segunda-feira, 8 de maio de 2017

Amber #50 - Impotência revoltante.

Os gritos de Eunmi eram de profunda dor e pânico. Schultz virava o rosto pro lado e sentia calafrios, como se aqueles gritos destruíssem seu coração pela dó que sentia pelo sofrimento da nova amiga que não tinha nenhum treinamento formal em nada.

Era apenas uma jovem donzela na mão de ocidentais doentes.

“Merda! Saldaña, não é? Solta a menina, ela não tem nada a ver com isso!”, gritou Schultz, e perdendo o pouco de ar que ainda tinha.

Nessa hora Saldaña tirou a toalha encharcada do rosto de Schultz. Os gritos de Eunmi pareciam ainda mais nítidos. Eram tão altos que pareciam estar envoltos de desespero, de lágrimas, pois era possível ouvir um grito meio com soluço, mostrando que algo horrível estiva acontecendo da porta pra lá.

“Quer saber de uma coisa, você parece agora muito mais disposto a colaborar com o que quero saber”, nessa hora Saldaña abriu a porta. Os gritos de Eunmi ecoavam ainda mais altos, vindos do corredor. E Schultz apenas se sentia mais e mais culpado por ter trazido a pobre menina até aquele inferno. Saldaña encostou-se no batente da porta, olhando para fora, como se estivesse querendo ouvir uma versão melhor dos gritos da pobre Eunmi.

Nessa hora Saldaña apalpou seu próprio pinto, como se estivesse ficando excitado com aqueles gritos horrendos.

“Poxa, deve estar rolando uma festinha muito boa lá. Nem pra me chamarem pra dar uma aliviada”, disse Saldaña, tirando a mão de dentro das calças.

Nessa hora Schultz viu que talvez era o pior tipo de tortura que uma mulher poderia sofrer. Aqueles gritos eram de Eunmi sendo estuprada.

“SEU IDIOTA!! EU VOU TE MATAR, AHHHHHH!”, gritou Schultz se contorcendo, como se tentasse se libertar das amarras. Os gritos de Eunmi pareciam cada vez mais expressar o imenso pânico que a menina estava sofrendo por estar sendo abusada naquele momento, sem Schultz poder fazer nada para defende-la. Schultz entre os movimentos para tentar sair gritava mais e mais alto, como se estivesse sendo consumido por um ódio mortal sem poder fazer nada.

“Schultz?!”, ouviu Schultz. Era a voz de Eunmi, num grito abafado pelas paredes, que ela soltou depois de conseguir ouvir a voz do alemão.

Saldaña, da porta apenas observava as tentativas frustradas de Schultz tentando se soltar daquele aparelho de tortura.

Schultz ainda se debruçava e gritava, em seus olhos caíam lágrimas e mais lágrimas, e era possível ouvir horrendos gritos de prazer de homens, como se houvessem enfim consumado o ato brutal na pobre coreana. Urros de prazer que machucavam os ouvidos de Schultz, como uma sinfonia macabra que revirava seu estômago. Eunmi entre os gritos de pânico e dor soltava um apelo ao amigo alemão, e Schultz continuava a gritar seu nome, desesperado por estar vendo a menina passando por aquilo sem poder fazer nada.

Schultz não era mais ele mesmo. Era uma besta furiosa que voaria no pescoço de Saldaña no momento em que conseguisse se soltar. Mas as amarras estavam muito bem atadas, por mais que ele fizesse força, nada afrouxava, nada soltava. Se mexia, se contorcia, repetia movimentos e usava toda sua força. Os gritos e os movimentos consumiam toda sua força enquanto ouvia a sinfonia tenebrosa de gritos vindos do corredor.

Suas forças estavam se esvaindo, e quando virou pro lado viu que Saldaña não estava mais no pé da porta encostado. Ele havia saído de lá. Sequer alguns segundos haviam se passado quando Schultz, exausto de tanto gritar e tentar sair de lá, percebeu que o americano não estava lá. Ouviu então um barulho de uma porta de fechando no corredor, e os gritos de Eunmi ficaram impossíveis de se ouvir. Momentos depois Saldaña voltou pra onde Schultz estava.

“Ela disse que estão atrás de um tal de Miura. Que curioso, eu também estou atrás desse japonês”, disse Saldaña ao entrar de volta na sala, “Menina ingênua mesmo. Ela pensou que não iam fazer nada com ela se ela contasse, acredita? Sabe, eles iriam estuprar ela, soltando as informações ou não. Esses asiáticos caem em cada mentira que a gente conta, viu... Não sabem como funciona o mundo do lado de lá”.

Nessa hora Schultz encarou Saldaña com muita raiva e nojo. Depois de ficar exausto, era talvez a única maneira que havia encontrado pra expressar sua fúria. Aqueles americanos enganaram a menina, a estuprando do mesmo jeito, independente se ela falasse algo ou não.

“Você é um lixo. Um lixo de ser humano, seu maníaco!”, disse Schultz, sentindo um nojo imenso de estar encarando aquele homem.

Saldaña então soltou as fivelas das amarras que estavam em Schultz. O alemão estava praticamente sem forças, se ergueu então pra se sentar naquela tábua inclinada e molhada, por mais complicado que fosse. Saldaña puxou uma cadeira, se sentando com o encosto na frente, na defensiva. Com umas fotografias na mão começou a organiza-las na frente de Schultz.

Foi aí que Schultz, ainda arfando, completamente exausto depois da sessão de tortura e de ouvir os gritos de Eunmi fechou o punho e desferiu um soco no rosto de Saldaña. Porém Saldaña sem maiores dificuldades segurou o punho de Schultz com sua mão, parando o soco antes mesmo de acertar o alvo.

“É só isso que você tem pra me mostrar?”, disse Saldaña. Schultz estava exausto, sequer tinha forças pra desferir um soco real. Não apenas seu corpo estava ainda se recuperando das dores imensas causadas pela tortura, como seu coração estava a mil por ouvir a amiga sendo estuprada sem poder fazer nada, “Corta essa, senta aí, já era, vida continua. Menina foi estuprada, mas tá viva, daqui a pouco ela esquece essa merda”, ordenou Saldaña, com uma frieza sem noção. Schultz caiu pesadamente em cima da tábua de tortura, ainda tentando tomar ar.

Saldaña mostrou as fotos. Nessa hora Schultz, que estava completamente sem forças, ficou abismado com o que viu. Ele reconhecia muito bem o que estava naquelas fotos.

“Desculpe a qualidade dessas fotos, eu sei que são péssimas, embaçadas. Mas foram últimas fotos de uns fotógrafos de guerra chineses. Acho que talvez um deles tenha sobrevivido, esse é o nome dele”, Saldaña mostrou o verso de uma das fotos. Eram caracteres chineses, nenhum deles tinha ideia de como se ler, “Tem alguma noção de quem eles sejam?”.

Quatro fotos. Em duas delas estavam aquele ser que Briegel descreveu, que lutou contra ele e Sundermann em Guernica. Na outra foto era o ser com a armadura de prata, destroçando um pelotão inteiro, que ele e Schultz haviam lutado contra. E nas duas últimas fotos eram bem distantes, mas era possível ver um turbilhão de fogo e algo sendo impulsionado pelo mesmo. Era o ser que cuspia fogo pelos braços que Schultz encarou também em Guernica.

“Eles simplesmente destroçaram pelotões inteiros de chineses sozinhos. Quase ninguém sobreviveu pra contar a estória”, disse Saldaña.

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