terça-feira, 27 de junho de 2017

Mulher Maravilha (2017)


Semana passada fui ao cinema assistir o tão aguardado Mulher Maravilha! :) Peguei um resfriado chato porque tinha um moleque atrás de mim espirrando e espalhando vírus para os quatro pontos cardeais, mas tirando isso o filme foi excelente!

O filme conta a história de Diana, princesa de Themiscyra, uma ilha isolada no meio do oceano que é guardada pela magia dos deuses do Olimpo, pois nessa ilha habitam as guerreiras que são o elo entre humanos e deuses, as amazonas. Criada do barro, e traga à vida por Zeus, Diana vive uma vida tranquila, isolada na ilha, até que o destino a traz um espião americano, Steve Trevor, que acidentalmente cai na ilha fugindo dos alemães na Primeira Guerra. Sabendo que existe um mundo além daquele mar, Diana resolve se armar com as armas divinas da ilha e ir para o fronte da Primeira Guerra Mundial, parar a guerra e salvar o mundo.

Eu gostei do humor
A reclamação de muita gente depois de assistir Batman v. Superman - A origem da justiça era que o filme era sério demais. É perfeitamente plausível, pois ao contrário da DC, a Marvel quase nunca saía dos quadrinhos (tirando X-Men ou Homem-aranha no máximo que teve animações), e tem muita gente que tem muito preconceito da DC pelo seu público inicial ter sido o infantil, com suas conhecidas associações com os estúdios Hanna-Barbera. Eu conheço gente que, além de detestar a DC, acha que por exemplo os Super-gêmeos fazem parte da Liga da Justiça, desmerecendo uma trupe clássica de heróis por uma adaptação infantil mal-feita.

Eu prefiro mil vezes a seriedade do Batman v Superman, e morri de medo quando via piadinhas no meio dos trailers. Tava com medo de ficar como os filmes cômicos do Homem de Ferro, que embora muita gente goste, simplesmente perdeu totalmente o aspecto melancólico e inseguro do real Tony Stark dos quadrinhos (talvez eles conseguiram reverter um pouco no Homem de Ferro 3, mas voltou a cagar no Guerra Civil com ele querendo comer a tia May, que até eu queria comer).


Mas não ficou muito não. A Etta Candy (Lucy Davis) obviamente é muitas vezes a que mais faz a gente rir, mas ela fez a adaptação perfeita da personagem original dos quadrinhos, que é a melhor amiga gordinha da Diana Prince! Muitas piadinhas vem do Steve Trevor também e algumas raras vindas da Diana, mas não prejudica muito não. Quando tem que ser sério é sério, e não é o humor forçado do Tony Stark e cia. Mas como disse acima o medo era as piadas ficarem fora de controle e transformar o filme em uma comédia, e tomando em consideração o passado da DC com animações infantis, cagar a imagem dos filmes atuais. Mas não. Ficaram poucas e boas, bem colocadas.

Eu gostei porque foi dirigido por uma mulher
Eu não sei se uma mulher havia dirigido antes um filme de superheróis. E a DC acertou em cheio ao chamar a Patty Jenkins para dirigir o filme. Jenkins conseguiu manter o filme e os personagens na sua essência, e adicionou alguns pequenos detalhes, um toque feminino em cenas com tamanha profundidade que eu duvido que um diretor homem conseguiria fazer. Se você for assistir, repare nos detalhes.


Muita gente comentou que no filme a Diana é bem independente, que não tem homem que manda nela e blábláblá (é igual aquela "ilusão de feminismo" do Star Wars 7 com a Rey dizendo "não pega na minha mão!"), mas o que eu mais achei bacana foi como foi colocado o romance dela com o Steve Trevor. Como a relação evolui e, acima de tudo, a questão da troca de olhares (abaixo).


Ok, o facto da Gadot ser uma ótima atriz ajudou, mas se o diretor não permite uma cenas dessas, jamais rolaria. A cena da primeira vez que ela e o Trevor fazem amor é de uma delicadeza e romantismo imensa, e quase não tem diálogos. É algo que a gente não imagina ver em filmes de heróis, talvez o mais perto que a DC chegou foi naquela cena do começo do Batman v Superman que o Clark come a Lois na banheira. Eu duvido que um diretor conseguiria fazer cenas assim com tamanha profundidade. Patty Jenkins fez algo notável, e isso porque só estou citando uma das cenas. Existem várias outras menores e igualmente memoráveis.

Eu não gostei do timing
Isso é meio difícil de falar sem dar spoilers, mas vou tentar mesmo assim. Acho que timing em filme, assim como na comédia, é essencial. As coisas devem acontecer no ritmo certo e ir evoluindo, até o clímax e desfecho finais. E parece que os filmes da DC todos estão indo nesse sentido, e o que era sensacional no começo na época do Homem de Aço, Batman v Superman e até no Esquadrão Suicida, hoje tá meio batido e meio... Previsível.


Pra não dar spoilers sobre a Mulher Maravilha, vou dar exemplo o que acontece no Batman v Superman. O filme inteiro você fica no aguardo da batalha entre Clark Kent versus Bruce Wayne, e a batalha acontece (e ao contrário do que muita gente pensou, eu achei incrível), mas aí quando a batalha termina... Pum! O vilão era outro, era o Apocalypse (da DC, no caso).


A estrutura do filme da Mulher Maravilha é extremamente parecida. Você fica o filme inteiro achando que o vilão é uma pessoa e no final parece aqueles filmes do Scooby Doo. Mas o problema da Mulher Maravilha ainda é pior: o filme chega em uma "calmaria" depois da morte do "vilão-que-todo-mundo-achava-que-era-o-principal" e aí o vilão verdadeiro aparece sem dar nenhuma pista antes que era aquela pessoa, e isso é algo que sobe várias interrogações na cabeça, pois o filme fazia sentido terminar naquela parte. Acho que isso tá meio passado e repetitivo, espero que a Warner arrume isso e sejam mais criativos. A mesma fórmula fica chata se repetirem dez vezes em todos os filmes.

Eu gostei da Gal Gadot
Eu brinco que o mundo nunca antes foi tão democrático e receptivo. Temos um Superman interpretado por um britânico, uma Lois Lane ruiva (se bem que eu sou apaixonado pela Amy Adams), e uma Mulher Maravilha judia, israelense e tudo. Ok, tudo bem que as donzelas israelenses são bem conhecidas por sua beleza inegável e a Gadot não é diferente. No filme ela está impecável.



E ela tem esse corpaço e tem duas filhas, já! Essa entrevista no Jimmy Kimmel foi uma das que eu mais dei risada. Pra quem não entende inglês: Gadot conta que estava levando sua filha no parquinho para brincar, e a filha dela ao fazer amizade com as outras crianças diz: "Minha mãe é a Mulher Maravilha!", e as mães ouvem e ficam olhando pra Gadot, sem os trajes da heroína e ela responde: "Toda mãe é uma Mulher Maravilha", hahaha. Como não amar?

Eu não gostei da dublagem
No cinema que eu fui, no Shopping Mais Largo Treze, só havia cópias dubladas e o pior: em 3D. Estamos em 2017 e os cinemas continuam com essa merda que só dá dor de cabeça e conjuntivite nos óculos mais sujos que tudo. Mas nada me deixou mais frustrado que a escolha da dubladora da Gadot: Flávia Saddy.



Eu acho que nunca cagaram tanto. Flávia Saddy tem uma voz muito aguda, muito de menininha, muito de Mia Colucci do Rebelde ou Lisa Simpson. A Gal tem uma voz mais grave, mais de mulherão, não de adolescente. A dubladora original do desenho, Priscila Amorim, acho que estaria mais que perfeita, mesmo se fosse a Gadot. Infelizmente as dublagens brasileiras tão sempre com as mesmas vozes fazendo tudo, e tá ficando ridículo sem dar chances pros novos atores. Praticamente 80% das dublagens brasileiras tem a Flávia Saddy e o Alexandre Moreno (ou em muitos casos, ambos!). Acho que todo mundo que prestigia e gosta dos dubladores brasileiros também tá cansado de sempre as mesmas vozes. Chega, né? Tá muito saturado!

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