sábado, 12 de agosto de 2017

Aquela que era um palito de fósforo, pronta para ignição.

Acho que vou ter muitas histórias para contar para meus filhos. Pois a vida é assim, a gente vai acertando fora do gol muitas vezes, para que uma vez enfim acertamos e conhecemos aquela que será a mãe dos nossos filhos.

Essa história aconteceu há pouco tempo.

Nós éramos amigos. Ela era aquela clássica tomboy que eu não vou mentir, sempre tive quedas por garotas assim. Meninas sem frescura, sem cor-de-rosa, sem muita delicadeza. Mas ela desde que conheci era casada, então obviamente eu nunca fiz nada. Exceto, é claro, pura amizade.

De súbito ela começou a frequentar os lugares que eu frequentava, e diversas vezes acaba me surpreendendo com ela nesses locais. Porém eu nunca tive nada por ela exceto amizade, e ela havia meses antes declarado todo o amor que sentia pelo marido. Mas havia algo de diferente. Ela parecia mais solícita, mais amigável, até mais que de costume.

Uma vez ela até me pediu uma massagem! E na hora que eu estava fazendo nos ombros dela, que estavam muito tensos, eu brinquei: "Se o seu esposo ver isso com certeza ele não vai gostar", e ela respondeu "Não estou mais casada, fica tranquila quanto a isso". Eu lembro que ela me olhou com um sorrisinho até meio malicioso, mas eu ainda estava meio descrente se poderia rolar algo entre a gente. Afinal, eu já havia tentado algo com outras duas irmãs dela. Não deu em nada, mas ainda assim eu tentei sair da amizade e tentar algo a mais.

Eu lembro que no outro dia ela foi a esse lugar que frequento. Sentou-se do meu lado e estava completamente diferente daquela garota que eu só via como amiga. Me olhava nos olhos com um olhar estupidamente fatal, mexia o cabelo diversas vezes, tocava no meu braço, e muitas vezes puxava assunto, se aproximava de mim, sussurrava coisas, enfim.

Na minha mente? Aquilo era bom demais pra ser verdade. Eu nem ia saber o que fazer com uma menina bonita daquelas! Mesmo entre as irmãs ela era de longe a mais bonita, e olhas que as irmãs não eram nem um pouco feias, eram todas extremamente acima da média. E ela estava lá, do meu lado, solteira e dando todos os sinais do universo de que estava afim.

Era algo tão inacreditável que eu precisava jogar esse jogo e ver no que ia dar.

Todas as outras vezes que nos encontrávamos era a mesma coisa. Ela sempre fazia questão de me cumprimentar com um abraço super apertado. Mesmo com muita gente ao redor ela sempre ficava do meu lado conversando. Trocas de olhares, mexidas no cabelo. Tinha vezes até que ela pegava na minha mão e agarrava o meu braço! Aquilo era surreal! Eu tinha que fazer alguma coisa! Ela poderia ser a mulher que eu estava procurando esse tempo todo!

Fomos numa festa, e naquele clima de descontração era incrível como ela sempre olhava pra mim, mesmo de longe. Se aproximava, tomava a iniciativa várias vezes. Uma hora fui ajudar ela a colocar umas coisas no carro e ficamos sozinhos. Éramos com dois palitos de fósforo, prontos para pegar fogo ao se esfregarem. Nos abraçamos, coloquei a mão na cintura dela, ficamos em silêncio, aproximamos nossas cabeças e...

Nada. Ela meio que delicadamente saiu pelo lado dando umas risadinhas, e eu também fui atrás, completamente de boa.
(sim, é verdade! Juro por deus! Não rolou nada, infelizmente)

Não sei se as irmãs não gostaram da nossa aproximação, e eu sabia que a mais velha sempre fazia questão de sempre acabar com minha graça. Até hoje eu tenho certeza que ela gosta de mim, mas por diversos motivos nunca aconteceu nada entre a gente. Era o que ela fez inúmeras vezes com qualquer garota que eu tinha um relacionamento ou interesse. Me sabotava. E claro que ela faria de tudo pra impedir a irmã - mesmo que ela estivesse dando todos os sinais do universo de que estava interessada em mim.

Nesse dia eu pedi uma carona pra me deixar em alguma estação de metrô próxima. E vi que ela fez de tudo para que eu não entrasse no carro da irmã. Porque sim, iria acontecer algo se ficássemos sozinhos naquele carro com certeza. Os dois estavam com muita vontade, você só estaria criando a possibilidade nos deixando a sós. No final ela fez de tudo para que a mãe fosse com a que eu estava afim, e que eu fosse com a outra irmã, que eu não me dou exatamente bem.

Mas uma coisa que aprendi é que é um saco ficar pressionando as garotas. E francamente quanto mais o tempo vai passando, menos paciência eu tenho pra mulheres. Antes eu me apaixonava, corria atrás, tentava agradar de todas as maneiras possíveis, mas hora em dia eu não tenho mais saco pra ficar perdendo meu tempo. Se estiver afim, vai acontecer. Para ambos os lados.

Eu lembro que essa garota dessa estória a chamei pra sair depois dessa festa que quase nos beijamos. E muitas vezes pensava que se saíssemos seria o momento em que os fósforos sem dúvida entrariam em ignição. Ela não falou que não queria sair, e também não falou que queria também. Mas como eu disse acima, eu não gosto de ficar como um "grude" na garota. Acho que ganhei meio nervos de aço pra paquera.

O fim dessa estória aconteceu há algumas semanas. Em uma outra festa vi que ela já estava me tratando diferente. Não havia mais aquela troca de olhares, aquele charme que ela tinha, aquelas olhadas, contato, menos ainda mexidas no cabelo. Mas fiquei tranquilo, talvez realmente já tinha outro homem na parada. E tinha mesmo!

Eu lembro que num momento que cruzei o salão eu a vi com um amigo dela que eu conhecia. Ele estava abraçado por trás dela, tipo aquela pose que os namorados sempre fazem com a namorada na frente, como se a quisesse ao mesmo tempo proteger e dizer que ela era dele agora. Ele meio que me encarou e eu vi que embora eu e essa garota fôssemos como dois palitos prestes a atearmos fogo um no outro, existe um limiar entre o atrito que muitas vezes pode parecer minúsculo, mas que pode ter quilômetros metafóricos distante um do outro. E que se apesar de nós dois termos muita vontade de criar essa chama, infelizmente não conseguimos causar o atrito pra desencadear.

Eu sempre a via como uma pessoa realmente ética e sincera quanto a relacionamentos. Se durante aquele momento ela dava muito em cima de mim foi exatamente pelo fato dela estar solteira. E ela sempre soube impor limites e focar apenas na amizade enquanto estava num relacionamento. Seja com o antigo marido, como também com o atual namorado. Eu tenho certeza absoluta que ela deve ser um desses tipos de mulheres bem fiéis, pois foi apenas no momento que ela estava completamente solteira que ela se aproximou de mim dessa maneira. No mínimo é algo pra se admirar.

E essa é mais uma estória das muitas "quase" que aconteceram. :)

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