segunda-feira, 23 de julho de 2018

Três festas, um aniversário, três demissões e... Trinta anos!


Enfim trintei.

Faz tempo que não posto coisas pessoais, a verdade é que as coisas não andam exatamente muito propícias na minha vida, e é um exercício de gratidão constante pelo que eu ainda tenho, então mesmo vivendo no meio do furacão nos últimos anos, sei que é um exercício de amadurecimento à base de choque, hahaha.

Mas não quer dizer que não aconteçam coisas boas. Coisas boas assim são motivos para a gente agradecer de joelhos pela tonelada de compaixão que recebemos lá de cima.

Sábado (21) eu tive duas festas. Foi ótimo rever minha amiga Neusa e a filhinha, Rabiatu. A Rabi fez três anos, e ela nasceu no dia 21, um dia antes de mim! E a noite foi bom ter ido na Naiara e comido pizza com os parentes dela e mais um bolo!

Domingo vovó fez uma festa no dia do meu aniversário para comemorar o meu e dos meus dois primos (que também são netos dela, obviamente) que fazem em julho. Foi também algo memorável.

Meu pai ficou mal-humorado a semana inteira. Eu fiquei pensando que era por conta do meu aniversário (que ele nem deu os parabéns, só deu quando eu comentei com minha mãe que eu estava triste por ele nem ter dado a mínima), mas hoje vi que ele foi demitido. Terceira demissão de 2018.

Deve ser complicado. Alguém que trabalhou na mesma firma por mais de trinta anos, ser demitido dessa empresa em janeiro, ter arranjado outro emprego e ter sido demitido, e ter arranjado mais um e acumulado uma terceira demissão.

Tenso.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Amber #118 - 三浦大尉 (Miura Taijou).

Do outro lado o soldado japonês que havia sido baleado na perna estava tomado pelo pânico. Embora fosse um soldado grande e bem forte, ele não conseguia se erguer. O tiro de Eunmi havia acertado a sua perna, dificultando, mas não incapacitando que ele pudesse se erguer. Porém dentro do seu coração ele estava completamente tomado pelo desespero. O soldado nunca havia sido baleado antes, e somente a constatação de que havia levado um tiro o fazia sentir como se a morte fosse algo inevitável, mesmo que a mesma não tivesse acertado nenhuma região vital.

Droga, eu não posso morrer, vamos logo, levanta! Por que minha perna não me responde? Vai, vai, vai! Preciso fugir daqui, vamos!, pensou o soldado, que se talvez se acalmasse um pouco, até conseguiria se levantar e caminhar, mesmo que com dificuldade. Mas o pânico que se passava em sua mente por ter sido baleado simplesmente tornava impossível qualquer tentativa de se concentrar em se erguer.

Porém o soldado tinha o desejo de fugir. E começou então a se arrastar, deitado no chão mesmo, usando a força dos seus braços, enquanto seu coração batia a mil, e transpirava como se aquele esforço fosse uma força sobre-humana, dado seu estado de espírito.

“Mais calminha agora, coreana? Vem cá, eu te ajudo a se levantar”, disse Aomame estendendo a mão para ajudar Eunmi a se erguer.

A coreana ainda estava um pouco zonza, mas segurou a mão da japonesa que a ajudou a se erguer. Eunmi ficou em silêncio por todo aquele momento, sem responder à Aomame. Tinha o olhar meio distante, mostrando que ainda tentava se recuperar. A japonesa então olhou para trás do ombro da coreana, e vira que o soldado japonês baleado estava se arrastando pelo chão, tentando fugir. Aomame percebeu que Eunmi olhava para algo nas suas costas e se virou, encarando o pobre soldado japonês desesperado sem motivos por conta de um tiro na perna.

“Olha aquela lesma ali, coreana”, disse Aomame, apontando com a cabeça, “É o único que sobreviveu, acho que podemos fazer umas perguntinhas pra ele”.

“Deixa comigo, vou lá buscar ele”, disse Li, se oferecendo, “Pode me dar uma mão, Chen?”.

“Claro, vamos lá”, disse Chen, e ambos partiram para buscar o soldado japonês.

“Vem cá, Eunmi, senta aqui nessa pedra. Você precisa se recuperar desse turbilhão todo”, disse Chou, levando Eunmi até uma pedra.

“Ah, ela vai ficar bem. É jovem”, disse Tengo, acendendo um cigarro. Aomame sentiu o cheiro e tossiu, com desgosto, encarando seu parceiro.

“Já disse que eu odeio que fume perto de mim”, disse Aomame, incisiva. Tengo olhou pra cima, e deu uns passos para longe da japonesa.

“Sim senhora”, brincou Tengo, se afastando de todos para tragar seu cigarro.

Li e Chen chegaram com o japonês abatido e o jogou no chão, entre Eunmi e Aomame. Ele caiu de joelhos e ficou encarando todos ali com um olhar de raiva.

“Suas vadias, vocês vão todas morrer! Vocês não perdem por esperar! É isso que vocês merecem depois de toda essa merda que vocês causaram, mataram soldados, causaram um verdadeiro caos, suas malditas!!”, disse o japonês, em sua língua, mas apenas Aomame entendeu. O soldado parecia eufórico, falava tudo rapidamente, colando as palavras umas nas outras. Eunmi e as outras ficavam olhando pra ele tentando entender alguma coisa, sem sucesso.

“Qual seu nome?”, perguntou Aomame. Quando o soldado viu Aomame, e que ela falava japonês, tomou um susto.

“M-meu nome é S-Suzui”, disse o japonês, gaguejando. Os olhos de Aomame pareciam de um predador encarando seu almoço. Era algo altamente intimidador.

“Muito prazer, Suzui-san. Precisamos de mantimentos, onde estão?”.

Aquele olhar parecia hipnotizar o pobre soldado. Seu coração estava disparado, como se Aomame fosse uma cascavel estivesse prestes a dar o bote.

“Estão naquela direção, cruzando o vale. Estamos acampados ali”, disse Suzui, “Mas vocês não perdem por esperar, os outros soldados vão chegar a qualquer momento. Eles vão pegar vocês e...”

“Tudo bem. Obrigada!”, disse Aomame sacando sua pistola e apontando para a testa do japonês para o executar. Nesse momento o japonês ali de joelhos ficou ainda mais desesperado, e começou a falar gritando, pedindo misericórdia pela sua vida.

“NÃO, NÃO, POR FAVOR! Não atira, por favor!!”, implorava Suzui, e Eunmi, que sabia muito pouco de japonês entendeu que ele estava pedindo para poupar sua vida, “Eu posso ser útil, eu retiro tudo o que eu disse, me deixa ir com vocês!! Não me mata, eu não queria servir esse exército, todo mundo vive me xingando, me humilhando, eu não aguento mais!!"

“Espera, Aomame. Não acho que precisamos matar esse soldado aqui. Ele parece desesperado”, disse Eunmi, em chinês. O soldado japonês não entendeu, mas percebeu que Aomame voltou o olhar para Eunmi e depois para ele, e que isso havia lhe ganhado tempo de certa forma. Porém Aomame não tirou a arma da testa dele, o que o deixava ainda confuso sobre o que estava acontecendo.

Suzui então, corretamente, presumiu que a coreana estava tentando proteger sua vida.

“Isso, por favor, não sei o que ela falou, mas por favor, não me mata! Eu juro que posso ser útil! Posso conseguir todas as coisas do acampamento delas de volta, posso conseguir armas, posso conseguir soldados, posso conseguir tudo, mas por favor, não me mate!!”, implorava Suzui, em japonês para Aomame, praticamente sem respirar entre uma palavra e outra.

Porém sua expressão mudou de uma fraca esperança para um total desespero, quando Aomame destravou a pistola e firmou ainda mais a mão na pistola. Suzui sabia que iria morrer.

“NÃO, POR FAVOR, EU TE IMPLORO! NÃO ME MATA!!”, disse Suzui, mas ele mesmo percebeu que esses apelos não conseguiriam mudar a cabeça de Aomame. Vendo a injustiça que se fazia ali, o japonês começou a soltar palavras cheias de ódio, tomado pelo desespero: “Sua vaca!! Não ouse me matar!! Eu vou contar sobre você, todos vão vir buscar vocês, e vocês vão ser caçados e mortos!! Você traiu o imperador, sua vaca imunda!! Eu vou revelar quem são vocês, não perdem por esperar!! Vocês vão ver só, todos virão atrás da gente, o coronel Yamamoto, o Endo, o major Ishikawa, e até o Capitão Miura!!”.

Capitão Miura?, pensou Eunmi, arregalando os olhos quando ouviu o nome. Seu conhecimento do idioma japonês era bem raso, mas Eunmi se lembrava de como chamavam o homem que havia matado seu noivo. E também como se referiam a ele. No meio de todas aquelas palavras que ela mal conseguia compreender, uma expressão de destacou: "Miura Taijou". "Capitão Miura", em japonês.

“Não, espera! Não atira!”, disse Eunmi, afastando a arma de Aomame da testa. Ela agarrou Suzui pelo pescoço, olhando no mundo dos olhos do japonês, perguntando: “Miura Taijou? Miura Taijou? Foi isso o que você disse?”, disse Eunmi, falando um japonês bem capenga, e carregadíssimo de sotaque. Suzui confirmou com a cabeça, e Eunmi virou para Aomame: “Aomame, por favor, pergunta pra ele onde está o Capitão Miura!”.

“Hã? Porquê? Quem é esse ‘capitão Miura’, coreana?”, perguntou Aomame.

“Por favor!! Pergunte para ele onde está o Capitão Miura! Eu imploro!!”, disse Eunmi, e Suzui não entendia nada do que estava acontecendo. Aomame ficou encarando, tentando entender o que se passava ali. Ela nunca tinha ouvido falar de nenhum capitão chamado Miura, obviamente.

Tengo Kawase caminhou até a frente de Aomame, passando por trás de todas as pessoas, ainda fumando seu cigarro. A japonesa o viu atrás de todas as pessoas e o encarou. Tengo confirmou com a cabeça, gesticulando com os lábios um carinhoso: “Mame-chan...” para Aomame, no meio daqueles apelos de Eunmi e os gritos de desespero de Suzui implorando pela sua vida.

A japonesa fechou os olhos e disse, em japonês:

“Onde está o capitão Miura?”.

Suzui olhou para Eunmi e depois para Aomame. Aquela talvez seria sua chance de ser libertado!

“O capitão Miura? O capitão está em Dairen, a oeste daq—”.

Aomame então apontou a arma para a testa de Suzui e puxou o gatilho, subitamente, não deixando o japonês nem terminar sua fala. Seu corpo foi jogado pra trás, caindo no chão com os olhos virados e uma imensa poça de sangue se formando. Aomame tranquilamente guardou sua arma no coldre e todos ficaram impressionados, olhando para ela.

Eunmi ficou vendo aquilo tudo sem crer. Não conseguia falar absolutamente nada.

“Você... Porquê você fez isso?”, perguntou Chou, “Como vamos saber onde está o Miura?”.

“Eu iria matar ele de qualquer jeito. Nenhum soldado japonês pode saber sobre mim e o Tengo, e nos delatar. Nenhum deles pode viver depois de nos ver, sempre fazemos isso pela nossa própria segurança”, disse Aomame, tranquilamente. A japonesa fez uma pausa olhando pro lado e prosseguiu: “E ele disse onde está esse tal Miura que vocês estão atrás”.

“O quê? Ele disse? E onde ele está?”, perguntou Eunmi puxando o braço de Aomame.

“Eu digo onde ele está, mas queria propor algo. Eu dou a informação se vocês me ajudarem antes me dando todo tipo de informação que souberem sobre uma pessoa que estou procurando...”, disse Aomame, sacando um caderno de notas que ela tinha em seu bolso.

“Sem essa. Onde está o Miura?! Que lugar ele disse antes de você destruir os miolos dele?”, disse Eunmi, segurando ainda mais firme no braço de Aomame.

“Eunmi, espera”, disse Chou, mas Eunmi a ignorava completamente. Eunmi estava encarando Aomame com um olhar muito peculiar. Seus olhos pareciam o de um animal carente, implorando com todas suas forças algo por que buscava há muito tempo. Algo que ansiava com todas as células do seu corpo. Não era raiva. Era um pedido sincero que vinha do fundo da sua alma.

Aomame calmamente tirou uma foto de dentro do seu caderno. Ela estava dando a mínima para o turbilhão de emoções dentro do coração de Eunmi. Talvez já havia até mesmo se acostumado com o jeito da coreana. Quando Aomame virou a foto, todos reconheceram, especialmente Eunmi. Não tinha como confundir aquele rosto!

“O nome desse cara na foto é Saldaña. Ted Saldaña. Preciso saber onde ele está. Vocês têm alguma pista, já o viram em algum lugar? Se me darem alguma pista, posso dizer qual lugar esse crápula disse antes de estourar os miolos dele”, disse Aomame.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Amber #117 - Aomame & Tengo.

A mulher continuou encarando Eunmi. Não tinha uma expressão de raiva, ou algo do gênero, parecia na verdade meio impaciente. Sua expressão séria continuava impressa no seu rosto, junto dos braços cruzados, sem tirar os olhos da coreana, com um claro olhar de quem a desafiava a dar o disparo. O homem que estava junto, ao contrário dela, ficou com uma cara mais apreensiva, com receio de que Eunmi fosse realmente puxar o gatilho.

Aqueles momentos pareciam horas. Porém quanto mais tempo Eunmi os encarava, mais algo lhe dizia que ela já os tinha visto em algum lugar.

“Aomame-san! Tengo-kun!”, gritou Yamada, ao se arrastar pro lado pra sair de trás de todas aquelas pessoas na sua frente pra poder ver. O japonês se ergueu, e mesmo mancando um pouco, se pôs alguns passos na frente de Eunmi, sem entrar na sua mira, “Eunmi, calma, eles são amigos! São eles que estavam nos esperando no final da trilha!”.

Eunmi nesse momento se recordou que havia os visto de relance enquanto o carro fugia da perseguição dos japoneses. Foi bem de relance, mas deu pra se recordar das suas feições.

Porém a coreana não baixou sua pistola.

“Entendi. E são amigos? São de confiança?”, perguntou Eunmi para Yamada.

“Claro que são! Eles me ajudaram muito, e fiquei super feliz quando vi que eles estavam atrás de mim”, explicou Yamada, empolgado em querer mostrar os seus amigos, “Eram eles com quem eu conversava, Chou e Li. Eram eles que o Schultz deve ter visto. Eu não consegui apresenta-los antes a vocês por medo de que os descobrissem, afinal, poderia ser perigoso para eles serem descobertos!”.

“Descobertos porquê?”, perguntou Li, e então a japonesa se aproximou calmamente, mas ainda mantendo uma pose séria.

“Annyeong haseyo. Dajia-hao”, disse a japonesa, cumprimentando num perfeito coreano e chinês, respectivamente, e sem nenhum sotaque. Ela prosseguiu falando em chinês: “Pode baixar essa arma, não viemos aqui para os ameaçar, ou algo do gênero”, mesmo depois de pedir para Eunmi baixar a arma, ela não baixou, e continuou mirando na japonesa, que se apresentou: “Meu nome é Aomame Mayuko, e ali é o meu parceiro, Kawase Tengo”.

“Aomame?”, Chou se espantou, virando o rosto para todos ali, “Que sobrenome é esse que nunca ouvi falar? Tá na cara que é inventado”.

Mayuko Aomame ao ouvir o cochicho de Chou ficou braba, mas se conteve. Cerrou os olhos e encarou Chou, tombando a cabeça, como se sua expressão dissesse que havia ouvido o que ela havia dito.

“Hahahaha!”, riu Tengo, que parecia ser bem mais simpático que sua parceira, “Mas é verdade, nem eu nunca tinha ouvido esse sobrenome antes, acho que só deve ter a família dela com esse sobrenome em todo o Japão!”, ele se aproximou  e colocou a mão no ombro dela, que prontamente mexeu o ombro pra tirar o mão dele de cima dela, “Você não muda nada, Aomame. Continua fazendo a mesma cara quando falam do seu sobrenome!”.

“Aomame é com o kanji de ‘verde’ e ‘ervilhas’”, explicou Yamada, desenhando com o indicador sobre sua palma.

“Entendi. Não é todo dia que encontramos alguém com ‘sobrenome de ervilha’, hahahaha!”, brincou Chou, mas apenas ela e Eunmi deram risada. Chen continuava parado olhando tudo de trás. Aomame ergueu as sobrancelhas e olhou pra cima, impaciente com as brincadeirinhas que sempre faziam ao ouvir seu sobrenome incomum. Tengo ao lado dela ficava tentando conter o riso, muitas vezes sem sucesso.

“E pra quem vocês trabalham?”, perguntou Eunmi, ainda sem baixar a arma.

“Nós dois somos Kenpeitai”, disse Aomame, e nessa hora todos ficaram apreensivos. Suas feições que eram de descontração depois da piada, subitamente ficaram sérias e desconfiadas. Aomame percebeu a mudança do clima, mas não se abalou. Continuava séria e fria, dizendo: “Bom, pelas caras de vocês não foi uma reação boa, mas não dou a mínima. Estamos procurando uma pessoa, e queremos saber se voc...”.

“Vão embora daqui”, disse Li, mostrando o rifle nas mãos, sem apontar pra eles, de forma ameaçadora ao lado de Eunmi, que continuava com a pistola M1911 mirada neles, “Não queremos ficar juntos de agentes da inteligência imperial japonesa. Vocês são bandidos da pior espécie! Não tem como estarmos juntos de genocidas como vocês!”.

A Kenpeitai foi a polícia militar e serviço de inteligência do Império Japonês. Uma equivalente da junção da Schutzstaffel (a SS alemã) e da Sicherheitsdienst (a SD alemã, onde Schultz e Briegel trabalham).

“Calma, senhorita, por favor!”, disse Tengo, tentando apaziguar o clima que estava esquentando, “Sim, somos da Kenpeitai, mas não somos malvados. É meio difícil de explicar, mas no fundo sabemos que somos apenas uns fantoches do governo, uma vez que sabemos de exatamente tudo o que se passa por debaixo dos panos. E isso tudo que estão fazendo no leste asiático é completamente errado, e não compactuamos de forma alguma com isso. Na verdade somos contra, e queremos derrubar o imperador e suas políticas, e devolver a liberdade pro nosso país. Essa coisa que querer conquistar o leste europeu é apenas uma desculpa pra mostrar poderio militar e repreensão. A política da sobrevivência do mais forte”.

Mas naquele momento o coração de Eunmi batia forte. Uma batida cheia de dor, coberta de memórias que ela daria tudo para esquecer. Ela estava na frente de dois agentes da temível Kenpeitai. E quando ouviu quem eles eram, seus ouvidos não escutavam mais nada. Ela os via, mas seu olhar estava longe. E ela não deixava de apontar a arma de maneira ameaçadora contra eles.

“Cala a boca, Tengo”, disse Aomame, sem erguer a voz, mas com um tom único imperativo, “Ei, chinesa, não é porque sou mal-humorada que sou malvada, ok? Esse tipo de preconceito é muito infantil e imaturo. Se quisesse, já teria os dizimado agora mesmo! E seria uma passagem só de ida!”.

“Meninas, eles são de confiança, eu juro! Deem um voto de confiança a eles assim como deram a mim, é apenas o jeito da Aomame-san!”, disse Yamada, defendendo seus amigos.

“Aomame, por favor, espera. Vem cá, vamos tomar um ar. Calminha, calminha!”, disse Tengo, colocando as mãos no ombro da japonesa e a levando para longe das outras, “E gente, por favor, confiem em nós. Eu sei que é difícil de acreditar que pode haver um agente que está contra o governo, mas sim, existem, mesmo sendo muito raros. É exatamente por acreditarmos em algo maior é que não compactuamos e queremos usar o próprio sistema para derrubar esse governo corrupto que o Hideki Tojo a cada dia bota mais suas garras!”.

Foi a vez de Yamada intervir:

“Viu, eu disse que eram bonzinhos! Eu compartilho totalmente a visão deles, embora eu possa fazer bem menos coisas que eles podem fazer, afinal sou um soldado raso e sem um bom nome...”, disse Yamada, se lamentando no final de sua condição.

Chou e Li imediatamente se olharam, como se conhecessem aquele discurso. Parecia muito o que Schultz dizia, que apesar de ser alemão, e de trabalhar na SD como espião nazista, ele queria na verdade era derrubar Adolf Hitler do poder e restaurar a democracia e a paz na Alemanha. Parecia que elas haviam encontrado pessoas com a mesma visão, mas do lado japonês. Tanto Li quanto Chou pareciam compreender e acreditar no que Tengo Kawase dizia.

“Não, tudo bem, escuta, não é tão raro ter essa visão como vocês dizem”, disse Chou, tomando a frente, “Agora você, Eunmi, abaixa essa arma, vamos”.

Porém Eunmi não estava dando ouvidos a nenhuma palavra que Kawase dizia. E continuava encarando de forma ameaçadora Aomame, que era levada por Tengo para fora dali. O coração de Eunmi ainda estava em choque por ter se deparado com agentes da Kenpeitai. Apenas uma única certeza dominava seu coração, a de que aquele casal de japoneses não eram de confiança.

“Eunmi? Você tá bem?”, perguntou Yamada baixinho ao perceber que a mão da coreana tremia, e ela suava frio.

O descontrole. A perda total da sanidade quando pressionada. O mesmo que acontecera antes, quando encontrou e foi traída por Jin-su. E também quando encontrou Saldaña, e todas as memórias do estupro vieram à tona. E agora mais essa. Absolutamente nenhuma palavra que Tengo havia dito entrou na mente de Eunmi. Ela havia ignorado tudo completamente. Na sua percepção a conversa ainda estava na parte que eles se apresentavam como membros de Kenpeitai.

“Não, tudo bem. Confiamos em vocês”, disse Li, tomando a frente, “Eu mesma antes não confiava no Yamada, mas acho que agora eu quem tenho que dar o braço a torcer. Esse discurso de serem agentes da inteligência, e de que não poderiam ficar quietos vendo o que de errado acontecia na sua frente nos lembram muito alguém”, e ao dizer Li baixou a cabeça num sorriso, se lembrando de Schultz.

“Verdade! Quando vocês conhecerem o senhor Schultz, vão ver só que não estão sozinhos nesse ideal. Existem outros!”, disse Chou, empolgada, dando uns passos pra frente, “Nós apenas temos esse mundo, não existe motivo para guerrear. E tendo as ferramentas para trazer um pouco de paz, temos a chance de ir contra a maré e agir pelo certo, pelo correto, e pela justiça. É nisso que acreditamos também, embora até do nosso lado tenham também pessoas de visão distorcida”.

Chen confirmou com a cabeça, mas havia algo que o preocupava mais: Ri Eunmi. Indo discretamente por trás enquanto todos falavam, ele se pôs num local que conseguia ver claramente o rosto da coreana, e vira que ela realmente não parecia nada bem. Tremia, suava frio, estava pálida e seus olhos pareciam dilatados, olhando para o chão, mesmo que a cabeça estivesse erguida e voltada pra direção de Aomame e Tengo. Eunmi sussurrava algo abrindo os lábios, e Chen rapidamente percebeu que pelo movimento ela dizia pra si mesmo diversas vezes “Kenpeitai... Kenpeitai... Kenpeitai...”.

“É melhor que não fale assim com a gente, sua japonesa idiota!”, gritou Eunmi, e ao ouvir isso Aomame se virou para a coreana:

“O quê?”, perguntou Aomame, “O que foi que você disse?”.

“Ah, nossa, calma aí, Aomame-san!”, disse Yamada se colocando entre as duas.

“Isso mesmo que você ouviu! Não vou confiar em alguém da Kenpeitai!!”, gritou Eunmi, engatilhando a pistola.

“Ei, espera aí, ela não ouviu o que eu disse?”, perguntou Tengo, que também tentava segurar Aomame, que estava ficando sem paciência.

“Ah, que infantil! Uma adolescente coreana que nem pelos na buceta tem me falando como agir! Se está tão confiante em erguer a voz comigo, venha cá então que vou dar umas palmadas na pirralha que você é pra aprender a ter um pouco mais de respeito! As briguinhas na escola que você teve, de puxar o cabelo da amiguinha, não vão te proteger dessa vez, menina!”, disse Aomame, ignorando completamente os apelos de Tengo e Yamada.

Eunmi então saiu correndo no encontro de Aomame.

“Vou te fazer engolir o que disse, sua vaca!!”, gritou Eunmi. Enquanto Chou e Li gritavam e corriam até ela para tentar para-la, “Vocês do Kenpeitai todos merecem morrer!!”.

“Me solta, Tengo!!”, disse Aomame, enquanto Tengo a segurava apertando seus braços contra ela, “Me solta!! Já disse pra me soltar!!”, gritou Aomame, e deu uma cotovelada no abdome de Tengo que caiu no chão soltando um sonoro “Uuuh!”, com as mãos no estômago.

Eunmi começou a correr e disparar a arma, mas os tiros simplesmente não acertavam nada, uma vez que ela estava fora de si. Ao se aproximar de Aomame ela jogou a pistola pro lado e começou a lutar ali mesmo contra a japonesa, fechando os punhos e desferindo socos.

“Você luta bem pra uma menina que acabou de aprender o que é um sutiã!”, disse Aomame, “Mas preste bem atenção, apenas lutar bem não é o suficiente pra me derrotar”.

Aomame se defendia sem problemas, e a coreana começou então a dar chutes e mais chutes, que tanto a japonesa conseguia se esquivar, como até mesmo os suportar, se defendendo do impacto. A japonesa sabia que a coreana estava fora de si. E ao mesmo tempo ela era inteligente pra saber que atacar Eunmi ali iria fazer com que Chou, Li e Chen a atacassem, então Mayuko Aomame percebeu uma coisa no olhar de Eunmi: desperdício de energia.

“Só isso que pode fazer? Vamos, mais forte, menina!”, provocava Aomame enquanto Eunmi desferia várias sequências de socos e chutes contra ela, que sem muito esforço conseguia defender. A força dos golpes da coreana diminuía cada vez mais, e era exatamente isso que a japonesa imaginava que aconteceria.

“Estamos do mesmo lado, menina. Vê se fica calma, e larga desse estresse. Vai acabar ficando cheia de rugas antes de chegar na idade”, disse Aomame antes do ultimato.

A japonesa simplesmente pegou o braço de Eunmi e usou a própria força da coreana contra ela mesma, usando todo o impulso e ímpeto dela para derruba-la em um único golpe, certeiro, executado com maestria.

Já no chão, virada pra cima, Eunmi estava recuperando os pensamentos. Aomame se aproximou dela, flexionou os joelhos, e olhou para a coreana no fundo dos olhos.

“Somos amiguinhos, garota. Não queremos o mal de vocês, só queremos ajudar. Temos uma missão assim como vocês, e se vocês nos ajudarem, poderemos ajudar vocês também”, disse Aomame ao ver o rosto de Eunmi, já com uma aparência bem mais calma, com a respiração bem forte. A japonesa estendeu a mão para ajudar ela a se levantar do chão, “De acordo?”.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Amber #116 - A atitude de Chen.

“Não, Yamada! Aquilo não é um tanque! Aquilo é um canhão!!”, gritou Eunmi, e ao gritar um tiro acertou ao lado deles, empurrando o carro, que chegou a ficar por alguns momentos erguido em apenas duas das rodas, mas não chegou a virar.

“Vamos nos separar!! Chou, Li, Chen, pulem do carro agora!!”, gritou Eunmi e novamente outro tiro pegou bem do lado deles, de novo assustando e tapando os ouvidos de todos ali. Chou, Li e Chen pularam rapidamente do carro em movimento, aterrissando na enseada do rio que cortava aquele belíssimo vale.

“Aperta o cinto, japonês!!”, gritou Eunmi apertando o seu cinto de segurança. Yamada apenas teve o tempo hábil de prender o cinto quando outro tiro do canhão foi disparado contra eles, bem na frente do carro.

Eunmi e Yamada apenas enxergaram um clarão. Seus ouvidos já mal conseguiam ouvir depois de tantas explosões ocorrendo próximo deles, e então uma sensação péssima de ser jogado pra frente os dominou. O carro emborcou e estava sendo levado ao ar, a toda velocidade, empinando com o teto indo em direção ao chão.

Como reflexo os dois fecharam os olhos, erguendo os braços ao rosto para se proteger. Quando o carro capotou com o teto no chão, ainda se arrastou por alguns metros, e Eunmi e Yamada apenas não sofreram mais com o impacto pois estavam presos à carroceria por meio do cinto de segurança.

“Não acredito! Temos que ver como a Eunmi e o Yamada estão!”, gritou Li, ao ver o carro capotado. Chou estava quase indo lá ver também, mas Chen parecia não querer olhar para o acidente.

Porém naquele momento as duas simplesmente não sabiam o que fazer. Hesitavam em dar qualquer passo na direção de qualquer lugar, enquanto os japoneses do outro lado olhavam para o carro virado de cabeça pra baixo, sem nem perceberem que Chen, Chou e Li estavam escondidos do outro lado do rio.

“Não dá pra gente ficar aqui parado pensando. Melhor ir pra cima deles antes que eles atirem de novo!”, e Chen então sacou seus explosivos e foi enfrentar o rio, erguendo a mochila com explosivos acima do corpo enquanto cruzava o rio, para não molhar.

“E-eu vou c-com o Chen t-também”, disse Chou, gaguejando, com medo da reação de Li por ela ter se direcionado a ela. Li ficou parada, com seu rifle posicionado, olhando para os japoneses e para o jipe capotado sem nenhum sinal de vida. Enquanto isso Chou cruzava o rio tomando cuidado para não molhar sua Fedorov Avtomat, e com a água na região da cintura, sentiu o gelar do rio subindo pelo seu corpo, “Ai, cacete! Porque eu só entro em furada?!”.

E então Chen amarrou bananas de dinamite em pedras e começou a lançar todas que tinha no local onde os japoneses estavam, já com seus pavios acesos. Chen apenas tinha quatro lançamentos, então fez questão de mirar em locais estratégicos de onde estava aquela tropa de japoneses.

Uma após a outra as dinamites foram explodindo, causando um imenso estrago. Muitos soldados foram abatidos, tomados pelo pânico, ficaram paralisados ao verem cargas de dinamite brotando do ar e os jogando pelos ares.

“Vai, Chou! Mira naqueles que pularam no rio!”, gritou Chen no meio da barulheira e histeria causada pelos explosivos sendo detonados.

“Sim, senhor!”, confirmou Chou, e então ela começou a atirar nos soldados que tentavam fugir. Mas ainda assim eram muitos, e Chou não conseguia mirar em todos. Começou a mirar nos que iam pelo outro lado, querendo buscar armamento no caminhão militar que estava ali. Mas ainda faltava o outro lado.

Sem combinar nada, Li começou a abater um após o outro que pulavam desesperados na água. Sua SMLE disparava rapidamente, mesmo sendo um rifle de atirador de elite. Todas as suas seis balas foram usadas, na quantidade perfeita para abater cada um dos dois seis soldados fujões.

“Isso aí! Deu certo! Conseguimos!”, comemorava Li, mas sua felicidade durou pouco tempo. Do seu lado esquerdo ouviu um tiro, e ao virar o rosto vira Eunmi no chão. Focada em acertar os japoneses que tentavam escapar, a chinesa se descuidou completamente de Eunmi do seu lado.

“Eunmi! Você tá bem?!”, gritou Li.

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A coreana e o japonês perderam completamente noção do tempo quando o carro capotou.

Algo então pegou no ombro de Eunmi, a puxando de lá. Era uma voz grossa, e falava em japonês. Seus olhos ainda teimavam em não abrir, mas a dor que ela sentia do seu corpo sendo puxado com o cinto de segurança a segurando dentro dele lacerava seu corpo pedindo para que parasse com aquilo.

Sentiu seu corpo batendo nas pedrinhas e areia da margem do rio, e os mesmos braços a arrastando para fora. Antes de ser erguida porém, conseguiu abrir os olhos. Tudo ainda estava embaçado, difícil de se distinguir. A primeira coisa que viu foi seu amigo japonês. E Yamada continuava desacordado lá embaixo do carro.

Esse braço dessa pessoa forte a ergueu e virou seu rosto, e nesse momento Eunmi vira que era um japonês. E ele pegou Eunmi pelo pescoço e a apertou contra a lataria do jipe, gritando diversas coisas que ela nem conseguia sequer ouvir por conta do barulho que havia tampado seus ouvidos.

Mas então um som alto e grave chamou sua atenção no meio daqueles gritos e tiros que ela não conseguia compreender. O que Eunmi ouvira foi uma explosão. Seguida então de diversos tiros, alguns tiros mais cadenciados, e outros mais rápidos. O japonês que a segurava arregalou os olhos assustado olhando para a outra margem do rio.

“N-nani?!”, gaguejou o japonês, em sua língua. Algo como “o quê?!”.

Eunmi virou o rosto, ainda recuperando os sentidos, e vira explosões no local onde estava o canhão que os havia acertado, e Chou e Chen se aproximando abrindo fogo e explodindo tudo enquanto Li acertava a distância com seu rifle. Em questão se segundos aquele último grupo que os perseguia havia sido subjugado.

O japonês então soltou Eunmi no chão e começou a correr desesperado. A coreana então tirou a areia do rosto e sacou sua pistola M1911 do coldre no seu peito e mirou no soldado fujão. Ela só precisava apenas de um tiro, e este o acertou em cheio. Ele deu um grito e caiu, segurando a perna.

“Eunmi!! Você tá bem?”, disse Li, depois do japonês cair no chão. A coreana olhou pra Li e confirmou com a cabeça, e então foi de volta ao carro e vira que Yamada já havia desperto. Chen, Li e Chou então se aproximaram para ajudar.

“Você tá bem, Yamada?”, disse Eunmi, estendendo a mão para puxá-lo de lá.

“Ahhhh! Ai, ai, ai!!”, gemia Yamada enquanto era puxado pela coreana, “Ai, tá doendo, tá doendo, vai com calma!! Eu acho que quebrei alguma coisa!! Ai, ai!!”.

E então Yamada saiu debaixo do carro. A coreana o retirou com tanta força que acabou desequilibrando e caindo sentada na margem do rio, molhando sua roupa na água gelada. Yamada, que estava sendo puxado por ela, caiu caindo de cara nos seios da coreana, e depois que percebeu a gafe, tombou para o lado, batendo com as costas na água.

“Rapaz, se essa é a maneira de um japonês dizer que está interessado em uma garota, tenho que admitir que deve ser uma daquelas coisas que só deve funcionar no Japão mesmo!”, brincou Eunmi, enquanto se erguia, estendendo a mão para ajudar o japonês a se erguer. Yamada estava vermelho de vergonha!

“Eu disse pra ir com calma, Eunmi, poxa vida! Eu quebrei meu braço, tá doendo muito, muito, muito!”, disse Yamada, segurando seu braço, “E me desculpe pela cara nos, bem, você sabe...”.

“Tudo bem, um dia eu deixo você ver eles ao vivo, sem essa roupa toda!”, brincou Eunmi, dando uma piscadinha pro japonês, que ficou ainda mais vermelho, igual um pimentão.

“N-não, eu não quis dizer isso, Eunmi! Não foi essa a minha intenção!”, disse Yamada, ainda vermelho de vergonha.

“Se está doendo, deixa a médica aqui ver, japonês!”, disse Chou, puxando o braço de Yamada, que gritou muito mais pelo susto do que necessariamente pela dor, “Mexe a mão e o braço, Yamada”, e assim o japonês o fez, soltando gemidos de dor. Chou olhou pra ele e fez um ordenou um sonoro: “QUIETO!! Agora mexe de novo!” e o japonês novamente mexeu o braço, e Chou colocou o ouvido perto da sua pele para escutar algo.

“E então, Chou? É muito grave?”, perguntou Yamada, com lágrimas nos olhos por ter segurado a dor, “Será que vou sobreviver?”.

“Ah, vocês homens, viu! Um arranhão e vocês já ficam achando que tão morrendo! Tá quebrado nada, Yamada! Não tem nenhuma deformidade, e menos ainda crepitação do osso. Foi só uma luxação na pele por conta desse vai-e-vem do impacto”, diagnosticou Chou, procurando a sua caixa médica que ela tanto usava, e havia deixado no acampamento, “Se eu tivesse umas faixas e uma pomada pra passar, rapidinho você melhorava...”.

Todos caíram na gargalhada. Menos Li, que apenas abriu um sorriso, enquanto tentava disfarçar a seriedade por conta da inimizade com a Chou. A médica ajudou a levar Yamada e deixou ele encostado numa pedra, enquanto massageava lentamente o braço do japonês.

O lugar, que havia presenciado explosões, tiros, e fogo, agora exalava tranquilidade.

“Que silêncio, que paz. Mas é melhor a gente continuar em movimento. Ainda tinha japoneses lá no acampamento, não conseguimos nos livrar de todos”, disse Eunmi, e Li assentiu. E de fato, tudo estava calmo. Era possível até ouvir os pássaros voando, o barulho da calma correnteza do rio, o vendo balançando as árvores.

E passos. Passos vindo das costas de onde estavam. E a cada segundo pareciam mais e mais próximos.

Eunmi virou o rosto, e Li a acompanhou logo em seguida.

“Parados onde estão! Ou eu atiro!”, alertou Eunmi, para o casal que estava indo na direção deles. A mulher vestia uma saia preta rodada até o joelhos, meia-calças pretas e sapatilhas. Por cima de tudo ela vestia um casaco grosso bege. Logo atrás dela vinha um homem, vestindo calças militares, botas grossas e um sobretudo cinza.

Ao ver a arma apontada pra si a mulher parou, mas não ergueu os braços. Ao invés disso cruzou os braços, parecendo peitar Eunmi com aquela arma. Era claro pelas suas feições que eram asiáticos. Mas não pareciam ser nem chineses, e menos ainda coreanos.

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