segunda-feira, 30 de maio de 2016

E se a Meggie e a Lisa fossem humanas?

Esses dias fiz uma brincadeira. Dizem que cachorro pra muitas famílias é como membro da família mesmo, e aqui em casa não é diferente. Mas e se elas, de acordo com a personalidade e aparência fossem humanos mesmo? Como seriam?

E se a Meggie fosse Margareth? E se a Lisa fosse Elisabeth? Aqui está o resultado dessa brincadeira que fiz, hehe:



domingo, 29 de maio de 2016

Doppelgänger - MAKING OF (3)

Continuando...

As investigações sobre Legatus/Vanitas (a organização que é controlada pelo Ar) leva aos braços executivos da organização: pessoas que atuavam na questão de controle econômico das coisas, e que pra protegerem suas identidades todos respondiam pela alcunha "Doe". "John Doe" (e suas variantes) é a versão em inglês de "Fulano de tal". Inclusive um dos líderes era um brasileiro (em 2012 o país ainda tinha uma economia forte no cenário internacional).

Mas foram estórias pequenas mesmo, eles morrem rapidinho, mas era pra demonstrar que eles eram peixe pequeno. Não teria como Ar com uma equipe tão pequena causar ataques de terrorismo econômico no mundo, e nesse momento o super-computador VOID é apresentado. Os Doe eram apenas bodes expiatórios, a culpa mesmo era de um computador que gerenciava todos os recursos e direcionavam para seus respectivos pontos.

Eliza Vogl acaba sendo descoberta e tentam matá-la, mas Nataku começa a nutrir sentimentos paternos com ela, e decide protegê-la como se fosse uma filha mesmo. Só faltava o judeu maluco do Schwartzman pra combaterem, e a luta no Monumento londrino. Pra quem não sabe, ele existe de verdade. Não cheguei a visitar muito, porque era ali perto da área dos bancos em Londres, mas visitei o suficiente pra saber como era. Tem como subir até o topo e ver a cidade de lá, mas hoje em dia é bem baixo comparado com outros pontos da cidade. Mas na época da sua construção, há séculos atrás, devia ser uma vista e tanto. Esse é o Monumento:


A luta entre Nataku e Schwartzman era como uma luta entre criador e criatura, pois foi ele quem drogou Lucca depois da morte dele na década de noventa e o ressuscitou. Inclusive todas as lavagens cerebrais e implantação de personas. Eu acredito muito que é bem possível criar algo como Matrix, pois o cérebro é feito de impulsos elétricos, você pode com cargas corretas criar sensações de fome, sede, cheiros e memórias. No fundo não é tão bizarro assim ou viajado, na verdade é bem possível.

Já perto do final, Agatha acaba sendo presa por ter se exposto pra ajudar o Nataku no meio da luta contra Schwartzman. Tentam estuprá-la inclusive, mas a Agatha é a Agatha. É a mulher que vale por um exército, e óbvio que o fim foi bem diferente da intenção, haha. Neige encontra e protege Eliza Vogl, mas o mais legal era o que estava acontecendo do outro lado da cidade, com o "Al" junto da Victoire.

Não era o Al. Ar aproveitou que ele era muito parecido com Al e usou isso ao seu favor pra, vamos dizer, "abusar de Victoire com autorização dela", pois ela achava que era o Al. Ninguém pode reclamar que isso era surpresa estilo Scooby Doo dizendo que dei pista nenhuma, pois o Neige viu que o Ar era parecido, mas perfeitamente distinguível do Al. Mas Victoire estava cega de amor, e caiu na conversa dele, e, bem, vamos dizer que rolou muita putaria.

O legal é que enquanto o Ar está lá no bem-bom com a Victoire (eu acho que até coloquei detalhes demais...), no mesmo tempo o verdadeiro Al está infiltrado numa reunião do Vanitas, que revelam o plano do Neo Chrysalis de nova ordem mundial, e pra isso o Ar criou um exército dos "Filhos de Arch" pra carregar os planos do seu pai (que ele mal considera, mas tudo bem). Mas no final o Al acaba sendo pego e descobre que quem ajudou o Ar a ser tão poderoso é ninguém menos que uma contraditória personagem do seu passado: Francesca Vittorio. Mas ele teria pouquíssimo tempo pra parar o Ar, e teria que correr até o distrito do Bank pra para-lo.

Nesse meio tempo, Neige depois de vasculhar todos os dados dos Doe atrás de pistas, encontra que todos procuravam a mando de Ar algo chamado "Rosebud". De acordo com o Ar, esse Rosebud seria a única coisa que poderia destruir o VOID, o super-computador onipresente e onisciente dele. E Saunders tinha o tal Rosebud, mas ela o passou para a Eliza Vogl!

E quando Al chega na Bolsa de Valores encontra Ar e Victoire. Essa parte é de quebrar o coração, e sei que mulheres iriam detestar essa parte, haha. Parecia mesmo que talvez Victoire teria um final feliz, mas amor não existe na vida real, e essa história não pretendia enganar ninguém. Mas Victoire é confrontada com a escolha: entre continuar se iludindo e ficar junto de Ar, ou encarar a realidade dura, que Al nunca vai amá-la, e vai continuar apenas usando-a sexualmente a iludindo pelo resto da vida.

Que fique bem claro que a Victoire sempre consentiu as trepadas com o Al. Nunca foi nada forçado. E eu quis mostrar que as mulheres ás vezes se iludem tanto com homens que muitas vezes o resultado de uma relação consentida (e ilusória) pode causar ferimentos muito mais profundos do que uma violência sexual.

Victoire não consegue se decidir. Mas Al não pode perder tempo, ele tem uma missão a fazer, e ele poderia parar o Ar ali antes dele concluir os planos dele dentro da Bolsa de Valores. E Al então friamente atira nela.

Sabe, eu fiquei semanas antes desse capítulo pensando se eu a mataria mesmo ou não. Victoire é uma mulher meio louca, e mulheres loucas causam tanto dano quanto homens canalhas. Mas no final, achei que deixar a Victoire viver a faria sofrer ainda mais do que se tudo tivesse terminado ali. Se o Al atirou pra matar ou não vou deixar em mistério ainda, afinal mesmo homens acabam desenvolvendo uma empatia mínima com alguma mulher que faz sexo com ele. Mas pode ser que ele a quisesse libertar desse sofrimento dela, e teria realmente tentado matá-la como um gesto de compaixão. Vou deixar isso em aberto ainda pra decidir nos próximos livros. Mas se você torce pra uma redenção e o casal junto, já pode desistir pois isso não vai acontecer.

O que decidi mesmo é que Victoire não morreu. E Al entra pra ir atrás de Ar, e começa a última parte da história.

Essa parte tem muita coisa, mas vou focar na misteriosa aparição de Arch. Sim, sei que pessoas vão ficar com aquela dúvida imensa: se era real mesmo, se era coisa da cabeça do Al, se era um espírito que apareceu, enfim. Vai ficar pros próximos livros! Hahaha. Mas o que mais vai dar gancho pro passado e futuro nem é tanto a aparição de Arch, mas sim o assassinato brutal de Dietrich que aconteceu ali. Sim, ele morreu mesmo, mas porque raios o Arch, uma pessoa tão bondosa, justa e bacana iria matar um cara queimando-o até virar cinzas ainda vivo? Anotem aí: isso ainda vai dar muito pano pra manga.

Ah, e eu presto várias homenagens com várias referências durante toda a história. O nome desse capítulo, "Stronghold Showdown" é o nome de uma das fases finais do jogo Donkey Kong Country 2. É a fase que é apenas uma cutscene com o Diddy e a Dixie indo salvar o Donkey Kong, mas ele acaba sendo levado pelo Captain K. Rool.

Al pega Eliza Vogl até o terminal do VOID e instala o Rosebud. Mas aí justo nessa hora o Ar liga no celular dele e agradece por tudo o que ele tinha feito. Que na história inteirinha ele estava sendo manipulado, e explica que o Rosebud na verdade era um código de encriptação ultra-secreto que criava títulos do governo e depois os convertia em dinheiro vivo. Dinheiro, que era tudo o que o Ar precisava pra patrocinar seu plano de domínio mundial, desde manipulando empresas, até patrocinando terrorismo, inflação, quebrar economias, tudo. Era o cheat de dinheiro infinito que ele precisava pra fazer do mundo seu SimCity pessoal.

Mas de súbito um dos seus carinhas sobe correndo dizendo que tá rolando um incêndio onde o VOID está, o Ar desce (com Al o seguindo atrás) e o VOID, que até então ninguém sabia onde estava, é descoberto: seus servidores estavam no subsolo da Bolsa de Valores. Apesar de já ter perdido a luta, e o VOID ter feito todas as merdas (e plantado a semente pra tantas outras), ambos começam a batalha final. E Al, apesar de ser mais velho, sofre as consequências do envelhecimento acelerado do seu corpo (porra, Victoire!) e claro que ele toma uma surra do Ar.

Porém, do nada alguém aparece. E conforme ia se aproximando, se mostra sendo o Arch. Que naquele momento agarra Ar pelo pescoço e o ergue. Al vê e fica inconsciente (ah, ele tinha levado um tiro ainda!), acordando depois. A minha inspiração dessa cena é algo que eu tinha visto no mangá Mahou Sensei Negima:


Acho que agarrar assim era o melhor método de explicar o título do capítulo, "Subjugação". Arch aparecendo e agarrando o Ar e erguendo-o pelo pescoço, como se tivesse dominado-o. Era assim que a cena final do livro tinha se desenrolado na minha cabeça.

Embora eu tivesse colocado o capítulo final depois do epílogo, espero que não tenha causado confusão, mas a ordem é inversa. Achei que ficou melhor na ordem da leitura. O epílogo do Lucca (que foi Nezha e Nataku) encontrando depois de anos a mulher que amava, a Noriko Yamamoto, era um epílogo que eu tava querendo fazer desde lá atrás, quando escrevi pela primeira vez sobre ela. Imagino a surpresa de ter um filho já adulto, a esposa ainda estar gata, e uma filhinha nova adotada.

(mas pera lá, Noriko é asiática. Asiáticos envelhecem muito melhor que ocidentais! É óbvio que ela ainda deve estar gatíssima!)

E o último epílogo do Al, antes de voltar pro exílio, dando um tchau no túmulo da esposa e do seu irmão mais velho. Não é a primeira vez que eu termino assim, mas acho que sempre mostra que no final de tudo, tudo volta ao seu princípio, que são as saudades da sua esposa e irmão mais velho falecidos. Tipo uma tristeza que nunca cura, sabe? Pensando por outro lado, Al embora tenha algumas coisas bem diferentes de mim (umas até que eu gostaria muito, como ser um grande canalha com mulheres), existem muitas outras coisas que somos parecidos. Acho que essa tristeza que nunca cura pode ser uma das coisas em comum.

No próximo post, vou começar a falar dos personagens!

sábado, 28 de maio de 2016

O arquiteto em Matrix Reloaded e budismo.

Eu gosto muito de Matrix. Gosto muito de todos os filmes, mas gosto em especial do segundo, Matrix Reloaded. Depois eu colocaria em segundo lugar o primeiro Matrix e o que menos gosto é o terceiro, Matrix Revolutions. Eu adoro todos, e sempre assisto quando vejo que tá passando.

Engraçado que cada vez que eu vejo tem um detalhe novo que eu não havia percebido das outras vezes. E embora o filme seja lembrado pela grande evolução em termos de efeitos visuais, Matrix tem muita filosofia e até conceitos budistas embutida. E se for pra falar do filme vai dar um post bíblico, então quero focar na difícil parte de entender do final, quando Neo encontra o Arquiteto:



O diálogo completo achei nesse link.

A primeira parte do diálogo é meio óbvia de se entender, o Arquiteto fala que Neo é como uma equação fora das outras equações, como se fosse alguém que havia sido escolhido mesmo. Mas vai fazer mais sentido ainda na explicação mais pra frente, eu prometo. Por isso não vou falar muito ainda sobre o escolhido ser a "equação errada".

A primeira parte interessante se dá logo após esse diálogo, quando ele fala sobre a construção de Matrix:

"A primeira Matrix que eu projetei era evidentemente perfeita, uma obra de arte, impecável, sublime. Um triunfo equiparado apenas ao seu fracasso monumental. A inevitabilidade de sua ruína é tão evidente para mim agora quanto é uma conseqüência da imperfeição inerente a todo ser humano".

Interessante que isso bate um pouco com uma idéia de "jardim do éden". A primeira matrix era um mundo perfeito, e sem problemas os seres humanos simplesmente não viviam. Lembram-se que no primeiro filme deixam bem claros que os seres humanos servem pra gerar energia para as máquinas, logo seria necessário que os humanos tivessem noção de que o mundo fosse real para que vivessem e assim gerassem mais energia. Não dá pra apenas vegetar!

Talvez essa questão seja que o ser humano não é feito para uma vida perfeita e tranquila. E ninguém está livre disso. No budismo, por exemplo, ninguém vai te prometer uma vida sem problema algum. Mas vai te dar meios para que os supere e siga em frente. Pois uma vida sem problemas é uma vida sem crescimento, sem desafios, sem sobrevivência e sem exercício das nossas capacidades. Uma vida que aparentemente é plena, na verdade é nada menos que estagnação, e isso sim seria o nosso fim.

Exemplo básico: se o mundo é perfeito, pra que por exemplo teríamos que nos preocupar em procriar? Tirando a questão do amor, o ser humano tem como objetivo na procriação lutar por um mundo melhor para que seus descendentes vivam. Ter filhos é um ponto decisivo de amadurecimento de muitas pessoas imaturas, por exemplo. Se o mundo é como a primeira Matrix, pra que precisar se sujeitar, entre outras coisas, à esperança de um mundo melhor pros filhos quando o mundo já é perfeito o suficiente?

"Assim sendo, eu a redesenhei com base na história de vocês para refletir com maior precisão as variações grotescas de sua natureza. Todavia, mais uma vez, eu fui frustrado pelo fracasso".

Parece que o segundo teste era o inverso, criar um mundo que refletisse as variações grotescas na natureza humana. Em suma: um mundo onde apenas teriam coisas ruins. Mas engraçado que também foi uma falha aí.

Acho que a questão aqui seria de, apesar dessa segunda matrix ter desafios no cotidiano, não havia superação ou recompensa após superar os ocorridos. Uma coisa que falam muito no budismo é que não existe má sorte. Mesmo quando te acontece algo ruim, é uma oportunidade escondida para que você cresça, depois que superar. Parece que a matrix ideal seria um equilíbrio mesmo, pois parece que nessa segunda matrix haviam apenas problemas e todos os aspectos ruins dos seres humanos, mas não a experiência e aprendizado após superarem.

Talvez uma matrix imergida em guerras, escravidão, chacinas, coisas do gênero. Se a luta pela vida, por mais que tentasse, resultaria numa inevitável morte, então pra que raios lutar pela vida? Todos morreram, e foi uma falha, igual na primeira matrix.

"Desde então, compreendi que a resposta me escapava, porque ela necessitava de uma mente inferior, ou talvez uma mente menos afeita aos parâmetros da perfeição. Portanto, a resposta foi encontrada, por acaso, por outrem, um programa intuitivo, inicialmente criado para investigar certos aspectos da psique humana. Se eu sou o pai da Matrix, ela sem dúvida seria a mãe".

Essa parte é como o Arquiteto criou a Oráculo. A Oráculo seria um programa que entenderia os humanos, que aprenderia de forma intuitiva (isso é, aprenderia por meio da convivência) e que, por conta desse aprendizado, seria "inferior", pois entenderia o que estava faltando ali.

A fala acima é definição do papel da Oráculo mesmo. Os resultados dela aparecem na próxima fala:

"Oh, por favor... Como eu dizia, ela se deparou por acaso com uma solução por meio da qual quase 99,9% de todas as cobaias aceitavam o programa, contanto que lhes fosse dada uma escolha, mesmo que só estivessem cientes dela em um nível quase inconsciente".

Seres humanos aceitariam o programa contanto que lhes fossem dados a questão da escolha. É o princípio básico do budismo, a lei da causa-e-efeito, o popularmente carma.

A questão das cobaias aceitarem é que isso é algo inerente da mente humana e da maneira com que vemos o universo à nossa volta. Tudo o que você faz, volta pra você, seja bom ou ruim. Uma pessoa que, por exemplo, tem uma relação difícil com alguém se, ao invés de atacar de volta a pessoa, tratar essa pessoa bem, em algum momento essa bondade e sinceridade irá retornar pra si e a pessoa que te trata mal não vai mais fazê-lo, pois você não alimenta a raiva do outro. Mas pra isso você também tem que estar livre de esperar qualquer coisa em troca, em outras palavras, libertar-se do seu ego, dos apegos de esperar algo em troca. Caso contrário não vai conseguir.

No budismo não existe reverência a nada, e menos ainda esperar milagre cair do céu. É exatamente como o Arquiteto diz: temos uma escolha. Somos nós que fazemos nosso destino. Ao escolhermos fazer o bem, no mínimo o que você vai ter é a consciência limpa de levar uma vida justa. Por isso essa versão da matrix é a que talvez tenha dado mais certo. Pois a vida do ser humano é regida por essa lei da causa-e-efeito. Sem ela, não seria possível existir vida.

"Embora esta resposta funcionasse, ela era óbvia e fundamentalmente defeituosa, criando, assim, a anomalia sistêmica contraditória, a qual, sem vigilância, poderia ameaçar o próprio sistema. Por conseguinte, aqueles que recusavam o programa, ainda que uma minoria, se não vigiados, constituiriam uma probabilidade crescente de catástrofe".

Já dizia o filósofo SAFADÃO, Wesley: "99% anjo, perfeito, mas aquele 1% é vagabundo".

Bom, 99,9% das pessoas aceitariam e viveriam a matrix, e todas essas estão adormecidas na rotina da matrix, levando suas vidas sem questionar, aceitando todos os autos e baixos da vida cheia de sofrimento e, claro, servindo pra virarem bateria pras máquinas.

Mas, por conta de algum fator caótico, 0,01% dessas pessoas seriam uma anomalia do sistema, e levariam outras pessoas a esse mesmo despertar, e poderia causar uma catástrofe pois a matrix precisa que as pessoas vivam baseadas nessa vida de escolhas, nessa vida da lei da causa-e-efeito num looping infinito.

(E claro que as máquinas não iriam querer saber se havia sofrimento, ou algo do gênero. Eles queriam mais é que os humanos se fodam mesmo)

No filme, os 0,01% são as pessoas que conseguiram sair da matrix, como Neo, Morpheus e Trinity. Mas podemos fazer um paralelo disso como esses 0,01% sendo o Buda. Levando em consideração que o Buda histórico (Sidartha Gautama) ao alcançar o despertar conseguiu ver o mundo além das escolhas. Que as pessoas do mundo poderiam levar vidas melhores, mesmo com os problemas do dia-a-dia, e treinar a mente para lidar com esses problemas enquanto empreende em ações para praticar o bem.

E não apenas isso. Como o próprio Arquiteto disse, caso as pessoas começassem a levar essas vidas igual esses 0,01%, cada vez mais esse número cresceria, e com uma mente mais tranquila, levando vidas melhores onde cada humano tivesse controle sobre seus sofrimentos, seriam reações a menos para gerar eletricidade pras máquinas, que obtém sua energia exatamente da capacidade que o ser humano tem de sofrer consequências das suas escolhas - e não caso o ser humano pudesse lidar com isso tudo de uma forma positiva.

Logo depois de falar isso o Arquiteto fala que Zion será destruída e que a matrix e todos os seres humanos serão extintos. Mesmo que isso acarrete alguns apagões de energia para as máquinas, reiniciar o sistema seria imperativo, pois os 0,01% não eram mais apenas 0,01% de antes. Estava crescendo, e isso causaria uma bagunça danada.

Por fim, a última fala que queria destacar do Arquiteto é uma das últimas que ele fala no filme:

"É interessante ler suas reações. Seus cinco predecessores eram, por conta de seu projeto, baseados em uma mesma premissa, uma afirmação contingente responsável por criar um profundo vínculo com o resto de sua espécie, facilitando a função do Predestinado. Enquanto os outros experimentaram isto de maneira genérica, sua experiência é bem mais especial. Vis-à-vis, amor".

No caso do Neo existe a questão do "amor", especialmente pela Trinity. Mas isso não desmente que todos os que foram os escolhidos antes de Neo tinham, nas suas palavras, "um profundo vínculo com o resto da sua espécie". E, inspirados nisso, foi que chegaram até lá.

Isso dá pra fazer um paralelo final com budismo. Vamos nos colocar há 2500 anos atrás. O Buda, Sidartha Gautama despertou pro Nirvana. Adquiriu sabedorias, verdades sobre a mente humana, e enfim, se tornou aquele 0,01%. Dizem que ele ficou num dilema enorme se compartilharia aquilo que ele havia adquirido, ou se ficaria só com ele.

Assim como é a empatia (esse vínculo humano que o Arquiteto fala) que moveu o Buda a compartilhar o que ele descobriu que pra todos pudessem chegar no mesmo estado que ele, as pessoas que despertam de alguma forma, mesmo depois de milênios, inspirados pelo esforço do buda, também tem esse objetivo. Agir como um grande veículo (mahayana) e entender que iluminação é como o fogo de uma vela: você pode com uma única vela acender milhões de outras e a chama vai continuar igual. Felicidade nunca diminui ao ser compartilhada com os outros.

É esse o profundo vínculo que os que fogem dos 99,9% desenvolvem. Se você achasse uma maneira de sair da Matrix, depois de entender que todas as pessoas que lhe são importantes estão presas lá, levando vidas de pouca felicidade, muito sofrimento e tristeza, você não faria um esforço pra tirá-las de lá? :)

Vamos tomar a pílula vermelha e cair fora da matrix, galera! Ter o domínio da sua própria mente, enquanto empreende atos de bondade com os outros. Esse é o segredo.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Doppelgänger - MAKING OF (2)

Muito bem! Continuando o que começou no post anterior.

A ideia inicial sempre foi apresentar o Ar, e ele seria uma espécie de nêmesis do protagonista, o Al. O Doppelgänger é sequência pós-falecimento da garota do cabelo cor-de-berinjela, depois que o Al se aposenta e se afasta enfim das atividades da Inteligência. Em 2012, durante uma escala no aeroporto Charles De Gaule, Al é achado, e pedem para que ele volta à ativa novamente buscar uma pessoa que era um sósia dele.

Foi daí que o título veio também. Doppelgänger é uma palavra cuja conotação vai muito além de apenas um sósia. Tem a ver com moralidade também, como se fosse um "gêmeo malvado", mas tem muita referência nesse link que coloquei acima. E todas se encaixavam bem no que eu queria contar.

A história começa como se fosse apenas um diário do Al. E continua até sua "morte" no quarto capítulo. Foi algo que coloquei pra ser como se fosse um gancho dessa história com as anteriores (que foram escritas na primeira pessoa, como diário do próprio Al). Esse é o primeiro grande ponto de mudança, pois logo depois disso tem a entrada do Nezha como protagonista (que mais tarde quando se associa com o Ar vira Nataku, pra depois enfim se assumir como o original Lucca). No meio do caminho ele acaba sendo ajudando pelo próprio Al e tiram Agatha van der Rohe da prisão.

Nesse momento apresento também os vilões do Ar, os noBODIES. Schwartzman, Ravena e Sara aparecem na prisão, embora não sejam apresentados oficialmente.

Depois disso tem o prelúdio da busca de Al pelo mestre, enquanto Agatha, Nezha (Lucca) e Victoire ficam na Europa se metendo em encrenca enquanto o Al deve ir pra América Latina se encontrar com o mestre dele.

O mestre Artax é uma pessoa que existiu na minha vida real, hahaha. Ele foi um amigo que foi meu "mestre" quando eu jogava um RPG em fóruns baseado em Cavaleiros do Zodíaco (de 2003 até 2007 mais ou menos). Inclusive o Artax real tinha vários discípulos, que ensinava como lutar, etc, e ele me chamava de "discípulo tolo" na vida real também, mas não escondia que eu era o que mais iria longe dentro daquele jogo porque minha cabeça era diferente dos outros (ele quem dizia isso!). Basicamente eu era muito emotivo, e isso poderia ser usado ao meu favor, não ao contrário.

Esse parágrafo acima, baseado na minha vida real, é praticamente um resumo do encontro do Al com seu mestre, hahaha. Mas eu dei uma dramatização maior. No meio do treino Al acaba sendo pego pela mediúnica Ravena (Amanda Figuerola), e ele acaba caindo num loop mental, que é quando a obra ganha um "INTERLUDE", que são capítulos que só ocorreram na mente de Al, enfim, é licença poética do autor. Tanto que a história para no capítulo 30, acontece esse interlúdio de sete capítulos, e volta do 31. O tempo passa diferente na cabeça, pareciam anos, mas foram apenas alguns minutos. Eram sonhos mesmo.

A minha parte favorita dessa parte é justamente a do meio do treinamento, onde o mestre faz o Al ser obrigado a lidar de frente com todos os medos dele. Todas as falas são copiadas exatamente de outras dessas crônicas que escrevia do passado de Al. Foi um dos mais legais de se escrever, que até me emocionou.

A partir dessa parte o foco sai do Al pra entrar nos dilemas dos outros personagens. Nezha é pego por Ar e começa a revelar seu passado, e rola uns atritos entre Agatha e Victoire. As duas são bem diferentes, e começa a mostrar as diferenças e valores de cada uma nessa parte.

O esquema da história é que existe uma investigação real, e todos são muito bons em achar pistas. Porém o esquema é que o Ar sempre está um passo a frente, e sempre de maneira que ninguém sabe explicar. Mas isso fica o livro inteiro e só é explicado no final mesmo, que o Ar estava na verdade era manipulando todo mundo, na clássica tática de deixar eles achando que estavam comandando tudo, pra que fossem manipulados mais facilmente.

Al só volta mesmo no capítulo 43. E, bem, os três patetas (Agatha, Victoire e Nezha) já haviam feito muita bagunça... Nesse meio tempo Nezha vira Nataku e começa a trabalhar com o Ar, pra libertarem uma mulher que estava sendo mantida em cativeiro, chamada Sheryl Saunders. Al, Victoire e Agatha interceptam Nataku, mas era tudo uma armadilha do Ar, que usa um gás similar ao sarin pra tentar matá-los. Mas Nataku, ainda duvidando de ambos, resolve tentar proteger a tal senhora Saunders sozinho, mas ela acaba sendo misteriosamente assassinada na frente dele.

Ah é, sem contar que já tem um tempo que estão com a ajuda do super hacker Neige. Acho que muita gente não sacou que é um nome francês, que significa literalmente "neve", e se lê "né-gi". Al vai em busca de informações sobre o passado do seu irmão, e vai atrás de Natalya Briegel, que é uma personagem assim como o Neige que eu gosto muito, mesmo sendo coadjuvantes, e que vou usá-los mais nas continuações.

Enquanto isso, rola a segunda luta contra os noBODIES de Ar, dessa vez contra a psíquica Sara (Erika Lakatos) contra Agatha. Eu gosto muito de temas paranormais, acho que talvez seja a coisa mais próxima de fantasia que eu posso colocar sem precisar fazer o povo soltar Kamehame-ha. A Victoire tem uma participação decisiva na luta, levando a vitória pro time do Al. Mas era uma luta que eu fiquei muito tempo batendo a cabeça pra bolar, afinal ela tem poderes psíquicos. Mas achei que seria mais convincente se na verdade os poderes psíquicos fossem mais pra um aspecto ilusório do que telecinética mesmo.

Agatha acaba achando as ilusões eram coisas reais, e lembro que tinha lido em algum lugar que existe uma tática de tortura/execução que se causa um ferimento na pessoa e fazem com que a pessoa acredite que na verdade é bem maior que de fato é de tal maneira que a pessoa acredita que realmente está a beira da morte, quando não está. E que o cérebro aceita a morte como algo inevitável e... Morre. Esse é o mecanismo que a Sara usa contra a Agatha, mas graças à dica da Ravena, ela faz uma "troca de almas" entre Agatha e Victoire, e sem conseguir entender o que estava rolando, Sara acaba sendo derrotada por Victoire no corpo de Agatha.

Com a Sheryl Saunders morta, Nataku segue a última pista dela, algo sobre "Sentado no banheiro". Que depois dele literalmente sentar no banheiro, vê uma dica sobre as "iniciais". Demora um tempo até Nataku ligar que as iniciais que foram indicadas eram as iniciais de "Sentado no banheiro" (Sat on the toilet, em inglês), que é o nome de uma organização ultra-secreta de insiders, pessoas que guardam segredos cabeludos do mundo inteiro.

O nome é uma viagem mesmo. Mas eu dei uma boa desculpa! SOTT (Sat on the toilet) tem esse nome pois eles apenas ouvem os segredos das pessoas, mas não têm poder nenhum sobre isso pois apenas ouvem. É como as pessoas que ficam sentadas em banheiros públicos e ouvem sem querer pessoas importantes conversando enquanto usam o toalete. Mesmo depois que o Nataku consegue alguns segredos que Saunders lhe passa, ele ainda assim não compartilha grande coisa com o Al, e continua sua busca solitária pela verdade.

E a verdade é a busca de uma pessoa que servia como o "backup" dos segredos de Saunders. Cada pessoa dentro do SOTT tem uma espécie de anjo da guarda que carrega grande parte dos segredos que sabe, pois nada é anotado, tudo é memorizado. E Nataku vai então atrás dessa pessoa, que atende pelo sobrenome de Vogl, e mora perto do Alexandra Park, do outro lado de Londres (a casa de Saunders fica em Surrey, ao sul, e o Alexandra Park fica no norte, em Haringey).

E aí somos apresentados pra minha personagem favorita: Eliza Vogl! E chegamos à metade do livro!

Mas no próximo eu continuo, hahaha!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Arena Corinthians!

A photo posted by Sir Alain De Paula (@pegasuswings) on


Pra quem não sabe, eu tenho um time do coração, o meu coringão!

E muita gente se surpreende. Muitas vezes pra pior. Mas tudo bem, hahaha!

Eu não tinha ainda visitado a nossa casa, a Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste da cidade. Bom, pra quem mora nos confins da zona sul, foi uma viagem e tanto, mesmo de carro. Meu pai comprou ingressos pra mim e meu irmão mais novo, e fomos lá. Deixamos o carro no Tatuapé e de lá pegamos o metrô pra Arena Corinthians.

Tirei uma selfie bem na entrada do estádio, e como eu não sou fã de selfie (nem de fotos minhas em geral), acho que talvez seja a terceira ou quarta selfie das quase 300 fotos no meu Instagram, hehe. Trocamos os ingressos e ao entrar, minha nossa, o que é aquilo!

O estádio é quase um shopping center. A entrada é super tranquila, tinham até expositores, de motos Yamaha até homenagens ao Senna (que era corinthiano). Escadas rolantes, três andares, tudo em mármore (sim, mármore branco, cara! Devem ter gastado rios de dinheiro mesmo da roubalheira do governo), banheiros a cada duas entradas do estádio (e banheiros bem chiques, tem até uma mini-tv no espelho que passa o jogo, pra você não perder nada, mesmo enquanto estiver fazendo xixi), torneiras e esguichos de sabonete que ligam quando se aproxima a mão e uma praça de alimentação razoável.

Bom, pra quem achava o Pacaembu legal, mesmo com suas cadeiras de plástico, banheiros químicos e vendedores de cachorro quente andando no meio da torcida, a Arena Corinthians é como estar num estádio das Europa!

E a área de ver o jogo então é fora de noção. Ficamos na última fileira lá no topo. Dava pra ver São Paulo de lá, de tão alto. E é muito mais alto e maior do que eu imaginava ao ver na TV. Realmente valeu a pena cada ano de chacota por não termos um estádio pra um dia chegar isso. Uma arena oficial Fifa com tudo o que se tem direito, mesmo agora, dois anos depois!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Doppelgänger - MAKING OF (1)

Eu não postei nenhum comentário mais relevante sobre o Doppelgänger, o livro que escrevi nesse blog de 2013 até esse ano. Eu sempre escrevi crônicas com Ar ou Arch como personagens principais, mas eram curta-metragens. Achei que a coisa tava andada o suficiente pra escrever um longa. De início eu tava pensando em levar entre cinquenta e setenta capítulos pra contar a história toda, mas no final eu me empolguei e escrevi 168 capítulos (incluindo prólogo, epílogos e inside-stories).

A primeira estória curta que escrevi foi em 2011, o In concert. Elas contam um pouco do que aconteceu com Arch, quando ele foi acusado de traição e caçado até a morte, e paralelamente corre outra estória no futuro, do Al, ainda adolescente, deixando a tutela e indo atrás de Émilie, a ex-esposa do seu irmão mais velho Arch. No meio do caminho ele se junta com Noriko Yamamoto, uma agente que havia trabalhado junto de seu irmão mais velho, e a história vai até o momento que Al conhece a "garota do cabelo cor-de-berinjela" e é obrigado a trabalhar com ela. Isso resultaria no primeiro casamento dele.

A segunda estória curta lancei em 2012, e, sinceramente, não tinha pensado em um nome pra colocar um label, mas como o tema geral é a Dawn of Souls, deixei os posts organizados por esse nome. Eu chamava de "vitrais", porque pra cada personagem eu fiz uma arte nesse estilo. Além disso, pra cada personagem da história eu atribuí uma carta de tarô. Arch foi o Mago, Émilie a Papisa, Agatha a Imperatriz, Dietrich o Imperador, Coronel Briegel como o Hierofante, Noriko Yamamoto como os Enamorados, Rockefeller como o Carro, Lucca como a Justiça, Schultz como o Eremita, Yuri/Mikael como a Roda da Fortuna, terminando na Victoire como a Força.

Essa estória conta um pouco do passado e os eventos pós-In concert até o exílio de Al e a garota do cabelo cor-de-berinjela, quando eles falharam em obter de volta a cobiçada Dawn of Souls.

(eu não devia fazer meus protagonistas se fuderem tanto. Doppelgänger também terminou em uma missão falha, hahaha. Espero que os leitores não liguem tanto pra isso!)

E pra mostrar como o jeito de escrevo não é nem um pouco linear (sim, isso me dá um bocado de problema porque eu conheço a história, imagina quem não conhece achar a porra toda?) a continuação do Dawn of Souls eu escrevi na verdade um ano antes de ter lançado (2011), quando publiquei O Enforcado/A morte (Al/Garota do cabelo cor-de-berinjela), a Temperância ("n"), o Diabo (Francesca Vittorio) e a Torre (Tower Bridge, em Londres).

Sim, eu escrevi de trás pra frente, depois vou pro futuro, aí volto pro passado, depois no presente, e assim vai. Eu tenho que tomar cuidado pra que isso tudo não acabe fazendo sentido apenas pra mim e ninguém mais entender. Mas só os leitores podem me dizer isso!

Isso sem contar que o Doppelgänger no final revelou que Ar é o último arcano, o Tolo. Ainda faltam os arcanos da Estrela, Lua, Sol e Julgamento. Como quero escrever ainda mais quatro sequências do Doppelgänger, cada uma das histórias vai revelar um, e aí vai fechar os vinte e dois arcanos e personagens principais da história toda.

Enfim, parece confuso, mas a história toda tá na minha cabeça e faz sentido. Queria apenas mesmo pedir um pouquinho de confiança e paciência, hahaha. Tudo vai fazer sentido! E vou tentar fechar todos os gaps da história que foram abertos!

No próximo post vou falar mais do Doppelgänger mesmo, de onde vieram as ideias, e começar a falar dos personagens.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Rurouni Kenshin

Achei no Netflix todos os live-actions de Rurouni Kenshin (conhecido aqui como Samurai X) e também o anime inteiro, com o áudio original em japonês. Pelo menos o anime, estou já faz um tempinho revendo tudo. E é curioso ver as diferenças da adaptação do anime brasileiro, além das vozes, que não têm nada a ver.

É difícil acostumar com a voz original em japonês do Kenshin no começo, mas depois a gente percebe que o vozeirão do Tatá Guarnieri que era estranho.

Esse é um dos meus episódios favoritos, do também meu personagem favorito, o Soujiro Seta:



Rurouni Kenshin talvez tenha sido um dos animes que mais me ajudaram a formar caráter. Afinal, basicamente é um cara bem forte e bonzinho que defende os mais fracos. Isso sempre foi muito de encontro com o que eu sempre acreditei, mesmo que muitas coisas que acontecessem comigo fossem uma grande atração pra agir exatamente do modo contrário.

Uma pena que a última saga, a da Enishi Yukishiro, não foi feita no anime. Eu gosto muito da saga do Shishio, mas a do Enishi conseguiu ser mil vezes melhor. Ouvi falar que fizeram uns OVAs aí, mas não cheguei assistir, porque a saga é meio grande pra passar apenas em uns poucos OVAs.

Existem diferenças pequenas e sutis no anime e o no mangá. Por exemplo, a Kaoru vai junto do Kenshin e todo mundo salvar a Megumi das mãos do Kanryuu no começo, mas essa diferença não altera muito o fluir da história.

Já na saga de Quioto tem muita coisa diferente. Mas as que mais me chamaram a atenção foi a falta do restaurante da irmã da Tae, o Shirobeko em Quioto. Simplesmente não existe. A Kaoru chega com o Yahiko e trombam com a Misao falando algo sobre o Kenshin e aí as duas sabem do paradeiro do ruivinho. Outra que me chamou a atenção é que no mangá o treinamento do Kenshin com o mestre Seijurou Hiko tem muitas piadas. Mas 90% delas saíram da versão final do anime, deixou a coisa bem mais séria.

E isso sem contar erros na dublagem brasileira. Na luta do Soujiro (acima) eles ficam falando que o Kenshin tá velho, que tem que dar espaço pros mais novos, e ninguém fala absolutamente nada disso durante a luta, nem no mangá, menos ainda no anime. Vai entender esses caras que faziam adaptação, viu!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Livros 2016 [#5] - Para poder viver


Semana passada eu escrevi um post sobre curiosidades sobre a Coréia do Norte. Contei, entre outras coisas, sobre Yeonmi Park, a refugiada norte-coreana que conseguiu fugir de lá com a mãe e a irmã. E hoje é porta-voz dos milhares que conseguiram fugir desse país horrível, fechado e que faz as pessoas viverem vidas do jeito que vivem.

Comprei seu livro, chamado Para poder viver (In order to live, no original) na sexta passada, depois de ter passado por uma entrevista de emprego (a segunda desse ano, e sim, estamos em maio). Comecei a ler ainda na sexta, e terminei ontem.

De facto, a história dela é muito triste e sofrida. Mas ela conta de uma forma até relativamente leve, isso contando que a vida dela teve um pouco de todo tipo de sofrimento: fome, miséria, morte, prisão, estupros, sequestros e muitas agressões que Yeonmi sofreu na sua vida. Mas ela conta de um jeito que não a vemos como uma coitada, ela conta muito os fatos pelos fatos, conta sobre seus sentimentos, mas não apela pra pobreza de caráter pra passar o sentimento da sua vivência. Tem até um pouquinho de humor e ironia no meio, o que torna a sua escrita ainda mais atraente e vibrante.

Yeonmi nasceu na Coréia do Norte no início da década de 90. Sobreviveu à grande fome que a Coréia do Norte passou depois que a União Soviética ruiu e deixou de enviar recursos para eles. É inimaginável a pobreza que eles viviam, com dois sacos de arroz para quarenta dias, ou ás vezes nem mesmo isso, sem mal conseguir provar uma carne, fruta, ou qualquer outro tipo de alimento que não fossem grãos. Isso sem contar a falta de energia elétrica - que ás vezes durava semanas, e quando voltava mal durava algumas horas e a força caía de novo.

Os detalhes da vida na Coréia do Norte quando lemos é difícil de acreditar que exista um lugar assim. Havia tanto controle das pessoas, que diziam que até mesmo os ratos poderiam ouvi-los, e que o "querido líder", Kim Jong-il na época, poderia até ler a mente das pessoas. Yeonmi viveu em Hyesan, uma cidade perto da fronteira norte com a China, e muitas vezes tinham que sobreviver a temperaturas abaixo de zero sem nenhum tipo de aquecimento. Sua mãe era uma dona de casa e líder comunitária da área, e seu pai, pra tentar levar um pouco de comida pra casa, se arriscava como contrabandista, levando cobre pra China.

Tudo na Coréia do Norte parece que gira em torno de suborno. Não é um socialismo tão bonitinho. Era suborno pra estudar, pra que a polícia os deixasse em paz, para até mesmo um atendimento médico. Yeonmi conta que eles mal tinham alimento pras necessidades diárias, e sentia o cheiro de macarrão vindo do outro lado do rio que separava a Coréia do Norte e a China do outro lado, farta de alimentos.

A fuga dela é com muito mais detalhe do que em qualquer matéria ou vídeo que eu vi. Mal tinha passado um capítulo dela na China e a mãe dela já tinha sido estuprada quatro (!) vezes por atravessadores, que as pegaram pra serem traficadas pra chineses casarem com elas. Yeonmi explica que como na China uma mulher nascer é algo ruim, muitas vezes até abortada, existe um número muito maior de homens do que mulheres no país. Logo, norte-coreanas que caso fossem descobertas seriam deportadas (e depois executadas) de volta à Coreia do Norte, eram obrigadas e se instalarem em famílias chinesas rurais. E óbvio que não era uma vida boa, uma vida semi-escrava apenas para meios de procriação.

Yeonmi pra poder viver acabou aprendendo chinês e ela era obrigada a trabalhar de interprete para os traficantes humanos que compravam norte-coreanas que queriam fugir. Mesmo tendo 13 anos, acabou sendo estuprada pelo "marido" dela, numa das cenas mais chocantes que já li num livro. Isso até o momento em que seu "marido" acaba quase falindo e ela acaba se juntando com um grupo de missionários chineses cristãos ilegais que a ajudaram a atravessar o Deserto de Gobi, à noite, no inverno, pra chegar na Mongólia e buscar refúgio na embaixada sul-coreana pra ser enviada enfim pra liberdade.

O pior é que os soldados mongóis que as acham as ameaçam de devolve-las pra China, e todas ameaçam se matar ali mesmo, e os soldados filhos da puta desistem disso (cara, que agonia essa parte, cacete!).

E por fim o livro mostra como foi se acostumar como uma cidadã na nova terra: Coréia do Sul. Aprender palavras novas do vocabulário que não existia na Coréia do Norte (como handbag, shopping, e gangnam style), a luta pra poder estudar e conseguir chegar até mesmo na faculdade, e as coisas que aconteceram depois, inclusive o reencontro com sua irmã mais velha, que havia deixado a Coréia do Norte dois dias antes dela e acabou sendo traficada para o sul da China, sofrendo horrores na mão dos atravessadores, e o encontro das duas sete anos depois, na Coréia do Sul.

Enfim, esse livro foi sem dúvida um dos melhores que eu já li até hoje. Vai pra estante dos livros que mais me tocaram o coração. Não dá pra resumir num post, tem que ler mesmo.

E o melhor de tudo: tem um final feliz. Hoje Yeonmi faz parte da organização chamada LiNK (Liberty in North Korea), uma organização humanitária que luta pra ajudar outros refugiados norte-coreanos que estão na mão de atravessadores. Sua fuga, e as denúncias que ela fez sobre o que os norte-coreanos sofriam dizem que deixou o Kim Jong-un puto da vida. Esperamos, assim como ela, que chegue logo um dia em que a Coréia será uma só novamente, e não teremos mais tanto sofrimento do lado de lá do paralelo 38, que divide o país há mais de meio século.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Esse mundo que se chama Coréia do Norte.

Muitas vezes eu abria o Google Earth e ficava "passeando" via satélite naquele local que não havia nome de nenhuma rua, mal tinha nome de cidade, e que sempre parecia meio cinzento: a DPRK, também conhecido como Coréia do Norte, o país mais fechado do mundo.

Engraçado que haviam várias fontes de pessoas que passaram por lá. Uma das primeiras que eu li foi de um blog, chamado Gabriel quer viajar, que eu iria até colocar o link aqui, mas o google tá dizendo que o site é alvo de malware. E claro que eu não quero infectar ninguém aqui. Mas era um texto bom, e feito por um brasileiro maluco que foi lá como turista!

Mas existem várias fontes de pessoas que foram por lá. Só dar uma googlada algo como "viajar coréia do norte", mesmo em português. Acho que vale a pena ler, é difícil traduzir isso em um post. Parece um lugar que é difícil de imaginar que exista! Não apenas a falta de livre-expressão, mas o quanto as pessoas lá acabam vivendo com medo, paranóia, e tudo mais.



Entre eles o que mais me impactou foi o discurso da jovem Yeonmi Park (acima).

Como se as denúncias que ela faz contra o governo da dinastia Kim, que governa com sangue a Coréia do Norte há décadas, toda a fuga dela do país, de ir parar na China com medo de ser deportada, na mão de traficantes de pessoas, quase perdeu a irmã, e a mãe ter se oferecido pra ser estuprada no lugar dela pelos traficantes, e até mesmo ela ter sido obrigada a enterrar seu próprio pai que não resistiu a fuga e faleceu. Cara, isso é muito, muito tenso.

É difícil de imaginar que exista um lugar assim, na verdade. Tem um canal de um cara que foi pra lá como turista. É de ficar abismado como são as ruas, e as pessoas olhando com aquela cara de desespero ás vezes por morarem lá, convivendo com pobreza e fome.

Mas é um local muito interessante pra se fazer uma pesquisa e ler sobre. Citei pouquíssimas coisas aqui, mas já vi bastante sobre pela internet afora. É de cair o queixo.

E a Yeonmi? Bom, lançou um livro (que eu quero muito e comprarei em breve!) e hoje vive na Coréia do Sul, mesmo com o constante medo de ser raptada de volta pra Coréia do Norte. Sim, como se não bastasse a barbárie que ela sofreu, ela ainda vive com medo de sequestrarem ela de volta pra terra do Kim Jong-un.



Espero que o governo coreano continue protegendo ela como exilada. Esse vídeo acima mostra como está a vida dela hoje, e mostra um pouco sobre a sua mãe e irmã. É tão comovente quanto o anterior.

Yeonmi, você é um exemplo de força pro mundo inteiro!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

May the forth be with you!


Hoje é o dia 4 de maio. Dia em que por conta do som de "May the forth be with you" soa como "May the Force be with you" foi escolhido pra ser o dia do Star Wars. E porque não comemorar falando sobre Star Wars? :)

Eu sou super fã. Mas na hora de eleger o melhor, tento deixar o coração e a nostalgia infantil de lado pra fazer um julgamento mais preciso. É como se fossem me perguntar qual meu anime favorito: com certeza eu diria Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco), mas ao mesmo tempo sei que é um anime tosco, com história péssima, extremamente clichê e mal desenhado. Mas possui um espaço no meu coração, oras! E isso nenhuma técnica, roteiro elaborado ou personagem tira o lugar. ;)

Por isso que pra eleger o meu filme que acho que foi mais bem feito, é melhor distanciar o coração e ver o filme pelo filme mesmo. E por que não, partindo dessa admiração, nascer um favoritismo e deixar o filme na lista dos melhores?

Embora eu fosse criança e, obviamente, tenha uma paixão imensa pela história do Luke & Sua Turminha, convenhamos que são filmes bem clichês. Basicamente o mito do herói, com todo o heroísmo dos embates, e elementos desse mito clássico que é praticamente um arquétipo do ser humano. É bom, clássico e nostálgico.

Porém, muita gente não consegue ver o que existe de bom na trilogia do Anakin (e isso era desde aquela época que foi lançado no cinema...).

Se você analisar de maneira bem fria, sem nostalgia ou sentimentalismo, vai ver que os filmes da trilogia do Anakin são muito bem construídos. Enquanto na trilogia do Luke é o clássico clichê da luta entre o bem e o mal, no Anakin existe toda uma construção política e filosófica entre os protagonistas e antagonistas. O embate é uma consequência, e não o objetivo como era com o Luke.

Existe, por exemplo, um amor que nasceu lá atrás no episódio 1 quando o Anakin soltou aquela cantada de pedreiro na Padmé. E ele mal tinha dez anos:


(Vou tentar chamar gatinhas de "anjo" pra ver se pesco uma também! DEVE FUNCIONAR)

Portanto eu vou eleger como o meu filme favorito/melhor construído o Episódio 2: Ataque dos Clones. Acho o filme mais sóbrio e realista de todos os Star Wars. Sem essa apelação toda, é um filme bem "realidade nua e crua", que nos fazem questionar o mundo, e completo com doses boas de heroísmo, antagonismo, amor, humor, conspirações, fotografia (é um dos filmes mais lindos na tela!) e claro, a melhor parte: os mocinhos se fodendo.


Existem várias coisas que eu gosto nesse filme. Mas vou citar apenas as principais e alguma cena-chave que traduza isso. A primeira coisa que eu vou citar são as referências políticas desse filme.

Primeiro que o filme mostra o poder do movimento separatista, e sua influência pra derrubar a democracia. Só isso já faria a trilogia do Anakin dezenas de vezes superior à do Luke. E toda essa conspiração fez não apenas criarem um exército de clones (inicialmente para a República se defender do exército dróide dos separatistas) que seria tomado pelos separatistas um filme mais tarde, como também o golpe de estado que o Palpatine faz no filme tomando todo o poder e declarando um estado de sítio na galáxia pra proteger ela dos separatistas. SABE DE NADA, INOCENTE!

Mas a melhor parte é o discurso de apoio ao Bolsonaro à ditadura que Anakin diz pra Padmé:


Padmé: You really don't like politicians, do you?
Anakin: I like two or three, but I'm not really sure about one of them. (smiling) I don't think the system works.
Padmé: How would you have it work?
Anakin: We need a system where the politicians sit down and discuss the problems, agree what's in the best interests of all the people, and then do it.
Padmé: That is exactly what we do. The trouble is that people don't always agree. In fact, they hardly ever do.
Anakin: Then they should be made to.
Padmé: By whom? Who's going to make them?
Anakin: I don't know. Someone.
Padmé: You?
Anakin: Of course not me.
Padmé: But someone.
Anakin: Someone wise.
Padmé: That sounds an awful lot like a dictatorship to me.
Anakin: Well, if it works...

Pior que é basicamente isso que os apoiadores de Bolsolixo e Trump da vida têm na cabeça mesmo. Não entendem que a beleza da democracia não é todos olharem pro mesmo ponto, e sim discutirem as ideias livremente. Obrigado Padmé por salvar a pátria!

Aproveitando o gancho da Amidala, o filme é, de longe, o que mais tem romance em toda a série. Protagonistas jovens, um amor proibido, e uma vontade louca de fazer nheco-nheco e desabrocharem sua sexualidade. Falas memoráveis como quando a Padmé enfim aceita seu sentimento pelo Anakin, quando estão prestes a serem executados:


Cara, sente só: "Eu não tenho medo de morrer. Eu tenho morrido um pouquinho a cada dia desde que você voltou pra minha vida". E o Anakin esperto usa aquele tática que nós homens usamos muito, de jogar a isca (negando o amor dela pra fazer um charminho) e esperar ela morder, hahaha. E ela CAIU no truque mais velho que homens usam, hahaha! Esse moleque nunca me enganou desde o primeiro filme, mano!

Mas todo o jogo da sedução e conquista do Anakin e a Padmé é extremamente superior ao outro casal, o Han e a Leia, que meio que no final do sexto filme resolvem ficar juntos, já que não tinha coisa melhor basicamente. O jeito é esperar se o Finn vai dar uns cato na Rey, porque aquela de "Você tem namorado?" quando ela tá arrumando a Millenium Falcon só funciona nos seriados do Disney Channel, negão! Dá ideia na mina, jão!

Enquanto o Anakin tá tentando de todas as formas agarrar a Padmé, Obi-wan protagoniza a parte investigativa do filme, e todas as conspirações que ele descobre, sobre o exército de clones pra República, podem ser montadas numa timeline bem bacana.


Primeiro Obi-wan começa investigando aquela assassina que jogou aquela centopeia imensa pra matar a Padmé no começo. Vai descolar umas informações com o amigo porcão dele, e descobre que o planeta Kamino (aquele que só chove) não existe nos registros e foi apagado. Obi-wan acha onde fica o planeta e vai lá, e descobre que não foi o tal de Sifo-Dias (Zaifo-Vias em português, senão o nome dele ia ficar "se fodias") que havia ordenado a criação do exército de clones, e sim um tal de "Tyranus", que havia acertado os esquemas com o Jango Fett.

Obi-wan segue Jango (o Fett, não o Goulart), mas acaba sendo preso, e aí descobre os planos do ex-padawan do Yoda, o Conde Dookan (no original "Dooku", mas se ele dá o cu ninguém sabe) que arquiteta o início do Império Galáctico.

Mas é claro que um filme de Star Wars não é nada sem batalhas épicas. E o filme é bem morno nesse quesito até bem perto do final quando é impossível não perder o fôlego com dois grandes embates.


O primeiro é uma das lutas que eu considero mais legais da série, que é quando uma caralhada centena de Jedis aparecem pra tocar o puteiro destruir trocentos de dróides inimigos e salvar Obi-wan, Padmé e o Anakin e deter Doukan. Eu lembro até hoje quando eu no cinema assisti esse filme e vi o Mace Windu aparecendo no maior estilo Solid Snake por trás de todo mundo e sacando seu sabre roxo. E a batalha que se seguiu então é uma das mais sensacionais da série, pois é uma das raras vezes que temos a chance de ver Jedis lutando em grupo!

Bem mais interessante do que só o Luke lá, coitado. Teria sido uma época bem legal pra se ser um Jedi...

E a segunda, que conseguiu ser tão incrível quanto, e fechar o filme com chave de ouro é a luta de Obi-wan & Anakin + Yoda versus Dookan.



Coisas que só mesmo uns quilos do bom e velho CG tornaria possível. Afinal, o Yoda clássico, aquele boneco sem pelos do Vila Sésamo dos episódios 5, 6 e 1 (antes de ser remasterizado) nunca iria conseguir fazer isso (exceto se tivesse um ventríloquo excepcional).

E isso sem contar que existe um universo inteiro entre o Episódio 2 e 3. Universo esse que rendeu games, desenhos animados (Guerras Clônicas, o meu favorito) e a sua sequência em CG, onde o Anakin tem até uma aprendiz padawan (Ahsoka! S2). Bons tempos em que Star Wars não havia sido contaminado pelo "politicamente correto" da Disney.


Entre eles pessoalmente o meu favorito era o que o Genndy Tartakovsky (de "O laboratório de Dexter", "Samurai Jack") fez que serviu de prólogo pro episódio 3. Sim, quem assistiu conheceu antes de todo mundo vários personagens, entre eles, o General Grievous. Bons tempos que Star Wars era da Lucasfilm, e não da Disney.

Em suma, por essas e outras a trilogia do Anakin, em especial o Episódio 2: Ataque dos Clones pra mim são os melhores e meus favoritos filmes de Star Wars! E o seu?

Que a Força estejam com vocês! Vai, Capitão Planeta!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Vamos cozinhar!

Quem conhece meu Instagram acompanha lá que, além de muitas fotos da Lisa, minha cachorrinha, tem muita foto de comida também! Mas eu não dediquei um post sobre essa nova habilidade que ainda estou desenvolvendo.

Comecei a cozinhar faz uns três anos mais ou menos. Muito pelo fato de estar desempregado e ser obrigado a me virar com o que havia aqui em casa. Mas por um lado foi muito bom! Vi que cozinhar, uma coisa que eu sempre quis fazer, mas nunca tive coragem antes, iria se encaixar direitinho em mim. Igual música, outra coisa que eu sou louco pra fazer e num futuro próximo irei começar a tomar aulas.

De início eu via muitos programas e tentava fazer igual. De início foi o programa Dia Dia, da Band, do Daniel Bork. Mas ás vezes vinham uns trecos difíceis demais aí resolvi pesquisar outras coisas. Já fiz um pouco de tudo, até da Ana Maria Braga indo até a Ana Maria Brógui, mas aqui queria falar sobre os meus três favoritos.

A primeira é a Rita Lobo, uma chef super conceituada, que tem seu próprio programa de TV e seu estúdio culinário. No GNT seu programa é o Cozinha Prática. E ela comanda o famoso site Panelinha com trocentas coisas legais.



Eu adoro o jeito prático da Rita mostrar as coisas. Faz toda uma diferença, mesmo que ás vezes seja meio rápido e a gente seja obrigado a ficar voltando toda hora pra saber o próximo passo. Uma das receitas dela que eu mais faço é essa massa de pizza super prática que ela ensina. E dá pra ver como é prático o método dela ensinar também.

Outra que eu sou super fã, que conheci na tevê também, é a inglesa Rachel Khoo. Uma donzela que comanda o programa A pequena cozinha de Paris.



Quem me conhece sabe, eu odeio franceses, sua cultura, seu país, seu povo e seus costumes. :)

Mas a Rachel, por ser inglesa, mostra que os britânicos conseguem fazer tudo o que franceses conseguem, com muito mais habilidade, estilo e... Paixão! Se você está começando a cozinhar, e quiser sair do estilo apenas prático da Rita, por exemplo, complemente com as receitas cheias de paixão, descrições ótimas e simplicidade da Rachel. É de se apaixonar, mesmo que as receitas dela sejam cem vezes mais complicadas que a da Rita Lobo.

E diga-se de passagem, Rachel Khoo é formada em design, igual a mim, e abandonou tudo pra virar chef. E, pelo que vejo nos meus colegas, muitos designers têm um pé na cozinha também...

Por fim, outro que me influenciou na questão da diversão! Afinal, cozinhar tem que ser um negócio pra se acalmar e, porque não, ficar mais de boas? Quando eu vi esse cara a primeira vez foi ensinando uma lendária moqueca suína na Ana Maria Braga, e eu disse: "Eu quero ser igual esse cara!". Estou falando do ogro Jimmy McManis, que comanda o Ogrostronomia:



Um prato dele que eu faço pelo menos de duas em duas semanas é a releitura dele do clássico Jambalaya crioulo americano. O que é mais legal do Jimmy é que ele além de ensinar coisas extremamente práticas é que por ele não fazer uma receita medida certinha você ganha uma coisa indispensável na cozinha: fluência.

Fluência que eu digo é cozinhar sem se apegar na receita. É ir na geladeira, ver que você tem isso, isso e aquilo e ir cozinhando, experimentando, até que você termine e sirva as pessoas (ou pode ficar ruim também, o que acontece de vez em quando). Essa manha de ter o ingrediente em mãos e vir na hora mil e uma idéias a gente só ganha quando tenta cozinhar vendo um vídeo uma vez e indo pra cozinha depois.

Outra coisa que aprendi muito com o Jimmy é usar temperos ao nosso favor. E isso faz uma diferença danada. Páprica, cominho, pimenta caiena, pimentões, cebola, salsão (que ele chama de aipo), entre tantos outros. E, além de tudo isso, saber compor o sabor com essas coisas todas, o que nem sempre é fácil.

Enfim, esses três estão entre os que eu mais curto, e mais influenciam a minha cozinha, mesmo sendo um totalmente diferente do outro!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O Capitão América é até que legal, viu?


Semanas atrás o Netflix me indicou a assistir o seriado Agent Carter. Quando acessei pra ler a descrição dizia algo sobre ela ser a namoradinha do Steve Rogers, o Capitão América. Aí eu vi que eu não havia assistido ainda nenhum dos filmes do Capitão América ainda.

Bom, eu não sou fã da Marvel. Acho muita conversa/dilemas pra pouca batalha. Eu curto mais a DC, tem mais heroísmo, mais batalhas épicas, e eles são poderosos porque simplesmente são poderosos. Não precisam daquela tonelada de dilemas existenciais pra serem legais.

Mas entre todos esses da Marvel, eu detestava o Capitão América. Não é apenas o patriotismo que me fazia passar longe. E eu odeio qualquer forma de patriotismo. Acho a maior forma de auto-engano do mundo, além de estar numa linha tênue com xenofobismo, imperceptível e muito fácil de se ultrapassar. Mas ele não tem poder nenhum, só tem aquele escudo-bumerange-indestrutível e usa armas. Poxa, todo herói que se preze acaba com as brigas na base da porrada!

Aí eu resolvi assistir o primeiro filme do Capitão América. O Capitão América: O primeiro vingador (2011). E olha só... Não é que é legal?


(agora que eu vi no poster. Estreou no dia do meu aniversário. lol)

Ótimos atores, e não tô falando do Chris Evans (era mais legal quando era o Tocha Humana). Tem o Hugo Weaving (o eterno Agente Smith de Matrix) e o Tommy Lee Jones. Recriaram muito bem o clima da Segunda Guerra Mundial, cenários impecáveis, figurino e o vilão, o Red Skull e a namoradinha do Steve Rogers, a Peggy Carter, pegaram uma atriz e deixaram ela até parecendo uma pin-up, hahaha.

(ela é bem bonita, aliás. Só vou ver esse seriado por causa dela mesmo!)

Apesar do final forçado de ele ter sido congelado pra chegar nos tempos atuais sem envelhecer (porra, ele tinha que ficar com a Peggy, cacete!) é um filme bem bacana! Não ficou patriotismo (muito) forçado, bons efeitos especiais apesar do Capitão América não sair voando por aí e nem ser alérgico à kriptonita.

Hoje eu assisti a sequência dele, o Capitão América: Soldado Invernal (2014) que vem antes do Vingadores: Era de Ultron (2015)


Bom, tomando como base esses quadrinhos bem humorados comparando tipos de namorados com filmes da Marvel eu devia dar uma chance e ver como era. E, bem, também tenho que admitir que foi muito além do que esperava.

Acho que a única coisa que me incomoda é essa foto da Scarlett Johansson na capa. Agora que eu reparei. Tem mais Photoshop que as fotos da Susana Vieira (como se a Scarlett precisasse...). Mas o filme tem todos os ganchos e fecha todas as estórias interrompidas no predecessor. Mostra até a Peggy no leito de morte (NÃO ACREDITO AINDA QUE ELE NÃO VAI FICAR COM A PEGGY! ARGHHHHH).

Mas o principal mesmo é o Bucky, o amigo do Steve Rogers, que volta como o Soldado Invernal. É talvez o maior elo com o passado na Segunda Guerra nesse filme atual. A queda e fim da SHIELD ficou bacana, e o Falcão, é claro, que deu pra sacar a importância dele nesse recém-lançado Capitão América: Guerra Civil.

Seria bom se a Marvel usasse essa criatividade pra pegar um herói sem graça e sem sal e compartilhassem esse tempero nos filmes do Thor, Hulk ou até no Homem de Ferro, que esse terceiro ficou chato pra caramba.

Parece que Marvel ou acerta em cheio, ou joga a bola direto pra fora. Não tem meio termo.

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