domingo, 31 de dezembro de 2017

No rain, can't get the rainbow.

Esses últimos dias foram bem chuvosos. Nessa noite até fez um friozinho, coisa difícil de se imaginar em pleno dezembro.

E mais um ano se foi. Desde 2014 parece que tenho a sensação de não conseguir evoluir como ser humano, onde todos os anos parecem passar, sem perspectiva do país melhorar, sem perspectiva de emprego, sem perspectiva de absolutamente nada. Já vão se fazer em março três anos que não consigo emprego, por exemplo.

Mas ao mesmo tempo não quero acreditar que isso tudo está vindo sem um motivo, sem um porquê. Quero crer que sim, existe algo muito bom guardado lá na frente, e esperar por esse "algo" é o que me faz querer acordar todos os dias. Porque realmente não é nada fácil.

Eu não gosto de desabafar. Não que eu não ouça os outros desabafando, mas eu pessoalmente não gosto de fazer isso com grande parte das pessoas. Dois problemas nascem disso: o primeiro é a carga enorme que a gente carrega nas costas, e que mesmo se você desabafe com alguém que confie, eventualmente essa pessoa pode te massacrar ainda mais, e você perder a confiança nela de forma irreversível. Foi isso que aconteceu comigo esse ano.

O segundo problema é oriundo do julgamento das pessoas, que têm uma crença de que "se você não está reclamando, é porque não está nem aí". E isso machuca o triplo!

Eu tenho meus mestres budistas e sei pela vida e história deles o quanto eles sofreram com esses julgamentos das pessoas. E muitas vezes embora cada pessoa aponte para um raio de lugar diferente, acho que ninguém mais do que eu sei dos meus problemas. E sei o que preciso fazer para melhorar. E só eu sei quanto é agonizante você ver passar mais um dia, mais uma semana, mais um mês, mais um ano sem emprego, sem dar um passo na vida para as imensas oportunidades, para um futuro de prosperidade que nunca parece chegar.

Desses trezentos e sessenta e cinco dias de 2017, se teve uns dez ou vinte dias que eu não tive vontade de no mínimo dar um tiro na minha cabeça, foi muito. Acho que isso resume bem a minha agonia diária, que muita gente de fora tenha a falsa impressão de que não estou nem aí para as dificuldades inconcebíveis que tenho passado em todos esses longos anos. A resposta é: o que sinto é tão horrível, que nem se eu usasse todas as palavras do mundo eu jamais conseguiria descrever essa dor dilacerante diária que me mata um pouquinho a cada dia.

Que essa chuva que cai hoje lave não apenas as dificuldades de 2017, mas de 2016, 2015, 2014, 2013... E que esse próximo ano seja bom não apenas pra mim, mas para todos nós juntos.

Para que as lembranças ruins sejam apenas lembranças ruins. E que num futuro próspero e cheio de fartura, possa olhar para as dificuldades de hoje e refletir que tudo isso que passo agora foi algo necessário, pois me tornará aquilo que tudo sonhei no futuro. Um bom emprego, uma boa esposa, uma filhinha linda, e um futuro brilhante pela frente.

E que essa chuva revele um belo arco-íris. Afinal, sem a chuva, não se consegue o arco-íris.

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