quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Xenoblade Chronicles (2010)


Jogar um RPG é como um relacionamento. A gente tem que se dedicar, lembrar sempre de dar atenção, se esforçar em fazer a coisa andar pra frente e, acima de tudo, não dá pra trair, tem que ser fiel. Desde meados de agosto o blog aqui anda meio parado, pois basicamente meu tempo foi sendo usado jogando Xenoblade Chronicles pra Wii e escrevendo a sequência do Doppelgänger, que se chamará Amber, e será lançada aqui em breve.

Xenoblade Chronicles é um game em que você controla Shulk, um jovem que vive numa colônia que é atacada por robôs malvados (os Mechon), e depois desses robôs matarem a mina que ele gostava, Shulk resolve se unir ao seu amigo Reyn e buscar vingança da sua amada Fiora.

Engraçado que o jogo é TÃO grande, que isso é só o prólogo do início do prelúdio. E eu tô com 90 horas de jogo até o momento desse post e enfim estou no chefão final. É um jogo imenso, e eu duvido que fiz 20% dele. Me veio a curiosidade de jogar depois que vi que Shulk estava como lutador no Super Smash Bros pra WiiU! E já entrou pro meu top 10 dos melhores RPGs que já joguei!

Eu gostei da mitologia
Xenoblade é um daqueles jogos que tem tanta coisa que é difícil organizar. Parece um jogo vivo, eu nunca vi um RPG com tanta coisa, tanta opção, tanto personagem, tantos lugares, tantas quests, enfim. Daria pra desmembrar o jogo em uns três jogos imensos tranquilo. E um dos diferenciais é que o jogo tem até uma mitologia própria, a batalha entre Bionis e Mechonis, como mostra na primeira cutscene do jogo:



Mas não é o mito do tipo "um deus criou o mundo e fodam-se vocês que vivem nele". Durante o jogo INTEIRO esse mito tem importância essencial, especialmente pelo facto de que o continente onde os humanos (ou homs, como são chamados no jogo) é no corpo do Bionis, e o lugar onde você mora é a Colony 6, no pé do Bionis, e você tem que escalar essa porra toda até o topo. Isso sem contar que os robôs Mechon (os vilões) nascem no titã vizinho, Mechonis. Então é meio que a guerra entre Bionis e Mechonis continuam, mas entre nós, os micróbios que habitam os corpos dos titãs.

Eu não gostei dos gráficos
Pois é, nem tudo é perfeito. É um jogo bem ruinzinho graficamente, existem dezenas de outros jogos bem mais bonitos no Wii. Ficou gráficos quase de N64, os personagens são todos meio duros, mas dá pra entender o motivo: o jogo é IMENSO (eu já disse que passei das noventa horas e agora tô no chefe final?). Algo tem que ser sacrificado, tipo GTA, saca? Eu não sou tão exigente pra gráficos, mas tenho que admitir que é meio feio.


Mas mesmo nos gráficos ruins tem coisas legais que dá pra se pegar. É um jogo com uma iluminação muito boa, e elementos de cenário extremamente bem feitas (como cachoeiras, chuvas, montanhas e os titãs Bionis e Mechonis no fundo) e os monstros são bem bacanas de se ver. Só os personagens que ficaram meio zuadinhos, quadradões.

Eu gostei do sistema de batalha
Muitos RPGs tem o sistema de turno, mas o sistema de Xenoblade é totalmente baseado em ação mesmo. Confunde um pouco no começo, mas depois de algumas horas de jogo (pois acredite, serão MUITAS) você se acostuma e não consegue imaginar em como ninguém pensou nisso antes. Algumas coisas são bem elaboradas, mas depois que pega as manhas é fácil de usar.


Como na tela acima tem esses círculos embaixo que são as "artes" (basicamente os golpes especiais) e depois que você as usa contra o inimigo você precisa de um tempo de "cooldown" pra usar de novo a mesma (obviamente quanto maior o nível, menor o tempo). Golpes normais você dá sempre, automaticamente. Do lado esquerdo tem o HP dos personagens e acima a barra de especial do grupo. Você controla apenas um de três, e monta o trio de acordo com o que você mais precisa (se é mais ataque, defesa, cura, magia, etc). A única coisa que eu mudaria seria poder colocar mais de três personagens na party. Iria ficar apelativo pra caralho (meu sonho: Shulk, Melia, Fiora e Sharla!).

Eu não gostei de perder acesso a alguns lugares
Perto do final do jogo você tem a chance de sair do seu titã Bionis e se aventurar pelo Mechonis. Só que acontece algo no jogo e você mais pra frente perde o acesso a alguns lugares. E isso significa perder acesso aos itens ou monstrons que dropam itens que estão lá também.


E cara, isso é um saco, pois simplesmente te impede de completar aquela quest que você queria tanto, pois o local foi explodido no decorrer da história. Ok, isso dá muita vida ao jogo e tudo mais, mas também é um verdadeiro tiro no pé. Poderiam ter colocado os monstros em outra área do jogo, ou um NPC pra vender as coisas interessantes, enfim. Muita coisa deixei pra trás porque não joguei com Walkthrough. E eu não vou começar o jogo depois de 90 horas de jogo, cara!

Eu gostei dos personagens
Ah, essa eu faria um post só pra isso, hahaha! Como eu disse acima, um RPG é um jogo que precisamos ser fiéis e não trair pra poder ter imersão ao máximo. E Xenoblade é tão grande (eu já disse que ele é imenso?) que não tem como você não gostar de todos os personagens principais! São sete no total, e como o jogo é bem extenso, a história de todos é desenvolvida plenamente, com seus dilemas, características, comportamento, etc.



E além de tudo tem um protagonista legal! Não lembro de um RPG com protagonista legal recentemente, mas o Shulk é sensacional. Dá pra ver o crescimento dele como pessoa, as coisas que ele supera, e os dilemas dele misturados com sua imaturidade (ele é bem jovem, tem apenas 18!) tornam ele um protagonista que faz tempo que não vejo. Pena que ele não volta na sequência, no Xenoblade Chronicles X, pro WiiU.



Além do Shulk eu gostei muito da Melia Antiqua, a herdeira do trono do reino mais evoluído em Bionis, os High Entia, na cabeça do Bionis. Ela é toda educada, e tem uma paixão secreta pelo Shulk, e resolve deixar o trono pra poder se juntar aos amigos pra salvar o mundo dos mechon. Além disso a dubladora dela é famosa (a única também), a Jenna Coleman, que fez Dr. Who! Isso sem contar que a Melia tem 88 anos, nesse corpinho de 14! É mole?



Outro que eu gostei muito é o Riki. É um bicho amarelo e estranho pra cacete. Ele é um Nopon, uma das raças inteligentes que vivem em Bionis, e moram numa floresta, a Makna Forest. Riki já passou dos quarenta e tem seis filhos. Sem dinheiro pra dar de comer a essa caralhada de filhos ele resolve treinar pra ser um guerreiro, e o chefe da tribo elege ele como "heropon" (hero + nopon) dos nopon e manda ele ir junto do Shulk e dos outros pra quitar as dívidas dos filhos, haha. Apesar dele parecer o mais frágil do grupo, na batalha ele é extremamente forte. Tem muito HP, uma defesa imensa, fazendo dele o tanker ótimo. Não tem golpes fortes de dano, mas tem muito golpe de debuff (alteração de status) contra os inimigos. Isso é, paralisar, envenenar, derrubar, queimar, congelar, o que o torna indispensável no jogo. E além disso ele é um carinha mega inteligente, como prova nesse vídeo acima dele conversando com outro personagem que eu adoro, que é o...


...Dunban! Dunban é tipo o "adulto" da parada. É um soldado da Colony 6, e criou Fiora (a mina que o Shulk gosta) como pai, mas na verdade é o irmão mais velho dela. Dunban é sério e compenetrado, mas se pisa no calo dele, sai da frente. Além dele tem a Sharla, a médica da Colony 9 e que se junta a Shulk pois os Mechon sequestraram o seu noivo, Gadolt, o Reyn, o melhor amigo-bombado do Shulk, aquele típico amigo mais forte e mais alto do protagonista, e ele cai de amores pela Sharla (até eu!), e temos a Fiora também, controlável no começo do jogo, mas que bem, como eu disse acima, ela morre. E os spoilers acabam aqui (quem jogou vai entender, haha).

Eu não gostei da dublagem em inglês
O jogo te dá a possibilidade de jogar no áudio original em japonês. E os seiryuu japoneses são muito bons, já é difícil naturalmente superar a qualidade de interpretação deles, por mais exagerada e forçada que apareça ás vezes. Mas as vozes em inglês são carregadas de sotaque britânico e... cansa um pouco. Sem contar que o jogo parece que é bem mais focado no público europeu (é aubergine, não eggplant, e é ladybird, não ladybug).


Parece que até a gravação foi mal feita, apesar das músicas do jogo serem de excelentíssima qualidade. Tem até memes na internet brincando com o facto do Shulk TODA HORA no jogo falar "I'm really feeling it" ao entrar numa batalha! Sim, torra a paciência tanta coisa que esse cara sente, meo deus! Apesar das vozes enjoativas, e interpretação questionável, não se pode negar que as vozes também dão uma vida a mais aos personagens. Por exemplo: eu tava jogando com Shulk, Melia e Fiora na party. E numa batalha a Fiora terminou dando um golpe fortíssimo e matando o inimigo. Aí o Shulk fala algo como se não imaginasse que a Fiora fosse tão forte, e ela diz que ele foi rude ao comentar isso, e a Melia diz que Shulk não sabe nada da força do "sexo frágil", e o coitado não sabe onde enfiar a cara, hahahaha. São os detalhes meio aleatórios que fazem esse jogo algo único mesmo.

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Mas independente disso terminar um RPG como Xenoblade é como terminar um relacionamento mesmo. Vai dar saudade. E isso porque tem muito mais coisa legal no jogo que não cabem no post. Muita coisa MESMO! Apesar de toda a dedicação, fidelidade (não joguei nada nesse tempo além de Xenoblade!), mais de 90 horas (e 20% de jogo completos, e olhe lá!), entrou pro rol dos meus RPGs favoritos de todos os tempos. Vai deixar saudade! Quero conseguir um emprego logo pra comprar a versão do WiiU!

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