segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Porque o voto ainda é obrigatório?

Eu detesto política. E é um direito meu escolher entre participar ou não das eleições. Quero poder escolher não participar sem temer multa, sem perder o direito de tirar passaporte ou de participar de concurso público. Na minha sincera opinião, não importa se você torce pro PT ou PSDB, ou sabe lá deus o quê, todos são igualmente vagabundos, corruptos, mentirosos, e só querem saber de cagar no povo mesmo. Você pode até defender sua bandeira, mas defender a bandeira significa também fechar os olhos pras denúncias de corrupção. Por isso que eu falo que não existem eleitores. Existem torcedores. Torcedores do PT, PSDB, PMDB, PQP e VSF. Um torcedor só vai falar que seu time é bom por ter ganho o campeonato - e nunca por ter levado goleada de um timeco furado da vida.

Ponto.

Só existem duas bandeiras que eu defendo. A primeira é que sou contra qualquer tipo de regime ditatorial. Seja de direita, de esquerda, de diagonal, tracejada ou listrada. Por mais que a classe política seja essencialmente corrupta, eu sou um super defensor da democracia e o direito das pessoas poderem opinar e discutir livremente sem medo de serem, no mínimo, presas, torturadas ou mortas. Democracia é uma bosta, injusta muitas vezes, e nunca me fez muito sentido essa de "a maioria que conta" (se você parar pra pensar é meio estranho esse argumento).

Mas entre todos os males é o menos pior, pois talvez seja a única coisa que garanta livre manifestação de opinião.

Por isso, se você torce pro PT ou PSDB, ou sabe lá deu o quê, estou defecando e andando pra isso. Torça pro partido que você quiser. Mas vou defender até o fim o direito de você poder se manifestar livremente. Ditadura jamais. Só entro na briga se vier algum idiota dizendo "na ditadura a economia era melhor, não tinha corrupção, tinha menos violência e era melhor". Aí sim, sai da frente que vou chegar na voadora. Ninguém defende ditadura. Seja ditadura comunista, fascista, nazista, militar ou qualquer outro tipo.

Ponto.

Outro aspecto político que eu luto muito é o fim do voto obrigatório. Acho ridículo morar num país democrático e o voto ser um dever. Quero poder tirar meu passaporte em paz sem precisar ser obrigado a ir num colégio votar só pra ganhar aquele papelzinho pra tiazinha da polícia federal quando eu for renovar meu passaporte virar pra mim e o único documento que pede são os malditos canhotos eleitorais. Eles nem olham pro RG, e quem tirou o passaporte provavelmente passou pelo mesmo.

Isso sem contar a perda dos outros direitos. A multa é só de uns quatro reais, mas existem diversos países próximos da gente que adotam o maldito voto obrigatório: Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai. Uma vez, conversando com uma amiga peruana, ela me disse que a multa lá é bem salgada, vai de R$75 até o mínimo de uns R$18, aproximadamente. Ridículo, né?

Eu não quero votar. Não quero ser obrigado a ir até um colégio eleitoral pra exercer um direito que na prática é um dever. Votar é um direito. Vota quem quiser. Se eu não quero votar, nem participar do processo eleitoral, quero poder fazer essa escolha sem nenhuma represália do estado, como não conseguir tirar meu passaporte ou sem poder participar de concurso público.

Fui no domingo, compareci no local de eleições e sem pestanejar meu voto foi 00, o melhor candidato, ever. E aconselho muitos, que assim como eu, não acreditam na classe política e nesse sistema decadente eleitoreiro, a fazerem o mesmo que eu. Enquanto muitos na eleição de São Paulo estavam torcendo pro João Dória Jr, ou dizendo que o Haddad foi um baita avanço e blábláblá, pra mim só havia um número que eu estava ligado: abstenções, nulos e brancos.

No fundo são esses votos que mudarão o país. E o sistema político do país que tá mais do que na hora de mudar.

Dando como exemplo minha cidade:

As eleições "democráticas" (cof, cof, cof) onde se é OBRIGATÓRIO votar em São Paulo, houve um comparecimento de 78,16%. 21,84% de abstenções (pessoas que não foram), e dentro as que votaram 5,29% votaram em branco, e 11,35% votaram nulo (olha o meu voto aí!).

Como se a porcentagem não fosse algo que mostrasse com factos que voto obrigatório ainda é um retrocesso dos infernos, se você somar o número de abstenções, brancos e nulos, você vai ter um número de 3.096.904 votos. Se os votos inválidos fosse um candidato, ganharia do vencedor de eleição, o João Dória Jr, que teve míseros 3.085.187. E considerando que o total de pessoas votantes (eleitorado) só na cidade de São Paulo são 8.886.195, esses mais de três milhões de votos inválidos são 34% do total de eleitores.

Quase metade do eleitorado não votou (absência), ou não está nem aí pra quem vencer (voto branco), ou votou por protesto (como eu, anulando meu voto).

Quando as pessoas são obrigadas a fazer alguma coisa, vão fazer do pior jeito possível. Eu, pelo menos, cago pra política. E detesto no dia ver aqueles comerciais dizendo que é um direito nosso ir votar. Direito o caralho, é um DEVER, pois existem punições caso você não participe dessa nojeira.

A cada eleição cada vez mais pessoas estão indo registrar que querem ter o direito de poder escolher entre participar do pleito ou não, sejam votando nulo, branco ou faltando. Claro que tem gente que trabalha no domingo e não pode votar, mas conheço muita gente que simplesmente não vai porque não aceita ser obrigado pelo estado a exercer algo que deveria ser um direito. E acabar com o voto obrigatório talvez seja uma das maiores reformas políticas que podem existir. Entraríamos numa real democracia, onde a questão não é escolher entre um partido ou outro, mas sim, antes de tudo, o direito de poder escolher se quero participar ou não sem punição do estado em eu ter feito a minha escolha de não querer participar.

Imagina a revolução que seria! As pessoas iriam ler mais, pesquisar mais sobre seus candidatos, saberiam discutir melhor (e não com essa infantilidade de "você vota diferente de mim, vou desfazer nossa amizade do feice!!") e os políticos teriam que suar muito mais, governar melhor, mostrar mais serviço, pois não estariam competindo pra ver quem come mais do filet mignon - e sim, estariam lutando pra ver quem vai roer mais o osso, afinal, não teriam a certeza que as pessoas estariam indo lá obrigadas.

Ou você acha que com o voto obrigatório muita gente não vai votar influenciado pelas pesquisas? O que mais conheço é gente que vota nos que lideram as pesquisas pois acreditam que assim não "desperdiçarão" seus votos. Se o voto não fosse obrigatório talvez essas pessoas participariam do pleito quando virem que o seu voto não é pra se juntar a muitos outros pra eleger alguém, e sim, seu voto é a manifestação da sua escolha, independente de ganhar ou não.

Por isso, antes de vocês, que levantam tanto as bandeiras torcendo pros seus times políticos, se unam pelo fim do voto obrigatório, que é ridículo termos isso em pleno século XXI (sempre quis dizer isso) e a cada eleição se mostra cada vez mais um sistema falido. Pessoas que enxergam que o voto é um direito votam melhor, isso é um facto. Você deslocar um monte de gente pra ir parar na frente de um teclado numérico que solta um som brega que parece de um modem dos anos noventa só causa estragos pra própria democracia. Isso não é democracia.

Não caia nessa do TSE dizendo que o voto é um direito, amiguinho. Voto é um dever, e temos que lutar para que seja um direito, como sempre devia ser.

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