sábado, 30 de abril de 2016

Doppelgänger - Sumário


Doppelgänger

Um agente exilado é chamado de volta para uma missão cujo objetivo é impedir um misterioso sósia de causar o caos econômico mundial. Ao mesmo tempo, esse mesmo agente deve lutar contra seu passado que o atormenta, incluindo todo o legado que seu falecido irmão mais velho deixou após ter sido assassinado, anos atrás. 

Para isso ele conta com a ajuda de uma francesa que nutre um amor não correspondido por ele, uma holandesa que era uma agente e depois se tornou a maior traficante de armas do mundo, e um homem que não sabe do seu passado. Uma história de conspirações, amor, amizade e rivalidade.

Prólogo

1 - Eu e Victoire
2 - Filthy abstinence
A história dentro da história (1)

3 - Qualquer lugar, menos Newmarket.
4 - The Newmarket Incident.
5 - Pétalas de laranjeira. 
A história dentro da história (2)

6 - Um novo começo.
7 - Алексей Санкт-Клэр.
8 - untitled.
9 - Despertar.
10 - Ne me quitte pas.
11 - Memories in the rain.
12 - A hora da verdade.
13 - Agatha.
A história dentro da história (3)

14 - ART DRAWN BY VOMIT.
15 - Disavowed.
16 - Pra precisar da minha ajuda, a coisa deve estar feia.
17 - Aquela dor forte no peito.
18 - Os nossos medos.
19 - Agatha, o exército de uma só mulher.
20 - Mestre.
21 - A cruel tutela do mestre.
22 - Irmão.
23 - Legatus.
24 - Treinamento.
A história dentro da história (4)

25 - INSURRECTION.
26 - O reencontro.
27 - Traição.
28 - O que existe de pior em nós.
29 - Milagre.
30 - O fim.

~ INTERLUDE ~
Realidade que pode ser doce também.
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Make a wish for a LOOPING star.
E se eu tivesse feito outra escolha?
Realidade que pode ser real também.
Vai acordar pra realidade, ou vai fugir?
Set me free.

31 - Os que confiam em você, esperam seu retorno.
32 - Vômito.
33 - Trigger.
34 - Sentir-se vivo novamente.
35 - HURRICANE VENUS.
36 - Branco como a neve.
37 - Invasão.
38 - It's all about the money.
39 - A reviravolta
40 - Não existe outra opção.
41 - Giancarlo Lucca.
42 - Azul ou prata?
A história dentro da história (5)

43 - As lágrimas puras de Victoire.
44 - Sinal de fumaça.
45 - Number 10.
46 - Behind blue eyes.
47 - De perder o fôlego.
48 - O espírito estraçalhado.
49 - Vanitas.
50 - Ameaça invisível.
A história dentro da história (6)

51 - The Lady Saunders (1)
52 - The Lady Saunders (2)
53 - The Lady Saunders (3)
54 - Ela está grávida!
55 - É hora de se decidir.
56 - Sentado no banheiro.
57 - John Doe.
58 - Desfibrilador
59 - Lutar pelo que acredita.
A história dentro da história (7)

60 - The pendulum starts to swing.
61 - Turn back the pendulum.
62 - The pendulum stops.
63 - Proposta de união.
64 - Cinco porcento.
65 - Exército na forma de uma mulher.
66 - A kind of magic.
67 - A arma mais perigosa que já existiu.
68 - Sugiro que você reze.
69 - Aquilo que é dotado de beleza e desespero.
70 - M.
71 - Um botão para mudar o mundo.
72 - Troca de almas.
A história dentro da história (8)

73 - Who dares, wins.
74 - A volta de quem não havia ido.
75 - Vergonha. Epitáfio.
76 - Pra que guardar seu coração pra alguém que nunca virá?
77 - Onde está Vogl?
78 - Eliza Vogl.
79 - Confiança.
80 - A busca pelos 'Doe'.
81 - A pureza da resposta das crianças.
82 - O baozi que não deu pra comer.
A história dentro da história (9)

83 - Jack Doe, o fanfarrão.
84 - Jane Doe e Canary Wharf.
85 - David Frost entra em cena.
86 - A lealdade de Agatha van der Rohe.
87 - VOID.
88 - Um toque, um beijo.
89 - O maior dos fantasmas de Al.
90 - O último dos Doe.
91 - Uma fria.
92 - Quando o coração da gente se apaixona.
A história dentro da história (10)

93 - O Monumento.
94 - O homem sem passado.
95 - O homem que sabia quem era.
96 - Quando Nataku voltou a ser Lucca.
97 - Quando Lucca conheceu o amor.
98 - Sacrifice
99 - Tudo ou nada.
100 - Tudo.
101 - Nada.
102 - OVERDOSE.
103 - Preto como a morte.
A história dentro da história (11)

104 - Trust me.
105 - Confiança e traição.
106 - O estupro.
107 - As ações contra aqueles que se opõe à verdade.
108 - Goin' Places.
109 - A origem de todo o mal (1)
110 - A origem de todo o mal (2)
111 - A origem de todo o mal (3)
112 - Rosebud.
113 - O dilema de Frost.
114 - Vai dar tudo certo.
115 - Sonho e realidade.
116 - O amor está morto.
117 - O fera e a bela.
118 - O tiro no coração.
A história dentro da história (12)

119 - Uma rosa para parar a aurora.
120 - O doppelgänger de Arch.
121 - Pálido como a neve.
122 - We are everywhere
123 - You hit like a girl.
124 - BRUTAL
125 - Stronghold Showdown
126 - Vitória
127 - O amor venceu.
128 - The final showdown
A história dentro da história (13)

129 - Obrigado, Al.
130 - O vazio está em todo lugar.
131 - No hero to answer the call.
132 - O momento de hesitação.
133 - AURORA.
134 - Tu, que eras cinzas, às cinzas retornarás.
135 - Não há revolução sem banho de sangue.
136 - DEICIDIUM I
137 - DEICIDIUM II
138 - DEICIDIUM III
139 - Fogo azul.
140 - Subjugation.

Epílogo #1
Epílogo #2
Epílogo #3

XXII - O Tolo

sexta-feira, 29 de abril de 2016

XXII - O Tolo



3 de dezembro de 2012
5h54

“O senhor ficará bem. O tiro pegou bem perto dos seus órgãos, mas não acertou nenhum”, disse a enfermeira para Al.

Sentado na maca, com um cobertor por cima do corpo, Al via os primeiros raios de um novo dia. O tiro havia pego ele abaixo da cintura, do lado direito. Provavelmente ficaria uma cicatriz bem feia. Mas medicamentos estavam sendo ministrados naquele momento, e a dor estava passando.

Al observava aquele monte de carros militares, vários policiais que estavam do lado de Ar sendo levados presos, ambulâncias, mas ainda assim seu coração não estava calmo. Essa missão falhou, e aqueles primeiros raios daquela manhã mostravam que haveria um novo dia pela frente. Mesmo que as consequências fossem catastróficas pro mundo inteiro a partir daquele ano.

“Me soltem! Droga!!”, gritava Ar, enquanto dois policiais o puxavam pelos braços, algemado.

O olhar de Al e Ar se cruzaram naquele momento. Não tinha opção, o carro que levaria Ar preso estava bem perto de onde Al estava. Ele tinha que passar justamente por ali.

“Esperem, esperem!”, disse Ar, ao ficar de frente pra Al, “Fiquei com raiva de ver você aí vivo, mas por outro lado estou feliz também. Você vai ver toda a minha insurreição!”.

“Insurreição? Só se for da cadeia. Você queria ser um mártir, e isso faria ainda mais as pessoas te verem como uma espécie de deus, mas no final você é apenas um moleque que foi preso e vai passar o resto da vida na cadeia”, disse Al.

“O VOID já fez grande parte do trabalho sujo. Agora é só esperar as consequências! Grupos terroristas, países quebrando, guerras civis, bancos falindo... Você realmente achou que eu não havia pensado na possibilidade de eu ser preso, Al, meu irmão?”, disse Al.

Al ficou calado, sem responder, ouvindo apenas com o rosto sério. Ar prosseguiu:

“Existem pessoas que vão continuar o que eu comecei, Al! Todos aqueles agentes que eu recrutei para estarem do meu lado. Você pode atrasar a minha insurreição por alguns meses, ou até anos, mas tudo vai acontecer! E você vai ter que ir atrás de cada um deles, e isso você jamais vai conseguir!”, disse Ar.

“Você acha que está acima do bem e do mal. Acha que se ergueu pra ser o deus do novo mundo. Mas sabe o que eu acho que você é? Nada menos que um criminoso comum. Espero que tenha bons advogados, pois a senhora Watson não vai te deixar cair fora disso impune”, disse Al.

Nessa hora os policiais ordenaram que levassem Al para o carro da polícia. Quando se viu sendo puxado, Ar ficou furioso e começou a gritar a plenos pulmões, como se estivesse sendo alvo de alguma injustiça.

“Pode até ser, Al! Mas eu vou completar o que comecei! Me aguarde! E farei questão de matar o seu irmão mais velho também! Aquele idiota foi aparecer justo naquela hora! Você viu ele também, não viu? Ele me deu um golpe e eu simplesmente apaguei depois que ele me levantou pelo pescoço! Sim, seu irmão, Arch, ele está VIVO!! VIVO!!! VIVOOOO!!!”, dizia Ar, furioso, resistindo a ser puxado pro carro da polícia com todas as suas forças.

Ar era forte. E mesmo com dois policiais o puxando, ele mal saiu do lugar. Al olhou pra Ar por alguns momentos. Aquela frase sobre seu irmão mais velho o deixou furioso. Sua cara mostrava isso. Al fechou seu punho e deu um soco no nariz de Ar com bastante força.

“Ninguém fala asneiras sobre o meu irmão na minha frente!”, disse Al, nervoso, que depois de uma pausa prosseguiu: “E ele é seu PAI também, seu imbecil”.

Um terceiro agente chegou e mandou os dois guardas avançarem, levando Ar até o carro que o levaria para a delegacia, enquanto ele gritava de dor, depois do soco no nariz. Al, sentado na maca, com um cobertor na cabeça, observava Ar sendo levado e se debatendo querendo fugir, com o nariz ensanguentado querendo virar o rosto pra continuar gritando sandices pra Al.

“Não acabou aqui, Al! Eu vou voltar! Vocês todos vão pagar caro por isso! O seu irmão está vivo!! Arch está vivo!! Eu tô falando sério!! Eu o vi com meus próprios olhos!!”, dizia Ar, aos berros, totalmente tomado pela fúria por sua falha, antes de entrar no carro e ser levado preso.

sábado, 23 de abril de 2016

A geração Bolsonaro.

(Antes de mais nada, esse texto não faz apologia alguma a favor de Jair Bolsonaro, golpe militar, ou qualquer coisa do gênero)

Ano passado eu fui no açougue, e na hora que eu tava no caixa a funcionária estava de olho na tevê, vendo uma das muitas manifestações do ano passado, que estava passando em uns flashes na tevê. Ela me deu o troco e disse o seguinte:

"Ah, eu acho que podia ter um golpe militar mesmo. Tudo naquela época funcionava bem".

Eu nessa hora dei um sorriso amarelo, me virei e fui embora, caminhando com muito medo dessa pessoa. Acho que muitos viram a declaração de Jair Bolsonaro na votação do Impeachment (que eu não quero discutir aqui o seu mérito ou falta de), e sua homenagem a um tal de "Ustra":


Seria um país muito bom se ao invés de pessoas brigarem entre si, coxinha versus mortadela, tucanos versus petistas, se todos unissem as forças contra pessoas como essas. Pessoas que defendem a ditadura, golpe militar, e coisas do gênero.

Eu gosto muito de ouvir o que pessoas tem a falar. Muito mesmo. Acho o ser humano um bicho muito curioso, eu gosto de estudá-lo em seu habitat natural, haha. Tenho várias teorias do comportamento humano na gaveta. E fiquei pensando quem seriam as pessoas que apoiam um discurso como o do Bolsonaro.

E, observando ao meu redor, vi que existem umas pessoas, nascidas no período de 1958 até meados de 1975, que eram crianças nos anos de chumbo do Brasil, que tinha um número maior de apoiadores do Bolsonaro do que nas outras faixas etárias. Não estou dizendo que TODOS dessa geração seja assim, repito: a maior incidência que vi foram de pessoas nessa faixa etária.

E fiquei pensando no motivo dessas pessoas, que não são nem velhas, nem novas, estarem apoiando tanto a volta da Ditadura. Seria uma nostalgia infantil? E vi como educação pode ser algo bem perigoso, e pode arruinar quase uma geração inteira.

Nessa época existia uma coisa chamada "Educação moral e cívica". Uma coisa que, se você perguntar para uma pessoa que nessa época estudou, ela vai dizer que era uma coisa maravilhosa, e ensinava valores, patriotismo, e blábláblá. Mas nem preciso dizer que isso sim era uma verdadeira lavagem cerebral pró-ditadura fixada nas pessoas. Sem contar que devia ser um pé no saco todo dia ficar cantando o "Ouviram do Ipiranga Barra Funda, Dom Pedro escorregou bateu a bunda".

Vejo pessoas que conheço nessa faixa etária que são patriotas fervorosos, pessoas que choram ao ouvir o hino nacional, que tem um quase fanatismo em dizer que é do Brasil, e eu quando as vejo tenho medo de ver no que a humanidade se tornou. Pessoas essas que viveram exatamente no período de ditadura, ao invés de enxergarem o quanto de coisa ruim aconteceu naquele tempo, acha que aquilo é a solução para o país. E nem adianta defender, que existem vários argumentos falando da verdade sobre as mentiras contadas sobre a ditadura.

E sabe o que é pior? Muitas pessoas apoiando o tal "Bolsomito" estão influenciando erroneamente uma galerinha mais nova aí a ir nessa onda. Eu conheço gente da minha idade (ou até mais novos) que apoiam volta da ditadura abertamente, provavelmente influenciado pelo papai, mamãe ou titio. WTF?

Embora pareça óbvio, se você apoia cegamente retorno da Ditadura Militar, talvez esteja se perguntando porque esse texto é contra isso com todas as forças, mesmo você, que apóia isso, acha que eu não tenha motivos pra ser radicalmente contra isso (sim, existem pessoas que pensam assim).

Antes de mais nada, democracia pode não ser a coisa mais justa do mundo. Mas dentre os males, é o menos pior, e isso é um facto. É a democracia que te dá a liberdade pra poder apoiar, se manifestar, pensar com sua própria cabeça e formular seus próprios argumentos. E, óbvio, a melhor parte de todas, poder escolher os seus líderes por meio das eleições.

Isso é maravilhoso, né? Mas na Ditadura isso não existe.

Num mundo democrático você pode concordar ou discordar de qualquer coisa. Você pode sugerir, e a única coisa que você no máximo vai aturar é alguém indo contra o seu ponto de vista. E claro, se você tiver uma cabeça boa, vai respeitar, e não vai precisar dar unfollow no amiguinho.

Já na Ditadura se você pensa diferente, você é torturado, preso ou eventualmente morto.

Na Ditadura não existe transparência, a roubalheira vai ser desenfreada. Quando alguém vier defender a Ditadura como saída pra progresso econômico, diga que o Brasil ficou com uma dívida imensa a ser paga, e a inflação do final dos 80 foi um presente de despedida dos militares ao Brasil. Corrupção era centenas de vezes pior, a mídia só podia mostrar o que convinha aos militares, e muitas, muitas, muitas pessoas foram caçadas e mortas, se exilaram, foram perseguidas e disso aí pra pior.

Então, não venha defender Ditadura de nenhum aspecto, pois qualquer regime militar que seja deve ser defendido jamais. Não é apenas cortar as liberdades individuais, mas também sinônimo de enganar o povo, lavagem cerebral, corrupção e medo. Bolsonaro não representa a direita nem aqui, nem no colo de Donald Trump (que é outro que foge do conceito de direita). Bolsonaro representa o retrocesso, então ao invés de ficar brigando entre quem defende um partido X ou Y, juntem forças pra apagar qualquer resquício de apoio a retorno a uma Ditadura que houver nesse país. Vai ser muito mais útil do que ficar brigando se vai ter impeachment, ou se ele é um golpe. Obrigado!

Aliás, não confie nunca em ninguém de nenhuma extrema, seja direita ou esquerda. Pra não dizer que fiquei só falando de ditaduras de direita, as de esquerda são tão cruéis e sanguinárias quanto. Quer ver um exemplo sem ser Cuba ou Coréia do Norte? Vejam a excelente entrevista de Lilian Tintori no Roda Viva, da TV Cultura. Uma mulher, sofrendo no governo "igualitário", "democrático" e "que ajuda os pobres" igual uma ditadura, sem liberdade, economia arruinada, pobreza extrema e tudo mais que a mídia que apoia o regime venezuelano não vai te mostrar:


Sério, se você alguma vez quis defender Bolsonaro, espero que esse texto tenha ajudado a pensar um pouco mais sobre o erro imenso que você tá fazendo. E caso você ache que chavismo seja solução também, espero que esse vídeo acima mude sua opinião. São todos farinha do mesmo saco.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Doppelgänger - Epílogo #3

7 de dezembro de 2012

Al estava na frente de uma lápide, depositando flores em um vasinho ali. De um lado, uma lápide de mármore escuro estava enfeitado de rosas brancas. Do outro, uma lápide de mármore mais escuro, com algumas flores de lavanda. Fazia muito frio, ainda estavam em pleno inverno. Mas fazia sol. Tímido entre as nuvens, mas fazia sol.

Al se afastou alguns passos e ficou observando, sem falar nada. Ele não tinha crença alguma, nem religião, mas se sentia bem em prestar respeito e homenagens aquelas duas sepulturas.

Por um momento Al fechou os olhos. Sentiu uma brisa fria. E durante aqueles segundos meditou em pé ali mesmo, respirando o ar, sentindo os últimos ventos de outono batendo no seu rosto.

“Eu sabia que ia te encontrar aqui, Al”, disse Agatha, se aproximando.

Al virou o rosto e olhou pra ela. Era bem inesperado a visita de Agatha pra ele.

“Pensei que você já tinha voltado pra prisão”, brincou Al.

“Pois é, me deram uns dias a mais de liberdade. Presentinho da Rainha por bom comportamento. Amanhã vou ter que voltar. Afinal, mesmo ajudando vocês, eu ainda sou uma criminosa de alta periculosidade. E vocês colocaram no time justo a maior traficante de armas internacional de todos os tempos. Estou é começando a achar que o mal exemplo aqui são vocês”, disse Agatha.

“Pra você o inferno deve ser estar rodeada apenas por mulheres, como na prisão”, disse Al.

“Ah, eu odeio mulheres, e você sabe. E como eu sinto falta de um pinto naquele lugar! Minha mão fica cansada de me masturbar. Mas pelo menos esses dias deu pra transar muito. Homem é tudo fácil de pegar, só dizer que tá afim que eles já ficam com o garotão duro. Acho que até emagreci uns quilinhos, viu...”, disse Agatha, contando o que havia feito nos dias anteriores.

Al virou o rosto de volta pras lápides, repousando seus olhos ali. Aquilo o confortava, de certa forma.

“Eu nunca vim aqui. Mas, até onde eu sei, nessa lápide escura tem alguém enterrado. Mas nessa branca aqui não tem ninguém, é isso?”, perguntou Agatha.

“Sim. A lápide escura é da minha falecida esposa. A garota do cabelo cor-de-berinjela. Ela está descansando aí. Já essa lápide mais clara é a do meu irmão mais velho, Arch. Mas como você mesma disse, não há ninguém enterrado aí. É apenas simbólica. Ninguém nunca achou o corpo verdadeiro do meu irmão depois que ele foi morto. E mesmo se achassem, ninguém gostaria de fazer uma lápide pra ele, pois sabiam que seria um local onde as inúmeras pessoas que o admiravam viriam prestar respeito”, disse Al.

“Por isso você comprou e mandou fazer essa lápide? Realmente é muito bonita. Você deve ter gastado uma nota”, disse Agatha.

“Eu não me importo se pessoas idolatrariam o meu irmão... Mas...”, disse Al, com os olhos cheios de lágrimas, “Meu irmão era a minha única família. Pra mim ele não era o cara visionário e revolucionário que muitos amavam e odiavam. Pra mim ele era a pessoa que me amou e me criou e me tornou o que sou hoje. Ele era toda minha família, e nem isso me deram direito de poder ter o corpo dele pra colocar aqui...”.

As lágrimas de Al caíam. Agatha se aproximou e colocou a mão no ombro dele. Ela tirou de uma sacola que ela trouxe algumas flores, segurando-as na mão.

“Eu não tenho religião, sou ateia, mas gostaria de prestar uma homenagem e agradecimento por tudo que Arch fez por mim”, disse Agatha, que há mais de duas décadas atrás fazia parte do time de Arch na Inteligência.

Agatha calmamente colocou as flores, deitadas, em cima do túmulo de Arch. As cores combinaram bem com as que Al havia deixado, recém compradas. Al balançou a cabeça positivamente, sem dizer nada, em forma de agradecimento.

“Ficou lindo esse anjo que você colocou. É uma estátua bem grande”, disse Agatha, olhando para o túmulo de Arch.

Al olhou pra cima e encarou a estátua do anjo.

“Ainda fica, pelo menos, uma convicção bem forte dentro de mim, que eu não abandono nunca: Essa estátua desse anjo está aí pra me lembrar que com certeza meu irmão, depois de morto, possui asas. Asas lindas e puras, que o faz de onde quer que ele esteja ajudar as pessoas, e ele nunca será derrubado, continuará no lugar que ele sempre esteve, lá no topo de todos. Já eu... Eu não tenho asas como meu irmão”, disse Al, pausando.

Nessa hora Al baixou a cabeça e olhou para baixo. E depois, sem falar nada ergueu a cabeça e olhou pra Agatha. Era um olhar cheio de determinação. Al prosseguiu:

“Mas eu tenho dois pés que se fincam firmes no chão. E mesmo que eu caia uma, duas, três ou várias vezes, esses mesmos pés me erguerão de volta para que eu possa continuar seguindo em frente!”.

Agatha deu um abraço em Al nesse momento.

“Seu irmão estaria muito feliz em te ver agora. Muito mesmo!”, disse Agatha.

“Obrigado, Agatha”, disse Al.

Agatha deu um sorriso e virou o rosto da lápide. Foi dando passos em sua direção.

“Você vai voltar pro exílio mesmo?”, perguntou Agatha, caminhando.

“Sim. Tudo aqui me lembra meu irmão e minha esposa. Eu adoro esse lugar, mas não moraria aqui no Reino Unido de novo. Sem contar que eu não teria paz também. A velha que conseguiu que eu não precisasse mais prestar serviços pra Inteligência, e ela que me arranjou uma vida comum longe daqui. É algo para poucos, você sabe”, disse Al.

Agatha, de frente ao túmulo observou os vasos. Detrás de um dos vasos havia algo que lhe chamou a atenção.

“Peraí... O que é isso?”, disse Agatha, tirando o que parecia ser um envelope.

Era um envelope plástico, a prova d’água. Estava lacrado. Era impossível saber há quanto tempo estava lá, e por ser plástico era resistente às intemperes.

“Hã? Um envelope? Da onde você tirou?”, perguntou Al, se aproximando.

“Ele estava ali, atrás daquele vaso. Você não o viu?”, disse Agatha.

“Não. Nossa, está meio empoeirado. Alguém deve ter esquecido”, disse Al, pegando o envelope da mão de Agatha.

Na frente do envelope estava escrito a mão: “Para Al”.

Dentro havia uma carta. A letra era a mão, e muitíssimo bem feita. A pessoa tinha uma caligrafia impecável:

“Caro Al,
Você, e todas as pessoas
que te são importantes vão
pagar pelo que você fez comigo.

Vou te fazer viver o inferno que vivi.

Eu estou de volta.
E terei minha vingança.

EXPIE OS SEUS PECADOS ENQUANTO É TEMPO!
- A. Kent”

“A. Kent? Conhece essa pessoa?”, perguntou Agatha.

Al estava completamente assustado com o que estava lendo.

“Não pode ser... Isso não é possível!”, disse Al.

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Em junho de 2013, Neige fugiu para a Asia com Victoire e revelou, por meio de diversos leaks, documentos sigilosos de governos do mundo inteiro, entre eles vários do governo americano, ao público. Seus atos causaram comoção global, e muitos o tratavam como herói ou bandido. Suas localizações reais são até hoje desconhecidas, e o governo americano deseja suas cabeças, vivos ou mortos, a todo custo.

Em dezembro de 2012, Agatha voltou pra sua prisão cumprir sua pena perpétua. Porém, suas contribuições foram tão grandes, que o governo dará anistia temporária a ela caso seus serviços sejam estritamente necessários novamente no futuro.

Em março de 2013, David Frost compilou todos os documentos e provas da Insurreição de Ar e trabalhou ao lado de Aurora Frost no processo de prisão contra Ar. Todos os governos da União Européia imploraram que tudo aquilo continuasse em sigilo, pois causaria um grande furor se as causas da crise econômica mundial de 2008 viessem a tona, com todas as provas da culpa de Ar. A única condição que eles aceitaram para que o escândalo não viesse a público era que Ar, mesmo com toda sua influência política e econômica ficasse detrás das grades, e que todos os governos se unissem para rastrear todo o dinheiro aplicado pelo VOID e ao mesmo tempo dessem todo aval pra Interpol buscar todos os agentes dissidentes que estavam lutando por Ar.

A Insurreição de Ar em 2012 continua um fato desconhecido do público até hoje.

Em julho de 2013, Giancarlo Lucca se casou oficialmente com Noriko Yamamoto, em Vancouver. Eliza Vogl rapidamente virou parte da família, e mesmo sendo uma jovem superdotada, resolveu escolher ter uma vida comum e frequentar a escola comum. Lucca e Noriko, e seus filhos Eliza e Hayden estão vivendo bem e felizes na mesma casa.

Em janeiro de 2013, Natalya Briegel se fixa como consultora de Inteligência, auxiliando as novas gerações enquanto divide seu tempo cuidado de seu filho deficiente.

Ravena e Sara voltaram a trabalhar na Interpol, usando a mediunidade e poderes psíquicos na resolução de crimes.

Em agosto de 2013, depois de intensos estudos no corpo de Schwartzman, ele foi cremado. Todos os seus estudos com cobaias vivas foram guardados pelo exército britânico, e os resultados do estudo do seu corpo continuam no mais absoluto sigilo.

Em março de 2013, Arthur Blain (Ar) foi julgado e preso. Porém, seus agentes continuam à solta no mundo, e os valores que o VOID encaminhou a diversos grupos ao redor do globo ajudaram a agravar ainda mais a crise econômica ao redor do planeta. Terrorismo, separatistas, violência, fome e miséria nunca foram tão grandes no mundo como hoje. E absolutamente ninguém pode fazer nada para evitar isso.

Em dezembro de 2012, Alexander Saint-Claire (Al) voltou para seu exílio. Não se teve mais notícias dele desde então.

E o paradeiro de Arch continua desconhecido. Assim como o motivo dele ter queimado Dietrich vivo continua um mistério.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Doppelgänger - Epílogo #2

Eliza Vogl havia perdido a avó. A pessoa que tinha sua guarda legal. Seu pai havia morrido, mas sua mãe ainda estava viva. Mas sua mãe era uma pessoa que havia abandonado a filha, e não a queria por perto sob hipótese nenhuma. E Eliza não queria voltar pra ela também. Havia descoberto o que era o amor de um seio familiar com Lucca. O homem sem passado, sem futuro, mas que havia criado um laço tão grande com a menina que queria mesmo cuidar dela, ser como o pai que ela nunca teve.

Lucca teve a ajuda de autoridades londrinas. Era o mínimo que poderiam fazer. Especialmente pois não havia mesmo interesse da mãe na filha, e Eliza não queria de maneira alguma ir para um orfanato. Com Lucca ela teria amor paternal e ele a criaria como sangue do seu sangue.

A mãe de Eliza Vogl não participou de nenhuma das audiências pessoalmente. Somente participou da última, e apenas pelo fato de que era estritamente necessário sua presença para assinar a transferência da tutela na frente do juiz.

Mieke Liebe tinha cara de poucos amigos. Era alemã, olhos azuis bem claros, e o cabelo castanho médio – mas não loiro. Já tinha muitas rugas no rosto, e andava como uma madame, acima de tudo. Não era jovem, mas também não era velha, devia ter por volta de quarenta anos de idade. Parecia ser alguém com dinheiro. Entrou calada na audiência, sentou-se na frente de Lucca e Eliza, ao lado do advogado.

“Onde eu tenho que assinar?”, ela disse, procurando o papel e caneta.

“Aqui, senhora”, apontou o advogado.

A senhora Liebe assinou e voltou a atenção pro juiz. Parecia que queria apressar aquilo. O juiz acelerou o processo, falou apenas por mais uns cinco minutos, formalizando e finalizando aquele processo de transferência da guarda para Lucca.

Lucca e Eliza não desgrudaram os olhos dela. Aquela era a primeira e última vez que eles a veriam. Mieke Liebe não olhou nenhuma vez pra Lucca. Mas depois que o juiz deu a palavra final e fechou a sessão, seu olhar se encontrou com o da sua filha. Foram apenas uns segundos, e a mãe estava séria como de costume. Foi o único contato que mãe e filha tiveram. Mieke não queria saber quem era Lucca, menos ainda se ele tinha condições de cuidar da filha, se ele tinha interesse, nada. Não que Lucca não tivesse, mas isso mostrava o quão pouco consideração a mãe de Eliza Vogl tinha pela sua filha.

Ao concluir, Mieke Liebe se levantou e saiu de lá, sem se despedir de ninguém. Até o juiz estranhou aquilo. Na saída da Corte do Conselho Tutelar Eliza estava dando pulos de alegria.

“Ufa! Que bom que acabou! Agora oficialmente eu posso te chamar de... Papai!”, dizia Eliza, super feliz.

Lucca estava distraído, lendo o documento. Seu olhar ficou fixo no nome da mãe da Eliza.

“Lucc... Quer dizer, papai? Aconteceu algo?”, disse Eliza, preocupada.

“Ah! Nada não. Apenas que eu reparei agora... O Vogl é por parte do seu pai?”, perguntou Lucca.

“Sim. Siegfried Vogl. Até hoje não sei direito o que aconteceu. Liebe é o sobrenome da família da minha mãe, mas como você vê, não combina em nada com ela...”, disse Vogl.

“Hã? Não entendi. Não combina?”, perguntou Lucca.

“Liebe significa ‘amor’ em alemão”, explicou Vogl.

Ouvir isso de uma menina tão jovem era de cortar o coração. E Lucca não negava que agora sua vida era em torno daquela menina, e ele moveria céus para dar tudo de melhor que essa menina nunca teve até aquele momento. Os olhos de Lucca se encheram de lágrimas e ele ajoelhou, colocando sua mão no rosto de Eliza, que ao ver seu mais novo pai chorando, não conseguiu conter as lágrimas.

“Olha, eu tô com muito medo, sabe? Acho que é normal a gente ter esse receio de não ser bom o suficiente pras pessoas que amamos. Mas eu juro pra você Eliza, que vou ser seu pai e sua mãe, seu amigo, seu professor e a pessoa que vai te contar estórias de contos de fadas pra você dormir. Eu tô morrendo de medo do que está por vir, e a coisa que mais me dá coragem de seguir em frente é saber que você vai estar lá, e vamos juntos crescer. Como pai, e como filha, tudo bem?”, disse Lucca, aos prantos.

Nessa hora Eliza pulou, abraçando Lucca com toda sua força. Ela também estava chorando.

“Papai... Ich liebe dich...”, disse Eliza, em alemão.

Lucca não entendeu direito, mas aquele gesto, aquela emoção, não era necessário nenhuma fluência em alguma língua em específica para entender. Aquilo era simplesmente amor.

- - - - -

Era final de dezembro. Lucca e Eliza foram viajar de férias, e o destino escolhido era o Canadá, na cidade de Vancouver.

Fazia muito frio nessa época, mesmo Vancouver sendo a cidade mais quente do Canadá, como o pessoal debochava. Eliza não sabia direito, mas o motivo de Lucca estar lá era bem óbvio. Usando o GPS do celular os dois foram atrás de um endereço em específico. Pagaram a carona e desceram do carro, decidiram completar o trajeto de poucos metros a pé.

“Não entendi direito ainda porque estamos aqui, papai”, disse Vogl.

“Haha! Nós vamos passear depois, eu prometo. Temos muitos dias de folga aqui ainda. Apenas eu queria vir aqui pra achar uma... Vamos dizer, peça do quebra-cabeça que eu preciso pra entender sobre o meu passado”, disse Lucca.

“Do seu passado? Do Lucca que você foi?”, perguntou Eliza.

“Sim. No fundo não conseguiram apagar todas as minhas memórias. Mas eu tenho muitas memórias estranhas que não se ligam a nada. E muitas vezes tenho sonhos que não fazem sentidos, com memórias estranhas, como se eu toda noite os revivesse de certa forma”, disse Lucca.

“Entendi. Por isso que estamos aqui? São parentes seus?”, perguntou Eliza.

“Melhor que isso”, disse Lucca, parando em frente de uma casa, na calçada, junto de Eliza.

Dava pra ver na grande janela do hall uma mulher, asiática, com roupas comuns e um cabelo negro bem longo. Tinha a pele branquinha como a neve, e olhos lindos, puxados. Ela estava montando uma árvore de natal, colocando os últimos enfeites. Sequer ela tinha percebido que havia alguém do lado de fora os observando.

“Nossa. Que bonita!”, disse Eliza, olhando para a mulher do outro lado da janela.

“Sim. Está um pouquinho mais velha do que nos meus sonhos, e esse cabelo tá grande. Mas esse rosto, é inconfundível. São mais do que parentes, Eliza. Essa mulher era a minha esposa”, disse Lucca.

“Meu deus! É a Noriko?”, gritou Eliza, com os olhos arregalados.

Nessa hora, de dentro da casa, a mulher asiática ouviu o grito da menina e olhou. Estava difícil ver as feições no meio da neve caindo, ela colocou uma jaqueta e abriu a porta. Lucca foi em sua direção, calmamente.

Quando os olhares dos dois se encontraram, ambos ficaram sem reação.

E assim ficaram, se olhando, descendo e subindo o olhar, especialmente a mulher asiática sem conseguir acreditar que era aquele homem que estava na sua frente. Já Lucca a observava com um olhar calmo, como se apenas aquela visão fosse como um sonho se tornando realidade. A mulher de tantas lembranças cheias de ternura, memórias essas que ele guardava no seu coração sem nem saber direito do que se tratava, tudo parecia bom demais pra ser verdade.

A primeira a quebrar o silêncio foi a mulher.

“Lucca! Lucca, por deus, você está vivo!”, disse a mulher.

“Noriko? É você, mesmo?”, perguntou Lucca.

“Claro que sou eu, seu bobo! Minha nossa, me dá um abraço!”, ela disse, dando um abraço apertado nele, “Vamos, entre, por favor. Deixe seus casacos aqui na porta. Tá quentinho lá dentro!”.

Lucca foi caminhando até a sala. Era muito linda a casa.

“Uau. Realmente é uma casa e tant...”, disse Lucca, sendo interrompido.

Noriko não estava aguentando mais, pulou e simplesmente deu um beijo na boca de Lucca. Um beijo daqueles, com muito amor. Um beijo que pra Noriko significava o reencontro com alguém que ela esperou por anos, alguém que somente ele havia preenchido seu coração daquela forma, alguém que ela nunca mais conseguiu encontrar igual.

E para Lucca aquele beijo era como se todos aqueles sonhos das memórias do antigo Lucca com ela do nada se tornassem realidade, e ele sentia aquela sensação dos braços se cruzando, as bocas se tocando, tudo aquilo era imensamente mais real do que qualquer sonho que tivesse tido.

“Eu... Esperei tanto por isso, querido. Mais de vinte anos... Vinte anos esperando por essa sensação de novo”, disse Noriko, encostando a testa nele, pra respirar um pouco depois do longo e apaixonante beijo.

Lucca apenas sorria, sem falar nada. Olhando pra Noriko. Os anos haviam passado, mas ela continuava uma mulher linda. Claro, estava com mais de quarenta anos, uns quilos a mais, mas ainda assim era uma mulher linda. Nenhuma ruga, nenhum cabelo preto, nada. Mas havia algo a mais nela. Um sabor a mais.

Olhando nos olhos dela Lucca se distraiu por um momento, quando viu um jovem rapaz descendo as escadas.

“Mãe, tudo bem por aí?”, disse o rapaz.

O olhar de Lucca se encontrou com ele. E o rapaz viu Lucca e Noriko, abraçados.

“Lucca, esse é meu filho”, disse Noriko, o apresentando.

“Puxa, você teve... Um filho?”, perguntou Lucca, surpreso.

Noriko soltou dos braços de Lucca e foi caminhando passos, chorando e sorrindo de felicidade por aquele momento. Ela foi em direção do rapaz, e o abraçou de lado, preparando-se para apresenta-lo.

“Sim, Lucca, querido, esse é meu filho”, disse Noriko, fazendo uma pausa e olhando pra ambos, “E seu filho também”, concluiu.

Os olhos de Lucca se arregalaram. Ele ficou sem reação.

“Foi pouco antes do expurgo e assassinato do Arch... Eu descobri que estava grávida. Depois que o Arch for morto você fugiu, pois queriam você morto, afinal você era o braço direito dele, e eu nem tive tempo de te contar que eu estava grávida. Agora, ele já é um homem, olha só! Tem mais de vinte anos, e esse ano termina a faculdade”, disse Noriko, se virando pro seu filho, “Filho, você lembra que eu contava do seu pai? Eu sabia que um dia ele voltaria. Seu pai teve problemas, esteve quase morto, mas por algum motivo, olha só, ele está aqui!”.

O rapaz estava com lágrimas nos olhos. Ele era a cara da Noriko, parecia um cara japonês mesmo, bem alto e forte, olhos puxados e cabelos arrepiados jogados pra trás.

“Lucca, eu te apresento seu filho, Hayden. Hayden Yamamoto”, disse Noriko Yamamoto.

Os dois se abraçaram. Hayden era grande e forte como o pai. Todos no recinto estavam profundamente emocionados, chorando de felicidade. Até Eliza Vogl. Que até tempos atrás havia perdido sua avó. Mas agora tinha um pai, uma mãe e um irmão mais velho. Uma família completa!

Ela não podia estar mais feliz!

domingo, 17 de abril de 2016

Doppelgänger - Epílogo #1

3 de dezembro de 2012
6h09

Al estava sentado na sua maca. Uma enfermeira já o havia atendido. A bala havia pegado abaixo da cintura, do lado direito. Não acertou nenhum órgão vital. Já havia sido medicado e observava Ar sendo levado preso depois do mesmo ter vindo na sua frente e falado um bocado de asneiras.

“Poxa, todo esse esforço pra no final não conseguirmos parar o cara”, disse uma voz feminina se aproximando. Era Natalya Briegel.

“É... Não dá pra se ganhar todas”, disse Al.

“Anos atrás você também estava em busca da Dawn of Souls e acabou perdendo ela. Foi obrigado a se exilar com a menina do cabelo cor-de-berinjela por anos. E agora isso, não parou completamente a Insurreição de Ar, e agora temos diversos agentes soltos por aí querendo continuar o plano dele sem nós nem sabermos quem são eles. Isso sem contar o dinheiro todo do VOID que já foi encaminhado pros seus destinatários. Olha, vai ter muita bagunça nesse mundo a partir desse ano de 2012, Al...”, disse Briegel.

“Não dou a mínima para o que vai acontecer com o mundo. Fui chamado pra parar o Ar. O resto da sujeira vocês que varram e coloquem no lixo...”, disse Al, mostrando sua antipatia de sempre.

Briegel riu alto. Parecia tentar disfarçar o desespero, na verdade.

“Durão como sempre. Escuta... Que papo é esse de que o Arch está vivo? Vi o Ar gritando isso agora antes de ser levado. Havia mais uma pessoa com vocês naquele momento?”, perguntou Natalya.

Al desviou o olhar de Natalya, e olhou pro lado. Começou a pensar se deveria ou não contar o que havia acontecido dentro da Bolsa da Valores. Não haviam testemunhas do que havia ocorrido ali. Exceto Ar.

“Ele ficou com um parafuso solto, esse moleque. Acho que delirou depois que eu dei umas porradas nele. Ficamos intoxicados, ele me deu um tiro, e perdemos o sentido. Meu irmão mais velho está morto, não sei da onde ele tirou isso.  Ele estava vendo coisas. Eu não vi ninguém”, mentiu Al.

“Uau. Ele parecia falar com tanta veemência!”, disse Natalya, fazendo uma pausa, “Enfim... Achamos um corpo completamente carbonizado lá dentro. Ele havia sido espancado antes, tinha sangue dele no chão, metros de onde ele havia sido queimado vivo. Vim aqui te mostrar isso”, disse Natalya, mostrando a foto do corpo.

Era um corpo completamente carbonizado. Estava sentado no chão, aparentemente, com a boca escancarada, como se tivesse morrido dando um grito com todos seus pulmões. Era medonho.

“E quem seria? Cruzaram o sangue encontrado com o registro dos agentes?”, perguntou Al.

“Sim. Era do seu ‘amigo’. O Dietrich”, disse Briegel.

Al ficou abismado. Era Dietrich que seu irmão havia queimado vivo naquela hora que ele cruzou o corredor. Porque justo ele?

“Sim, eu fiz essa mesma cara. Só ouvi boatos de que ele estava vivo, mas pelo visto agora não está de forma alguma. E esse incêndio na Bolsa? O fogo destruiu o VOID. Só existe carcaças de informática lá. Vamos demorar meses até achar a Dawn of Souls”, disse Natalya.

“Espero que encontrem. Ninguém pode colocar as mãos nisso. Menos ainda se for um desses malucos que seguem o Ar que estão soltos por aí”, disse Al.

Natalya encostou mais perto de Al. Embora a idade tivesse lhe trago rugas, ainda era possível ver seus belos olhos azuis por detrás dos cabelos louros grisalhos.

“Você vai voltar pra onde você está vivendo escondido?”, perguntou Natalya, olhando nos olhos de Al.

“Sim. Não vou morar por aqui. Nunca vou ter paz se morar em Londres. Gosto muito daqui, mas a velha me fez ter uma vida comum, longe desse lugar. É bom viver sem ninguém sabendo quem você é realmente, com outra identidade, em algum país mais tranquilo”, disse Al.

Natalya deu um tapinha nos ombros de Al. Balançou a cabeça afirmativamente e deu uns passos pra trás, ainda mantendo o contato visual com Al. Depois de uns passos se virou e foi andando. Parecia bem mais leve. Apesar da missão falhada.

“Ei, Natalya!”, gritou Al. Natalya Briegel se virou, gesticulando com a cabeça perguntando o que era.

“Você vai voltar a ativa?”, perguntou Al.

Natalya deu um sorriso, e balançou a cabeça, confirmando.

“Boa sorte, então”, disse Al, encorajando-a.

- - - - -

7 de dezembro de 2012
8h00

Al estava se aproximando da sala. Era tudo muito chique, com carpetes finos, paredes de madeira. Haviam dois membros da guarda-real guardando a porta. Ao verem Al se aproximando, abriram as portas.

Estavam lá, a Rainha, o Príncipe sucessor ao trono, o Primeiro Ministro, alguns ministros, Agatha, Natalya Briegel, Neige e Victoire. Todos bateram palmas quando Al entrou pela porta.

Al estava com cara de que não gostava muito daquilo. Aquela cena lhe trazia memórias ruins do seu passado. E saudades de sua falecida esposa também. Já haviam se passado anos desde a última vez que entrara lá.

“Bom, eu sei que você não gosta de formalidades, mas achei que seria bom ainda assim te convidar pra vir até aqui, no palácio de Buckingham”, disse a velha.

“Corta esse papo, velha. Espero que não venha me pedir pra ficar. Eu não sou nem um pouco patriota, tô nem aí pra esse país”, disse Al.

Nessa hora todos os ministros olharam entre si quando ouviram Al chamando a Rainha de “velha” e falando as outras coisas. Agatha, Victoire, Neige e Natalya apenas deram risos abafados. Estavam acostumadas.

“Não precisam ficar assim, cavalheiros. O que esse jovem falou não foi nada demais, não é mesmo?”, acalmou a Rainha, piscando com um olho pra Al.

Ela virou de costas e foi até sua mesa, pegando algo que Al não conseguiu enxergar.

“O que quer? Fala logo”, disse Al.

“Duas coisas. A primeira é te presentear com uma das maiores honrarias do Império Britânico”, disse a rainha, mostrando uma caixa, “Você é agora um membro da Ordem de Garter”, ela abriu uma caixinha com a linda cruz ornamentada pra se usar em trajes oficiais.

Ao ver, Al fechou a caixa com brutalidade, quase pegando junto o dedo da Rainha.

“Sabe que não posso aceitar isso, velha. Minha esposa faleceu pra me tornar ‘Sir’, seis anos atrás. Essa coisa pode ser a maior honraria, mas não pense que vou ficar andando por aí ou entrando nas reuniões de grã-finos que o Charles organiza aí”, disse Al, bem rude.

“Eu sei. Eu esperava que você não iria aceitar, mas de qualquer forma você já é. E não aceitamos devoluções, menos ainda período de carência”, disse a Rainha, sorrindo, como se tivesse ganhado de qualquer jeito.

“Ah, foda-se essa merda...”, disse Al, se virando, indo embora.

“Espera! Tem mais uma coisa!”, disse a Rainha.

Dessa vez era um certificado. Al se aproximou e viu.

“Você é o agente L. Só de ter o ranking de uma letra já é uma honraria dentro da Inteligência internacional e a dessa país. Mas agora, mesmo depois dessa missão falha, achamos que você merece entrar no ranking das lendas, assim como seu irmão mais velho foi”, disse a Rainha.

Al pegou o certificado com suas mãos. Leu calmamente e derrubou lágrimas.

“Você, Alexander Saint-Claire, de agora em diante vai ser imortalizado como o agente ‘alfa’. Codinome ‘fishy’. Assim como seu irmão, que se tornou o agente...”, disse a Rainha, sendo interrompida por Al:

“Agente ômega. Codinome... Arc”, completou Al.

“De fato”, disse a rainha.

Al aceitou e depois os ministros vieram cumprimenta-lo, e tirar fotos com ele, segurando sua mão. Al apenas olhava pra baixo, cabisbaixo, como se parecesse um pouco frustrado. A sessão toda durou apenas alguns minutos, e Al se dirigiu pra saída, com Victoire, Neige, Natalya e Agatha.

Perto da saída Neige puxou assunto.

“Ei, amigão... Porque você chorou daquele jeito? Emoção?”, perguntou Neige.

Al abriu a pasta com o certificado.

“Olha isso. Viu que letra eu sou?”, disse Al, mostrando o certificado, “Eu fiquei justo com... Alfa”.

“E daí? Quase ninguém conseguiu isso na história! Uns cinco ou seis agentes só! Você virou uma lenda!”, disse Neige.

“Pois é. Mas nem assim eu fico perto do meu irmão... Eu sou alfa, e ele está na outra ponta... É o ômega. Parece que o nosso destino é esse mesmo. Viver eternamente separados... Sem nem mesmo aqui ficarmos juntos, como irmãos”, lamentou Al.

Neige engoliu seco. Logicamente talvez não parecia ser algo tão comovente, mas no coração de Al aquilo tinha um significado enorme. Victoire, Agatha e Natalya estavam na frente, conversando.

“Parece que vou ter que me ausentar. Vou pressionar governos e empresas com leaks, informações confidenciais, já que a mídia nunca vai ser confiável. Dar ao povo o que o povo não pode ver, isso é direito deles. Vou me juntar a um cara que me apresentaram aí, e vamos fazer uma bagunça. Meus dias de NSA vão me valer de algo, tenho segredos bem cabeludos a serem revelados. Mas isso vai me custar minha liberdade, mas...”, disse Neige, olhando pra Victoire, “...Parece que vou ter a ajuda de alguém bem especial”.

“É bem a sua cara. Mas faz isso mesmo. Ela quem vai te proteger?”, perguntou Al.

“Isso. Ela irá junto, comigo”, confirmou Neige.

“Não existe ninguém mais forte do que ela. E acho que contigo ela vai ser muito feliz. E vai enfim me esquecer. Por favor, se esforce nisso, tudo bem? Só um novo amor pode curar o coração dela. Essa missão estraçalhou o coração dela, e eu nunca vou conseguir ter uma relação com ela. Jamais.”, pediu Al.

“Ah, nossa! Pensei que você ia ficar uma fera! Mas sim, estou muito feliz. A gente se beijou, e... Acho que tem uma química legal entre a gente. De qualquer forma minha vida está nas mãos dela. Literalmente...”, disse Neige.

Haviam táxis esperando eles na saída. Todos se cumprimentaram. Victoire apenas deu uma olhada de longe pra Al, balançando a cabeça pra baixo levemente, e dando um sorriso tímido antes de entrar no táxi preto londrino. Al apenas olhou pra ela, sem esboçar nada.

“É isso. Acho que é um adeus, meu amigo”, disse Neige, abraçando Al, “Vai pro Heathrow hoje ainda?”.

“Não. Meu voo é só amanhã. Ainda tenho uma coisa a fazer

sábado, 16 de abril de 2016

Hero of time.


Oba! Já acabaram as festividades dos dez anos desse blog. Faz tempo que eu não fazia um layout sobre algo que eu curta. O último foi sobre o Michael Jackson, lá em 2010. Desde então todos os layouts foram criações minhas, e tal. Mas ainda tem muita coisa que eu goste que eu queria homenagear aqui.

Dessa vez é uma das minhas séries de games favorita: Zelda!

Zelda é um game que fez parte da minha infância e perpetua até hoje. O primeiro jogo que eu joguei foi The Legend of Zelda: Ocarina of Time, pro Nintendo 64. Mas o meu coração pertence ao The Legend of Zelda: A Link to the Past e com mesma importância, o The Legend of Zelda: Twilight Princess. Mas joguei muitos. Pelo menos entre os principais, todos!

Esse layout peguei artes oficiais do Zelda: Skyward Sword, Hyurle Warriors e Zelda: Twilight Princess. A Princesa Zelda que eu acho mais legal é a do Twilight Princess (foi a que tá lá em cima!), a Midna (ponta esquerda), Ganondorf (direita-centro) e Skullkid (ponta direita) são artes do Hyurle Warriors. O Link, protagonista, no centro, a arte peguei do Skyward Sword.

Lembrando que isso é apenas um trabalho de fã, sem nenhum objetivo comercial. Apenas para fins de divulgação. E porque eu adoro. :D

Ah, o nome desse layout ficou Hero of Time. Homenagem ao protagonista, Link!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)


Lembro como se fosse ontem quando anunciaram que o Ben Affleck seria o novo Batman. Todo mundo caiu zoando demais dizendo que o Robin ia ser o Matt Damon (HAHAHA!). E na época era bem inimaginável mesmo. Era 2013 e mal nos recuperamos de Argo. Foi um filme ótimo, mas não dava pra associar o ator com o papel de herói assim.

Nesse meio tempo apareceu o filme O Homem de Aço (2013). Eu não gostei muito. Gostei muito mais das partes da história do que precisamente dos vilões. E Amy Adams mandou bem como Lois Lane também, salvando o filme. Mas o Zod e os kriptonianos são vilões chatos pra caralho no universo do Superman. Já é um saco aguentar o Non no seriado da Supergirl... Mas, enfim, não me convenceu muito esse reboot do Superman (agora, usando a cueca do lado de dentro da calça, aleluia!).

E quando lançaram Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) as opiniões eram oito ou oitenta: ou haviam adorado, ou odiado. Mas como más notícias sempre são mais fortes que as boas, parecia ser um filme ruim mesmo. Ok, eu prefiro mil vezes a DC do que a Marvel, mas fui ver o filme com o coração aberto. E, quer saber? ADOREI. Foi muito além do que eu tava esperando. E isso depois de ver spoilers por aí.

(na verdade eu só fui assistir porque me passaram spoilers. Eu odeio ouvir spoilers porque eles me dão vontade demais de assistir. Quando não ouço spoilers raramente um filme me atrai!)

Eu gostei da Mulher Maravilha
Essa foi uma surpresa igual ao Finn no Star Wars. Personagem que eu dava nada, achava que ia ser uma tapa buraco, mas caralho, que grito, que saltos, que força, e não menos importante... QUE GATA! Tô contando os dias pra julho do ano que vem quando vai lançar o filme dela! Espero que coloquem tudo da história dela, até a Hippolyta!


Ver a Mulher Maravilha no trailer lembro que foi tão surpreendente quanto ver o Homem-Aranha nesse trailer do Guerra Civil. Pena que ela só aparece no final do filme mesmo, botando pra quebrar. O bacana é que ela faz basicamente tudo o que o Superman faz com o fucking escudo, fucking braceletes e o fucking LAÇO DA VERDADE DA MULHER MARAVILHA, sem ter a alergia à kriptonita que o homem da cueca vermelha tem. Acho que se desse mais uns quinze minutos ela acabava sozinha com o Apocalypse. Tranquilo.

Eu gostei do roteiro
Acho que o que frustrou as pessoas é que eles pensaram que talvez seria duas horas de luta do Batman contra o Superman. A luta dura uns vinte minutos, e, francamente, é mais que o suficiente. O único jeito do Batman vencer o Superman é usando kriptonita. Bruce criou umas bombinhas com gás verde de kriptonita e usa contra o Superman, dá umas porradas, o efeito acaba, ele lança outra bombinha, bate mais um pouco, efeito acaba e pronto. Basicamente a luta é isso. E eu achei que não precisava mais do que isso não! Poderia ser até menor.


Agora o roteiro é bacana. O filme ficou muito bem estruturado. Começa lá atrás, com o Bruce vendo Metrópolis ruir na luta entre o Superman e o Zod no primeiro filme. Mostra a vida do Clark Kent dando uns pegas na Lois na banheira (aliás, eu adorava o Clark bundão clássico do Christopher Reeve. Que deus o tenha), e a ânsia do Batman querer dar uma surra no tal alienígena (Superman!). Enquanto o Lex tá planejando altas coisas, Superman é adorado como um deus do mundo. E tudo vai convergindo no final do encontro de ambos e o Apocalypse no final. Ficou muito bem estruturado!

Eu não gostei do desenrolar da luta
Foi uma das únicas coisas que eu não curti. Vi o meme abaixo, e, bem, é basicamente isso:


Faltou um pouco de sambalelê na história nessa parte. "Salve a Martha", falado pelo Superman lembra do Bruce quando sua mãe, Martha Wayne morreu quando era criança. E aí o Batman, lutando ferozmente no modo terminator do nada para, e se ouvem, e viram BFF, e resolver marcar um encontro. Ele leva a Talia Al-ghul e o Clark leva a Lois pra passearem juntos no parque.

Eu gostei do Alfred
O Alfred sempre é, junto de tantos outros, como a Oráculo (Barbara Gordon) o braço-direito do Bruce. Como o filme não pode ter duração de uma semana, não tem como apresentar todos os caras que ajudam o Batman. Mas nesse filme esqueça o Alfred como o mordomo careca que serve apenas pra ouvir os desabafos ou curar os ferimentos do Bruce Wayne. A começar pelo fato de que o ator é ninguém menos que o Jeremy Irons!


Não tem mais o que inventar no Batman. E eu não gosto do Batman. Eu gosto dos vilões do Batman. Batman em si é só um doido com capa preta socando bandido que o Datena mostra na tevê. Mas o Alfred desse filme é algo completamente novo! Totalmente badass, mil e uma utilidades, cara de poucos amigos, e muito mais imponente do que o Ben Affleck. E olha que não ficou tão ruim o Batman dele, viu? Fico imaginando o Lucius Fox badass nesse estilo também. Vai ser fudido.

Eu gostei dos dilemas do Superman
É, não tá fácil pra ninguém! Fácil era na época que o Superman era um cara que salvava aviões de caírem ou prendia bandidos. Assim como em O Homem de Aço, parece que o objetivo desses diretores é "marvelizar" o Superman, dando pra ele dilemas do século XXI que deixariam o pobre Peter Parker parecendo um universitário comum como qualquer outro.


Eu não sei se gosto disso, na verdade. Eu gosto do Superman como o pica das galáxias acima do bem e do mal. Superman não precisa de dilemas, ele é foda naturalmente, não tem o que argumentar. Ponto final. Mas entendo que pras gerações atuais precisam admirar o cara mostrando os podres dele. E não tem como negar que o filme mostra muito dessa adoração que as pessoas criariam pelo Superman - e não entenderem que ele é apenas uma pessoa querendo fazer o bem. Só isso (algo bem explorado no seriado da Supergirl).

Mas como existem trocentos dilemas que o Superman/Clark Kent têm, não dá pra mostrar todos. No primeiro era mais o dilema dele em ser um herói ou não. Nesse segundo o dilema dele é o fato dele ser glorificado igual um messias de capa vermelha. Talvez no terceiro pode ser o dilema de "e se o Superman, avatar a justiça, perder o controle dos seus atos", minha sugestão! (e sim, Superman é meu herói favorito)

Eu não gostei do Lex Luthor
Assim como o item acima, eu também não sei se gostei ou não. O filme apresenta um Lex como um moleque genial com muito dinheiro e psicótico. Tirando o dinheiro, é totalmente diferente do Lex careca e puramente malvado que conhecemos. Na verdade é até aceitável esse novo Lex. O problema é no final:



Quando tudo acaba e o Lex vai preso, raspam a cabeça dele, pra ficar com a cabecinha de ovo clássica dos quadrinhos e... A última cena dele é ele, por detrás das grades, tento um semi-surto psicótico de falar nada com nada, que vai sair de lá, vai pegar todo mundo, 99% louco e 1% malvado. E essa loucura tira toda a caracterização do personagem, porque o Lex na verdade é 99% malvado e 1% louco! Lex Luthor sempre teve como pilar a sobriedade, frieza e planejamento. Quando o Lex no final do filme faz aquilo, rebaixa ele a um psicopatinha comum. Tipo... Coringa do Batman, sabe?

Até essa cena é aceitável. Mas o final, cagou ele.

Eu gostei da Lois Lane
Por último, não menos importante, ela. Lois Lane! Meu medo era ela ficar apagada no meio de tanto poder, tanta explosão, tanta porrada... E, bem... Ela ficou bem apagada. Bem mais apagada do que em O Homem de Aço. Mas não quer dizer que não tenha sido bom. Amy Adams arrebentou no papel, novamente, mesmo aparecendo pouco, foi decisiva em diversos momentos.


Mas também não teria como colocar ela mais no filme. Seria legal se fosse um papel parecida com a Karen Page no Demolidor (da Netflix), como investigadora das coisas. Na verdade até tentaram, mas ela fica metade do filme pesquisando a porra duma bala que ela acha no deserto pra no final descobrir o óbvio: coisa do Lex Luthor, dãããã. Basicamente só aparece no começo e no final, na batalha final (onde, pra variar, eu chorei pra caralho). Mas foi legal, apesar de aparecer pouco!

Mas a Amy Adams é impossível de cansar de ver ela! A gente sempre quer um pouquinho a mais dela, hehe. Essas sardinhas são tão sexy!

Ah! Lawrence Fishburne como Perry White, um outro maluco desconhecido que parece o Jimmy Olsen (fotógrafo, melhor amigo do Clark) parece que MORRE no começo (porra!), e tem uma parte que o Perry vira e pede pra Cat Grant escrever um artigo. Mas não mostra quem é a Cat Grant, HAHAHA.

Todos esses personagens, Perry White, Jimmy Olsen e Cat Grant são personagens do Planeta Diário, onde Clark Kent trabalha, e são personagens importantíssimos dentro do universo do Superman, mesmo não tendo poderes. Espero que o suposto Jimmy não tenha morrido, porque ele é o melhor amigo do Clark e nos quadrinhos é muito legal ver a amizade bacana entre os dois. Quem sabe numa continuação? Ia ser legal!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Atelier (2015)


Tava navegando no Netflix, vendo as séries originais de lá e vi a foto de uma japinha gatinha. Gostei! Entrei e vi que o nome era Atelier (no Japão o título é アンダーウェア, Underwear), e lá dizendo que um seriado sobre lingerie. Japonesinhas gatinhas de roupas de baixo. Tudo o que eu tava procurando, hahaha.

Mas ainda bem que era bem mais que isso, hehe.

Atelier é um seriado original da Netflix em parceria com a Fuji TV. É um dorama (do inglês drama, as clássicas novelinhas japonesas) feito no formato Netflix com apenas treze capítulos e cada capítulo com 50 minutos de duração. Nele contamos a vida de Mayuko Tokita, uma caipira menina do interior que é formada em moda e vem pra cidade grande tentar a vida na famosa grife de lingeries, a Emotion.

Sua chefe, Mayumi Nanjo, é a deuteragonista da série. É uma espécie de Miranda Priestly (O Diabo veste Prada), mas com muito mais sentido. Ao contrário da Miranda, nem sempre são provocações gratuitas, e a diferença na Mayumi Nanjo é que ela tem sentimentos. Pelo menos muito mais que Miranda Priestly.

Em suma, adorei! Sempre gosto de doramas, mas tenho preguiça de baixar. Ver um no Netflix é bem prático, e de excelente qualidade, roteiro, fotografia e cenários. Vale muito a pena assistir, indico fortemente! Mesmo sendo um tema bem feminino, não é entediante pra meninos assistirem. E é sempre bom ver essas estórias onde vemos crescimento dos personagens, independente da trama.

Eu gostei da trama dos personagens
Parece que a japonesada vê novelas brasileiras! Uma característica da teledramaturgia latina é que consegue desenvolver muito a história individual de cada personagem. Coisa que é muito difícil de ver em Hollywood, por exemplo. É verdade que a Mayuko e a Nanjo-samá (sim, até a gente começa a tratar essa velha com respeito depois de assistir!) são as principais, mas os outros personagens são muito bem desenvolvidos!


Acima é o casting inicial. Da esquerda pra direita, essa senhora de óculos é a Reiko, a braço direito da Nanjo-samá, que é a única que ajuda a Mayuko quando ela tá começando, ensinando os paranauê das calcinha e sutiã. Depois tem a Fumi-chan, de verde, designer das lingeries que sai da Emotion pra trabalhar pros rivais, e por um tempo leva a Mizuki-chan, essa de cabelinho curto e braços cruzados (fui procurar fotos da atriz e vi que ela fez muito trampo como Gravure Idol. Gata pra caramba!). Ela acaba voltando com o rabinho entre as pernas depois, e é uma das mais bonitas (mesmo com 35 anos!).

Em pé no meio com essas pernas magrelas é a Mayuko Tokita, e a sentada na cadeira do Poderoso Chefão é a Nanjo-samá, a outra protagonista. Os dois rapazes de pé são o Saruhashi-san (de preto) que cuida da parte administrativa do negócio, e por último é o interesse amoroso da Mayuko-chan, mas que deixa o emprego logo nos primeiros episódios e nunca mais volta. Mas ela se apaixona por outro bem mais legal, o estagiário, o Kaji-kun, que não está nessa foto.

Isso sem contar outros coadjuvantes legais que não estão aí, mas cada um com seu dilema existencial diferente e único. Tem tanta opção que pelo menos uns dez daí no mínimo mereciam um seriado só deles!

Eu não gostei da Mayuko
Eu em geral tenho uma queda por protagonistas. Mas não gostei muito da Mayuko. Atuação é até bacaninha, mas perde muito o brilho perto da veterana Mao Daichi (que interpreta a Nanjo-samá). A personagem é legal, mostra todo o desenvolvimento dela como pessoa, mas ela chega no topo muito rápido e depois fica muito apagada no seriado. Tem uns três episódios que ela mal aparece, por exemplo! Isso é coisa que protagonista faça?


Não tô dizendo que tenha sido ruim. Mas também não foi bom. Muitas caras e bocas, deixa a atuação meio falsa e infantil demais, não precisava ser tão exagerada. Mas é bacana ver o crescimento da personagem, de uma caipira que se vestia mal pra caralho, virando uma magrela gatinha das perna torta (acima). Isso sem contar que no começo ela era apenas uma "nerd de tecidos", que manjava muito de materiais de costura, mas no final começa até a construir suas próprias peças de lingerie e desponta como a excelente relações públicas da Emotion, organizando até um desfile fudido no meio da temporada!

Eu gostei da chefona Nanjo-samá
No começo a gente detesta ela tanto quanto a Mayuko detesta. Mas aí começa a ver que a velha manja dos esquemas, de estilo, de vestir-se bem, e até ser sexy. A chefe não é muito explorada no seu passado na primeira metade da temporada, mas da metade pra lá é ela quem toma o lugar da Mayuko como protagonista - e a história dela é muito, mas realmente muito mais interessante do que a de todos os personagens juntos.


O esforço imenso que ela deu pra criar e consolidar a marca, todo o preconceito da indústria por ela ter focado justamente em produzir roupa de baixo, a falta de reconhecimento, a fidelidade dos clientes (e eventual preconceito também), o jeito ríspido e rude, mas tudo isso fica em segundo plano quando aparece o filho dela (acima), que é a maior dor dela, pois como estava se dedicando em sua carreira não pôde dar a ele carinho e atenção, deixando-o ser criado pelo seu pai, que abandonou a Nanjo e casou-se com outra.

Parece que é a nova moda agora dos roteiristas. Mostrar uma cinquentona que abandonou filho em prol de sucesso profissional. Ando vendo muito isso ultimamente em tudo o que ando assistindo.

Eu gostei do desfile
Normalmente nas séries deixam coisas grandes no final pra ser um gran-finale, mas Atelier é diferente nisso. Deixaram a coisa principal no centro, o grande desfile da grife Emotion, e focaram no antes e no depois e as consequências do sucesso. Esperei ansiosamente, afinal eram modelos gatíssimas:


Bom, eu volta e meia tenho que ajudar na organização de eventos no templo, e tenho que admitir que toda vez é um trabalho muito chato e complicado (não nasci pra isso, francamente). E aqui dá pra ver a mesma coisa. Desde os primeiros rascunhos, achar um tema, até coisas que só acontecem no dia, como a modelo se machucar, ou um convidado VIP chegar atrasado.


Acima é a modelo principal. Eu achei uma mestiça meio feinha (viu, nem toda mistura dá excepcionalmente certo, ás vezes fica mais ou menos), mas com toda a produção e tal, a menina fica deslumbrante. É a modelo Sai Machida (interpretada pela atriz Nicole Ishida). A gente que assiste se sente dentro da problemática da coisa toda, e o final, bem, tem coisa melhor que ver um monte de meninas lindas só de calcinha e sutiã? Eu não reclamaria, haha.


Mudando de assunto...

Moda é moda, em qualquer lugar do mundo. Pode parecer bizarro e feio pra outras culturas, mas se for tendência por lá, foda-se. Mas que eu acho estranho pra caralho, eu acho sim. Vou mostrar antes de falar: Conseguem ver algo estranho nessa foto abaixo?


Essa é uma coadjuvante, a Yuri-chan, amiga caipirinha da Mayuko, que trabalha numa loja que confecciona vestidos de noiva. Uma ótima atuação, diga-se de passagem, mas pqp, que olhos são esses, cacete? Uma vez vi uma senhora (sim, SENHORA) com uma lente dessas aqui em SP, e cacete, como fica bizarro isso. Aumentar o tamanho da pupila não sei onde raios viram que isso é legal e deixa a mina mais bonita. Ás vezes uns exageros podem resultar em coisas medonhas, como isso:


Sim, de fato, seres humanos com pupilas dilatadas ficam mais atraentes do que o contrário. Mas a pupila é a "bolinha preta do meio do olho". O que essas lentes fazem é aumentar a RETINA, e fica feio pra porra. Perdem a emoção, parece. Seres humanos são um dos únicos seres desse planeta que tem a esclerótica (essa parte branca do olho) acentuada. Principalmente pra destacar emoções e nos diferenciar dos outros animais. Vendo esse povo andando com essas retinas quase dobradas de tamanho, nossa, me faz sentir mal só de olhar! Parece que ao contrário de reforçar o fator "kawaii" (fofinha), fica na verdade "kowai" (medonha).

Espero que seja moda passageira. Igual essa moda dos cara ter essas barba de bombril e se acharem estilosos. Brega pra caralho.

terça-feira, 12 de abril de 2016

O desespero do calor


Eu odeio calor. Quanto mais o clima está sufocante, mais eu passo mal. E nesses tempos em que a estrela mais próxima anda com essa indigestão aquecendo o nosso planeta por esses anos, a cada ano, pelo menos pelos últimos dez anos, eu não conto minha vida mais por aniversário vivido. Mas por mais um verão sobrevivido.

Isso quando tem ano que o verão teima em passar, como agora. Já era pro tempo estar mais ameno, mas todo dia que acordo e abro a previsão no google me dá desespero ver tantos trintas de máxima pros próximos dias. Sério. Eu fico com sérias dúvidas se vou sobreviver. Sem brincadeira.

Não tô exagerando. Eu começo a transpirar com temperaturas acima de 26C. Eu consigo perceber quando começa a esquentar, meu corpo mesmo já anuncia com a primeira gota de suor descendo. Não gosto de sol também. Eu sempre tive altas coceiras misteriosas que só depois de muitos anos de dermatologistas descobriram: tenho uma urticária aguda que reage quando minha pele recebe radiação solar. A popular "alergia ao sol". Um ponto ruim? Acordar todo dia, lavar o rosto e sem falta passar protetor solar. Uma coisa boa? Minha pele não tem uma única ruga.

Tudo bem que sou jovem ainda pra ter rugas, mas ainda assim, não tenho pele boa como meus amigos negros ou asiáticos que só começam a ter rugas lá pelos sessenta (e olhe lá!).

Nesses dias que começam muito ensolarados eu não posso sair pra fazer minha corrida no parque. Porque eu sempre volto com muita dor de cabeça (por causa do sol!) e tenho que tomar analgésico quando volto pra casa. E nem sempre passa. Pelo menos eu fico revezando, um dia é dipirona, no outro aspirina e no outro paracetamol. Pra evitar qualquer complicação, já que não tenho alergia a nada.

Fico com insônia, e muito irritado. Calor me dá desespero, parece que meu corpo queima vivo, transpiro em locais que nem sabia que transpirava. Esses dias vi que estava suando pela batata da perna. Eu não tenho nada contra transpirar. Na verdade eu acho estranho que as pessoas ao meu redor não transpirem, ou não consigam beber água. E não adianta cortar minha água pra me fazer parar de transpirar. Eu tive pedras no rim, depois daquela dor, é dois litros por dia, no mínimo. E passar o calor desidratado é uma tortura sem fim. Toda a sensação ruim fica dobrada. E o cansaço, vezes dez.

O pior é esse calor de noite. Mesmo com ventilador na cara, não se tem como dormir. Não vem um vento, seja quente ou fresco pela janela, e o pior de viver em São Paulo é que o ar fica insuportável de se respirar. Arde tudo: olho, nariz, boca seca, enfim... Inferno sobre a terra.

Nesse meu texto, claramente contra o calor, eu ainda me pergunto: Como tem gente que ainda diz que adora calor?

Eu vou te dizer quem são essas pessoas.

Ou são pessoas que podem andar seminus por aí (homens ou mulheres), ou pessoas que estão na praia (até eu assim gosto de calor!) ou o tipo de pessoa que mais me enoja: pessoa que trabalha em lugar com ar-condicionado, e depois voltam pra casa em seus carros, sentados, ouvindo rádio e no ar-condicionado e quando chegam em casa ligam o ar-condicionado de novo. Não é povo que anda nas calçadas com asfalto quente, ou que trabalha pra cima e pra baixo suando igual um porco, ou que pega transporte público cheio, em pé, com muito contato físico pra deixar ainda mais quentinho.

Minha vontade de pegar qualquer condenado que posta no Facebook: "Ah, eu adoro o verão e esse calor gostoso! Eu odeio o inverno", é pegar essa pessoa e deixar em pé, embaixo do sol, por umas três horas, até mudar seu conceito sobre calor. Achou ruim? Eu não reclamaria de ficar três horas no meio do frio. E olha que eu encarei já temperatura abaixo de zero. E nunca fui tão feliz na minha vida (mesmo mal sentindo minhas mãos).

Sábado estava andando com uma amiga, casada com um amigo meu, ambos da Argentina, que vieram pra São Paulo visitar o templo. Ela disse que adoraria morar em São Paulo, e a primeira coisa que ela disse era que o tempo quente era muito melhor que na Argentina.

Foda-se. Vou pra Argentina morar lá agora! Se é frio, é lugar pra mim. Serei feliz! Foda-se Brasil e países tropicais! Calor só se é bom debaixo da piscina ou na praia. Pra fazer o resto das coisas é horrível, sufocante e desesperador.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny (2016)


Eu sou super fã de O Tigre e o Dragão, mesmo que ele tenha esse nome toscamente traduzido do original (e com muito mais sentido) Crouching Tiger, Hidden Dragon, de 2000. Eu gosto tanto do filme que de tanto assistir eu sei as falas de cor. E arriscaria a colocar o filme no mínimo no meu top 50 de filmes favoritos.

Imagina se eu não fiquei super empolgado quando apareceu no meu Netflix a continuação do filme? Mesmo que eu achasse que não fazia sentido nenhum, sabe? História fechadinha, Li Mu Bai e a Jiaolong mortos, Shu Lien ouvindo a declaração dele antes de morrer e tal... Embora eu estivesse empolgado em ver essa sequência, eu sabia que não tinha muito o que contar e poderia frustrar.

Bom, em muitos pontos frustou. Porém, Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny é um filme correto e bem produzido. Mas eu dei uma estrela na minha avaliação no Netflix. Julgando que o original é de 2000, com certeza a molecadinha de hoje não conhece tanto o original do Ang Lee, e a sequência tem muitos elementos dos filmes de kung fu atuais. Mas perdeu uma coisa épica que deu todo o toque mítico do original de 2000: a poesia.

Eu não gostei da falta de poesia
Isso me desgostou muito o filme. A única poesia que existe nesse atual é aquela de que um guerreiro vive por muitos anos pra virar um mito e blábláblá. O Tigre e o Dragão original tem toda uma filosofia por detrás dele, se você analisar cena a cena. As lutas e o pessoal dando aqueles saltos toscos "voando" são nada perto do desenvolvimento dos personagens antigamente.


Já nesse atual ficou um filme de pancadaria comum. Se você busca um filme de pancadaria comum com certeza vai ficar mais do que satisfeito. Mas se você busca aquele desenvolvimento dos personagens do original de 2000, os dilemas misturados com amores impossíveis, os paradoxos da sociedade chinesa de antigamente, ou aquela coisa toda de honra com um toque zen, relação de mestre e discípulo... Esquece. Esse filme não tem. Nada como era no original. Muito superficial, muita pancadaria e muito pouca poesia.

Eu gostei da fotografia
O filme de 2000 era lindo. Mas esse levou a coisa a outro nível. Tudo bem que dá pra perceber que muita coisa ali é Chroma-key (o fundo verde usado em filmes pra baixar os custos), e algumas cenas ficaram meio tosquinhas. Mas são pouquíssimas. A fotografia é ótima, e super inspirada no filme anterior. Sem exageros ou câmeras tensas, muitos ângulos em diagonal, ótimos closes mostrando o cenário e a luz...


...Ah, a LUZ DESSE FILME! Olha essa cena acima, da Shu Lien conversando com o Lobo Silencioso (o cabeludo aí). Eu gosto muito de filmes com luzes noturnas bem boladas, e esse filme tem várias obras lindas como essas. Olha ele usando cores complementares, luzes compondo o sentimento que a cena quer passar, a proporção da fotografia, enfim. Essa chinesada capricha muito na fotografia mesmo.

Eu não gostei dos personagens
O filme tem muitos personagens. Mas a sacada legal do filme anterior era que o desenvolvimento dos personagens além de ser aprofundado, era colocado junto do plot geral do filme. Em suma: pra conhecer melhor os personagens do Tigre e o Dragão original você tinha que entender o que estava acontecendo ao redor deles também. E isso foi feito com maestria pelo Ang Lee. Tudo revelado aos poucos, minunciosamente, até o plot-twist final do Li Mu Bai morrendo nos braços da Shu Lien (quem não chorou?).


Mas nesse isso pecou muito. A Shu Lien ficou muito apagada. E poderia ter sido muito melhor explorada a relação dela com o Lobo Silencioso, mas tirando as lutas que eles travam trocando olhares libidinosos, mal tem um flashback decente dos dois juntinhos vinte anos atrás. Existe também a gangue o Lobo Silencioso, cinco guerreiros coadjuvantes que fazem a sequência mais fudida do filme que simplesmente são jogados de lado como apenas um pessoal pra socar os outros. Em especial o bebum Tartaruga Ma e a ágil e esperta Dardo Prateado Shi. Fiquei esperando pelas estórias deles, mas me frustei. Foram só tapa-buraco.

Os únicos que a história é aprofundada é o casalzinho principal, a Vaso Nevado e o Wei-fang. E mesmo assim a história deles é meio fraquinha. A única coisa que salva é que a Natasha Liu Bordizzo é gatinha. Saudades Li Mu Bai e Jiaolong...

Eu gostei do Ip Man
Hahaha! Eu tava assistindo o filme, nem sabia quem tava nele, e aí do nada numa cena em um boteco aparece um dos protagonistas, o ator Donnie Yen, um dos melhores atores/artistas marciais que tem na China, calibre tipo do Jackie Chan e Jet Li mesmo. Mas que ficou muito famoso atualmente por dar vida ao Ip Man, o mestre do Bruce Lee, no filme conhecido aqui como O Grande Mestre.


Minha reação foi: "CARALHO!!! O IP MAN!!", hahaha! As cenas com ele são de ótima qualidade. O cara manja dos esquemas. Sem contar que ele tá muito em alta hoje em dia como o queridinho da China. É sempre bom ver um filme com esse cara no meio dando porrada em todo mundo.

Eu não gostei da câmera lenta
As cenas são legais, mas uma coisa que cagou um pouco foram câmeras lentas. Eu entendo que isso é uma coisa que tá na moda na molecadinha antenada de hoje em dia (que provavelmente nem eram nascidos quando o Tigre e o Dragão original foi lançado), mas tem muitos takes em slow-motion. E isso enche muito, muito, muito o saco.


Isso é uma clara influência dos games no cinema. Quem diria que viveria um dia pra ver isso. E sei que isso é bem atual e tá super na moda. Mas são essas modas passageiras, sabe? Igual aquele hype em 1999 de fazer filmes apocalípticos, ou no começo dos anos 2000 quando só saíam filmes com aquele apelo cibernético/tecnológico/bug do milênio.

É uma das coisas que as pessoas daqui a vinte anos vão ver e acharão tão cafonas quanto os caras com barba de bombril e camisas com gola em "v" de agora. Hoje é legal, mas vai ser brega pra caralho daqui uns anos.

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