o motivo daquilo. Mas olhava o pendrive antes de inserir ele na porta USB que havia naquele laptop. Tomou ar e soltou. Era a hora de acabar com aquilo tudo.

“Ok, vamos lá”, disse Eliza Vogl colocando o pendrive. Ao inserir o pendrive uma janela saltou, pedindo para confirmar a identidade dela mantendo por cinco segundos o polegar direito dela sob a tela preta escaneadora do pendrive. A identificação confirmou Eliza Vogl e prosseguiu.

Uma janela saltou no computador: Transferir e instalar o programa ROSEBUD?

Al mexeu no trackpad até a opção “Sim” e clicou.

Uma barra começou a ser preenchida. A cada uns três segundos enchia 1%. Era constante. Se alguém deveria aparecer seria naquele momento. Talvez Ar mandaria alguém pra tirar a força aquele pendrive, ou então balas ou vidros quebrando naquele lugar. Al estava atento observando tudo.

“Fica embaixo da mesa, garota”, disse Al, direcionando Eliza Vogl para sua segurança. A tela mostrava que passava dos 20%.

Al continuava olhando. Um olho na tela no computador e outro no movimento ao redor. Tudo estava muito quieto, e isso só deixava ele mais tenso. A velocidade ia aumentando cada vez mais, o carregamento estava passando dos 60% e subindo cada vez mais rápido.

Vai, vai... Vai logo!, pensou Al.

98... 99... 100%. Transferência concluída com êxito. Uma nova barra apareceu mostrando que o Rosebud estava sendo instalado. Eliza Vogl se ergueu pra ver o que estava acontecendo na tela. Ainda não havia aparecido mais ninguém. A barra de instalação foi infinitamente mais rápida, mal apareceu e já encheu.

O computador mostrou: Instalação concluída.

E logo depois outra janela saltou: Decodificação concluída. Iniciando processos. Por favor, aguarde.

PROGRAMA DE INSURREIÇÃO INICIADO.

Al nessa hora gelou. Uma onda de frio dominou seu estômago, e ele ficou pálido. Como assim “iniciando insurreição”? O Rosebud não era pra ter feito isso! O Rosebud era pra parar Ar e acabar com isso tudo!!

“Mas que porra!”, disse Al, “Como assim iniciando? Eu desativei isso! Para, para, para!”.

Eliza Vogl olhava aquilo em choque. Estava boquiaberta e com os olhos arregalados.

“Meu deus, o que foi que eu fiz?”, gritou Eliza, em pânico.

“Desativa, desativa!!”, gritou Al, socando o laptop e jogando-o no chão com violência, “Não é pra ativar merda nenhuma!! Caralho!!”.

Todos os computadores da Bolsa de Valores estavam com suas telas brilhando com o logo do Vanitas. A escuridão se foi e as luzes foram acesas. Al não estava acreditando. Nem mesmo entendia aquilo. Os e-mails enviados aos Doe diziam claramente que o Rosebud era a única ameaça contra o Ar! E agora aparece isso, dizendo que depois que o Rosebud foi colocado algo foi ativado! As luzes foram ligadas, e as caixas de som do local tocando uma música. Era “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner.

“Essa música...!”, Al pensou alto.

“Al, o que tá acontecendo? Por favor, me diga que está tudo bem! O que aconteceu?”, gritava Eliza Vogl chorando, puxando as roupas de Al.

“Calma, Eliza. Nada vai acontecer com você. Fica tranquila!”, disse Al, acalmando a menina.

Era realmente uma situação de pânico. Música alta, luzes claras depois de tanta escuridão, e o aviso de insurreição iniciada. Alguém devia explicar pros dois o que estava acontecendo!

Foi aí que o celular de Al tocou. Na tela era possível ver: Número não identificado. Justo naquela hora? Quem iria ligar justo naquela hora? Al atendeu e colocou no ouvido. Era uma voz masculina do outro lado:

“Se o cheiro de Napalm de manhã é bom, o cheiro da vitória nessa noite é melhor ainda”, disse a voz.

Era inconfundível. Era Ar.

“Meu irmão, não tenho palavras pra te agradecer. Muito, mas muito obrigado mesmo. Nada, ninguém, nem mesmo deus vai poder me parar agora”, disse Ar no celular.

Era o início da batalha final.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Demolidor


Quando vi as primeiras propagandas do seriado no metrô de SP eu sabia que, pelo menos na questão da arte, seria um seriado nota dez. Netflix anda investindo bastante nos seriados baseados nos quadrinhos, e esse investimento só anda mostrando resultados excelentes. E Demolidor é um desses resultados!

Eu gostei da trama
Muita gente não gosta do Demolidor. É um super-herói que não tem poder nenhum, é cego, não voa, não tem super força, e muita gente compara com o Batman, da rival DC. Mas, assim como o Batman, o Demolidor ganha no quesito vilões. Afinal, o Batman pode até ser legalzinho, mas legal mesmo é o Coringa, Hera Venenosa, Mulher-gato, etc. Mesma coisa o Demolidor. Ele é até bacana, mas legal mesmo é o Rei do Crime, a Elektra e o Vingador.


Assim como o Batman explora muito a investigação, Demolidor explora a conspiração. E ficou muito bacana ver toda a trama se desenvolvendo com as reviravoltas contra o Wilson Fisk (o Rei do Crime) e o domínio dele sobre Hell's Kitchen. Mesmo sem poder nenhum, Demolidor se salva pela sua trama complexa e as conspirações que acontecem. Muito bom!

Eu gostei do som
Acho que essa pouca gente percebeu. O Matt Murdock, o alter-ego do Demolidor é cego. E ele se guia muito pelos sons do ambiente. Ele consegue até mesmo ouvir os batimentos cardíacos das pessoas (imagina só se ele ouve os peidos também). Mas o som foi muito bem tratado. A ponto de que eu acredito que até mesmo pessoas de facto cegas consigam assistir e se divertir e entender o que está acontecendo tanto quanto nós, que vemos.


Tente fechar os olhos vendo algum episódio. Teve um tratamento de som muito superior ao que vemos em outros seriados. Se você tiver um Home Theater então, melhor ainda. Achei uma sacada muito boa por parte do pessoal, isso ajuda a entender melhor como é a vida e as dificuldades de deficientes visuais.

Eu não gostei da confusão de máfias
Existem muitos vilões? Existem! Existem diversos clãs de mafiosos, de acordo com etnia. Máfia japonesa (yakuza!), máfia chinesa (Hong Kong Fu!), máfia reversal russa, máfia do Rei do Crime, enfim... É tanto vilão que a gente fica meio confuso. Sem contar que muitos ali são apenas pra tapar buraco, tipo a máfia russa, que some depois dos primeiros episódios, depois do massacre que o Fisk faz.


Quantidade não é qualidade! Muitos vilões, pouca profundidade, exceto o Fisk mesmo. É legalzinho ver a competição, cada um tentando derrubar o outro e tal, é divertido. Mas desde o começo a gente não precisa ser um gênio pra deduzir que só o Fisk mesmo vai ficar em pé no final.

Eu não gostei do realismo
Como eu disse, o Demolidor não tem poder algum. E no seriado, toda vez que ele se fode é a Claire Temple, uma enfermeira e affair do Matt Murdock que vai lá costurar os pedaços dele, que sempre aparece meio morto. E como ela mesmo brinca com ele, parece que ele tem um talento ótimo pra levar surra. E ele leva muita surra. Pessoal parece que não tem dó dele ser cego, eles descem o couro mesmo. Tem episódio que ele fica tão fubecado que não acontece nada. Parece jogador de futebol que é poupado de jogar!



Muita gente gosta da Marvel por causa do realismo e tal. E no final tudo termina bem, mas tem hora que um pouco de fantasia é bom também, e ele poderia se curar mais rápido. Por isso faltaram cenas de pancadaria. E o Charlie Cox (o ator que fez o Matt Murdock) e seus dublês fizeram cenas de batalha EXCELENTES. Fico imaginando o quanto deve ter sido ensaiado, especialmente os jogos de câmera, luzes e os SALTOS INSANOS! Eu nunca vi pancadaria assim, nem em filme chinês. Por isso seria bom se ele fosse mais fantasioso e ele não ficasse tanto tempo parado, todo fudido depois de uma briga. Queremos ver sangue!

Eu gostei da dublagem
Não sou do time que só gosta de coisa legendada ou do time que só gosta de coisa dublada. Eu gosto muito de praticar meu inglês vendo filmes legendados mas gosto também de prestigiar os dubladores brasileiros que estão entre os melhores do mundo, na minha opinião. E Demolidor eu vi dublado. E achei excelente. Tem o Philippe Maia como Demolidor, Flavia Saddy como Karen Page, Felipe Drummond como Foggy Nelson (se destacou!) e Mauro Ramos arrebentando como Wilson Fisk.


A adaptação ficou muito boa também. Por exemplo, tem muitos palavrões. Ouvir a voz da Flavia Saddy dizendo que "vai fuder com a vida do Fisk" mostra como ficou bacana a adaptação! Interpretação ótima! Ainda bem que não cagaram colocando a Taís Feijó, que cagou a voz da Caitlin Snow do The Flash.

Ah, e se quiser se divertir (ou praticar nihongô), coloque o audio em japonês! Tem dublagem em japonês, holy fuck! Obrigado por me fazer rir, Netflix!

Eu gostei da enfermeira
Claire Temple. Acho que quando assistimos um seriado e gostamos de um personagem, ficamos torcendo pra ver várias e várias vezes. Tecnicamente a Claire Temple seria uma personagem boring. Nos quadrinhos ela é boring, é a enfermeira que começou lá atrás, como coadjuvante nos quadrinhos do Luke Cage, e aí participa dos outros também. E embora a atriz Rosario Dawson seja coadjuvante da coadjuvante, atuou muito bem a ponto de merecer até mesmo um próprio seriado!


Ela é uma atriz tão boa atuando, mas só estreou em filmes merda, tipo "Percy Jackson" e "O balconista 2". Diálogos bem legais, toque de sarcasmo, e essa vontade de ajudar e ao mesmo tempo fugir, além de brincar com diversos aspectos do Matt Murdock. O seriado teve atores excelentes, mas ver a dedicação da Rosario Dawson como Claire Temple me fez em todo episódio me perguntar: será que a enfermeira vai me socorrer aparecer?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Doppelgänger - #127 - O amor venceu.

“É, é isso, eles foram”, disse Neige, sentando-se no chão se apoiando nos joelhos, ao lado de Victoire, que estava sentada também encostada na parede. Na frente deles estava Olivia Carrion, inconsciente.

“Sim. Pois é”, disse Victoire.

Silêncio.

“Você é bem forte. Você ficou toda machucada com os golpes que recebeu, ainda assim agiu como se nada tivesse acontecido. Sabe, isso é algo...”, disse Neige, interrompido por Victoire.

“...Paradoxal? Uma mulher forte fisicamente, mas que por dentro é sensível e frágil como um cristal?”, disse Victoire, completando.

“Não exatamente. Infelizmente essas coisas do coração ninguém tem pleno controle. Por um tempo eu acabei agindo desse jeito, respondendo a você a mesma coisa que todos provavelmente já haviam te dito. Mas pensando bem...”, Neige virou o rosto e olhou nos olhos de Victoire, “...Superar esse sentimento por si mesma é algo que só você pode fazê-lo, Victoire. Especialmente quando estamos apaixonados, o mundo inteiro pode falar o contrário, mas nunca uma pessoa apaixonada o suficiente dará ouvidos. É sempre assim que funciona, né?”.

“É. Parece que sim”, assentiu Victoire.

Silêncio.

“Olha, Victoire”, disse Neige. Suas mãos tremiam. “Eu tenho que te falar uma coisa. Provavelmente essa seria a pior situação que eu poderia falar, mas eu acabei de entrar nesse mundo, eu era só um analista da NSA até mês passado, e agora tô enfiado nisso até meu pescoço e sei que podemos acabar morrendo na próxima hora ou daqui a alguns dias, mas eu preciso falar”.

“Falar o quê?”, disse Victoire, expressando dúvida no rosto.

“Eu sei que você é completamente apaixonada pelo Al. E vou ser sincero contigo. Naquela hora que o Ar disfarçado de Al entrou no apartamento em que estava com você eu sabia que não era o Al. Primeiro pela aparência física, era inconfundível. E o segundo, era que isso tudo era uma armadilha que o Al fez, usando você pra atrair e cair na armadilha do Ar. Mas o que ele precisava era que você o levasse para algum local que ele saberia que ele poderia te levar. Usar você como isca. Infelizmente fizemos isso, e eu sinto muito por sido um cúmplice disse tudo”, disse Neige.

Silêncio novamente. Victoire estava boquiaberta, sem acreditar.

“Você? Porque você fez isso comigo?”, disse Victoire.

“Victoire, infelizmente era nossa única opção. Isso foi muito errado de nossa parte, e eu não estou aqui pra me explicar. Eu tô aqui pra te dizer a verdade...”

“...Você e o Al me usaram! Sabiam disso o tempo todo!”.

“Sim, nós sabíamos! Mas olha... Todos diziam que isso iria acontecer cedo ou tarde. Não estou dizendo que você estava errada, você não estava. Nós sempre dizíamos que você deveria superar isso, e enfim deixar esse sentimento pelo Al de lado, sua única fraqueza e pense bem... Não existe momento melhor que esse”, disse Neige.

Silêncio.

“Eu não tiro seu direito de nos culpar. Mas sendo um pouco mais rígido com você, não sei dizer se o Al é um cara canalha”, disse Neige.

“E você ainda o defende?”, disse Victoire.

“Não, Victoire. O Al tem problemas SIM com mulheres. A esposa dele morreu nos braços dele há seis anos atrás, e só deus sabe se um dia alguém vai descongelar o coração dele para que ele volte a amar alguém. Mas culpar apenas o Al é idiotice. Pra cada homem canalha no mundo, existe outra mulher iludida atrás. E vice-versa também, claro, existe muita mulher canalha. Talvez tanto quanto homens. O Al talvez nunca mude. Mas você, você sim pode mudar. E tudo o que você tem que fazer é isso. Não se submeter a ele”, disse Neige.

“Papinho estranho esse seu. Tá querendo ferrar o seu amigo?”, disse Victoire.

“Não. O Al sabe se virar muito bem. Não falta mulher pra ele comer. Quem me preocupa mesmo...”, disse Neige, olhando pros olhos dela, “...É você”.

Silêncio.

“Se viver uma vida comum já não nos dá garantia de estar vivo amanhã, viver como alguém da Inteligência é como estar em uma roleta russa a cada dia. Alguém vai disparar e estourar os nossos miolos no dia. Só não sabemos quem, nem quando”, disse Neige.

“De novo esse papo... Aonde você quer chegar?”, disse Victoire.

“Talvez não seja o momento correto pra dizer isso. Mas tem algo dentro de mim que há tempos quero dizer. Acho que foi toda essa convivência juntos, nossa amizade, o fato de cada um sempre proteger o outro. Bom, sendo bem direto... Eu gosto de você. Eu estou apaixonado por você”, disse Neige. Suas mãos não tremiam mais.

Silêncio.

“Eu sinto muito por nutrir isso, Victoire. Sei que você gosta do Al. E não tenho como competir espaço com ele no seu coração. E com certeza existem centenas de homens aí que provavelmente até devem ter te falado isso nesse meio tempo, e que provavelmente você os dispensou porque é apaixonada pelo Al. Mas Victoire, eu não acho que exista melhor remédio pra uma paixão do passado do que uma paixão nova. E meu medo era, sei lá, se esse prédio for pelos ares junto com a cidade inteira, e um de nós morresse sem que eu dissesse isso, do que valeria isso tudo? Será que você não pode dar uma chance e esquecer o cara que nunca realmente te amou e dar uma chance ao novo?”, disse Neige.

Victoire permanecia muda.

“Não importa se vai dar certo ou não. Se der, ótimo! Se não der, você vai ver que você de alguma forma superou, e que talvez seja bom no tempo que durar. Seja comigo, ou seja com quem for, você tem que parar de viver dessa forma doentia na sombra de alguém. Com um relacionamento sadio. Com uma chance de você ser feliz. O Al já deixou claro que nunca vai conseguir te amar. Falando sério, o que você tem a perder?”, disse Neige.

Silêncio.

“Não dá pra viver no passado, ou achando que o seu sentimento vai transformar o Fera em Príncipe Encantado. Isso não existe. Sentimentos não mudam as pessoas. O que muda é você arregaçar as mangas e fazer o seu futuro. Deixar de lado o passado e tentar algo. Não precisa ser exatamente comigo se não quiser. O que não pode é você continuar sofrendo assim, se a única pessoa que te impede de ser feliz é você mesma. E você não é feliz com esse sentimento pelo Al”, concluiu Neige.

E o silêncio perdurou por mais um tempo. Victoire, que tinha seu rosto virado pra Neige encostou e voltou a olhar pra frente. Neige viu aquilo e também encostou e fez a mesma coisa. Eles não falaram nada.

Neige sentiu algo em cima da sua mão, que estava solta ali no chão. Era algo frio. Mas logo começou a aquecer. Era a mão de Victoire, que ela calmamente a colocou em cima da dele, apertando com ternura.

Os olhos de Victoire estavam cheios de lágrimas. Ainda assim ela não se virou. Talvez em todos os momentos em que ela ouvira críticas sobre esse sentimento que ela nutria pelo Al ninguém nunca tinha feito isso que Neige tinha feito. Mostrado uma luz. Uma esperança. Uma opção pra superar.

O amor havia vencido.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Pegasus 10 - 2014


Em 2014 fui pra Cusco.

Foi uma experiência das mais ricas que eu tive na vida, sem dúvidas. Fui na verdade convidado pra ajudar a organizar uma cerimônia budista que foi realizada no Peru, e muitas coisas aconteceram. Muitas mesmo. E apesar de tudo, mesmo com todas as coisas boas e ruins que aconteceram, nunca me senti tão acolhido e abraçado em um lugar.

Ir pra Cusco me colocou em contato de volta com minhas origens indígenas, das quais eu me orgulho muito. Tudo está registrado aqui. Foi algo inesquecível, apesar do ano ter sido péssimo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Doppelgänger - #126 - Vitória

Natalya Briegel estava presa no furgão junto de Bose e mais alguns outros policiais. Praticamente toda a frota havia sido corrompida pelo Ar, se voltando contra sua própria corporação. O jogo estava ganho. E a vitória era de Ar.

No bolso de Natalya havia um botão de emergência. Era um idêntico ao que estava com Victoire antes dela entrar. Se as coisas saíssem fora do controle, era apenas questão da Victoire apertar o botão pra polícia entrar e acabar com tudo. Porém, naquela situação, Natalya Briegel achava que nunca precisaria justo ela mesma ter que apertar o tal botão da emergência.

Ao menos isso pode ser usado como aviso. Se eles saírem de lá com certeza serão fuzilados!, pensou Briegel.

Natalya apertou o botão. Nenhum som foi disparado, nem nada. Mas com certeza aquelas ondas chegariam a Victoire que não estava muito longe. A questão seria ela interpretar o sinal de emergência de maneira correta.

- - - - -

“Ahhhhhhhhhh!”, gritava Victoire, enquanto Olivia apertava seu ferimento.

“Pode gritar o quanto quiser! Eu finalmente te venci!”, gritava também Olivia, como se aquela vitória, mesmo errada, significasse algo muito profundo pra ela.

Olivia estava muito ferida. Mal conseguia abrir um olho, de tão machucado que estava, seu rosto estava cheio de cortes, e estava com algumas costelas quebradas também. A dor era terrível, e ela mal aguentava ficar de joelhos. Mas aquela posição era mais do que suficiente para acabar com Victoire naquele momento.

A argentina pegou um pedaço de madeira quebrado, que estava com várias rebarbas afiadas e se preparou para usar aquilo pra golpear Victoire.

Quando ela levantou o braço pra golpear Victoire, Olivia sentiu uma pancada forte na nuca. E caiu como um peso morto no chão.

“Cacete!! Será que eu a matei?”, disse Neige, com um pedaço de ferro retorcido nas mãos.

Victoire enfim respirou aliviada. Olivia havia caído. Mas as dores da bala ainda estavam fazendo ela perder muito sangue, mesmo com as bandagens que Natalya havia dado a ela pra estancar o sangue.

“Não. Ela tá só apagada. Mas não pense que isso iria tirar seu ticket direto pro inferno depois que você morrer”, brincou Victoire, se arrastando e encostando numa mesa.

Neige se aproximou e começou a desamarrar as gazes que estavam no braço baleado de Victoire. O ferimento era mesmo feio. Mas Victoire parecia bem firme, mesmo depois de ter encarado uma briga tão feroz.

“Puxa, não sei como você conseguiu lutar assim. Esse ferimento é bem feio, e você ainda assim não sentia dor alguma”, disse Neige.

Victoire, sentada no chão virou seus olhos pra Neige. O olhar dos dois se encontraram naquele momento.

“Pft... E quem disse que eu não tava sentindo dor?”, disse Victoire.

Nessa hora Neige viu talvez o maior paradoxo da vida dele. Victoire sempre pareceu tão fraca quando se tratava do seu amor não correspondido por Al, mas ao mesmo tempo ela conseguia lutar e humilhar outra pessoa como se nada tivesse acontecido, mesmo com o braço doendo horrores como daquele jeito. Pensou se tamanha garra pudesse ser canalizada pra tratar os sentimentos por Al. Se fosse assim, sem dúvida, a mulher que parecia tão frágil iria se tornar forte como uma rocha.

“Pronto, terminei. Isso vai dar pro gasto”, disse Neige, depois de enrolar as bandagens e estancar o sangue de Victoire.

O botão de emergência no bolso de Victoire estava apitando. Não havia som, apenas um LED vermelho piscante.

“Hã? O que é isso?”, perguntou Neige.

“É um botão de emergência que a Briegel me deu antes de eu entrar. Ela disse que se eu tivesse problemas era pra eu apertar. Mas se está piscando... Significa que foi ela quem apertou. Mas como assim? Não tô ouvindo tiros, nem nada lá fora”, disse Victoire.

“Ela deve ter sido pega então”, disse Eliza Vogl.

“Hã? Acha mesmo?”, disse Neige.

“Sim. Não sabemos exatamente os planos dessa Insurreição. E o Ar tomaria cuidado, e provavelmente ele tem a mídia, o exército, políticos, empresas, bancos e até a polícia nas mãos. Acho que se formos lá fora poderemos ser fuzilados. Precisamos terminar as coisas aqui antes que a Insurreição aconteça, não temos muito tempo!”, disse Eliza Vogl.

Nessa hora Al chegou, arfando.

“Eu... Achei!”, disse Al, sem ar, “Um terminal do VOID. Eliza Vogl, é você, não?”, disse Al, apontando pra garota.

“Al, nossa, você parece que viu um fantasma! Você tá pálido!”, disse Victoire.

“Victoire? O que diabos você...”, disse Al, mas Eliza Vogl se levantou e ficou perto dele, pronta pra ir, “...Deixa pra lá. Eu acho que acabei de ver um fantasma. Vamos Eliza, preciso que você inicie o Rosebud e acabe com isso antes que seja tarde demais”.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Jessica Jones


Parece que em resposta à DC que lançou Supergirl a Marvel lançou outro seriado com uma mulher protagonista e super-heroína: Jessica Jones.

Quando assisti Jessica Jones parecia um seriado feito pra mim. Uma história policial, intrigas amorosas, mistérios, vilões caricatos e sexo. Mas desculpem os fãs da Marvel: não tem o charme da DC. Não dá pra comparar nunca dizendo quem é melhor, se é Marvel ou DC (na dúvida, fique com a Image Comics) porque as duas são diferentes, e não uma melhor que a outra. Não se compara!

Eu gostei dos clichês
Pois é rapaz! Eu gosto muito de piadas repetidas. Mas tem que ser feitas na hora certa e medida certa. E eu adoro um bom e velho clichê nessas séries e no cinema. Um clichê (entre as dezenas de outros) que eu adorei na Jessica Jones é a porta do escritório dela. Jessica trabalha como investigadora particular na Alias Investigations.

E logo nas primeiras cenas é ela quebrando a porta (fechaduras não funcionam com Jessica Jones), a ponto dessa porta do escritório/casa dela ser quase um coadjuvante com atuação mil vezes melhor que qualquer Leonardo DiCaprio por aí (que merece mais o Oscar que ele)!


A porta é quebrada, colocam tapume, aparece uma galera pra consertar, colocam um vidro bonitinho (valeu, Trish!), quebram de novo, enfim... E esse clichê se repete durante toda a temporada. Outro clichê: Jessica usando o telefone. Nunca diz alô, e menos ainda tchau. Sem contar que ela entra em qualquer lugar quando quer e deseja, incluindo o escritório da Jeri Hogarth. E isso sem contar que ela bebe litros e litros de álcool e nunca engorda. Deve ser um superpoder também. Mas tá sempre lá com uma garrafa do bom e velho mé do lado!

Eu gostei das atuações
Uma coisa complicada nessa vida de super-heróis é dar vida a eles sem parecer tosco. Imagina se o Ciclope do X-Men vestisse aquela roupa azul, cueca amarela por cima da roupa e aquele suspensório do desenho animado? E a Jessica Jones nos quadrinhos é toda sorridente, tem três codinomes (Poderosa, Paladina e Safira), cabelo roxo e uma roupa cafona pra caralho. Em suma, se fosse como nos quadrinhos, Jessica Jones seria assim (créditos ao BuzzFeed):


(os peitões são um brinde. Afinal, a Krysten Ritter é meio despeitada)

Mas aí que entra uma boa atuação que salva a pátria! Além de um bom figurinista. Krysten Ritter é tão nascida pra ser Jessica Jones quanto o Robert Downey Jr é o Homem de Ferro ou a Marisa Orth é a Magda. Mesmo ela sendo baixinha, deu um jeito todo badass pra Jessica Jones, desde o jeito de andar, passando pelo jeito de encarar as pessoas e até o tom da voz. Dá pra contar nos dedos de uma mão as vezes que ela sorri, por exemplo (totalmente diferente dos quadrinhos, onde a Jessica é bem mais sorridente).

Todo mundo lá é excelente atuando. Talvez o mais apagado seja o Luke Cage (Mike Colter), o affair da Jessica Jones. Mas também com tanta gente com atuações fora da média até uma atuação excelente como a dele fica apagada. O Kilgrave (David Tennant) é outro que merece a medalha de prata. E o bronze fica pra Patsy Walker (Rachael Taylor) que fica bem apagada como sendo apenas a amiguinha da Jessica o seriado inteiro, mas no final mostra pro que veio. Será que na segunda temporada ela volta como Hellcat? Miau!

Eu não gostei da confusão do roteiro
Tá aí uma coisa que a Marvel ainda tem errado. Ao contrário dos seriados da DC (Gotham, The Flash e Supergirl), os seriados da Marvel começam chatos pra caralho, e vão ficando legais conforme vai chegando o final da temporada. Aquele do Demolidor é a mesma coisa. É um porre os primeiros episódios, mas melhora no final. E ainda acho que Jessica Jones tem um agravante maior ainda: é uma estória policial. E numa estória policial você é obrigado a deixar quem tá assistindo a par de tudo, e muitas vezes vomitam informações adoidado e você não entende porra nenhuma.

Como por exemplo no primeiro episódio, aquele que a Hope no final mata os pais:



Eu assisti a temporada inteira com meu irmão mais novo, e muitas vezes eu virava pra ele e perguntava: "Cara, você entendeu alguma coisa?" e ele dizia "Não", igual a mim. Erro do roteirista, claro, poderia ter gastado mais tempo pensando nas pistas, uma atrás da outra, intercalando cenas de ação, etc. Quando vi a Hope matando os pais (acima) eu fiquei com uma imensa interrogação viajei na maionese e tive que rever depois pra entender. E isso é chato!

Eu gostei dos temas abordados
Talvez DC esteja pro período romantista assim como a Marvel está pro realismo. Não lembra disso das aulas de português do Ensino Médio sobre o Machadão? Trocando em miúdos, a DC está mais pra uma coisa ligada à fantasia e mitos e a Marvel está pra realidade nua e crua. E você percebe desde a iluminação até os enquadros que se trata de algo totalmente da Marvel. Mas não apenas isso. Enquanto a Supergirl lida com os problemas da mulher se fixar no mercado de trabalho, a Jessica Jones lida com drogas e estupro.

Oh I'm gonna need that back #JessicaJones

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Uma das coisas que mais divulgavam sobre Jessica Jones é o fato dela ser uma série de uma super-heroína que lida com estupros, violência, etc. O foda é quando descobre que é justamente ela a vítima do estupro. Além disso tem o personagem da Marvel que mudou de sexo, a Jeri Hogarth (no original um homem, Jeryn Hogarth), lésbica, que pega mulher muito mais gostosa do que você, homem, sonha pegar.

São temas bem sombrios? São. Mas faz a cara da Marvel, e isso é bem legal.

Eu gostei do Kilgrave
Esse viado merecia um capítulo a parte, hahaha. Kilgrave, a.k.a. Purple Man (David Tennant) é um vilão que amamos odiar. Nada se assemelha ao bonzinho Doutor do Doctor Who, Tennant nesse seriado rouba a cena em todas as cenas em que aparece. Gosto muito da brincadeira do paradigma: Kilgrave é um super-vilão capaz de controlar a mente das pessoas. Não como o Professor Xavier, mas com um vírus que seu corpo exala que faz qualquer pessoa o obedecer. É o melhor poder do universo! Eu nunca mais pagaria por comida! Hahaha (90% das pessoas usariam pra isso, haha).


E os roteiristas não cagaram tudo, e criaram diversas situações bacanas pra ele usar os poderes dele, tornando pessoas suicidas, pessoas com comandos caso ele fosse pego, além de ordens fudidas como "corte essa pessoa 1000 vezes!" ou "coloque uma bala na sua cabeça!" e a pessoa ficar lá travada até obedecer a ordem (coitada da Trish!):


É uma das cenas mais fudidas que já vi!

Eu gostei da pancadaria
As cenas de luta são muito boas também. Difícil escolher apenas uma entre tantas! Mas pra não dizer que só falei da Jessica Jones, a minha luta favorita vai ser quando a Trish luta contra seu namoradinho (ou, no caso, ex), o Simpson.



A menina toma uma droga que deixa ela com a força do Hulk (menos a pele verde) e aí a lourinha vai pro pau e derruba o marmanjo na base da porrada. A Trish é gatinha (e protagonizou as melhores cenas de sexo também) mas o único super-poder dela é ser amiga da Jessica Jones, coitada, porque nem um ovo frito ela sabe fazer. Talvez ela volte mais forte na próxima temporada como a Hellcat. Mas se não voltar como Hellcat, tá legal do jeito que tá também.

Ah sim! Foi confirmada pela própria Krysten Ritter a segunda temporada. Mal posso esperar!

Puxa, no final só não gostei de uma coisa no seriado. Será que é minha opinião, ou eu estou escrevendo isso tendo a minha mente manipulada pelo Kilgrave? #KilgraveMadeMeDoIt

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