segunda-feira, 27 de março de 2017

Amber #43 - Tédio (Re-INTRO duction mix)

Da sua mesa na sede da SD, Reinhard Heydrich olhava pra Schultz com incredulidade e ironia. Ele estava pedindo pra partir pra uma missão em território asiático sem mais nem menos. O mais estranho seria que nem mesmo Briegel iria com ele. Para Heydrich os dois pareciam inseparáveis.

“Vai ser uma boa. Tá um saco ficar aqui cuidando dessa papelada o dia todo”, disse Schultz, “Olha, sei que você não vai com a minha cara, mas talvez me mandar pra lá pra dar uma descansada pode na verdade ser bom pra você. Afinal, é como dizem, muito ajuda quem não atrapalha. E se eu tiver mais uma pilha de papel pra cuidar, nossa, eu vou é tacar fogo!”.

“E o Briegel?”, perguntou Heydrich. Nessa hora Schultz viu que o que parecia incomodar Heydrich não era o fato de ir pro oriente, e sim o fato de ir sozinho, sem Briegel.

“Ah, em duas semanas no máximo tô de volta. A Alice cuida dele enquanto isso”, disse Schultz, “E eu tenho uma informante. Uma informante com umas informações bem quentes, coisa boa mesmo! Vale a pena ir averiguar melhor! Ela é até asiática!”.

“Entendi. Ela é o quê?”, perguntou Heydrich.

“Sei lá. São todos meio iguais. Deve ser coreana”, disse Schultz, se referindo à Eunmi.

“Coreana? Mas ela está lutando ao lado dos japoneses?”, perguntou Heydrich.

“Isso. Tinham uns asiáticos também nos seguindo, mas se não me engano eram chineses, ou sei lá o quê. Vieram atrás da menina”, disse Schultz.

“Ah, quer saber, essa estória tá é muito mal contada”, disse Heydrich, sem paciência pra ouvir o resto, “E eu tô atolado de coisa pra fazer”, nessa hora Heydrich preencheu um papel com um valor a ser retirado pra missão de Schultz, “Retira esse dinheiro na tesouraria e se manda logo e me deixa em paz, vai!”.

“Valeu, manézão!”, disse Schultz, “Te trago uma bebida de lá, pode deixar!”.

Schultz voltou até sua casa junto de Eunmi. Homens do exército estavam lá verificando o que havia acontecido com o tal incidente do gás mostarda. Estes estavam completamente encapuzados, e Schultz os viu descendo as escadas indo até a entrada no prédio.

“E aí? Deu pra salvar algo?”, perguntou Schultz. Um dos homens estava com a granada em um saco, e ergueu, mostrando a Schultz.

“Não achamos sinal de gás mostarda algum. É apenas uma granada de fumaça, com um cheiro estranho, mas sem veneno algum. Talvez eles queriam atrapalhar sua visão pra depois atirarem em vocês. As roupas ficaram meio fedidas, mas felizmente o senhor não perdeu nada, senhor Schultz”, disse o funcionário da SD.

“Opa! Beleza!”, disse Schultz, “Eu detesto comprar roupas mesmo! Vou fazer minha mala pra ir então. Ei, menina, como é mesmo seu nome?”, perguntou Schultz pra Eunmi.

“Ri Eunmi, senhor Schultz, pela milésima vez”, disse Eunmi, já cansada.

“É muito difícil esse nome, não sei nem como pronunciar isso. Mas pode deixar que vou ir me esforçando pra isso”, disse Schultz, enquanto subia pro seu apartamento, “Parece que temos um voo até Hong Kong, na China. A China é parceira dos nazistas, mas do jeito que a coisa tá confusa por lá com os nacionalistas e comunistas brigando entre si, acho que não vai durar por muito tempo essa aliança não, viu”.

“Mas Hong Kong? Tem certeza?”, disse Eunmi, apreensiva, “Hong Kong não é bem parte da China. É território aliado da realeza britânica! Isso pode ser perigoso! Esse erro pode ser fatal!”, Eunmi então viu que Schultz parecia estar distante, e levantou o tom na sua próxima fala: “O senhor sabia disso?”

Schultz tirou uma mala média e começou e jogar suas roupas limpas dentro. Ele nem ouviu direito o que Eunmi havia dito, exceto sua última frase, que ela falou com uma entonação mais forte.

“Ah, eu sei um pouco de tudo”, disse Schultz, piscando com um dos olhos, “Também sei levar uma mulher até o paraíso e voltar”.

Eunmi do nada ficou com o rosto sério. Não gostou nem um pouco da brincadeira.

“Senhor Schultz, não vim aqui na Europa atrás de namoro. Eu tenho uma missão! Pode ir desistindo, pois aqui comigo não vai acontecer nada!”, disse Eunmi, séria, cortando completamente o charme de Schultz.

Schultz nessa hora ficou até com vergonha das asneiras que havia dito.

“Ok, foi mal! Falha minha. Me perdoe”, disse Schultz, fechando sua mala, “Bom, estou pronto. Como eu disse, teremos que fazer uma parada em Hong Kong antes de chegar em Keijou”.

“É Seul!”, disse Eunmi, “Não é Keijou!”

“Tá, tá, que seja. Antes de pegarmos o avião, espera aí”, disse Schultz, pegando um papel, “Preciso deixar uma carta pro meu amigo dizendo que volto logo”.

Eunmi ficou observando enquanto Schultz escrevia. O sorriso no rosto dele, não apenas por estar prestes a entrar numa aventura, como também de deixar uma mensagem ao amigo pra ficar tranquilo. Aquilo deu um sentimento nostálgico imenso pra Eunmi, que refletia numa expressão triste no seu rosto.

“Prontinho!”, disse Schultz, selando o envelope com saliva. Então o alemão olhou pra Eunmi, e ela não estava com uma cara muito boa. Estava triste, “Ei, menina, que cara é essa?”.

“Muitas atrocidades estão acontecendo lá na minha terra natal. Enquanto eu via o senhor escrevendo me perguntava se eu também tinha amigos que eu poderia lhes enviar cartas. Mas infelizmente todos eles foram mortos, ou capturados”, disse Eunmi.

Schultz ficou triste em ouvir aquilo. Uma coisa tão básica da vida, a fraternidade, amizade entre as pessoas, uma coisa que preenchia tanto sua vida e seu coração, uma coisa simples que qualquer pessoa no mundo mereceria. Alguém pra confiar. Uma coisa que Eunmi acabou perdendo um após o outro.

“Eu sinto muito, menina”, disse Schultz pra Eunmi, “E quanto a família? Irmãos? Pais?”.

“Eu e minhas irmãs sofremos um destino talvez pior que a morte”, disse Eunmi, pausando, “Enquanto aos meus pais, tenho vergonha de encará-los depois disso”.

Naquele momento Schultz não tinha ideia da gravidade desse ato que aconteceu com Eunmi. Ou talvez pensasse que isso que a envergonhava tanto era o fato de ser uma garota tão jovem e viúva. Mas quando Schultz decidiu ir pro oriente, um novo mundo estava abrindo na sua frente. A guerra não estava apenas matando, causando tristeza e sofrimento do lado ocidental. Mas também coisas igualmente terríveis em território asiático.

E Schultz estava prestes a presenciar isso tudo.

“Escuta, eu sei que começamos com o pé esquerdo. Mas espero que possamos mudar isso com o tempo”, nessa hora Schultz deu um abraço de lado em Eunmi, que achou aquilo muito estranho, já que não tinham muito esse hábito do lado de lá, “É muito triste não ter amigos, mas espero que possamos criar uma amizade. Sinto muito por ter dado em cima de você”, nessa hora Schultz estendeu a mão de maneira amistosa, “Podemos começar de novo?”.

Eunmi inicialmente hesitou. Olhou pra mão de Schultz, depois olhou nos seus olhos. Aquilo tudo parecia verdade. Aquilo realmente parecia mostrar que aquele homem não iria dar mais em cima dela, ou querer algo que ela não estivesse interessada. Olhou pros olhos de Schultz e viu que talvez aquele seria o momento ideal pra começar de novo. Então pegou na mão de Schultz, apertando e balançando com firmeza.

“Ok, podemos começar de novo então”, disse Eunmi.

“Certo, então vamos começar pelas apresentações. Meu nome é Schultz. Ludwig Schultz. E você é...?”.

“Ri Eunmi, prazer em conhece-lo”.

“Ri E-eun... Eum... Eunmi”, disse Schultz, tentando ao máximo pronunciar corretamente o nome dela. No final até que conseguiu, e seu esforço tocou o coração de Eunmi.

“Ah, sem formalidades então. Pode me chamar só de Eunmi”, disse Eunmi, permitindo que Schultz a chamasse pelo seu nome próprio, e não pelo sobrenome, em um sinal do nascimento de uma profunda amizade e confiança, “Mais fácil assim?”.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Amber #42 - Para alguém da realeza, a corte.

Liesl e Ursel estavam paralisadas. Soldados estavam claramente esperando a chegada de Ursel Meyer para abordá-la. E eventualmente matá-la. Ursel temia obviamente pela sua vida. Já Liesl temia não poder tirar as informações dela sobre Oliver Raines antes que ela morresse. Ursel Meyer foi a única pista que encontraram sobre Oliver Raines em dois anos! As coisas não poderiam terminar assim!

“Liesl, são muitos soldados?”, perguntou Briegel, que apareceu no corredor, falando baixinho.

Liesl balançou positivamente a cabeça pra Ursel, mas ambas continuaram com as armas uma apontando para a outra. A adolescente esticou o pescoço, encostando na parede e abrindo uma pequena fresta na cortina pra ver quem estava lá fora.

“Muitos soldados, coronel!”, anunciou Liesl, assustada, “Pelo menos quinze soldados lá fora!”.

“Merda!”, disse Briegel, “Alice, volte pra casa dos fundos e fique por lá escondida. Tome cuidado, sim, filha?”, Alice confirmou com a cabeça e se apressou, “Ursel Meyer, por favor, baixe a arma. Nós só viemos conversar. Você também, Liesl”.

Ambas simplesmente ignoraram o que Briegel pediu, e continuaram apontando a arma uma contra a outra.

“Abra a porta!! Vamos arrombar!!”, gritava o soldado do outro lado.

“Não vão tirar nada de mim, seus nazistas”, disse Meyer, “Eu prefiro morrer do que ajudar vocês!”.

“Meyer, não queremos machucá-la! Viemos atrás de você pois precisamos de informações sobre Oliver Raines!”, disse Briegel, baixinho.

Ursel Meyer ao ouvir o nome de Raines mudou de expressão, ficando levemente surpresa. Ainda mirando em Liesl foi caminhando de lado, se afastando da porta, e se aproximando de Briegel.

“Raines? Oliver Raines?”, perguntou Meyer, baixinho, tentando confirmar o que achava que havia escutado, “E quem diabos é você? Está com essa pirralha?”.

“Sou o tutor dela. Meu nome é Roland Briegel”, disse Briegel.

Nessa hora Ursel realmente ficou surpresa.

“Briegel?!”, disse Meyer.

Os oficiais nazistas do outro lado deram o primeiro golpe na porta. Foi extremamente forte, chegou até a balançar a estrutura da casa. Liesl de novo abriu uma fresta e olhou pro outro lado. Eles estavam com um desses arrombadores de porta, como se fosse uma tora de madeira, quatro homens, prontos para dar mais um golpe. Era tão forte que com certeza aquela porta frágil não aguentaria muito.

“Sinto muito, mas talvez esse não seja o momento ideal pra conversar”, disse Ursel. De fato, não era, aquele local era realmente perigoso. E de tanto caminhar, Ursel acabou chegado do lado do próprio Briegel.

Mais um golpe foi dado na porta. O fecho da porta estava por um triz. Ursel parecia tensa, mas nessa hora olhou pra Briegel e sorriu, dando uma piscadinha com o olho.

“Ursel! Não, não, não!”, disse Briegel, com Ursel Meyer do seu lado, erguendo a mão e com um gesto mandando Liesl baixar a arma, que ainda estava apontada pra Ursel, “Eu posso arranjar um local seguro! Espera!”.

“Sinto muito. É Briegel, certo? Acho que o melhor que vocês podem fazer agora é me deixar ir”, disse Ursel, guardando a arma na cintura e dando as costas batendo em retirada, “Se você é realmente o agente que diz ser, vai saber onde me encontrar! Uma pessoa da realeza igual você só pode mesmo encontrar os outros na corte!”.

Ursel Meyer bateu em retirada bem na hora do terceiro golpe contra a porta. Soldados entraram no mesmo instante, mas encontraram Briegel e Liesl na sala, e Ursel ao longe, fugindo.

“Coronel Briegel!”, disse o soldado se aproximando de Briegel, “O que o senhor está fazendo aqui?”.

“Sinto muito, soldado. Ela acabou escapando”, disse Briegel, tentando inventar uma mentira para encobri-los, “Ela nos rendeu e escapou. Estávamos por um triz de capturá-la”.

“Mas, coronel Briegel, porque não pediu nosso auxílio?”, disse o soldado.

“Acho que foi minha assistente”, disse Briegel, apontando para Liesl, “Acho que ela errou o endereço, fomos parar na casa de trás, atravessamos a cerca e pegamos a mulher aqui. Peço desculpas pelo erro dela”.

“Não, coronel Briegel, sem problemas! Fico aliviado em ver que estão sãos e salvos! Meus superiores me matariam se algo acontecesse com o senhor aqui em Viena! Estamos com soldados na vizinhança, não se preocupem, vamos pegá-la”, disse o soldado.

Briegel se aproximou de Liesl, sussurrando no ouvido dela:

“Espero que consigamos ser mais rápido que eles pra acha-la, isso sim”, disse Briegel, “Desculpe inventar essa estória de que você a perdeu. Fiz isso apenas pra estória convincente pra enganar esses aí. Tudo bem?”.

“Sem problemas, coronel”, disse Liesl, sorrindo. Ela sempre queria ser a número um com o homem que tanto amava, “E agora, como faremos pra achar ela antes deles? Devem ter soldados patrulhando cada centímetro ao redor!”.

“Francamente, não sei. A única coisa que tenho certeza é que é ela. Ela sabe de algo, com certeza. O rosto dela berrava isso”, disse Briegel.

Briegel voltou com Liesl para a casa do vizinho de trás, onde Briegel mandou Alice se esconder. Ao chegar Briegel gritou, chamando sua filha, e ela apareceu, descendo as escadas.

“Papai?”, perguntou Alice, descendo as escadas. Briegel foi até ela e deu um abraço com ternura, “Que bom que estão bem!”.

“Que bom que você está bem também, filha!”, disse Briegel.

“Papai, vi a Ursel Meyer fugindo. Eu a vi enquanto ela atravessava essa casa aqui”, disse Alice. Nessa hora Briegel abriu um sorriso como se todas as esperanças houvessem sido renovadas.

“Tá de brincadeira! Essa é a minha filha!!”, disse Briegel, dando um abraço e erguendo a filha, “E aí, por onde ela foi?”.

“Ela foi por um beco. Parecia um atalho”, disse Alice, apontando uma direção, “Era naquela direção que ficava aquele teatro grande que ficava ali, não?”.

“Burgtheater! O teatro da corte imperial!”, disse Liesl, que se lembrava do imponente edifício ricamente adornado no centro da cidade.

Nessa hora Briegel lembrou da última frase de Meyer antes de fugir, sobre encontrá-la na “corte”.

“Sou da realeza? Talvez foi essa a dica dela, então”, disse Briegel, juntando as peças da última fala de Ursel Meyer, “Ela foi pro Burgtheater, o Teatro da Corte Imperial austríaca!”.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Amber #41 - From Korea with love.

3 de setembro de 1939
21h27

“Ei, japonesa! Abre o porta luvas, tem uma arma aí!”, gritou Schultz, mandando Eunmi pegar uma arma que ele guardava ali, enquanto o carro deles estava a mil por hora fugindo da perseguição.

“Eu não sou japonesa!! Eu sou coreana!!”, gritou Eunmi, “E eu não sei dirigir!”.

“Mas que merda, vocês são todos parecidos, como vou diferenciar?!”, gritou Schultz, se referindo ao fato de aparentemente todos os asiáticos serem parecidos.

“Não somos! Somos bem diferentes, tá! Eu sei diferenciar!”, disse Eunmi, com a arma em mãos, “Não sei dirigir carro, mas sei atirar!”.

“Tá, então atira, porra!! Neles!!”, disse Schultz, pegando avenidas que levavam para fora de Berlim, para despistá-los. Eunmi se dependurou na porta e começou a atirar em direção dos japoneses que os perseguiam. Apesar de estarem em movimento ela tinha uma mira muito boa com a pistola semi-automática de Schultz.

“Como recarrega? Preciso de um pente novo!”, disse Eunmi, que estava bem nervosa. Nervosa o suficiente pra não se lembrar do básico, como recarregar uma arma.

“Só tenho mais esse pente! Não usa não, vamos ir pra fora da cidade pra despist--”, nessa hora Schultz olhou pra traseira do seu fusca KdF e viu que os japoneses do outro lado estavam com armas apontadas para seu carro, “Ah não, meu carro, não!! Eu terminei de pagar ele!!”.

Schultz e Eunmi haviam acabado de entrar em uma rodovia, saindo da área metropolitana de Berlim, fugindo do cerco dos japoneses. Eles queriam Eunmi, e gritavam mandando Schultz parar o carro e entregar a coreana, caso contrário ele se tornaria alvo também.

“Merda! Como se eu tivesse opção!”, disse Schultz, que novamente esticou o braço pra fora do carro e mostrou o dedo do meio pra eles.

“Eu já disse que eles não vão entender o que isso significa!”, gritou Eunmi, mesmo ela sem entender o que aquilo significava também.

Os japoneses no carro atrás começaram a atirar contra eles. Os vidros eram todos quebrados com as balas, obrigando o alemão e a coreana a abaixarem para escaparem dos projéteis. Como o motor do KdF fica na traseira, tomar tiros era algo extremamente perigoso. Não tinha muita opção, Schultz começou a frear o carro, até bater a traseira do seu carro na dianteira do de trás. Os ocupantes no carro de trás não entendiam a intenção dele ao fazer isso.

“Ei, garota! Se segura!! Vamos ter que pular!”, gritou Schultz, que ainda abaixado dentro do carro se protegendo dos tiros puxou o freio de mão bruscamente.

O fusca KdF simplesmente freou, segurando o carro de trás, que por mais que tentasse correr, não conseguia. Os ocupantes do carro de trás pararam de atirar, tentando entender o que estava acontecendo. Os pneus cantavam na pista, mas a velocidade era tão curta que era possível Schultz pular do carro sem problemas com a arma e disparar.

Os sonoros tiros eram como sempre com a imensa destreza que um membro do alto escalão da SD atirava. Precisão milimétrica. Dois tiros certeiros na altura da orelha do carona, mesmo com Schultz em plena queda saindo do carro e rolando na grama naquela noite fria de outono.

Minha nossa! Ele é realmente bom!, pensou Eunmi ao ver a tática de Schultz.

O motorista abaixou pra se proteger dos tiros de Schultz, mas o carona acabou sendo alvejado pelos disparos. Schultz se aproximou do motorista e o tirou de lá. Ele não falava alemão, apenas o que havia acabado de morrer. Ficava implorando algo em alguma língua que Schultz não entendia, mas então Eunmi chegou, e conseguiu conversar com o asiático. Aparentemente ela sabia falar japonês também.

“O que foi que ele disse?”, perguntou Schultz, ainda segurando o homem ajoelhado pelo braço.

Eunmi continuou gritando com ele naquela língua que Schultz não entendia absolutamente nada. Ao ser ignorado pela donzela, Schultz a puxou pelo braço bruscamente enquanto ela gritava e chutava o soldado japonês caído no chão.

“Ei, menina! O que raios vocês estão falando?”, perguntou pela segunda vez Schultz, mas Eunmi simplesmente ignorou e continuou gritando com o homem.

Schultz então apontou a arma pra cima e disparou duas vezes.

“Meu ouvido!”, gritou Eunmi, “Por que fez isso?”.

“Chega disso você, menina! O que raios esse cara aí falou?”, perguntou Schultz.

“Ele foi mandado atrás de mim, sim. São soldados japoneses da Coréia”, disse Eunmi, tirando do bolso dele um pequeno bloco de notas, “Aqui estão os endereços e contatos que precisamos. Quanto tempo o senhor precisa aqui antes de partirmos?”.

Schultz então soltou o homem.

“Partiremos imediatamente”, disse Schultz, dando um chute no japonês, “E você, cai fora antes que eu mude de ideia e te mate também!”.

“O quê?!”, gritou Eunmi, enquanto o homem corria, “Não, você não pode fazer isso, senhor Schultz!”, disse Eunmi, ainda gritando algumas coisas em japonês para o homem, e então Eunmi sacou uma Kolibri minúscula no seu macacão militar e disparou três tiros contra o japonês à queima roupa, caindo no chão sem sentidos.

“Você? Peraí, você tinha uma arma aí? Como assim?”, disse Schultz, sem acreditar, “Ah, cacete... Vamos esconder logo esses corpos, vai! Vamos ter que inventar uma boa estória pra escapar dessa”.

terça-feira, 14 de março de 2017

Battlefield 1 (2016)


Essas semanas ando muito viciado nesse.

Eu sempre fui fã de jogos em tiro de primeira pessoa. Desde GoldenEye 007 do Nintendo 64, sempre existiram bons jogos que me atraíam, mas eu sempre ficava muito mais na parte de história do game do que no modo online. Eu sou muito ruim online, e sempre tomo uma sova, morro muito, enfim, nunca gostei de jogar online. Sempre tem um moleque de sete anos do outro lado que arregaça no game e você não tem muito o que fazer.

Ano passado meu irmão baixou o beta de Battlefield 1, gratuito. Só tinha uma única fase e um único modo, mas nossa, gostei muito. Sabia que era uma fase de testes do game ainda, mas era muito louco poder testar, e apesar de morrer pacas, gostei bastante.

Meses depois, nas promoções de Black Friday (que na PSN realmente tem um desconto legal, e não é a Black Fraude como tem por aí) meu irmão comprou. E desde então tenho jogado, uns tempos mais, outros menos, mas volta e meia tenho jogado.

Battlefield 1, apesar desse nome, é o quinto episódio da série, e volta no passado recriando com muita maestria cenários da Primeira Guerra Mundial. O jogo também tem um modo história, mas eu quase não joguei. Nele mostram estórias de guerra, de combatentes, enfim. Mas o legal mesmo é o Multiplayer online!

Nele você entra num pelotão de algum dos países (sejam os aliados ou do centro) e os combates acontecem em diversos cenários criados com grande maestria pelos desenvolvedores. Italianos, alemães, austro-húngaros, otomanos, britânicos, americanos... E por aí vai. Não conta muito a história, mas sim na experiência da guerra.

Além das armas da época, existem também veículos da época, desde carros, até dirigíveis e aviões. Pra alguém como eu que gostava muito de Call of Duty (a franquia rival) vi que tem muita coisa bem diferente.

Muitas pessoas perguntam quais as diferenças, mas como joguei ambos talvez eu consiga explicar. Call of Duty é mais focado em uma operação, como invasão de uma casa, resgatar um refém, ou lidar com terroristas. Battlefield é mais um cenário imenso, com possibilidade de pegar veículos e conquistar objetivos. São características bem distintas!

E alguns detalhes bem interessantes mostram que pesquisaram muito. Um amigo meu me disse que até o recuo da arma foi pesquisado pra tentar se aproximar do mais real possível. O alfabeto militar também é o que é usado na época: por exemplo, pro soldado passar a informação A-B-C, hoje em dia ele falaria Alfa, Bravo, Charlie. Mas na época da Primeira Guerra era Apples, Butter e Charlie. Diferenças bem interessantes!

E por fim vou compartilhar um vídeo do meu irmão jogando. Ele estava com um tanque e eu estava ajudando indicando onde estavam os carinhas e tal. Aí eu reparei que tinha uma avião inimigo chegando e disse: "Ei, olha o avião!", ele mirou e eu disse pra ele: "Vai, atira agora!". O resultado está abaixo, hehehe (com direito a edição e o som do Combo Breaker do Killer Instinct, hahaha):

segunda-feira, 13 de março de 2017

Amber #40 - A família desconhecida, morta pela intolerância.

4 de setembro de 1939
08h48

A casa de Ursel Meyer era uma casa simples próxima ao centro de Viena. Era uma casa pequena no meio de outras maiores do lado, com um pequeno quintal, poucas janelas, e de longe não parecia ter ninguém naquele momento. O dia já havia raiado, e era hora de continuar a missão.

“Coronel Briegel?”, perguntou um soldado alemão, puxando assunto com Briegel, que estava junto de Liesl e Alice, que estava completamente encapuzada, “Posso ajudar o senhor?”.

“Bom dia, soldado. Estou fazendo uma investigação aqui na redondeza por ordens do comandante Heydrich”, disse Briegel, sem contar que estavam prestes a entrar na casa de Ursel Meyer, “Algum problema?”.

“Seria nessa casa, coronel?”, apontou o soldado para a casa de Ursel Meyer.

“Na verdade, não”, disse Briegel fingindo pegar papéis da Liesl, como se fosse pedir informações ao soldado, “Precisamos na verdade entrar na casa de trás. Vocês farão algo aqui?”, perguntou Briegel.

“Ah, que alívio, coronel”, o soldado ficou mais tranquilo ao dizer, “Essa casa vamos invadir. Recebemos uma denúncia. A que está atrás dessa, não. Pode ficar à vontade, desculpe o incômodo”, disse o soldado, saindo da frente de Briegel. Os três começaram a caminhar pra dar a volta no quarteirão, enquanto isso Liesl parecia apreensiva:

“Droga. Temos que pegar a Meyer antes deles, coronel”, disse Liesl.

“Sim. Mas vamos manter as aparências. Vamos na casa na rua paralela, nos fundos da casa da Meyer, e vamos tentar entrar nela antes que os soldados a invadam. Temos que agir rápido, vamos!”, disse Briegel, que foi seguido por Alice e Liesl.

A casa nos fundos, do outro lado do quarteirão da de Ursel Meyer estava abandonada. O portão parecia que havia sido arrombado, Briegel, Alice e Liesl entraram sem problemas. Haviam estranhos rastros no chão do quintal, além de pegadas.

“Alguém foi levado arrastado daqui, coronel”, disse Liesl, atenta e esperta como sempre, “Existem marcas de pegadas aqui e rastros contínuos. Arrastaram pessoas pra fora dessa casa”.

Alice Briegel ficou com uma expressão apreensiva. Estava com medo de imaginar o que acontecera naquela casa.

A porta da frente estava apenas encostada. A fechadura estava quebrada, e era possível ver marcas de pés na porta. Claramente também arrombada, com muita violência, na base dos chutes. Os três começaram a andar pela casa, pra chegar no muro que dividia essa casa com a de Ursel Meyer.

“Pedras”, disse Briegel, vendo as janelas quebradas, “Uma casa arrombada, sinais de pessoas arrastadas, pedras que jogaram aqui, que merda aconteceu aqui?”.

“Ahhhhhhhhhhh!”, gritou Alice, um grito de pânico.

Briegel e Liesl pararam tudo e foram até ela. No corredor da cozinha havia um corpo, de um senhor de idade, e uma cadeira de rodas tombada no chão. O cheiro era muito forte e pela quantidade de moscas era óbvio que aquele senhor já havia sido morto há muito tempo, e seu corpo já estava entrando num estado de decomposição. Briegel abraçou Alice, que chorava no seu ombro.

“Eu vi um menorá naquele quarto”, disse Liesl, “Essa família era judia”.

“E esse homem, além de judeu, era idoso e inválido”, disse Briegel, “Mortos sem o menor escrúpulo por agentes nazistas. Provavelmente moravam aqui, foram arrastados pra fora, a casa completamente saqueada e ainda a vizinhança apedrejou. Maldição...”, Briegel nessa hora pegou gentilmente no rosto de sua filha Alice. Ela estava em lágrimas, nunca tinha visto algo tão chocante em sua vida assim, de tão perto, “Vamos indo, filha. Temos uma missão, lembra?”.

“Papai, que coisa horrível!”, disse Alice, chorando mais ainda, “Por que, papai, porquê?!”.

“Sim, eu também acho, querida! Mas não podemos perder o foco. Vamos indo, tudo bem?”, disse Briegel, e Alice, ao ver os olhos do pai, começou a se acalmar, mas ainda estava profundamente abalada com a cena que havia visto.

Apenas uma cerca de madeira dividia os fundos da casa dos judeus mortos e a casa de Ursel Meyer. Se esforçando pra não atrasá-los, Alice também os seguiu, e com a ajuda do seu pai, pulou a cerca que dividia a casa com a de Ursel Meyer.

A porta dos fundos estava destrancada. Briegel entrou sem problemas. Sem usar uma lanterna e sem fazer muito barulho foi calmamente adentrando a casa. Na frente da passagem que ligava a cozinha com o corredor para a sala havia uma placa em madeira ricamente talhada o sobrenome “Neumann” com duas estrelas-de-davi do lado, douradas, fixada na parede. Liesl foi em direção da porta principal, enquanto Briegel subia pros quartos.

Não tem ninguém. Nem um soldado na frente, pensou Liesl, enquanto olhava abrindo uma fresta na cortina da janela da frente, Não! Tem gente de binóculos na janela do primeiro e segundo andares do prédio da frente. Estão todos de tocaia, observando essa casa.

“Como está a situação, Liesl?”, perguntou Briegel.

“Dois soldados no prédio da frente com binóculos”, disse Liesl, apontando pra Briegel, “E a Meyer? Está lá em cima, coronel?”, perguntou Liesl.

“Não. A casa está vazia”, disse Alice, que havia subido pra averiguar com seu pai.

Então os três ouviram uma chave sendo colocada na porta ao lado deles. Foi apenas o tempo que Liesl se distraiu pra reportar ao coronel o que havia visto que acabou aparecendo alguém. Liesl se escondeu atrás de uma estante ao lado da porta, enquanto Briegel e Alice correram pra cozinha. Uma mulher entrou na casa, com duas sacolas de compras. Ela deixou as sacolas em cima de uma mesinha e abriu a gaveta do criado-mudo pra guardar as chaves.

“Parada aí!”, anunciou Liesl, puxando uma arma e apontando pra mulher, “Ursel Meyer, é você?”.

A mulher virou o rosto e olhou pra Liesl.

“É falta de educação mandar o outro se apresentar sem dizer quem você é antes”, disse Ursel Meyer, “E você, quem é?”

“Meu nome é Liesl Pfei--”, disse Liesl, se corrigindo, “Liesl Braun, e sou da Sicherheitsdienst, da Alemanha. Tenho algumas perguntas pra fazer pra você”.

Ursel então se virou calmamente. E então Liesl tomou um susto, recuando alguns passos. A mulher não estava guardando as chaves numa gaveta, e sim, sacando uma arma.

“Você é bem novata. Mas erros elementares assim não se cometem. Pra mostrar que ainda acredito que as crianças são o futuro, vou te dar a chance de fugir antes que eu estoure seus miolos, pirralha”, disse Ursel Meyer.

Aquilo era surpresa pra Liesl. Ursel Meyer tinha mais de trinta e menos de quarenta, aparentemente. Era uma mulher alta, magra, atlética, e pela firmeza no jeito de falar já estava com o controle da situação nas mãos.

“Chega disso!”, disse Liesl, ainda empunhando a arma, “Se for o caso nós duas vamos morrer aqui então!”, disse Liesl, se lembrando do que coronel Briegel a havia ensinado, “Eu tenho uma missão, e falhar não é uma opção!”.

Nessa hora as duas se assustaram ao ouvir que havia alguém batendo na porta.

“Abra a porta!!”, gritou um soldado batendo na porta, “Abra a porta ou vamos atirar!”

sexta-feira, 10 de março de 2017

Amber #39 - Dedo do meio.

“Essa cor... Gás mostarda?”, gritou Eunmi ao sentir o cheiro ardendo em seu nariz, “Igual aqueles que usavam na Grande Guerra?”.

“Fecha logo e nariz e vem logo!”, gritou Schultz, puxando Eunmi pelo braço. Com um chute a porta foi aberta, e os dos desceram a escada protegendo o nariz. Pouco havia sido inalado, uma vez que Schultz agiu rápido, mas ao chegar num local onde tinha ar puro ele ainda tossia muito.

“Parece alho! Nossa, como arde!!”, disse Eunmi, tossindo tudo pra fora, “Isso porque a gente saiu de lá antes de inalar mais disso!”.

“Vem logo, entra no meu carro!”, gritou Schultz, levando ela até o carro de Schultz, “Mas que merda, merda, merda!! Escuta aqui menina, quem diabos é você? Não iriam fazer isso comigo! Tem certeza que ninguém te seguiu?”, Schultz deu partida no carro e saiu com ele da garagem.

“Eu acho que não! Eu não sei, poxa! Pensei que nada aconteceria por estar contigo!”, gritou Eunmi, ainda tossindo entre as palavras.

“Por estar comigo?! Tá louca, menina?”, gritou Schultz, “Quer dizer que esses desgraçados aí estavam atrás de você?”

O carro já estava correndo, e Schultz mal sabia direito onde ir num momento daqueles. Estava meio dirigindo às cegas, sem saber direito qual seria o destino.

“Entre naquele beco! Eles vão achar que estamos correndo pela cidade, nunca vão imaginar que estamos ali!”, gritou Eunmi para Schultz.

E Schultz fez o que ela mandou, entrando com o carro em um beco escuro de Berlim, desses que têm casas em cima, parcamente iluminado. Schultz tirou a chave do contato, desligando o automóvel, e se virou pra coreana.

“Ok, agora você vai me contar tudo, garota!”, disse Schultz, “Tá certo que eu estava até empolgado em ir pra uma missão, mas levar uma granada de gás mostarda no meu apartamento talvez não seja lá a maneira mais amistosa de se pedir um favor!”, Schultz ainda estava com medo de alguns dos efeitos nocivos ao organismo do gás mostarda acabarem aparecendo. Seu coração estava a mil, “Meu deus, se eu morrer, cacete!! Isso é venenoso pra caralho!!”.

“Por favor, senhor Schultz, preciso da sua ajuda! Eu juro pro senhor que isso não é uma cilada, nem nada do gênero. Eu vim realmente aqui com a esperança de me encontrar com o senhor pra irmos pra Coréia! Eu não posso me vingar do capitão Miura sozinha!”, disse Eunmi.

Schultz não respondeu, apenas olhava pra frente, com os olhos arregalados.

“Senhor Schultz, o senhor tá me escutando? É sério! Por favor, venha comigo pra Coréia! O senhor é minha única esperança!”, disse Eunmi, mas Schultz, sem se virar pra ela apontou o dedo pra frente. Havia algo na frente do carro deles naquele beco, “O que foi? Que cara é essa? O que o senhor tá olhan-“.

Eunmi virou o rosto e viu o que Schultz estava olhando de maneira tão chocada. Três homens se aproximaram, vestindo trajes militares formais e metralhadoras na cintura. Conforme eles se aproximavam, entrando cada vez mais no beco, era possível ver suas feições. Seus olhos e cabelos negros e suas peles brancas diziam por si só: não eram alemães que se aproximavam.

“São... Japoneses!!”, gritou Eunmi, reconhecendo-os, “Esse uniforme!!”.

Então os três homens sacaram suas armas apontando pro carro de Schultz. Apenas um deles falava alemão.

“Entregue-nos essa dissidente agora, e ninguém sairá daqui ferido!”, gritou o homem do centro.

Nessa hora Schultz olhou pra Eunmi. A garota continuava firme e forte, com um olhar determinado. Uma pessoa comum num momento desses entraria em lágrimas, suplicando pra que não fosse entregue. A coreana estava sozinha, longe de casa, e com sua vida nas mãos de um homem que até então ela sequer conhecia.

Enquanto Eunmi olhava pra Schultz, aqueles olhos mostravam uma bravura forte dela, capaz de suportar tudo e lutar contra todos. Seus olhos brilhavam com a esperança de que toda essa determinação tocasse Schultz mais do que lágrimas de desespero. Essa era a mulher forte que Eunmi era. E nessa hora Schultz viu que iria confiar nessa garota e ir junto dela pra onde quer que fosse!

“Quer saber de uma coisa, então?”, disse Schultz, ligando o carro e engatando a ré, “Aqui pra todos vocês!!”, Schultz mostrou o dedo do meio pros oficiais japoneses enquanto saía do beco indo de ré.

Os japoneses abriram fogo, acertando o carro de Schultz, mas rapidamente ele chegou na rua e já engatou uma marcha pra frente e saiu em disparada pelas ruas de Berlim.

“O que significa esse gesto que você fez? Não entendi!”, disse Eunmi, que não havia entendido nada da cena.

“Ah, qual é? Quer dizer que eles não entenderam esse gesto? Vocês lá daqueles lados não usam esse gesto de ‘vai se foder’ com os outros?”, perguntou Schultz, meio triste.

“O que é ‘ir se foder’?”, perguntou Eunmi, que não entendia expressões de baixo calão.

“Ah, deixa pra lá! Depois eu te explico!”, disse Schultz, que olhou no retrovisor do carro e levou um susto, pois havia um carro os seguindo a toda velocidade, “Pelo visto temos companhia!”.

“Não pode ser! Mais japoneses!!”, gritou Eunmi ao reconhecer quem estava dentro do carro.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Amber #38 - Anschluss

3 de setembro de 1939
18h21


Bandeiras nazistas eram hasteadas em todos os cantos de Viena. Oficiais do exército alemão andavam nas ruas como se aquele país fosse uma continuação do seu próprio, o que, literalmente naquele momento era. Adolf Hitler dizia que a Áustria, um país que partilhava uma herança cultural similar da Alemanha, a começar pela mesma língua, era também o local onde, de acordo com o próprio Hitler, haviam os alemães mais “puros” que os da própria Alemanha. Já havia um tempo desde que a Áustria fora anexada ao território nazista pela temida Anschluss, a política de anexação, onde o pobre país, que também havia perdido a Primeira Guerra Mundial ao lado da Hungria, mal teve chances de se defender.

Com o chanceler assassinado em 1934, e Schuschnigg, o chanceler antinazista colocado no seu local, sua ideia era realizar um plebiscito pra consultar o povo se a Áustria seria anexada. Ele sequer teve tempo pra isso. Em março de 1938 tropas nazistas entraram na Áustria, a anexando por meio da força.

Em um plebiscito forjado realizado após da Anschluss, o resultado foi que 99% do povo austríaco dizia ser de acordo com a anexação. Políticos que eram contra foram presos, judeus começavam a ser humilhados e a ter os bens confiscados. Mas na prática nada era tão fácil. Aquela Áustria, que na Primeira Guerra Mundial havia se unido com a Hungria, e juntos criados um dos maiores países e potências da época hoje nada mais era que um fantoche, dominado por nazistas em cada esquina.

“Boa noite, senhora. Muito obrigado por me ajudar”, disse Briegel, entrando na casa de uma senhora, “Conseguiu encontrar algo?”.

Briegel, com o endereço de Ursel Meyer nas mãos, foi buscar informações de como acha-la. Ele não sabia exatamente qual seria a reação dos oficiais nazistas caso ele aparecesse lá buscando tal informação, logo achou que seria mais fácil buscar informações com pessoas locais.

“Aqui está, herr Briegel”, disse a simpática senhora Weisner, antiga líder comunitária local, “Fiz um mapa pro senhor nesse papel, espero que isso o ajude. Fica um pouco distante daqui a pé, mais ou menos uns vinte minutos de caminhada”.

“20 minutos? Só isso? É bem perto, senhora, dá pra chegar lá sem problemas!”, disse Briegel mostrando disposição.

“O senhor é realmente bem disposto, apesar da idade! É incrível achar que um mero oleiro tenha tanta saúde e disposição!”, disse a senhora.

“Acredite, a senhora não tem noção o quanto minha profissão pode ser sufocante. Muito obrigado mesmo, senhora!”, disse Briegel ao se despedir.

O papel no bolso de Briegel era enfim seu passaporte pra descobrir mais sobre Oliver Raines. Aquelas memórias do que aconteceu em Guernica ainda pairavam na sua mente, e ele não poderia deixar a morte de Margaret Braun impune. Sentia que era uma questão de honra achar explicações para Liesl, que perdeu sua única família de uma maneira tão triste.

No seu bolso sentia o papel entre seus dedos. Aquilo lhe dava uma empolgação como fazia tempos que não sentia!

Acho que vou passar ali naquele café e buscar algo pra Liesl e Alice comerem. Elas toparam vir comigo até aqui, tenho que ser no mínimo gentil!, pensou Briegel. Mas quando ele atravessou a rua pra ir até a cafeteria tomou um susto. Viu um rosto que estava sentado numa das mesas próximas da janela, do lado de dentro do bar. Quanto mais passos dava pra atravessar a rua, mais via que conhecia aquele rosto.

Era seu pai. Heinrich Briegel.

Roland Briegel simplesmente ficou paralisado no meio da rua. O que diabos seu pai estava fazendo na Áustria, e o que estava fazendo justamente ali?

Um carro buzinou, mandando Briegel sair do meio da rua. Virou e começou a correr de volta pro hotel onde estavam Liesl e Alice. Viu que seu pai havia virado o rosto quando ouviu a buzina do lado de fora, mas torcia com todas as forças que seu pai não o tivesse visto. Roland Briegel começou a correr desesperadamente de volta pro hotel aos tropeços e desespero, e quando entrou no quarto estava pálido, como se tivesse visto um fantasma.

“C-coronel? O senhor está bem?”, perguntou Liesl, vendo a cara de susto de Briegel, “Aconteceu alguma coisa?”.

“Sim, eu estou bem”, disse Briegel, já mais calmo. Nessa hora Alice se aproximou também pra ver, “É que eu vi... O meu pai. Agora há pouco. Lá embaixo”, disse pausadamente.

“Heinrich Briegel?”, disse Alice, que obviamente não conseguia chamar o pai do seu pai de avô, “Tem certeza, papai? O que ele está fazendo aqui?”.

“Eu não sei, Alice. Mas consegui a localização daquele endereço. Uma senhora, antiga líder comunitária antes da Anschluss me fez esse mapinha aqui”, mostrou Briegel, tirando do bolso. Alice ficou abismada, pois era surpreendentemente detalhado, “Mas acho que meu pai não me viu. Eu acho que vou descansar um pouco. Liesl, você pode ir buscar algo pra gente comer?”.

“Claro! Pode deixar. Fica aqui, coronel, você não parece muito bem mesmo”, disse Liesl.

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01h10

Liesl e Alice dormiram no mesmo quarto, pra economizar. Já era tarde da noite e Liesl estava acordada. Não conseguia dormir. Sentada numa mesa de canto com uma vela acesa na pequena sala do hotel estava escrevendo em seu diário pessoal.

“Liesl?”, disse Alice, ao chegar na sala e tomar um susto em ver Liesl lá, “Está sem sono?”.

“Ah, Alice! Sim, eu estou sim. Muitas coisas na cabeça, me desculpe. Espero não ter te acordado”, disse Liesl.

“Acordado? Você foi treinada pelo meu pai! Você é capaz de matar todo mundo aqui e ninguém saber de nada”, disse Alice, de roupão, se aproximando de Liesl e puxando uma cadeira pra se sentar na frente dela, “Quer conversar?”.

Liesl olhou pra Alice e ficou corada. Reparou que seu diário estava aberto, e rapidamente o fechou. Alice viu aquilo, mas respeitou a privacidade da menina. Liesl tomou ar e soltou, lentamente, como se estivesse prestes a se livrar de um grande peso que carregava.

“Alice, eu te amo, como se você fosse uma irmã mesmo pra mim. Agradeço imensamente tudo o que você tem feito por mim, desde Guernica, do fundo do meu coração. Mas o que quero te contar agora eu queria que você mantivesse como um segredo. E que não contasse pra absolutamente ninguém! Será que posso confiar em ti?”, perguntou Liesl. Seu rosto ainda continuava vermelho e seus olhos estavam começando a lacrimejar. Alice tomou um susto, pois a coisa realmente parecia ser bem séria.

Mas Alice fez o melhor gesto de compaixão que poderia fazer. Passou a mão no rosto de Liesl, confortando-a e depois segurou sua mão com muito carinho. Não havia uma única palavra. Aquele gesto era mais que do que Liesl precisava para confiar nela.

Calmamente Alice balançou a cabeça positivamente. E Liesl então começou a falar:

“Eu amo o coronel Briegel. Eu estou completamente apaixonada por ele!”, disse Liesl. Alice na hora arregalou os olhos de susto, pois de todas as coisas que ela cogitaria, isso era a coisa mais inesperada que poderia ouvir justo de Liesl.

“O quê? Meu pai?”, perguntou Alice, tentando entender. Liesl, em lágrimas, apenas confirmava a cabeça, “Liesl, olha a diferença de idade de vocês, querida. Acha mesmo que meu pai, que não tem tempo nem pra assoar o nariz, iria se interessar por um relacionamento? Tem certeza mesmo?”, Alice tentava entender o que estava se passando, mas os olhos de Liesl em lágrimas refletiam a luz da vela que estava posta sobre a mesa.

“Eu não ligo, Alice. Eu tentei de todas as formas fugir desse sentimento. Eu sei que é ridículo, eu sou uma adolescente, e ele já é um homem e muito mais velho que eu! Mas isso há tempos por mais que tenho tentado lutar contra cada vez é maior dentro de mim!”, confessou Liesl.

“Liesl, você tem que buscar alguém da sua idade, menina!”, disse Alice, tentando explicar com carinho pra Liesl, “Eu entendo, meu pai é bonitão, parece um galã de cinema, mas se você estiver se ilud-“.

“Eu queria que fosse uma ilusão, Alice”, disse Liesl, interrompendo Alice, olhando nos olhos de sua amiga Alice, com um misto de dor e pena de si mesma, “Queria mesmo. Pois isso tudo é tão ruim, sabe? Nutrir algo por alguém assim, que sei que é alguém impossível pra mim!”, nessa hora Liesl fechou os olhos, como se buscasse uma forma de colocar em palavras aquilo que ela sentia por aquele homem: “Quando fecho meus olhos, eu o vejo dentro deles. Fico procurando por ele quando ele não está perto de mim”, nessa hora ela colocou os dedos nos seus lábios, com os olhos fechados, como se os estivesse acariciando, “E em meus lábios sinto o desejo que tenho por ele. E quando abro os olhos...”, nessa hora Liesl abriu os olhos, “Vejo como a realidade é cruel, pois não quero apenas sonhar com ele. Quero olhar nos olhos dele, ganhar os seus abraços. Mas aí vem o desespero em que me vejo, onde me troco diversas vezes com ele, só pra ver se o encontro”.

Liesl abriu os olhos, e viu Alice em lágrimas na sua frente.

“Não, chega, Liesl!”, disse Alice, chorando, abraçando sua amiga, “Não, não, não! Eu estava errada! Isso que você sente pelo meu pai é a coisa mais sincera e real do mundo! É lindo ver as coisas lindas que uma pessoa diz quando está apaixonada de verdade. É lindo mesmo!”.

Liesl nesse momento nos braços de Alice começou a chorar também. O melhor lugar do mundo naquele momento era dentro daquele abraço.

“Obrigada! Obrigada mesmo, Alice, por acreditar e aceitar!”, disse Liesl, em lágrimas.

“Não havia pessoa melhor pra estar do lado dele do que você. Pode deixar que comigo seu segredo está guardado. Obrigada por confiar em mim!”, disse Alice, extremamente feliz. Também transbordando uma felicidade que nem ela sabia que poderia guardar.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Amber #37 - Tédio

1 de setembro de 1939
15h42


“Vai tranquilo, coronel. Deixa comigo que eu cuido das coisas aqui”, disse Schultz, “Acho que é melhor pegar um trem. Tá meio perigoso as coisas por aí”.

Briegel havia colocado de colocar uma leve bagagem no carro que os levariam para a estação.

“Sim, a Áustria tá mais tranquila, a coisa tá pegando fogo mesmo lá pros lados da Polônia. Vou lá investigar a tal Ursel Meyer. Tem certeza mesmo de que não quer vir conosco?”, perguntou Briegel.

“Não, valeu! Quero ir não, tenho certeza sim. Vamos tentar ver algum jeito de tirar o Heydrich da SD. Se pudéssemos colocar ele em outra pasta do governo seria melhor. Deixa comigo que sei me virar, coronel”, disse Schultz, que depois virou seu olhar pra Alice e Liesl, “Vai levar as meninas?”.

Briegel olhou pro carro. Liesl e Alice já estavam lá, aguardando.

“Sim. Liesl pode me ajudar a proteger a Alice. As duas são bem amigas, assim posso ficar mais tranquilo e investigar melhor. Já tenho o endereço da Ursel Meyer. Resta saber se ela é uma aliada do Reich ou se ela está do nosso lado”, disse Briegel.

“Muito bem então! Boa viagem, coronel!”, disse Schultz, apertando a mão de Briegel, “Por favor, cuide de si mesmo e das meninas”.

“Você também meu amigo. Espero que não demore muito pra apertar novamente sua mão. Logo logo estarei de volta!”, disse Briegel. Os dois se abraçaram e Briegel foi pro carro, em direção da estação, pra pegar o próximo trem para Viena, na Áustria.

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3 de setembro de 1939
21h12


Schultz havia ficado até tarde no trabalho. Com essa mudança toda da SD estar como uma das pastas da RSHA estava deixando o próprio Schultz com muito mais trabalho burocrático de papelada do que propriamente colocando a mão na massa como ele gostaria. E a ida do seu amigo Briegel para a Áustria só aumentava o tédio. Poucos dias haviam se passado, mas aquilo era tão parado que era como se meses de trabalho entediante tivessem passado.

A noite não estava muito fria. Apenas um vento meio gelado que aparecia de vez em quando. Schultz estava com uma garrafa de cerveja, bebendo no gargalo. Era o jeito de afastar o tédio, pelo menos naquele momento. Ao se aproximar da entrada do seu pequeno apartamento viu que havia alguém sentado nos degraus da entrada. Não dava pra distinguir direito, era uma pessoa vestindo trajes militares e um desses bonés quadrados do exército. Sentado no degrau com os braços cruzados, olhando o movimento da rua.

Schultz mal poderia imaginar que ali seria o começo do fim do seu tédio.

“Com licença!”, disse Schultz, entre os arrotos por conta da cerveja, enquanto subia as escadas ao lado da pessoa, “E boa noite”.

A pessoa se levantou ao ver Schultz passando por ela. Parecia que enfim havia achado a pessoa que parecia estar aguardando.

“Não acredito, enfim encontrei o senhor!”, disse a pessoa sentada na escada. Claramente era uma voz feminina, falava alemão com um sotaque muito estranho, “O senhor é realmente alguém difícil de encontrar, senhor Schultz!”.

A pessoa tirou o boné militar, e um longo cabelo preto e extremamente liso caiu. Seus olhos eram puxados e ela tinha lábios bem carnudos, mas nenhum tipo de maquiagem ou coisa do gênero. Parecia meio suja e até tinha um cheiro meio estranho, mas esboçou um sorriso contido ao ver Schultz.

“Que sotaque estranho. Você é asiática?”, perguntou Schultz, ao virar-se pra vê-la. Era óbvio, pois ela tinha traços completamente asiáticos.

“Sim, me desculpe, tive poucas semanas pra aprender a falar alemão desde que cheguei aqui, sinto muito pelo sotaque”, se desculpou a donzela, curvando o tronco fazendo uma reverência, “Meu nome é Ri. Ri Eunmi. Sou da Coréia, e vim pra cá por indicação de alguém que me mandou buscar o senhor. Somente o senhor pode me ajudar, por favor, eu imploro!”, disse Eunmi, fazendo novamente uma reverência, baixando a cabeça.

“Me indicaram? Puxa, tô com fama até daqueles lados? Mas que país é esse? Coréia? Isso não é parte do Japão?”, perguntou Schultz.

Eunmi do nada mudou o rosto. Sentiu-se profundamente ofendida ao ouvir isso.

“Não, senhor Schultz! A Coréia é um país livre, temos língua, cultura e costumes próprios! Não somos parte do Império Japonês. Fomos dominados por aqueles covardes, que estão escravizando e estuprando meu povo!”, disse Eunmi.

De fato, já desde o final da dinastia Joseon, em 1910, o Japão dominava a península coreana completamente, como parte do seu império. E cada vez mais esse domínio japonês significava escravizar o povo coreano, cometendo inclusive estupros coletivos contra suas mulheres.

“Tá, bom, escuta, tá meio frio, quer subir não? Só não repara na bagunça, aí você vai poder me contar com mais calma”, disse Schultz, subindo as escadas e indo até a porta do seu apartamento, “Não sei no que exatamente posso te ajudar, mas se você quer que eu liberte seu país, eu sinto muito, mas você veio ao lugar errado”.

Eunmi seguiu subindo as escadas, logo atrás de Schultz. Enquanto Schultz falava ele abriu a porta, estendo a mão pedindo pra ela entrar. Mas Eunmi não entrou, ficou parada, fitando Schultz.

“Não, senhor Schultz. Não quero que o senhor liberte o meu país. O que eu quero é vingança”, disse Eunmi, parada na frente da porta, sem entrar, mesmo depois de Schultz abrir e pedir pra ela entrar.

Aquele gesto de não entrar foi algo bem significativo pra Schultz. Ele pensava sinceramente que poderia enrolar e levar aquela menina suja e fedida pra cama. Mas quando viu sua franca determinação, Schultz viu que aquela jovem não seria mais uma aventura sexual pra listinha. Era alguém bem decidida e séria.

“Tá bem então, bom, então vou entrar!”, disse Schultz, entrando e colocando seu casaco no gancho atrás da porta, “Vem, entra aí. Me conta mais sobre. Vingança sobre o quê?”

Nessa hora Eunmi entrou, mas ainda estava com o semblante sério. Schultz foi até a cozinha abrir a geladeira buscando algo pra comer enquanto ouvia Eunmi.

“Quero matar um oficial do exército japonês”, disse Eunmi, sendo bem direta, “Ele matou meu noivo. Quero me vingar daquele canalha!”.

“Entendi. Tem o nome dele? Eles são todos bem parecidos daquele lado, não?”, disse Schultz, fazendo uma brincadeira meio desagradável.

“Óbvio que tenho o nome dele. E eles não são parecidos! Capitão Miura. Hanjirou Miura. Ele está em Seul, sei onde encontra-lo”, disse Eunmi.

“Seul?”, perguntou Schultz sem saber onde era essa cidade.

“Talvez o senhor conheça pelo nome de ‘Keijou’”, disse Eunmi, falando o nome que Seul ganhou desde que foi tomada pelo exército nipônico, “Por favor, senhor Schultz, somente o senhor pode me ajudar!”.

Eunmi novamente baixou sua cabeça, pedindo ajuda de Schultz. Aquele gesto era bem estranho pra Schultz, mas mesmo sem fazer parte da sua cultura ele conseguia perceber que aquilo era no mínimo um gesto de grande sinceridade. A garota não apenas estava vestida como militar, mas mostrava ser alguém disposta a qualquer coisa pra poder fazer o que deseja. E ajuda-la era melhor que ficar encarando uma papelada o dia inteiro com pendências de Heydrich.

“Você disse que uma pessoa que te mandou vir atrás de mim. Quem era?”, perguntou Schultz, lembrando do início da conversa.

“Era um homem, alto, loiro, meio velho. Há algumas semanas ele me deu o seu endereço e tudo mais. Não lembro o nome dele...”, disse Eunmi, como se pausasse pra buscar na memória, “Na verdade eu nem perguntei o nome dele. Imagina quem seja?”.

“Homem alto e loiro? Bom, estamos na Alemanha. Aqui o que mais tem são tipos assim”, disse Schultz.

“Não de onde eu venho. Com certeza todos iriam reparar se um tipo desses andasse nas ruas”, disse Eunmi.

“Tá certo então, como é mesmo seu nome?”, perguntou novamente Schultz pra Eunmi.

“Ri Eunmi”, disse Eunmi.

“Nossa, vou ficar um mês pra conseguir falar esse nome. Muito bem então, eu irei te ajudar!”, disse Schultz, e nessa hora Eunmi enfim deu um sorriso de alegria, “Mas você vai ter que esperar um pouco. Pelo menos algumas semanas. Eu ando meio ocupado! Coisas burocráticas. E uma viagem dessas tomaria muito tempo. Sem contar que é longe pra dedéu”.

Nessa hora Eunmi sentiu como se fosse do céu pro inferno.

“Não! Temos que ir agora, por favor! Eu não sei por quanto tempo Miura vai ficar em Seul! Por favor, senhor Schultz! O senhor é minha última esperança!”, implorou Eunmi, quase gritando.

Schultz tomou um susto com a reação da garota. Realmente ela não havia gostado muito da resposta. E pelo ardor do pedido dela, com certeza ela não sairia de lá com uma resposta negativa. Era ir, ou ir.

“Tá, então só alguns dias! Não é uma coisa que dê pra eu fazer assim, de um dia pro outro, além disso...”, disse Schultz, e nessa hora uma granada com um gás amarelado foi lançada, quebrando o vidro do seu apartamento e lançando veneno por todo o cômodo. Schultz ao ver aquilo só teve tempo de gritar:

“CARALHO!! Que porra é essa?! Corre daqui, vamos!!”.

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