terça-feira, 25 de setembro de 2018

Videogame muitas vezes é melhor que sexo?



A melhor forma de você defender genuinamente homens é ser contra o machismo. No começo acho que a gente vê também muitas mulheres se desviando do ideário feminista, e acha que machismo "protege os homens", quando na verdade o machismo é tão danoso para os homens quanto é para as mulheres.

Até mesmo eu durante um tempo pensava isso. Mas a gente se informa, questiona, e descobre um mundo e entende que machismo na verdade é o que chamam também de sexismo, que basicamente é reforçar normas antiquadas de comportamento às atribuindo um valor que, erroneamente, faria as pessoas sentirem orgulho disso, mas que na verdade tanto as reprime, como reprimem os outros, de serem quem eles querem realmente ser.

Um exemplo clássico disso que disse no parágrafo anterior é qual resposta seria ideal para a pergunta: "Videogame muitas vezes é melhor que sexo?".

Eu incluí o "muitas vezes" pois obviamente sexo é uma coisa boa. Na sociedade a gente vê que basicamente diversão infantil constitui de seriados engraçados ou educativos (para moldar a pessoa) enquanto diversão adulta é praticamente relacionada a sexo, afinal uma pessoa adulta já está com os órgãos sexuais desenvolvidos, e possui plena capacidade de se reproduzir. E reprodução sexual traz como prêmio o orgasmo, é algo que a própria natureza criou para perpetuar a espécie, ou reforçar laços em prol da sobrevivência (e esse segundo engloba tanto os casais héteros, como homoafetivos).

Francamente eu estou numa onda meio "assexual", então não sei dizer se eu pessoalmente gosto de sexo atualmente. Mas isso fica para um outro post, hahaha. Meu ponto é outro:

Tirando o facto de que "sexo é bom e todo mundo gosta de fazer", generalizando bastante, meu segundo ponto é a resposta se para os homens "Videogame muitas vezes é melhor que sexo". Como eu disse, machismo se trata de regras antiquadas para reforçar um comportamento de orgulho, mas que na verdade as reprime de serem quem elas querem ser.

Uma resposta meio óbvia de um homem machista seria "é óbvio que sexo é melhor! Eu trepo e como todas!", hahaha. Relembrando: não estou aqui me referindo a libido normal das pessoas, mas sim o facto da norma machista obrigar a dizer que sexo é melhor que videogame.

Eu digo isso pois vejo muitos casais onde os rapazes, principalmente depois de um certo tempo de relacionamento, preferem muitas vezes ficarem imersos nos seus Playstation ou Xbox do que necessariamente transar com sua companheira. Parece o fim do mundo, mas é bem mais comum do que se imagina.

Sexualidade masculina é uma coisa que é muito afetada por noções machistas. Por isso que eu digo que se homens soubessem o quanto machismo atrapalha suas vidas, ninguém sairia por aí dizendo que "é machista". Não, definitivamente, não!

Talvez a norma machista implique que o homem sempre deve estar de pau duro a qualquer momento, e que sempre deve estar lá para fazer acontecer. Mas cara, não é assim que funciona, e para os homens aceitarem isso é até bom para si mesmos. É por isso que um homem que tem ejaculação precoce é mal falado. Ou o oposto também, homem que não chega ao orgasmo, e muitas vezes finge. Eu já fingi muito, pois acontece, acaba ficando com uma garota que é mais... Danadinha. Eu sou bem tímido e romântico, por exemplo.

Sendo bem franco: ás vezes transar é um puta dum saco. Muito trabalhoso, pois tem preliminares, tem que lamber buceta, dar muitos beijos e amassos, deixar a garota excitada, e, basicamente, meter. Mas meter também é um saco, porque o orgasmo masculino é apenas um pico. Não é como é com as mulheres, que é um prazer constante e, se o cara estiver fazendo direito, um prazer ascendente. Por isso que atrizes pornô fazem gangbang, pois a mecânica do prazer é diferente. Para os homens durante a penetração não é um super prazer, é algo bem mecânico até, e termina com o orgasmo final que é realmente muito forte.

Obviamente não estou considerando casais recém-formados, ou até os que estão juntos há pouco tempo, ou os que não se encontram com frequência. Sem a convivência e o tempo menor juntos, as pessoas possuem mais libido. Todo começo de namoro é só putaria, e isso é normal. O que me refiro é que depois de meses, anos, ou décadas eventualmente fica um saco ter que fazer todo o "processo de transar".

Logo existe, por exemplo o videogame. Videogame esse que dá um prazer, tem competição, trabalho mental, e nos transporta para fora da realidade.

Games, assim como muitos dos comportamentos atuais, não é uma coisa que se desenvolveu na sociedade moderna. Homens ficaram milênios vivendo nas cavernas, e videogames existem nem há um século ainda. É óbvio que o homem das cavernas não ficava apenas caçando, dormindo e transando. Havia a pintura rupestre, e até outras atividades modernas: o que hoje é videogame, antigamente eram pequenos jogos rudimentares, mas que também tinham a mesma finalidade: dar prazer.

Obviamente esse texto é voltado aos leitores masculinos, pois se incluir as garotas gamers (que sim, jogam MUITO!!) já daria outro post. E também não citei especificamente sobre a libido feminina, pois muitas garotas obviamente sofrem quando seus rapazes não querem fazer sexo com elas e preferem ficar no videogame, o que também prejudica o relacionamento.

Por isso, rapazes, tratem com carinho suas namoradas. Videogame é legal? É! Não é errado jogar. É bom saber o porquê do jogar e entender isso. E ao mesmo tempo entender que um relacionamento também é entrega. A sua namorada pode deixar você jogar videogame um dia, e vocês podem fazer um acordo de levá-la um dia para jantar, para o motel, ou viajarem juntos. Também é errado ela proibir sumariamente o videogame, portanto é sempre bom ter um equilíbrio, para que ninguém saia magoado.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Amber #126 - Suspicious Minds (3) - 火风暴 [Tempestade de fogo]

7 de dezembro de 1939
12h50

Todos a essa hora já haviam almoçado na mansão de Cheng. Tsai estava no jardim junto de Schultz de olho em Saldaña, que estava fora do seu quarto-prisão, tomando um banho de sol no gramado dos fundos da mansão de Cheng. Obviamente foi Tsai e Schultz que permitiram que o americano tivesse essa regalia, e ficavam de olho em cada passo que ele dava no gramado.

“Olha só o jeito como ele pisa na grama. Parece que é ele quem manda aqui, sem cuidado algum”, disse Schultz, baixinho para que apenas Tsai ouvisse, “Queria ver se fosse o gramado na casa dele”.

Tsai assentiu com a cabeça, mas continuava de olho em Saldaña, que ia de um lado para o outro. Observava a grama, olhava para cima, para o céu, olhando aqueles parcos raios de sol daquele começo de inverno na China que conseguiam atravessar as muitas nuvens do céu. A prepotência do americano continuava sendo expressada pelas suas passadas, sempre sem a menor dó da grama.

“Saldaña, o que é que você tem?”, perguntou Tsai, sem tom de raiva na sua fala, apenas mesmo dúvida querendo entender o que se passava na cabeça do americano, “Por que você é assim?”.

“Não entendi o que você perguntou”, disse Saldaña.

“Perguntei por que você é assim. Dá pra ver o jeito que você caminha no meio desse gramado. Parece que você se sente feliz em pisar nas pobres formigas, suas passadas são todas pesadas”, explicou Tsai.

Saldaña nesse momento parou e olhou para seus pés. Na sua opinião a única coisa diferente que tinha era que estava cheia de terra, depois de caminhar sobre a grama. Mas Schultz e Tsai, que eram pessoas extremamente observadoras, repararam na diferença dos passos de Saldaña antes e depois. Para os dois, era mais do que óbvio essa diferença no jeito de caminhar do americano.

“Você com certeza está vendo coisas. Esse é o meu jeito de andar sempre”, Saldaña se defendeu, “É verdade que eu nunca escondi que não gosto nem um pouco de vocês com esses olhos rasgados, mas não é justo vocês terem esse julgamento sobre mim, em suposições, e não em fatos”.

O americano dizia isso com uma cara de falsa inocência incrível. Era óbvio que era forçado, uma vez que suas sobrancelhas e seu rosto estavam arrebitados. Parecia intimidador, como se Schultz e Tsai o estivessem interrogando e ele tentasse se defender. Não era o jeito que uma pessoa que realmente fosse inocente - e estivesse fazendo aquilo sem querer - expressaria.

“Eu digo isso porque vocês já têm um preconceito sobre mim, e qualquer coisa, por mais pequena que seja, vocês podem me julgar como errado, uma vez que minha ideologia é totalmente contrária a de vocês”, disse Saldaña, os encarando com um tom intimidador, “Francamente isso é muito feio. Vocês estão vendo coisas”.

“Tá bom, então eu quero perguntar uma coisa. O que era aquele ser que cospe fogo?”, perguntou Schultz, impaciente, cruzando os braços.

“Com certeza foi algo mandado para me resgatar”, disse Saldaña, carregado de ironia na sua fala.

“Não é essa a pergunta, Saldaña. Por que aquele ser foi atrás da gente?”, repetiu Schultz.

“Não me olhem com essa cara, eu não sabia que aquilo iria me resgatar”, explicou Saldaña.

“Como assim? Então você sabe o que era aquilo!”, disse Schultz.

“Não. Não tenho a mínima ideia do que era aquilo”, disse Saldaña.

“Seu cínico! Você acabou de dizer que não sabia que era aquilo iria te resgatar! Você sabe o que era aquilo, por que então não diz? Aquela merda poderia ter nos matado! Aquele ser cuspia fogo como se não houvesse amanhã!!”, gritou Schultz, mas Saldaña não se abalava.

“Um ser que cuspia fogo?”, perguntou Cheng, se aproximando, andando devagar com sua bengala.

Tsai o cumprimentou com a cabeça, enquanto Schultz apenas o fitou, ainda enfurecido com a cara de pau de Saldaña.

“Sim, senhor Cheng”, disse Tsai, ainda sentada, apenas virando o rosto para Cheng, “Desculpa, não contamos antes, foi tudo muito rápido”, e Tsai então tirou do seu bolso uma das fotos que tinha daquele estranho ser, para mostrar para Cheng, “É essa coisa da foto aqui. Não temos ideia do que seja isso, mas isso nos interceptou na nossa vinda para Pequim”.

Cheng deu uma olhada demorada na foto e cerrou os olhos. Sua expressão ficou bem arisca, e então ele olhou para Saldaña.

“Huo-fengbao”, disse Cheng, e Saldaña ao ouvir deu um risinho.

“Hã? Que cara é essa?”, perguntou Schultz, encarando Saldaña, que ficou em silêncio sorrindo sarcasticamente para Cheng. O alemão olhou para Cheng, que continuou em silêncio e depois olhou de novo para Saldaña. Schultz não dominava completamente o mandarim, e detestava quando chegava esses momentos que diziam coisas que ele não entendia o que queriam dizer.

“Relaxa, chucrute”, disse Saldaña para Schultz, “O chinês aí disse o nome que o pessoal daqui deu para chamar este ser que cospe chamas”.

“Então você conhecia? Da onde?” perguntou Tsai para o velho Cheng.

“Eu vi essa foto já. E um dos meus soldados já viu o tanto de destruição que este ser pode fazer. A verdade é que pouquíssimos sobrevivem quando encontra o Huo-fengbao”, disse Cheng, falando pausadamente, mas com um certo tom de temor. O velho se virou para Schultz, para explicar o que significava o nome: “Ou ‘tempestade de fogo’, para que você consiga entender o que esse nome significa”, e então o velho Cheng se voltou para Saldaña: “Mas você sabe do que se trata. Você sabe o que é isso que cospe fogo, seja lá o que isso seja. O que me leva a concluir outra coisa…”, disse Cheng, e nesse momento ele olhou para Tsai, que confirmou com a cabeça ao olhar para Cheng.

“Você estava atrás do Chao”, disse Tsai, e então Saldaña se surpreendeu.

“Bingo! Acabaram com a graça do palhaço aqui! Pensei que vocês só iriam concluir isso em 1960!”, disse Saldaña, batendo pesadas palmas, ironizando a conclusão que haviam chegado, “Então vocês também vão conseguir descobrir o que o Chao tinha que eu estava atrás”.

Por alguns segundos Tsai e Schultz ficaram em silêncio, pensando. E então, quase que no mesmo momento, o pensamento dos dois se encontraram. O que Saldaña estava atrás era os negativos de Huang que o levaria até o suposto dinheiro que o mesmo roubou de Chao! Schultz e Tsai se olharam, como se estivessem falando em pensamento. Um olhar decidido, sem expressar muita coisa, mas que para ambos sabiam exatamente o que queriam dizer.

Porém Saldaña não sabia que Huang os havia roubado. Eles sabiam que o americano também não sabia disso. O jeito era dissimular. Saldaña não podia saber que o que ele queria tirar de Chao estava em poder de Huang agora.

“E o que é essa coisa que você estava atrás que o Chao tinha?”, perguntou Tsai, fingindo que não sabia o que era.

“É óbvio que eu não vou dizer”, disse Saldaña, e nessa hora Schultz o encarou, fingindo estar brabo. Mas Saldaña parecia estar com a situação em mãos, e continuava agindo como um déspota, com o nariz empinado, “Mas é para algo grande. Algo tão grande quanto o Huo-fengbao, ou como chamam aqui, o ‘tempestade de fogo’”.

“Algo tão grande quanto? Um outro igual? Uma nova versão?”, perguntou Tsai, e Saldaña deu um riso, balançando negativamente a cabeça.

“Vocês são uns bandos de zé-ninguém que tiveram sorte de me capturar. Do que adiantaria se vocês soubessem? Vocês têm influência zero, vocês não podem fazer nada, e sequer podem fazer algo por si mesmos”, disse Saldaña, fechando o punho a frente do corpo ameaçadoramente, “Vocês são formigas que capturaram um deus por mero acaso do destino. Mesmo se soubessem, nada poderia ser feito. Podem acreditar no que quiserem, apenas tenham em mente que vocês nunca imaginariam o que está por vir. E vocês não podem fazer absolutamente nada”.

sábado, 22 de setembro de 2018

Sonata de Inverno (2002)


Esses dias eu terminei o dorama coreano Sonata de Inverno (겨울연가), de 2002. É um clássico, é verdade, mas francamente achei péssimo. Eu sei que foi uma super febre, e muita gente ainda gosta muito, mas muitas coisas me deixaram muito puto assistindo essa birosca. Mas ao mesmo tempo acho que era muito a linguagem da época. Talvez lá atrás, há dezesseis fucking anos, era incrível. Porém hoje em dia, tá difícil, hahaha.

Trilha sonora fraca
Quem me conhece sabe que eu adoro uma trilha sonora bem feita. Pra mim isso pesa muito. Eu acho que é um pouco o defeito do Titanic. Naquela época os filmes e séries tinham uma música e queriam fixar a todo o custo, logo tocavam a todo o momento. A canção "My heart will go on" toca dezenas de milhares de vezes das mais inesperadas formas, mas uma coisa é um filme, outra coisa é uma série de vinte episódios de uma hora de duração onde essa porra dessa música toca toda santa vez:



PUTA BAGULHO CHATO. Por isso que as músicas devem ser escolhidas com todo o cuidado. Se você for fazer uma série, saiba decidir bem, escolha músicas diferentes, pois é normal que se repita. Mas o problema é quando repete muito e fica cansativo. Quando começava a tocar "My memory", nossa, que vontade de apertar pra pular essa bosta!

Atuações fracas
Hoje em dia coreanos são em geral ótimos atores e atrizes. Eu assisto muita coisa atual e eles possuem uma escola de atuação magnífica, realmente muito boa. Mas eu acho que quando foram buscar os atores e atrizes acho que prezaram em pegar pessoas bonitas, negligenciando as boas atuações.


A protagonista, a Yoo-jin (Choi Ji-woo) é muito fraquinha. Ela sempre faz a mesma carinha de monga, especialmente quando vira o rosto. Enfim, não convence. Ela é bem alta (1,74m!), extremamente bonita, magrinha, mas um rostinho bonito não é mais algo necessário. Os outros protagonistas também são bem chatinhos. O menos pior é o namoradinho dela, o Kang Jun-sang, que depois de morrer atropelado no segundo episódio, aparece o seu doppelganger, o Lee Min-hyung, que é O MESMO ATOR.

Mas pelo menos ele soube construir bem a diferença entre o Jun-sang e o Min-hyung: Jun-sang é aquele típico asiático quietão que as meninas caem de amores, mesmo ele tendo uma inteligência emocional de uma pedra e não sabe se expressar. Já o Min-hyung é a "versão meio gay", ele é todo sorridente, pinta o cabelo, usa óculos, é um bundão, mas... É a cara do Jun-sang (é o mesmo ATOR!! Eu já disse isso??) e aí a Yoo-jin cai em amores por ele.

A história é confusa (e muito triste!)
Bom, eu entrei na história no ponto acima, mas de facto, que roteiro é esse, mano? Eu entendo que é sempre bem vindo esses roteiros que fogem o óbvio, mas Sonata de Inverno é demais! O problema é que o começo, em específico os episódios 1 e 2 são muito bonitinhos. Yoo-jin é uma menina que está terminando o ensino médio e está louca pra começar a vida sexual encontrar um bofe. Um aluno transferido, o tal Kang Jun-sang é transferido para a escola, e mesmo ele sendo quietão, ela consegue desgelar o coração desse imbecil e os dois se apaixonam.


Acontece que esse Kang Jun-sang está procurando quem é o seu pai, que sua mãe nunca contou. Aliás, a mãe dele é uma psicopata doente, pelo menos é isso que eu concluí depois de assistir tudo. Ele parece que descobre algo, mas fica revoltado, e resolve fugir para o Migug (Estados Unidos, em coreano), mas aí ele é atropelado e morre.

Fica aquele climão super triste, Yoo-jin fica arrasada, e eu acho que ele nem chegou a comer ela. Só deu uns beijinhos. Passam dez anos, Yoo-jin está com o cabelinho cortado, trabalhando como decoradora, e namorando o Sang-hyuk, que era da mesma sala que ela, e estão praticamente noivos. Acontece que a amiga falsiane dela, a Chae-rin, aparece num encontro depois de anos sem ver os amiguinhos. E ela está namorado o tal do Lee Min-hyung, que é a cara do Jun-sang (é o mesmo ator! Hahahaha).


E cara, aí começa a tristeza. Sério. É muito triste. Yoo-jin só se fode, porque ela fica vendo o falecido quando olha pro Min-hyung que não entende nada porque a mina fica louca quando vê ele. E ao invés dela chegar nele e abrir o jogo, tudo ocorre de maneira muuuuuuuuuuuuuuito lenta na série. Coisa que eu resolveria em cinco minutos a série demora uns cinco episódios.

Vendo que sua amiga está furando o teu olho, a Chae-rin fica puta, óbvio. O Min-hyung termina com a Chae-rin e o clima começa a esquentar entre ele e a Yoo-jin. Mas como eu disse, o roteiro aí começa a viajar (como se não pudesse ficar pior):


Olha só, vou tentar explicar o inexplicável: Não é a toa que o Min-hyung é a cara do falecido Jun-sang (e não é apenas por ser o mesmo ator). Acontece que quando o Jun-sang foi atropelado, a mãe vagabunda psicopata doente dele fez HIPNOSE para IMPLANTAR UMA OUTRA PERSONALIDADE NELE, além de fazer com que ele ESQUECESSE O PASSADO.

Sim. Calma que ainda piora:

A mãe doida vagabunda psicopata doente do Jun-sang fez isso pois quando ela era jovem ela namorava o pai da Yoo-jin. E durante um bom tempo ela faz todo mundo pensar que o Min-hyung é irmão da Yoo-jin. Que vaca, né? Nem coreanos gostam de incesto. Mas ainda piora: a mãe vadia doida vagabunda psicopata doente dele na verdade se engraçou com outro cara, o pai do Sang-hyuk, e depois de um fucking teste de DNA todo mundo descobre que o Min-hyung/Jun-sang na verdade é filho do outro, logo não são irmãos!


Puta biscate, né? A trama inteira acontece por conta dessa vaca acima e os problemas mentais que ela tem e as surubinhas que ela fazia quando era jovem. Usem camisinha, galera. Nunca se sabe o que pode acontecer. Esse povo dos anos oitenta nunca usava preservativos?

Min-hyung fica lutando pra conseguir recuperar as memórias do antigo ego dele. Mas por causa do acidente, e da péssima medicina da Coréia do Sul (se fosse Coréia do Norte, a.k.a. BEST KOREA, aconteceria isso? kkkkk), ele tem um tumor no cérebro e pode ficar cego e morrer.

Ele deixa a Yoo-jin e se manda pros Estados Unidos para se tratar (é coreano, eles têm visto garantido pra viver nos Estados Unidos!) e no final ele acaba ficando cego da mesma forma, e dá um beijo no final na Yoo-jin. THE END.

É muita viagem do cacete. E 90% é culpa da vaca da mãe do Jun-sang, sociopata do caralho.

Cansa muito
O jeito que foi filmado também é muito chato. O roteiro já é complicado, mas aí a gente junta com episódios imensos, de mais de uma hora, onde existem episódios onde ás vezes não acontece basicamente nada. Muito pelo facto dos personagens viverem numa morosidade imensa, e você junta com a imensa tristeza do roteiro, eu ficava contando o tempo até que horas iria terminar.


O foda é que eu dava várias "segundas chances", pensando que era um clássico, seria bom assistir, ou que eventualmente a coisa melhoraria dali a um ou dois episódios, mas acredite, só piorava. A linguagem que esse dorama foi feito é muito cansativa.

Tá, mas tem algo bom?
Tem sim. Eu se eu fosse indicar eu diria o seguinte: assista o episódio 1 e 2. Depois vai pro 5, 11, pule pro final do 14, assista o 15, e depois o 19. Nem precisa assistir o final, porque doramas coreanos em geral não sabem terminar as séries (e você reclamando do final de How I met your mother). Acredite, você vai economizar um tempo da sua vida que não voltará se você decidir assistir a tudo.



Os primeiros dois episódios são bem mais legais, acho que esse é o problema. Tem cenas como a acima. São cenas bonitinhas que preenchem o coração. Mas o resto da série, é só tristeza, com pitadas homeopáticas de felicidade, e toneladas de tédio. Seria bom se, sei lá, expandissem esses dois episódios iniciais, seria uma boa. Depois que ela fica adulta tudo fica muito sem graça, triste e monótono.

Nota final 2/10

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Amber #125 - Suspicious minds (2)

7 de dezembro de 1939
9h10

“Uau. Essas empregadas do velho Cheng são bem caprichosas!”, disse Huang, se sentando na mesa na sala de jantar da mansão de Cheng, “Hora de matar o que tá me matando! Que fome do caralho!”

“Sempre folgado, hein Huang? Pelo menos tenha modos, por favor”, disse Ho, se sentando na mesa vendo Huang se servindo.

“Falou, mamãe! Ho, você como sempre fica me tratando como filho, não muda nada”, disse Huang, provocando Ho.

Nesse momento Tsai apareceu com Schultz, e os dois cumprimentaram acenando com a cabeça, e soltando um “Da-jia hao” (“bom dia” em chinês). Ho soltou um cumprimento mais empolgado, enquanto Huang soltou um mais rabugento, fingindo não reparar nos dois juntinhos. Ao se aproximar da mesa, Tsai enlaçou seu braço com o de Schultz e o acariciou com a outra mão, antes de retribuir o “bom dia” que lhe deram.

“Sente-se aí, Schultz. Vou comer rapidinho que hoje tenho muita coisa para fazer. Você pode ficar aqui e comer a vontade, tudo bem?”, disse Tsai, e Schultz confirmou com a cabeça.

“Tudo bem! Sem problemas”, disse Schultz, vendo que uma das empregadas traziam uma tigela cheia de baozi quentinhos saídos do vapor, “Minha nossa, baozi fresquinhos! Faz tempo que não como esses bolinhos, ahhh!”.

E Tsai sorriu olhando para Schultz. Huang obviamente sabia, mas nesse momento se Ho tinha alguma dúvida, essa se foi por terra ao ver o sorriso da Gongzhu. A Gongzhu dificilmente sorria, mas ela deu um sorriso muito fácil. Mas não era um sorriso comum. Como mulher, e bem mais velha, Ho sabia exatamente o que era aquilo: era o sorriso de uma mulher apaixonada.

“É, parece que esse Chang Ching-chong vai dar uma festa de gala num prédio perto da Cidade Proibida nessa noite”, disse Cheng, aparecendo do nada, e lançando uma folha de jornal na mesa, “Não cita em específico o nome dele, mas minhas fontes confirmaram que ele estará lá. Parece que é um antigo Senhor da Guerra ricaço que promoveu essa festa”.

“Uau. O senhor tem uma rede de informações realmente impressionante”, disse Tsai, chocada, “Pequim realmente está na palma das suas mãos, senhor Cheng”.

“Como você pretende adentrar esse local?”, disse Cheng, ignorando completamente o elogio que Tsai lhe deu, “Pelo que vocês me adiantaram, Chang Ching-chong está por detrás de um coreano que se infiltrou como seu informante e te traiu, é isso?”.

“Sim, temos algumas perguntas para fazer a ele”, disse Tsai, falando com Cheng e voltando o olhar para o jornal, “Acho que faremos o óbvio mesmo. Invadir sorrateiramente”.

Cheng nessa hora olhou com desprezo para Tsai depois de ouvir o plano inicial da chinesa.

“Pft! Faça-me o favor! Numa festa de gala com centenas de pessoas? Isso é extremamente arriscado, Tsai. Se vocês forem pegos, não terão uma segunda chance”.

“E o que o senhor sugere?”, perguntou Tsai.

“Que tal se entrássemos na festa como convidados?”, sugeriu Schultz.

“Rá, que piada… Isso nunca vai dar certo, alemão”, disse Huang, dando risada. Mas logo se viu dando risada sozinho.

“Era exatamente o que eu estava pensando”, disse o velho Cheng, e nessa hora Huang engoliu o riso, sem saber onde enfiar a cara, “Terão guardas espalhados por todo o local, e eles estarão esperando uma invasão. Mas se você entrar disfarçada de convidada da festa com outros, será mais seguro e eficiente”.

“A nossa opção óbvia seria invadir o prédio, mas eles estão esperando isso. Se entrarmos como convidados da festa, mesmo que estejamos por debaixo do nariz deles, dificilmente eles vão nos perceber”, disse Ho.

“Tudo bem, faz sentido, senhor Cheng. Temos que nos preparar então”, disse Tsai.

“Cuide da logística, divida as tarefas, e deixa o resto comigo”, disse Cheng, saindo da mesa, “Afinal, com que roupa você está pensando ir?”.

Tsai nessa hora fez uma cara consternada. Obviamente ela não tinha roupas de gala para usar naquela noite.

“Esse silêncio me diz tudo. Vou mandar buscarem roupas, cabelo e maquiagem para vocês. Esse disfarce tem que funcionar, e isso significa que vocês devem estar no mínimo deslumbrantes para essa festa de gala”, disse Cheng, chamando algumas empregadas enquanto saía da mesa do café da manhã.

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11h02

“De acordo com o que o Cheng levantou, essa festa vai atrair todos os ricões e pessoas influentes do Japão e da China”, disse Schultz, jogando a pasta no meio da mesa, “Uma festa de gala, bem no estilo ocidental. Uma forma de mostrar poder. Afinal a China está cada vez mais se rendendo e se tornando parte do Império Japonês. Uma reunião de amizade e para fortalecer os laços do que domina com o dominado”.

“E poder sempre vem junto com muito dinheiro”, disse Huang, na mesa reunido com Tsai, Ho e Schultz, “Ideologias nesse caso são o de menos. O que importa é se mantiverem os negócios protegidos”.

“E quem vai ficar com o Saldaña aqui?”, perguntou Ho.

“Vamos deixar com o Cheng. Ele pelo visto deve detestar americanos. Acho que podemos garantir que ele vai tratá-lo bem”, disse Tsai, e nesse momento Schultz deu uma risadinha irônica.

“Haha… Queria estar aqui pra ver isso”, brincou Schultz.

“Schultz e eu vamos nos infiltrar como convidados da festa. Cheng conseguiu para nós um convite com nomes falsos. Eu serei uma donzela japonesa natural da cidade de Nara, chamada Hiroko Kawada. E o Schultz será meu marido, um fuzileiro naval inglês da reserva, George Croasdell”, disse Tsai.

Huang virou o rosto pro lado, demonstrando desdém ao ouvir isso. Tsai fingiu que não viu.

“Puxa, um casal? Será que não levantaria suspeitas?”, perguntou Ho.

“Hunf, suspeitas? Fala sério…”, disse Huang, sem gostar nada do que haviam planejado, “Parece provocação, essa merda”.

Huang bufou e se ergueu da mesa. Tsai e Schultz tentaram manter a compostura, apesar da atitude de Huang. Continuaram falando plano, mesmo com Huang deixando a mesa:

“Falaremos apenas em inglês. Falarei com um sotaque japonês para deixar menos suspeito”, disse Tsai, e nessa hora ela elevou um pouco a voz na direção de Huang, que já estava deixando a sala de jantar: “E Huang, preciso que você se infiltre na festa, será que você consegue? Preciso de uma pessoa incógnita para ficar de olho em tudo”.

Mas Huang já havia virado, deixando apenas um aceno com a mão para Tsai, confirmando que havia ouvido tudo.

“Gongzhu, sei que não é do meu feitio perguntar isso, mas…”, disse Ho, fazendo uma pausa e olhando para Schultz e Tsai, “Por acaso vocês dois estão juntos?”.

“Nossa, Ho… Que pergunta”, disse Tsai, olhando para Schultz, que tomou a frente para explicar:

“Estamos juntos, sim, se quer saber Ho. Eu gosto muito da Tsai, e acho que é recíproco. Mas estamos no começo, estamos, vamos dizer, curtindo”, disse Schultz, colocando sua mão carinhosamente sobre a de Tsai, na mesa. Ela ficou com o rosto vermelho ao sentir a pesada mão de Schultz sob a sua, “Mas não temos nada a esconder. Existe sim um sentimento entre a gente”.

Tsai então sentou ao lado de Schultz, e olhou firmemente para Ho.

“Ho, eu queria te pedir um favor. Huang está muito abalado com tudo isso, é uma situação muito difícil para ele. Infelizmente ele está com o coração quebrado”.

“Entendi. Mas Gongzhu, eu sou casada, e meu marido não gostaria nem um pouco que eu fosse consolar o Huang. Sem contar que ele não faz muito o meu tipo”.

“Não, não! Não é nada disso. Eu me preocupo com ele, e sei que ele não é lá o melhor amigo de você, mas gostaria que você tentasse dar uma força para ele entender. Especialmente que as coisas entre eu e ele acabaram. Eu não gosto de vê-lo sofrer assim. É muito triste quando uma pessoa sofre por amor”.

“Tudo bem, Gongzhu. Acho que pelo bem do nosso pelotão, e de nossa própria sanidade, seria bom dar uma força para o Huang. E quanto a mim, eu ficarei no lado de fora mesmo?”.

“Sim. Eu preciso que você se disfarce como uma pessoa de rua. A China está muito pobre, e muitas pessoas estão passando fome e necessidade nas ruas. Uma mendiga sem dúvida conseguiria passar sem levantar muitas suspeitas”.

Ho ergueu o polegar confirmando e deu um sorriso para a Gongzhu.

“Nós entramos em contato com vocês no meio da festa. Qualquer atividade suspeita, não se esqueça de nos reportar”, disse Tsai, finalizando.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Amber #124 - Suspicious minds (1) - Die Aurikel

“Parado onde o senhor está, Chang Ching-chong!”, disse Tsai, esbaforida, apontando sua arma. Ela estava com um belíssimo vestido vermelho de seda, e seu cabelo tinha uma mecha preta fora do lugar, que caía em seu rosto, contrastando com sua pele branca como a neve, mas que não tirava nem um pouco do seu ar de gala, “É melhor que o senhor desça já comigo lá para baixo”.

Chang Ching-chong estava por cima de duas mulheres, uma loira e uma chinesa, já sem as calças. Quando virou o seu rosto e viu Tsai, o chinês tomou um susto. Ele era calvo, sem barba, e sem muita barriga, apesar da idade. Parecia ter entre quarenta e cinquenta anos.

“Calma, Tsai. Porque o desespero? Achou mesmo que seria fácil? Ou está preocupada com o seu querido Huang, lá embaixo?”, disse Chang, provocando Tsai. Ele puxou as calças para cima e as fechou, enquanto as duas mulheres ficavam lá na cama sem entender muito o que estava acontecendo.

Tsai viu então ao longe um vaso muito bonito, perto da janela ao lado de onde Chang Ching-chong estava, de porcelana escura, contendo uma flor. Toda a vez que ela olhava para aquele vaso, era como se ela conhecesse aquela planta, embora ela nunca havia visto algo como aquilo na vida.

Era uma flor linda. Era amarela, tinha sete pétalas arredondadas, e no meio, onde deveria ser o botão, era mais claro. Ela estava completamente hipnotizada, mas algo a dizia que Chang não poderia nem imaginar que aquela flor estava lá.

“Fim da linha para você, Chang Ching-chong. Você está preso. Descobrimos o que precisávamos descobrir sobre você. Você é um traidor, seu canalha!”, disse Tsai, se aproximando, acalmando a respiração, “Se envolvendo com os japoneses, fechando negócios com eles, promovendo uma festa para lucrar com essa guerra imunda!”.

“Tsai Louan, sugiro que saia logo daqui. Você sempre foi uma pirralha chata! É assim que as coisas funcionam, pare de achar que o mundo a sua volta tem que ser certinho, pois esse mundo não é real!”.

“Não acredito que estou ouvindo isso! Você deveria proteger o povo, lutar pela república e pela democracia no nosso país, depois de derrubar a monarquia que tanto fez o povo sofrer!”.

“Rá! Olha só. A filha de um senhor da guerra tentando botar juízo na minha cabeça. Você é a última pessoa que tem o direito de fazer isso!”.

Aquela flor então em um piscar de olhos trocou de lugar, enquanto Chang Ching-chong falava. Lá do fundo, se aproximou e ficou numa escrivaninha do lado esquerdo de Chang, como que se teletransportasse para aquele local. Aquele vaso continuava prendendo a atenção de Tsai, que apesar de estar apontando uma arma para Chang, se distraía levemente olhando para a flor. Ela então prosseguiu:

“Sim, meu pai foi um senhor da guerra, mas isso é passado. Hoje ele serve ao lado do generalíssimo! Pessoas mudam! Pessoas não são uma coisa absoluta, que não conseguem mudar ou melhorar!”.

“Seu pai pegou uma fatia do nosso país com seu exército pessoal. E agora está junto do Kuomintang, como se nada tivesse acontecido. Esse cinismo passa todos os limites!”.

Tsai viu então um monte de papéis. Pareciam relatórios, todos escritos em chinês. Documentos, todos registrados em folhas timbradas, com algo vermelho bem específico no topo. Era um emblema, com um globo terrestre no centro, e uma foice e um martelo em primeiro plano, dourados.

“Eu não acredito”, disse Tsai, pegando uma das folhas e lendo rapidamente por cima enquanto tentava não tirar o olho de Chang, “União Soviética? Então era tudo verdade! Minha nossa, não acha que seria tão fácil achar provas de que você estava de conluio com os soviéticos”.

Tsai ouviu um grito no seu coração. Era a flor amarela falando com ela de novo. Era um som que reverberava na sua alma um pedido de atenção, pois poderia ser perigoso. Mas ao ler tudo o que estava escrito em chinês naquela folha dilacerava o seu coração. Aquela era a prova definitiva que Chang Ching-chong, que era braço direito de Chiang Kai-shek na verdade estava sendo um informante secreto para a União Soviética!

“É, Tsai. Feliz por descobrir tudo?”, disse Chang Ching-chong enquanto corria em direção de Tsai, se aproveitando de sua distração.

Foi então que o vaso da flor apareceu na sua frente, flutuando, vindo de trás de Chang Ching-chong. Inexplicavelmente o vaso se jogou contra Chang, e, apesar do seu tamanho minúsculo de uns vinte centímetros no máximo, o vaso teve força o suficiente para derrubar aquele chinês.

E novamente Tsai ouviu no seu coração a flor dizendo algo. Era um pedido para que ela fugisse, mas aquele vaso era extremamente especial para ela. Ela sentia como se fosse algo imprescindível e insubstituível em sua vida, e sua vida não seria a mesma se não tivesse aquela flor.

A Gongzhu sentiu um peso imenso em seu peito enquanto a flor gritava em seu coração para que ela fugisse. Ela tentava dar uns passos para a saída, mas queria ao mesmo tempo voltar a salvar aquele pobre vasinho que para ela significava tanto!

“Da onde você veio, seu inútil? Uma última proteção para sua dona?”, disse Chang Ching-chong, sacando uma pistola da sua cintura, “Pois farei questão de que você só encontre com ela agora na outra vida!”.

E então Chang descarregou furiosamente todo o pente de balas de sua pistola contra o pobre vaso da flor amarela. Tsai observava a flor caindo no chão, murchando instantaneamente, enquanto que a água do vaso escorria por todo aquele chão de madeira. Tsai estava paralisada. Fora de si, gritava desesperadamente pela flor, mas já era tarde demais.

“Die Aurikel! Die Aurikel!”, gritava Tsai, em prantos, “Die Aurikel, não morra! Justo agora que eu te encontrei!!”

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7 de dezembro de 1939
7h40

“Die Aurikel!!”, gritou Tsai, dando um pulo da cama.

Schultz, ao seu lado, tomou um susto imenso. Ao olhar para sua garota, vira que ela estava ofegante. Sua respiração estava rápida, e ela transpirava frio. Depois de se sentar e olhar para o rosto dela, vira que Tsai estava com uma expressão de susto estampada em seu rosto.

“Princesa? Tudo bem aí?”, perguntou Schultz, acariciando o ombro dela, “Que grito foi esse?”.

E então Tsai recobrou a consciência. Toda aquela cena onde via Chang Ching-chong foi um sonho.

“Nossa, meu deus, o que foi isso?”, disse Tsai, baixando a cabeça e colocando sua mão sobre a mão de Schultz que acariciava o seu ombro, “Schultz, tive um pesadelo terrível”.

“Um pesadelo? Puxa. Pensei que as pessoas só acordavam assim aos saltos em filmes. É a primeira vez que vejo alguém acordando assim, saltando, aos gritos. Pelo visto foi uma coisa bem feia”, disse Schultz, envolvendo Tsai em seus braços, e a sentando na cabeceira da cama. Ela também se acomodou, colocando a cabeça no peitoral do alemão. Ele então a perguntou:  “Quer conversar sobre?”.

Tsai por um momento ficou em silêncio. O sonho havia acabado de acontecer, e ainda estava vívido em sua mente. Era claro que ela se recordava. O problema era que agora que ela tinha desperto e pensado sobre o sonho, ela havia se dado conta que não fazia sentido algum.

“Hmm… Não sei. Não faz muito sentido na verdade”, disse Tsai, envergonhada.

“Sério? Todo mundo tem sonhos estranhos. Eu queria muito sonhar com você! Sonhar com você de noite, e ver você de dia, nossa, eu nunca ia cansar disso!”, brincou Schultz, como toda pessoa em começo de namoro.

“Você é todo engraçadinho, né?”, brincou Tsai, de volta, “Mas tô falando, não faz o menor sentido. No sonho estávamos prestes a prender o Chang Ching-chong. Mas um vaso com uma flor amarela ficava chamando minha atenção”, Tsai nesse momento balançou a cabeça, mas o olhar de Schultz interessado fez ela prosseguir: “Eu sei que não faz sentido, mas aquele vaso com aquela flor era algo importante para mim. E quando Chang veio para cima de mim, o vaso se jogou para cima dele, espontaneamente, e derrubou Chang Ching-Chong no chão, me defendendo”.

“Uau. Não é todo dia que vemos um vaso de flores bancando o herói, haha!”.

“Eu disse que não fazia sentido, bao-bao”, disse Tsai, e na hora que Schultz ouviu ela o chamar de ‘bao-bao’, ele ficou vermelho. Esse era igual quando uma namorada chamava seu parceiro de ‘meu bebê’, ‘meu querido’, em chinês. Era uma forma extremamente carinhosa de chamar a pessoa que você considera importante, e Schultz sabia disso. Tsai prosseguiu: “Só que Chang atirou contra o vasinho com as flores, e quando isso aconteceu, nossa, eu senti uma tristeza indescritível. Como que aquela flor fosse um parente, uma pessoa que eu amasse muito”.

“Uma pessoa que você ama muito? Puxa, vou ficar com ciúmes! Você tá sonhando que ama outro cara? Hahaha”, disse Schultz, tirando sarro do que ouvia de Tsai. Essas risadas no fundo faziam Tsai se sentir um pouquinho melhor.

“Ah, não zoa! Acordei até gritando! Sei que não faz sentido, mas parecia algo terrível”.

“É verdade, você acordou gritando mesmo alguma coisa. Parecia alemão! Você lembra?”.

“Acho que sim. Acho que gritei ‘die Aurikel’. Curioso que mesmo no sonho eu gritava isso quando o vasinho foi alvejado pelo Chang”.

“Die Aurikel?”, perguntou Schultz, sorrindo, e quando Tsai confirmou ele soltou uma gargalhada, “Hahaha! Eu sabia que parecia alemão!”.

“E o que é?”.

“É uma flor! É o nome alemão para uma flor bem comum na Alemanha, chamada ‘orelha-de-urso’. É bem bonita!”.

“Orelha-de-urso”, disse Tsai, pensativa, “Entendi”.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Amber #123 - Para que viver se não puder vencer? (2)

Huang balançava a cabeça sem acreditar no que estava ouvindo. Scar Xue estava tentando chantageá-lo, oferecendo dinheiro e até mesmo a chance de ter algum desafeto morto por ele. Nesse momento Huang sentiu um pouco de vergonha de si mesmo também, pois se Saldaña estava mandando Scar Xue dizer isso, era porque o próprio Saldaña acreditava que Huang seria uma pessoa desse tipo, que trairia seus amigos, seus companheiros, e além de tudo, que trairia a Tsai. Ter dado motivos para alguém de fora ter imaginado isso dele o dilacerava por dentro.

“Hã? É isso mesmo que eu ouvi? Ah, fala sério!”, disse Huang, indignado, “Eu não entendo da onde você tirou isso, seu americano idiota. É verdade que eu sou um pouco insubordinado, mas uma coisa que eu jamais faria era trair a Tsai”.

“Vamos, dê o seu valor. Não é minha intenção me engajar em um conflito aqui”, disse Scar Xue, provocando Huang sem se mostrar abalado depois da proposta, “Todo homem tem um valor. Seja alto ou baixo. Se é dinheiro o problema, consigo o dinheiro. Se quer eliminar alguém, posso conseguir isso. Apenas preciso que o senhor me deixe passar, sem problemas”.

“Escuta aqui, seu imbecil. Farei questão de falar em chinês, para que você compreenda”, disse Huang, indo até Scar Xue e pegando-o pelo pescoço, apontando a arma para sua cabeça com a outra mão. O resto da conversa foi em chinês, o que impossibilitou que Saldaña entendesse: “Eu jurei lealdade para a Tsai, e para todos do nosso pelotão. Você sabe o que é isso? Eu acho que não. Um desonrado igual você jamais saberia o que é isso. É verdade que eu e até outras pessoas talvez não concordem sempre com a Tsai, mas isso é normal. Nós acima de tudo somos fiéis uns aos outros, e mesmo que tenhamos pontos de vista diferentes somos ouvidos e respeitados”.

Scar Xue estava se sentindo incomodado com Huang o apertando e apontando aquela arma para sua cabeça.

“Abaixe essa arma”, disse Scar Xue, em inglês.

E então Huang deu uma coronhada na testa do assassino.

“Vai, sai daqui”, disse Huang, enquanto Scar Xue gemia no chão, levando a mão à cabeça, “Dá o fora daqui senão vou te expulsar aqui na base dos pontapés!”.

“Você realmente não tem noção”, disse Scar Xue, falando baixo, como se estivesse resmungando, “Não tem noção com quem você tá falando, seu soldadinho de merda!”.

E então Scar Xue se ergueu e se jogou violentamente contra Huang. A cabeçada que o chinês deu na barriga de Huang foi muito forte, e lançou os dois contra uma parede. Apesar do barulho do impacto, Huang soltou um grito abafado.

“Maldito! Se é assim que você quer, você vai ver só!”, disse Huang, dando um golpe com as duas mãos nas costas de Scar Xue, o levando ao chão.

Huang se preparou para dar um chute em Scar Xue caído, mas ele se ergueu rapidamente e os dois começaram a trocar socos e chutes.

“Uau. E eu achando que essa noite ia ser um tédio”, disse Saldaña, pensando alto. Ele virou o rosto para White, e percebera que ele ainda dormia profundamente, mesmo com o barulho ali do local, “E esse imbecil aí dorme igual pedra”.

Já nos primeiros golpes Huang percebera que era muito superior que Scar Xue em combate físico.

“Para alguém que se autointitula um assassino você luta muito mal!”, disse Huang, antes de acertar dois golpes na cara de Scar Xue enquanto desviava sem problemas dos golpes do algoz, “Não fazem assassinos como antigamente, viu. Essa tecnologia toda fez vocês só se preocuparem com o ato de matar. Nem cair na porrada você sabe!”.

“Rááááááá!!”, gritou Scar Xue, indo pra cima de Huang, o empurrando para fora do quarto.

Huang novamente bateu as costas contra a parede, mas dessa vez segurou Scar Xue pela gola, o puxando para cima.

“Mas pelo visto você é desses que gosta de empurrar os outros, né?”, disse Huang, dando um soco forte no rosto de Xue, o lançando cambaleante até a parede do outro lado do corredor, “Eu te disse que eu ia te chutar para fora daqui, seu merdinha! Volta aqui!”, e Huang então o agarrou novamente e deu um chute no abdômen do assassino, e depois o lançou contra a outra parede, “Você não merece nem um tiro daquela arma. Você é um erro, um derrotado, um lixo!”.

Tsai nesse momento abriu uma fresta da porta e viu Huang, que também percebera que ela estava ali o observando. Era possível ver que ela estava nua, segurando um lençol tapando sua nudez. Huang depois lançar um olhar para a Gongzhu apenas acenou com a cabeça e continuou a bater em Scar Xue. Tsai não saiu do quarto, fechou a porta. Parecia que Huang estava sob o controle de tudo.

Saldaña observava tudo do batente da porta, com os braços cruzados. Parecia alguém vendo um show na sua frente.

Huang agarrou Scar Xue perto da escadaria que levava para baixo.

“Sabe, eu ouvi a conversa de vocês dois. E existe algo que eu compartilho com aquele crápula do Saldaña”, disse Huang, com um tom duro e sincero em sua fala, “Que não existe motivo para viver, sendo um derrotado. E eu acho que você deveria ouvir isso. Não é porque você deu uma alcunha supostamente ameaçadora para si que o faz ser alguém malvado”.

“E você? Tem alguma alcunha?”, disse Scar Xue, com o rosto todo machucado, “Pois se não tem, deveria ter”.

“Eu tenho um sim, dentro do nosso esquadrão. Me deram o de ‘Wangzi’. Nada ameaçador, não acha?”, disse Huang, e nesse momento Xue deu um risinho, pois obviamente sabia o que significava em chinês. Huang prosseguiu: “Mas eu não ligo se isso significa ‘príncipe’. Poderia significar o que fosse. Eu, pelos meus atos, farei com que as pessoas temam e respeitem o tal ‘príncipe’. Não preciso ser chamado de ‘Scar’ para ser temido, seu grande idiota”.

E então Huang lançou Scar Xue escada abaixo. O velho Cheng coincidentemente estava caminhando com sua bengala pela sala quando viu Xue chegando ao chão.

“Desculpa a sujeita, velho. Vamos limpar”.

“É bom mesmo, moleque. Esse sangue todo não vai se limpar sozinho”.

E quando Huang se aproximou de Xue, vira que mesmo depois de rolar escada abaixo ele ainda estava vivo.

“Vaso ruim não quebra mesmo”, disse Huang, puxando Scar Xue pelo braço.

Xue bateu no braço de Huang e conseguiu se soltar, e então começou a correr, cambaleante, até a porta de saída da mansão de Cheng. Huang foi até Xue aos passos rápidos, uma vez que nem correr direito o tal Xue conseguia. O velho Cheng interviu:

“Ei, deixa ele, garoto. Ele já foi derrotado, não há motivo para continuar com isso”.

E então Xue saiu pela porta da frente, todo ferido.

“Sensacional”, disse Saldaña, lá de cima da escadaria, batendo palmas, “Vocês sabem sair no braço com estilo. Eu adoro esse lugar!”.

Huang e Cheng nem olharam para Saldaña. Apenas ergueram os olhos expressando impaciência. Huang então começou a subir as escadas, em direção a Saldaña.

“Já para o seu quarto, idiota. Agora!”, disse Huang, enquanto subia as escadas, ordenando.

“Sim senhor!”, disse Saldaña, debochando.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Amber #122 - Para que viver se não puder vencer? (1)

Já era quase meia noite, mas os gemidos do quarto ao lado não deixavam Huang dormir. Tsai estava transando com Schultz, e esses sons que pessoas emitem durante o sexo não o deixava dormir de forma alguma. Olhando pro teto e para a janela, Huang uma hora cansou e foi em direção da porta, a abrindo. Cruzou o corredor, desceu a escadaria até o rol de entrada e foi até a cozinha pegar uma água.

Puta merda, que saco. Eu acho que pior que um gemido alto e forçado são esses gemidos baixinhos, achando que ninguém tá ouvindo. Ainda mais quando se está tentando dormir no quarto ao lado, pensou Huang, enquanto bebia água.

Ao se virar para voltar, tomou um susto.

“S-senhor Cheng?!”, exclamou Huang, que não fazia idéia de que o velho Cheng estava ali, “O que o senhor está fazendo acordado? É quase meia noite!”.

“Eu durmo tarde e acordo cedo. Tenho muita coisa para resolver”, disse Cheng, e nesse momento Huang percebeu que havia uma pilha de relatórios na frente de Cheng, em cima da mesa.

“Uau. O senhor é realmente ocupado. Uma pessoa na sua idade normalmente só quer saber de dormir e ficar sentado no quintal vendo o movimento, mas o senhor está super ativo. É algo notável”, disse Huang, puxando uma cadeira e se sentando na frente do velho.

“Não pedi para você se sentar”, disse Cheng, rabujento.

“Ah, larga de ser rabugento, velho! Daqui a pouco eu subo de volta!”, disse Huang, provocando.

“É bom mesmo!”, disse Cheng, resmungando, voltando ao seu trabalho.

Huang apenas observava Cheng trabalhando. Era incrível o capricho, o velho tinha uma caligrafia invejável. Cada papel ele verificava pelo menos duas vezes, do cabeçalho até o rodapé, fazendo correções e anotações com uma bela pena caligráfica que ele usava com um tinteiro logo ao lado. O velho Cheng não se desconcentrava com o fato de Huang ficar o observando. O velho conseguia imergir em uma concentração fora desse mundo.

E depois de pouco mais de dez minutos, o velho havia terminado. E Huang continuava na sua frente, o observando.

“Não vai subir para dormir?”, perguntou o velho Cheng, se erguendo, e colocando a papelada debaixo do braço.

“Ah, já vou sim”, disse Huang, também se erguendo, quase que como saísse de um transe, “Desculpe, acabei me distraindo vendo o senhor trabalhando, nem vi a hora passando”.

Cheng então foi até uma gaveta da cozinha e tirou algo, a colocando na frente de Huang na mesa.

“Pode ser que precise”, disse Cheng, voltando para seu quarto ali no térreo da mansão.

O velho deixou uma pistola carregada na mesa. Huang não entendeu, pois ele tinha sua pistola, mas pegou a arma e colocou na cintura. Talvez o velho estivesse preocupado com o que fosse acontecer no dia seguinte, eventualmente.

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O que Huang não havia visto enquanto andava indignado depois de perder o sono por conta dos gemidos abafados que Schultz e Tsai soltavam, era que havia alguém atrás dele no momento que ele cruzava o corredor minutos antes, quando desceu para pegar água, no meio daquela iluminação parca.

Um homem vestindo preto aguardava Huang passar, antes dele encontrar com o velho Cheng, no térreo da casa. Seu rosto estava escondido com o tecido preto, deixando apenas os olhos de fora. Andando sem fazer barulho, foi até o quarto onde estava Saldaña. Ao girar a maçaneta tomou um susto, pois o quarto não estava trancado.

Dentro do quarto Saldaña estava olhando para a janela. A lua estava praticamente desaparecida, pois em breve se tornaria nova. Os ventos gelados do inverno faziam as árvores balançar, e o americano sequer havia ouvido o homem trajando preto entrar sorrateiramente no quarto onde estava sendo mantido em cárcere.

Foi então que o homem de preto colocou a mão no ombro de Saldaña. E o americano viu seu reflexo na janela.

“Hã? O quê?”, disse Saldaña, se virando com o susto.

Mister Saldaña, por favor, me acompanhe”, disse o homem de preto, sussurrando, fazendo um sinal para manter o silêncio em um inglês carregado de sotaque.

“Como é que é? Era só o que faltava. Pois então volte de onde você veio, seja lá quem você seja! Eu vou ficar aqui”, disse Saldaña.

“Precisamos fugir rápido”, disse o homem de preto, “Fui mandado por Müller e pelo…”.

“Eu sei quem mandou, já disse que não vou sair! Eu nunca sairia assim, fugido, como um cachorro com o rabo entre as pernas!”.

Mister Saldaña, por favor, peço sua compreensão”, disse o homem de preto, puxando Saldaña pelo braço.

Nesse momento Saldaña perdeu a paciência.

“Escuta aqui, você é surdo ou é só imbecil?”, disse Saldaña, puxando a máscara do homem de preto.

O homem de preto tinha uma cicatriz que da bochecha esquerda dele até o nariz. Ela não cruzava o rosto de um lado ao outro, a marca do corte parava em cima do nariz, deixando a composição assimétrica.

“Um chinês?”, disse Saldaña ao reconhecer os traços.

“Um assassino”, disse o homem de preto, “Meu nome é Scar Xue. E meus serviços de mercenário foram contratados para que eu resgatasse o senhor desse lugar”.

Saldaña deu risada ao ouvir o nome do chinês.

“Como se não bastasse mandar um chinês dos olhos puxados me resgatar, ainda mandam um zé ninguém que mal fala inglês e que se autodenomina ‘SCAR’! Eu nunca vi algo tão ridículo na minha vida!”.

“Sou o melhor do meu ramo, senhor”, disse o tal Scar Xue, “As pessoas que me mandaram falaram que não se importam com o que você acha, e disse que o senhor ofereceria uma resistência. Mas pediram para transmitir que o senhor é de vital importância para que o plano ocorra de maneira correta”.

“Para que o plano ocorra de maneira correta? Independente do que seja, o plano acaba aqui. Mãos pra cima, os dois”, disse uma terceira voz, vindo da entrada.

Quando os dois se viraram, viram Huang, com a arma que o velho Cheng havia lhe dado, momentos atrás.

“Eu disse mãos pra cima, os dois!”, disse Huang, sem gritar, apenas ordenando. Porém os dois continuavam o encarando. Scar Xue então tombava o rosto, olhando de lado. Saldaña estava até esboçando um sorriso irônico.

“Huang, quem diria que sair pra mijar no meio da noite iria trazer você aqui. Eu odeio essas coincidências da vida”, disse Saldaña para Huang.

“Levantem as mãos agora!! Eu vou atirar!!”, disse Huang, sendo ainda mais enfático.

“Sabe o que esse xing-ling veio fazer? Me tirar daqui. Mas eu já disse que não vou sair resgatado. Eu quero destruir tudo. Pisar na honra de todos vocês. Mostrar o real poder do tio Sam”, disse Saldaña, “Para que viver se não puder vencer?”.

“Olha, teve um tempo que eu achava você um burro. Porém na verdade você é bem esperto, mas sua prepotência deixa você parecendo um idiota, preso nesses seus valores estranhos e deturpados”, disse Huang, cansado do blá-blá-blá de Saldaña. Ele apontou a arma para Scar Xue também, ordenando: “E você, já disse, mãos para o alto, agora!”.

“Não é prepotência. Eu tenho plena noção e ciência de tudo o que eu digo e o que eu faço. Sou sobriedade dos pés até a cabeça”, disse Saldaña, com o ego lá em cima, “Eu sou um soldado do maior e melhor exército do mundo, e sou um cidadão do país mais forte de todo o globo. Não sou um selvagem que come sem talheres igual vocês, chinesada”.

“Hã? O Reino Unido é o país mais forte do mundo!”, disse Huang, “Vocês são apenas um país grande na cola da commonwealth!”.

O que Huang disse é bem verdade. Ao menos nessa época que se passa, 1939, o Reino Unido era um país fortíssimo economicamente e militarmente, muito mais forte que os Estados Unidos, que só se ergueria como uma superpotência depois da vitória da Segunda Guerra Mundial. Ainda tinha tempo até isso acontecer.

“Parem vocês dois. Eu tenho um objetivo para cumprir, e vou sair com o senhor Saldaña daqui”, disse Scar Xue, com algo de sinistro em sua voz, “Mesmo que para isso eu tenha que passar por cima do senhor. Huang, certo?”.

“Sinto muito acabar com seus planos, mas ninguém vai levar o Saldaña daqui”, disse Huang, ainda apontando a arma para Scar Xue.

“Pode tentar subornar ele. Ele é o mais revoltadinho do grupo”, disse Saldaña para Scar Xue, com um tom de deboche na voz. Ao ouvir que Saldaña tinha essa impressão sobre si, Huang se sentiu profundamente ofendido. Quando ia abrir a boca para falar, Scar Xue o interrompeu:

“Quanto você quer? Posso pagar até o peso em ouro. Ou se quiser que eu elimine alguém, pode escolher qualquer pessoa para que eu faça o serviço”, disse Scar Xue.

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