quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Parecia uma noite comum. Ora, lá estava eu no terminal esperando meu ônibus chegar, que demora um bocado, e sempre que eu chego eu sempre dou o azar de pegar o ônibus acabando de sair. Eu então sempre sou um os primeiros na fila, depois de sempre a meia-hora básica, enfim a condução chega. Hoje resolvi pegar um lugar lá em cima, estava me achando mais antisocial que o normal. E por lá mesmo fiquei.

Comecei então a observar as pessoas, como de costume. Eu acho seres humanos bichos tão interessantes, hahaha... Mesmo eu não me encaixando no padrão "humano" comumente chamado. E lembrei das palavras um antigo filósofo (quem lembrar, ganha um doce!) que disse que seres humanos não passam de exatamente isso, maquinas. Lembrei então de um dos meus livros favoritos, Admirável mundo novo o qual eu irei re-re-re-re-ler em breve, mas como sempre eu acabo observando mais um detalhe que acaba passando despercebido. E não é por acaso, mesmo que muita gente odeie, continua sendo um dos meus livros favoritos. Lá, uma parte sempre me chamou muita a atenção desde que eu li a primeira vez. É uma cena em que as crianças, já condicionadas a base inclusive de choques, a fazer desde meros infantes a uma única função. Como máquinas.

E vejo exatamente isso acontecendo hoje em dia. Bons tempos aquele em que vivíamos em guerra! Invasões na europa com certeza acabavam com esse tédio. Pois hoje somos forçados a viver como máquinas, cumprindo horários, trabalhos, pegando os mesmos ônibus, enfim. Eu sempre pego ônibus pra voltar com uma loira que desce dois pontos antes do meu. Eu nunca falei com ela, mas ela chama a atenção principalmente pelo tamanho (é do meu tamanho. e isso porque ela usa tênis. Realmente, eu tenho uma queda por mulheres altas...) e vejo todo dia ela com a mesma porrada de livros e no mesmo horário. Parece um robôzinho, hahaha...

Concluindo que, o tal filósofo que quem acertar ganha um doce, é antiguíssimo. Já na era moderna ele já observava isso, e isso só foi mantido. E ai de quem quebrar essa corrente. Claro, perderá o emprego, o estudo, e até a namorada. As pessoas dizem que as máquinas dominam o mundo - algo como uns viciados em Matrix tenha dito, alguns inclusive diziam achar que tinham plugs atrás de suas nucas - mas as máquinas há muito somos nós. Seres humanos desempenham funções específicas, mas a questão não é bem isso, e sim a regularidade isso. Pois é simplesmente comum pessoas irem trabalhar no mesmo horário, almoçar no mesmo horário, deixar o serviço no mesmo horário e inclusive pegar os mesmos ônibus!

Quer dizer então que somos escravos disso, e claro que muitos têm as suas válvulas de escape, porque o ser humano em si é fraco. Conheço muita gente que escapa da rotina com namoros, drogas (das ilegais e as legais, claro), entretenimentos diversos, putas, enfim. Fazem isso porque se acham humanos, mas no dia seguinte voltam a ser as máquinas. Outros fortes porém conseguem viver sem isso, ou porque seus trabalhos são prazerosos, ou são workaholics. Será que é possível quebrar esse metodismo?

No mundo de hoje não. Exceto algum chacoalhão se a pessoa sofrer. Tava lendo um mangá interessante sobre isso, Death Note, muito interessante aliás, e nele um garoto vive nesse tédio infernal, e recebe um caderno especial onde o nome que ele colocar morrerá com as causas citadas também nele. Aí o tédio do rapaz acaba, mas ele mesmo se vê na obrigação diária de estudar, ser o melhor no cursinho, estudar de novo, e não ter sequer tempo pra ele mesmo, até aparecer o tal caderninho maldito.

Afinal são as válvulas de escape que fazem com que vocês se chamem de humanos. Queria entrar mais em causas fisiológicas disso, mas vou usar um exemplo que eu gosto muito: Roma antiga. Suponho que ao menos tenham ouvido falar da cidade perdida de Pompéia. Não, não é um bairro de baladas de São Paulo, mas sim uma cidade que sofreu um terremoto, e quando conseguiu se recuperar, uma densa nuvem de cinzas vulcânicas a cobriu pra sempre, vulcanizando até os transeuntes da rua. Acharam ela no século passado, e puderam então achar mais informações sobre a formação da cultura romana. E lá encontraram, claro, afrescos nas paredes. Muitos deles com temas de sexo.

Eu acho interessante procurarem sobre. Pra força-los a isso, não postarei nenhuma foto aqui. =X

Mas tava lá. As válvulas de escape! Sim, pois o tédio domina, e seres humanos descontam nos prazeres. Claro que muitos dirão que talvez aquilo tenha um fundo mítico-religioso, por talvez Vênus ou algo do tipo, enfim, acreditem no que quiserem. Eu acho engraçado pessoas que vivem digamos... Isoladas da civilização. E então tem todos muitos filhos, já vi passarem dos vinte fácil. O escape do tédio tá ali novamente, sexo, só que vem a consequência que são vinte bocas a alimentar, e por aí vai. Não estou dizendo que isso seja errado, primeiro que eu particularmente acho já errado ter filhos, planejados ou não, mas numa era de que "eu tenho dinheiro e eu faço o que eu quero", tratarei disso numa próxima ocasião.

Querem todos fugir do tédio. Mas acham nos prazeres o escape. E quando voltam ao tédio, só querem saber de encontrar de novo esse escape. Sabe, eu gosto do budismo e seu caminho do meio exatamente por isso. Se vocês humanos têm problemas na administração de seus prazeres ou rotina pensam que descontar um no outro os trarão o equilíbrio, se bem que não vêem que é a na verdade a eliminação de um que traz o equilíbrio que tanto almejam.

Hahahha... A carne é fraca meus caros. Mas o fato da suas carnes serem fracas é porque vocês em si são fracos, e não que são vulneráveis. =)

(Foto: Ruki do GazettE. A foto tava longa e então eu girei. Ouvi falar que tá na moda isso, heuaheuae...)

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