sábado, 30 de julho de 2016

Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars (1996)


Vários jogos eu tinha uma curiosidade imensa de jogar, e volta e meia tenho a chance de colocar as mãos nesses games. Alguns super me frustam (como 1080º Snowboarding, ou Wave Race 64), mas quando encontra um desses que acho muito legais eu fico indagando: como consegui viver sem jogar isso antes?

O jogo dessa vez é Super Mario RPG: Legend of Seven Stars, onde nele você controla o Mario que deve salvar a princesa Peach que foi raptada pelo Bowser (grande novidade!). Mas no meio do caminho sua história se cruza com Mallow, um sapo que foi abandonado pela sua família e Geno, um boneco que ganha vida para ajudar Mario a recuperar as Sete Estrelas para restaurarem a Star Road e assim devolver ás pessoas a habilidade de tornar seus sonhos realidade.

Eu gostei pois o Bowser não é o vilão
Ok, lendo essa minha descrição acima é meio difícil imaginar isso. Um jogo de RPG que se preza possui vários "plot twists" no meio do roteiro, e embora durante pelo menos o primeiro terço do jogo somos levados a pensar que é tudo culpa do Bowser, vemos que havia um vilão ainda pior que o Bowser. Smithy!



Esse tal de Smithy é um ferreiro (super original o nome, huh?) e ele usa suas habilidades para o mal, criando seres na sua própria fábrica que são espalhados pelo mundo afora pra causar o caos. E ele escolhe justamente o castelo do pobre Bowser que, como eu disse, não é o vilão do jogo. Só é um pobre malvado que foi expulso do próprio castelo e quer ele de volta pra que ele possa sequestrar a Peach em paz. Ele inclusive luta contra os malvados ao lado do Mario, como um personagem controlável. Eu pensei que morreria sem ver isso!

Eu não gostei do controle
Não dá pra negar que o jogo é super à frente da sua época. Ele não é um jogo sidescrolling como eram até então os jogos do Mario. E estamos em 1996, três meses depois desse game foi lançado Super Mario 64 que foi uma revolução imensa. E depois disso, na época, houve um boom imenso de jogos de plataforma 3D. Sim, o jogo estava muito à frente da época, exceto por um fator: o controle do SNES não tinha um analógico.



E isso dificultava horrores. Eu joguei no meu Wii com um Classic Controller, com analógico, mas todas as vezes que eu ia pro controle digital eu achava muito difícil colocar o Mario no lugar que eu queria. Talvez quem jogou na época no SNES não ache isso muito difícil (e poderia ser pior, poderia ser um tank controller como em Resident Evil), mas eu achei bem chato.

Eu gostei dos easter eggs
O jogo foi muito bem feito, a ponto de usar várias referências que deixam o jogo super autêntico, e mostra que o pessoal da Square conseguiu transpor com maestria um jogo clássico como Mario para o RPG sem perder o espírito. Por exemplo, uma das armas que o Mario mais usa é Martelo! Referência ao primeiro jogo dele, do NES, o clássico Donkey Kong (na época quem Mario era apenas o Jump-man, nem nome tinha).



A arma mais legal do Bowser é uma luva em que ele lança o Mario contra o inimigo. E as técnicas de recuperação de HP da Peach tem nomes meigos, como "Therapy" ou "Group Hug", hahaha! Isso sem contar outros milhares de easter eggs perdidos no game. Um que me surpreendeu foi em uma cidade que eu levei o Mario pra tirar uma soneca pra recuperar o HP e quando acordo quem estava dormindo na cama ao lado? Link! Da série Zelda! Tem muitos detalhes escondidos que são sensacionais!

Eu gostei da trilha sonora
Capricharam nisso também. Tem um mix de músicas clássicas do Mario, com canções novas (exclusivas da série). O jogo é super colorido, e a trilha sonora não poderia ser diferente, é muito empolgante e viciante! Por exemplo, uma das músicas originais é o tema de batalha:


É engraçado que fica na sua cabeça depois de tanto jogar e a gente fica cantarolando por aí, hahaha. Acho que isso só acontece quando a música é realmente algo único e fica na nossa cabeça. Isso tudo é sensacional!

Eu não gostei da batalha final
O jogo é fácil. Não foi difícil pra mim como foi, por exemplo, Final Fantasy III (não o FFVI). E sinceramente eu não morri uma única vez no jogo, exceto quando cheguei no chefão final. O jogo tem uma linha de dificuldade que se mantém quase que na mesma dificuldade, mas putz, chegou o penúltimo chefe (o gerente da fábrica do Smithy) foi bem difícil.


Aí chegou o Smithy e, nossa, era beirando o impossível. E quando chegava na última forma dele eu sempre morria quando ele lançava dois "Sword Rain" em mim. Mas repito: é um RPG fácil. Mas não quer dizer que não seja divertido. Mas sei lá, seria melhor ter uma dificuldade crescente, e não o jogo ser fácil inteiro e do nada o chefão final ser impossível. O jeito foi deixar todos os personagem no nível máximo (30) e ir encarar o bichão. Aí deu certo e terminei o game!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Quando a saudade aperta.


Esses dias minha mãe tava vendo uns papéis antigos enquanto eu tava descascando uns alhos na cozinha. Do lada ela pegou e disse "Olha só o que tava aqui no meio!" e era uma foto do Beto, meu cachorro que faleceu ano passado.

Na hora ela pegou a rasgou, sem pestanejar. Ainda bem que tenho outras fotos guardadas aqui, hehe.

Ano passado eu tive duas grandes perdas. Em fevereiro foi o Bidu, o poodle aqui de casa, e em setembro foi a vez do Beto. Morte é mesmo um negócio muito estranho. Eu ainda sinto muita falta dos dois, por mais que a Lisa, Meggie e a mais nova integrante, a Magali, estejam aqui. Durante muito tempo pensei que eles ficariam meio que pra sempre, e que nunca precisaria temer pela morte deles, ou algo do gênero, mas quando a morte chega, ela chega de maneira muito repentina ás vezes, deixando a gente numa espécie de estado de choque, por mais que a coisa já tinha passado.

Minha mãe sempre posou de "durona", mas talvez por ela ser uma pessoa que não aceita ser fraca, tenta por meio dessas demonstrações mais "brutais" se mostrar forte, quando na verdade não tem problema nenhum se emocionar, ou sentir saudades de algo. É melhor se desmanchar mesmo, mesmo que isso acarrete derrubar o seu castelo e ter que construí-lo de novo do que ficar se segurando, vivendo sob um teto rachado que pode cair a qualquer momento.

Hoje peguei e dei um beijão na Lisa, minha cachorrinha, e disse pra ela: "É bom que você demore muitos anos pra morrer, ok!", brincando, hehe. No último dia 18 ela completou um ano de vida. É um bebêzão ainda!

Talvez isso reflita esse medo de perder novamente. Ok, sei que espiritualmente estão todos bem, mas a saudade é algo sempre muito forte, né. Gosto de abrir as fotos e manter viva essa imagem que tenho do Beto e do Bidu. A morte mostra como a gente é fugaz como a chama de uma vela. Extinguiu, já era. Provavelmente será lembrado um, dois dias, ou eventualmente uma semana. Mas depois disso virão gerações, pessoas, dezenas de milhares de coisas que vieram depois de você ter partido que nem ouviram falar de você, nem nada do gênero. Simplesmente pois você já partiu. Algo assim.

Viver um dia a mais, pra ter a chance de fazer o bem a uma pessoa a mais. Pois se talvez você já estivesse morto, não poderia fazer nada, pois já não estaria aqui. Esse sentimento é uma das coisas que sinto que mais me seguram aqui, apesar de tudo.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Para não desanimar!

Dia 13 fui numa entrevista numa grande empresa multinacional (que é claro, não vou revelar o nome). Acho inevitável o nervosismo, ainda mais hoje em dia com emprego tão escasso. Também toda hora que vou numa entrevista eu me lembro lá atrás, de 2009-2010 quando comecei minha carreira e tinha pelo menos umas duas ou três entrevistas por semana. Ultimamente no máximo são duas ou três por semestre.

Era uma empresa muito boa. Salário não era um super salário, mas a empresa tinha nome e é pertinho de um terminal de ônibus perto de casa. Se eu levasse quinze minutos pra ir seria muito. E sim, isso é algo extremamente raro em uma cidade como São Paulo.

A entrevista correu bem, testaram meu inglês e minhas capacidades com programas da minha área. Disseram que teria uma última etapa, e se eu fosse aprovado, teria uma conversa com a gerente na sede nos Estados Unidos via telefone.

E dois dias depois me ligaram, e eu por telefone mesmo participei dessa última fase! Eu tava mega empolgado, enfim seria um sonho trabalhar lá, e disseram que retornaria uns quatro dias depois. E caiu justo na terça passada, dia 19. Impossível dizer o quanto estava ansioso, mas passei o dia inteiro grudado no telefone e no celular, mas infelizmente não retornaram a ligação.

#chatiado

Não tem jeito, a gente fica triste mesmo. Mas como tudo na vida passa (e até a uva passa, haha), passou. Veio meu aniversário três dias depois, foi um dia bom, friozinho, do jeito que eu sempre curti.

Hoje, claro, estou bem melhor. Apesar de todas as coisas ruins, tento continuar tentando enxergar as milhares de coisas boas que acontecem, e cheguei a conclusão que embora não esteja empregado, e claro, esteja passando por algumas dificuldades, estou num momento bem bom.

Por apesar do problema, são apenas esses os problemas. E que posso continuar focando minha mente em outras coisas também. E que apesar do desemprego, consegui tempo pra fazer várias coisas bacanas, como escrever um livro e até aprender a cozinhar. E isso é maravilhoso! E bem, como eu disse num post anterior: quando não é pra ser, não é pra ser. Ponto. A gente fica triste, e pra baixo, mas quando não perde de vista essas coisas pequenas que fazem a diferença sem dúvida a vida fica um bocado mais leve, e as molas do fundo do poço continuam impulsionando a gente pra cima depois de uma queda, sempre.

(e muito obrigado pela ótima repercussão do post "Sobre desemprego"! Espero ter ajudado pelo menos uma pessoa a mais!)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A garota da moto (2016)



Eu acho que a Globo mudou muito desde que o Schroder assumiu a direção dela. Tava mesmo muito quadrada sob a direção do Roberto Irineu Marinho. Surgiram (e estão surgindo) muitas coisas que eram totalmente diferentes do formato antigo, como séries, e tudo mais. E por mais que a Globo tenha talvez a melhor geladeira de artistas da tevê (ninguém que chegou até lá quer sair, aí tem que inventar programinhas B como "É de casa" pra usar o elenco em standby), é legal ver que muitos a deixam e hoje existem outros canais que fazem séries e novelas tão bons quanto. Descentralizou, saca?

Ano passado o destaque foi a novela "Os Dez Mandamentos", feito pela Record, com muitas doses da teologia judaico-IURD. Foi ótima, aliás, teve bons efeitos especiais, uma boa trama, ótimos atores, mas aí terminou de um jeito que cagou tudo, sem um final feliz, e tentaram arrumar criando uma segunda temporada (que ficou muito chata) e só vai terminar quando os judeus chegarem à Palestina. Mas foi ótima a tentativa e tremeu com os alicerces da Globo, que dominava na criação de séries e novelas, pelo menos.

Os canais de tevê a cabo entraram com tudo nesse mercado. HBO foi uma das que iniciaram (Alice, que eu assisti, foi um excelente trabalho e revelou a Andreia Horta), afinal, Netflix ajudou a popularizar muito esse formato de séries aqui. E chegamos enfim, aos tempos atuais, onde o SBT que havia feito rios de dinheiro com "Carrossel" e "Cúmplices de um resgate", resolveram investir nesse formato e se juntou com a FoxLife, Mixer e até com a Ancine e surgiu o ótimo seriado A garota da moto, que está passando no SBT atualmente.

E o mais legal é que o SBT disponibiliza todos os capítulos na íntegra gratuitamente no seu canal do Youtube. Melhor que Netflix!

Eu gostei do formato
Mas cara, curti e curti muito! Eu tava achando que era novela, mas é um meio termo entre novela e seriado. Novelas em geral são histórias com vários núcleos (núcleo pobre, rico, familiar, vilões), uma trama quase que exclusivamente sobre relações amorosas, e uma narrativa sem ser centralizada num personagem e uma duração maior em número de episódios.



Nisso A garota da moto mostra-se bem diferente, pois só existem uns dois núcleos no máximo (dos mocinhos e dos vilões), não tem tanto foco no amor como é em novelas, e a narrativa é centralizada na protagonista mesmo, Joana. Existem umas outras diferenças também, como reflexões dela durante a trama (coisa que seria impossível em novelas), além de narrativas em temas individuais em cada episódio (ao contrário da novela que é uma narrativa apenas a ser desenvolvida ao longo dos capítulos).

Eu gostei da fotografia
Outra diferença da fotografia de novela e seriados é que o plano de novela é sempre mais certinho, dominando apenas closes e plano americano no máximo. Mas em seriado é obrigatório ter outros closes, câmera tensa, panorama, enfim, e não sei quem é o diretor de fotografia desse seriado, mas tá de parabéns.


Destaco as tomadas externas. Cara, é muito difícil fazer tomadas no meio do trânsito. E todas foram feitas com muito capricho, nem parece que as avenidas e ruas de São Paulo são todas remendadas e fazem a câmera "pular" a cada desnível. Eu gostaria de ver o making of, porque o pessoal de fotografia tá de parabéns mesmo.

São Paulo é uma cidade tão feia, e a fotografia consegue até deixar essa cidade menos feia.

Eu não gostei dos cenários
Ok, não dá pra acertar em tudo. Mas alguns cenários são perfeitinhos demais. Como o boteco pé-sujo do Reinaldo (pai da Joana). É muito coloridinho, muito estilo "Carrossel", sei lá. E tudo poderia ser resolvido com alguns azulejos trincados, ou esse vermelho mais rebaixado:


Claro, existem botecos limpinhos, mas boteco de verdade tem alguns detalhes que valeriam a pena serem explorados no cenário pra dar mais vida. A Motópolis (onde a Joana trabalha) também não tem nem pó ou graxa no chão, ou uma freada ou machucadinho nas coisas. Por ser um local que motos entram e saem seria bom ter algo assim. Um pouco mais de sujeira, coisas rústicas, não fazem mal a ninguém e dá mais naturalidade.

Eu gostei das atuações
Eu não conhecia a atriz que faz a protagonista Joana (Christiana Ubach), e enquanto escrevia esse post vi que ela tinha feito a série da HBO, O hipnotizador, (que eu gostei muito e assisti) e, nossa, cacete, como ela tá diferente... Mas, enfim, ficou uma atuação de primeira da menina! Gosto muito de como ela consegue se mostrar durona e fica toda derretida (ou com medo mesmo) quando algo acontece com o filho, Nico. Vive emburrada e uma protagonista de muita personalidade. Não me estranharia se ela falasse "I'm Batman", como a justiceira de Gotham City.


Tem muitos atores paulistas (meio medianos), mas é sempre bom ver caras novas. O que tá mesmo me impressionando é a vilã, Bernarda (Daniela Escobar) que tá muito boa! E isso porque nem apareceu pra valer ainda até onde assisti. Vilões em geral em novelas muitas vezes são retratados apenas como "o mal encarnado", mas em seriados podem explorar mais seus perfis psicológicos, e claramente Bernarda é uma psicopata das brabas.

Eu gostei dos toques de realidade
Ser motoboy não é fácil. Ser motogirl então, é pior ainda. E, no meio das tramas, o roteirista mandou super bem, colocando os dilemas e dificuldades de ser uma mulher nessa profissão (e as dificuldades de ser mulher em geral, infelizmente). Existem pessoas que menosprezam a Joana, por exemplo, achando que ela não é capaz de fazer as entregas por ser mulher. Ou acham que ela é frágil, por ser mulher, mas ela aprendeu Muay Thai (eu acho) pra se defender, e surra muito marmanjo por aí (coisa também que seria difícil de acontecer em uma novela).


Mas claro, o mais triste mesmo são os assédios. Joana pode ser pobre, mas é bem bonita, atraente, e isso acaba atraindo as cantadas bobas do dia-a-dia, como ser chamada de "gostosa", ou outros motoqueiros que a assedia nos semáforos, pegando no cabelo dela, etc. Isso sem contar as quedas. Dublês parecem ter trabalho garantido nessa série. Tem muitos tombos bem feios, provando o que um professor meu na faculdade dizia: moto é um negócio que não fica em pé sozinha, logo, é um negócio feito pra cair. É bom ver os dilemas da profissão. Sem dúvida vai ajudar o pessoal a olhar de outra maneira os motoboys e motogirls da cidade!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Zelda - A link to the past (1991)



Instalei no meu Wii bichado uns jogos antigos do Virtual Console da Nintendo. Como estava na dúvida do que jogar, achei que seria uma boa ressuscitar um jogo que eu adorei e que faz pelo menos uns quinze anos desde a última vez que terminei. E como sou super fã da série Zelda, fui reviver o meu jogo favorito da franquia: The Legend of Zelda -  A link to the past.

(o quêêê? você não gosta do Ocarina of Time, Alain?)

Óbvio que eu gosto! Mas a mecânica desse jogo é tão magnífica, tão única, que num mundo hoje de jogos de mundo aberto (como GTA, Watch Dogs, etc), ver esse jogo como um dos precursores e nos mostrar há quase trinta anos um mundo de Hyurle inteiro aberto é pra poucos. E diria ainda mais: que a mecânica dele e os diversos segredos no meio do jogo deixam esse mundo aberto dele como uma coisa com infinitas possibilidades. Basta explorar!

No jogo você controla o Link (dã), que é um jovem que mora com seu tio, e numa noite de tempestade vê seu tio saindo e deixando-o sozinho indo em direção ao castelo pois forças do mal queriam raptar a princesa Zelda (pra variar). Link segue seu tio, e o encontra ferido, e seu tio o pede pra continuar e salvar Zelda, entregando sua espada e seu escudo. Link percorre o castelo até a parte mais alta onde luta contra Agahnim, um feiticeiro do mal que quer dominar o mundo. Só que derrotar Agahnim era apenas o começo do jogo, e Link ainda teria que passar por muitas aventuras até conquistar a Master Sword para a batalha final contra o mal.

Eu gosto da troca dos mundos
Alguns jogos de Zelda brincam com passagens. Como o twili no Zelda: Twilight Princess, ou mesmo os sete anos que se passam em Zelda: Ocarina of Time. Mas o precursor disso foi esse jogo. Como se Hyurle já não fosse um mundo imenso, existe a versão sombria dele, o Dark World.



Acima estão os mapas do mundo. E o genial é que o que você faz em um lado afeta o outro, e o que ás vezes é um lugar impossível de alcançar no Light World fica possível se você vai pro Dark World. Eu lembro que na primeira vez que joguei eu achei tão difícil as três primeiras dungeons no Light World mesmo que quando eu peguei a Master Sword pensei que era só ir pra batalha final. Ledo engano! Dark World tem muito mais carinhas pra matar, sete fucking templos dificílimos, além da batalha final contra Agahnim/Ganon.

Eu gosto da trilha sonora
Esse jogo também foi o primeiro que criou uma trilha sonora única - e muitas das músicas grudaram na cabeça das pessoas mais que o "Ai se eu te pego" do Michel Teló. Como por exemplo, a minha favorita, o tema de Kakariko Village:



Ficou idêntica à versão do Ocarina of Time, e essa é uma daquelas músicas emblemáticas da série Zelda. Criada aí, além de tantas outras.

Eu gosto dos itens
Outro ponto fortíssimo. Por exemplo: no jogo existem diversos tipos de pedras que bloqueiam o caminho. A maioria é de um tom verde claro, mas existem umas mais escuras que são mais pesadas. E óbvio que não é desde o começo que você tem acesso a tudo, mas é interessante que ás vezes você passa por um lugar e memoriza, e depois que você ganha o item que pode te ajudar a passar por lá você volta, e... Tchum! Tem algo bacana sempre do outro lado.



Isso sem contar as quests! Como por exemplo a do garoto da flauta (acima). SIM, nós temos uma ocarina antes do Ocarina of Time! Onde o garoto havia sido raptado pro Dark World e não conseguia voltar, e como está prestes a morrer ele oferecesse uma pá ao Link e indica o lugar que ele enterrou sua ocarina. Ao pegar a Ocarina e tocar na frente do pássaro na rosa dos ventos em Kakariko Village... Bum! Você desperta um pássaro que você pode chamá-lo e ele levar pra todos os cantos de Hyurle mais rápido. Isso salva um tempo do cacete, e é apenas um exemplo das quests desse jogo!

Eu gosto das dungeons
As dungeons (calabouços), que são os templos do jogo, são sensacionais. A japonesada em geral já são uns caras que tem uma criatividade do caralho, e a Nintendo nunca desanimou nisso. Posso dar trilhões de exemplos, citando cada uma das dungeons, mas vou citar a minha favorita: Skull Dungeon.


Ela é na região da Skull Woods, que é a versão da Lost Woods no Dark World. É minha fase favorita pois é simplesmente genial. Não é apenas entrar na dungeon pela entrada e terminar no chefe. Ela é misturada junto com a própria Skull Woods, tem várias saídas no meio do labirinto, e pra iniciante é fácil se perder. O chefe (Mothula) é o mais difícil do jogo que enfrentei (morri umas três vezes pra ele, putz), mas ainda assim é minha dungeon preferida.

No final das contas não tem nada que eu não goste do jogo. Talvez a única coisa que eu não goste é a música do Sanctuary (me dava medo quando era criança, pensava que era gritos de pessoas!). Mas de resto, era e continua sendo um dos meus jogos favoritos ever. Levei uns três dias pra terminar, e só faltou uma Heart Piece (que eu não peguei por preguiça mesmo, mas sei onde estava), a única coisa tensa era quando a luz piscava e perdia todo o progresso. Ter como única opção como "Save and Quit" é complicado, Nintendo! Mas nem isso abala a maestria desse jogo.

Não morra sem antes jogar esse jogo. Apenas isso.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Sobre desemprego.

Desde março de 2014 estou em busca de emprego. E achei que talvez seria um bom momento de falar sobre! É verdade que quando se está desempregado todo mundo gosta de dar pitacos sobre sua vida. E, acredite, ficar dois anos sem emprego me fez ouvir todo tipo de coisa, todo tipo de coisa mesmo. Mesmo o clássico "porque você não muda de área?" indo até o "não arranja emprego porque não quer".

Sem contar aquelas pessoas que vivem perguntando se já arranjou emprego, e sempre quando respondo que "não", dão aquele clássico sorriso amarelo.

O país passa por uma crise, e isso é um facto. E, curiosamente, foi justo agora quando terminei a faculdade e resolvi dar os primeiros passos na vida adulta. Sou budista, praticante da Shinnyo-en, e sei que muitas vezes um texto como esse pode ir ao encontro de alguém, pois sempre na tevê falam de maneiras de se sair desse momento de dificuldade. Falam pras pessoas se reinventar, colocam um exemplo de alguém que conseguiu sucesso no meio da crise, ou de gente que aponta o dedo e diz: "Se mexa!" tem um monte. Mas uma pessoa que está afundada na fossa junto e diga "Sei como você se sente", são raríssimas.

A ideia desse texto é essa. Não é nenhuma receita, menos ainda um desses textos motivacionais de quinta categoria. Também não vai dizer o que todo mundo diz, como "reinvente-se" ou "use a crise pra alavancar algo". Já existem pessoas que fazem isso. São reflexões que esse momento me trouxeram, e espero que ajude alguém que caia aqui e que esteja no meio desse furacão.

Importância de seguir em frente
É inevitável que a gente fique desesperançoso. Mas na sociedade atual todos só sabem pressionar as pessoas a serem mais, os melhores. Os melhores salários, empregos, vida, etc. E, bem, ninguém consegue, ora bolas.

Não é errado buscar algo de bom na sua vida, mas será que está sabendo ter gratidão pelo que tem agora?

Um exemplo comigo: é verdade que estou sem emprego, e não tenho quase nenhum dinheiro. Mas busco olhar coisas ao meu redor que me tragam motivos para ser grato. É um exercício diário, e claro, não é fácil. Mesmo comigo tem dias que eu fico bem mal.

Teve um dia que eu estava voltando do templo budista que frequento e estava bem quente, o ônibus estava cheio, e eu estava cansadíssimo. Quando vi que a melancolia estava surgindo, pensei comigo mesmo: "vamos achar algo pra eu ser grato!" e reparei que, apesar de estar em pé, passando calor e cheio de gente, não havia trânsito, meu celular estava inteiro com a bateria pra ouvir música, e a janela na minha frente volta e meia soprava uma refrescante brisa.

Ter essa gratidão dá forças e esperanças para seguir em frente. Falo isso por experiência própria. E eu não tenho dúvidas que eu nunca teria chegado a essa conclusão, do quão ter essa gratidão por tudo na nossa vida, se esse tempo desempregado não tivesse acontecido. Na Shinnyo-en muitas vezes nos falam que não existe má sorte. Mesmo a má sorte nos permite reinventar e transformar aquilo que parecia ruim em algo positivo, pois na verdade é isso que essas coisas são, na real. Isso é algo que carrego, e sempre tento mostrar pras pessoas olharem pra esse lado. A vida fica melhor e mais simples.

Vibre com cada conquista
Momentos de crise inevitavelmente fazem pessoas se tornarem mais mesquinhas, de facto. Todos querem apenas saber de emprego pra si mesmas. Mas será que você olhou pro lado alguma vez? Não digo em oferecer emprego pra alguém, ou se achar uma vaga marcar uma pessoa pra que ela veja, mas algo além. Falo mesmo sobre ajudar a pessoa. Estender uma mão amiga, ouvir, torcer para que a pessoa consiga logo um emprego. Torcer para que o outro consiga como se fosse pra você essa vaga.

Nesses dois anos de desemprego é verdade que rolaram entrevistas de emprego. E, independente da vaga ser interessante ou não, não acredito que ter ganância seria correto. Ganância nos faz mentir sobre nossas habilidades, maquiar factos conosco, e muitas vezes o desespero nos faz aceitar um trabalho que não se encaixa 100% na gente, mas queremos mesmo assim aceitar e ter tudo pra gente - mesmo que, tecnicamente, não duraremos nem mesmo um mês naquela vaga, pelos mais diversos fatores.

O preço inevitavelmente é cobrado lá na frente. Causa-e-efeito.

E nesse tempo eu pensava: "Puxa, talvez aja alguém que esteja precisando mais do que eu". E de facto, sempre tem. Já tive uma entrevista em grupo que havia um cara que era pai de família competindo comigo. Por mais que, obviamente, eu quero me recolocar no mercado de trabalho, esse cara que estava competindo comigo tinha filhos, esposa, uma casa pra sustentar. E em muitos momentos eu dirigia sinceros desejos para que pessoas mais necessitadas que eu conseguissem a vaga no meu lugar, pois pra eles era algo mais urgente. Eu poderia viver mais alguns dias, semanas ou meses com o pouco que eu tenho, mas essas pessoas ao meu redor, não.

Me cortava o coração quando ouvia de alguém que sustentava uma família ter sido despedido. E isso era o que muitas vezes me dava esperança a cada "não" que recebia de uma empresa depois da entrevista. De que essa vaga iria ajudar alguém mais do que eu, com certeza. E que meu momento chegaria, de uma forma ou de outra.

Motive os outros
Existe uma grande diferença entre simpatia e empatia. Simpatia é ruim. Simpatia é você estar distante da pessoa e ser "aquele tipo de pessoa", como aquela pessoa que quando você quebra o dedo chega em você e diz: "mas eu já quebrei um braço". A pessoa que acha que está ajudando, mas na verdade não está tendo um pingo de consideração pelo seu sofrimento exatamente pois não tem a mínima ideia do que você está passando.

Eu sigo alguns sites que dizem "motivacionais". Donos desses sites motivacionais sempre dizem que existe um número imenso de pessoas ajudadas com suas frases de para-choque, esses exemplos de sucesso que acham que motiva todo mundo, ou terminando com um "pense nisso". Mas gostaria de saber o quanto essa distância deles, de tentar ajudar todo mundo com a mesma frase, tenha feito na verdade o inverso e colocado uma pessoa na pior. Talvez pra umas dez motivadas, no mínimo umas vinte ficaram mal por simplesmente não ter ninguém que realmente sabia como eles se sentiam.

Vejo gente se tornando palestrante, mas falando de conteúdo extremamente superficiais, tratando todo mundo como um imenso coletivo com os mesmos anseios, problemas e mentalidades.

Talvez o foco desses caras seja mesmo um público grande, quando na verdade muitas vezes o que a pessoa precisa é uma atenção próxima, individual. As pessoas não precisam que você as mande se "reinventar" ou "criar vergonha na cara e deixar de ser vagabundo" ou esfregar exemplos de sucesso dizendo que "basta você agir que você vai conseguir". Não, gente, pelo amor!

Pessoas precisam que você desça ao lado delas, as ouça com seu coração, que digam que sabe como se sentem, e, se essas pessoas quiserem, você compartilhar o que essa situação igual que você viveu te fez refletir. Isso é empatia.

Isso parece bobeira, mas pense que essa felicidade que você oferece pras pessoas, mesmo que sejam duas ou três, volta em triplo pra você. Não apenas em carinho ou consideração dessa pessoa, mas eventualmente essa pessoa que foi inspirada individualmente por você pode perceber que isso pode ser espalhado, e elas também tentarem ajudar as outras. Felicidade é como uma luz de vela, dá pra acender milhões de outras com a chama de uma única vela. Heróis não são aqueles que compartilham aquelas frases em Facebook sobre sucesso, heróis são aqueles que estendem a mão de ajuda pra uma pessoa.

Vai melhorar o seu mundo? Claro que vai! Você está oferecendo sua atenção e seu coração pra pessoa ser feliz. E a pessoa sendo feliz, você estará feliz, pois será mais uma sementinha de felicidade que você plantou. Isso vai te incentivar a seguir em frente também, pois vai tirar aquele peso das suas costas, a vida ficará mais leve. Você não ficou distante da pessoa dizendo asneiras. E quando as pessoas ao seu redor estão felizes fazem seu mundo ficar mais leve e feliz. A pessoa (ás vezes até você) está já desempregado, triste e deprimido. A última coisa que a pessoa quer são essas frases frias mandando a pessoa se mexer. Desça junto no fundo do poço onde essa pessoa está, e suba junto com ela de volta a superfície.

Vivemos numa sociedade humana que só chegou aqui pois compartilharam o que haviam aprendido. Imagina lá atrás se quem inventou a roda não tivesse ensinado e percebido que o que tinha inventado poderia ajudar gerações e gerações depois dele? Cada pessoa passa por momentos de dificuldade que sem dúvida alguém do seu lado está sofrendo nesse momento. Ao invés de dizer que a pessoa "merece" estar lá, ou pisar nesse pessoa, entenda que o que você passou e o que você aprendeu pode ajudar pessoas a não precisarem reinventar a roda sempre que passarem pela dificuldade que você está passando. A sociedade humana só evolui quando compartilhamos o que sabemos. Incluindo os insights nesses momentos de dificuldade.

A crise vai passar, sem dúvidas, mas enquanto estamos no meio do furacão podemos fazer o mundo um lugar melhor estendendo essa mão de carinho pros outros. Não custa nada, e vai voltar vinte vezes mais pra você. Acredite. Falo por experiência própria.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Livros 2016 [#6] - Gone Girl

Dia 17 de junho fui pra uma entrevista ali perto do Shopping Morumbi e passei na Livraria na volta e dando uma olhada nos títulos em inglês que tinha lá achei que deveria tentar um livro atual. Eu ando lendo muita coisa clássica, com linguagem bem rebuscada, e fico boiando ás vezes.

Comprei baratinho (acho que uns vinte reais) o livro da autora Gyllian Flynn chamado Gone Girl (lançado por essas bandas como Garota Exemplar), e terminei hoje. Tem até filme, lançado recentemente.

O livro é muito bem escrito. Me lembrou muito outro livro que eu adoro, o 1Q84, do Haruki Murakami. A história fica alternando entre os dois protagonistas: Nick Dunne e sua esposa, Amy Elliot Dunne. Casados há cinco anos, justo no aniversário dos cinco anos de casamento Amy simplesmente desaparece do mapa.

Esse é o começo da primeira de três partes do livro, chamada Boy loses girl. Os capítulos nessa parte ficam alternando entre o presente, com Nick tentando explicar pra polícia o que aconteceu, e Amy e seu diário, contando desde o princípio do namoro até o casamento e as coisas que aconteciam que culminaram no seu desaparecimento.

Nessa parte Nick acaba sendo tomado como suspeito de ter na verdade matado sua esposa, pois haviam encontrado sangue dela no local. Nos diários da Amy que vão se seguindo ficamos conhecendo um pouco mais sobre o Nick, que embora eles fossem um casal que tivesse uma ótima química inicial, conviver com uma pessoa durante muito tempo é difícil, e acaba se tornando algo bem entediante. E Amy começou a perder o interesse, especialmente por ela ser uma mulher meio avoada nas idéias dela.

(Sim, Amy é basicamente uma dessas loucas por aí)

Mas o Nick também não é lá flor que se cheire. Problemas com o pai que tinha uma criação rígida, desempregado, de mal com a vida, e até em uma das muitas brigas que rolou, ele acabou se exaltando e inclusive batendo nela. Sempre dá pra se imaginar o Nick como alguém depressivo e a Amy como uma bomba prestes a explodir.

E a coisa nessa primeira parte vai só piorando. Descobrem que o Nick tinha uma amante, uma aluna dele da faculdade de vinte e poucos anos (Nick tem quase quarenta), a Andie. Os policiais, levados pela opinião pública que ia contra Nick por ele ter "matado" a sua esposa que estava grávida criou um fuzuê imenso na comunidade, onde jornalistas viviam na sua casa, e programas de fofoca só pioravam ainda mais a situação pra ele.

Aí então começa a segunda parte do livro, chamada Boy meets girl. Até esse momento do livro embora Nick venha dizendo que é inocente e que a Amy simplesmente desapareceu, achamos que a Amy é vítima da coisa, e aí a coisa realmente muda!

Sendo bem direto era tudo parte do plano da Amy. Ela é uma psicopata mesmo, porque ela chega a se cortar pra conseguir o seu sangue e espalhar pela casa pra fingir ter sido agredida pelo Nick, chega a usar urina de uma colega dela grávida pra criar um falso teste de gravidez positivo, e que ela está bem viva com dinheiro no bolso e bem longe dali, curtindo a vida com um outro nome, vendo toda a comoção que sua suposta morte trouxe.

E nesse meio tempo Nick resolve contratar um advogado, chamado Tanner Bolt, que é muito conhecido por ser advogado de várias causas que a pessoa que ele defendia sempre era culpada. E isso, óbvio, a mídia cai em cima. Nick acaba dando várias mancadas, como dar uma entrevista bêbado desesperado dizendo que amava muito a Amy, e até ir num programa de tevê estilão "Casos de Família" pra ser entrevistado e provar sua inocência e que descobriu que amava muito a Amy.

Do outro lado do país Amy vive alguns dias vendo toda a desgraça de longe e apenas aproveitando o momento, pois seu plano era ir pra um navio, se entupir de pílulas e cair no oceano pra morrer (eu já disse que ela é louca?). Amy é uma pessoa extremamente cuidadosa pra que ninguém a descubra. Ela inclusive tinge o cabelo pra um tom mais escuro e o corta, mas como a vida tava tranquila ela resolve arranjar um emprego por lá mesmo, mas os "amigos" que ela tinha feito desconfiam que ela está fugindo de alguma coisa, e roubam todo o dinheiro dela (ela não usava cartões de crédito pois poderiam rastrear ela) e ela sem nenhum tostão fica totalmente vulnerável.

Quando enfim a entrevista que Nick dá na tevê ajuda a limpar um pouco a barra dele, duas coisas acontecem. Primeiro a sua amante novinha, a Andie, dá uma declaração na imprensa contando quem era Nick Dunne na real. E depois a polícia resolve prender Nick pois detetives encontraram uma salinha escondida dele com diversas coisas que queimariam o filme dele. Entre elas, uma caixa cheia de filmes pornôs desses pesadíssimos, sabe?

Amy do outro lado, sem dinheiro, resolve ir atrás de Desi, um ex-namorado dela, que ela havia inventado que ele a havia estuprado e a mídia comprou a ideia dela. E mesmo o cara não tendo estuprado a Amy, ele ficou com reputação manchada e preso. Desi era o único que Amy tinha como cúmplice, pois ainda assim ele era apaixonado por ela (e ela, obviamente, sabia como usar isso ao seu favor), e ele oferece uma baita duma mansão pra ela viver e tudo mais ao seu lado. Só que Desi se mostra como outro maníaco (tanto quanto Amy) e a prende na casa, e ela sem dinheiro nem nada passa semanas trancada lá. Até que ela bola um plano pra sair de lá.

Nesse meio tempo Nick descobre que Amy na verdade está o enquadrando, que ela era uma sociopata que acusava ex-namorados de estupro, de terem batido nela, sendo que era ela quem forjava todas as evidências e tinha uma lábia muito, muito, muito convincente. Amy sempre se pôs como boazinha, e era excelente na mentira, e havia ferrado a vida de várias pessoas antes de Nick. E que agora, por conta do tédio do casamento, e por Nick não ser mais um marido legal como era no começo, ela queria se vingar dele, jogando ele num abismo onde todos o criticariam e ele terminaria atrás das grades mesmo sem ter feito nada.

Aí começa a terceira e última parte, a Boy gets girl back (or vice-versa):

Logo no começo dessa parte a Amy reaparece, depois de 40 dias desaparecida. Chega abraçando o Nick e tudo mais, e óbvio que a polícia vai lá tentar saber o que aconteceu. Amy mente dizendo que havia sido sequestrada por Desi, e que ele a havia prendido na mansão dele, e pra ela sair ela teve que dopar ele e cortar a garganta dele, chegando a obviamente matá-lo, mas ela alega sempre legítima defesa.

E, não sei como, ela não deixou nenhuma pista (acho que essas pessoas acham que forenses são burros, sei lá). Poderiam colocar o pessoal do CSI pra achar provas contra a Amy, hehe.

Nick obviamente não gostou nada disso. Imagina voltar a ficar com uma esposa que sumiu e forjou um plano perfeito pra inventar crimes contra ele, manipulando mídia, família e todos a acreditarem que ele tinha feito algo? Amy inclusive chega a confessar pra ele o que tinha feito, mas ela era tão esperta que pra evitar qualquer tipo de escuta, ela fazia isso debaixo do chuveiro e sussurrando no ouvido dele, hahaha.

Mas apenas com a confissão era muito pouco. Mas ninguém encontrava nenhuma evidência. E Nick, vivendo sob o mesmo teto que Amy, morria de medo dela um dia chegar e tentar matar ele, do jeito que fez com Desi. Ele fica com medo da própria sombra. Isso sem contar que aquela gravidez dela era furada, e isso havia acabado com o maior sonho do Nick, que era de ser pai.

Nick resolve então pelo menos expor tudo num livro. E fica pelo menos uns dois meses direto no computador escrevendo um livro pra expor ao mundo quem é Amy Elliot Dunne. E Amy diz que apenas voltou pra recomeçar sua vida como esposa, que entendeu que Nick havia aprendido sua lição, e que agora seria um bom marido. E sim, ter sido mantida no cativeiro de luxo de Desi também a deixou refletindo sobre isso, pois embora Nick não fosse um marido que a amava (e inclusive havia batido e a traído) ele ainda dava uma coisa que era inestimável pra ela: liberdade, que Desi havia tirado dela.

No final o livro Nick esfrega na cara dela o livro que ele estava escrevendo contando a todos sobre quem era Amy Elliot Dunne (o título era bem sugestivo: Psycho Bitch, ou em bom português, Psicopata vadia) mas aí Amy diz que tinha uma coisa que ela queria mostrar também: um teste de gravidez positivo. Eles vão no médico e depois de um exame de sangue descobrem ser verdade que ela realmente está grávida. Mas Nick nem encostou nela nesses meses, então o que rolou?

Amy foi esperta. Pegou esperma que o Nick havia doado e fez inseminação artificial com isso. Sim. Bizarro. E diz que já que ela está realmente esperando o tão sonhado filho dele é pra ele apagar todos os registros desse livro e não publicá-lo, senão ela vai fazer com que ele nunca possa ver o filho, inventando algum crime, que é a maior habilidade dela.

Afinal, a filosofia da Amy é a seguinte: quem não vai acreditar numa mulher que diz ter sido espancada, estuprada ou violentada por seu marido? Todos vão dizer que ela está certa, mesmo que ela invente isso, pois mulheres são todas unidas, vão todas dizer que o cara mesmo é culpado, mesmo que ele seja inocente. E que mulheres seriam burras de não tomar proveito dessa "vantagem".

Nick fica junto de Amy, e na cena final do livro ele está todo cheio de carinhos na barriga da Amy grandona, já prestes a dar a luz. Amy diz: "Nick, por que você é tão maravilhoso comigo?", e ela esperando que ele respondesse algo como "Porque você merece, e eu te amo", mas na real Nick responde: "Porque eu sinto pena de você". Amy pergunta "Porquê?" e Nick termina o livro respondendo: "Porque toda manhã você tem que acordar e ser você mesma". Isso é, uma assassina, psicopata, manipuladora e, enfim, uma pessoa sem caráter algum.

(ah, para registro: a escritora é mulher)

- - - -

Bom, eu poderia tecer vários comentários aqui sobre comportamento e tal, mas acho que não vem ao caso. Cada um toma como verdade o que quiser, assim como eu tenho a minha que obviamente não vou sair falando por aí, hehehe. Meu ponto é outro:

Mulheres são uma coisa bem recente na história da humanidade. Até o século XX mulheres não "existiam", eram apenas seres para procriação ou prazer sexual. Nesse século vimos mulheres tendo direito de trabalhar, estudar, criarem uma família e muitas outras coisas que conquistaram ou ainda estão conquistando. Isso é inegável, e muito bom!

Só que, mulheres como personagens na sociedade ainda é uma coisa muito atual. Ainda é algo que está sendo construído. Um exemplo é que é bem difícil criar uma personagem feminina convincente - e isso inclui suas virtudes e suas falhas - pois é uma mente diferente, um comportamento diferente, um modo de pensar totalmente novo que até mesmo as mulheres estão descobrindo.

Enquanto essa descoberta da alma feminina não chega, muitos autores usam a tática mais aceita socialmente: fazê-las perfeitas. Como mulheres perfeitas, guerreiras, batalhadoras, mas nem sempre mostrando outros atributos como fraqueza, falta de caráter, fofoca, etc, pra não manchar essa espécie de arquétipo feminino que está sendo construído.

Mas o que a autora faz aqui é exatamente o que vai contra isso. Ela cria a Amy como sendo uma psicopata mesmo, capaz de matar, capaz de usar sua posição como mulher na sociedade pra inventar que havia sido estuprada e tudo mais. Por exemplo, pra prender o Desi, Amy disse que havia sido estuprada. Pra isso ela enfiava garrafas na sua vagina durante dias pra criar hematomas de violência sexual, amarrava cordas e ficava roçando na sua pele pra dizer que havia sido amarrada e atraiu o Desi pra cama e transou com ele sem camisinha e fez ele gozar na sua vagina pra depois ir pra polícia e dizer que havia sido violentada, machucada e que poderiam até fazer o exame nela que ela ainda tinha esperma do estuprador na sua vagina - mas a relação foi consentida!

Isso bate de frente com essa crença hoje em dia que a mulher é sempre a vítima. Óbvio que isso tudo é uma obra de ficção, e sabemos que na vida real muitas mulheres infelizmente são estupradas, mas a Amy, como uma personagem fictícia, sabe como a sociedade funciona, sabe que existem leis que vão protegê-la, e exatamente por isso as usa ao seu favor.

Em suma: Amy é uma mulher que mancha essa reputação que as mulheres estão construindo. E talvez isso não seja lá tão ruim, sabe? Isso cria personagens extremamente vivos, pois têm lá suas falhas e tudo mais. E cada vez mais estão surgindo coisas do gênero, e isso é muito bom (como "Orange is the new Black"). Não vai tirar as conquistas das mulheres até agora, pelo contrário! Uma personagem dessas mostra um outro lado da imagem impecável que mulheres fictícias são obrigadas a mostrar. Amy tem muitas falhas, e isso óbvio que é repugnante, mas a torna uma personagem super viva e interessantíssima.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Protetor solar

Eu na adolescência sofria de uma coceira imensa quando eu andava na rua. Isso começou a dar com uns dezessete pros dezoito, e, bem, era péssimo. Os braços viviam arranhados, o rosto também. E durante anos fui em dermatologistas pra tentarem descobrir que se passava - sem resultado.

Até que uma dermatologista sugeriu que talvez minha pele fosse sensível ao sol. O nome disso é urticária solar, que parece muito uma alergia mesmo, aparecem umas manchas vermelhas na pele e coça horrores. Aí essa dermatologista me sugeriu: passa protetor solar. E, bem, basicamente por todos os dias da minha vida desde que fiz uns vinte anos ando passando protetor solar todo santo dia.

Óbvio que tem suas vantagens. Minha pele está distante de ter rugas (embora eu tenha sardas), mas não quer dizer que está livre da vermelhidão. Mesmo quando estou com o corpo coberto e com filtro solar o sol ainda acha um lugar pra queimar, é incrível. No inverno por incrível que pareça é a época que eu mais sofro, porque quando está muito frio naturalmente buscamos um pouquinho de sol, mas parece que como em geral no resto do ano eu não tomo sol, quando eu tomo um sol no inverno é tiro e queda: Saio todo vermelho, mesmo passando protetor e tudo.

Mas óbvio, eu tomo cuidado!

Nesses seis anos passando protetor diariamente eu posso dizer que já experimentei um pouco de todas as marcas. Já usei muito o Nivea, mas começou a ficar muito oleoso e difícil absorção. Já experimentei um bem caro da Laroche-Posay, mas embora protegesse muito (era muito raro ter um vermelho na pele) era bem fedido e se minha pele tava um pouquinho oleosa, já era, a cara ia ficar branca o dia todo.

Ultimamente eu ando usando o Sundown, da Johnson & Johnson's, bem popular e que em qualquer canto se acha. É excelente, mesmo em FPS elevados. Mas um que tá ganhando minha preferência ultimamente é o da Coppertone Sport, que a marca chegou com tudo no Brasil com novos produtos e esse aí eu posso sair tranquilo e lavar o rosto que continua protegendo. São os dois que eu mais indico.

Mas existe um, esse da foto, que é o mito! É um protetor solar super vagabundo do Japão, custa uns 120 ienes (uns R$4,00), mas, nossa, se eu pudesse ter uma caixa desse Sun Bears (foto) sem dúvida eu seria feliz. Sempre que algum amigo vai ao Japão eu peço pra trazer um. O meu favorito é esse vermelho, que é pra pele oleosa. Mas existe um rosa (pra pele seca) e um azul (que é mentolado, e mega refrescante) que eu já usei e aprovei muito.

Eles poderiam vender uma de 2 litros desse protetor. É excelente.

Mas porque raios ele é tão bom? Tem um aroma muito gostoso, absorve ultra rápido na pele (ele tem textura líquida, não de creme), e me protege muito, muito mesmo! E como normalmente no inverno minha pele fica seca eu uso o rosa. No verão eu uso o vermelho ou azul. Apesar de vagabundo e extremamente barato consegue dar de dez a zero em muito protetor ocidental.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Samurai X - O fim de uma lenda (2014)


Esse é o terceiro (e último) volume da trilogia da adaptação ao cinema de Samurai X. Nesse eletrizante desfecho Kenshin ao fugir da fragata Purgatório de Makoto Shishio acaba se perdendo e chegando numa ilha onde seu mestre o aguarda e vai lhe ensinar a técnica suprema do estilo Hiten Mitsurugi. Somente com a força da técnica suprema Kenshin é capaz de lutar de igual a igual com Makoto Shishio e por um fim nos seus planos de derrubar o governo e conquistar o Japão!

Eu não gostei dos atores baseados em personagens reais
No filme anterior colocaram o Toshimichi Okubo, personagem que existiu na vida real, e igual ao mangá ele é morto pelo Soujirou, e pra fazer o gancho histórico, um monte de pessoas que diziam ser contra o governo Meiji reivindicam a autoria do crime, e não o Soujirou. Por um lado é legal! Mas por outro... Não tinha uns atores mais parecidos, não?


Nesse terceiro filme o Shishio manda que o Primeiro Ministro japonês da época venha falar com ele. Na época o Primeiro Ministro era o primeiro a assumir o cargo pós-Bakumatsu: Hirobumi Ito, que existiu na vida real (a foto antiga, acima). Mas olha o ator que colocam! Ele é muito bonitão, alto, forte e provavelmente um grande comedor. Não parece um tiozinho quase careca com esse cavanhaque furado. Idem o Toshimichi Okubo do filme anterior. Eles escalam uns atores muito bonitões pros papéis, quando historicamente com certeza haviam outros atores mais parecidos, cara.

Eu gostei do Seijurou Hiko
Quando eu vi ele carregando o Kenshin no final do filme anterior eu na hora fiquei boquiaberto e disse: "Cacete, é o Ryomaden!". Mas o que raios é "Ryomaden"? É uma série nipônica baseada na época dos samurais cujo protagonista é interpretado pelo mito Masaharu Fukuyama, um dos atores mais famosos do Japão atualmente, desses que é tipo igual ao Mario: salta, voa e dá piruetas (ou no caso dele, atua, dança, canta, etc).


É meio alongada a parte do treino da técnica suprema, e não tem aquela coisa técnica do nome dos golpes e coisa e tal que nem no mangá e anime (como aquela parte épica de quando o Seijurou usa o "Fulgor do Dragão de Nove Cabeças" contra o Kenshin). Aliás, o filme não tem nada dos nomes das técnicas do estilo Hiten Mitsurugi, só ouvi o Kenshin falar o nome de duas técnicas: O fulgor do impacto do dragão contra o Jin-e no final do primeiro filme, e a técnica suprema, o Ama-kakeru ryu-no-hirameki (Fulgor do dragão que voa majestosamente pelos céus) no final contra o Shishio.

Eu não gostei do Aoshi
Eu gosto tanto do Aoshi, mas no filme ele ficou tão sem graça, que vou colocar até uma foto da Misao. Ele ficou tão deslocado no filme que ele só aparece em duas cenas. Uma é uma luta contra o Kenshin logo depois dele deixar a tutela do mestre após ter conseguido a técnica suprema. E a última é na batalha final contra o Shishio, que tentaram fazer igual ao mangá, mas poxa, que sentido tem ele estar lá?


Digo, no mangá é óbvio que ele deve estar lá, mas no filme imagina o seguinte: Aoshi é um zé-mané vingativo, quase mata o Okina, luta contra o Kenshin e é derrotado por ele, descansa no Aio-ya e... Sei lá, acorda e vai na fragata do Shishio pra se juntar aos outros palhaços na batalha final como se nada tivesse acontecido. Eles cagaram no Aoshi em todas as participações dele! Uma pena.

Eu gostei das referências ao anime
Em adaptações normalmente a parte visual sempre acaba dando uma cagada. Ok, em algumas versões até dá pra se entender, como no filme dos X-Men. Onde raios o Ciclope iria vestir um macacão amarelo com fundo azul e óculos rosa? Ia ser ridículo. E no filme o Kenshin volta a usar a roupa nas suas cores clássicas. É bem legal a cena que a Megumi entrega a ele:


Parece uma coisa pequena, mas é relativamente complicado fazer essas adaptações. Por exemplo, a maquiagem do Shishio ficou ridícula, mas funciona muito bem no mangá/anime.

Eu gostei do desfecho diferente
No mangá, como eu disse sobre o filme anterior, a fragata do Shishio mal aparece e é destruída. A luta é definida na fortaleza do Shishio, nas montanhas ao redor de Quioto. Mas aqui fizeram uma coisa diferente que achei legal. Saitou bola um plano de "prender" o Kenshin e fingir uma execução pública na frente dos membros da Juppongatana.


É uma parte toda tensa, embora a gente já meio que saiba o que vai rolar. E aí é mais uma das muitas cenas de todo mundo lutando ao mesmo tempo e fica aquela bagunça na tela, mas dá pra entender que muitas víceras estão indo de um lado pro outro. Tudo isso pra atrair a fragata do Shishio para a costa para enfim irem enfrentar o chefão final. Foi uma coisa diferente que achei bacana!

Eu não gostei de cortarem a Juppongatana
Pra quem não lembra do mangá, o Juppongatana é o exército do Shishio, os "dez espadas" numa tradução literal. São todos guerreiros dele, e cada um tem uma história diferente, uma motivação e tudo é muito único. Mas no filme, eles sequer aparecem. Eles terem falas então, é um luxo (exceto o Soujirou, Houji e a Yumi). Mas no meio dos cortes dá pra ver que ao menos eles estão lá, como o Iwanbou, Henya e Kamatari (respectivamente, da esquerda pra direita, abaixo):


O Anji aparece pra lutar contra o Sanosuke enquanto o Kenshin está lutando contra o Soujirou quando ele vai pra fragata, mas nada do Duplo Extremo (Futae no Kiwami), o único golpe forte do Sano, e o deixa com o título de o mais fracote de todos, quando no mangá é o domínio dessa técnica que deixa ele no rol dos fodões. Mas sim, eu entendo que é um filme, e seria difícil encaixar eles no meio do roteiro tão curto. Mas senti falta, meu!

Eu gostei da Yumi
Pois é. É um detalhe, mas a Yumi foi muito melhor explorada no filme que no anime. Primeiro: ela nunca sai do lado do Shishio. Ela tem mais falas também, e ela aqui acho que conseguiu ser muito o papel da "primeira dama" do Shishio melhor que no anime.


Além da atriz ser gatíssima, cara! Quem a interpretou é a Maryjun Takahashi. Uma atriz com uma bela mistura de japonês, filipino e espanhol. É difícil uma pessoa misturada com sangue japonês não sair muito bonita. Fico impressionado! Mas fica aqui o registro. A Yumi do filme é mil vezes melhor que a Yumi do anime! E os carões que a atriz fazia também eram sensacionais!

Eu gostei da batalha final
A batalha final segue estritamente o roteiro original do mangá. As técnicas, o momento que cada um é derrotado e aparece, os golpes, tudinho. Ficou impecável, e toma uma grande parte do tempo total do filme. E isso é algo ótimo por si só. Mas teve uma coisa a mais que me impressionou mais ainda.


Fazer um efeito de fogo decente é complicado! E eles não apenas mandaram bem quando o Shishio morre, com o corpo em auto-combustão e dando gargalhadas estilão Vincent Price, como também do fogo que sai da espada dele durante a batalha. Ficou sensacional o efeito, muito bem feito mesmo! O departamento de efeitos visuais trabalhou muito nesse filme, e a obra final ficou excelente. Fechou com chave de ouro! ;)

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