sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Living la vida pós-moderna!

É... Parece que o sol voltou.

Outra foto de eu com a minha kataná. Ontem a professora Isa falou de algo como a arte nos impedir de virarmos máquinas. Afinal, a arte é o que nos faz pensar.

Quero mostrar hoje a minha singela opinião sobre a arte em si. Quero dividir em três segmentos. A arte que eu costumo declarar como realista começou bem antes de Da Vinci ou Michelangelo Buonarotti. Ela começa lá atrás, no período que nós italianos chamamos de "il quattrocento", literalmente "os quatrocentos". Antes de tudo, temos que tomar como base duas características da arte greco-romana, a diferença que eles tinham quanto a pintura e a escultura. Pintura como sempre foi algo estritamente pensado para passar a ilusão mais próxima da real, enquanto a escultura era um mero trabalho braçal, que necessitava mais músculos do que pensamento. Claro que hoje em dia ambas necessitam de planejamentos e técninas diferentes. Vou focar mais na área da pintura.

Giotto di Bondone que explorou a perspectiva e é praticamente o pai dela. Existem vários afrescos dele na área da Itália, em Florença mesmo. Ao contrário do que muitos pensam, a tradução latina de perspectiva vêm de "ver através de", e embora outros tenham se aventurado antes da perspectiva geométrica a tentar fazê-la (vide Lorenzetti, Simone Martini), pouquíssimos conseguiram com tão êxito. A idéia de fazer arte o mais realista possível tinha muitos motivos. O primeiro, é claro, passar uma mensagem o mais racional e clara possível. Colocar um homem numa cruz ensanguentado e duas donzelas abaixo dele chorando passaria uma mensagem exata bem mais óbvia do que se fosse ser feita com ideários modernistas. Pra mim, foi aí que o ser humano virou uma máquina unilateral, obedecendo apenas uma única linguagem, sem uma segunda opinião.

Antes de continuar porém, quero deixar claro que isso não tem nada a ver com minha opinião pessoal sobre arte em si. Até porque sou um artista e gosto de ser bastante eclético, fazendo tanto coisas modernistas como também coisas clássicas. Acho que a sociedade anda preconceituosa com arte clássica nos dias de hoje, e eu acho que deveria haver tanto respeito de uma quanto para a outra. Vamos a continuação:

Isso durou claro, até começarem as vanguardas, com o Impressionismo dos franceses. Porém ela continua deveras realista. Mas o ser humano foi apresentado a um outro ângulo de visão: o de ver as coisas por uma outra maneira. Há quem diga que modernismo começou no simbolismo e no realismo, nem tiro tanto crédito deles, depende do que você define como "ver por um outro ponto de vista". Se for assim, vide Rococó e Barroco, embora parecidos, ambos têm características distintas. E daí em diante, os intelectuais fundaram o modernismo nas artes. Criaram acima de tudo novas linguagens. Novas idéias. Minha professora disse nesse momento que foi nessa hora que o homem queria deixar meio de ser máquina, pois teria outras linguagens á sua volta.

Porém, eu não penso nisso. Creio que isso sim fez o homem continuar uma máquina, porém de multiplas linguagens. O que eu não gosto no modernismo é exatamente essa criação de muitas linguagens, e abandono delas inclusive. Muito foi investido da cabeça dos artistas para tirarem dela uma nova maneira de ver e passar mensagens, embora não tenham explorado na minha opinião a totalidade.

Por isso mesmo, creio que o que realmente irá nos tirar dessa câmara de oxigênio será o pós-modernismo. O pós-modernismo praticamente não criou novas linguagens. Incorporou várias e as evoluiu, transcendeu. Vide psicodelismo por exemplo. É explorar as novas linguagens e não cria-las. Tirar o máximo de proveito delas, dar um significado além do já dado. Modernismo sempre foi deveras superficial e "uma linguagem nova que todos entendam". Já o pós-modernismo chegou pra, com expressões coloquiais, chutar o balde e destruir tudo.

Tirar essa idéia de que criar uma nova linguagem tem que ser baseada na utilidade e na versatilidade. Porque não criar uma linguagem inútil, que tire as pessoas de seu transe monótono, que as tire de seu êxtase de ficar apenas vendo as informações, embora em diferentes linguagens, mas todas na sua utilidade e deveras certinhas? Crie um quebra-cabeça. Que sua arte não pregue uma nova linguagem, mas que a aprimore ou então não crie linguagem nenhuma! Vi rapidamente o novo álbum do grande Tom Zé, e em uma entrevista dele vi o uso de sons que ele mesmo arquitetou, e digo que aquilo já é a influência pós-moderna querendo tirar o homem de seu eterno "acorda, vai trabalhar, volta pra casa e dorme" e complicando a sua vida, fazendo que ele se perca na sua imensidão de anseios e devaneios e caia em outra esfera. Claro que ele irá se achar depois, mas criar novas linguagens úteis acabou. Já criamos demais. Agora a ordem é explora-las!

E viva o pós-modernismo. Se você é daqueles que diz que isso não existe, sinto muito. O tempo irá mostrar a você. =)

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