quarta-feira, 9 de março de 2016

Doppelgänger - #133 - AURORA.

“Vamos, Frost. Me diga logo, onde estão as escutas que você colocou. Facilite o meu trabalho”, disse Ar, apontando sua arma pro rosto de Frost.

“Deixa ele, Ar. Ele é apenas um jornalista”, disse Al, se aproximando.

“Cala essa boca, Al!”, disse Ar, começando a se alterar, “David Frost é um jornalista de merda. Eu pensei que o Tommy tiraria da sua cabeça essa sua ideologia e te colocasse no mesmo caminho que o resto do mundo está indo. Pra que ser tão divergente, Frost? Pra quê? O que acha que vai ganhar com isso?”.

“Dinheiro, nem ideologia nenhuma vai comprar a liberdade, Ar”, disse Frost.

A arma não saía da cabeça de Frost.

“Não importa. E eu não quero também sujar minhas mãos. O VOID vai achar cada uma das câmeras sem problemas”, disse Ar, tirando a arma do rosto de Frost, “Já dei o comando pro VOID. Guardas, juntem mais uns três de vocês pra buscar as câmeras. Deixem Frost aqui”. Os guardas soltaram os braços de Frost imediatamente. Ele caiu de joelhos.

“É, pelo visto você não teve o melhor tratamento”, disse Al.

“Me bateram um pouco, sim. Mas precisariam de muito mais que isso pra me tirar da brincadeira”, disse Frost. Al deu um singelo tapinha nas costas dele. Frost se ergueu e ficou do lado de Al, se apoiando nele com o braço.

Nessa hora o celular de Ar tocou inesperadamente. Número desconhecido.

“Hã? Quem seria numa hora dessas? VOID, intercepte a ligação”, ordenou Ar. Segundos depois uma mensagem saltou no smartphone de Ar:

AURORA WATSON. Procuradora geral do Reino Unido.

“VOID, quero que jogue o áudio nos auto-falantes daqui. Quero que todos ouçam”, disse Ar.

O que ele pretende? Não... Ele deve estar com algum tipo de megalomania. Talvez queira provar algo, pensou Al. Realmente aquilo era inesperado. Al e Frost permaneceram calados, enquanto ouviam a conversa entre Ar e Watson.

“Arthur Blain? É você?”, perguntou Watson.

“Senhora Aurora Watson, eu presumo! Não achou que ligar pra mim de um número desconhecido iria me deixar de alguma forma intrigado, não? Sei exatamente de quem se trata. Em que posso ajuda-la?”, perguntou Ar.

“Ar, nesse momento você está preso, e tem o direito de ficar calado! Você foi pego em flagrante, e vou tratar de desmantelar toda essa rede que você criou ao longo desses anos!”, disse Watson, decidida.

Ar parecia estar calmo, com o controle da situação. Deu um leve riso e prosseguiu:

“E quem você vai me mandar prender? Achou que eu teria um time de pessoas corruptas que se voltariam contra mim no menor sinal? Não, senhora Watson, sinto lhe dizer, mas nós somos muito mais que isso. Essas pessoas que estão em todos os lugares do Reino Unido e da Europa apontando armas pros seus companheiros são todas pessoas que acreditam no mundo melhor que irei construir. São pessoas que me seguiriam até a morte! Não acho que uma dúzia de policiais que você tenha possam fazer algo”, disse Ar.

“Estou nesse exato momento movendo juízes, promotores e políticos. Não importa se eles estejam contigo ou não, todos eles sofrerão o peso da lei, e com a ajuda de Frost que tornará público todas as denúncias contra você! Você pode controlar um pedaço da elite, mas quero ver o que vai fazer quando isso tudo se tornar um escândalo público!”, bradou Watson.

“Não me faça rir, Watson!! Existem dois idiotas que estão te ouvindo também. Fiz questão de jogar essa ligação nos auto-falantes para que tenham a prova final de que me derrotar é impossível. Um deles é um ex-agente, exilado, doente de velhice, vendo tudo o que a pessoa que ele treinou está fazendo para ter uma ascendência apoteótica. Num momento em que o meu domínio é tão grande que nem mesmo uma quantidade ínfima de pessoas incorruptíveis poderia me parar. Agora é tarde. Já estou em todos os lugares!”, disse Ar.

“Ar, tenho em mãos todas as provas que o Al coletou contra você. E mais toda a gravação do que está planejando e da sua conversa com o Al agora. Acabou! Pare o VOID e impeça seus planos, ou a consequência será grave!”, disse Watson.

“Não me faça rir. Nem mesmo deus pode parar o VOID agora. Ninguém!”, disse Ar enquanto olhava o seu smartphone, que servia de monitor para o VOID também. Acessou um menu e buscou todas as escutas e câmeras que estavam transmitindo algo dentro da bolsa de valores.

Nenhuma estava ativa. Foram desligadas antes de mandar os guardas irem verificar. Estavam gravando nada. Rolou um pouco a tela e viu que havia um alerta de cinco conexões que haviam transferido um montante de dados há segundos atrás, mas que não estavam mais transmitindo nada. Mais uma pesquisa. Dessa vez focou nas conexões de internet para fora da Bolsa de Valores. Havia uma ativa, transmitindo um vídeo via streaming.

“Senhor Blain, ficar vendo seu smartphone não vai te ajudar a apagar as provas contra mim”, disse Watson.

Mas como Watson sabia que Ar estava vendo seu smartphone?

“Se você parar o VOID, posso garantir que a sua pena pode ser diminuída. E talvez nem mesmo precisamos fazer a imprensa saber sobre isso. Você não quer isso, quer?”, Ar olhava por todos os cantos, buscando a câmera que o estava observando, “Não precisa me procurar muito, Ar. Estou bem na sua frente”, disse Watson, pausadamente.

Nessa hora Ar olhou pra Frost. Havia um pingente na sua lapela muito estranho...

“Estou mandando agora uma equipe da SAS onde você está. Vamos invadir e pegar todos aí junto do VOID! O primeiro-ministro vai saber de tudo, e se você não se render não haverá nenhum rastro de você, nem mesmo do VOID pra contar história!”, disse Watson.

O quê? O VOID está aqui?, pensou Al, assustado.

“Foi o Neige. Ele conseguiu descobrir onde está o VOID”, sussurrou Frost para Al.

Genial como sempre, Neige, pensou Al.

Ar permanecia mudo, pensando em alguma coisa. Al estava segurando Frost apoiado em seu corpo. O mundo parecia cada vez mais rodar e rodar. Ar estava começando a ficar desesperado. A conexão de onde Aurora Watson o via estava vindo de uma pequena câmera instalada discretamente no terno do próprio Frost. Era tudo uma armadilha.

“Acabou, Ar. Desista, ou todos nós morreremos aqui”, disse Al, calmamente.

Nessa hora um cheiro de queimado dominou o salão. Das escadas do subsolo estava vindo um dos agentes de Ar, ensanguentado e com o corpo cheio de queimaduras, se rastejando pela escada. Ele gritava de medo e dor enquanto dizia:

“Senhor Ar!”, gritou o agente, “Fogo!! O subsolo três está em chamas!!”.

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