quarta-feira, 1 de junho de 2016

Doppelgänger - MAKING OF (4)

Hoje quero falar dos personagens de Doppelgänger! Nesse primeiro post vou falar dos protagonistas. E vou começar falando do protagonista, o Al:


Não sei dizer se ele é meio que o vilão da história também, porque o plano do Ar era muito bom, de reconstrução do mundo e tal, mas, enfim, o objetivo do Al desde o começo é deter o Ar. A questão nunca foi "salvar o mundo", e sim, "deter o Ar", pois como ele foi a pessoa que o treinou, ele sentia responsabilidade dele parar o discípulo que havia causado tantos problemas.

Al é uma pessoa que vive num imenso dilema interno. A minha inspiração maior dele é Hyoga de Cisne, de Cavaleiros do Zodíaco (além de outros personagens). Um cara que pra fora se mostra como um gelo em pessoa, mas quando mexe no passado, ou alguém que ele tem algum laço mais forte, ele perde o controle e fica bem emotivo. A maior prova disso é que ele tem essa cara de durão mas é de longe a pessoa que mais chora durante a história toda. Normalmente detetives sempre são pessoas bem frias e calculistas, mas o Al vive nesse dilema imenso de ser uma coisa que ele não é, isso é, não ser alguém frio que essa profissão exige.

Ele é um fumante inveterado, e por conta de um vírus que Victoire implantou nele anos antes enquanto ela planejava uma vingança contra ele, ele acabou desenvolvendo a Síndrome de Werner (que é uma doença real, e causa envelhecimento precoce). Por isso, embora na época que se passa Doppelgänger (2012) ele tenha 34 anos, na verdade ele parece ter pelo menos uns 50.

Ele também trancou diversos sentimentos no fundo da sua alma. Especialmente sentimentos que desencadeiem algum tipo de relação amorosa com mulheres. Al apenas amou uma única mulher (a Val, a.k.a. "a garota do cabelo cor-de-berinjela"), que morreu nos seus braços em 2006. Desde então ele escolheu não se envolver com mulher nenhuma, mesmo que existam algumas interessadas, como a Victoire, que iludida, acaba se submetendo a ser um objeto sexual dele, torcendo para que um dia ele a olhe de outra maneira. Mas isso nunca aconteceu.

E ele tem uma admiração, até um bocado exagerada, sobre o Arch, seu irmão mais velho falecido. Não que o Arch não tenha sido uma pessoa boa, mas ele tem uma visão de que seu irmão era alguém perfeito, e isso não existe. Ver o seu irmão caçado, torturado e posteriormente assassinado enquanto ele ainda era criança deixou um trauma imenso nele que o impede de confiar em qualquer pessoa também.

Em suma, uma pessoa bem complexada, em diversas áreas da vida, hehe.


Victoire Blain (ou Delacroix) é francesa. E o Al é britânico, e britânicos têm uma rivalidade de ódio com franceses, hehe. Acima está a arte dela que usei pra mostrar ela em meados de 2000 (com 21 anos) e ela depois, em 2012 (com 33 anos). Ela é integrante da parte médica e é irmã bastarda da Émilie Blain, esposa de Arch, e que durante anos enganou a Victoire pra acreditar que o Al havia matado sua irmã, chegando ao ponto dela usar isso pra lhe dar incentivo o suficiente pra virar uma bioengenheira e criar um vírus pra matar o Al envelhecendo suas células e ela ter sua vingança. Mas era tudo mentira inventada pra Émilie, mas já era tarde, e Al havia sido infectado.

Victoire é uma mulher muito forte. É uma agente de elite, extremamente inteligente, e seria uma agente perfeita se não fosse por um pequeno grande problema: seus sentimentos ilusórios pelo Al.

Ela sofre muito por esse amor não correspondido, e na história toda apesar dela sempre ajudar nos momentos decisivos e ser uma ótima guarda-costas pro Al (que além de estar velho, nunca teve muita perícia na auto-defesa), ela fica muito nesse dilema. E claro que o Al já falou que não quer nada sério com ela, mas ela na esperança (e falta de amor próprio) acaba se rendendo e muitas vezes se oferece pro Al, transando com ele, torcendo para que ele um dia a veja diferente.

Embora o Al nunca vai conseguir superar a perda da esposa e conseguir amar outra mulher, achei que seria uma boa não deixar a Victoire com um final triste. O Neige é claramente caidinho por ela, e no final, com os dois saindo pelo mundo pra trabalhar juntos é uma ótima oportunidade pra nutrir o amor e ir além daquele beijinho que eles deram perto do final do livro. Victoire é uma ótima mulher, o Al é que não vale nada. Mas quase todas as mulheres (sim, estou generalizando) só se apaixonam pelos canalhas, tenho diversos amigos que são os maiores canalhas na terra e sempre estão com mulheres. Victoire é uma dessas muitas que não sabe seu valor como mulher, e acha que é feliz com as migalhas que recebe.

Ela somente peca em não ver o valor que ela mesma tem. E, por nutrir essa paixão cega pelo Al, pois provavelmente vários caras legais passaram pela vida dela, e nada aconteceu por conta desse sentimento bobo. Depois de tanto chacoalhar, parece que enfim ela se ligou que nada valia continuar nutrindo sentimentos de uma menininha de doze anos.

Minha maior inspiração pra personalidade dela é a Carrie Bradshaw, do "Sex and the City" (que eu sou fã de carteirinha). Será que o Al seria uma espécie de Mr Big dela? Tem algumas coisas em comum e outras não. A Carrie é a personagem que eu mais detesto no seriado, mas muitas mulheres a adoram, mesmo ela sendo uma idiota (desculpe, mas é verdade). Eu odeio mulheres assim, loucas, que vivem no mundinho delas, e que tem maturidade amorosa de uma criança. E a história nunca foi pra incentivar isso dando um final feliz pra alguém assim. Talvez o incentivo maior a isso seria o Al se apaixonar por ela, mas isso não aconteceu. Talvez a solução para mulheres assim conseguirem desenvolver um pouco de amor próprio e pararem de se iludir seja algo bem dolorido, como aconteceu.

Não um tiro dado pelo Al, como aconteceu, mas a ferida que causou no corpo não era nada comparado com a ferida na alma dela. Mas foi necessário. Eu pessoalmente não acredito muito em amor. E acho que essa crença mais realista consegui demonstrar muito por meio da Victoire. Sofreu bastante, tadinha... Mas cresceu muito até o final da história.


Se a Victoire é meio a Carrie Bradshaw, a Agatha tá mais pra Samantha Jones, do "Sex and the City". Mas consegue ser um bocado mais hardcore. Agatha é uma pessoa que além de ter, vamos dizer, um acentuado apetite sexual, ela é uma mulher de muita atitude. Ela não nega em dizer que usa homens como seus "brinquedos sexuais", e por acreditar nessa superioridade dela, acredita que mulheres que dependem de coisas como feminismo são fracas, pois qualquer mulher pode fazer seu destino, basta lutar, e que isso de mulher ser inferior ao homem é uma crença de tolas, e não um fato.

Ela foi feita pra contrastar com a Victoire, basicamente. Victoire é meio neutra com essas coisas de ideologias, mas quando está perto da Agatha - uma mulher que, apesar de não ter um relacionamento com ninguém seja extremamente bem resolvida - vê o quanto a francesa é fraca perto da holandesa. Agatha é também a pessoa fisicamente mais forte da história. Aliás, ela e a Victoire são as mais fortes na porrada que talvez todos os homens juntos.

Mulheres são tão fortes fisicamente do que homens. É a sociedade que faz acreditar que elas sejam "delicadas" e "fracas". Com treino certo, derrubam qualquer marmanjo na porrada.

O passado dela daria um livro a parte, hehe. Ao contrário de quase todos os outros, Agatha vem de uma família abastada, o que eventualmente a tornou alguém que não precisa de uma ideologia pra viver. Ela apenas busca o que a satisfaz. E foi assim que ela entrou na Inteligência. Ela é o típico exemplo do cachorro que corre atrás do carro, mas não sabe o que vai fazer quando alcançar o carro. E ela alcançou o carro muitas vezes, e depois que alcançava o carro (que significa o ápice pessoal/profissional) ela corre atrás de outro carro, e sente total liberdade em fazer isso. É desimpedida de tudo mesmo.

Quando Arch foi assassinado, era como se esse carro que ela perseguia (que era ser melhor que ele, mas numa competição sadia) havia acabado. Então entrou pra um ramo extremamente perigoso - traficante de armas - e virou alguém extremamente rica, com rios de dinheiro sendo lavados. Tanto que ela é o "cofrinho" de todos depois que o resto da galera acaba tendo que trabalhar no status "disavowed". E mesmo com todas as viagens, se gastou 1% da riqueza dela foi muito.

Logo, Agatha é uma criminosa (inclusive está presa). E por ter uma força, dinheiro e mente excelentes como agente da Inteligência, Al embarca logo no começo pra ter ela no time, pois seria alguém essencial. Eu adoro escrever sobre a Agatha, acho que essa personalidade dela de "não preciso me curvar pra um homem, eles que curvam para mim" é a parte mais divertida nela.


O Lucca talvez seja a pessoa cuja trajetória parece uma odisséia. Eu acho ele mais protagonista da história do que o Al. Ele sai de um cara que mal sabia quem era, com os codinomes Nezha e Nataku, para enfim buscar quem ele foi realmente, incluindo entender que ele foi fruto de um experimento bizarro conduzido pelo próprio Schwartzman.

Os codinomes Nezha e Nataku são ambos os nomes chineses e japoneses da mesma deidade folclórica chinesa. Peguei emprestado do mangá X/1999 o conhecimento da deidade, embora o Lucca não tenha em nada a ver com o personagem Nataku do mangá. Mas o conceito dessa divindade, uma divindade que não possui alma, encaixou perfeitamente. Lucca foi o braço direito de Arch no passado, os dois eram os maiores amigos, e quando aconteceu o expurgo de Arch, Lucca foi caçado, e depois de anos ficar fugindo acabou sucumbindo e morrendo. Pelo menos era o que todos pensavam.

De alguma maneira bizarra ele foi ressuscitado, mas os danos no cérebro foram imensos. Ficou imerso em drogas durante anos, vegetando, e o cérebro ficou tão zuado que perdeu memórias. Foi aí que nasceu o projeto Nezha. Era um agente que ainda tinha as habilidades de investigação e de combate, mas não tinha personalidade, nem passado, nem memórias. E inclusive poderiam implantar personalidades nele (por isso ele "não tem alma"). Como a vez que implantaram nele a personalidade do senhor Schultz.

Mas conforme a história vai avançando, ele vai descobrindo sobre ele. E isso sem contar que ele já foi herói e já foi vilão na mesma história (quando se juntou com Ar ou Al, dependendo de quem ele estivesse mais magoado). Mas no final ele entende que deveria ele mesmo buscar a verdade dele mesmo. A luta dele contra o Schwartzman foi, pra mim, a mais legal de todas. Isso sem contar o sentimento que ele desenvolve pela pequena Eliza Vogl. Não tenho dúvidas que ele será um super pai pra menina!


Arch, embora mal apareça na história, é a pessoa em que tudo gira ao redor, se analisarem com calma. Mesmo estando morto.

Todos os personagens têm uma ligação com ele. Al tem ele como o irmão que faleceu como uma mártir. Victoire tem uma ligação bizarra com Émilie, sua esposa, e pessoa que arquitetou a morte de Arch. Agatha tinha uma admiração enorme. Mesmo os vilões, Ravena e Sara foram pessoas que foram salvas e treinadas pelo Arch, respectivamente. E mesmo o psicopata do Schwartzman, o Arch foi a única pessoa que o "domou".

Mas a relação mais interessante é o Ar, seu filho.

Quando Arch morreu deixou um vazio imenso. Não apenas na ideologia que ele acreditava, mas nas centenas de pessoas que foram inspiradas pela bondade dele. E Ar, sabendo disso, se coloca como não apenas o herdeiro desse homem, mas também coloca em pé de igualdade todas as pessoas que seguirem os ideais dele, chegando ao ponto de chamar todos esses de "filhos de Arch"(!) pra ter fiéis seguidores. É como se Ar fosse Jesus e Arch fosse Deus.

Ao mesmo tempo Ar não chegou a conhecer Arch. Quando Arch morreu Émilie ainda estava grávida, em 1988. Logo, Ar não teve o contato que Al teve com Arch. E isso o levou a ter uma visão bem distorcida sobre o que o Arch estava lutando. É verdade que Arch queria trazer ao mundo o Zeitgeist, mas ele não queria nunca usar a violência para isso, menos ainda uma insurreição. E Arch era uma pessoa tão centrada que mesmo que seu irmão mais novo não apoiasse seus ideais, ele jamais iria ir contra isso. Esse é um dos argumentos do Ar pra dizer que o Al está errado, e o final provou o contrário. Quem foi punido e preso foi Ar no final. Não o Al, que acertou em acreditar nas memórias e no caráter daquele que o inspirou tanto.

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Tem outros personagens menores também. Eu adorava escrever sobre a pequena Eliza Vogl. Queria mostrar uma menina que apesar de ser um gênio super-dotado (ela frequenta a universidade com menos de dez anos!), por dentro não passa de uma criança mesmo, insegura, com medo. Vivia com a avó, que é morta em um atentado no meio da história, e a partir desse momento ela ficou com muito medo, e não consegui explorar ela como deveria, como o super-gênio no grupo. Também não me fazia sentido mostrar toda a imensa inteligência da menina enquanto ela ainda estava traumatizada pela perda da avó e lutando para viver. Mas sem dúvida ela estará nas continuações e vai botar pra quebrar.

Uma outra personagem que eu coloquei como um link entre o passado e o presente é a Natalya Briegel. Ela serve meio como a voz da sabedoria e experiência, especialmente pela idade (58 anos!). Natalya é filha do Coronel Briegel, mestre de Arch, e o chefão da Interpol e uma lenda entre todos da Inteligência. Ela sempre foi uma pessoa que lutou muito pra não ser conhecida como "filha do Briegel" e realmente conseguiu firmar seu nome como uma das agentes de mais alto nível, assim como seu pai, por seus próprios méritos. Mas, para conseguir alavancar sua carreira, ela adiou muito os planos da maternidade, e quando engravidou já tinha 47 anos. E o filho nasceu deficiente mental. No capítulo sobre seu passado ela pensa seriamente em abortar a criança ao saber no pré-natal que ele nasceria especial (aborto é legalizado no Reino Unido). Mas ela decide ficar com o filho mesmo assim, mas óbvio que apesar do amor isso a machuca muito. E o filho é talvez o maior ponto fraco dela.

Entre todos esses personagens menores, o Neige é um que eu gosto muito. Neige tem uma amizade imensa com o Al, talvez seja uma das únicas pessoas que o Al possa chamar de amigo. É extremamente jovem, e é um analista da NSA, e talvez um dos únicos americanos que coloquei no grupo. É um grande ás na manga, pois tem uma perícia enorme com computadores, mas não conseguiu encontrar onde estava o VOID o tempo todo. E com o passar do tempo acaba desenvolvendo um sentimento lindo por Victoire, que mesmo tendo um cara bacana como ele do lado, ainda teima em continuar correndo atrás do Al.

Existe o jornalista também, David Frost, que além de ser zuado por ter o mesmo nome que um famoso jornalista, vive num dilema imenso quando vê que até a mídia está junta do Ar, sendo manipulada por ele. Frost é uma pessoa que tem uma vida comum, e investigar sobre o Ar junto do resto do povo é a chance que ele tem de lutar contra o tédio da sua vida. Ele tem uma esposa também, a Justine Frost, que é o maior exemplo de companheirismo que tem na história, pois ela abandona tudo pra se jogar nesse penhasco junto do marido.

Um personagem que apareceu pouquíssimo foi o mestre, Artax. Ele apareceu mesmo mais pra fechar o treinamento do Al, que ele havia abandonado havia mais de uma década, e enfim ensinar pro Al como usar suas emoções ao seu favor. Outro que apareceu pouco nessa (mas tem uma importância enorme) é o "n". Ele é um rival do Al, mas não é como o Ar. Ar não é rival, é o antagonista de Al. O "n" é um rival na acepção da palavra, quer ser melhor e provar ser o melhor, não matar o Al. Ele vai aparecer mais nas outras histórias, porque eu acho muito legal a relação que ele tem com o Al. E por fim, a falecida Sheryl Saunders, que apareceu pouquíssimo, mas a importância dela foi despertar o Lucca a buscar sobre seu passado, suas verdades, e seu destino.

No próximo post, vou falar dos vilões da história! Aguardem!

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