terça-feira, 5 de abril de 2016

Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny (2016)


Eu sou super fã de O Tigre e o Dragão, mesmo que ele tenha esse nome toscamente traduzido do original (e com muito mais sentido) Crouching Tiger, Hidden Dragon, de 2000. Eu gosto tanto do filme que de tanto assistir eu sei as falas de cor. E arriscaria a colocar o filme no mínimo no meu top 50 de filmes favoritos.

Imagina se eu não fiquei super empolgado quando apareceu no meu Netflix a continuação do filme? Mesmo que eu achasse que não fazia sentido nenhum, sabe? História fechadinha, Li Mu Bai e a Jiaolong mortos, Shu Lien ouvindo a declaração dele antes de morrer e tal... Embora eu estivesse empolgado em ver essa sequência, eu sabia que não tinha muito o que contar e poderia frustrar.

Bom, em muitos pontos frustou. Porém, Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny é um filme correto e bem produzido. Mas eu dei uma estrela na minha avaliação no Netflix. Julgando que o original é de 2000, com certeza a molecadinha de hoje não conhece tanto o original do Ang Lee, e a sequência tem muitos elementos dos filmes de kung fu atuais. Mas perdeu uma coisa épica que deu todo o toque mítico do original de 2000: a poesia.

Eu não gostei da falta de poesia
Isso me desgostou muito o filme. A única poesia que existe nesse atual é aquela de que um guerreiro vive por muitos anos pra virar um mito e blábláblá. O Tigre e o Dragão original tem toda uma filosofia por detrás dele, se você analisar cena a cena. As lutas e o pessoal dando aqueles saltos toscos "voando" são nada perto do desenvolvimento dos personagens antigamente.


Já nesse atual ficou um filme de pancadaria comum. Se você busca um filme de pancadaria comum com certeza vai ficar mais do que satisfeito. Mas se você busca aquele desenvolvimento dos personagens do original de 2000, os dilemas misturados com amores impossíveis, os paradoxos da sociedade chinesa de antigamente, ou aquela coisa toda de honra com um toque zen, relação de mestre e discípulo... Esquece. Esse filme não tem. Nada como era no original. Muito superficial, muita pancadaria e muito pouca poesia.

Eu gostei da fotografia
O filme de 2000 era lindo. Mas esse levou a coisa a outro nível. Tudo bem que dá pra perceber que muita coisa ali é Chroma-key (o fundo verde usado em filmes pra baixar os custos), e algumas cenas ficaram meio tosquinhas. Mas são pouquíssimas. A fotografia é ótima, e super inspirada no filme anterior. Sem exageros ou câmeras tensas, muitos ângulos em diagonal, ótimos closes mostrando o cenário e a luz...


...Ah, a LUZ DESSE FILME! Olha essa cena acima, da Shu Lien conversando com o Lobo Silencioso (o cabeludo aí). Eu gosto muito de filmes com luzes noturnas bem boladas, e esse filme tem várias obras lindas como essas. Olha ele usando cores complementares, luzes compondo o sentimento que a cena quer passar, a proporção da fotografia, enfim. Essa chinesada capricha muito na fotografia mesmo.

Eu não gostei dos personagens
O filme tem muitos personagens. Mas a sacada legal do filme anterior era que o desenvolvimento dos personagens além de ser aprofundado, era colocado junto do plot geral do filme. Em suma: pra conhecer melhor os personagens do Tigre e o Dragão original você tinha que entender o que estava acontecendo ao redor deles também. E isso foi feito com maestria pelo Ang Lee. Tudo revelado aos poucos, minunciosamente, até o plot-twist final do Li Mu Bai morrendo nos braços da Shu Lien (quem não chorou?).


Mas nesse isso pecou muito. A Shu Lien ficou muito apagada. E poderia ter sido muito melhor explorada a relação dela com o Lobo Silencioso, mas tirando as lutas que eles travam trocando olhares libidinosos, mal tem um flashback decente dos dois juntinhos vinte anos atrás. Existe também a gangue o Lobo Silencioso, cinco guerreiros coadjuvantes que fazem a sequência mais fudida do filme que simplesmente são jogados de lado como apenas um pessoal pra socar os outros. Em especial o bebum Tartaruga Ma e a ágil e esperta Dardo Prateado Shi. Fiquei esperando pelas estórias deles, mas me frustei. Foram só tapa-buraco.

Os únicos que a história é aprofundada é o casalzinho principal, a Vaso Nevado e o Wei-fang. E mesmo assim a história deles é meio fraquinha. A única coisa que salva é que a Natasha Liu Bordizzo é gatinha. Saudades Li Mu Bai e Jiaolong...

Eu gostei do Ip Man
Hahaha! Eu tava assistindo o filme, nem sabia quem tava nele, e aí do nada numa cena em um boteco aparece um dos protagonistas, o ator Donnie Yen, um dos melhores atores/artistas marciais que tem na China, calibre tipo do Jackie Chan e Jet Li mesmo. Mas que ficou muito famoso atualmente por dar vida ao Ip Man, o mestre do Bruce Lee, no filme conhecido aqui como O Grande Mestre.


Minha reação foi: "CARALHO!!! O IP MAN!!", hahaha! As cenas com ele são de ótima qualidade. O cara manja dos esquemas. Sem contar que ele tá muito em alta hoje em dia como o queridinho da China. É sempre bom ver um filme com esse cara no meio dando porrada em todo mundo.

Eu não gostei da câmera lenta
As cenas são legais, mas uma coisa que cagou um pouco foram câmeras lentas. Eu entendo que isso é uma coisa que tá na moda na molecadinha antenada de hoje em dia (que provavelmente nem eram nascidos quando o Tigre e o Dragão original foi lançado), mas tem muitos takes em slow-motion. E isso enche muito, muito, muito o saco.


Isso é uma clara influência dos games no cinema. Quem diria que viveria um dia pra ver isso. E sei que isso é bem atual e tá super na moda. Mas são essas modas passageiras, sabe? Igual aquele hype em 1999 de fazer filmes apocalípticos, ou no começo dos anos 2000 quando só saíam filmes com aquele apelo cibernético/tecnológico/bug do milênio.

É uma das coisas que as pessoas daqui a vinte anos vão ver e acharão tão cafonas quanto os caras com barba de bombril e camisas com gola em "v" de agora. Hoje é legal, mas vai ser brega pra caralho daqui uns anos.

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