quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Encontrou-se com o único mal irremediável.

Ontem quando fui pra psicóloga, encontrei um velho companheiro meu dos tempos do colégio. Fui conversando com ele, e ficamos jogando conversa no caminho. Claro, fazia o que... Décadas que eu não sabia dos meus velhos amigos. As vezes encontrava alguma garota daquela época, provavelmente grávida, e mais provavelmente ainda, de um traficante ou algo do tipo.

Pessoas costumam dizer que pobre, pessoas periféricas ás vezes entram nessa vida por escolha. Mas isso quem diz são pessoas de fora, pessoas que moram em suas mansões no Alto do Ipiranga, Pinheiros ou Jardins que se debruçam sobre livros tentando entender como funciona, sei lá, a cabeça de um assassino de mora na periferia da cidade de São Paulo. Como por esse área não tem ninguém com cérebro o suficiente pois as pessoas mesmo quando usam a internet ficam 90% no Orkut brincando com seus BuddyPokes (criei um! é tão bonitinho *-*) vou mostrar o que está além de filmes como Tropa de Elite e afins.

Conversando com esse amigo eu comecei a perguntar sobre nossos antigos amigos. Que nessas vidas ocupadas agora devem estar trabalhando, pois desde que eu terminei o colegial a única pessoa que eu converso é a Naiara, que exatamente nunca estudou na mesma sala que eu, apenas éramos do mesmo colégio, hehe... Entre quinze pessoas questionadas o resultado foi o seguinte: duas estão cursando um curso superior e estão virando gente. As outras, tirando as garotas que estão com dois filhos pra mais, todos morreram.

Engraçado que esses dois era quem eu menos dizia "esse vai ser alguém na vida!".

São Paulo é uma terra de profundos contrastes. Existem bairros como Moema, por exemplo, que o IDH é igual a do Canadá por exemplo. Outros bairros porém, como o santo Jd Angela tem um IDH identico a de países como Mongólia. Não digo apenas isso, mas há um profundo preconceito das pessoas dizendo que daqui só sai bandito. Verdade seja dita: talvez metade de todos os jovens acabem caindo direta ou indiretamente no mundo do crime. E uma maior verdade seja esclarecida: muitos não escolheram isso.

Imagine você sendo um morador do Jd Angela. Você, muito provavelmente tem afro-descendência, que embora aja um imenso esforço do governo em eliminar essa ponta de preconceito que o brasileiro tem, infelizmente criando feriados inúteis, entre escolher um pobre-branco ou um pobre-negro pra dar um emprego, nem que seja de lixeiro, será pro pobre-branco. Sim, é verdade, não há japonesas aqui, somente há alguns italianos, portugueses, mas a maioria são de negros mesmo. Orientais mede o nível de riqueza de um bairro. Quanto mais, melhor o bairro é, exceto se você é oriental e mora na zona leste ou em osasco (brincadeirinha!!).

Então junte os fatores: morar um bairro ruim, ser pobre, não ter chances de ter um emprego sustentável ou as vezes nem sequer um emprego, ter descendência africana e não ter muitas vezes um apoio fraternal. Você está criando o ambiente perfeito para que a pessoa não tenha escolha. Ou irá virar atendente de telemarketing, ou irá virar marginal.

Não é pra ter um tenis. Não é pra ter um iPhone. É por não ter um emprego mesmo, pois eles tem ambições, nem que seja de ser lixeiro. Aliás, todos adoram meter o pau em lixeiro, mas se não fosse por eles, a cidade estaria bem mais suja do que já está. Infelizmente eles acabam se envolvendo nessa vida com coisas poucas, como assaltar motos no Morumbi, roubar mercadinhos em Pinheiros e por aí vai.

Porém esse mundo não tem ética, logo muitos acabam infelizmente sendo vítimas dessa mesma esfera política que entraram. Logo, perecem. Meu amigo foi falando de tanta gente querida, gente que eu tinha como amigo e imaginava que jamais iria pra essa vida, e agora estão todos mortos. Mortos pelo crime. Mortos por viverem num país onde poucos tem tudo, e a grande maioria não tem nada. Mortos por um país com um presidente incompetente que pensa que dar emprego de telemarketing vai fazer alguém crescer na vida e jamais investe em estudo.

Então, é claro, fiquei totalmente abalado. Alguns eu já sabia de longe que iriam pra essa vida, muitos pensam em ser "Zé Pequenos" da vida pensando que vao viver, mas mesmo no filme ele morre no final (mals aí o spoiler). É igual o vagabundo que roubou meu Motorola V8. Começa assim, jovem, talvez nem 18 anos tinha. Com 21 já estará morto, ou até antes.

Mas o filho da mae que me assaltou claro, ele merece totalmente. ;D
E quero mais que queime no inferno.

Mas aqueles amigos queridos não. A vida pra quem mora na periferia é assim. Enquanto outros que moram em outras áreas tem amigos na faculdade, ou trabalhando, eu tenho amigos morrendo. =)

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